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AULA PRÁTICA DE BACTERIOLOGIA CLÍNICA Enterobactérias Identificação Laboratorial de O QUE SÃO AS ENTEROBACTÉRIAS? As enterobactérias formam um grande grupo de bactérias Gram-negativas muito comuns na prática clínica diária. São os principais agentes causadores de infecções urinárias e intestinais. Um desafio no laboratório é que elas são muito parecidas morfologicamente ao microscópio, tornando a identificação visual insuficiente. 2 A CHAVE DA IDENTIFICAÇÃO Por que precisamos de testes bioquímicos? MORFOLOGIA METABOLISMO No microscópio, a maioria das enterobactérias apresenta-se como bacilos Gram-negativos idênticos. Aparência não revela a espécie. Cada bactéria possui um "perfil enzimático" único. Elas fermentam açúcares e usam nutrientes de formas diferentes. O comportamento revela a espécie. 3 TRIAGEM INICIAL EM PLACA A triagem primária começa na placa. Meios como MacConkey ou EMB revelam a capacidade de fermentar lactose. A fermentação produz ácido, que reage com o indicador de pH e torna as colônias rosadas. Se não houver mudança de cor, a bactéria não utiliza a lactose. Ex: Escherichia coli Salmonella spp. 4 TESTE DA OXIDASE 5 MECANISMO Busca a enzima citocromo oxidase (ausente em anaeróbios obrigatórios). Reagente: N,N-dimetil-p-fenilenodiamina. NEGATIVO (Sem Cor): Confirma Enterobactérias (Exceção: Plesiomonas). POSITIVO (Roxo em 10s): Descartar enterobactérias. Indica Pseudomonas, Aeromonas ou Neisseria. LEITURA VISUAL O TESTE TSI O Ágar Tríplice Açúcar de Ferro (TSI) é um dos meios mais importantes para a triagem de enterobactérias. É um meio sólido e inclinado que avalia três capacidades metabólicas de uma só vez. Fermentação de 3 Açúcares: Glicose (0,1%), Lactose (10%) e Sacarose (10%) Produção de Gás: a partir da fermentação Produção de H₂S: gás sulfídrico (citrato férrico) COMPOSIÇÃO DO MEIO Glicose (0,1%) Lactose (10%) Sacarose (10%) Vermelho de Fenol (Indicador de pH) 6 LENDO O TSI: FERMENTAÇÃO (CORES) TUBO 1 (VERMELHO/VERMELHO) TUBO 2 (VERMELHO/AMARELO) TUBO 3 (AMARELO/AMARELO) Fundo alcalino, ápice alcalino. Nenhuma fermentação. Fermenta apenas glicose. A glicose (0,1%) acaba rápido; a bactéria degrada proteína no ápice, revertendo o pH para alcalino (vermelho). Fermenta glicose + lactose e/ou sacarose. Alta concentração de açúcares mantém todo o tubo ácido. O INDICADOR VERMELHO DE FENOL FICA AMARELO EM MEIO ÁCIDO.7 LENDO O TSI: GÁS E H₂S PRODUÇÃO DE GÁS (CO₂ E Н₂) A degradação do ácido fórmico gera gás, evidenciado por bolhas, rachaduras ou elevação do ágar. PRODUÇÃO DE H₂S A enzima tiossulfato-redutase produz gás sulfídrico, que reage com o citrato férrico do meio, formando um precipitado negro insolúvel. 8 TESTE MIO: TRÊS EM UM MOTILIDADE INDOL ORNITINA Avalia o crescimento físico e a locomoção da bactéria através do meio semissólido. Avalia uma reação química de superfície: a hidrólise do aminoácido triptofano. Avalia uma mudança de cor no fundo do tubo: a descarboxilação do aminoácido ornitina. O MEIO MIO É UMA FERRAMENTA DE ALTA EFICIÊNCIA QUE AVALIA TRÊS CARACTERÍSTICAS SIMULTANEAMENTE EM UM MEIO SEMISSÓLIDO (0,4% DE ÁGAR), INCUBADO POR 24H A 35-37°С.9 INTERPRETANDO O MIO A leitura exige atenção a detalhes físicos (turvação) e químicos. MOTILIDADE INDOL ORNITINA Positivo: Crescimento difuso/turvo. Negativo: Crescimento restrito à linha de picada. Positivo: Formação de Anel Vermelho na superfície. Indica a produção de indol a partir do triptofano. Positivo: Reversão para cor Púrpura/Roxa. Negativo: Fundo permanece Amarelo. 10 TESTE DO CITRATO (SIMMONS) NEGATIVO POSITIVO pH 7,6 (Viragem para Azul) A BACTÉRIA PODE UTILIZAR O CITRATO COMO SUA ÚNICA FONTE DE CARBONO. QUANDO A ENZIMA CITRATASE ESTÁ PRESENTE, O METABOLISMO PRODUZ AMÔNIA, ALCALINIZANDO O MEIO. COMO RESULTADO, O INDICADOR AZUL DE BROMOTIMOL SOFRE UMA VIRAGEM DO VERDE PARA O AZUL INTENSO. 11 TESTE DA UREASE A QUÍMICA A bactéria pode ou não ter uma enzima chamada urease. Se ela tiver, acontece uma reação química simples: A ureia é quebrada Isso gera amônia (NH₃) e CO₂ O que isso muda no meio? A amônia é básica (alcalina). Então, quando ela é liberada: o pH do meio aumenta o meio fica alcalino A LEITURA NEGATIVO (Amarelo/Alaranjado): Ex: E. coli. POSITIVO (Rosa Intenso): Identidade clássica para Proteus, Morganella e algumas cepas de Klebsiella. 12 TESTE DA GELATINASE A QUÍMICA Bactérias excretam a enzima extracelular gelatinase, que hidrolisa o colágeno/gelatina, destruindo permanentemente sua propriedade de gel. A LEITURA POSITIVO (Torna-se Líquido): Característica crucial para identificar Serratia spp. e Proteus spp. NEGATIVO (Permanece Sólido): A maioria das enterobactérias. 13 TESTE DA FENILALANINA 1. INCUBAÇÃO 2. ADIÇÃO DE REAGENTE 3. LEITURA Inoculação da bactéria e incubação por 24h. Adição de 4 a 5 gotas de Cloreto Férrico a 10%. Positivo: Coloração Verde Escura. AVALIA A CAPACIDADE DE DESAMINAR O AMINOÁCIDO FENILALANINA EM ÁCIDO FENILPIRÚVICO. DICA CLÍNICA: O RESULTADO POSITIVO VERDE ESCURO É ALTAMENTE CARACTERÍSTICO PARA IDENTIFICAR BACTÉRIAS DOS GÊNEROS PROTEUS, MORGANELLA E PROVIDENCIA. 14 FIM AULA PRÁTICA DE BACTERIOLOGIA CLÍNICA TRIAGEM INICIAL EM PLACA TESTE DA OXIDASE O TESTE TSI LENDO O TSI: GÁS E H₂S TESTE MIO: TRÊS EM UM INTERPRETANDO O MIO O que isso muda no meio? TESTE DA FENILALANINA