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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO – UEMA CAMPUS SANTA INÊS CURSO DE ENFERMAGEM – BACHARELADO RELATÓRIO DA VISITA TÉCNICA AO HOSPITAL MUNICIPAL TOMÁS MARTINS DISCENTES: JÚLLIA KAROLINNE MACIEL ERICEIRA, JÚLIA SOUSA BEZERRA, LAYRA LAYANA CANTANHEDE HENRIQUE E MARIA EDUARDA NOGUEIRA SILVA - Santa Inês – MA 2025 O artigo "Humanização da assistência de enfermagem em Centro cirúrgico", de Eliana Bedin, Luciana Barcelos Miranda Ribeiro e Regiane Ap. Santos Soares Barreto, apresenta um estudo de natureza qualitativa, realizado por meio de uma revisão bibliográfica em bases de dados como Lilacs, Scielo e BDENF. O objetivo principal da pesquisa foi levantar as principais literaturas nacionais que abordam a humanização no ambiente do Centro Cirúrgico (CC), identificando sua necessidade e importância para a prática da enfermagem. A pesquisa, que delimitou o período de 1985 a 2002, resultou na seleção e análise de 31 artigos. As autoras estruturam o texto em torno de quatro eixos temáticos centrais que consideram fundamentais para a humanização no CC: a formação acadêmica do enfermeiro para o cuidado humanizado, as considerações éticas envolvidas na assistência (des)humanizada, a necessidade de humanizar o cuidado frente ao avanço tecnológico e a possibilidade de humanizar a assistência no CC. Na introdução, é ressaltado que o avanço científico e tecnológico, juntamente com o aumento dos encargos administrativos, afastou gradualmente o enfermeiro do cuidado direto ao paciente, criando a necessidade urgente de resgatar os valores humanísticos da profissão. É enfatizado que a humanização não representa uma rejeição aos aspectos técnicos ou científicos, mas sim a valorização do processo interativo, emocional e ético do cuidado. A seção sobre formação destaca a comunicação terapêutica como um pilar essencial, alertando para a dificuldade enfrentada por graduandos e profissionais em estabelecer um diálogo franco com o cliente, especialmente em situações práticas. Ao abordar as considerações éticas, o texto contrasta o Código de Ética de Enfermagem, que exige respeito à dignidade e aos direitos humanos, com a realidade prática do CC, onde o paciente é frequentemente tratado como um objeto, despersonalizado (troca de nome por número ou patologia), com sua privacidade invadida e suas angústias não atendidas. O artigo traz relatos pungentes de pacientes que sentiram o desrespeito ou o medo diante do ambiente cirúrgico. O dilema entre tecnologia e humanização é debatido, reconhecendo a tecnologia como essencial, desejável e necessária para a modernização do atendimento, mas advertindo que ela não deve prevalecer sobre o paciente, que muitas vezes é esquecido em detrimento dos aparelhos. O estudo conclui que a humanização é um desafio, mas é possível e essencial na prática da enfermagem, especialmente em uma área de alta complexidade como o Centro Cirúrgico. ANÁLISE E POSICIONAMENTO CRÍTICO O artigo de Bedin, Ribeiro e Barreto é uma obra de grande relevância e atemporalidade para a área da Enfermagem Cirúrgica. Sua principal contribuição reside na capacidade de, mesmo com uma base temporal de 1985 a 2002, diagnosticar problemas estruturais e éticos que persistem na realidade hospitalar contemporânea. O texto vai além da simples constatação teórica da importância da humanização e funciona como um chamado ético e profissional para a categoria. A fidelidade à ideia do autor (critério avaliativo) é incontestável, pois o artigo expõe com clareza a dicotomia entre a teoria humanística do cuidar e a prática desumanizada e mecanicista do CC. A análise é construída com solidez, apoiando-se em vasta literatura e documentos legais, como o Código de Ética dos profissionais de enfermagem, o que confere forte autoridade e argumentação ao estudo. Um dos pontos mais fortes da análise é a crítica à postura do enfermeiro no CC, que, por vezes, se restringe à função de "administrador" ou "instrumento de controle" dos equipamentos e rotinas, distanciando-se do paciente, que se torna um "objeto de trabalho". Essa observação é crucial, pois desloca a responsabilidade da desumanização da mera "falta de vontade" individual para um problema de gestão do cuidado e sobrecarga de trabalho que impede o enfermeiro de exercer seu papel primordial. A abordagem do avanço tecnológico é particularmente perspicaz. Em vez de demonizá-lo, o texto propõe a associação indissociável entre tecnologia e humanização, defendendo a "tecnologia do calor humano". Essa perspectiva é fundamental para o desenvolvimento profissional, pois reconhece que a excelência técnica deve ser um meio para o cuidado digno, e não um fim em si mesmo. O cuidado humanizado passa pela comunicação efetiva (orientar e sanar dúvidas) e pelo respeito à privacidade do paciente cirúrgico, que se encontra em um estado de extrema vulnerabilidade. Como ponto de crítica construtiva (capacidade de argumentação), embora o artigo enfatize corretamente que a humanização deve ser "implantada no coração antes mesmo de ser implantada no trabalho", a solução prática para o resgate do cuidado humano exigiria uma discussão mais aprofundada sobre as políticas institucionais. A humanização, para ser sustentável, não pode depender apenas do esforço individual. Em suma, o artigo "Humanização da assistência de enfermagem em Centro cirúrgico" cumpre integralmente seu objetivo, fornecendo uma base teórica robusta e uma análise crítica da realidade. As autoras demonstram com clareza que o cuidado humanizado no CC é mais do que uma tendência de gestão; é um imperativo ético e um fator de segurança e eficácia terapêutica. A humanização é o caminho para transformar o paciente cirúrgico de um "corpo vivo" esquecido em meio a equipamentos e rotinas no ser principal e sujeito do processo de cuidado. O desafio de humanizar é, portanto, o desafio de reafirmar a essência da Enfermagem em um contexto dominado pela tecnologia. O estudo é altamente recomendável para estudantes e profissionais da área, especialmente aqueles que atuam em setores de alta complexidade. Ele serve como um espelho para a prática diária, instigando a reflexão sobre o equilíbrio necessário entre a ciência, a arte e o cuidado humano na enfermagem. REFERÊNCIAS BEDIN, E.; RIBEIRO, L. B. M.; BARRETO, R. A. S. S. Humanização da assistência de enfermagem em centro cirúrgico. Revista Eletrônica de Enfermagem, Goiânia, v. 07, n. 01, p. 118-127, 2005. Disponível em: www.fen.ufq.br/revista.htm.