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Instrumental Técnico-Operativo no Serviço Social

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Instrumental técnico-operativo do
serviço social
Você vai reconhecer o serviço social por uma perspectiva que associa as dimensões teórico-
metodológicas, ético-políticas e técnico-operativas na aplicação dos instrumentos utilizados, como
observação, entrevista, visita domiciliar, trabalho com grupos, registro e produção de informações.
Profa. Renata França
1. Itens iniciais
Propósito
Realizar uma reflexão sobre os instrumentais técnico-operativos do serviço social, articulando suas dimensões
teórico-metodológicas, ético-políticas e técnico-operativas, cada vez mais fundamental na formação de
futuros profissionais de serviço social.
Objetivos
Reconhecer a dimensão técnico-operativa do serviço social e seus instrumentais: observação e visita
domiciliar.
 
Reconhecer a entrevista e o trabalho em grupo bem como sua perspectiva interdisciplinar.
 
Reconhecer o registro e a produção de informações, relacionando-os com o Código de Ética e a Lei de
Regulamentação da Profissão (Lei no 8.662/1993).
Introdução
O desafio deste estudo é refletir acerca da dimensão técnico-operativa do serviço social, relacionando-a com
suas dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa a partir de alguns instrumentais,
como: observação, entrevista, visita domiciliar, trabalho em grupo, registro e produção de informações.
Perceba que deve haver um debate crítico e reflexivo desses instrumentais, para que se fuja de uma
perspectiva formal-abstrata e funcionalista, quando eles forem utilizados. É, portanto, a perspectiva teórico-
crítica que sustenta as reflexões sobre os instrumentais trabalhados neste conteúdo.
Uma observação importante: não podemos esquecer que o estágio supervisionado em serviço social, com seu
arcabouço legal, normativas e resoluções, segundo alguns autores, também pode ser entendido como um
instrumental técnico-operativo.
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1. Observação e visita
A dimensão técnico-operativa não se fundamenta em si
mesma
A marca histórica de nossa profissão, desde seu início até os dias atuais, é a requisição profissional
fundamentada em modelos de intervenção com base em uma racionalidade formal-abstrata e instrumental
(que requer intervenção para responder às demandas, operando modificações imediatas). Essa racionalidade,
que, historicamente, põe e repõe questões nos âmbitos teórico e metodológico-interventivo, não permite que
profissionais captem as mediações que os conectam a uma leitura crítica da realidade, para perceber a
contradição entre capital e trabalho, em que o trabalho profissional rompa com o conservadorismo e com as
respostas profissionais imediatas no contexto empírico. Por esse motivo, iniciamos nosso estudo com uma
instigante reflexão, destacada logo a seguir.
Reflexão
A dimensão técnico-operativa não se fundamenta em si mesma. E o que queremos dizer com isso? Você
seria capaz de responder? 
É necessário que a teoria não se dissocie da prática, a fim de que o assistente social seja capaz de entender a
profissão no contexto da divisão social e da técnica do trabalho; interpretar as necessidades sociais que
geram as demandas profissionais; reconhecer como suas ações vêm respondendo às necessidades do tempo
histórico em que está inserido; e, perceber corretamente a qual projeto as requisições institucionais estão
vinculadas, além de refletir sobre quais estratégias, táticas e mediações podem ser realizadas.
Se você já escutou algo parecido com a teoria é diferente da prática, precisa fazer o caminho de volta, de
retorno à teoria, de conciliação entre ela e a prática, e não se deixar levar pela tendência ao anti-
intelectualismo, pois essa postura só reforça práticas conservadoras e enviesadas, totalmente contrárias ao
projeto profissional e à direção estratégica da profissão. Faz-se necessário que “a teoria se converta em arma
da crítica” (Engels; Marx, 2007, p. 151; Carvalho, 2018), ou seja, que o referencial teórico-metodológico.
[…] se constitua em instrumento de leitura e interpretação da realidade, enfim, de conhecimento da
realidade que capacite assistentes sociais na formulação de propostas alternativas às atuais requisições
institucionais. Mais ainda, que nos permita a clara formulação de objetivos factíveis para os quais a
construção de estratégias, táticas, instrumentos e técnicas, é fundamental. […] Nessa direção, é preciso
entender que a instrumentalidade é bem mais do que o debate dos instrumentos e das técnicas. Trata-
se de pensar as condições de possibilidades da profissão em determinados contextos e conjunturas, a
partir de certas racionalidades que incorporam e subsidiam diferentes projetos de profissão. Os
fundamentos da dimensão técnico-operativa são dados pelas dimensões teórico-metodológicas e ético-
políticas, por isso se faz necessária a crítica à razão instrumental presente no cotidiano do trabalho
profissional. São os objetivos, o porquê e o para quê, que orientam as escolhas das estratégias e táticas,
os quais requisitam instrumentos e técnicas.
(Guerra, 2019, p. 32-34)
A instrumentalidade não se resume a instrumentos e técnicas para uma intervenção profissional instrumental,
“[...] mas a uma determinada capacidade ou propriedade, constitutiva da profissão, construída e reconstruída
no processo sócio-histórico” (Guerra, 2007, p. 1). Se tudo se resumisse a uma intervenção instrumental, o
profissional do serviço social se restringiria à execução de tarefas apenas para atender às exigências do
mercado de trabalho.
A dimensão técnico-instrumental faz parte do exercício profissional, mas não deve se reduzir a ele,
pois, para dar conta de respostas e mediações qualificadas, deve-se investir em uma
instrumentalidade inspirada na razão dialética, isto é, que seja capaz de modificar as condições
objetivas e subjetivas dos sujeitos usuários dos serviços, programas, projetos e políticas públicas
nos quais assistentes sociais estão inseridos.
Os instrumentos e técnicas, por si só, não dizem nada, pois o que os dota de significado é a maneira como são
utilizados. Não à toa se fala que profissionais devem ser críticos, reflexivos e propositivos.
O profissional deverá ser capaz de colocar sua instrumentalidade a serviço do atendimento das demandas, de
forma a antecipá-las (Guerra, 2007). Que ele, no manejo de seu instrumental técnico, coloque-o no interior de
seu projeto profissional, e, mais ainda, que possa reconhecer a dimensão política da profissão, a fim de
construir alternativas que sejam instrumentais à superação da sociabilidade do capital.
Para entender a dimensão técnico-operativa
Neste vídeo, o Assistente Social Rodrigo da Silva apresenta a importância da dimensão técnico-operativa para
o profissional de Serviço Social.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A observação na prática profissional de assistentes sociais
É necessário que profissionais, em sua intervenção, rompam com o praticismo, com a razão instrumental e
imediatista, não sendo meros executores terminais de ações. Para isso, é necessário que partam de uma
perspectiva crítica de atuação.
Você saberia diferenciar a realização de uma observação que reforce essa razão instrumental (perspectiva
acrítica/não crítica) de outra que rompa com ela (perspectiva crítica)? Para um melhor entendimento, vamos
exemplificá-las a partir de um quadro analítico. Confira.
Partindo de uma perspectiva crítica, compreende-se que a observação é um processo tecnicamente
qualificado, executado com base em pressupostos éticos e diretrizes teórico-metodológicas para
conhecimento dos usuários e de suas demandas. Estas, por sua vez, são intrinsecamente ligadas às
especificidades dos contextos social, cultural e econômico.
Profissionais devem realizar uma observação crítica buscando compreender as características, os riscos, as
vulnerabilidades e as potencialidades de seus usuários e dos territórios em que estão inseridos, além de como
os últimos podem impactar a vida dos sujeitos e de suas famílias. Assistentes sociais, como instrumental de
sua própriaprática, devem englobar também, em sua observação, a leitura dos próprios usuários, de como
percebem sua existência e suas condições particulares e do ambiente que os circunda. Assim, a observação é
uma importante ferramenta profissional, pois alguns problemas vivenciados pelos usuários, caso não haja
intervenção imediata, acesso aos serviços e encaminhamentos, podem acarretar mais violações de direitos e
ampliação das situações de risco social.
Atenção
A observação não deve se basear em prejulgamentos ou na avaliação dos usuários, de seu modo de vida
e da dinâmica de seu funcionamento. Ao contrário, ela é uma ação interventiva de extrema relevância
que poderá auxiliar profissionais no direcionamento de uma prática transformadora (práxis). O cuidado e
o respeito com as condições de vida dos usuários e com sua trajetória devem estar presentes nesse
olhar atento, isto é, o olhar de ver. 
É necessário apresentar um importante conceito para pensar a observação a partir do sentido do olhar: a
experiência (Larrosa, 2017). Esta se refere a tudo aquilo que nos acontece, que nos passa e que nos toca,
porque a experiência do outro também nos atravessa. A observação deve qualificar profissionais para essa
práxis transformadora, para que, de fato, seja pensada uma mudança das condições objetivas e subjetivas da
vida dos sujeitos.
Vamos refletir agora sobre uma situação que pode acontecer em uma visita, mas que não deve ser praticada
em uma observação.
Perspectiva não crítica 
Prioriza a observação direta do usuário.
Exemplo: a maneira de falar do usuário, suas
atitudes e gestos. Observa seu
comportamento etc. A apreensão aqui é
unilateral.
Perspectiva crítica 
Prioriza uma observação que se
aprofunda, não se contentando com o
aparente, decodificando e
compreendendo as inter-relações
causais. Tem natureza política e parte
do singular para o geral/universal, e vice-
versa.
Homem abrindo porta de armário da cozinha.
Em um exemplo hipotético, digamos que o
profissional foi chamado para cadastrar
usuários para o recebimento de cestas básicas
de um programa de acesso à alimentação, no
qual ele teria que entrevistá-los em seu local de
moradia, a fim de conhecer a realidade das
famílias. No momento da visita, um usuário
chama o profissional para ver seu armário de
mantimentos, a fim de mostrar se há ou não
gêneros alimentícios, com o intuito de confirmar
o acesso ou não à alimentação, ou de avaliar
uma situação de carência alimentar, fome,
pobreza e/ou vulnerabilidade.
 
Em hipótese alguma isso deve ser feito!
Na situação apresentada, carência alimentar, fome, pobreza e vulnerabilidade podem ser muito mais bem
percebidas a partir da percepção do território, do acesso ou não a saneamento básico, moradia, entre outras
características. Como assistentes sociais trabalham com as expressões da questão social em suas várias
camadas e nuances, a situação hipotética poderá encobrir diversas questões, como desemprego,
precarização do trabalho, violência, privação de acesso a saneamento, moradia, informação, políticas públicas
etc. Esses condicionantes muitas vezes aparecem fragmentados, como se não estivessem vinculados entre si.
Assim, cabe a profissionais, em sua observação qualificada, não individualizar as questões, culpabilizando os
sujeitos por sua própria condição de existência, mas romper com esse tipo de apreensão da realidade, de
forma crítica e analítica e de modo a entendê-la como um conjunto de fatores sociais, econômicos, políticos,
culturais, históricos e que se interpenetram. No exemplo, o não acesso a uma alimentação digna pode
expressar bem mais do que a observação da falta de gêneros alimentícios no armário.
O instrumental observação
Com este vídeo, você vai identificar as principais características do instrumental observação na prática de
assistentes sociais. Exploraremos como a observação cuidadosa e atenta pode revelar nuances cruciais nas
vidas e necessidades dos clientes.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A visita na prática profissional de assistentes sociais
A visita domiciliar faz parte do instrumental técnico-operativo de assistentes sociais desde sua origem como
profissão no Brasil, embora tenha tido objetivos diferenciados ao longo dos anos. Atualmente, com uma
avaliação crítica da complexidade da realidade social, deve-se buscar desenvolvê-la de forma a pensar na
totalidade do que trata a demanda, alinhada ao projeto ético-político da profissão e na perspectiva de
reconhecimento dos direitos dos sujeitos.
Assistente social sendo recebida na porta por um
senhor.
Como atividade profissional interventiva, a visita domiciliar
poderá se constituir tanto como instrumento para
potencializar as possibilidades de conhecimento da
realidade quanto como invasão da vida privada dos usuários
e de sua família, com o objetivo de controle ou policiamento.
Essa última postura deverá ser evitada pelos profissionais.
Assim como a observação, a visita domiciliar deverá partir
de uma razão dialética, e não instrumental. Ela não deve
mais ser concebida como um instrumento que reproduz as
relações de dominação, mas como um processo de
intervenção que estabelece relações de fortalecimento,
autonomia, promoção e comprometimento com os sujeitos.
Poderá agregar informações importantes para a elaboração do estudo social, ampliando o escopo de nossa
compreensão da vida dos sujeitos, do local em que eles estabelecem suas relações familiares e afetivas, e
também da relação desse lugar com o mundo exterior. É possível dar retorno às solicitações encaminhadas
pelos usuários evitando que eles tenham despesas de deslocamento para os serviços. A visita domiciliar
poderá, então, realizar uma boa busca ativa, servindo para humanizar os atendimentos e estabelecer vínculos,
entre outros resultados. Contudo, nessa prática, deve-se atentar para alguns aspectos importantes:
Antes de realizar a visita, estabeleça as necessidades, os objetivos e as finalidades. Ela é um
instrumental que deve partir de um planejamento, para se aproximar da realidade do sujeito. Não se
deve adentrar a privacidade das famílias por curiosidade, como mera rotina, ou de forma
inconsequente.
 
Se possível, acorde datas e horários para a visita, pois chegar de surpresa pode afetar negativamente
o vínculo de confiança, trazendo o sentimento de vigilância e controle institucional e reafirmando
resistências.
 
Tenha clareza de que o espaço é privativo da família e de que respeitar a dinâmica familiar, os hábitos e
os costumes é de extrema relevância.
 
Aborde assuntos que permitam aos visitados se expressar na linguagem de seu meio — a linguagem
profissional deverá ser clara, sem hierarquizar o tratamento com os usuários e sem estabelecer um
falso vínculo de afeto.
 
Obtenha informações prévias, para não ter dificuldade em localizar a residência.
 
Apresente-se durante a visita de maneira simpática, pois a cordialidade é fundamental. A visita não é
um inquérito policial; logo, tome cuidado para não assumir uma postura de fiscalização e de controle
institucional.
 
Tenha cuidado nas visitas repetidas, para que o contato profissional não degenere em familiaridade,
que é diferente de estabelecer vínculos com os usuários.
 
Se a visita requer a presença de mais de um profissional, defina previamente as pessoas estritamente
necessárias às finalidades dela, pois o excesso de profissionais e/ou o trânsito de muitas pessoas no
ambiente familiar poderão causar constrangimentos.
 
Mesmo sendo uma visita à residência dos sujeitos, ela deverá ter como prerrogativas o respeito à
privacidade e o sigilo profissional.
 
Não esconda o motivo da visita. Deixe claro para os usuários com quem eles estão falando, o motivo e
a finalidade da visita domiciliar e, principalmente, seu caráter confidencial.
 
A visita deve ser autorizada pelos usuários, como também deve ser respeitado seu direito à recusa de
profissionais em sua residência.
 
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Tenha respeito pelaorganização própria da vida cotidiana dos usuários; é importante que você se
atente à duração da visita domiciliar e se o momento é propício para ela.
 
Registre discretamente informações da entrevista, de forma a não constranger os usuários, e elabore
estratégias para o relatório/estudo social, como uso de palavras-chave, com vistas a não perder
nenhum elemento do que foi dito, além de não desviar a atenção.
Sobre o registro do item 13, vale a observação de Silva e Moura:
Ao registrarmos o pensamento/fala das pessoas é conveniente fazermos em destaque, entre aspas,
seguidos da expressão SIC, para não confundirmos com o registro da nossa percepção. Outras formas
de linguagem apreendidas pelo uso da observação deverão ser registradas, como agressividade,
indiferença, gestos, olhares, silêncios etc.
(Silva; Moura, 2016, p. 120-121)
O instrumental visita
Neste vídeo, você vai aprender como essa ferramenta instrumental se torna vital na compreensão das
necessidades, dos contextos e das realidades dos clientes. 
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Preencha corretamente a sequência que trata da observação nas perspectivas crítica (1) e acrítica (2).
 
( ) Perceber as condições sanitárias do usuário, para compreender a falta de acesso a direitos.
 
( ) Olhar se o indivíduo gagueja ao falar, sendo essa a indicação de que está mentindo.
 
( ) Ver se o domicílio está bastante sujo, sendo essa a única indicação de proliferação de doenças.
 
( ) Perceber que a mãe chamou a atenção de um de seus filhos e apontar em seu relatório, por esse motivo,
que se trata de uma família desestruturada.
 
( ) O assistente social percebeu que, por falta de informação, um usuário ficou de fora de um programa de
inclusão produtiva. A partir daí, todos os encaminhamentos necessários foram realizados para que não só ele,
mas toda a sua família, tivesse acesso a todas informações e políticas públicas existentes no município.
12. 
13. 
 
Escolha a opção que corresponde à sequência correta.
A
1, 2, 2, 2, 1.
B
2, 2, 1, 1, 2.
C
2, 1, 2, 1, 2.
D
1, 1, 1, 2, 2.
E
2, 2, 2, 1, 2.
A alternativa A está correta.
A perspectiva de observação acrítica é aquela em que a apreensão se dá de forma unilateral, verificando o
comportamento, o gestual, a ação dos sujeitos e tirando conclusões daquilo que se percebe
aparentemente. Já pela perspectiva crítica, a observação tem uma visão ampla, de totalidade, indo além do
aparente e relacionando-o com as condições históricas, sociais e econômicas dos sujeitos.
Questão 2
Existem vários momentos em que assistentes sociais necessitam de informações precisas e fidedignas, a fim
de desempenhar seu papel profissional. Em alguns casos, torna-se necessário ter uma visão mais ampla da
realidade social, do ambiente no qual os sujeitos vivem. Para esse fim, sabemos que a melhor opção está na
A
busca de informações com vizinhos e parentes.
B
obrigatoriedade do uso de todos os instrumentais técnico-operativos de que assistentes sociais dispõem.
C
observação instrumental acrítica.
D
busca de informações dos sujeitos em suas redes sociais.
E
visita domiciliar.
A alternativa E está correta.
Para ampliar a compreensão da realidade em que vivem os sujeitos e de suas relações familiares, não há
obrigatoriedade de utilização de todos os instrumentais de que profissionais dispõem. Pode-se optar por
realizar a visita domiciliar, a fim de conhecer mais de perto onde vivem os sujeitos sociais e as relações que
estabelecem.
2. Entrevista e trabalhos em grupo
A entrevista e suas peculiaridades
A entrevista é um contato pessoal, de caráter confidencial, entre o assistente social e o indivíduo, e que
envolve uma relação íntima. É necessário que se estabeleçam um processo de comunicação e um diálogo
ético e respeitoso.
Entrevistar o indivíduo é uma prática que vem sendo realizada pela profissão desde sua origem e
institucionalização, a exemplo do serviço social de caso, grupo e comunidade. Nessa perspectiva tradicional, a
preocupação se dava muito mais em torno da forma, de como a entrevista era desenvolvida, das técnicas
utilizadas, ou seja, do bom ou do mau desenvolvimento desse instrumento. Contudo, hoje é possível entender
que,
[…] muito mais do que um conjunto de técnicas destinado a resolver os problemas dos usuários, a
entrevista é um instrumental técnico-operativo que permite realizar uma escuta qualificada e estabelecer
uma relação dialógica intencional com o usuário, através da qual se busca conhecer a realidade social,
econômica, cultural e política onde está inserido e que incide direta ou indiretamente sobre as suas
demandas.
(Lavoratti, 2016, p. 82)
A escuta qualificada segue uma perspectiva dialógica intencional, pois, ao mesmo tempo que contempla o
conhecimento da realidade do indivíduo, também é ação para conhecê-la; trata-se de uma interação com o
usuário e, acima de tudo, do aperfeiçoamento dos sentidos. Ela deve ser uma escuta que ouve integralmente
os sujeitos, suas demandas, em um movimento de ação-reflexão-ação, resultando em uma análise crítica da
situação e levando profissionais a compreender as experiências e os significados dados pelos usuários a partir
do que é falado por eles.
As dimensões profissionais teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa (Lavoratti, 2016) deverão
estar articuladas para a compreensão dos sujeitos e de sua realidade. Isso permite que eles sejam ativos tanto
na compreensão e na identificação de suas demandas quanto na construção coletiva de estratégias de
enfrentamento das situações vivenciadas.
Na entrevista, profissionais não devem se colocar de forma hierárquica, como superiores a seus usuários,
tampouco como salvadores no atendimento a suas demandas, ou de forma fatalista, em que nada mais se
pode fazer. Contudo, tais posturas (o messianismo e o fatalismo) ainda estão sendo reatualizadas na
profissão. Vamos distingui-las?
Assistentes sociais devem romper com a visão fatalista do processo histórico. Nessa visão, o serviço social
olha para a realidade como se ela
[…] já estivesse dada em sua forma definitiva, os seus desdobramentos predeterminados e os limites
estabelecidos de tal forma, que pouco pode se fazer para alterá-los. Tal visão determinista e a-histórica
da realidade conduz à acomodação, à otimização do trabalho, ao burocratismo e à mediocridade
profissional.
(Iamamoto, 2001, p. 22)
É necessário evitar o messianismo profissional, pois, quando o assistente social tem sua ação baseada nessa
perspectiva, ele passa a ter “[...] uma visão heróica do Serviço Social, que reforça unilateralmente a
subjetividade dos sujeitos, a sua vontade política sem confrontá-la com as possibilidades e limites da
realidade social” (Iamamoto, 2001, p. 22).
A entrevista tem dois objetivos principais: conhecer a realidade dos usuários, prestando informações para
suas demandas, e fazer encaminhamentos e orientações com vistas à garantia de seus direitos (Lavoratti,
2016). Para isso, ela pode se apresentar de três modos, como apresentado a seguir. Veja.
Entrevistas estruturadas
“Quando as respostas, as sequências e a forma de colocá-las estiverem sem que o entrevistador
possa alterá-las” (Lavoratti, 2016, p. 88).
Entrevistas não estruturadas
“Quando o assistente social possa conversar livremente sobre as situações apresentadas, motivando
o usuário com indagações que propiciem a reflexão sobre a realidade vivida” (Lavoratti, 2016, p. 88).
Entrevistas semiestruturadas
“É aquela que, apesar de possuir questões norteadoras e objetivos preestabelecidos, deixa espaço
para o surgimento de outros aspectos não previstos pelo entrevistador, enriquecendo o processo de
comunicação e possibilitando uma coleta de dados maior sobre a totalidade das questões
apresentadas pelo usuário” (Lavoratti, 2016, p. 88).
Para a realização da entrevista, o profissional deverá planejá-la anteriormente, pensando em sua execução e
operacionalização — acolhida, lugarde realização, de quais informações necessita, acolhimento dos
sentimentos e das emoções dos usuários, tomada de providências concretas e, por último, registro e
sistematização das informações. A maioria das entrevistas realizadas por assistentes sociais deve conter as
seguintes informações: “Identificação; Demandas: Atitudes, sentimentos, expectativas expressas pelo usuário;
Dificuldades emocionais do usuário ou do assistente social; Avaliação e encaminhamentos; Proposta de Ação”
(Lavoratti, 2016, p. 99).
O instrumental entrevista
Com este vídeo, descobriremos como a entrevista coleta informações e também estabelece conexões
genuínas, promove a autonomia e orienta intervenções eficazes no serviço social.
Jovem sorrindo e sendo acolhida por duas pessoas do
grupo.
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Os desafios dos trabalhos em grupo
O trabalho em grupo pode se tornar um excelente momento para compartilhamento de experiências entre os
participantes, de reflexão sobre a realidade, de acesso à informação sobre direitos e de construção de
projetos de vida que possibilitem a ampliação dos direitos sociais.
Mobilizar um grupo propicia a troca de
vivências, tornando esse acompanhamento
uma experiência que promove o aumento da
capacidade dos indivíduos de vocalizar suas
demandas, produzir consensos, aceitar a
diferença e negociar conflitos de modo não
violento.
 
Essa prática também possibilita a identificação
e a consolidação de redes de apoio social bem
como a construção de projetos comunitários,
produzindo o protagonismo e a autonomia dos
sujeitos.
Para se efetivar o acompanhamento em grupo,
assistentes sociais deverão voltar seu olhar
também para os indivíduos, pois é necessário
relacionar os objetivos do trabalho em grupo com as necessidades de seus participantes.
Historicamente, assistentes sociais se tornaram agentes privilegiados para o contato direto com a população.
O trabalho em grupo é um contato intencional de aproximação com os usuários, que abre espaço para o
diálogo, a troca de informações e experiências diversas, e também para o estabelecimento de novas relações.
A função do trabalho em grupo, além de reunir pessoas, é contribuir para o desencadeamento e a
realização de um processo reflexivo sobre o cotidiano.
O trabalho em grupo exige de profissionais o domínio de vários instrumentais, como reuniões, visitas
domiciliares, observação, entrevistas etc. (Vileirine, 2016). Esses instrumentais poderão ser necessários para
o desenvolvimento das atividades, de acordo com a necessidade e o planejamento de profissionais.
Dessa forma, o trabalho em grupo deve ser feito com grupos operativos centrados na necessidade de
transformação das pessoas e da realidade por meio da convivência grupal (Vileirine, 2016). Essa convivência
deve privilegiar a formação de cidadãos de direitos, conscientes de seu papel de participação na sociedade.
Será efetivamente um grupo quando se conseguir criar os vínculos entre seus membros, pela consolidação de
uma relação de confiança e de segurança. Além disso, o grupo se constitui quando cada membro traz suas
questões de forma subjetiva e individual, necessidades que fazem referência à sua realidade. Há também, no
processo do trabalho em grupo, a possibilidade de transformação das necessidades individuais em interesses
coletivos.
Atenção
O ideal é que o profissional conheça as necessidades do grupo, respeite o pensamento dos usuários,
promova a reflexão, leve questionamentos da realidade local, confrontando os interesses individuais e os
interesses coletivos, para finalmente compreender as metas do grupo. 
“O trabalho em grupo, na perspectiva do Serviço Social, deve direcionar para a consciência que a realidade
não está aquém do ser humano, mas é construída por ele e, portanto, pode ser modificada” (Vileirine, 2016, p.
136). É um instrumental muito valioso, se utilizado adequadamente na organização e na consolidação dos
grupos. Nestes, são construídos símbolos concretos de participação, além de ser o momento de discussões,
debates, trocas de ideias etc. Profissionais do serviço social deverão estar comprometidos com a
transformação das relações sociais. Observe o que Vileirine afirma sobre o assistente social:
[…] a abordagem do assistente social no trabalho de grupo tem um compromisso explícito com a
transformação, com o rompimento de práticas assistencialistas ou paternalistas. Não podemos mais
conceber um trabalho de grupo que mantém a alienação e o reducionismo das relações instituídas. […]
Neste sentido, é preciso que o assistente social compreenda sua responsabilidade como protagonista da
História, construída com sua ação sobre o mundo e na relação com os outros. Que o seu trabalho como
assistente social com o grupo seja repleto de significado, seja trabalho criador para si, para o grupo e
para a sociedade.
(Vileirine, 2016, p. 137-138)
O instrumental trabalho em grupo
Neste vídeo, exploraremos o poder transformador do trabalho em grupo no serviço social e seu impacto
duradouro na promoção do bem-estar e na criação de comunidades mais resilientes.
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O trabalho social em grupo e a perspectiva interdisciplinar
O trabalho em grupo pode levar os indivíduos a expressar suas experiências, gerando situações particulares,
posicionamentos e falas importantes, a partir de um ambiente acolhedor e que gere confiança. A interação e o
estabelecimento de vínculos dos participantes dependerão também da equipe e de profissionais que estarão
com os grupos. É importante que a equipe e suas ações sejam pautadas por uma perspectiva interdisciplinar.
Pessoas conversando em grupo.
São deveres do assistente social… incentivar, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar.
(Conselho Federal de Serviço Social, 1993, art. 10, d)
Os profissionais que realizarão o trabalho em grupo deverão estabelecer relações horizontais, tanto com os
usuários quanto com a equipe técnica, desenvolvendo uma prática em perspectiva interdisciplinar,
respeitando as normas e os princípios éticos das outras profissões.
Nesse direcionamento, todos — equipe e usuários — estarão implicados na ação e nos objetivos concretos do
grupo. No trabalho em grupo, o assistente social poderá utilizar mais de um instrumental, que também
poderão ser partilhados pelos outros profissionais. Podemos citar como exemplo a utilização de uma
entrevista em determinado grupo para levantar alguns dados dos usuários. Não é necessário que esses
usuários sejam entrevistados por todos os profissionais que estarão ali, bastando um só profissional para
levantar os dados necessários, desde que as informações sejam compartilhadas com a equipe para
aprofundamento, conhecimento e discussão de determinada problemática ou demanda.
Em um trabalho em grupo em perspectiva
interdisciplinar, o assistente social e toda a
equipe envolvida devem ficar atentos para que
a prática estimule nos participantes o
surgimento de dúvidas — oposição e
questionamentos acerca do mundo em que
vivem —, pois assim se ampliam as
possibilidades do conhecimento sobre a
realidade social (Vileirine, 2016).
O trabalho social em grupo deve favorecer que
os usuários problematizem e reflitam
criticamente sobre questões muitas vezes
cristalizadas, naturalizadas e socialmente
individualizadas, possibilitando o entendimento de que os problemas vivenciados particularmente são
problemas que atingem outros indivíduos e outras famílias. Pode também estimular os sujeitos a se sentirem
pertencentes a esse todo, possibilitando-lhes agir ativamente em suas realidades concretas.
Quando a ação profissional não se reflete no fazer por fazer — a exemplo das dinâmicas de grupo sem
objetivos concretos —, ela se transforma em práxis, que é um fazer que vai perpassar uma análise científica e
uma reflexão filosófica. A ação não se dissocia da teoria, e essa teoria não se desvincula de um projeto
societário maior, que é a transformação das condições de existênciados sujeitos.
A intervenção […] pressupõe, de forma necessária, uma convergente colaboração dos especialistas das
várias áreas das Ciências Humanas, evitando-se assim uma hipertrofia, seja de uma fundamentação
unidimensional, seja de uma intervenção puramente técnico-profissional.
(Severino, 2010, p. 19)
Um aspecto importante que se deve levar em consideração no trabalho em grupo é sua institucionalização.
Em sua maioria, os grupos são formados a partir de organizações e instituições presentes na sociedade, como
Assistente social oferecendo apoio a jovem em escola.
fábricas, escolas, organizações não governamentais (ONGs), prefeitura, centros de referência etc. Nesses
lugares, são reproduzidas condições que asseguram sua manutenção ou sua transformação, trazendo muitas
vezes seus valores e possíveis direcionamentos e ações. O assistente social, inserido nesse contexto, deverá
preservar a autonomia dos participantes do grupo, mantendo a possibilidade de autodeterminação e
direcionamento de ações quando do questionamento de situações estabelecidas que podem ser contrárias
aos interesses do grupo (Vileirine, 2016).
No desenvolvimento do trabalho em grupo, é
imprescindível que os usuários se sintam
pertencentes a ele, que a comunicação seja
respeitosa, que as opiniões sejam estimuladas,
e as divergências, acolhidas. Na constituição do
grupo, o contrato de regras de convivência
deve ser estabelecido de forma democrática.
Assistentes sociais devem se atentar para o
sigilo profissional, sendo vetado revelar a
intimidade dos usuários. Deverão ainda, em
trabalho interdisciplinar, prezar pelo sigilo entre
os profissionais e os participantes do grupo,
pois a intervenção profissional e o uso do
instrumental do trabalho social em grupo são de grande responsabilidade e devem ser muito bem planejados,
resultando em ampla participação dos usuários, reflexão e resultados, de acordo com os objetivos
efetivamente propostos.
A perspectiva interdisciplinar na prática profissional
Neste vídeo, vamos mergulhar na sinergia de conhecimentos e práticas que impulsionam a eficácia e a
relevância do serviço social na sociedade contemporânea.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Sabemos da importância da entrevista e de como ela deve ser bem preparada e executada pelo assistente
social. Exatamente por isso, há características que devem ser preservadas pelo profissional, a saber:
 
I – A entrevista é um instrumental técnico-operativo que permite realizar uma escuta qualificada.
 
II – A entrevista é usada para estabelecer uma relação dialógica intencional com o usuário, conhecendo sua
realidade social, econômica, cultural e política.
 
III – As entrevistas podem ser classificadas em estruturadas, semiestruturadas e não estruturadas.
 
IV – A entrevista deve ser sempre imediata, para não incomodar os usuários.
 
V – Em um primeiro momento na entrevista, é interessante buscar as condições para uma comunicação
efetiva.
 
Das afirmativas apresentadas, são verdadeiras
A
I, II e III.
B
II, III e IV.
C
I, III e V.
D
I, II, III e V.
E
II, III, IV e V.
A alternativa D está correta.
As características apresentadas enfatizam exatamente os aspectos mais importantes da entrevista — a
escuta qualificada, a relação dialógica e a comunicação afetiva —, além, é claro, de sua possível
classificação, de acordo com o fim pretendido. Por isso, a entrevista é um momento importante para
estabelecer e aprofundar uma relação com o usuário face a face, sendo um momento de diálogo, de
conhecimento da realidade em que ele vive. Portanto, não deve ter como prerrogativa o imediatismo.
Questão 2
O trabalho em grupo, no âmbito profissional da assistência social, é um dos mais desafiadores. E um dos
desafios é exatamente o contato entre o sujeito atendido e o profissional. Sobre isso, podemos afirmar:
 
I – O assistente social deve valorizar o compartilhamento de experiências entre os sujeitos atendidos, a fim de
apreender de forma eficaz a realidade concreta em que vivem.
 
II – Quanto mais puder utilizar instrumentais de outras áreas, como a psicologia, por exemplo, melhor será o
trabalho do assistente social.
 
III – Embora realizado em grupo, esse tipo de trabalho deve evitar projetos que envolvam vários sujeitos, pois
isso limitaria sua individualidade.
 
Das afirmativas apresentadas,
A
somente I é verdadeira.
B
somente II é verdadeira.
C
somente III é verdadeira.
D
são verdadeiras I e II.
E
são verdadeiras II e III.
A alternativa A está correta.
De fato, a partilha de experiências vividas pelo grupo é um dos principais pontos de valor desse tipo de
atendimento profissional, pois permite chegar às informações diretamente com os sujeitos. Da mesma
forma, é fundamental a proposta coletiva, como projetos sociais e redes de apoio, pois isso enriquece a
relação entre os sujeitos.
3. Atuação privativa: registro e produção de informações
O registro e a produção de informações
Vamos agora discutir o registro e a produção de informações no Código de Ética e na Lei de Regulamentação
da Profissão do Assistente Social, sobre o entendimento dos termos, quando estes aparecem de forma clara e
explícita, e sobre quais articulações devem ser entendidas quando estão de maneira implícita nessas
normativas legais.
Iniciamos a discussão pelo direcionamento legal relacionado com o sigilo profissional na utilização desses
instrumentais.
O registro e a produção de informações pelo assistente social deverão prezar por sua capacidade
técnica e garantir seu devido sigilo, já que estamos tratando de informações que dizem respeito a
seres humanos e que podem, em caso de violação indevida, trazer consequências negativas para os
usuários e profissionais.
O sigilo profissional é mencionado em vários pontos do Código de Ética. Recordamos o que trata dos direitos
e responsabilidades gerais do assistente social, quando dispõe, no art. 2º, que constituem direitos do
profissional “a inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação, garantindo o sigilo
profissional”.
O sigilo […] protegerá o/a usuário em tudo aquilo de que o/a assistente social, tome conhecimento, como
decorrência do exercício da atividade profissional. […] A quebra de sigilo só é admissível quando se
tratarem de situações cuja gravidade possa, envolvendo ou não fato delituoso, trazer prejuízo aos
interesses do/a usuário/a, de terceiros/as e da coletividade.
(CFESS, 1993, arts. 16 e 18)
Na utilização dos instrumentais, uma prerrogativa importante a ser considerada sobre o sigilo das informações
registradas é que, na relação direta com os usuários, é dever do profissional “[...] fornecer a população
usuária, quando solicitado, informações concernentes ao Serviço Social e suas conclusões, resguardando o
sigilo profissional”, como também “[...] democratizar as informações e o acesso aos programas disponíveis no
espaço institucional, como um dos mecanismos indispensáveis a participação dos/as usuários/as” (CFESS,
1993, art. 5º).
Quando da utilização de informações para estudos e pesquisas com os usuários, é dever do profissional
devolver esses dados “[...] no sentido de que estes possam utilizá-los para o fortalecimento de seus
interesses” (CFESS, 1993, art. 5º). Na relação com outros assistentes sociais e profissionais de outras áreas, é
dever do profissional “[...] repassar ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho”
(CFESS, 1993, art. 10).
Assistente social avaliando pesquisas.
Aproximação e diálogo na atuação do Assistente Social.
Ainda sobre o registro e a produção de
informações, a Lei de Regulamentação da
Profissão ajuda a refletir sobre como
poderemos também utilizar esses
instrumentais: “Realizar estudos sócio-
econômicos com os usuários para fins de
benefícios e serviços sociais junto a órgãos da
administração pública direta e indireta,
empresas privadas e outras entidades” (Brasil,
1993, art. 4º). Também é atribuiçãoprivativa do
assistente social: “Coordenar, elaborar,
executar, supervisionar e avaliar estudos,
pesquisas, programas e projetos na área de
Serviço Social” (Brasil, 1993, art. 5º).
O registro e a produção de informações são
instrumentais amplos, que, se bem
direcionados pelo profissional, poderão ampliar o acesso aos direitos, às políticas públicas, às ações e aos
serviços disponíveis, perpassando também por uma dimensão ética, interligada ao sigilo profissional. É dessa
dimensão ética que trataremos a seguir.
Os instrumentais registro e produção de informação
Descubra, neste vídeo, como o registro cuidadoso e a produção de informação documentam histórias
individuais e informam práticas baseadas em evidências e promovem a defesa de direitos.
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Desafios do registro e da produção de informações
O registro e a produção de informações são instrumentais amplos e podem auxiliar no trabalho profissional em
diversos espaços socio-ocupacionais. São alguns dos exemplos e possibilidades em que assistentes sociais
poderão utilizá-los articulando-os a outros instrumentais: na observação, na abordagem individual ou coletiva,
em uma reunião, na visita domiciliar, na elaboração de um parecer etc.
Assistentes sociais se tornaram,
historicamente, agentes privilegiados para o
contato com a população na utilização da
abordagem, que é um contato intencional de
aproximação, em que se abre um espaço para o
diálogo, para a troca de informações e/ou
experiências, sendo um exemplo de como os
demais instrumentais podem estar se
articulando.
Quando há o estabelecimento do contato,
poderá também ser realizado o registro, com a
produção de informações resultantes dessa
abordagem. Muitos podem ser os desafios na
utilização dos instrumentais, como registrar uma observação ou um diálogo sem que se quebre o vínculo da
conversa. O profissional deve estar atento aos usuários, pois eles podem ficar constrangidos com o registro,
as pausas e as anotações realizados nesse encontro.
Atenção
O ideal é que o profissional preste bastante atenção ao que os indivíduos estão dizendo, olhe-os nos
olhos, com interesse na conversa. Mais do que um arranjo formal de dados para a elaboração de
documentos, é imprescindível que o assistente social tenha o domínio da informação que está obtendo.
A preocupação com ela é uma luta contra o empirismo e a improvisação. 
A utilização crítica da informação é reflexionar, sendo também uma possibilidade de enfrentamento da cultura
da desinformação, das notícias falsas que são criadas. É o rompimento da adivinhação, do achismo, em que
profissionais assumem a responsabilidade pelo que registram, possibilitando também o repensar de suas
vivências e leituras, ampliando seu olhar para a totalidade, reconhecendo sua capacidade técnica e teórica, e
assumindo também sua condição de sujeitos no processo social, assim como a dos usuários.
É indispensável que profissionais sejam éticos no tratamento dessas informações. Isso significa que não
devem impor seu ponto de vista, sendo capazes de fazer uma escuta qualificada e igualmente um registro
qualificado. A produção de informações deve refletir a ética profissional, o respeito ao que foi observado e
dito pelo usuário, e a discussão reflexiva da situação à qual se deve a utilização desses instrumentais. É um
instrumento essencial aos profissionais para sua intervenção e, por esse motivo, deve se alinhar à ética
profissional e refletir o projeto profissional.
Superando os desafios cotidianos da prática profissional
Neste vídeo, descobriremos como profissionais do serviço social cultivam resiliência e persistência em face
das adversidades.
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Uma dimensão importante para os fluxos de atendimento
Os fluxos de atendimento nos diversos espaços socio-ocupacionais podem parecer, à primeira vista, simples e
realizáveis por qualquer profissional, desde que tenha orientações para tal. Contudo, na realidade, para
profissionais do serviço social, isso vai depender de sua capacidade técnica de articular as dimensões
técnico-operativa, teórico-metodológica e ético-política, além da articulação com os serviços existentes na
rede de proteção social, de espaço físico apropriado, entre outros.
No trabalho social, os fluxos são importantes para o direcionamento da política de assistência social e o
andamento de ações e serviços de referência e contrarreferência. Assim, os instrumentais de registro e
produção de informações devem ser inclusivos e atuar em uma perspectiva de universalidade, mesmo que a
política esteja definida para aqueles que dela necessitam. São as informações que também subsidiam a
ampliação dos direitos e o alcance de um número cada vez maior de indivíduos.
O registro e a produção de informações sobre a população atendida podem colaborar no sentido de
auxiliar os fluxos de atendimento e de superar as dificuldades identificadas, podendo apresentar
sugestões de ações mais eficazes, redirecionamento de serviços para a realização de atividades
fundamentais etc.
Um exemplo de fluxo de atendimento é o realizado nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras).
Nesses lugares, as atividades são previstas para acontecer de forma regular, e a produção de informações e
Unidade do Cras no estado do Paraná, Brasil.
seu registro possibilitam o conhecimento do território, com foco na atuação protetiva, proativa e preventiva,
que são os objetivos do serviço.
O fluxo de atendimento possibilita informações mais
consistentes para a busca ativa, o planejamento de ações e
o conhecimento mais aprofundado dos usuários e da
realidade em que vivem. Nesse direcionamento, a essência
do trabalho social com as famílias e o fluxo de atendimento,
se bem realizados, priorizarão o acesso do público
prioritário, que, no caso dos Cras, serão as famílias em
situação de maior vulnerabilidade social.
Na medida em que o registro e a produção de informações
são bem realizados, darão uma maior consistência ao
trabalho social realizado, gerando dados importantes na
identificação dos indivíduos em seus territórios e para a
definição das políticas públicas, e também contribuindo, de forma essencial, para conhecer a realidade
histórica da população.
Mais do que constituir uma única referência para o desenvolvimento do fluxo de trabalho, apontarão caminhos
diversos, avaliando inclusive o trabalho profissional e incorporando variáveis antes não percebidas pela falta
de planejamento e produção de registros e informações.
Embora apresentem desafios aos profissionais, conforme apontamos, essas dimensões qualificam o trabalho
de assistentes sociais, sua atuação em equipes e os fluxos de atendimento. Sendo uma mediação
tecnicamente qualificada, com base em pressupostos éticos, esse tipo de intervenção profissional deve se dar
de forma continuada, com objetivos bem estabelecidos que possibilitem aos usuários o acesso e a ampliação
de seus direitos bem como a construção de novos projetos de vida, transformando suas relações familiares e
coletivas.
Os fluxos de atendimento
Neste vídeo, você vai descobrir como os fluxos de atendimento promovem a eficácia, a acessibilidade e a
qualidade dos serviços, garantindo que as necessidades dos clientes sejam atendidas de maneira abrangente
e centrada no indivíduo.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Em relação ao registro e à produção de informações, dispostos pelo Código de Ética e pela Lei de
Regulamentação da Profissão, correlacione cada item numerado a seu texto correspondente.
 
1. Direito do assistente social
 
2. Dever do assistente social
 
3. Competência do assistente social
 
4. Atribuição privativa do assistente social
 
( ) Fornecer à população usuária, quando solicitado, informações concernentes ao serviço social e às suas
conclusões, resguardando o sigilo profissional.
 
( ) Coordenar, elaborar, executar, supervisionare avaliar estudos, pesquisas, programas e projetos na área do
serviço social.
 
( ) A inviolabilidade do local de trabalho e dos respectivos arquivos e documentação, garantindo o sigilo
profissional.
 
( ) Realizar estudos socioeconômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais perante
órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.
 
Escolha a sequência que representa sua resposta.
A
1, 2, 3, 4.
B
2, 4, 1, 3.
C
3, 1, 4, 2.
D
4, 3, 2, 1.
E
2, 3, 4, 1.
A alternativa B está correta.
A discussão sobre direitos, deveres, competências e atribuição privativa do assistente social se encontra
no Código de Ética e na Lei de Regulamentação da Profissão (Lei no 8.662/1993).
Questão 2
Analise as assertivas que se seguem.
 
I – O registro das informações serve apenas para elaborar documentos técnicos.
 
II – A quebra de sigilo profissional é admissível em casos em que a situação possa trazer prejuízos graves aos
usuários.
 
III – A atribuição privativa pode significar uma competência exclusiva do assistente social.
 
IV – O registro e a produção de informações poderão colaborar para o fluxo de atendimento da população
usuária.
 
Está correto o que se afirma em:
A
I, II, e III.
B
II e IV.
C
I e IV.
D
III e IV.
E
II, III e IV.
A alternativa E está correta.
A assertiva I está incorreta quando afirma que o registro das informações serve apenas para elaborar
documentos técnicos. Essa não é a única finalidade do registro e da produção de informações, pois a
perspectiva desses instrumentais é ampla, não se esgotando na elaboração de documentos e pareceres
técnicos.
4. Conclusão
Considerações finais
Conforme discutimos, o instrumental utilizado por assistentes sociais em seu trabalho, qualquer que seja, não
deverá ser visto, analisado e aplicado isoladamente, mas organicamente articulado ao projeto ético-político, a
partir de suas regulamentações e fazendo parte de um conjunto maior da profissão e de determinada
concepção de serviço social, que é a perspectiva ontológica e crítica.
Para dar concretude ao projeto ético-político profissional com competência teórico-prática, sua dimensão
técnico-operativa não deve se fundamentar em si mesma, conforme afirmamos na abertura do estudo. Em
outras palavras, a instrumentalidade é bem mais do que a utilização de instrumentos e técnicas, ou um
aprendizado formal, sendo uma articulação com o projeto da profissão e suas dimensões indissociáveis: ético-
política, teórico-metodológica e técnico-operativa.
Explore +
Para refletir um pouco mais sobre o trabalho de assistentes sociais a partir da inserção no campo de estágio,
assista aos filmes Como estrelas na Terra e Second best. Crie grupos de estudo para, após assisti-los,
identificar os elementos pertinentes ou não ao estudo aqui realizado.
 
Assista no YouTube ao vídeo Aula magna na Uece: trabalho e instrumentalidade do serviço social, com a
professora doutora Yolanda Guerra.
Referências
BRASIL. Lei n. 8.662, de 7 de junho de 1993. Dispõe sobre a profissão de assistente social e dá outras
providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1993.
 
CARVALHO, E. de S. Autores clássicos de sociologia da educação. Curitiba: Appris, 2018.
 
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. CFESS. Código de ética do assistente social. Lei n. 8.662/1993.
Brasília, DF: CFESS, 2012. Consultado na internet em: abr. 2024.
 
ENGELS, F.; MARX, K. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.
 
GUERRA, Y. A instrumentalidade no trabalho do assistente social. Cadernos do Programa de Capacitação
Continuada para Assistentes Sociais, “Capacitação em serviço social e política social”, módulo 4: O trabalho
do assistente social e as políticas sociais. Brasília, DF: CFESS/ABEPSS: UnB, 2007.
 
GUERRA, Y. Consolidar avanços, superar limites e enfrentar desafios: os fundamentos de uma formação
profissional crítica. In: GUERRA, Y. et al. (org.). Serviço social e seus fundamentos. 2. ed. Campinas: Papel
Social, 2019.
 
IAMAMOTO, M. V. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 5. ed. São Paulo:
Cortez, 2001.
 
LARROSA, J. Tremores: escritos sobre experiência. Tradução: Cristina Antunes e João Wanderley Geraldi. Belo
Horizonte: Autêntica, 2017.
 
LAVORATTI, C. A entrevista no serviço social: características, usos e significados. In: LAVORATTI, C.; COSTA,
D. (org.). Instrumentos técnico-operativos no serviço social: um debate necessário. Ponta Grossa, PR: Estúdio
Texto, 2016.
 
SEVERINO, A. J. Subsídios para uma reflexão sobre novos caminhos da interdisciplinaridade. In: SEVERINO, A.
J. et al. (orgs.). Serviço social e interdisciplinaridade: dos fundamentos filosóficos à prática interdisciplinar no
ensino, pesquisa e extensão. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
 
SILVA, M. S. da; MOURA, R. R. de. Consolidações sobre a visita domiciliar: instrumento técnico-operativo do
serviço social. In: LAVORATTI, C.; COSTA, D. (orgs.). Instrumentos técnico-operativos no serviço social: um
debate necessário. Ponta Grossa, PR: Estúdio Texto, 2016.
 
VILEIRINE, R. M. de L. Os instrumentais técnicos no trabalho com grupos. In: LAVORATTI, C.; COSTA, D. (orgs.).
Instrumentos técnico-operativos no serviço social: um debate necessário. Ponta Grossa, PR: Estúdio Texto,
2016.
	Instrumental técnico-operativo do serviço social
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Observação e visita
	A dimensão técnico-operativa não se fundamenta em si mesma
	Reflexão
	Para entender a dimensão técnico-operativa
	Conteúdo interativo
	A observação na prática profissional de assistentes sociais
	Atenção
	O instrumental observação
	Conteúdo interativo
	A visita na prática profissional de assistentes sociais
	O instrumental visita
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Entrevista e trabalhos em grupo
	A entrevista e suas peculiaridades
	Entrevistas estruturadas
	Entrevistas não estruturadas
	Entrevistas semiestruturadas
	O instrumental entrevista
	Conteúdo interativo
	Os desafios dos trabalhos em grupo
	Atenção
	O instrumental trabalho em grupo
	Conteúdo interativo
	O trabalho social em grupo e a perspectiva interdisciplinar
	A perspectiva interdisciplinar na prática profissional
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Atuação privativa: registro e produção de informações
	O registro e a produção de informações
	Os instrumentais registro e produção de informação
	Conteúdo interativo
	Desafios do registro e da produção de informações
	Atenção
	Superando os desafios cotidianos da prática profissional
	Conteúdo interativo
	Uma dimensão importante para os fluxos de atendimento
	Os fluxos de atendimento
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências

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