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8 Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
Direto ao Ponto Delegado PF (Pós-edital)
Documento última vez atualizado em 26/05/2025 às 09:56.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 1/93
Índice
8.1) Introdução
8.2) Direito Internacional Público
8.3) Atos Internacionais
8.4) Personalidade Internacional
8.5) Proteção Internacional dos Direitos Humanos
8.6) Conflitos Internacionais
8.7) Domínio Público Internacional: Mar; Águas Interiores; Mar Territorial; Zona Contígua; Zona
Econômica; Plataforma Continental; Alto-Mar; Rios Internacionais; Espaço Aéreo; Normas
Convencionais; Nacionalidade das Aeronaves; Espaço Extra-Atmosférico.
8.8) Cooperação Internacional: Espécies e Procedimentos
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 2/93
|key-item-0| Introdução
Valerio de Oliveira Mazzuoli [1] afirma que, desde o inícios da evolução humana, houve uma 
necessidade de coexistência entre diferentes seres humanos, sendo que pessoas de 
comunidades distintas passaram a aprender a suportar as diferenças socio-culturais 
existentes para poderem conviver, havendo uma relação de suportabilidade entre elas.   
Da mesma forma, leciona o doutrinador que, com o crescimento dos intercâmbios 
internacionais, fez-se necessária a criação de um sistema jurídico para inicialmente regular 
as relações externas entre os Estados, o que se convencionou denominar de Direito 
Internacional, também conhecido como Direito das Gentes.  
Posteriormente, com o dinamismo característico desse tipo de interação, outros atores [2] 
passaram a integrar essa relação exterior, sendo insuficiente o antigo conceito de que 
apenas Estados participam daquela. Atualmente, tem-se como participantes, também, as 
organizações interestatais, organizações não-governamentais, empresas transnacionais e os 
próprios indivíduos. Porém, não há como negar que, ainda, os Estados seguem com um 
protagonismo nessa seara. 
Diante disso, é relevante distinguirmos o conceito de comunidade internacional do de 
sociedade internacional. 
Comunidade internacional: traz uma ideia de relação espontânea de integração entre os 
atores internacionais, como se fossem ligados por laços naturais, criando uma conexão 
profunda entre eles. Tratam-se de laços de ordem subjetiva (familiar, social, cultural, 
religioso, etc.), pressupondo a não existência de imposição. 
Palavra-chave: os Estados-membros pertencem à comunidade internacional. 
Sociedade Internacional: revela uma ideia de relação instrumental e racional entre os atores 
internacionais, que se ligam pela vontade. A relação é menos profunda, haja vista se 
embasar na necessidade de cooperação 
Palavra-chave: os Estados-membros participam da sociedade internacional.
Atualmente, apesar de esforços para que haja uma comunidade internacional, sendo esse 
termo inclusive utilizado em diversos diplomas internacionais, prevalece no Direito 
Internacional a ideia de sociedade internacional, sendo os laços firmados menos 
profundos e as relações instrumentais e racionais. Afinal, a vinculação a tratados 
internacionais exige voluntariedade, permitindo-se, por outro lado, a denunciação 
(desvinculação) destes, caso não haja mais interesse de participação no acordo.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 3/93
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EXTREMO CUIDADO: Tratados que versem sobre Direitos Humanos não podem ser 
extintos ou suspensos quando forem objeto de violação substancial por parte de um 
Estado. Isso, pois, não são sinalagmáticos, não sendo possível alegar a exceção do 
contrato não adimplido (“exceptio non adimpleti contractus”). Noutros termos, o fato de um 
Estado não respeitar direitos humanos não desobriga os demais do dever de implementá-
los e de garanti-los.  
Sobre a relação entre Direito Internacional e Direito Interno, há, basicamente, duas 
correntes:
1ª Corrente: DUALISMO. Carl Triepel, Paul Laband e Dionizio Anzilotti. São duas ordens 
jurídicas distintas e independentes, igualmente válidas. Quando se assume um 
compromisso na ordeo externa, não há repercussão no plano interno, até que o tratado 
internacional seja incorporado. Logo, não há que se falar em conflito entre Direito 
Internacional e Direito Interno.
a)    Dualismo radical: essa incorporação ocorre somente por meio de lei formalmente dita.
b)   Dualismo moderado: essa incorporação pode se dar meio de ato infralegal.
2ª Corrente: MONISMO. O Direito Interno e o Direito Internacional fazem parte de uma 
única ordem jurídica, não sendo necessária, portanto, a internalização dos tratados, haja 
vista que estes já possuiriam eficácia automática no plano interno, quando da assunção do 
compromisso pelo Estado.
a)      Monismo Nacionalista: Hegel. Quando há conflito entre a norma interna e a externa, 
prevalece a norma nacional.
b)    Monismo Internacionalista: Kelsen. Nesse tipo de conflito, prevalece a norma 
internacional. É a EXPRESSAMENTE adotada no art. 27, da CV/69.
b.1) Monismo Internacionalista radical: o Direito externo SEMPRE prevalece.
b.2) Monismo Internacionalista moderado: deve-se analisar critérios cronológicos, de 
especialidade e da regra do “pro homine” para se avaliar qual norma prevalecerá naquele 
contexto. É a corrente observada pelo STF em seus julgados.
Segundo Mazzuoli, após a EC nº 45/2004, adotou-se, no Brasil, o sistema de duplo 
processo de compatibilização vertical. Isso, pois, para além das normas constitucionais, 
os tratados internacionais – principalmente os que versam sobre Direitos Humanos – 
também funcionam como parâmetro de validade no ordenamento jurídico para as normas 
de menor hierarquia.
IMPORTANTÍSSIMO: O Pacto de São José da Costa Rica NÃO REVOGOU o art. 5º, LXVII, 
CRFB/88 (prisão civil do depositário infiel), já que aquele tem caráter supralegal, e, 
portanto, de menor hierarquia do que a norma constitucional. Houve, em verdade, um 
efeito paralisante sobre as normas infraconstitucionais que determinavam a prisão do 
depositário infiel.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 25/93
Obs: Ainda, não há que se falar em revogação formal de tratado internacional a partir da 
edição de uma lei contrária e posterior àquele. Em verdade, ocorrerá apenas o afastamento 
da aplicabilidade do tratado.
Convenções, acordos, ajustes e protocolos
Como visto anteriormente, a nomenclatura é irrelevante para a conceituação de um tratado 
internacional. Porém, comumente se utiliza dos seguintes termos:
Convenção: acordos multilaterais sobre normas gerais de Direito Internacional. Ex: 
Convenção de Viena.
Acordo: tratados de natureza econômico-comerciais. Ex: Tratado do MERCOSUL.
Ajuste complementar: tratados que disciplinam e detalham a execução de outro 
acordo;
Carta: constituição de alguma organização internacional. Ex: Carta da ONU.
Estatuto: criação de tribunais. Ex: Estatuto de Roma (TPI).
Pacto: regulamenta matérias específicas. Ex: Pacto de São José da Costa Rica.
Declaração: estabelecem posições políticas em comum entre os Estados. Ex: DUDH.
Protocolo: tratado que se relaciona, de alguma maneira, a um tratado anterior, 
geralmente acrescentando assuntos a este. Ex: Protocolo Adicional à Convenção das 
Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, 
Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças.
Acordo de sede: acordo bilateral que autoriza a criação da sede de um País no 
território de outro País.
Concordatas: tratados celebrados pela Santa Fé.
Compromisso: utilizado para nomear tratados em que atores internacionais se 
submetem a um tribunal arbitral para o julgamento de um litígio;
Convenção das Nações Unidas contra o crime organizado transnacional 
(Convenção de Palermo)
Internalizada mediante o Decreto nº 5.015/2004, a Convenção da Palermo tem por objetivo 
promover cooperação internacional para prevenir e combater mais eficazmente a 
criminalidade transnacional.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 26/93
Recomenda-se, fortemente, a leitura atenta dos 14 primeiros artigos dessa Convenção, que 
podem ser cobrados em sua literalidade nas provas objetivas, principalmente os conceitos 
trazidos no art. 2º.
A Convenção de Palermo tornou obrigatória a criação de leis pelos Estados-membros 
prevendo a criminalização da participação em grupo criminoso organizado (art. 5º); da 
lavagem do produto de crime (art. 6º); da corrupção (art. 8º); e da obstrução à justiça 
(art. 23).
IMPORTANTE:   Conforme previsto no art. 3.1 da Convenção de Palermo, esta somente é 
aplicável quando a infração penal for de caráter transnacional.
IMPORTANTE 2: Considera-se de caráter transnacional a infração penal: (i) cometida em 
mais de um Estado; (ii) cometida em um só Estado, mas parte substancial da preparação, 
do planejamento, da direção e do controle foi feito em outro Estado; (iii) cometida em um 
só Estado, mas que envolva participação de grupo criminoso organizado que pratica crimes 
em mais de um Estado; (iv) cometida em um só Estado, mas que produza efeitos 
substanciais noutro Estado.
Também tornou obrigatória a criação de medidas administrativas e legislativas, tanto de 
caráter preventivo quanto de caráter repressivo, para combater a lavagem de capitais e a 
corrupção, elaborando-se um sistema de regulamentação e de supervisão de bancos e 
instituições financeiras, com a intercâmbio de informações entre os Estados-membros.
Ainda, obriga-se a criação de leis nos Estados-partes prevendo a responsabilização penal e 
não penal das pessoas jurídicas envolvidas nas infrações penais cometidas por 
organizações criminosas (art. 10, Convenção de Palermo).
Para efeitos dessa Convenção, entende-se por:
Grupo criminoso organizado: aquele com TRÊS ou mais pessoas, existente há algum 
tempo e atuando concertadamente, com a finalidade de cometer infrações graves 
(PPL máxima NÃO INFERIOR a 4 anos) ou enunciadas na Convenção de Palermo 
(participação em grupo organizado, lavagem de produto de crime, corrupção e 
obstrução à justiça), com a intenção de obter, direta ou indiretamente, um benefício 
econômico ou outro benefício material;
Obs.: a Lei nº 12.850/2013 prevê o mínimo de quatro pessoas para caracterizar uma 
ORCRIM.
Obs2: a Lei nº 12.850/2013 prevê como finalidade a obtenção, direta ou indireta, de 
vantagem de qualquer natureza, não se restringindo a benefício econômico ou material.
Infrações graves: PPL máxima NÃO INFERIOR a 4 anos, ou com pena superior 
(redundante);
Obs.: a Lei nº 12.850/2013 prevê como objeto de crimes aqueles cujas penas máximas 
sejam superiores a quatro anos, ao passo de que, na Convenção de Palermo, basta 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 27/93
que a pena máxima seja igual a quatro anos.
Grupo estruturado: formado de maneira não fortuita para a prática imediata de 
infração, ainda que não haja divisão funcional formalmente definida, que não haja 
continuidade na sua composição e que não disponha de estrutura elaborada;
Obs.: a Lei nº 12.850/2013 utiliza os termos estrutura ordenada e caracterizada pela 
divisão de tarefas, aindaque de maneira informal.
Bens: ativos de qualquer tipo (corpóreos ou incorpóreos, móveis ou imóveis, tangíveis 
ou intangíveis), assim como os documentos ou instrumentos jurídicos que atestem a 
propriedade ou outros direitos sobre esses ativos.
Produto do crime: bens de qualquer tipo que provenham, direta ou indiretamente, da 
prática criminosa;
Bloqueio/apreensão/embargo preventivo: proibição temporária de transferir, 
converter, dispor ou movimentar bens, ou a custódia ou controle temporário de bens, 
após decisão de um tribunal ou de autoridade competente;
Confisco: privação com caráter DEFINITIVO de bens, por decisão de um tribunal ou 
de outra autoridade competente. CUIDADO para não confundir com bloqueio! É 
DEFINITIVO!
Infração principal: infração de que derive um produto que possa ser objeto de 
lavagem de capitais (“lavagem de produto de crime”, conforme previsto no art. 6º);
Entrega vigiada: permissão para que remessas ilícitas ou suspeitas saiam do território 
de um ou mais Estados, ou que nele adentrem, com o conhecimento e sob o controle 
das suas autoridades competentes, com a finalidade de investigar infrações e 
identificar suspeitos;
Obs.: a Lei nº 11.343/2006 prevê, em seu art. 53, a não-atuação policial sobre 
portadores de drogas ou de produtos químicos utilizados em sua produção, que se 
encontrem em território brasileiro, para identificar e responsabilizar maior número de 
autores, condicionando-se à autorização prévia pelo Judiciário, ouvido o Ministério 
Público.
Obs2: a Convenção de Palermo não condiciona a entrega vigiada à prévia autorização 
judicial, apenas prevendo a necessidade de conhecimento e controle das autoridades 
competentes dos Estados envolvidos na ação.
Obs3: a Lei nº 11.343/2006 prevê que somente é possível a não-atuação policial se os 
entorpecentes se encontrarem em território brasileiro, não sendo permitido pela Lei, a 
priori, a remessa para o exterior. Para tanto, utiliza-se a Convenção de Palermo e a 
cooperação jurídica internacional.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 28/93
Organização regional de integração econômica: uma organização constituída por 
Estados soberanos de uma região determinada, para a qual estes Estados tenham 
transferido competências nas questões reguladas pela presente Convenção e que 
tenha sido devidamente mandatada, em conformidade com os seus procedimentos 
internos, para assinar, ratificar, aceitar ou aprovar a Convenção ou a ela aderir; as 
referências aos "Estados Partes" constantes da presente Convenção são aplicáveis a 
estas organizações, nos limites das suas competências;
A Convenção de Palermo traz algumas medidas de repressão à criminalidade transnacional, 
dentre elas:
*  Confisco e apreensão: aplicável tanto ao produto das infrações penais quanto aos 
instrumentos utilizados ou destinados à utilização na prática de infrações penais.
Obs.: permite-se o confisco e a apreensão de bens que foram convertidos do produto do 
crime, em substituição a este (art. 12.3).   
Obs2: permite-se, também, o confisco de bens adquiridos legalmente, quando misturados 
com produto do crime (art. 12.4).
Obs3: em havendo cooperação internacional para realização de confisco, não pode o 
Estado-parte invocar sigilo bancário para evitar a apresentação ou a apreensão de 
documentos bancários, financeiros ou comerciais (art. 12.5).
*   Restituição do produto de crime: quando um Estado aplicar o confisco e apreensão de 
valores a pedido de outro Estado, considera-se que a restituição do produto do crime ou 
dos valores confiscados devem ser destinados, prioritariamente, ao Estado-parte requerente.
Obs.: a Convenção de Palermo visa a estimular a partilha de ativos recuperados 
decorrentes das infrações penais praticadas pelos grupos criminosos organizados entre os 
Estados envolvidos, a ser realizado, geralmente, por meio do “Asset Sharing Agreement”.
*    Extradição: é possível a realização de extradição de pessoa envolvida na prática de 
crimes previstos na Convenção de Palermo, quando esta se encontrar em território do 
Estado-parte requerido, desde que aquela conduta também seja punível tanto no Direito 
Interno deste quando no do Estado-parte requerente.
*    Transferência de pessoas condenadas: os Estados-partes podem celebrar acordos ou 
protocolos bilaterais ou multilaterais, prevendo a transferência para o seu território de 
pessoas condenadas à privação de liberdade pelo cometimento de crimes previstos na 
Convenção, para ali cumprirem a pena.
*    Assistência judiciária recíproca: a Convenção de Palermo incentiva a assistência 
judiciária entre os Estados-partes nas fases das investigações e do processo, bem como 
em qualquer ato judicial relativo à infração reprimidas pela convenção, inclusive quando as 
vítimas, as testemunhas, o produto, os instrumentos ou os elementos de prova destas 
infrações se encontrem no Estado-parte requerido e nele esteja implicado um grupo 
criminoso organizado.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 29/93
Obs.: os Estados-partes não podem invocar sigilo bancário para recusar a cooperação 
judiciária (art. 18.8).
*    Realização de investigações conjuntas: possibilita-se a celebração de acordos ou 
protocolos bilaterais ou multilaterais estabelecendo órgãos mistos de investigação, desde 
que respeitada a soberania do Estado-parte onde esta seja realizada.
Obs.: se não houver esse acordo, poderá ser decidida casuisticamente a realização de 
investigações conjuntas, nos termos do art. 19.  
*    Técnicas especiais de investigação: em sendo permitido pela legislação interna, 
estimula-se a utilização de técnicas especiais de investigação, como entregas vigiadas, 
vigilância eletrônica e operações de infiltração.
Obs.: também se estimula o firmamento de protocolos ou acordos entre os Estados sobre o 
tema. Porém, em não havendo, poderão ser executadas as técnicas especiais de 
investigação a nível internacional de forma casuística entre os Estados.
*   Transferências de processos penais: é possível a transferência de processos relativos a 
infrações penais reprimidas pela Convenção, desde que necessária para a boa 
administração da justiça, quando estejam envolvidas várias jurisdições, com o fim de 
centralizar a instrução dos processos.
*    Estabelecimento de antecedentes penais:  a finalidade é que essa informação dos 
antecedentes criminais em outros Países seja difundida e possa ser utilizada no âmbito de 
um processo penal nacional.
*    Criminalização da obstrução à justiça: exige-se a adoção de medidas legislativas para 
se combater o uso da força física, da ameaça, da intimidação ou tentativa de corromper as 
partes envolvidas num processo criminal que apure a prática de crime por organização 
criminosa transnacional.
*   Proteção das testemunhas: da mesma forma, exige-se a adoção por parte dos Estados-
membros de medidas para proteger testemunhas de represálias ou de intimidações por 
fazer parte dos processos criminais que apurem a prática de crime por organização 
criminosa transnacional.
*  Assistência e proteção às vítimas: deve-se adotar medidas apropriadas para assegurar a 
proteção das vítimas de infrações penais previstas na Convenção, especialmente para se 
evitar ameaças de represálias ou de intimidação. Ainda, deve-se criar procedimentos 
adequados para a reparação do crime.
Protocolo adicional à convenção das nações unidas contra o crime organizado 
transnacional, relativo ao combate ao tráfico de migrantes por via terrestre, 
marítima e aérea - Decreto nº 5.016/2004
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 30/93
Trata-se de um Protocolo adicional à Convenção de Palermo, cujo objetivo é a prevenção e 
o combate ao tráfico ilícito de migrantes por via terrestre, marítima e aérea,por meio de 
cooperação internacional, troca de informações e medidas socioeconômicas de caráter 
nacional, regional e internacional, a fim de se proteger os direitos dos migrantes objetos 
desse tráfico.
Foi internalizado no Brasil mediante o Decreto de nº 5.016/2004.
Atenção especial aos conceitos trazidos no art. 3º, recomendando-se uma leitura atenta e 
pormenorizada, pois podem ser objeto de cobrança em questões objetivas.
Tráfico de migrantes: promover a entrada ilegal de uma pessoa num Estado, com o 
objetivo de obter, direta ou indiretamente, um benefício financeiro ou outro benefício 
material.
Entrada ilegal: passagem de fronteira sem observar os requisitos para a entrada legal 
no Estado de acolhimento.
Documento de viagem ou de identidade fraudulento: qualquer documento de 
viagem ou de identificação que tenha sigo adulterado de forma substancial, emitido ou 
obtido de forma irregular, ou utilizado por que não seja seu titular legítimo.
Navio: embarcação de qualquer tipo, exceto as utilizadas ou exploradas por um 
Governo, como vasos de guerra e navios auxiliares da armada.
Conforme o art. 4º, a aplicação da Convenção se dá quando os crimes previstos no art. 6º 
forem cometidos por grupo criminoso organizado E forem de natureza transnacional.
Consideram-se criminosas as condutas de:
Tráfico de migrantes;
Elaboração de documento de viagem ou de identidade fraudulento, para 
possibilitar o tráfico de migrantes;
Obtenção, fornecimento ou posse de tais documentos, para possibilitar o tráfico 
de migrantes;
Viabilizar a permanência de pessoa em um Estado do qual não seja nacional ou 
residente permanente, sem observar as exigências para a permanência legal dela;
Obs.: criminaliza-se, também, a tentativa, a participação e a coautoria nesses crimes.
Obs2: majora a pena o fato de o crime ameaçar e de colocar em perigo a vida e a 
segurança dos migrantes, bem como nos que ensejam tratamento desumano ou 
degradante desses migrantes, incluindo a exploração.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 31/93
Protocolo adicional à convenção das nações unidas contra o crime organizado 
transnacional relativo à prevenção, repressão e punição do tráfico de pessoas, 
em especial mulheres e crianças -Decreto nº 5.017/2004
Internalizado mediante o Decreto nº 5.017/2004, trata-se de um protocolo à Convenção de 
Palermo, acrescentando-lhe a temática da repressão ao crime organizado transnacional 
relacionado ao tráfico de pessoas, em especial mulheres e crianças, promovendo a 
cooperação entre os Estados-partes para atingir o objetivo de combater e prevenir esses 
crimes.
Conforme o art. 4º c/c art. 5.1, somente se aplica esse Protocolo nos casos que envolverem 
infração intencional (dolosa) de natureza transnacional E grupo criminoso organizado 
(critério cumulativo).
Tráfico de pessoas (art. 3, “a”): recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento 
ou o acolhimento de pessoas, utilizando-se de ameaça, força ou outras formas de coação 
(tais como rapto, fraude, engano, abuso de autoridade, entrega/aceitação de pagamento 
ou benefício, ou exploração da situação de vulnerabilidade) para obter consentimento de 
uma pessoa sobre a qual se tenha autoridade, para fins de exploração.  
Obs: entende-se como exploração, no mínimo, a exploração sexual, o trabalho forçado, a 
escravatura e práticas similares a ela, a servidão ou a remoção de órgãos. O próprio 
dispositivo dispõe um rol aberto de explorações, podendo haver outros tipos.
Obs3: Segundo a alínea “b”, o consentimento da vítima do tráfico de pessoas é irrelevante, 
quando presente o contexto da exploração acima citada.
Obs2: como se depreende da leitura do dispositivo, a exploração da prostituição, ainda que 
haja anuência da vítima, que aceita pagamento ou benefício para se prostituir, também é 
considerada uma forma de tráfico de pessoas.
Questão de prova: para fins desse Protocolo, entende-se por “criança” qualquer pessoa 
com IDADE INFERIOR A DEZOITO ANOS.
IMPORTANTÍSSIMO: Conforme o art. 5.2, os Estados-membros deverão adotar medidas 
legislativas para criminalizar a modalidade tentada dessas infrações penais, bem como 
para criminalizar a participação dos cúmplices (partícipes) ou organizadores (coautores) do 
esquema de tráfico de pessoas.
Além disso, também se exige que o sistema jurídico interno de cada País crie mecanismos 
para oferecer às vítimas de tráfico de pessoas a possibilidade de obterem a assistência 
necessária e a recuperação física, psicológica e social.
Conforme o art. 6.1, em sendo permitido pela legislação interna, o Estado-parte deverá 
proteger a privacidade e a intimidade das vítimas, incluindo a confidencialidade dos 
procedimentos judiciais, como forma de não as expor a Mídia e a sociedade.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 32/93
Estabeleceu-se, também, a necessidade de criação de um “Estatuto das vítimas de tráfico 
de pessoas nos Estados de acolhimento”, isto é, da criação de leis para permitir a 
permanência dessas vítimas, tanto de forma temporária quanto de forma permanente, no 
território do Estado em que se encontram, como forma de proteção humanitária e pessoal.
Obs.: cada Estado garantirá, também, a possibilidade de as vítimas obterem indenização 
pelos danos sofridos.
Garante-se à vítima, ainda, o repatriamento ao seu Estado de origem, ou onde ela tiver 
residência permanente, devendo haver uma facilitação do regresso dessa pessoa, sem 
demora indevida ou injustificada, preservando-se a sua segurança.
Obs.: Conforme o art. 8.4, para facilitar esse regresso, acaso a vítima não possua a 
documentação devida, o Estado-parte de que ela é procedente deverá emitir documento 
de viagem ou autorização para que a pessoa viaje e seja readmitida em seu território.
Segundo o art. 8.2, o regresso da vítima deve levar em conta a sua segurança e a situação 
de eventuais processos relacionados ao tráfico de pessoas, sendo feito preferencialmente 
de forma voluntária.
Além da repressão ao tráfico de pessoas, o Protocolo também estabelece medidas de 
prevenção a esse crime, como pesquisas, campanhas de informação e difusão em meios de 
comunicação, bem como iniciativas sociais e econômicas, com a cooperação da sociedade 
civil.
Os Estados-parte também deverão adotar medidas bilaterais ou multilaterais para reduzir a 
pobreza, o subdesenvolvimento e a desigualdade de oportunidades que tornam as pessoas, 
especialmente as mulheres e as crianças, vulneráveis a esse tipo de tráfico.
A cooperação de o intercâmbio de informações é outro instrumento previsto nesse 
Protocolo para se prevenir e reprimir o crime de tráfico de pessoas, conforme o art. 10. Os 
Estados-parte devem reforçar os controles fronteiriços e o controle de documentação de 
migração, compartilhando as informações entre si, para identificação de autores e de 
vítimas desse crime, bem como do itinerário e do método de recrutamento utilizado.
Prevê-se, no art. 14, uma “cláusula de salvaguarda”, segundo a qual as disposições do 
Protocolo não poderá prejudicar os direitos, obrigações e responsabilidades dos Estados e 
de pessoas relativos do Direito Internacional, incluindo os relacionados ao Direito 
Humanitário e aos Direitos Humanos, bem como ao Estatuto dos Refugiados e ao princípio 
do “non-refoulement”. A ideia é de que as vítimas desse crime não sejam descriminadas.
Princípio do “non-refoulement”: quando há suspeitas de que uma pessoa sofrerá algum 
tipo de ameaça a sua integridade, a sua liberdade e a sua vida no Estado de origem, fica 
vedado ao Estado de acolhimento promover a expulsão daquela.
Protocolo adicional à convenção das nações unidas contra o crime organizado 
transnacional relativo à fabricação e o tráfico ilícito de armas de fogo, suas 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito InternacionalPúblico e Cooperação Internacional 33/93
peças, componentes e munições Decreto nº 5.941/2006
Também se trata de um Protocolo à Convenção de Palermo, tendo sido internalizado 
mediante o Decreto de nº 5.941/2006, cujo escopo é o combate ao tráfico ilícito de armas 
de fogo, suas peças, componentes e munições, visando a garantir a segurança dos Estados 
e do mundo como um todo, já que essa prática coloca em risco o bem-estar dos povos, o 
seu desenvolvimento social e econômico e o direito de viver em paz.
Segundo o art. 4.1, aplica-se o Protocolo quando o tráfico ilícito de armas de fogo e de 
seus componentes forem cometidos por grupo criminoso organizado e sejam de caráter 
transnacional (critério cumulativo).
Porém, o §2º do art. 4º prevê que o Protocolo NÃO SE APLICA a transações entre Estados 
quando as suas disposições prejudiquem o direito de um Estado-parte adotar medidas de 
segurança nacional, conforme a Carta das Nações Unidas.
Conforme o art. 3º do Protocolo, tem-se os seguintes termos:
Arma de fogo: arma portátil com cano que dispare, seja projetada para disparar ou 
possa ser prontamente transformada para disparar bala ou projétil por meio da ação de 
um explosivo.
Obs.: exclui-se desse conceito armas de fogo antiga ou suas réplicas, cuja definição 
fica a cargo do Direito Interno.
Obs2: porém, em hipótese NENHUMA, poderá ser considerada como arma de fogo 
antigas aquelas fabricadas após 1899.
Peças e componentes: qualquer elemento ou elemento de reposição essencial para a 
operação de uma arma de fogo, incluindo-se, inclusive, dispositivos para diminuir som 
do disparo.
Munições: cartucho completo ou seus componentes utilizados em arma de fogo, 
desde que tais elementos sejam sujeitos a autorização no respectivo Estado-parte.
Fabricação ilícita: fabricação ou montagens de arma de fogo: (i) a partir de peças e 
componentes traficadas ilegalmente; (ii) sem autorização pelo Estado-parte; (iii) sem 
marcação das armas de fogo no momento de fabricação (sem sinal identificador).
Tráfico ilícito: importação, exportação, aquisição, venda, entrega, transporte ou 
transferência de armas de fogo, suas peças e componentes e munições deste ou 
através do território de um Estado Parte para o território do outro Estado Parte, desde 
que não autorizado por algum dos Estados envolvidos, ou que não tenha a marcação 
necessária (sinais identificadores da arma).
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 34/93
Rastreamento: acompanhamento sistemático, do fabricante ao comprador, da arma de 
fogo e, quando possível, de suas peças e componentes e munições, para auxiliar nas 
investigações e na análise de fabricação e do tráfico ilítico. 
O Protocolo determina a adoção de medidas legislativas para a criminalização das 
condutas intencionais de fabricação ilícita de armas de fogo, de tráfico ilícito de armas de 
fogo e de falsificação, obliteração, supressão ou alteração ilícita de marcações em armas 
de fogo. 
Ainda, determina-se a criminalização da modalidade tentada dessas condutas, bem como 
da participação e coautoria em tais crimes. 
Como medidas repressivas ao combate ao tráfico ilícito de armas de fogo e de seus 
componentes, tem-se o confisco desses materiais, assim como a apreensão e destruição 
de tais objetos, para evitar que caiam nas mãos de pessoas não autorizadas. 
Obs.: permite-se, porém, que a legislação interna disponha de modo diverso, autorizando a 
doação dos armamentos para as forças de segurança, desde que elas tenham sido 
marcadas e sido registradas oficialmente, garantindo-se, assim, sua rastreabilidade. 
Como se percebe, o Protocolo tem um enfoque na questão das marcações e dos registros 
das armas de fogo e de seus componentes, para que seja possível a identificação dos 
armamentos ilicitamente fabricados ou traficados.
Obs.: conforme previsto no art. 7º, devem os Estados-parte manterem, por não menos de 
dez anos, informações relativas a armas de fogo, necessárias para localizá-las e identificá-
las, sobretudo as marcações, bem como licenças ou autorizações para importação e 
trânsito de armas de fogo. 
Ademais, estimula-se o intercâmbio de informações entre os Estados-parte sobre assuntos 
como produtores, agentes comerciais, importadores, exportadores e, sempre que possível, 
transportadoras autorizadas de armas de fogo, suas peças e componentes e munições.
Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Convenção de Mérida) - 
Decreto nº 5.687/2006
Internalizada por meio do Decreto nº 5.687/2006, a Convenção das Nações Unidas contra 
a Corrupção (UNAC, sigla em inglês) visa a combater a prática da corrupção, também 
conhecida como Convenção de Mérida, como forma de garantir a estabilidade e a 
segurança das sociedades, evitando-se o enfraquecimento de instituições e dos valores 
democráticos presentes nos Estados de Direito, utilizando-se da cooperação internacional e 
da assistência técnica para a recuperação de ativos. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 35/93
Ademais, outra finalidade dessa Convenção é a de promover a integridade, a obrigação de 
render contas e a devida gestão dos assuntos e dos bens públicos. Esses objetivos estão 
diretamente ligados à ideia de Estado Democrático de Direito, no qual impera o princípio 
republicano, tendo como um de seus corolários o princípio da “accountability”, isto é, o 
dever de os agentes públicos prestarem contas ao povo, independentemente de 
provocação prévia.
Obs: aumentar a transparência na vida pública é um dos fatores considerados como 
preventivos a atos de corrupção de agentes públicos.
Dar atenção especial aos conceitos trazidos no art. 2º, pois comumente são objetos de 
cobrança em provas, sobretudo ao conceito de funcionário público.
Obs.: é possível realizar um paralelo com os conceitos previstos na Convenção de Palermo, 
sobretudo quanto aos bens; aos embargos preventivos/apreensão (temporário); ao confisco 
(permanente) e a entrega vigiada. Remete-se a leitura específica do trecho anterior do 
material.
Prevê o art. 3º da referida Convenção que o seu âmbito de aplicação é na prevenção, na 
investigação e na instrução judicial que verse sobre a temática da corrupção, inclusive em 
casos de embargo preventivo, de apreensão, de confisco e de restituição de produto desse 
crime.
IMPORTANTÍSSIMO: O § 2º do art. 3º prevê que NÃO É NECESSÁRIA a produção de 
dano ou prejuízo patrimonial ao Estado para que se aplique a Convenção.
Ressaltou-se, no art. 4º, a necessidade de se garantir a soberania nacional de cada Estado, 
com a vedação de que um Estado-parte exerça, no território de outro, função jurisdicional 
ou outra função exclusivamente reservada a autoridades nacionais.
Determina a Convenção que cada Estado-parte deverá estabelecer política coordenadas e 
eficazes contra a corrupção, que promovam a participação da sociedade, e reflitam 
princípios do Estado de Direito, tais como a devida gestão dos assuntos e bens públicos, a 
integridade, a transparência e a obrigação de render contas.
Obs.: os instrumentos jurídicos e as medidas administrativas adotadas devem ser avaliados 
periodicamente sobre sua adequação ao combate à corrupção (art. 5.3).
Obs2: deverá haver, ainda, colaboração internacional e regional entre os Estados-partes, 
para a formulação dessas medidas, que deverão ter projetos internacionais destinados a 
prevenir a corrupção (art. 5.4).
Ainda, a Convenção prevê a criação, pelos Estados-parte, de um ou mais órgãos 
encarregados de prevenir a corrupção, proporcionando-lhes os recursos materiais e 
pessoais para tanto, bem como garantindo que possam desempenhar suas funções de 
maneira eficaz e sem nenhuma influência indevida, isto é, garantindo-lhes a independência 
na sua atuação.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e CooperaçãoInternacional 36/93
Obs.: Nos termos do art. 6.3, os Estados-parte deverão comunicar ao Secretário Geral da 
ONU o nome e a direção da(s) autoridade(s) que possa(m) ajudar na formulação e na 
aplicação de medidas concretas de prevenção à corrupção.
Sobre o setor público, dispõe a Convenção que deverão ser adotados sistemas de 
convocação, contratação, retenção, promoção e aposentadoria de funcionários públicos, 
baseados nos princípios da eficiência e da transparência, utilizando-se critérios objetivos 
como o mérito, a equidade e a aptidão.
Obs.: deve-se observar os princípios similares nos contratos administrativos e nas 
licitações, conforme o art. 9º.
Deverá ser incluído, especialmente, procedimentos adequados de seleção e de formação 
nos cargos públicos mais vulneráveis à corrupção, garantindo-se uma rotação dessas 
pessoas em outros cargos. Além disso, deve-se fomentar uma remuneração adequada e 
escalas de soldo equitativas, de acordo com o desenvolvimento econômico de cada Estado-
parte.
Segundo previsto no art. 8º, cada Estado-parte deverá estabelecer um código de condutas 
para o cumprimento das funções públicas, promovendo-se a integridade, a honestidade e a 
responsabilidade entre seus funcionários públicos. Deve haver uma facilitação de denúncias 
por parte de funcionários públicos sobre atos de corrupção de que tenham conhecimento 
no exercício de suas funções.
Já no art. 11, prevê-se a necessidade de adoção de medidas para garantir a integridade e 
evitar toda oportunidade de corrupção entre os membros do Poder Judiciário e do 
Ministério Público, sem que isso viole, porém, a independência de tais órgãos.
Obs.: segundo a Convenção de Mérida, os membros do Ministério Público devem gozar de 
independência análoga a que os membros do Judiciário
No que tange ao setor privado, cabe destacar que, segundo o art. 12, cada Estado-parte 
deverá adotar medidas de prevenção à corrupção e para melhorar as normas contábeis e 
de auditoria no setor privado, prevendo sanções dissuasivas no âmbito cível, administrativo 
e penal.
Obs.: a Convenção de Mérida prevê, também, a necessidade de criação de normas de 
conduta para instituições financeiras e bancos, por meio de um amplo regimento interno de 
regulamentação e de supervisão. Ainda, estabeleceu-se a necessidade de cooperação entre 
organismos nacionais e o setor privados, para a prevenção e a detecção de produtos de 
delitos envolvendo corrupção. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 37/93
Determina a Convenção de Mérida que os Estados-parte deverão adotar medidas 
legislativas para criminalização de condutas intencionais relativas ao suborno de 
funcionários públicos nacionais e estrangeiros; o desvio de bens por funcionários públicos 
(incluindo malversação/peculato e a apropriação indébita); o tráfico de influências; o abuso 
de funções; o enriquecimento ilícito; o suborno no setor privado; a malversação/peculato 
de bens no setor privado; a lavagem de produto de delito; o encobrimento; e a obstrução 
da justiça.
Obs.: segundo dispõe o art. 26, fica a cargo dos Estados-parte a criação de leis para se 
estabelecer a responsabilidade das pessoas jurídicos pela participação nesses delitos, 
podendo ser índole penal, civil ou administrativa, sem prejuízo da responsabilização das 
pessoas físicas.
Obs2: até o presente momento, o crime de malversação/peculato de bens no setor privado 
NÃO foi previsto no ordenamento jurídico brasileiro.
Da mesma forma que a Convenção de Palermo e seus Protocolos, a Convenção de Mérida 
criminaliza tanto a participação/coautoria quanto a modalidade tentada dos referidos 
delitos.
Nos termos do art. 29, os Estados-membros deverão estabelecer um prazo prescricional 
maior ou interrompê-la quando o suspeito tenha se evadido da administração da justiça.
Da mesma maneira que a Convenção de Palermo, a Convenção de Mérida determina a 
adoção de medidas de proteção a testemunhas e vítimas, acrescentando a necessidade de 
se proteger peritos e denunciantes.
Ressalte-se que, por mais que a Convenção de Mérida tenha previsto avanços acerca do 
tema combate à corrupção no meio ambiente ambiental, houve outros diplomas 
internacionais que trataram desse assunto anteriormente, a exemplo da Convenção 
Interamericana contra a Corrupção, aprovado no âmbito da OEA.
O art. 37 prevê a possibilidade de os Estados-membros estabelecerem uma mitigação da 
pena quando houver cooperação substancial à investigação ou ao indiciamento dos delitos 
de corrupção, podendo haver, ainda, uma imunidade judicial a essas pessoas.
Consoante ao art. 40, o Estado-parte deverá velar por mecanismos que eliminem 
obstáculos que possam surgir como consequência da aplicação do sigilo bancário, não 
podendo esse estorvar as investigações e o indiciamento quanto aos crimes relacionados à 
corrupção.
IMPORTANTÍSSIMO: ao contrário da Convenção de Palermo, a Convenção de Mérida 
NÃO prevê a possibilidade de execução da pena e transferência de processo penal para 
Estado-parte diverso.
Convenção Contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias 
Psicotrópicas - Decreto nº 154/1991
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 38/93
Internalizada por meio do Decreto nº 154/1991, a Convenção contra o Tráfico Ilícito de 
Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas visa a combater o tráfico ilícito de drogas, 
sobretudo por meio da cooperação internacional, protegendo a saúde e o bem-estar dos 
seres humanos, bem como as bases econômicas, culturais e políticas das sociedades.
Dar especial atenção às definições contidas no art. 1º, que podem ser objeto de cobrança 
em provas objetivas.
Obs.: assim como na Convenção de Palermo, também se diferencia a apreensão 
(temporária) do confisco (definitivo).
Obs2: “arbusto de coca” é qualquer espécie do gênero “Erythroxylon”.
Obs3: "entorpecente" é qualquer substância, natural ou sintética, que figura na Lista I ou na 
Lista II da Convenção Única de 1961 sobre Entorpecentes, emendada pelo Protocolo de 
1972 que modifica a Convenção Única de 1961 sobre Entorpecentes.
Obs4: "substâncias psicotrópicas" é qualquer substância, natural que sintética, ou qualquer 
material  natural, que figure nas listas I, II, III, IV da Convenção sobre Substâncias 
Psicotrópicas de 1971.
Obs5: "semente de ópio" é a planta da espécie “papaver Somniferum L”.
Obs6: "planta de cannabis" é toda planta do gênero “cannabis”.
O art. 2º da Convenção, sobretudo nos §§2º e 3º, preveem a necessidade de se respeitar a 
soberania e a integridade territorial dos Estados-parte, trazendo como norte os princípios 
da não-ingerência e da igualdade soberana, não se admitindo que um Estado realize no 
território de outro atos jurisdicionais ou que sejam reservados exclusivamente às 
autoridades nacionais.
Ainda, no art. 3º, prevê-se a necessidade de criação, pelos Estados-parte, de leis penais 
criminalizando as condutas intencionais previstas nas alíneas dos dispositivos, as quais se 
recomenda uma leitura integral e atenta.
Obs.: na alínea “c”, inciso IV, do referido artigo, prevê-se a necessidade de criminalização 
da associação e da confabulação para o cometimento do tráfico ilícito de entorpecentes, 
bem como a da participação e da coautoria nesse tipo de crimes. Ressalte-se, também, 
que até mesmo a modalidade tentada deve ser passível de reprimenda.
Obs2: no parágrafo 4º, “c”, prevê-se a possibilidade de, em infrações de caráter menor, 
substituir-se a sanção penal por aplicação de medidas como educação, reabilitação ou 
reintegração social, bem como, no caso de o agente ser toxicômano, aplicação de 
tratamento e de acompanhamento posterior.
Obs3: segundo a alínea “d” do dispositivo supracitado, é possível a utilização de tais 
medidas, também, como complemento da sanção penal.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 39/93
O art. 3º, §5º, possibilita que sejam consideradas determinadas circunstâncias no 
julgamento pela autoridade judicial de forma a tornar especialmente grave a prática do 
tráfico ilícito de entorpecentes, a saber:
a) o envolvimento de grupo criminoso organizado;
b) o envolvimento do suspeito em outras atividades de organizações criminosas 
internacionais;
c) o envolvimento do suspeito em outras atividades ilegais facilitadas pela prática de delito;
d) o uso de violência ou de armas (não especificamente armas de fogo);
e) suspeito ocupar cargo público conexo ao delito;
f) vitimar ou usar menores;
g) o fato de o delito ser cometido em instituição penal, educacional ou assistencial, ou em 
sua vizinhança imediata ou em outros locais aos quais crianças ou estudantes se dirijam 
para fins educacionais, esportivos ou sociais;
h) condenação prévia, particularmente se por ofensas similares, seja no exterior seja no 
país, com a pena máxima permitida pelas leis internas da Parte.
Obs.: percebe-se que boa parte dessas circunstâncias foram consideradas como 
majorantes no art. 40 da Lei nº 11.343/2006.
Já no art. 6º, permite-se o instituto da extradição de autores de crime de tráfico ilícito de 
entorpecentes, devendo este tipo de crime ser incluído entre os delitos passíveis de 
extradição em todo tratado de extradição vigente entre os Estados-parte, e naqueles que 
celebrarem entre si.
Obs.: o §3º prevê a possibilidade de utilização da presente Convenção para possibilitar que 
os Estados-parte extraditem suspeitos de tráfico de entorpecentes para Países com os 
quais não possuam qualquer tratado específico de extradição.
Da mesma forma que as demais convenções estudadas, também prevê o instrumento da 
assistência jurídica recíproca, a transferência de procedimentos penais e a entrega vigiada.
Importante ressaltar a previsão convencional de meios para se impedir o comércio e o 
desvio de materiais e equipamentos destinados à produção ou fabricação ilícita de 
entorpecentes e de substâncias psicotrópicas, nos termos do art. 13.
Atribuições do Departamento de Polícia Federal para questões decorrentes de 
tratados internacionais
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 40/93
|key-item-3| Personalidade Internacional
Dispõe o art. 144, §1º, III, CRFB/88, que cabe à Polícia Federal exercer as funções de 
polícia marítima, aeroportuária e fronteiriça, tendo a instituição papel importante no que 
tange a questões decorrentes de tratados internacionais, sobretudo relativas a migração e 
fiscalização de fronteiras.
Nesse sentido, a Polícia Federal exerce diversos tipos de controle migratório no País. Prova 
disso é que, conforme o art. 48, da Lei nº 13.445/2017, em casos de deportação e de 
expulsão, cabe ao chefe da Unidade da Polícia Federal representar ao juízo federal por sua 
ocorrência, respeitando-se a ampla defesa e o devido processo legal. 
Além disso, conforme o art. 109, da Lei nº 13.445/17, é possível solicitar, em qualquer ponto 
do território brasileira, em uma unidade da Polícia Federal, o instituto do asilo territorial, 
ficando o beneficiário acolhido no território de um outro Estado.
Por mais que, atualmente, ainda o Ministro da Justiça e da Secretaria Pública seja 
considerado como órgão central para fins de cooperação internacional (Decreto nº 
11.348/2023), fato é que a Polícia Federal é o órgão destinado a efetivar essas medidas, 
sobretudo no que tange à investigações criminais de delitos transnacionais.
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Como já visto anteriormente, a personalidade jurídica de Direito Internacional tem a ver 
com a aptidão para agir no plano internacional, isto é, de ser titular de direitos e deveres 
internacionais, bem como de possuir capacidade de defender seus direitos por meio de 
ações internacionais.
Conforme a doutrina tradicional, por excelência, são pessoas jurídicas de Direito 
Internacional os Estados soberanos (personalidade jurídica originária) e as organizações 
internacionais (personalidade jurídica derivada/secundária, já que são criadas pelos Estados).
IMPORTANTE: a doutrina mais tradicionalista, ainda, inclui a Santa Sé como sujeito de 
direito internacional.
IMPORTANTE 2: a capacidade das organizações internacionais, devido a essa 
personalidade jurídica derivada, possui capacidade jurídica de firmar tratados internacionais 
limitada às normas que a instituíram.
Porém, uma doutrina mais moderna, cujo expoente é o professor Valério Mazzuoli, 
conceitua pessoa jurídica de Direito Internacional como aqueles entes aos quais o Direito 
Internacional é destinado (conotação passiva), e que possuem capacidade de atuação no 
plano internacional (conotação ativa). Logo, possuem essa personalidade jurídica os 
Estados soberanos, as organizações internacionais e os indivíduos. É a corrente que 
prevalece atualmente.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 41/93
CUIDADO: para a doutrina clássica, as Organizações não-governamentais e as empresas 
transnacionais (incluindo-se as empresas públicas) NÃO são considerados como sujeitos 
de Direito Internacional. Para Paulo Henrique Portela (corrente moderna), deveriam o ser, 
pois o Direito Internacional não é mais meramente interestatal.
CUIDADO 2: porém, considera-se que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha é 
considerado como sujeito de Direito Internacional.
Sujeitos de Direito Internacional fragmentários: parte da doutrina moderna afirmar existir 
determinados sujeitos de Direito Internacional sui generis, que não possuem a mesma 
capacidade que os sujeitos tradicionais. São os indivíduos, as ONG’s e as empresas 
transnacionais, não possuindo capacidade para celebrar tratados internacionais e não 
participam do processo de formação das normas jurídicas internacionais.
Conforme o art. 34 da Corte Internacional de Justiça, SOMENTE os ESTADOS poderão ser 
parte em questões perante a Corte, tanto como autor quanto como réu.
Obs.: porém, a ONU poderá provocar a Corte em casos de jurisdição consultiva, isto é, 
para que emita um parecer jurídico sobre determinada situação.
Os indivíduos podem estar tanto no polo passivo de uma relação internacional (ex: ser 
julgado pelo TPI) quanto estar no polo ativo (peticionar perante algumas cortes 
internacionais). Contudo, por óbvio, não podem celebrar tratados.
Ainda, leciona a doutrina moderna existirem coletividades não-estatais que atuam na 
sociedade internacional, sendo eles:
a)      Beligerantes: grupos armados que participam de guerras civis, que conquistaram 
determinado espaço territorial dentro de um Estado, cuja finalidade é a de alterar o sistema 
político vigente. Depende do reconhecimento de entes estatais para poder firmar tratados.
b)      Insurgentes: grupos armados que visam a derrubada do sistema político vigente, mas 
que não estão envolvidos em uma guerra civil, não sendo necessário que possuam parte de 
um território de um Estado. Também necessitam de reconhecimento por parte de entes 
estatais para poder firmar tratados.
c)      Movimento de Libertação Nacional: considera-se como possível a firmação de 
tratados internacional relativos ao objetivo de tais movimentos, isto é, a de libertação do 
povo que representam.
Atualmente, é unânime que a ONU tem personalidade jurídica de Direito Internacional. 
Porém, a Carta de São Francisco (1945) não previu expressamente essa personalidade 
jurídica, que somente foi reconhecida por meio de um parecer consultivo elaborado pela 
Corte Internacional de Justiça, elaborado pelo Conde de Folke Bernadotte.
Por outro lado, no Protocolo de Ouro Preto, há previsão expressa no art. 34 da 
personalidade jurídica de Direito Internacional do MERCOSUL.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. DireitoInternacional Público e Cooperação Internacional 42/93
Não obstante a Cruz Vermelha ser uma ONG, que atua diretamente com o Direito 
Internacional Humanitário, tem características de uma organização internacional, sendo-lhe 
permitido firmar tratados.
Obs.: Não é um sujeito clássico de Direito Internacional Público, mas tem sua 
personalidade jurídica reconhecida por outros Estados (personalidade jurídica 
secundária/derivada).
Estado; imunidade à jurisdição estatal; consulados e embaixadas 
O Estado é formado por um território (critério físico), dentro do qual há um povo (critério 
humano), caracterizando-se por sua soberania (critério jurídico), isto é, de não se subordinar 
a nenhum outro Estado. Além disso, consoante ao art. 1º, IV, da Convenção sobre Direitos e 
deveres dos Estados e sobre Asilo Político, também conhecida como Convenção de 
Montevidéu, outro requisito é a capacidade de entrar em relações com os demais Estados. 
   
Como já visto anteriormente, o Tratado de Westfália foi o primeiro documento jurídico 
formal a reconhecer o poder soberano dos Estados sobre seus territórios. 
Obs.: soberania deve ser entendida como uma supremacia sobre pessoas, bens e relações 
jurídicas dentro de um território físico. 
O Estado, por ser uma realidade física (possui território delineado) e não precisar de um 
documento para existir de maneira fática, possui personalidade jurídica originária. 
A delimitação territorial de um Estado é feita, basicamente, por duas formas: jurídica e 
geográfica. A primeira delas é mediante tratados e costumes internacionais. A outra forma 
é por meio de barreiras físicas (ex: muro de Berlim). 
Obs.: o fato de o território não estar completamente definido não impede o seu 
reconhecimento como Estado. 
Obs2: Princípio do “uti possidetis”: regra consuetudinária do Direito Internacional, já 
reconhecida em julgados da Corte Internacional, segundo o qual o domínio de um território 
é de quem efetivamente estiver o ocupando. 
CUIDADO: como bem lecionado por Francisco Rezek, a Corte Internacional de Justiça 
NÃO tem o poder de atribuir a alguém um território, limitando-se a dizer, à luz do Direito, a 
quem ele pertence. 
No emblemático caso “Island of Palmas Arbitration”, firmou-se o entendimento de que a 
ocupação pacífica e inconteste de um território, por um lapso temporal expressivo, é um 
título de aquisição mais forte do que a sua simples descoberta. Nesse sentido, decidiu-se 
que a Ilha de Páscoa, embora descoberta pela Espanha, pertenceria aos Países Baixos 
(Holanda), que já ocupava aquele local desde o séc. XVII. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 43/93
Quando há uma fusão entre Estados (Estado X + Estado Y = Estado Z), entende-se que, via 
de regra, o novo Estado gerado continua com os mesmos direitos e obrigações advindas 
dos tratados internacionais multilaterais firmados pelos Estados originários, salvo disposição 
expressa contrária. 
Obs.: nos casos de tratados bilaterais, apenas permanecerão se o Estado do polo 
obrigacional contrário aceitar essa situação. 
Por outro lado, se houver desintegração (Estado X passa a ser os Estados Y e Z), os Estados 
sucessores não estão obrigados a assumir os tratados firmado pelo Estado sucedido, 
apenas se expressarem a vontade de fazê-lo, por meio de uma notificação de sucessão.   
Obs.: nos casos de tratados bilaterais, apenas permanecerão se o Estado da parte contrária 
aceitar essa situação. 
Se houver desmembramento (Estado X continua existindo, mas parte de seu território 
forma o Estado Z), o novo Estado formado não assume qualquer obrigação dos tratados 
internacionais que continuam firmados pelo Estado originário, possibilitando-se a realização 
da notificação de sucessão. 
Como dever fundamental dos Estados, há o dever de não-intervenção em questões 
internas e externas de outro Estado soberano, não podendo aquele impor sua vontade a 
este. A intervenção caracteriza-se como um ato abusivo e contrário aos compromissos 
internacionais. Tal princípio está previsto expressamente no art. 2º, §4º, da Carta da ONU. 
IMPORTANTE: A “Doutrina Monroe”, criada em 1823 pelo então presidente norte 
americano James Monroe, preceitua que nenhum País europeu poderia interferir em 
assuntos internos e na política dos EUA, e vice-versa. Porém, permitia-se a interferência 
norte americana nos países latino-americanos, sob a alegação de evitar que potências 
exteriores o fizessem. 
IMPORTANTE 2: A “Doutrina Drago”, criada em 1902 pelo ministro das relações exteriores 
da Argentina, preceitua que não se deve tolerar intervenção armada entre países motivada 
por questões de dívidas financeiras. 
O reconhecimento de existência de um Estado é um ato jurídico-político, discricionário e 
unilateral, que consiste no fato de um Estado já existente reconhecer outra entidade como 
equivalente a si própria. 
Obs.: há uma corrente minoritária que afirma não se tratar de ato discricionário, pois o não 
reconhecimento somente poderia se dar se a criação do Estado contrariasse o Direito 
Internacional. 
Obs2: esse reconhecimento nem sempre é explícito, podendo, também, ser tácito, como no 
caso de um Estado já existente praticar atos com uma entidade, como se este fosse um 
Estado (ex: manter agentes diplomáticos e uma embaixada no território). 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 44/93
Já o reconhecimento de governo ocorre quando há uma ruptura da ordem política vigente 
e a criação de novo governo, seja por meio de revolução, seja por meio de um golpe, e um 
Estado reconhece como legítima essa nova ordem. É um ato unilateral, discricionário, 
irrevogável e incondicionado. 
IMPORTANTE: A “Doutrina Tobar” (doutrina da legitimidade), criada em 1907 pelo então 
ministro das relações exteriores do Equador, de nome Carlos Tobar, preceitua que a 
sociedade internacional deve evitar reconhecer governos que ascenderam ao poder de 
forma abrupta e violenta, até que tais governantes detenham aprovação popular. 
IMPORTANTE 2: Já a “Doutrina Estrada”, criada em 1930 pelo então ministro das relações 
exteriores do México, de nome Genaro Estrada, preceitua que o não reconhecimento de 
um governo implica em questões de soberania daquele local, e que, em respeito ao 
princípio da não-intervenção, não se deveria emitir o juízo de valor de não reconhecer um 
governo que ascendeu ao poder. Em sua visão, o correto seria cortar relações diplomáticas 
com o País, para se demonstrar o descontentamento, já que isso serviria como um não 
reconhecimento tácito, menos agressivo. 
Sobre a Santa Sé e o Estado do Vaticano, importa destacar que ambos são figuras 
vinculadas à Igreja Católica. 
A Santa Sé representa a administração da Igreja, sendo dirigida pelo Papa, e está localizada 
na cidade do Vaticano. 
IMPORTANTE: a Santa Sé não possui nacionais, sendo que as pessoas nascidas no 
Vaticano são consideradas como italianos. Por essa razão, Rezek afirma que ela possui uma 
personalidade jurídica de direito internacional anômala, possuindo capacidade de firmar 
tratados e direito de legação (receber e enviar agentes diplomáticos). 
Os tratados firmados pela Santa Sé com demais Estados, com cunho religioso, são 
denominados de concordatas. No Brasil, firmou-se uma concordata com a Santa Sé, de 
que o casamento religioso tem os mesmos efeitos do casamento civil, devendo aquele ser 
registrado na própria Igreja Católica. 
Obs.: para a Igreja Católica, não é possível a realização de divórcio, sendo apenas 
permitida a anulação do casamento, realizada por meio de uma sentença eclesiástica, a ser 
confirmada pelo controle superior da Santa Sé. 
Já a cidade do Vaticano obteve o reconhecimento de sua soberania por meio do Tratado 
de Latrão, em 1929. Segundo a doutrina majoritária, possui soberaniaoriginária, não tendo 
sido criada por outros organismos.  
Sobre a questão da responsabilidade internacional, muito embora haja diversas tratativas 
sobre, até o presente momento não há uma codificação dessa temática, sendo o tema 
tratado pela doutrina internacionalista e por convenções internacionais específicas. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 45/93
Segundo a doutrina majoritária, tem-se que, em regra, a responsabilidade pelas ações e 
omissões dos Estados, quando ocorre algum dano, é subjetiva, sendo imprescindível a 
comprovação de dolo ou, no mínimo, de culpa. Porém, em determinadas matérias, como 
dano ambiental, a responsabilidade é objetiva, não sendo necessário comprovar o elemento 
subjetivo. 
Obs.: Para os adeptos da “teoria mista”, a responsabilidade internacional de Estados por 
atos comissivos é objetiva, ao passo de que, quando o dano fosse causado por alguma 
negligência ou omissão, a responsabilidade seria subjetiva. 
Obs2: O Estado brasileiro pode ser responsabilizado internacionalmente por dívidas cíveis 
contraídas por seus diplomatas em outro País, pois os atos destes são considerados como 
se tivessem sido praticados pelo próprio Brasil, segundo a “teoria da imputação volitiva”, de 
Otto Von Gierke. 
São elementos constitutivos da responsabilização dos Estados na seara internacional:
ATO ILÍCITO
(ação ou omissão que viole regras de Direito Internacional, seja de um tratado ou de um 
costume internacional)
+
IMPUTABILIDADE
(possibilidade de se atribuir o ato ilícito ao Estado, independentemente do Poder ou Unidade 
Federativa que o emanou)
+
DANO
Obs.: EXCEPCIONALMENTE, permite-se a responsabilização internacional dos Estados por ato 
LÍCITO. 
A doutrina elenca algumas situações que excluem a responsabilidade estatal na seara 
internacional, sendo elas: 
Legítima defesa: quando um Estado recorre ao uso da força contra um ato de 
agressão atual ou iminente praticado por outro Estado. Segundo o art. 51 da Carta da 
ONU, para restar caracterizado, exige-se a prévia oitiva pelo Conselho de Segurança, 
bem como que os atos observem o princípio da proporcionalidade. 
Represálias: atos ilícitos que visam a reprimir outro ato ilícito prévio, sendo aquele 
proporcionalmente o único capaz de evitar aquele. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 46/93
Prescrição liberatória: exclui-se a ilicitude pelo decurso de um lapso temporal, como 
se houvesse uma prescrição do ato ilícito em face da letargia do Estado lesado. 
Obs.: ressalte-se que, conforme previsão expressa do Estatuto de Roma (art. 29), os 
crimes de competência do Tribunal Penal Internacional são imprescritíveis.  
Culpa do próprio Estado lesado: se o Estado que sofreu o dano tiver dado causa a 
este, ou contribuído de maneira significativa para a sua ocorrência, excluir-se-á a 
responsabilidade internacional. 
No que tange a temática jurisdicional, o doutrinador Malcolm Shawn leciona que a 
jurisdição é uma característica essencial da soberania estatal, já que, basicamente, trata-se 
da atividade de dizer o direito, de maneira definitiva, criando, modificando ou extinguindo 
relações jurídicas. Logo, é uma temática sensível, e, via de regra, também deve respeito ao 
princípio da não-intervenção. 
Sendo assim, vigorava, como regra, uma imunidade de jurisdição entre os Estados, haja 
vista que estes não se submetem a um Poder Judiciário estrangeiro, dada a igualdade 
formal entre eles (“par in parem non habet judicium”), consoante à teoria da imunidade 
absoluta. 
Porém, assim como a própria ideia de soberania, a imunidade de jurisdição também vem 
sendo relativizada no Direito Internacional Público. Atualmente, consideram-se como 
imunes apenas os atos estatais de império (“jus imperium”), isto é, quando há o exercício de 
prerrogativas soberanas (ex: declarar guerra). Os atos de gestão (“jus gestiones”), por sua 
vez, não são imunes, pois o Estado atuaria como se particular fosse.   
EXTREMO CUIDADO: segundo o STF (informativo 1026), atos bélicos praticados pelo 
Estado em período de guerra, quando ilícitos e atentatórios aos direitos humanos, NÃO 
gozam de imunidades de jurisdição. Além disso, qualquer ato ilícito atentatório aos direitos 
humanos praticados por Estado estrangeiro (ou por seus representantes), ainda que em 
território brasileiro, não goza de imunidade jurisdicional. Em específico, utilizou-se, no ARE 
954858, o termo “derrotabilidade de regra imunizante de jurisdição”, não bastando a 
alegação de ser ato de império para evitar a responsabilização do Estado. 
IMPORTANTE: no que tange a demandas trabalhistas, já decidiu o STF, no RE 607211, não 
haver imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro diante de casos levados à Justiça do 
Trabalho (empregados brasileiros trabalhando na embaixada), já que isso diz respeito a ato 
de gestão, e não de império, utilizando como fundamento as normas da Convenção de 
Privilégios e Imunidades das Nações Unidas.  
IMPORTANTE 2: porém, no RE 597368, o STF entendeu que a ONU possui imunidade de 
jurisdição, ainda que se trate de atos julgados pela Justiça Trabalhista brasileira, em virtude 
no contido especificamente na Seção 2 da Convenção de Privilégios e Imunidades das 
Nações Unidas. 
IMPORTANTE 3: as organizações internacionais, no que se refere aos atos relacionados ao 
seu ato constitutivo, também gozam de imunidade de jurisdição. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 47/93
Obs.: o Estado, por vontade própria, pode renunciar à imunidade de jurisdição. 
Imunidade de execução: proteção conferida ao patrimônio público no exterior, sendo os 
bens dos Estados (e das organizações internacionais) considerados invioláveis. Trata-se de 
uma impossibilidade jurídica de execuções judiciais contra Estado estrangeiro, ainda que 
seja julgado e processado. 
Obs: a renúncia estatal à imunidade de jurisdição não gera, automaticamente, a renúncia à 
imunidade de execução, devendo o Estado expressar sua vontade de renunciar a esta. 
A Convenção de Viena sobre as Relações Diplomáticas, firmada em 1961, disciplina a 
temática das imunidades consulares e diplomáticas. Segundo a doutrina, consagrou-se o 
critério funcional, segundo o qual as prerrogativas são direcionadas ao cargo em si, não 
tendo caráter pessoal (o que revelaria, na verdade, um privilégio). 
Diplomata: representante do Estado em suas relações internacionais. 
Cônsul: responsável pela proteção e assistência aos nacionais que se encontram em 
território exterior. 
No que tange aos locais de missão diplomática (embaixadas), a Convenção de Viena de 
1961 elenca as seguintes prerrogativas: 
I. São invioláveis, sendo necessária a autorização do Chefe de Missão para neles 
adentrar. 
II. Bens, arquivos, documentos e correspondências não podem ser objeto de busca, 
requisição, embargo ou medida de execução. 
III. Há isenção de impostos e taxas, inclusive sobre os direitos e emolumentos recebidos 
em razão da prática de atos oficiais (art. 28).   
Aos agentes diplomáticos, garante-se: 
I. Imunidade de jurisdição e de execução penal, incluindo a Inviolabilidade pessoal 
(direito de não ser preso/detido) e domiciliar (incluindo-se o seu local de trabalho). 
Obs.: isso não significa que o diplomata não responderá criminalmente por suas 
condutas, mas, sim, que ele não será julgado ou preso no Brasil, salvo se o Estado 
acreditante renunciar expressamente a essas imunidades, não sendo a renúncia 
presumida. 
Obs2: Decidiu o STJ, no RHC 87825, que não é possível a fixação de medida cautelar 
de proibição de se ausentar do País e recolhimento de passaporte ao agente 
diplomático, pois estes gozam de imunidade de execução penal. 
8. Direito Internacional Públicoe Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 48/93
II. Imunidade RELATIVA de jurisdição civil e administrativa, exceto quando envolver ações 
de caráter iminentemente privado (ex: que envolvam bens privados; ações sucessórias; 
relação de profissão liberal ou atividade comercial, fora das funções oficiais). 
III. Imunidade tributária especificamente com relação aos tributos DIRETOS (não se 
incluindo a tributação indireta). 
Obs.: tais direitos são estendidos aos familiares do diplomata e àqueles constantes na 
“lista diplomática”. 
IMPORTANTE: por se tratarem de imunidades relativas ao cargo (critério funcional), 
não pode o agente diplomático renunciá-las.  
Com relação aos membros do quadro administrativo e técnico de uma missão diplomática 
(oficiais de chancelaria e assistentes de chancelaria): 
I. Imunidade absoluta de jurisdição pena. 
II. Imunidade relativa de jurisdição civil e administrativa, exclusivamente no tocante aos 
atos praticados no exercício de suas funções. 
Sobre o pessoal de serviço da Missão Diplomática, garante-se, também, a imunidade penal, 
administrativa e civil exclusivamente com relação aos atos práticos no exercício de suas 
funções, desde que não sejam nacionais do Estado acreditado e que não possuam 
residência permanente neste território. 
Importante destacar que, conforme a doutrina, vigora o princípio do primado do direito 
local, devendo os diplomatas e correlatos respeitarem as leis do País em que se 
encontram, pois a imunidade não significa impunidade, podendo ainda serem 
responsabilizados pelo Estado acreditante. 
É possível, ainda, que o Estado acreditado reprove e censure as condutas de um diplomata, 
não sendo obrigado a aceitá-lo em seu território. Utiliza-se, para tanto, a declaração de 
“persona non grata” (art. 9º, Convenção de Viena de 1961), não sendo necessária a 
observância do devido processo legal para a retirada do diplomata do País. 
Afinal, nesse tipo de relação diplomática, o Estado acreditante deve receber do Estado 
acreditado o “agrément”, instrumento que revela ato unilateral e discricionário de aceitação 
da indicação de embaixadora. 
Já com relação aos cônsules, garante-se: 
I. Impossibilidade de imposição de prisão preventiva, EXCETO se por crime grave, desde 
que haja decisão judicial fundamentada. 
II. Garantia de cumprimento de pena após trânsito em julgado de condenação criminal, 
quando se tratar de crime cometido no exercício de suas funções oficiais. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 49/93
III. Desobrigação de depor em relação aos seus atos oficiais. 
IV. Imunidade tributária de tributos diretos. 
V. Inviolabilidade dos locais consulares e dos respectivos arquivos, documentos e 
correspondências. 
IMPORTANTÍSSIMO: as prerrogativas consulares NÃO se estendem aos familiares dos 
cônsules, pois estão intimamente ligadas ao exercício da função. 
No ano de 2000, a Corte Internacional de Justiça julgou o “Caso Yerodia”, firmando o 
entendimento de que a imunidade penal de um Ministro das Relações Exteriores 
estrangeiro abarcaria, inclusive, crimes de guerra e contra a humanidade. Segundo a Corte, 
o réu deveria ser julgado pelo próprio País, ou pelo Tribunal Penal Internacional, havendo 
uma restrição da jurisdição penal das cortes domésticas, sobretudo em virtude da 
descentralização da sociedade internacional. Somente seria possível, segundo a Corte, 
julgamento pelo Judiciário doméstico se houvesse tratado internacional permitindo; se 
existisse algum elemento de conexão do crime com o Estado julgador (ex: vítima ou autor 
ser nacional daquele Estado), ou se houvesse ameaça à segurança nacional daquele. 
CUIDADO: esse é um julgado da CIJ de 2000, envolvendo os Países Congo e Bélgica, a 
respeito do genocídio em Ruanda, que não se coaduna com o atual entendimento do STF 
exarado no ARE 954858.
Organizações internacionais: conceito; natureza jurídica; elementos 
caracterizadores; espécies
O art. 2º, §1º, “i” da Convenção de Viena de 1969, prevê apenas que organização 
internacional é uma organização intergovernamental, cuja natureza jurídica é a de pessoa 
jurídica de direito internacional público.  
São características de uma organização internacional:
a)      São associações voluntárias de Estados: surgem de manifestações de vontade de 
Estados, possuindo personalidade jurídica internacional derivada da vontade deles. Ao invés 
de soberanas, são autônomas.
b)      São criadas por convênio constitutivo: a criação das organizações internacionais se 
dá por meio de tratados constitutivos (multilaterais), definindo sua estruturação, seu 
processo decisório, seus objetivos e suas competências.
c)      Possuem personalidade jurídica distinta da de seus membros: conforme já visto, a 
personalidade jurídica das organizações internacionais deriva da vontade dos Estados que a 
constituíram, sendo diversa da destes. Podem, por si só, firmar tratados internacionais 
(desde que o objeto seja relacionado a sua finalidade institucional), inclusive participar da 
criação de outras organizações internacionais, tendo direito de legação ativo e passivo. 
Além disso, é de natureza objetiva, sendo essa personalidade jurídica oponível a toda a 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 50/93
sociedade internacional, inclusive aos Estados que não façam parte dela, 
independentemente da vontade destes.
d)      São instituições permanentes: as organizações internacionais são instituições 
permanentes, feitas para durar no tempo, e não temporárias (não “ad hoc”), servindo para 
garantir a estabilidade da sociedade internacional.
As organizações internacionais podem ser classificadas em:
1.    Quanto ao alcance:
a)    De alcance universal: tem a pretensão de ser composta pela totalidade dos Países. Ex: 
ONU.
b)    De alcance regional: alcançam apenas parte de Estados que pertencem a uma 
determinada região. Ex: OEA.
2.    Quanto ao domínio temático:
a)      De vocação política/geral: tratam de temas gerais, geralmente visando a proteção da 
paz e da segurança mundial, ou de temas relacionados ao interesse geral de seus 
membros. Ex: ONU.
b)   De vocação específica/especial: preocupam-se com temas específicos. Ex: OMC.
3.    Quanto à natureza dos poderes exercidos
a)    Intergovernamentais: necessitam da ratificação pelos Estados.
b)   Supranacionais: suas decisões impactam até Estados que não sejam membros dela.
4.    Quanto a possibilidade de integração
a)    Aberta ilimitadamente: qualquer Estado pode fazer parte.
b)   Aberta limitadamente: apenas alguns Estados podem fazer parte.
c)    Fechada: só os Estados que participaram de sua constituição podem fazer parte.
A base territorial de uma organização internacional é definida a partir do “acordo de sede”, 
sendo um tratado bilateral entre ela e o Estado onde será estabelecida a sede.
Os representantes das organizações internacionais possuem, via de regra, as mesmas 
imunidades conferidas aos agentes do corpo diplomático de um Estado, conforme 
estabelecido no ato constitutivo de cada uma delas.
Obs.: cuidado! O instituto de proteção diplomática é privativo dos Estados! Organização 
internacional NÃO tem diplomata, só Estado tem!
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 51/93
Como regra, o ingresso de um Estado em uma organização internacional é feito sem 
reservas, para se evitar desequilíbrio entre membros.
Já a sua saída da organização exige o cumprimento de dois requisitos: (i) aviso prévio da 
retirada voluntária, conforme estabelecido no ato constitutivo + (ii) atualização das contas 
(adimplir com todas as obrigações faltantes).
Por ser órgão permanente, a extinção da organização internacionalexige um novo acordo 
entre os Estados-membros sobre a dissolução dessa entidade. Ex: Pacto de Varsóvia. 
Já a sucessão também é possível, com a criação de uma nova organização internacional no 
lugar da anterior. Ex: Liga das Nações foi transformada na ONU.
A regulamentação sobre tratados firmados por organizações internacionais é prevista na 
Convenção de Viena de 1986, bem como em normas costumeiras.
No caso “Folke de Bernadotte”, julgado pela Corte Internacional de Justiça em 1949, 
definiu-se que as organizações internacionais e seus agentes, quando em serviço, possuem 
proteção funcional, sendo possível a responsabilização internacional pelos danos causados 
a estes.
População; nacionalidade; tratados multilaterais; estatuto da igualdade
A nacionalidade é um vínculo jurídico-político entre o indivíduo e o Estado, sendo fixadas 
normas jurídicas internas para a sua caracterização. Pode ser analisado sob uma dimensão 
vertical, havendo uma relação de subordinação do indivíduo ao Estado; e sob uma 
dimensão horizontal, tratando-se de uma relação do indivíduo para com a comunidade a 
qual ele pertence.
Obs.: muito embora esse termo seja utilizado em alguns tratados internacionais, não é 
correto afirmar que uma pessoa jurídica tem nacionalidade brasileira, já que este é um 
instituto exclusivo de seres humanos.
O vínculo de nacionalidade, também denominado de vínculo patrial, deve, na medida do 
possível, ser fundado em laços reais e sociais entre o indivíduo e o Estado, em respeito ao 
princípio da efetividade, previsto na Convenção de Haia sobre Conflitos de Nacionalidade, 
firmado em 1930.
No caso “Nottembohm”, julgado pela Corte Internacional de Justiça de 1951, estabeleceu-
se alguns critérios para se definir a nacionalidade efetiva de um indivíduos, conforme o 
previsto na Convenção de Haia, sendo alguns dos critérios balizadores: (i) local de 
residência habitual; (ii) local do centro de seus interesses habituais; (iii) local em que 
estabelecem seus laços familiares; (iv) local onde ocorre sua participação na vida pública; 
(v) local onde ocorre a educação de seu filho.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 52/93
A apatria (heimatlos), conforme leciona Portela, é a perda arbitrária da nacionalidade de 
um indivíduo por questões políticas, ou a não-incidência de nenhum critério de atribuição 
de nacionalidade a ele, tratando-se de uma violação de direitos humanos e devendo ser 
evitado a todo custo.
Afinal, o direito humano à nacionalidade é previsto em diversos diplomas internacionais, 
desde em sistemas globais de proteção (ex: declaração universal dos direitos humanos) 
quanto em sistemas regionais (ex: Pacto de São José da Costa Rica).
Segundo a doutrina, a nacionalidade primária/originária resulta de laços naturais e/ou de 
nascimento, sendo disciplinado taxativamente no art. 12, I, CRFB/88:
(I)  Nascidos em território brasileiro, desde AMBOS os pais estrangeiros não estejam a serviço 
do seu país (jus solis);
BRASILEIROS NATOS
(II) Nascidos no estrangeiro, de pai OU mãe brasileiro a serviço do Brasil (jus sanguinis); 
(II) Nascidos no estrangeiro, de pai OU mãe brasileiro, desde que registrados na repartição 
brasileira (jus sanguinis);
(III)  Nascidos no estrangeiro, de pai OU mãe brasileiro, que venha a residir no Brasil, e que, 
após a maioridade, opte pela nacionalidade brasileira (art. 63, Lei de Migração). 
NACIONALIDADE POTESTATIVA.
IMPORTANTE: no caso de filho de brasileiro nascido no exterior, que venha a residir no 
Brasil, considera-se que, durante a sua menoridade, será, para todos os fins, brasileiro 
NATO, sendo que a sua maioridade é condição suspensiva da nacionalidade brasileira, 
devendo ele optar ou não por esta.
IMPORTANTE 2: essa manifestação de vontade de optar pela nacionalidade brasileira é 
feita em juízo, tendo efeitos retroativos (“ex tunc”) desde o nascimento.
DICA: privilegia-se que o indivíduo seja brasileiro, por isso que se exige que apenas um 
dos pais esteja a serviço do Brasil, ou que seja brasileiro. Por outro lado, quando os pais 
são estrangeiros, exige-se que ambos sejam estrangeiros e que ambos estejam a serviço de 
seu próprio País, sob pena de a criança ser considerada como brasileira.
Já a nacionalidade secundária/derivada/adquirida advém de fator voluntário, estando 
disciplinada no art. 12, II, CRFB/88, e suas alíneas.  
Conforme o art. 12, II, “a”, CRFB/88, são considerados brasileiros naturalizados aqueles que, 
na forma da lei, adquirirem nacionalidade brasileira. Trata-se de uma norma constitucional 
de eficácia limitada, que foi regulamentada pela Lei nº 13.445/2017.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 53/93
Esse dispositivo trata da naturalização ordinária, a qual é concedida pelo Chefe do 
Executivo, por meio de um ato discricionário de naturalização, devendo-se respeitar alguns 
requisitos previstos no art. 65, da Lei de Migração, dentre eles:
Naturalização                       Indivíduo com capacidade civil, segundo a lei brasileira 
   Ordinária                                                                        +
                                                                                               Residência no território nacional, pelo prazo mínimo de 4 
anos
                                                Obs: preenchido os requisitos do art. 66, diminui para 1 ano.
                                                                                            +
                                                Comunicar-se em língua portuguesa
                                                                                  +
                                                Estar reabilitado criminalmente, ou não possuir condenação 
criminal
O art. 12, II, “a”, CRFB/88, ainda, prevê uma facilidade para a obtenção da nacionalidade 
ordinária brasileira pelos estrangeiros originários de países de língua portuguesa, prevendo 
requisitos menos rigorosos: 
DICA: exige-se a idoneidade moral APENAS para a naturalização ordinária para pessoas 
advindas de países de língua portuguesa, já que se trata de um processo simplificado.
        Obs.: também é um ato discricionário do Presidente da República, cuidado!
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 54/93
A alínea “c”, do art. 12, II, CRFB/88, prevê a chamada naturalização 
extraordinária/quinzenária, tratando-se de um ato vinculado por parte do Presidente da 
República, sendo obrigatória a concessão da naturalização quando preenchido os 
requisitos. São eles:
A Lei de Migração prevê, no art. 68, a naturalização especial, que pode ser concedida ao 
estrangeiro em situações especiais:
O art. 70, da Lei nº 13.445/2017, dispõe sobre o instituto da naturalização provisória, a ser 
concedida às crianças e adolescentes migrantes que tenham fixado residência no território 
nacional antes de completar dez anos, a ser requerida por seu representante legal.
Obs.: poderá ser convertida em naturalização definitiva se a pessoa assim manifestar o 
desejo no prazo de dois anos após atingir a maioridade.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 55/93
Já o art. 12, §1º, CRFB/88, prevê a figura do brasileiro por equiparação, também chamado 
pela doutrina como “quase nacionalidade”. Segundo esse dispositivo, atribui-se os direitos 
inerentes aos brasileiros aos portugueses com residência permanente no Brasil, se houver 
reciprocidade em favor dos brasileiros, salvo disposição constitucional contrária.
CUIDADO EXTREMO: NÃO é caso de naturalização! Não há perda da nacionalidade 
originária!
CUIDADO EXTREMO 2: além disso, não é automático, devendo haver a solicitação por 
parte do individuo, a ser analisado|key-item-1| Direito Internacional Público
A sociedade internacional, ainda, é caracterizada pela universalidade (visa a abranger o 
mundo inteiro) e pela heterogeneidade (marcada pelas diferenças socio-culturais, 
ambientais e econômicas), vislumbrando-se uma igualdade formal entre os Estados, devido 
a ideia de soberania estatal. Porém, existe uma desigualdade de fato, sobretudo pela 
superioriedade bélico-militar e econômica, fazendo prevalecer o interesse dos Estados e 
organismos mais poderosos.
Obs: Segundo o teórico francês Jean Bodin, a soberania estatal consistiria no fato de um 
Estado, dentro do seu território geográfico, não ser subordinado a nenhum outro poder 
externo, de modo que nenhum Estado poderia ser subjugado por outro, devendo 
observâncias apenas a suas próprias leis.
Não obstante a inexistência de um “Poder Legislativo Universal” – que seria barrado pela 
ideia da soberania estatal –, afirma Mazzuoli existir um ordenamento jurídico internacional 
voluntário, em que predomina a descentralização e horizontalidade entre os Estados, e, por 
conseguinte, a coordenação de interesses entre os atores internacionais, tendo 
peculiariedades em relação ao Direito interno, com princípios e regramentos próprios. 
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Antes de destacar o conceito de Direito Internacional Público, necessário se faz uma 
revisão histórica do seu desenvolvimento. 
Para alguns doutrinadores, como o Barão Serge Korff, o Direito Internacional existe desde 
os primórdios da humanidade, pois o ser humano sempre teve de se relacionar com 
comunidades vizinhas. Exemplo disso é o acordo firmado, cerca de 2.000 a.C, entre os 
reinos de Lagash e de Umma, para estabelecer fronteiras entre os territórios suméricos. 
Outra manifestação de Direito Internacional seria na Roma Antiga, com a separação do “jus 
civile”, aplicado somente aos cidadãos romanos; do “jus gentium”, que regulava as relações 
entre estrangeiros e cidadãos romanos.   
É possível visualizar um avanço nesse tipo de relação internacional durante a Idade Média, 
com o Direito Canônico, que tinha caráter supranacional, influenciando nos Estados 
eurpeus da época, o que garantia o poder hegemônico da Igreja Católica na Europa 
medieval. Ainda, naquela época, foram criados alguns códigos comerciais e marátimos, 
para regular transações cambiais e comerciais.   
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 4/93
Porém, prevalece na doutrina que o início do Direito Internacional, enquanto ciência 
autônoma e sistematizada, deu-se somente na Idade Moderna, após as contribuições do 
holandês Hugo Grotius (Hugo Grotio), considerado como “pai do Direito Internacional”. 
O marco temporal específico mais aceito foi a assinatura do Tratado de Westphalia, em 
1648, que findou a Guerra dos Trinta anos [3], pois inaugurou o princípio da igualdade 
formal entre os Estados europeus participantes do conflito bélico, rompendo com o caráter 
supranacional do Direito Canônico e com o domínio hegemônicoda Igreja Católica. 
Conceito
Tradicionalmente, o Direito Internacional Público clássico tratava, essencialmente, de 
questões ligadas à guerra e à paz (“de iura belli ac pacis”), e regulava a relação externa 
entre Estados, contrapondo-se ao Direito interno.  Jeramin Bentham foi o primeiro autor a 
utilizar o termo “Direito Internacional”, classificando-o como o ramo jurídico voltado a 
regular as relações entre Estados (Internation Law), diferenciando-o do Direito nacional 
(national law) e do Direito municipal (municipal law).
A ideia primordial era evitar uma “anarquia” no âmbito internacional, distanciando-se do 
“estado de guerra de todos contra todos”, como conceituado por Thomas Hobbes.
Porém, com a complexificação das relações internacionais, sobretudo em razão da 
globalização, esse conceito clássico deixou de ser adotado. Afinal, não há como negar que 
o Direito Internacional também influencia na ordem interna, como, por exemplo, na questão 
dos Direitos Humanos. Além disso, perbece-se que existem outros atores internacionais 
para além dos Estados, não se tratando de um mero Direito interestatal. Por fim, o âmbito 
de atuação desse ramo do Direito vai para além de questões bélicas, envolvendo, também, 
demais assuntos, como questões ambientais, sociais, culturais e econômicas, bem como a 
própria cooperação internacional.
Isso revela, portanto, uma fragmentação do Direito Internacional, que é composto por 
diversos subsistemas jurídicos, tais como econômicos, ambientais, humanistas e 
financeiros.
Existem alguns critérios elencados pela doutrina para se conceituar o Direito Internacional 
Público, dentre eles:
A)      Sujeitos intervenientes: a definição desse ramo jurídico está ligado aos sujeitos que 
participam das relações internacionais, que não se confundem com os sujeitos do Direito 
Interno.
B)      Fontes normativas: o Direito Internacional Público se distingue dos demais ramos por 
ter fontes normativas próprias e específicas, elencadas, em específico, mas não somente, 
pelo art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
C)        Matérias tratadas: o objeto do Direito Internacional são temas ligados ao interesse 
global, como metas comuns da humanidade, a paz, a segurança e a estabilidade das 
relações internacionais.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 5/93
https://cj.estrategia.com/ldi/print/A%20Guerra%20dos%20Trinta%20Anos%20foi%20uma%20guerra%20de%20cunho%20pol%C3%ADtico-religioso,%20travada,%20em%201618,%20entre%20Fran%C3%A7a,%20Inglaterra,%20Portugal,%20Espanha,%20Dinamarca,%20%C3%81ustria,%20Su%C3%A9cia,%20Pa%C3%ADses%20Baixos%20e%20Alemanha,%20findando%20tr%C3%AAs%20d%C3%A9cadas%20ap%C3%B3s.%20Segundo%20historiadores,%20%C3%A0%20%C3%A9poca,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica,%20institui%C3%A7%C3%A3o%20de%20maior%20hierarquia%20na%20Europa%20medieval,%20estava%20perdendo%20fi%C3%A9is%20ap%C3%B3s%20as%20Reformas%20Protestantes,%20sendo%20que%20o%20dom%C3%ADnio%20dos%20Estados%20passou%20a%20ser%20transferido%20das%20autoridades%20cat%C3%B3licas%20para%20monarcas%20absolutistas.%20Com%20o%20final%20da%20Guerra,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica%20deixou%20de%20ser%20um%20ente%20superior%20aos%20Estados%20europeus,%20reconhecendo-se%20a%20igualdade%20absoluta%20entre%20aos%20Estados%20soberanos.
https://cj.estrategia.com/ldi/print/A%20Guerra%20dos%20Trinta%20Anos%20foi%20uma%20guerra%20de%20cunho%20pol%C3%ADtico-religioso,%20travada,%20em%201618,%20entre%20Fran%C3%A7a,%20Inglaterra,%20Portugal,%20Espanha,%20Dinamarca,%20%C3%81ustria,%20Su%C3%A9cia,%20Pa%C3%ADses%20Baixos%20e%20Alemanha,%20findando%20tr%C3%AAs%20d%C3%A9cadas%20ap%C3%B3s.%20Segundo%20historiadores,%20%C3%A0%20%C3%A9poca,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica,%20institui%C3%A7%C3%A3o%20de%20maior%20hierarquia%20na%20Europa%20medieval,%20estava%20perdendo%20fi%C3%A9is%20ap%C3%B3s%20as%20Reformas%20Protestantes,%20sendo%20que%20o%20dom%C3%ADnio%20dos%20Estados%20passou%20a%20ser%20transferido%20das%20autoridades%20cat%C3%B3licas%20para%20monarcas%20absolutistas.%20Com%20o%20final%20da%20Guerra,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica%20deixou%20de%20ser%20um%20ente%20superior%20aos%20Estados%20europeus,%20reconhecendo-se%20a%20igualdade%20absoluta%20entre%20aos%20Estados%20soberanos.
https://cj.estrategia.com/ldi/print/A%20Guerra%20dos%20Trinta%20Anos%20foi%20uma%20guerra%20de%20cunho%20pol%C3%ADtico-religioso,%20travada,%20em%201618,%20entre%20Fran%C3%A7a,%20Inglaterra,%20Portugal,%20Espanha,%20Dinamarca,%20%C3%81ustria,%20Su%C3%A9cia,%20Pa%C3%ADses%20Baixos%20e%20Alemanha,%20findando%20tr%C3%AAs%20d%C3%A9cadas%20ap%C3%B3s.%20Segundo%20historiadores,%20%C3%A0%20%C3%A9poca,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica,%20institui%C3%A7%C3%A3o%20de%20maior%20hierarquia%20na%20Europa%20medieval,%20estava%20perdendo%20fi%C3%A9is%20ap%C3%B3s%20as%20Reformas%20Protestantes,%20sendo%20que%20o%20dom%C3%ADnio%20dos%20Estados%20passou%20a%20ser%20transferido%20das%20autoridades%20cat%C3%B3licas%20para%20monarcas%20absolutistas.%20Com%20o%20final%20da%20Guerra,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica%20deixou%20de%20ser%20um%20ente%20superior%20aos%20Estados%20europeus,%20reconhecendo-se%20a%20igualdade%20absoluta%20entre%20aos%20Estados%20soberanos.por meio de decisão do Ministério da Justiça (Brasil) ou 
do Ministro do Interior (Portugal).  
CUIDADO EXTREMO 3: não se exige tempo algum, apenas residência permanente no 
Brasil.
Em específico, o gozo de direitos políticos pelo “brasileiro equiparado” depende de prévio 
requerimento ao Ministério da Justiça, comprovando-se três anos de residência habitual no 
Brasil, conforme o art. 17 do Estatuto da Igualdade. Contudo, haverá a suspensão do 
exercício de direitos políticos em Portugal.
Tais disposições foram inicialmente previstas na Convenção sobre Igualdade de Direitos e 
Deveres entre Brasileiros e Portugueses, também conhecida como Estatuto da Igualdade, 
tratado bilateral firmado entre Brasil e Portugal em 1971.
Tal diploma internacional foi internalizado por meio do Decreto nº 70.391/1972, e visa a 
estreitar o vínculo entre ambos os povos, bem como consolidar uma comunidade dos 
Países de Língua Portuguesa, trazendo uma maior aproximação entre Europa e América 
Latina.  
Posteriormente, com a revisão constitucional, emendou-se o §1º do art. 12, da CRFB/88, 
por meio da Emenda Constitucional de Revisão de nº 3/94, prevendo-se expressamente 
essa possibilidade de tratamento igualitário entre portugueses e brasileiros.
Após a EC nº 131/2023, o art. 12, §4º, alterou as hipóteses de perda da nacionalidade. Em 
breve síntese, pode se dar por meio de sentença judicial (se houver fraude no processo de 
naturalização ou for praticada atividade atentatória à ordem Constitucional ou ao Estado 
Democrático de Direito) ou por meio de pedido perante a autoridade brasileira competente 
(“perda-mudança”), desde que não enseje apatridia.
O §5º do referido dispositivo prevê que, quando houver o pedido expresso de perda de 
nacionalidade brasileira, não há empecilho para readquirir a nacionalidade brasileira 
originária, nos termos da lei.
Obs.: apenas a CRFB/88 pode tratar de novos casos de perda da nacionalidade.
Estrangeiros: vistos; deportação, expulsão e extradição: fundamentos 
jurídicos; reciprocidade e controle jurisdicional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 56/93
Estrangeiro é a pessoa que não é nacional de um Estado. No Brasil, a regra é que 
estrangeiros também são detentores de direitos fundamentais, excetuados aqueles 
exclusivamente destinados a brasileiros. Ex: estrangeiro pode usufruir da Seguridade Social.
Obs.: o art. 12, §3º, CRFB/88, prevê determinados cargos privativos de brasileiros natos, 
que não podem ser ocupados por brasileiros naturalizados e nem por estrangeiros.
Obs2: a CRFB/88, ainda, restringe a propriedade de empresa jornalística e de radiofusão 
sonora e de sons e imagens aos brasileiros natos, ou naturalizados há mais de 10 anos, nos 
termos do art. 222, “caput”.
IMPORTANTÍSSIMO: ler, na íntegra e com atenção, o art. 4º da Lei de Migração.
Os estrangeiros são classificados como:
a. Imigrante: nacional de outro País (ou o próprio apátrida/heimatlos) que trabalha, reside 
ou se estabelece, temporária ou definitivamente, no Brasil.
b. Emigrante: brasileiro que se estabelece temporária ou definitivamente no exterior.
c. Visitante:   nacional de outro País, ou o apátrida, que vem ao Brasil para estadas 
curtas, sem a pretensão de se estabelecer temporária ou definitivamente no País.
d. Residente fronteiriço: nacional de outro País ou apátrida que reside habitualmente em 
município fronteiriço com o País vizinho.
A política migratória engloba tanto os emigrantes quanto os imigrantes, garantindo-se os 
Direitos Humanos destes, sobretudo com a não criminalização dos migrantes.
Atenção REDOBRADA aos seguintes princípios e diretrizes de políticas migratórias, previsto 
no art. 3º da Lei de Migração:
*  Acolhida humanitária: concessão de visto temporário a estrangeiro nacional de País em 
situação de grave ou iminente instabilidade institucional (guerra, desastre ambiental, grave 
violação de Direitos Humanos, etc). Tem a ver com o princípio do non-refoulement.
*  Direito à reunião familiar: concessão de visto ou autorização de residência para os 
cônjuges/companheiros, ascendentes e descendentes até o 2º grau ou irmão de 
brasileiros, ou quem tem a tutela/guarda de brasileiro. Garante-se o núcleo familiar (art. 37).
*    Repúdio à práticas de expulsão ou de deportação coletivas: como será visto, para 
cada uma dessas modalidades, deve-se instaurar um procedimento exclusivo para cada 
estrangeiro, vedando-se que se proceda de maneira coletiva (o que é proibido atép pelo 
Estatuto de Roma). 
Por mais que a aceitação de migrantes em território nacional seja uma discricionariedade 
dos Estados, uma vez admitida a entrada dessa pessoa no Brasil, é um dever estatal 
garantir os direitos individuais, civis, sociais e de família ao migrante, conforme o art. 4º.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 57/93
Obs.: trata-se de um rol EXEMPLIFICATIVO.
Obs2: não há direito político aos migrantes, apenas para brasileiros.
Além disso, a Lei de migração prevê, no art. 5º, documentos de viagem, dentre os quais 
cabe destacar:
“lassez-passer”: do francês, significa “deixar passar”. É um documento emitido por 
governos com os quais o Brasil não tem relações diplomáticas (não reconhecidos pelo 
Brasil).
Autorização de retorno: expedido por repartições consulares quando o migrante não 
preenche os requisitos para obtenção de passaporte ou do “lassez-passer”. É, também, 
concedido a extraditando ao Brasil, quando este não possui documento de viagem 
válido.
Salvo-conduto: documento que permite a saída do território nacional de quem obtém 
asilo diplomático em outro Estado. É emitido diretamente pelo Ministro da Justiça.
Obs: para provas objetivas, é mais importante decorar quais são os documentos de 
viagem existentes, principalmente a carteira de identidade de marítimo e o certificado 
de membro de tripulação de transporte aéreo.
Sobre os vistos, importa destacar que, conforme a própria Lei de Migração, não é um 
documento de viagem, mas, sim, um documento autônomo, que confere uma 
EXPECTATIVA de ingresso em território nacional (art. 6º). Porém, se for denegado, a 
pessoa será impedida de ingressar no País, exceto se possuir documento de viagem válido.
A concessão de visto brasileiro a estrangeiros é de competência das embaixadas; dos 
consulados e vice-consulados; e dos escritórios comerciais de representação do Brasil no 
exterior, quando habilitados pelo órgão competente do Executivo.
Obs.: EXCEPCIONALMENTE, os vistos diplomático, oficial e de cortesia poderão ser 
concedido no Brasil (art. 7º, p. Único, Lei de Migração).
Segundo o art. 12 da Lei de Migração, há cinco tipos de vistos:
1. Visto de visita: concedido ao visitante para estada de curta duração, sem intenção de 
se estabelecer residência, em casos de turismo, negócios, trânsito e atividades 
artísticas ou desportistas, desde que não exerça atividade remunerada no País.
Obs.: permite-se receber pagamento do governo, de empregador brasileiro ou de 
entidade privada a título de diária, ajuda de custo, cachê, pro-labore ou despesas de 
viagem, bem como prémio para competições desportivas, artísticas ou culturais (art. 
13, §2º).
Obs2: não se exige do estrangeiro que fizer voo com escala ou conexão no Brasil, 
desde que não deixe a área de trânsito internacional. NÃO EXISTE visto de trânsito! 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 58/93
Cuidado!
2. Visto temporário: concedido ao migrante que deseja estabelecer residência 
temporariamente para realizar as atividades descritas nos incisos do art. 14.
Obs.: pode ser concedido para fins de acolhida humanitária.
Obs2: se concedido para fins de tratamento de saúde, também poderá ser concedido a 
acompanhante, desde que comprove possuir meios de subsistência suficientes.  
3. Vistodiplomático, oficial e de cortesia: são concedidos a autoridades e funcionários 
estrangeiros que viagem ao Brasil, sendo o de cortesia concedido às autoridades 
estrangeiras que vierem ao Brasil em viagem não oficial.
IMPORTANTÍSSIMO: NÃO EXISTE visto permanente! O que se tem é uma autorização de 
residência (art. 30), cuidado!
Ler com atenção o art. 30, principalmente o §1º.
Sobre as medidas de retirada compulsória, previstas no Capítulo V, devem elas observarem 
o princípio do “non-refoulement” e demais determinações de Direitos Humanos, sobretudo 
no caso dos apátridas e de pessoas em situações de vulnerabilidade humanitária.
Conforme o art. 48, em casos de deportação e de expulsão, cabe ao chefe da Unidade da 
Polícia Federal representar ao juízo federal por sua ocorrência, respeitando-se a ampla 
defesa e o devido processo legal.
Deportação: retirada de pessoa em situação migratória irregular no Brasil, após o devido 
processo administrativo correlato. Não se trata de uma punição, pois, após a regularização, 
permite-se o retorno do estrangeiro.
Obs.: o processo administrativo é iniciado após a provocação feita pelo chefe da unidade 
da Polícia Federal local, conforme previsto no art. 48.
Obs2: o estrangeiro é notificado para regularizar sua situação, em prazo NUNCA INFERIOR 
A 60 DIAS, prorrogável por igual período, devendo ser notificada, também, da Defensoria 
Pública da União, para prestação da assistência jurídica necessária.
Obs3: a ausência de manifestação pela DPU, após notificação, não impedirá a efetivação 
da deportação.
Obs4: o recurso interposto contra decisão de deportação possui efeito suspensivo.
CUIDADO: não se admite a deportação que, em verdade, se revela como uma extradição 
inadmissível (ex: estrangeiro perseguido por crime de opinião).
CUIDADO2: NÃO se admite a deportação coletiva, conforme o art. 3º, XXII, da Lei de 
Imigração! Tal prática também é vedada pelo Estatuto de Roma.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 59/93
Expulsão: ato administrativo de retirada compulsória de migrante ou de visitante no Brasil, 
sendo proibido temporariamente de reingressar no País. Geralmente, tem a ver com o 
cometimento de crimes de competência do Tribunal Penal Internacional ou de crimes 
dolosos graves, a que seja cominada pena privativa de liberdade, desde que haja sentença 
condenatório transitada em julgado, para que se possa inicial o processo administrativo 
perante o Ministro da Justiça. Revela-se como um ato de soberania nacional.
Obs.: trata-se de proibição temporária, pois não se admite a proibição definitiva, que se 
relevaria como um banimento, o que é expressamente vedado pelo art. 5º, XLVI, “d”, 
CRFB/88. O prazo deve ser proporcional à apena aplicada, e não pode superar o dobro 
desta.
Obs2: não se admite expulsão arbitrária, devendo ser fundamentada em motivos graves. 
Até que decida o processo administrativo, a condição do expulsando deve ser considerada 
como regular.
Obs3: quem procede com a expulsão é o Presidente da República, podendo tal atividade 
ser delegada ao Ministro da Justiça, por meio de portaria.
Obs4: trata-se de ato discricionário, não podendo o Judiciário analisar o mérito, não 
estando o Presidente da República obrigado a expulsar o estrangeiro.
Obs5: cabe pedido de reconsideração ao Ministro da Justiça, no prazo de até 10 dias após 
a notificação ao expulsando.
IMPORTANTÍSSIMO: a Lei de Migração prevê alguns casos de inexpulsabilidade do 
estrangeiro (art. 55), sendo eles:
I. Expulsando com filho brasileiro sob sua guarda ou dependência 
econômica/socioafetiva, ou pessoa sob sua tutela;
II. Expulsando com cônjuge ou companheiro residente no Brasil;
III. Expulsando com mais de 70 anos e residente no Brasil há mais de 10 anos, 
considerados a gravidade e o fundamento da expulsão;
IMPORTANTÍSSIMO 2: em respeito aos regramentos do Direito Internacional, o Estado 
não pode expulsar de seu território os seus próprios nacionais.
Repatriação: quando a pessoa em situação de impedimento é devolvida ao seu país de 
procedência ou nacionalidade, após a tomada da medida administrativa.
Impedimento:   trata-se de impedir uma pessoa de ingressar no Brasil, após entrevista 
individual e mediante ato fundamentado, nas situações descritas no art. 45, da Lei de 
Migração, cuja leitura recomendamos na íntegra.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 60/93
Extradição: segundo Valério Mazzuoli, trata-se de um instrumento de cooperação entre 
Estados para repressão internacional de delitos, havendo a entrega de uma pessoa que está 
no território de um determinado Estado, para um outro Estado, a pedido deste.
Não se trata, pois, de uma pena propriamente dita. Em verdade, trata-se de uma 
manifestação de soberania nacional, sendo um ato discricionário por parte do Presidente 
da República, que não é obrigado a extraditar.
Obs.: conforme o art. 5º, LI, CRFB/88, o brasileiro nato não pode ser extraditado em 
nenhuma hipótese (exceto se perder essa qualidade de brasileiro nato, como no caso da 
“perda-mudança”). Já os brasileiros naturalizados somente serão extraditados em casos de 
crimes comuns praticados antes da naturalização, ou se ficar comprovado o seu 
envolvimento com o tráfico de drogas.
Obs2: no caso da “perda-mudança”, deve-se analisar se o crime foi cometido antes ou 
depois à perda da nacionalidade brasileira, já que, se cometido enquanto o indivíduo era 
brasileiro nato, não será possível a extradição.
Obs3: também não se permite a extradição do estrangeiro por crime político ou de opinião.
CUIDADO EXTREMO: NÃO CONFUNDIR com o instituto do “surrender”, sendo este o 
instrumento por meio do qual um indivíduo é entregue ao Tribunal Penal Internacional por 
ter cometido uma grave violação de direitos humanos a ser julgada por aquele. É passível 
do “surrender”, inclusive, o brasileiro nato!
A doutrina classifica a extradição em:
a. Extradição ativa: o Brasil requer a extradição a outro Estado;
b. Extradição passiva: o Brasil recebe o pedido de extradição de outro Estado;
Obs.: não existe extradição passiva de ofício! Sempre deve haver pedido de outro 
Estado.  
c. Extradição instrutória: o indivíduo será processado no Estado requerente;
d. Extradição executória: o indivíduo já foi condenado definitivamente no Estado 
requerente, e alí irá cumprir a pena;
e. Extradição monocrática: segundo decidiu o STF na QO na Extradição nº 1476/2017, é 
possível haver uma extradição monocrática, isto é, decidida monocraticamente pelo 
relator do caso no STF, quando o próprio extraditando concorda com essa extradição, 
desde que ele seja devidamente assistido por advogado. Trata-se, na verdade, de uma 
homologação de declaração voluntária de concordância com a extradição, conforme 
leciona Mazzuoli.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 61/93
É pacífico na jurisprudência do STF que a falta de tratado entre o Brasil e o Estado 
requerente sobre a extradição NÃO INVIABILIZA a utilização desse instrumento. O que se 
exige, porém, é que haja uma promessa de reciprocidade de tratamento, no sentido de 
que o Estado também deve se comprometer a extraditar indivíduos quando solicitado pelo 
Brasil.
No Brasil, vigora o princípio da contenciosidade LIMITDA, no sentido de que não pode o 
Judiciário analisar a questão do mérito do procedimento de extradição. Deve, porém, 
realizar um juízo de delibação, isto é, verificar se o procedimento respeitou os requisitos 
legais para tanto.
Para se realizar a extradição, exige-se a dupla tipicidade (o fato deve ser crime em ambos 
os Estados, na época em que foi cometido) e dupla punibilidade (não estar extinta a 
punibilidade do fato, em ambos os Estados).
Obs: é possível, ainda, que o crime não tenha sido cometido no território do Estadorequerente, mas é necessário que ao menos a legislação criminal deste seja aplicável ao 
agente infrator, estando este sendo investigado ou sendo processado criminalmente.
Segundo o STF, não há incompatibilidade entre a extradição passiva e o asilo político, visto 
que o Judiciário não está submetido à análise do Executivo acerca do asilo. Porém, ressalte-
se que efetivar a entrega do extraditando é ato exclusivamente do Presidente da República, 
não estando ele obrigado a procedê-la.
Em casos de crimes políticos conexos a crimes comuns, deve-se analisar qual deles 
prepondera no caso concreto. Segundo o princípio da preponderância, se o crime comum 
for preponderante, será plenamente possível a extradição.
IMPORTANTE: em respeito ao princípio do juiz natural, não será extraditado o indivíduo a 
ser julgado por tribunal de exceção no Estado solicitante.
O processo de extradição tem três fases:
1ª fase: Administrativa. O Estado requerente solicita envia o pedido de extradição ao 
Brasil, seja pela via diplomática (quando não houver tratado entre os Países), seja por meio 
da Autoridade Central (quando houver tratado).
Obs.: a Autoridade Central (atualmente, o Ministro da Justiça e da Segurança Pública) 
analisa a admissibilidade do pleito extradicional. Se inviável, o procedimento será 
arquivado, após decisão fundamentada, permitindo-se, porém, a correção dos erros 
apontados e a realização de um novo pedido (art. 89, p. Único). Se os requisitos estiver 
preenchidos, deve o pleito ser encaminhado ao STF.
Obs2: É possível que o Estado requeira a prisão cautelar do extraditado, conforme o art. 
84, §2º, da Lei de Migração. Em sendo este preso, o Estado terá até 60 dias para requerer 
a extradição, sob pena de o sujeito ser colocado imediatamente em liberdade.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 62/93
2ª fase: Fase Judicial. Compete ao STF analisar a legalidade e a procedência do pedido, 
não sendo possível extraditar uma pessoa sem essa análise prévia da Suprema Corte (art. 
90, Lei nº 13.445/2017).
IMPORTANTE: dessa decisão NÃO CABERÁ RECURSO!
Obs: se o STF indeferir o pedido, o Presidente da República fica IMPEDIDO de extraditar o 
sujeito.
3ª fase: Fase da Entrega do Extraditando. Autorizada a entrega, esta ficará a cargo do 
Presidente da República, não estando ele obrigado a fazê-lo, por se tratar de um ato 
discricionário.
Obs: se o pedido tiver sido feito pela via diplomática, o Estado requerente terá até 60 dias 
para retirar o extraditando do território nacional, sob pena de ele ser posto imediatamente 
em liberdade, sem prejuízo de outras medidas cabíveis.
Obs2: se o pedido tiver sido feito pela via da Autoridade Central, será feito de acordo com 
o tratado internacional firmado entre as partes.
Obs3: caso o extraditando cumprir pena no Brasil, somente será entregue após o 
cumprimento dela, salvo se houver liberação antecipada pelo Poder Judiciário, ou se se 
tratar de uma infração de menor potencial ofensivo.
Obs4: poderá ser adiada a entrega, caso houver risco de morte do extraditando.
Obs5: se um extraditando de outro País fugir para o Brasil, o pedido de entrega poderá ser 
formalizado diretamente pela INTERPOL, sem a necessidade de se abrir um processo 
judicial no Brasil.
IMPORTANTE: segundo decidiu o STF na QO na Extradição nº 1476/2017, é possível haver 
uma extradição monocrática, isto é, decidida monocraticamente pelo relator do caso no 
STF, quando o próprio extraditando concorda com essa extradição, desde que ele seja 
devidamente assistido por advogado. Trata-se, na verdade, de uma homologação de 
declaração voluntária de concordância com a extradição, conforme leciona Mazzuoli.
Lei de migração - Lei nº 13.445/2017
A Lei nº 13.445/2017, conhecida como Lei de Migração, revogou a Lei nº 6.815/1980, 
anteriormente conhecida como Estatuto do Estrangeiro. Esse diploma regulamenta direitos 
e deveres dos migrantes e visitantes, bem como a entrada e saída no País, estabelecendo 
princípios e diretrizes para políticas migratórias.  
Conforme o art. 125, essa lei possuiu a “vacatio legis” de 180 duas, haja vista a necessidade 
de adequação por parte do ordenamento jurídico às novas disposições.
Prevê-se expressamente o princípio do “pro homine”, no art. 122, já que dispõe que a Lei 
não impede tratamento mais favorável assegurado em tratado do qual o Brasil faça parte.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 63/93
Além disso, o próprio art. 2º prevê que a aplicação desta lei não prejudica a aplicação de 
normas internas e internacionais específicas sobre refugiados, asilados, agentes e pessoal 
diplomático ou consular, funcionários de organização internacional e seus familiares.
Como a finalidade do presente material é a de ser direto ao ponto, recomenda-se a leitura 
atenta ao art. 3º dessa Lei, que prevê os princípios e diretrizes da política migratória 
brasileira.
Asilo político: conceito, natureza e disciplina
Asilo político é um costume internacional regional, latino-americano, sendo um instrumento 
de proteção a uma pessoa específica, perseguida por um Estado em virtude de suas 
crenças, opiniões e filiação política, ou por crimes políticos (NÃO pode ser por crime 
comum!).
A sua concessão é prevista expressamente no art. 4º, X, CRFB/88, como princípio que rege 
a República Federativa do Brasil em suas relações internacionais.
Além disso, possui previsão expressa no art. 14 da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos de 1948, e no art. 22, §7º, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos de 
1969.
O asilo político é um ato discricionário do Estado soberano, e não está condicionado à 
reciprocidade.
Conforme a Lei 13.455/2017, não será concedido asilo político se o agente cometer crime 
sujeito à jurisdição do Tribunal Penal Internacional (genocídio, crimes contra a humanidade, 
crimes de guerra ou crimes de agressão, por se tratarem de graves violações aos Direitos 
Humanos.
A doutrina classifica o asilo em:
a. Asilo territorial/externo/internacional: o asilado é acolhido em território nacional, por 
um prazo de até dois anos, prorrogáveis por igual período de tempo, enquanto durar a 
perseguição que motivou a concessão do instituto.
b. Asilo diplomático/extraterritorial: o asilado é acolhido em missões diplomáticas ou 
em navios/aeronaves de guerra. É especificamente concedido pelo chefe de missão 
diplomática. Trata-se de um costume latino-americano, e essa forma não é muito bem 
aceita em outros Estados.
Obs.: o asilo diplomático pode posteriormente converter-se em asilo territorial.
Obs2: não pode ser concedido pelo consulado! Apenas o chefe de missão diplomática 
pode.
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8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 64/93
|key-item-4| Proteção Internacional dos Direitos Humanos
Não se pode confundir, porém, com o instituto do refúgio, que é um instituto mais geral, 
para pessoas perseguidas ou com receio de serem perseguidas em seu país de origem ou 
onde estabeleceram residência habitual, por razões de raça, nacionalidade, religião, grupo 
social ou de opiniões políticas, ou por grave e generalizada violação de Direitos Humanos 
no País.
Obs.: ao contrário do asilo político, que é um instituto individual, o refúgio é destinado a 
uma coletividade.
Obs2: não será concedido refúgio aos sujeitos considerados perigosos para a segurança do 
Brasil, conforme previsto no art. 7º, §2º, da Lei nº 9.474/92.
A concessão de refúgio é OBRIGATÓRIA pelo Brasil, sendo um ato vinculado, concedendo-
se, também, a autorização provisória de residência no Brasil.
O ingresso regular em solo brasileiro não é um impedimento para se solicitar refúgio, 
devendo serem suspensos processos administrativos e processos criminais sobre essa 
entrada irregular, após a solicitação de refúgio.Não será admitida a expulsão de refugiado regularmente registrado, salvo se por motivos 
de segurança nacional ou de ordem pública. Porém, não será encaminhado ao País que o 
persegue.
Os Direitos Humanos possuem algumas características, dentre elas:
I. Universalidade: todos seres humanos são titulares de direitos humanos;
II. Essencialidade: são essencias, indispensáveis, imprescindíveis para uma vida digna;
III. Historicidade: são frutos da História, construídos ao longo do tempo;
IV. Superioridade: normas de DH são superiores às demais normas internacionais;
V. Indisponibilidade/Irrenunciabilidade: não podem ser dispostos ou renunciados;
VI. Inalienabilidade: não podem ser cedidos a outrem, seja gratuita ou onerosamente;
VII. Inexauribilidade/abertura: sempre são criados novos direitos, são inexauríveis;
VIII. Imprescritibilidade: a inércia em exercê-los não leva a sua perda;
IX. Indivisibilidade: são interdependentes e indivisíveis, devendo todos serem observados;
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 65/93
X. Vedação ao retrocesso (efeito “cliquet”): depois de certo patamar de garantia, não se 
pode retroceder nesse cenário de proteção, vedando-se a subtração de direitos 
humanos já conquistados;
XI. Compelementariedade: não podem ser considerados isoladamente, devendo ser 
complementares, aplicados de forma sistemática;
XII. Efetividade: o mero reconhecimento dos direitos humanos não é o suficiente, devendo 
haver normas coercitivas para garantí-los.
Deve-se salientar, ainda, que tratados de Direitos Humanos, ao contrário dos demais, não 
são sinalagmáticos. Noutros termos, se uma das partes não respeitar as disposições 
relativas a direitos humanos, isso não exime os demais do dever de cumprí-las, devendo 
torná-las efetivas.
Diante desse contexto, a doutrina leciona existir um sistema global de proteção aos Direitos 
Humanos, isto é, um sistema de tratados passíveis de adesão por todos os Estados do 
mundo, sendo capineado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A doutrina elenca alguns precedentes históricos da ONU.
A Liga das Nações, criada em 1919, pós 1ª Guerra Mundial, foi uma tentativa de criação de 
um sistema mundial para a manutenção da paz. Apesar de não ter evitado a guerra 
posterior, teve sua importância, bem como ensejou a criação da OIT.
Em 26 de junho de 1945, pós 2ª Guerra Mundial, foi assinada a Carta das Nações Unidas, 
em São Fracisco, EUA, por ocasião da Conferência de Organização Internacional das 
Nações Unidas.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 66/93
Obs: a ONU possui sede em Nova Iorque (EUA); Genebra (Suíça); Viena (Áustria); e Nairóbi 
(Quênia).
Conforme leciona a doutrina, a Carta Internacional dos Direitos Humanos é o conjunto 
dos principais diplomas internacionais do sistema global de Direitos Humanos, sendo ela a 
junção da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), do Pacto Internacional de 
Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais 
e Culturais (PIDESC).
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Como se trata de um diploma internacional com poucos artigos, recomenda-se a leitura 
integral dos dispositivos, com extrema atenção. A seguir, traremos alguns pontos passíveis 
de cobrança em questões objetivas.  
Inicialmente, destaque-se que a DUDH é uma RESOLUÇÃO da ONU, não sendo, portanto, 
um tratado internacional propriamente dito.
Segundo a doutrina tradicional, a DUDH não possuiria caráter vinculante, justamente por 
ser uma resolução de uma organização internacional, e não um tratado internacional.
Porém, para uma doutrina mais moderna, é nítido o caráter imperativo e vinculativo da 
DUDH, uma vez que trouxe preceitos importantíssimos acerca do tema dos direitos 
humanos, que, inclusive, são reproduzidos em outros tratados internacionais com o mesmo 
tema, bem como pelos próprios ordenamentos jurídicos internos.
A DUDH prevê direitos civis, políticos, sociais, econômicos e culturais. Noutros termos, 
prevê direitos tanto de 1ª quanto de 2ª dimensão.
Porém, a DUDH não prevê direitos humanos de 3ª dimensão, que somente foram 
concebidos mais tarde.
Logo, não prevê expressamente o direito ao meio ambiente e nem o direito de 
autodeterminação dos povos.
O art. 5º proibe veementemente a tortura e o tratamento ou castigo cruel, desumano ou 
degradante.
Dispõe-se, no art. 8º, sobre o direito de acesso à Justiça.
O art. 11.2 prevê a irretroatividade da lei penal, não podendo se considerar culpado alguém 
se, no momento da ação ou da omissão, a conduta não constituir delito perante o direito 
nacional ou internacional. Da mesma forma, não se permite a imposição de pena mais forte 
do que a aplicável ao ato no momento de sua prática.
Obs: não prevê expressamente a possibilidade de retroatividade da lei penal mais benéfica.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 67/93
Nos termos do art. 13.2, todo ser humano tem o direito de deixar livremente qualquer País, 
e de nele reingrassar.
Obs: NÃO prevê expressamente o direito de “entrar” em qualquer País.
Obs2: NÃO prevê expressamente o direito de reingressar livremente em qualquer País.
A DUDH prevê expressamente o direito de asilo para seres humanos vítimas de 
perseguição.
Obs: segundo o texto, não pode ser invocado em caso de perseguição legítima por crime 
de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Obs2: trata-se de ASILO, e NÃO de refúgio! Cuidado.
Dispõe o art. 15 sobre o direito humano à nacionalidade, vedando-se a sua privação 
arbitrária e a proibição de mudar de nacionalidade. Trata-se de uma forma de combate à 
situação de apatridia.
Prevê-se o direito de propriedade, nos termos do art. 17, não havendo, porém, previsão de 
limitações expressas nesse dispositivo.
Obs: somente a CRFB/88 prevê institutos como a “função social da proprierdade” e de 
“desapropriação”. A DUDH não prevê limitações expressas no próprio artigo!
O art. 19 dispõe sobre o direito à liberdade de opinião e de expressão, mas não veda 
expressamente o anonimato, como o fez a CRFB/88.  
Segundo o art. 23.4, todo ser humano tem direito a organizar sindicatos, bem como de 
neles ingressar para proteção de seus interesses.
Segundo o art. 25.1, todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a 
si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados 
médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de 
desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de 
subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
Já o art. 25.2 prevê o direito à maternidade e à infância, com especial assistência e 
cuidado. Prevê-se que os filhos nascidos dentro ou fora do casamento devem gozar da 
mesma proteção social.
A DUDH prevê o direito humano de instrução no art. 26, prevendo como gratuita nos 
graus elementares e fundamentais. Por outro lado, tem-se como obrigatória a instrução 
de grau elementar.
Os pais tem PRIORIDADE de direito de escolha do gênero de instrução que será 
ministrada a seus filhos, conforme o art. 26.3.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 68/93
CUIDADO: trata-se de uma prioridade, e NÃO de uma independência!
Já o art. 29 prevê deveres dos seres humanos para com a comunidade, dispondo que 
limitações a direitos devem ser feitas por meio de lei, com a finalidade de respeitar direitos 
e liberdades de outrem, bem como de satisfazer justas exigências da moral, da ordem 
pública e do bem-estar de uma sociedade democrátrica. Ainda, não podem ser exercidos 
tais direitos de forma contrária aos objetivos e princípio das Nações Unidas.O art. 30 é uma manifestação do princípio do “pro hominem”, dispondo que a interpretação 
da DUDH não pode ser no sentido de se praticar atos que visam a destruição direitos e 
liberdades estabelecidos na própria Carta.
A DUDH não criou nenhum tribunal específico, e nem mesmo mecanismos de 
monitoramento, que vieram a existir posteriormente. 
Direitos civis, políticos, econômicos e culturais.
Como a DUDH foi elaborada em forma de Resolução pela ONU, foi necessária a edição de 
um tratado internacional, para que, na época, fosse considerada a força vinculante 
daquelas disposições, bem como para que complementasse e detalhasse os direitos 
previstos naquele diploma internacional.
Ocorre, porém, que, com o início da Guerra Fria, o mundo se dividiu entre os blocos 
capitalista, liderado pelos EUA, e socialista, liderado pela União Soviética. Nesse sentido, os 
direitos humanos sofreram influências dos modelos econômicos até então vigentes, sendo 
que, no bloco capitalista, vigoravam direitos de cunho abstencionista, como os civis e 
políticos; ao passo de que no bloco socialista vigoravam direitos que exigiam a intervenção 
estatal para que fossem implementados.
Nesse sentido, muito se discutiu sobre a criação de um tratado que detalhasse a DUDH, 
uma vez que este diploma previu direitos humanos tanto de 1ª quanto de 2ª dimensão, 
tendo impactos diretos nos sistemas político-econômicos vigentes à época.
Foi realizada, então, em 1966, a XXI Assembleia Geral da Onu, e dela sobrevieram dois 
tratados internacionais de suma importância para a temática dos direitos humanos.   
Na XXI Assembleia Geral das Nações Unidas, ocorrida em 1966, assinou-se o Pacto 
Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP), sendo internalizado no Brasil 
mediante o Decreto nº 592/1992.
Na mesma Assembleia Geral da ONU, assinou-se, também, o Pacto Internacional dos 
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), o qual foi internalizado no Brasil 
mediante o Decreto nº 591/1992.
Vale mencionar, portanto, que tanto o PIDCP quanto o PIDESC são diplomas relacionados 
ao sistema global de Direitos Humanos, pois estão abertos a todos os Estados do mundo, 
não sendo algo regionalizado.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 69/93
Ainda, mencione-se que tais Pactos somente entraram em vigor na seara internacional em 
1976, após ter sido ratificado por um número mínimo de Países.  
Como menciona a doutrina, o PIDCP, por prever direitos de 1ª dimensão, são de aplicação 
imediata.
Já o PIDESC, por prever direitos de 2ª dimensão, exige uma atuação do Estado para 
concretizá-los, razão pela qual a doutrina leciona quem esse diploma possui aplicação 
progressiva, não-imediata, conforme previsto expressamente no art. 2.1 daquele diploma.  
Sobre a PIDCP, vale a menção a algumas disposições em específico, passíveis de cobrança 
em provas objetivas:
Garante-se a autodeterminação dos povos (art. 1.1).
Obs: garante-se que todos os povos disponham livremente de suas riquezas e recursos 
naturais, sem prejuízo das obrigações decorrentes da cooperação econômica 
internacional. Porém, em nenhum caso poderá um povo ser privado de seus meios de 
subsistência (art. 1.2)
Prevê-se a possibilidade de suspensão das disposições do Patco, quando houver uma 
situação excepcional de ameaça a existência da nação, na estrita medida exigida 
pela situação, quando não contrariar as demais obrigações impostas no Direito 
Internacional e não enseje discriminação por motivos de raça, cor, sexo, língua, religião 
ou origem social (art. 4.1).
Obs: porém, não se permite a suspensão dos direitos previstos nos art. 6; 7; 8.1 e 2; 11; 
15; 16 e 18.
Veda-se a pena de morte apenas aos Países que já a excluíram, não se permitindo o 
retrocesso. Porém, aqueles que ainda mantém esse tipo de pena, podem mantê-las, 
desde que restrigindo-a aos crimes mais graves, conforme legislação vigente à época, 
e que não contrarie o previsto no Protocolo e na Convenção sobre Prevenção do crime 
de Genocídio (art. 6.2).
IMPORTANTE: não pode ser aplicada, de forma alguma, a menores de 18 anos e a 
mulheres grávidas (art. 6.5).
IMPORTANTE 2: existe um Protocolo Facultativo, internalizado pelo Brasil mediante o 
Decreto nº 11.777/2023, que trata da possibilidade de se aplicar pena de morte em 
casos de condenação por infração penal de natureza militar e de gravidade extrema, 
quando cometida em tempos de guerra.
Proibe a tortura e penas ou tratamento cruéis, desumanos ou degradantes, 
sobretudo submeter uma pessoa, sem o seu livre consentimento, a experiências 
médicas ou científicas (art. 7).
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 70/93
IMPORTANTE: segundo a doutrina majoritária, a vedação à tortura se trata de um 
direito humano absoluto, não podendo ser relativizado.
Proibe a escravidão e o tráfico de escravos, em todas as suas formas (art. 8.1), 
inclusive trabalhos forçados ou obrigatórios (art. 8.3, “a”).
IMPORTANTE: não se pode proibir, porém, que certos crimes sejam punidos com 
prisão e trabalhos forçados, quando essa pena for imposta por um tribunal competente 
em um País.
IMPORTANTE 2: contudo, ressalte-se que, segundo a doutrina majoritária, a vedação à 
escravidão também é considerada pela doutrina como um direito humano absoluto, 
que não pode ser relativizado em hipótese alguma.
Prevê  o direito de liberdade e de segurança pessoal, não podendo ninguém ser 
privado desse direito, salvo por motivos previstos em lei, e m conformidade com os 
porcedimentos nela estabelecidos (art. 9.1).
Obs: conforme o art. 9.3, a prisão preventiva não pode constituir regra geral, devendo
Prevê a igualdade formal perante os tribunais e cortes de justiça, havendo o direito 
de ser ouvida publicamente, perante tribunal competente, independente e imparcial, 
previsto por lei (art. 14.1).
Obs: é possível a restrição total ou parcial da publicidade do julgamento, por motivos 
de moral pública; de ordem pública; de segurança nacional; quando o interesse da vida 
privada das partes o exija; quando a opinião pública possa prejudicar o interesse na 
justiça, sendo o sigilo estritamente necessário na opinião da justiça (art. 14). 
Obs2: porém, a sentença penal ou civil deve se tornar pública, a menos que o 
interesse do menor exija o sigilo; ou quando diga respeito à controversias matriominiais 
ou à tutela de menores (art. 14).
Garante-se a anterioridade da lei penal, bem como a irretroatividade, salvo para 
beneficiar o delinquente.
Obs: nesse sentido, o PIDCP prevê EXPRESSAMENTE a retroatividade da lei penal 
mais benéfica ao réu!
Garante-se a liberdade de pensamento, de consciência e de religião, não podendo o 
indivíduo ser submetido a medidas coercitivas que restrinjam essa liberdade (art. 18.1 e 
2).
CUIDADO: porém, esse direito pode ser limitado por previsão legal, quando necessário 
para proteger a segurança, a ordem, a moral pública ou direitos e liberdades das 
demais pessoas.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
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Garante-se a liberdade de expressão, incluindo o de procurar, receber e difundir 
informações e ideias de qualquer natureza, verbalmente ou por escrito, 
independentemente de considerações de fronteiras (art. 19.1 e 2). 
CUIDADO: pode ser restringida a liberdade de expressão para: (i) assegurar o respeito 
dos direitos e da reputação das demais pessoas; e (ii) para proteger a segurança 
nacional, a ordem, a saúde ou a moral pública.
Garante-se o direito de reunião pacífica, podendo ser restrito, por meio de lei, em 
casos de garantia da segurança nacional; da segurança pública; da ordem pública; da 
proteção da saúde ou da moral publica; ou da proteção dos direitos e das liberdades 
das demais pessoas (art. 21).
Proibe-se a privação da vida cultural, religiosae linguística de minorias existentes 
nos países (art. 27).
Criou-se o Comitê de Direitos Humanos, composto por dezoito membros (art. 28.1), 
nacionais dos Estados-partes (art.28.2), sendo que cada Estado pode ter no máximo 
um nacional nesse Comitê (art. 31.1). As eleições são feitas de 4 em 4 anos, sendo 
permitida a reeleição. Serve para garantir e monitorar a aplicação dos direitos previstos 
no Pacto, bem como para mediar conflitos entre os Estados-membros.
Obs: NÃO CONFUNDIR! É “Comitê”, e NÃO “corte/comissão”.
DICA: sempre que se falar em “Protocolo”, lembre-se de “Comitê”.
Obs2: permite-se o peticionamento individual ao Comitê.
Sobre o PIDESC, vale ressaltar alguns dispositivos, quem podem vir a serem cobrados em 
provas objetivas:
Garante-se a igualdade no gozo de direitos econômicos, sociais e culturais entre 
homens e mulheres (art. 3º).
Garante-se um salário equitativo e uma remuneração isonômica, que permita uma 
existência decente ao trabalhador e a sua família, bem como se garanta segurança 
e higine, descanso, lazer, férias periódicas reumneradas e feriados remunerados 
(art. 7º e suas alíneas).
Garante-se o direito de fundar e de se filiar a sindicatos, federações ou 
confederações nacionais e organizações sindicais internacionais (art. 8.1). Também, 
existe o direito de greve, conforme as leis de cada País (art. 8.1, “d”).
Obs: não se proibe a relativização desse direito a quem for membro das forças 
armadas, da política ou da administração pública.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 72/93
Dever estatal de garantir a mais ampla proteção e assistência à instituição família, 
elemento natural e fundamental da sociedade, exigindo-se para a contração de 
matrimônio o livre consentimento dos cônjuges (art. 10.1).
Obs: segundo o art. 10.2, deve-se garantir especial proteção as mães em um período 
de tempo razoável antes e depois do parto, concedendo às mães que tabalham licença 
remunerada ou licença acompanhada de benefícios previdenciários adequados.
Obs2: também se exige a adoção de medidas especiais de proteção e de assistência 
em prol de todas as crianças e adolescentes, sem distinção alguma por motivo de 
filiação ou por qualquer outra condição (art. 10.3).
Garante-se o direito à saúde (art. 12.1), sobretudo no que tange à adoção de medidas 
para a diminuição da mortinatalidade e da mortalidade infantil (art. 12.2, “a”).
Garante-se o direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento da personalidade 
humana, para fortalecer o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais 
(art. 13.1).
Obs: a educação primária obrigatória e acessível gratuitamente a todos (art. 13.2, “a”).
Obs2: a educação secundária, em suas diferentes formas, inclusive na forma técnica e 
profissional, deverá ser generalizada e tornar-se acessível a todos, implementando-se 
progressivamente o ensino gratuito (art. 13.2, “b”).
Obs3: a educação de nível superior também deverá tornar-se acessível a todos, 
implementando-se progressivamente o ensino gratuito, sendo esse nível acessível 
com base na capacidade de cada um (art. 13.2, “c”).
CUIDADO: prevê o art. 13.1 que os Estados-parte se comprometem a respeitar a 
liberdade dos pais de escolher para seus filhos escolas sistintas daquelas criadas pelas 
autoridades públicas, desde que estas atendam os padrões mínimos de ensino 
prescritos ou aprovados pelo Estado, incluindo educação religiosa ou moral que esteja 
de acordo com suas próprias convicções.
Garante-se o direito dos indivíduos de participarem da vida cultural; de desfrutar do 
processo científico e de suas aplicações; e de se beneficiar da proteção dos interesses 
morais e materiais decorrentes das produções científicas, literárias ou artísticas de que 
seja autor (art. 15.1).
Prevê-se a necessidade de elabioração de relatórios pelos Estados-membros das 
adoções e dos progressos nas implementações das disposições do Patco (art. 16.1), a 
serem encaminhados ao Secretário-Geral da ONU, que os encaminhará 
posteriormente ao Conselho Econômico e Social (art. 16.2).
Obs: o Conselho Econômico e Social da ONU instituiu, em 1985, o Comitê dos Direitos 
Econômicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas, responsável por acompanhar e 
fazer esse monitoramento.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 73/93
Obs2: CUIDADO! É COMITÊ, e NÃO “conselho”!
DICA: sempre que se falar em “Protocolo”, lembre-se de “Comitê”.
Obs3: permite-se o peticionamento individual ao Comitê.
Atualmente, com a edição do Decreto nº 11.777/2023, tem-se que o Brasil ratificou o 
Protocolo Facultativo ao PIDESC, o qual cuida da aceitação de denúncias individuais 
pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.  
Mecanismos de implementação.
A Carta das Nações Unidas foi um tratado firmado em 1945, em São Francisco – EUA, para 
a criação da Organização das Nações Unidas.
Esse tratado internacional prevê alguns mecanismos de implementação de direitos 
humanos no sistema global, podendo órgãos monitorar o cumprimento dessas disposições 
nos Estados-membros.
Em primeiro lugar, saliente-se a existência de órgãos com competência ampla, cuja 
responsabilidade é a de fiscalizar o cumprimento de Direitos Humanos como um todo; e 
órgãos com competência para fiscalizar temas específicos de Direitos Humanos.
Ainda, dentro do sistema global, há dois tipos de mecanismos de proteção aos direitos 
humanos, sendo eles:
1. Mecanismos convencionais: criados por tratados internacionais, para fiscalizar a 
emonitorar o cumprimento dos direitos humanos. Aplicam-se somente em relação ao 
próprio tratado e aos Países signatários, que voluntariamente se submetem a eles.
a)  Não contencioso: não avalia litígios internacionais, apenas emite relatórios 
elaborados por Comitês, confeccionados por especialistas independentes indicados 
pelos Estados-parte.
b)  Judicial: são aqueles que possuem função jurisdicional internacional. Ex: Tribunal 
Penal Internacional.
2. Mecanismos extraconvencionais: são os de âmbito de organizações internacionais, 
aplicáveis inclusive aos países não signatários, sendo que independe da declaração de 
submissão dos Estados. Ex: Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Na ONU, existem determinados órgãos com uma competência mais ampla para analisar a 
questão dos direitos humanos no globo.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) é o 
órgão da mais alta cúpula da organização com a finalidade de promoção de direitos 
humanos. Tem por escopo assessorar e apoiar os demais mecanismos de monitoramento 
da ONU e de organizações internacionais.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 74/93
Apesar disso, o ACNUDH emite recomendações sobre o tema de Direitos Humanos, não 
possuindo capacidade de impor sanções aos Países que violarem essas normas básicas.
Já o Conselho de Direitos Humanos (CDH) é um órgão intergovernamental, composto por 
47 Estados-membros, com a finalidade também de promover os Direitos Humanos no 
globo. Seus membros são eleitos pela Assembleia Geral da ONU, com mandato de três 
anos.
Obs: o Brasil foi eleito para integrar o CDH até o final de 2026.
O CDH se reune três vezes por ano, na cidade de Genebra, na Suíça, para expedir 
recomendações sobre a situação dos Direitos Humanos no mundo.
Além disso, o CDH é responsável por realização a chamada Revisão Período Universal 
(RPU), realizada a cada quatro anos e meio, na qual se analisa a situação dos Direitos 
Humanos no globo, isto é, o respeito dos Estados ao que foi estabelecido na Carta das 
Nações Unidas, na DUDH e nos demais tratados internacionais de Direitos Humanos dos 
quais eles façam parte.  
IMPORTANTE: a RPU é uma forma de monitoramento pelos pares (“peer review”), já que 
consiste numa avaliação mútua entre osEstados acerca da situação dos Direitos Humanos 
em cada um deles, compartilhando entre si as melhores práticas sobre o assunto.
Obs: como afirmado anteriormente, a CDH não tem força para impor sanções, emitindo 
apenas recomendações sobre o assunto. Logo, a RPU, criado em 2006, é um mecanismo 
de baixa efetividade.  
Outro mecanismo importante são os procedimentos especiais, nos quais são nomeadas 
pelo CDH pessoas ou grupo de pessoas, denominados de relatores especiais (“special 
rapporteur”), para investigar violações a Direitos Humanos em determinadas localicdades, 
bem como para realizarem estudos temáticos e procedimentos de conscientização 
comunitária sobre o tema.
CUIDADO: os relatores especiais NÃO são membros do CDH e nem funcionários da ONU! 
Afinal, são servidores independentes e imparciais, que sequer recebem salário para 
desempenhar essa função.  
Por outro lado, em se tratando dos órgãos criados por convenções internacionais (meios 
convencionais), tem-se como escopo a proteção das disposições especificamente previstas 
nos tratados que o criaram, aplicando-se-lhes aos Estados-membros signatários.
Como principal instrumento, tem-se os relatórios apresentados pelos Estados ao órgão 
convencional, conforme a peridiocidade estabelecida no tratado, sendo emitidas, a partir 
daí, recomendações.
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8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 75/93
|key-item-5| Conflitos Internacionais
É possível que o tratado internacional preveja a realização de denúncias formuladas por 
Estados a respeito de violações de Direitos Humanos cometidas por outro Estado. Nesse 
caso, o órgão, via de regra, concede um prazo para a atuação deste ente, que, se não 
cumprida, ensejará uma reclamação ao órgão responsável pela aplicação de sanções.
Obs: o tratado internacional também pode prever a possibilidade de denúncias formuladas 
por pessoas físicas, ou por meio de grupos específicos.
Exemplo desses órgãos convencionais são o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e 
Culturais, e o Comitê de Direitos Humanos, criados, respectivamente, pelo PDESC e pelo 
PDCP.
Sobre a Assembleia Geral da ONU, destaque-se que se trata de um órgão plenário, 
composta por todos os Estados-membros. Dentre as funções principais, destaque-se a de 
solicitar ao Conselho de Segurança atuação em casos que possam ameaçar a paz e a 
segurança internacional. Outra função importante é a de aprovar, suspender e expulsar 
membros da ONU, sendo de sua alçada eleger o Secretário-Geral da ONU, após 
recomendação feita pelo Conselho de Segurança.
Ressalte-se que, na Assembleia Geral, vigora o princípio da igualdade jurídica entre os 
Estados, tendo os votos igual valor.
A Secretaria Geral, por sua vez, é um órgão de administração da ONU, sendo chefiado pelo 
Secretário Geral. Sua função primordial é a de levar à atenção do Conselho de Segurança 
qualquer assunto que possa ameaçar a manutenção da paz e a segurança internacional.
O Secretário Geral é indicado pela Assembleia Geral da ONU, possuindo um mandato de 
cinco anos, permitida a reeleição.
Já o Conselho de Segurança da ONU é o órgão responsável pela manutenção da paz e da 
segurança internacional, sendo composto por quinze Estados, sendo cinco deles membros 
permanentes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido), que possuem direito de veto. Os 
demais não são membros permanentes, sendo eleitos para mandatos de dois anos, vedada 
a reeleição, de forma a se permitir uma rotatividade entre os Estados.
Quando há uma ameaça à paz internacional, compete ao Conselho de Segurança promover 
o diálogo entre as partes, para que haja, inicialmente, uma resolução pacífica do conflito. 
Se não houver acordo inicial, esse órgão emite uma recomendação às partes, que, se 
descumprida, poderá levar a sanções políticas e econômicas, bem como, em último caso, a 
intervenções de natureza militar.
Existem, também, os órgãos jurisdicionais, isto é, as cortes internacionais, a exemplo da 
Corte Internacional de Justiça e do Tribunal Penal Internacionais, que serão estudados a 
seguir.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 76/93
Como informado no início do material, o Direito Internacional, atualmente, é embasado na 
ideia de sociedade internacional, marcada por laços menos profundos, de interesses 
político-econômicos. Diante disso, não raro surgem conflitos na seara internacional, que, se 
não solucionados de forma correta, podem levar a destruição da humanidade.
Diante disso, desenvolveu-se no Direito Internacional mecanismos de solução de conflitos 
entre os Estados, sempre sendo dado preferência para soluções pacíficas.
Em verdade, a própria Carta da ONU, em seu art. 33, dispõe sobre a necessidade de se 
optar por soluções dos conflitos por meios voluntários e pacíficos. Depreende-se da leitura 
do §1º que a solução deve ser buscada já quando houver uma ameaça à paz e à segurança 
internacional, tendo um caráter preferencialmente preventivo.
Deve-se evitar, a todo custo, a guerra, sendo uma necessidade da humanidade a paz 
mundial.
Meios de solução: diplomáticos, políticos e jurisdicionais.
Conforme previsto no art. 33.1 da Carta da ONU, são meios de solução de conflitos a 
negociação, o inquérito, a mediação, a conciliação, a arbitragem, a solução judicial, o 
recurso a entidades e os acordos regionais.
Obs: depreende-se da parte final do dispositivo que não se trata de um rol exaustivo, mas, 
sim, exemplificativo, admitindo-se demais meios pácificos de solução de conflito.
Obs2: a doutrina majoritária entende não haver hierarquia entre esses meios de solução de 
conflitos.
Conforme leciona a doutrina, os meios de solução podem ser divididos em:
* Quanto à obrigatoriedade da decisão:
a. Meios obrigatórios: a decisão firmada nesse meio de solução é de observância 
obrigatória entre os Estados.
b. Meios não obrigatórios/facultativos: não há uma imposição jurídica de observância 
da decisão entre as partes.
* Quando ao fundamento da decisão:
a. De fundamentação política ou diplomática/não jurisdicionais: não se utilizam 
fundamentos jurídicos na decisão, mas, sim, políticos. Estão ligados aos meios 
facultativos de solução de conflitos. Podem ser:
I.  Mediação: um terceiro, mediador, propõe uma solução para a lide, que pode ser 
aceita ou não pelos Estados-parte em conflitos. Alguns tratados internacionais dispõem 
como um meio obrigatório de solução de conflitos.
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8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 77/93
II. Conciliação: forma-se um grupo de conciliação, o qual emitirá um parecer do caso, 
propondo uma solução para a lide internacional.
III.  Negociações: os Estados iniciam tratativas entre si, propondo-se concessões 
mútuas, até que se chegue a algum acordo que solucione o conflito e seja aceito por 
ambas as partes.
IV.  Bons ofícios: trata-se de um meio especificamente previsto no art. 25 da Carta da 
Organização dos Estados Americanos, segundo o qual um terceiro desinteressado 
realiza uma aproximação entre dois Estados conflituosos, sem, contudo, opinar ou 
sugerir algum tipo de tratativa.
b. b)  De fundamentação jurídica: utilizam-se argumentos jurídicos para se resolver a 
lide internacional, estando relacionado aos meios obrigatórios de solução de conflito. 
Podem ser:
I.  Semijudicial: proferida por órgão nao jurisdicional voluntário, mas cuja decisão 
vincula juridicamente as partes. É a arbitragem, por excelência.
II.  Judicial: a solução é exarada por um órgão jurisdicional internacional, que, via de 
regra, é permanente (não ad hoc). Ex: decisões emanadas pelo Tribunal Penal 
Internacional, instituído pelo Estatuto de Roma.
Cortes Internacionais.
Vale mencionar, aqui, a Corte Internacional de Justiça, instituída em 1945 após ter sido 
firmado o seu Estatuto (ECIJ). Trata-se do órgão jurisdicionalmais importante das Nações 
Unidas, possuindo funções não só contenciosas, mas, também, consultivas.
Prevê o art. 2º da ECIJ que o tribunal é composto de juízes independentes e eleitos, sem 
ter em conta a sua nacionalidade. Exige-se dos magistrados alta consideração moral, 
bem como que possuam as condições exigidas nos países de origem para desempenhar 
as mais altas funções judiciais.
Segundo o art. 3º, a Corte é composta por 15 membros, dos quais não poderão haver dois 
da mesma nacionalidade.Tais membros são eleitos pela Assembleia-Geral e pelo Conselho 
de Segurança da ONU, conforme o art. 8º, considerados como eleitos os candidatos que 
obtenham uma maioria absoluta de votos, nos termos do art. 10.1.
Consoante ao art. 24.1 do ECIJ, somente Estados podem figurar como parte em processo 
contecioso na Corte, não se admitindo nenhum outro sujeito de direito internacional.
CUIDADO: porém, apenas órgãos autorizados pela Carta das Nações Unidas podem 
solicitar pareceres consultivos, não podendo os Estados o fazerem.
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8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 78/93
Nos termos do art. 36 do ECIJ, a competência da Corte abrange todas as questões que 
lhes sejam submetidas pelas partes, bem como todos os assuntos previstos na Carta das 
Nações Unidas ou em tratados e convenções em vigor, dos quais os Estados-membros 
façam parte.
Já o art. 59 prevê que a decisão emanada pela Corte somente será obrigatória aos Estados-
parte que estiver no litígio, limitando-se ao caso em questão.
Prevê o art. 60 do ECIJ que as sentenças proferíveis pela CIJ são inapeláveis, podendo, 
porém, serem esclarecidos o sentido e o alcance da decisão pela própria Corte. Logo, no 
que tange às decisões proferidas na função contenciosa, tem-se que elas são obrigatórias e 
irrecorríveis.
Sobre o Tribunal Penal Internacional, tem-se que se trata de um órgão jurisdicional 
internacional de natureza coercitiva, instituído por meio da assinatura do Estatuto de Roma, 
realizada em 1998. O Brasil internacional esse Estatuto por meio do Decreto nº 4.388/2002.
O TPI não é vinculado a um órgão da ONU! É um tribunal internacional independente.
Sobre os membros do Conselho de Segurança da ONU, ressalte-se que apenas a França e 
a Inglaterra ratificaram o Estatuto de Roma.
Obs: o Brasil não aderiu à Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e 
dos Crimes contra a Humanidade. Afinal, para se considerar um crime como imprescritível 
no Brasil, seria necessário edição de lei ordinária penal, sendo que ela seria irretroativa.
Muito embora o Tribunal Penal Internacional tenha sido criado pelo Estatuto de Roma, tem-
se que a sua sede está localizada em HAIA, nos Países Baixos (Holanda), conforme o art. 
3.1 daquele diploma internacional.
Obs: porém, sempre que entender conveniente, o TPI poderá funcionar em outro local (art. 
3.3).
Segundo o art. 1º do Estatuto de Roma, o TPI é uma instituição permanente, com jurisdição 
sobre pessoas responsáveis pelos crimes de maior gravidade e com alcance internacional, 
sendo complementar às jurisdições penais nacionais.
Obs: não exclui, portanto, a jurisdição de outros tribunais.
Obs2: porém, veda-se o “bis in idem”, conforme o art. 20 do Estatuto de Roma.
Obs3: permite-se, porém, o julgamento pelo TPI acaso o tribunal tenha sutraído o acusado 
de sua responsabilidade criminal pelos crimes de competência do TPI, ou quando não se 
tenha havido o devido processo legal internacional.
Consoante ao art. 5.1, o TPI possui competência para julgar os crimes de G.HU [8].G.A.:
                              G. enocídio
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http://g.hu/
http://g.hu/
http://g.hu/
http://g.hu/
http://g.hu/
Crimes contra a  HU manidade
                              G uerra
                              A gressão
Além de reconhecida na doutrina majoritária, tem-se que a personalidade jurídica 
internacional do TPI é expressamente prevista no art. 4.1 do Estatuto de Roma, possuindo 
capacidade jurídica para desempenhar suas funções e perquirir seus objetivos.
O TPI é composto por 18 juízes, cada qual com mandato de 9 anos, sendo vedada a 
reeleição, via de regra (art. 36.9).
CUIDADO: permite-se a reeleição quando um juiz for eleito para substituir um mandato de 
seu antecessor, se o período restante for igual ou inferior a três anos (art. 37.2).
O TPI não julga Estados, julga apenas indivíduos (princípio da responsabilidade individual), 
conforme previsto no art. 25.1. Porém, os Estados poderão ser julgados por outras Cortes 
Internacionais, a exemplo da CIJ, havendo uma complementariedade entre eles (art. 25.4).
Obs: prevê o art. 25.3, “f”, que é punível a tentativa. Porém, quem desistir do crime, ou 
impedir sua consumação, não será punido, se renunciar total e voluntariamente ao 
propósito delituoso.
CUIDADO: somente pessoas maiories de 18 anos podem ser julgadas pelo TPI.
O erro de fato excluirá a responsabilidade criminal quando eliminar o dolo do crime, nos 
termos do art. 32.1.
Já o erro de direito, via de regra, não exclui o crime, conforme o art. 32.2. Porém, poderá 
excluir a responsabilidade penal se eliminar o dolo, ou se decorrer de uma decisão 
hirárquica nos moldes do art. 33.
Como visto anteriormente, a “entrega” (“surrender”) se trata da entra de uma pessoa por 
um Estado ao Tribunal Penal Internacional, a pedido deste órgão jurisdicional. Não há 
impedimento para que um brasileiro seja entregue pelo próprio Brasil ao TPI, pois não 
configura forma de extradição.
O art. 77.1 e 2 prevê os tipos de penas aplicáveis pelo TPI. É possível, portanto, haver pena 
de prisão perpétua. PORÉM, NÃO é possível a pena de morte.
Por fim, ressalte-se que André de Carvalho Ramos leciona existir gerações de tribunais 
penais interncionais, a saber:
1ª geração: Tribunal de Nuremberg e Tribunal Penal Internacional para o Extremo Oriente. 
Tratam-se dos tribunais penais internacionais “ad hoc”, isto é, tribunais de exceção, não 
permanentes, que não possuíam competência previamente prevista para julgar. Não foram 
criados pela ONU.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 80/93
|key-item-6| Domínio Público Internacional: Mar; Águas Interiores; Mar Territorial;
Zona Contígua; Zona Econômica; Plataforma Continental; Alto-Mar;
Rios Internacionais; Espaço Aéreo; Normas Convencionais;
Nacionalidade das Aeronaves; Espaço Extra-Atmosférico.
2ª geração: Tribunal Penal Internacional da Iugoslávia e Tribunal Penal Internacional de 
Ruanda. Também são tribunais “ad hoc”, mas, dessa vez, foram criados pela ONU.
3ª geração: Tribunal Penal Internacional criado pelo Estauto de Roma. Não é mais um 
tribunal “ad hoc”, sendo, portanto, permanente, com competência previamente firmada em 
dispositivo internacional, não sendo um tribunal de exceção.
4ª geração: Tribunal Penal Internacional para Serra Leoa. Houve uma integração entre 
juízes locais e juízes internacionais para julgar os crimes cometidos na Guerra Civil ocorrido 
na Serra Leoa entre 1991 e 2002.
Conforme leciona a doutrina, o domínio público internacional consiste nas áreas e 
recursos não pertencentes a nenhum País, ou então cujo interesse da sociedade 
internacional sobressaia perante a questão da soberania estatal, sofrendo a incidência, 
portanto, das regras de Direito Internacional.   São exemplos o mar; as águas interiores; o 
mar territorial; a zona contígua; a zona econômica; a plataforma continental; o alto-mar; os 
rios internacionais; e o espaço aéreo.
Existe um ramo específico do Direito Internacional que disciplina a questão dos mares, 
denominado de Direito do Mar. O principal tratado internacional é a Convenção de 
Montego Bay (Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar), assinada em 1982. 
Tal diploma internacionalfoi interalizado no Brasil mediante o Decreto nº 1.530/1995.
No Brasil, o tema é tratado pela Lei nº 8.617/1993, que disciplina a questão da soberania 
estatal sobre esses territórios e recursos, de forma a contribuir para a manutenção da paz 
mundial e para o uso pacífico dos espaços marinhos.
Ainda, ressalte-se a criação do Tribunal Internacional do Direito do Mar, por meio de um 
Estatuto criado em 1982, cuja sede se encontra em Hamburgo, na Alemanha.
Considera-se que a soberania de um Estado costeiro estende-se até o limite de 12 milhas 
contadas a partir da respectiva linha de base.
Por águas interiores, entende-se por aquelas localizadas no interior da linha da base do 
mar territorial, nos termos do art. 8.1, da Convenção de Montego Bay.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 81/93
CUIDADO: NÃO há direito de passagem inocente nas águas interiores, pois o Estado 
exerce soberania ilimitada nesse local!
Conforme o art. 2.1 da Convenção de Montego Bay, mar territorial consiste numa zona de 
mar adjacente ao território estatal, sendo um espaço considerado como de soberania do 
Estado respectivo. Nos termos do art. 3º, o mar territorial não pode ultrapassar o limite de 
12 milhas marítimas, contados das linhas de base do território nacional.
Nos termos do art. 1º da Lei nº 8.617/93, o mar territorial brasileiro consiste na faixa de 12 
milhas marítima de largura, contadas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e 
insular.
Obs: permite-se a passagem inocente.
Já a zona contígua é, segundo o art. 33.1 da Convenção de Montego Bay, uma zona de até 
24 milhas marítimas, contadas a partir da linha base inicial da largura do mar territorial. 
Nessa zona, pode o Estado realizar o poder de Polícia, tanto administrativo quanto judiciário.
Conforme o art. 11 da Lei nº 8.617/93, compreende-se a zona contígua   a faixa que se 
estende de 12 a 24 milhas marítimas, contadadas da base para medir a largura do mar 
territorial.
Obs: o Estado costeiro pode tomar medidas de fiscalização aduaneira, fiscal, migratória ou 
sanitária.
Sobre a Zona Econômica, dispõe o art. 55 da Convenção de Montego Bay ser esta uma 
zona adjacente ao mar territorial, submetida ao Direito do Estado costeiro, não podendo se 
estender além de 200 milhas marítimas, contadas da largura do mar territorial.
Já a Lei nº 8.617/93, em seu art. 6º, estabelece que a Zona Econômica Exclusiva 
Brasileira compreende a faixa de 12 à 200 milhas marítimas, contadas das linhas de base 
que servem para medir a largura do mar territorial, onde o Brasil exerce sua jurisdição e 
tem o direito exclusivo de regulamentar a investigação científica marinha, a proteção e 
preservação do meio marítimo, bem como a construção, operação e uso de todos os tipos 
de ilhas artificiais, instalações e estruturas (art. 8º).
CUIDADO: o Brasil tem direitos de soberania para exlporar e aproveitar esse território, bem 
como possui o direito de conservação e gestão dos recursos naturais, vivos ou não-vivos, 
das águas sobrejacentes ao leito do mar e de seu subsolo.
Nos termos do art. 11 da Lei nº 8.617/93, considera-se como plataforma continental 
brasileira o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do mar 
territorial, em toda a extensão do prolongamento natural de seu território terresetre até o 
bordo exterior da margem continental, ou até duzentas milhas marítimas das milhas de 
base, desde a largura do mar territorial. Também é um local em que o Brasil exerce sua 
jurisdição e soberania.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 82/93
Já o alto-mar consiste nas áreas marítimas excluídas da zona econçomicas exclusiva, das 
águas interiores e do mar territorial. Não exerce o Estado qualquer tipo de soberania sobre 
esse território, havendo, segundo o art. 87 da Convenção de Montego Bay, liberdade de 
navegação; de sobrevôo; de colocar cabos e dutos subarinos; de construir ilhas artificiais; 
de pesca; e de investigação científica.
Obs: o alto-mar permite algumas liberdades, sendo elas (i) liberdade de navegação; (ii) 
liberdade de sobrevoo; (iii) liberdade de colocar cabos e dutos submarinos; (iv) liberdade de 
construir ilhas artificiais; (v) liberdade de pesca; (vi) liberdade de investigação científica.
Por rios internacionais, entende-se aqueles que cortam mais de um País. Podem ser tanto 
fronteiriços, quando separam as fronteiras de dois ou mais países; quanto sucessivos, 
quando passam sucessivamente por mais de um país. Não há um tratado internacional 
específico sobre esse tema, ficando a cargo dos países tratarem entre si do tema.
Dentro do Direito Internacional marítimo, existe um instituto denominado de passagem 
inocente. Segundo o art. 3º, §2º, da Lei nº 8.617/93, trata-se de parar e fundear o mar 
territorial, de maneira contínua e rápida, desde que seja algo comum e esperado na 
navegação, ou que seja algo imposto por motivos de força ou por dificuldade grave, ou, 
então, a fim de prestar auxílio a pessoas, a navios ou a aeronaves em perigo ou em 
dificuldade grave.
Obs: segundo o §3º do referido dispotivio, os navios estrangeiros em mar territorial 
brasileiro estão sujeitos aos regulamentos estabelecidos pelo Governo brasileiro.
Somente se considera como inocente a passagem não prejudicial à paz, à boa ordem ou à 
segurança do Estado costeiro, conforme o art. 19.1 da Convenção de Montego Bay.
Segundo o art. 24.1 da referida Convenção, não pode o Estado costeiro criar dificuldades à 
passagem inocente de navios estrangeiros, sobretudo criando obrigações que se revelem 
como uma negação ou dificultação desse direito, ou como uma discriminação contra 
navios de determinado Estado ou que carreguem cargas provenientes de outro Estado.
Via de regra, prevê o art. 27.1 da Convenção de Montego Bay que não se impõe a 
jurisdição penal do Estado costeiro ao navio estrangeiro que passe pelo mar territorial 
quando da pasagem inocente, exceto se da infração penal cometida resultarem 
consequências ao Estado Costeiro; se perturbar a paz ou a ordem do mar territorial; se o 
capitão do navio ou o representante diplomático solicitar o auxílio das autoridades locais; 
ou se houver tráfico ilítico de substâncias psicotrópicas.
No que diz respeito ao Direito relativo ao espaço aéreo, desde muito se utilizavam as 
mesmas disposições relativas ao Direito do Mar. Porém, no Brasil, editou-se a Lei nº 
7.565/86, que visa a regulamentar essa seara jurídica.
Compreende-se o espaço aéreo como sendo o espaço acima da área terrestre e do mar 
territorial de um País, sendo um território também sujeito a soberania estatal, não podendo 
haver uma navegação estrangeira sem a permissão do Estado soberano.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 83/93
|key-item-7| Cooperação Internacional: Espécies e Procedimentos
IMPORTANTE: NÃO existe direito de passagem inocente no espaço aéreo! Cuidado!
CUIDADO: a Convenção de Chicago permite o sobrevoo sob o espaço aéreo de outros 
Estados, ainda que sem autorização prévia, desde que não haja escala, ou que as escalas 
não tenham fins comerciais.
Ressalte-se que, no espaço aéreo internacional, considerado como aquele sobre o qual não 
existe um Estado com soberania, é livre a navegação aérea, como, por exemplo, no espaço 
aéreo relativo ao território das águas internacionais.
A Convenção de Chicago se aplica única e exclusivamente às aeronaves civis, não 
incidindo sobre as aerenovas militares e policiais.
Obs: no que tange à responsabilidade civil de empresas aéreas responsáveis a voos 
intercionais, aplcia-se a Convenção de Varsóvia e a Convenção de Montreal.
Conforme o art. 17 da Convenção de Chicago, considera-se a aeronave como nacional do 
País em que ela esteja registrada, sendo que, de acordo com o art. 18, não poderáser 
registrada em mais de um Estado.
A doutrina majoritária entende que o espaço extra-atmosférico corresponde ao término do 
espaço aéreo.
Sobre essa temática, existe o Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos 
Estados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico, inclusive da Lua e Demais Corpos 
Celestes, assinado em 1967, considerado com o principal tratado internacional sobre o tema.
Consoante ao art. 1º, todos os Países poderão explorar a utilizar livremente o espaço extra-
atmosférico, em condições de igualdade, estando o espaço aberto a pesquisas científicas, 
devendo haver um encorajamento de cooperação internacional do desenvolvimento desse 
tipo de pesquisa.
Prevê o art. 2º não ser possível a apropriação nacional desse espaço extra-atmosférico.
Já o art. 4º prevê que os Estados devem se comprometer a não colocar em órbita qualquer 
tipo de arma nuclear ou de destruição em massa, pois a utilização do espaço extra-
atmosférico deve ser para fins pacíficos e para fins de pesquisas científicas.
Ainda, segundo o referido tratado, a responsabilidade por danos decorrentes de 
lançamentos espaciais é objetiva, sendo os Estados também responsáveis pelos danos 
causados por entidades não-governamentais. 
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 84/93
A cooperação internacional é um instrumento de auxílio mútuo entre países, no qual um 
Estado requerente solicita medidas administrativas ou judiciais ao Estado requerido, para 
que sejam utilizadas no âmbito de sua jurisdição.
Em verdade, a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade é um princípio 
que rege o Brasil nas relações internacionais, consoante ao art. 4º, IX, CRFB/88, sendo 
fundamento jurídico constitucional para o instituto da cooperação internacional.
Os pedidos de cooperação internacional são recebidos por uma autoridade central, que 
fica incumbida de dar prosseguimento ao feito, bem como de analisar inicialmente o 
pedido. No Brasil, a autoridade central é o Ministério da Justiça e da Segurança Pública.
A cooperação jurídica internacional é realizado, via de regra, por meio de tratado 
internacional, podendo, porém, ser firmada por meio da promessa da reciprocidade, 
manifestado pela via diplomática (art. 26, §1º, CPC/15).
Obs: conforme o art. 26, §2º, CPC/15, não se exige reciprocidade quando se tratar de mera 
homologação de sentença estrangeira.
Considera-se como cooperação ativa quando o Brasil solicita uma cooperação 
internacional de outro Estado. Já a cooperação passiva ocorre quando um Estado 
estrangeiro solicita a cooperação internacional brasileira.
CUIDADO: conforme o art. 37, CPC/15, o pedido de cooperação jurídica internacional ativa 
deve ser encaminhado à autoridade central, competindo a este o envio ao Estado requerido.
Como mecanismos de cooperação jurídica internacional, tem-se a carta rogatória, a 
homologação de sentença estrangeira e o auxílio jurídico direto.
Obs: como a questão processual diz respeito à soberania estatal, cada Estado define quais 
são os procedimentos a serem adotados para tanto.
A carta rogatória consiste num pedido realizado pelo Poder Judiciário local de diligências 
judiciais a serem realizados pelo Poder Judiciário estrangeiro, como, por exemplo, o 
depoimento de testemunha residente no exterior. Destina-se a atender atos judiciais que 
não contém uma decisão propriamente dita, ou, então, cuja decisão não seja definitiva.
Obs: conforme o art. 962, §1º, CPC/15, utiliza-se a carta rogatória para executar uma 
decisão interlocutória estrangeira, concessiva de medida de urgência, não sendo necessária 
a homologação pelo STJ.
Quando o Brasil recebe uma carta rogatória estrangeira, compete ao STJ conceder o 
“exequatur", conforme o art. 105, I, “i”, “in fine”, CRFB/88, sendo elas cumpridas pela 
Justiça Federal, consoante ao art. 109, II e III, CRFB/88 c/c art. 965, CPC/15.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 85/93
CUIDADO: o STJ faz um juízo de delibação, isto é, analisa apenas o preenchimento dos 
requisitos legais, não adentrando no mérito da diligência requerida pela autoridade judicial 
estrangeira.
CUIDADO 2: EXCEPCIONALMENTE, poderá o STJ analisar o mérito da diligência, para 
verificar se a prática do ato contraria ou produza resultados incompatíveis com as normas 
fundamentais que regem o Estado brasileiro (art. 26, §3º, CPC/15).
CUIDADO 3: vigora, no Brasil, o sistema de delibação concentrado, pois um único órgão é 
responsável por essa análise, a saber, o STJ. NÃO SE ADOTA o sistema difuso! Cuidado!
Já a homologação de sentença estrangeira consiste no fato de dar efeitos jurídicos a uma 
sentença proferida em outro País, cuja execução deva se dar no Brasil. Conforme o o art. 
105, I, “i”, CRFB/88, compete exclusivamente ao STJ fazê-lo.
Obs: conforme o art. 960, §3º, CPC/15, também deve passar pela homologação do STJ as 
decisões arbitrais estrangeiras.
Via de regra, a decisão estrangeira somente terá eficácia no Brasil após a sua homologação 
ou após a concessão do “exequatur” à carta rogatória, salvo dispoição em sentido 
contrário de lei ou tratado (art. 961, CPC/15).
Para que haja homologação da decisão estrangeira, deve ela:
I. Ser proferida por autoridade competente;
II. Ter havido citação regular, ainda que haja revelia;
III. Ser eficaz no país em que foi proferida (comprovável por qualquer meio hábil);
IV. Não ofender a coisa julgada brasileira;
V. Estar acompanhada de tradução oficial, salvo se dispensada por tratado internacional;
VI. Não ofender manifestamente a ordem pública.
CUIDADO: nos termos do art. 964, CPC/15, não será homologada a sentença estrangeira 
na hipótese de competência exclusiva da autoridade brasileira, isto é, se a decisão 
estrangeira tratar de assunto de competência exclusiva da justiça brasileira.
CUIDADO2: o indeferimento da homologação gera apenas coisa julgada formal no Brasil, 
sendo possível uma nova propositura de pedido de homologação da decisão estrangeira.
O auxílio direto, por sua vez, consiste em uma decisão proferida pela autoridade judicial 
brasileira, isto é, não decorre de decisão jurisdicional estrangeira, não sendo necessário o 
juízo de delibação no Brasil (art. 28, CPC/15). É um instrumento mais célere do que os 
demais, pois não precisa do “exequatur” e nem de homologação.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 86/93
Conforme o art. 30 do CPC/15, o auxílio direto tem por finalidade:
I. Obtenção ou prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre 
processo administrativos ou judiciais, já finalizados ou não;
II. Colheita de provas, desde que o processo não seja de competência exclusiva de 
autoridade judiciária brasileira;
III. Qualquer medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira;
Consoante ao art. 29, CPC/15, a solicitação do auxílio direto é encaminhada à Autoridade 
Central, e esta comunicará o órgão responsável pelo seu cumprimento.
Quando a medida solicitada pelo Estado estrangeiro necessitar de uma atividade 
jurisdicional no Brasil, será aprecida o fato pelo juízo federal do lugar em que se deva 
executar a medida (art. 34, CPC/15). Caberá à AGU solicitar essa medida perante a justiça 
federal (art. 33, CPC/15).
Porém, em não sendo necessária a prestação jurisdicional, a autoridade central adotará as 
medidas necessárias para o seu cumprimento.
CUIDADO: deve-se respeitar a legislação brasileira nesses procedimentos a serem 
tomados, pois, em verdade, são realizados pelas próprias autoridades brasileiras, em 
respeito ao princípio da “locus regit actum”. Porém, pode o Estado estrangeiro solicitar que 
se tome determinada diligência para resguardar a validade da medida, o que será realizado 
se não contrariarhttps://cj.estrategia.com/ldi/print/A%20Guerra%20dos%20Trinta%20Anos%20foi%20uma%20guerra%20de%20cunho%20pol%C3%ADtico-religioso,%20travada,%20em%201618,%20entre%20Fran%C3%A7a,%20Inglaterra,%20Portugal,%20Espanha,%20Dinamarca,%20%C3%81ustria,%20Su%C3%A9cia,%20Pa%C3%ADses%20Baixos%20e%20Alemanha,%20findando%20tr%C3%AAs%20d%C3%A9cadas%20ap%C3%B3s.%20Segundo%20historiadores,%20%C3%A0%20%C3%A9poca,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica,%20institui%C3%A7%C3%A3o%20de%20maior%20hierarquia%20na%20Europa%20medieval,%20estava%20perdendo%20fi%C3%A9is%20ap%C3%B3s%20as%20Reformas%20Protestantes,%20sendo%20que%20o%20dom%C3%ADnio%20dos%20Estados%20passou%20a%20ser%20transferido%20das%20autoridades%20cat%C3%B3licas%20para%20monarcas%20absolutistas.%20Com%20o%20final%20da%20Guerra,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica%20deixou%20de%20ser%20um%20ente%20superior%20aos%20Estados%20europeus,%20reconhecendo-se%20a%20igualdade%20absoluta%20entre%20aos%20Estados%20soberanos.
https://cj.estrategia.com/ldi/print/A%20Guerra%20dos%20Trinta%20Anos%20foi%20uma%20guerra%20de%20cunho%20pol%C3%ADtico-religioso,%20travada,%20em%201618,%20entre%20Fran%C3%A7a,%20Inglaterra,%20Portugal,%20Espanha,%20Dinamarca,%20%C3%81ustria,%20Su%C3%A9cia,%20Pa%C3%ADses%20Baixos%20e%20Alemanha,%20findando%20tr%C3%AAs%20d%C3%A9cadas%20ap%C3%B3s.%20Segundo%20historiadores,%20%C3%A0%20%C3%A9poca,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica,%20institui%C3%A7%C3%A3o%20de%20maior%20hierarquia%20na%20Europa%20medieval,%20estava%20perdendo%20fi%C3%A9is%20ap%C3%B3s%20as%20Reformas%20Protestantes,%20sendo%20que%20o%20dom%C3%ADnio%20dos%20Estados%20passou%20a%20ser%20transferido%20das%20autoridades%20cat%C3%B3licas%20para%20monarcas%20absolutistas.%20Com%20o%20final%20da%20Guerra,%20a%20Igreja%20Cat%C3%B3lica%20deixou%20de%20ser%20um%20ente%20superior%20aos%20Estados%20europeus,%20reconhecendo-se%20a%20igualdade%20absoluta%20entre%20aos%20Estados%20soberanos.
Diante desses critérios, Mazzuoli elaborou um conceito mais abrangente, afirmando ser o 
Direito Internacional Público um ramo do Direito Público que trata do conjunto de normas 
jurídicas que regem a vida e as relações internacionais, cujas matérias não podem ser 
enfrentadas isoladamente por Estados, tais como as metas comuns da humanidade, a 
paz, a segurança e a estabilidade das relações internacionais.
O Direito Internacional Público, porém, não se confunde com o Direito Internacional 
Privado, na medida em que este é voltado à solução de conflitos de leis e de jurisdição no 
espaço internacional, que dizem respeito às relações de natureza privada. Além disso, as 
normas de Direito Interncional Privado apenas indicam, e não estabelecem, o regramento a 
ser utilizado na disputa de interesses privados, sendo elas previstas, em sua maioria, no 
ordenamento jurídico interno de cada Estado. Como exemplo, tem-se as disposições 
contidas no Decreto-Lei nº 4.657/1942, conhecida como Lei de Introdução às normas do 
Direito Brasileiro (LINDB), mais especificamente, nos arts. 7º ao 19.
Direito Transnacional: conceito criado por Philip Jessup, segundo o qual não há razão para 
se diferenciar o Direito Internacional Público do Privado, sugerindo romper-se com essa 
dicotomia com a criação de um único ramo jurídico a ser aplicado na seara internacional. 
Afinal, há influências do Direito Privado no Direito Internacional Público, como a aplicação 
do postulado do “pacta sunt servanda”, princípio de gênese privada. Porém, a doutrina 
majoritária ainda distingue esses ramos do Direito Internacional, sobretudo para fins 
didáticos.
Fundamentos do Direito Internacional Público
Existem correntes doutrinárias que negam a existência do Direito Internacional, porque 
haveria, na realidade, um “estado de guerra de todos contra todos” (Thomas Hobbes), 
tratando as disposições internacionais não verdadeiramente de normas jurídicas, mas, sim, 
de uma “moral positivada”, isto é, de um mero acordo de cavalheiros. Afinal, não existe 
nenhum Poder Legislativo Internacional, e muito menos um Poder Judiciário Internacional, 
capazes de impor normas jurídicas aos Estados e de fazer valer a sua aplicação de maneira 
impositiva, sendo que, na prática, o poder bélico-militar e econômico são preponderantes.
Por outro lado,  fato é que a noção de Direito não perpassa exclusivamente pela imposição 
de normas jurídicas, mas, sim, pela ideia de uma sociedade politicamente organizada em 
que seus membros reconhecem a obrigatoriedade das normas.
Tradicionalmente, divide-se as teorias que reconhecem a existência jurídica do Direito 
Internacional em dois grandes grupos:
1)        Doutrina Voluntarista/Subjetivista: de vertente positivista, as terorias dessa 
vertente partem do princípio de que o Direito Internacional é obrigatório porque os 
Estados manifestam a vontade de aderirem ao regramento internacional e de a ele se 
submeterem. Subdivide-se em:
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 6/93
A)      Teoria da autolimitação do Estado: Georg Jellinek. O Estado, por meio de 
sua própria vontade, expressa o seu desejo de se autolimitar pelas normas 
internacionais.
Crítica: Segundo o autor, o Estado possui uma vontade absoluta. Logo, por meio 
dessa vontade absoluta, poderia decidir não cumprir com as normas internacionais.
B)    Teoria da vontade comum ou coletiva: Henrich Triepel. A obrigatoriedade da 
norma internacional não advém da vontade individual de um Estado, mas, sim, 
pela vontade dos Estados em conjunto.
Crítica: Essa vontade coletiva é abstrata e de difícil aferição. Além disso, não 
consegue explicar os costumes internacionais, que são seguidos mesmo sem a 
expressão de vontade do Estado.
C)      Teoria do Consentimento das Nações/Escola Inglesa: Lassa Oppenheim. A 
obrigatoriedade se dá pela vontade majoritária dos Estados, não sendo necessário 
que a totalidade dos Estados concordem com a norma internacional para que esta 
seja obrigatória
D)      Teoria da Delegação do Direito Interno: Max Wenzel. Segundo essa teoria, 
a obrigatoriedade do Direito Internacional é embasada pelo próprio Direito Interno 
dos Países.
Crítica: Bastaria um Estado alterar sua Constituição que estaria desobrigado a 
seguir as normas de Direito Internacional, portanto.
Crítica 2: Segundo o art. 27 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, 
os Estados-parte não podem invocar normas do Direito interno para justificar o 
inadimplemento de um tratado.
2)        Doutrina Objetivista: parte do princípio de que certas normas internacionais são 
tão importantes para o convívio internacional que suplantam a vontade do Estado, 
impondo-se-lhes independentemente de adesão voluntária. Subdivide-se em:
A)     Teoria do Direito Natural: Santo Agostinho e Samuel Pufendorf. Defendem a 
existência de direitos inatos à condição humana, que independem da vontade do 
Estado para existirem, baseando-se na ordem divina ou na própria razão humana.
B)      Teoria do “Pacta Sunt Servanda”: Dionisio Anzilotti. O princípio do “pacta 
sunt servanda” é uma regra que resulta do consentimento preceptivo, isto é, que 
decorre invariavelmente da razão humana, perceptível até mesmo nas sociedades 
mais rudimentares, o que denota o seu caráter internacional, sendo fundamento 
único e absoluto do Direito Internacional Público.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 7/93
C)        Teoria da norma-base: Hans Kelsen afirma que a norma-base do Direito 
Internacional é o postulado do “pacta sunt servanda”, que decorre da norma 
fundamental hipotética.
Obs: Alguns doutrinadores não consideram essa teoria como autônoma, pois parte 
do mesmo princípio que a anterior.
D)      Teorias Sociológicas do Direito: León Dugit e George Scelle. Segundo essa 
vertente, o Direito Internacional é uma necessidade intrínseca da sociedade, 
pautada no sentimento de “solidariedade internacional”. Partem da ideia dea ordem pública brasileira.
 Cooperação policial internacional.
Consiste no auxílio mútuo entre os órgãos policiais de diferentes Estados, como forma de 
se combater, de maneira mais eficaz, a criminalidade internacional, que cada vez mais vem 
se expandindo.
Não necessita de assinatura de tratado internacional entre os Estados para ser realizada, 
podendo ser firmada diretamente entre os órgãos policiais, por meio de termos de parceria, 
também denominados de “Memorando de Entendimento” (MdE). Afinal, a intervenção 
policial e as investigações são caracterizadas pelo dinamismo, exigindo um instrumento 
mais célere para que seja eficaz.
Além disso, também há um intercâmbio de conhecimento entre as diversas forças de 
segurança pública global, o que corrobora para o combate à criminalidade transfronteiriça, 
sobretudo com o desenvolvimento de novas técnicas de investigação e de operação 
policial.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 87/93
Porém, ressalte-se que não é dado a um órgão policial realizar investigações no território 
de outro País sem o conhecimento deste, sobretudo por questões de soberania, o que 
pode ocasionar um incidente internacional e ser visto como uma ameaça à segurança 
nacional. Exige-se, portanto, um nível mínimo de formalidade, ainda que se dê a 
cooperação de maneira direta.
Dentre as instituições de maior destaque na seara da cooperação policial internacional, tem-
se a INTERPOL, sendo uma organização internacional que visa a formar uma rede integrada 
de órgãos policiais do mundo inteiro.
No Brasil, a INTERPOL é representada por um departamento específico da Polícia Federal, 
competindo ao agentes deste órgão realizar as prisões.
Outro exemplo de organização policial internacional é a EUROPOL e a AMERICAPOL, 
sendo voltada a uma cooperação policial internacional regionalizada.
Cooperação jurídica internacional em matéria penal.
Ressalte-se, de início, que o exercício do “jus puniendi” é uma das maiores forma de 
exercício de soberania de um Estado, sendo um tema sensível no Direito Internacional 
Público.
Dito isso, convém destacar que a cooperação jurídica internacional se trata de uma forma 
de auxílio mútuo entre Estados no que se refere ao Direito Penal e ao Direito Processual 
Penal.
Em específico, a cooperação jurídica internacional em matéria penal submete-se a dois 
princípios basilares:
a. Princípio da especialidade: a prova obtida somente será utilizada especificamente no 
processo estrangeiro que originou o pedido de colaboração, sendo vedado, via de 
regra, o seu compartilhamento.
Obs: para que haja compartilhamento de provas, deve ser feito um pedido específico 
para tanto, direcionado à Autoridade Central, com a devida fundamentação.
b. Princípio da dupla incriminação: o ato ora investigado ou processado deve ser 
tipificado penalmente em ambos os ordenamentos jurídicos.
Via de regra, os documentos emitidos pelo Estado estrangeiro requerente devem ser 
traduzidos, exceto se não for necessário, conforme previsto no art. 236, do CPP.
Assim como nas demais formas de cooperação internacional, em se tratando de 
cooperação em matéria penal, os pedidos são encaminhados para a Autoridade Central, 
que os analisará e os encaminhará para a autoridade competente.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 88/93
Em verdade, existem redes de cooperação entre as Polícias, os Ministérios Públicos e o 
Poderes Judiciários, o que facilitam a comunicação e intercâmbio de informações e, por 
conseguinte, tornam mais céleres as cooperações jurídico-penais internacionais.
Aplicam-se aqui todas as lições trazidas quanto a cartas rogatórias, homolagação de 
sentença e auxílio direto.
Vale destacar que, nos locais onde não houver Justiça Federal, é possível que o juiz federal 
solicite a cooperação da Justiça Estadual para cumprir uma carta rogatória.
CUIDADO: no “Caso Robinho”, o STJ homologou a sentença condenatória italiana ao 
jogador Robinho, tendo havido uma transferência de execução da pena, com base no art. 
100 da Lei de Migração. Justificou-se tal ato para que brasileiros condenados no exterior 
não ficassem impunes, o que violaria novamente a dignidade da vítima e ensejaria um 
incidente diplomático entre o Brasil e a Itália. Além disso, a não homologação impediria que 
Robinho fosse julgado no Brasil pelo mesmo fato, por respeito à vedação ao “bis in idem”.
  Convenção Interamericana sobre Assistência Mútua em Matéria Penal - 
Decreto nº 6.340/2008
A Convenção Interamericana sobre Assistência Mútua em Direito Penal foi internalizada 
mediante o Decreto nº 6.340/2008, sendo uma forma de se garantir uma maior integração 
entre os Estados-membros da OEA.
Destina-se a disciplinar a assistência mútua em investigações, processos e procedimentos 
em matéria penal entre os Estados-membros, sem, contudo, permitir o exercício de 
jurisdição no território de outro País.
CUIDADO: nos termos do art. 2º, essa Convenção não autoriza a particulares obterem ou 
excluírem provas, e nem mesmo impedir o cumprimento da assistência.
Via de regra, exige-se a dupla incriminação para ser solicitada a assistência, exceto se as 
medidas referirem-se a embargo e sequestro de bens ou a inspeções e confiscos, 
incluindo buscas domiciliares, conforme o art. 5º.
Nos termos do art. 6º, exige-se que o fato originário do pedido seja crime punível com 
pena de, no mínimo, um ano de prisão.
Porém, NÃO SE APLICA aos delitos sujeitos exclusivamente à legislação militar (art. 8º).
Nos termos do art. 9º, é possível a recusa de assistência, desde que:
a. A pessoa já tiver sido condenada ou absolvida num processo no Estado requerente ou 
requerido;
b. Investigação for discriminatória, fundada em questões de sexo, raça, condição social, 
nacionalidade, religião ou ideologia;
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 89/93
c. Pedido emanado por um tribunal de exceção ou “ad hoc”;
d. Pedido afetar a ordem pública, soberania, segurança ou interesses públicos 
fundamentais;
e. Referir-se a delito fiscal, exceto se se tratar de declaração intencionalmente falsa ou 
omissa, com objetivo de ocultação de receitas provenitentes de qualquer outro delito 
previsto na Convenção;
CUIDADO: no art. 1º, do Protocolo Facultativo Relativo a Convenção ora estudada, prevê 
que os Estados não devem se recusar a prestar a assistência com base exclusivamente na 
natureza fiscal do delito.
O art. 10 prevê expressamente o princípio do “locus regit actum”, na medida em que dispõe 
que o cumprimento da solicitação de assistência é feito em conformidade com o Direito 
interno do Estado requerido. Porém, também se prevê que o Estado requerente poderá 
solicitar que a assistência cumpra determinada forma, se isso não contrariar o Direito 
interno do Estado solicitado.
Conforme o art. 16, o Estado requerido fixará a data e a sede do cumprimento do pedido 
de assistência, comunicando-o ao Estado Requerente. Faculta-se a participação deste no 
cumprimento do pedido, desde que isso não seja proibido na legislação daquele.
É possível que uma testemunha nacional preste depoimento no território do Estado 
requerente, desde que ela voluntariamente se disponha para tanto, após convite da 
Autoridade Central do Estado requerido, vedando-se a utilização de medidas cominatórias 
e coercitivas (art. 19).
Obs: segundo o art. 22, emitir-se-á um salvo-conduto para essa pessoa, que protegerá a 
pessoa de ser detida ou processada por delitos anteriores a sua saída do território do 
Estado remetente, bem como de que tenha de ser ouvida em procedimento não 
especificado no pedido e de ser detida ou processada com base na declaração que prestar, 
salvo em caso de desacato ou de falso testemunha.
O Estado requerido, ao prestar a assistência, forneceráao Estado requerendo cópia de 
documentos, antecedentes ou informações de caráter público. Será possível o 
compartilhamento dessas informações, quando não sejam de caráter público, se houver 
reciprocidade entre os Estados (art. 24).
Nos termos do art. 29, competirá ao Estado requerente arcar com os honorários de peritos 
e despesas de viagem e afins de pessoas de um território para o outro.
Obs: em caso de despesas extraordinárias, as partes se consultarão para determinar os 
termos e condições sob os quais a assistência poderá ser presta.
Prevê o art. 31 que nenhuma das partes será responsável pelos prejuízos causados pela 
parte contrária na formulação ou no cumprimento de um pedido.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 90/93
Convenção de Auxílio Judiciário em Matéria Penal entre os Estados Membros 
da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Decreto nº 8.833/2016
A Convenção de Auxílio Judiciário em Matéria Penal entre os Estados Membros da 
Comunidade dos Países de Língua Portugues foi internalizada no Brasil mediante o Decreto 
nº 8833/2016, tendo o nome sugestivo.
Segundo o art. 1.1, o auxílio compreende comunicação de informações, atos processuais e 
de atos públicos, necessários a um processo ou à perda, apreensão ou congelamento ou à 
recuperação de instrumentos, bens, objetos ou produtos do crime.
São meios de auxílio judiciário (art. 1.2):
a. notificação de atos e entrega de documentos;
b. obtenção de meios de prova;
c. revistas, buscas, apreensões, exames e perícias;
d. notificação e audição de suspeitos, arguidos ou indiciados, testemunhas ou peritos;
e. a troca de informações sobre o direito respectivo;
f. a troca de informações sobre antecedentes penais de suspeitos, arguidos e 
condenados;
g. outras formas de cooperação acordadas entre os Estados;
CUIDADO: a Convenção não se aplica às infrações militares.
Prevè-se, também, a necessidade de dupla incriminação (art. 2.1). Porém, em se tratando de 
buscas, apreensões, exames e perícias, exige-se que o crime referente tenha pena privativa 
de liberdade igual ou superior a seis meses também no Estado requerido, salvo se para 
comprovar exclusão de culpa (art. 2.2).
É possível a recusa de auxílio quando:
a. Referir-se a infração de natureza política ou a ela conexa;
b. Houver fundadas razões de que o pedido é embasado em fatores discriminatórios 
motivados por questõe sde raça, sexo, religião, nacionalidade, língua, ou das suas 
convicções políticas e ideológicas, ascendência, instrução, situação econômica ou 
condição social.
c. O julgamento for feito por um tribunal de exceção ou “ad hoc”.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 91/93
d. O auxílio prejudica um procedimento penal pendente no Estado requirido, ou afeta a 
segurança da pessoa envolvida no auxílio;
e. O auxílio ofende a segurança, ordem pública ou outros princípios fundamentais do 
Estado requerido;
Conforme o art. 7.2, a comunicação do pedido de auxílio deve ser feita apenas entre 
autoridades centrais, ou então por meio de comunicação direta entre as autoridades 
competentes, ou entre estas e as autoridades centrais.
Ainda, o art. 8º permite o intercâmbio espontâneo de informações relativas a infrações 
penais, mesmo sem a solicitação do auxílio.
O art. 10 prevê que são de responsabilidade do Estado requerente as despesas relativas a: 
(i) transporte de pessoas de um Estado para o outro, bem como as despesas da 
permanência dela; (ii) honorários dos peritos; (iii) recursos e meios de telecomunicação em 
tempo real para cumprir o pedido de auxílio; (iv) enio de objeto e de documentos que 
constituam um encargo extraordinário.
Nos termos do art. 17, possibilita-se o intercâmbio de informações relativas a sentenças ou 
a medidas posteriores, bem como de antecedentes criminais de uma pessoa.
Protocolo de Assistência Jurídica Mútua em Assuntos Penais (Protocolo de São 
Luís) - Decreto nº 3.468/2000 - aspectos penais
O Protocolo de São Luís, também conhecido como Protocolo de Assistência Jurídica 
Mútua em Assuntos Penais do MERCOSUL, foi internalizado no Brasil mediante o Decreto 
nº 3.468/2000, trazendo disposições referentes a assistência jurídica mútua em assuntos 
penais entre a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Obs: não confere direitos aos particulares para obtenção, supressão ou exclusão de provas, 
ou para se oporem ao cumprimento de uma solicitação de assistência (art. 1.2).
IMPORTANTÍSSIMO: nos termos do art. 1.4, a assistência será prestada mesmo quando as 
condutas não constituam delitos no Estado requerido. Não exige a dupla tipicidade!
O art. 2º prevê as formas de assistência possíveis, trazendo um rol exemplificativo, ao qual 
se remete a leitura integral.
Conforme o art. 3.1, as comunicações de pedidos de auxílio devem ser feitas por meio das 
Autoridades Centrais. Ainda, tem-se que, segundo o art. 4º, as solicitações de assistência 
são realizadas pelas autoridades judiciais ou pelo Ministério Público do Estado Requerente, 
encarregadas do julgamento ou investigação de delitos.
Permite-se a negativa da assistência quando:
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 92/93
Referências e links deste capítulo
1 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/aa106831-0a00-4433-ae28-
016acc7bc87b
a. Solicitação se referir a delito tipificado como militar em sua legislação, mas não na 
legislação penal ordinária;
b. Solicitação se referir a crime político, ou comum conexo a este, ou, ainda, com 
finalidade política;
c. Solicitação referente a delito tributário;
d. Pessoa alvo tenha sido absolvida ou já tenha sido condenado no Estado requerido pelo 
mesmo delito. Entretanto, não pode ser negada a assistência que se referir a outras 
pessoas investigadas;
e. Solicitação seja contrária a segurança, ordem pública ou interesses essenciais do 
Estado requerido;
Também prevê expressamente o princípio do “locus regit actum”, conforme o art. 7º.
Prevê o art. 13 que os encargos e gastos referentes ao processamento da solicitação serão 
do Estado requerente, assim como os honorários periciais, as traduções e transcrições, 
gastos extraordinários e custos de viagem de pessoas, em caso de testemunho no Estado 
requerente.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 93/93que é 
proibido ao Homem causar a desordem social, inclusível no âmbito internacional, 
sendo um dever social manter e desenvolver a ordem.
E)        Teoria dos Direitos Fundamentais dos Estados: os Estados, por existirem, 
teriam certos direitos ineretntes, tais como o da igualdade soberana, permitindo-
lhes relacionar-se em condições de igualdade.
Contemporaneamente, o Direito Internacional Público possui fundamento tanto em 
elementos objetivos quanto em elementos subjetivos. Afinal, sua obrigatoriedade advém, 
via de regra, do consentimento dos Estados, exceto no que tange às normas “jus cogens”, 
impostas a toda sociedade internacional.
Em virtude disso, o Direito Internacional Público passa pelo fenômeno da “crise do 
voluntarismo”, pois deixou de ser visto como mero produto da vontade dos Estados, tendo 
em vista a obrigatoriedade de determinados normas internacionais, decorrente da sua 
carga axiológica.        
Fontes do Direito Internacional Público
Atualmente, não se admite mais a ideia de soberania absoluta dos Estados, como proposta 
pelo teórico francês Jean Bodin. Há, em verdade, uma soberania relativizada, pois existem 
normas que submetem toda a sociedade internacional, independentemente do 
consentimento dos Estados, como as normas “jus cogens”, inderrogáveis pela vontade 
estatal.
Nesse sentido, tem-se uma multiplicação das fontes normativas no Direito Internacional, 
sendo este fragmentário, na medida que existem diversos subsistemas jurídicos. Dessa 
forma, as normas internacionais não são apenas produzidas pelos Estados, havendo a 
atuação de outros atores internacionais nessa construção normativa, o que revela uma 
descentralização dessas fontes.
Fonte material: também denominada como “fonte de produção”, tratam-se dos 
acontecimentos internacionais da vida real que levam a formulação do conteúdo das regras 
jurídicas, isto é, os acontecimentos políticos, sócio-econômicos e culturais que ensejam a 
produção da norma.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 8/93
Fonte formal: está ligada às formas pelas quais o Direito se exterioriza, isto é, ao processo 
de elaboração da norma jurídica internacional.
Segundo a doutrina majoritária, as principais fontes formais de Direito Internacional Público 
estão previstas no art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, sendo elas:
a)        Convenções Internacionais: acordos celebrados por escrito entre Estados, entre 
Estados e organizações internacionais, ou entre organizações internacionais entre si;
b)        Costume Internacional: práticas gerais e uniformes (elemento objetivo/material) 
sobre as quais haja uma convicção de obrigatoriedade (elemento subjetivo/psicológico);
Obs: Somente será considerado como costume a prática que for reiteradamente 
observada por um número considerável de sujeitos do Direito Internacional, durante 
um tempo hábil para torná-la efetiva.
Obs2: É possivel haver um costume internacional regional ou local, isto é, adotado 
apenas em uma parte do globo, sem, contudo, perder o atributo da generalidade. 
Exemplo disso é o asilo político, que é uma prática reiterada e uniforme na América 
Latina, não observada como obrigatória em outras partes do mundo.
Obs3: Trazem menor segurança jurídica do que os tratados internacionais, pois é de 
difícil comprovação, tendo em vista o requisito subjetivo/psicológico. Lembrando que 
o ônus probatório cabe a parte que alegar a existência do costume.
Obs4: O costume pode ser extinto pelo desuso, pela adoção de um novo costume 
contrário ao anterior ou até mesmo pela substituição por um tratado internacional.
Osb5: O Direito Consetudinário Internacional vem sendo codificado pela Comissão de 
Direito Internacional das Nações Unidas.
Obs6: Sobre a obrigatoriedade do costume internacional, existem três correntes:
I)  Teoria objetivista: os costumes internacionais vinculam todos os atores 
internacionais, inclusive aqueles que não manifestaram concordância com ele. É a tese 
que tende a prevalecer na doutrina;
II)  Teoria subjetivista: os costumes internacionais somente vinculam os atores 
internacionais que voluntariamente concordam com eles;
III)  Teoria do Objetor Persistente: considerada como uma subteoria subjetivista, 
entende que o Estado deve se opor, permanentemente, ao costume internacional, 
manifestando a sua vontade expressa e inequívoca de não aceitá-lo, para não estar 
obrigado a observá-lo. 
  CUIDADO EXTREMO: A CEBRASPE entende que NÃO prevalece a teoria do objetor 
persistente.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 9/93
Obs7: Ao contrário dos tratados internacionais, os costumes internacionais não necessitam ser 
internalizados no Brasil para que entrem em vigor. 
a)        Princípios Gerais de Direito: são princípios reconhecidos comumente por diversos 
ordenamentos jurídicos nacionais (ainda que não o seja em todos os existentes), possuindo alto 
grau de abstração e generalidade. Ex: princípio da boa-fé, sobretudo o de não se valer de sua 
própria torpeza; princípio do “ne bis in idem”; etc. 
Obs: O diploma utiliza o termo “princípios gerais DE Direito”, o que não se confunde com os 
princípios gerais “do” Direito Internacional, mais a frente explicados, que decorrem da própria 
ordem jurídica internacional, que, por óbvio, são aplicados de maneira imediata. 
Obs2: No referido diploma internacional, utiliza-se o termo “reconhecidos pelas Nações 
Civilizadas”, o que é criticado pela doutrina, pois revela um traço estigmatizante e colonialista, 
levando a crer que existem nações superiores a outras. . 
Ainda, o art. 38.1, “d”, do Estatuto da Corte Internacional de Justiça prevê como meios 
auxiliares de interpretação no Direito Internacional Público a doutrina (publicações de 
teóricos qualificados e de associações científicas, a exemplo da Comissão de Direito 
Internacional da ONU) e a jurisprudência (conjunto de decisões reiteradas no mesmo 
sentido) das diferentes nações.
Obs: Segundo Mazzuoli, muito embora o Estatuto fale em jurisprudência “das diferentes 
Nações”, deve-se interpretar esse termo como sendo o conjunto de decisões dos tribunais 
internacionais, sejam elas proferidas por tribunais permanentes, por tribunais “ad hoc”, por 
cortes arbitrais internacionais ou por tribunais de organizações internacionais [4]. Afirma o 
autor, ainda, que até mesmo os pareceres emitidos pela Corte Internacional de Justiça, em 
âmbito consultivo, também devem ser considerados como “decisão judiciária” para fins 
dessa disposição, devido a sua autoridade no plano internacional.
Obs2: Ressalte-se que o art. 59 do referido diploma internacional afirma que a decisão da 
Corte Internacional de Justiça é obrigatória somente para as partes litigantes, e apenas no 
que diz respeito ao caso em questão, como forma de se evitar que essas decisões 
vinculem outros Estados em processos diversos. Porém, nos ensinamentos do professor 
Mazzuoli, essas decisões podem ser invocadas como precedentes da Corte e aplicadas em 
casos semelhantes, reafirmando o seu posicionamento. 
Obs3: NÃO são fontes de Direito Internacional Público, mas, sim, meios auxiliares na 
determinação das regras de direito, considerados como meio de consulta para a 
tomada de decisões.
Cuidado: O art. 38 do Estatuto da CIJ NÃO traz um rol exaustivo (“numerus clausus”), 
mas, sim, um rol exemplificativo (“numerus aperturs”). Como leciona Mazzuoli, trata-se 
apenas de um núcleo mínimo, mas que pode ser ampliado, haja vista o dinamismo das 
relações internacionais. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 10/93
https://cj.estrategia.com/ldi/print/MAZZUOLI,%20Valerio%20de%20Oliveira.%20CURSO%20DE%20DIREITO%20INTERNACIONAL%20P%C3%9ABLICO.%20Rio%20de%20Janeiro:%20Forense,%2013.%20Ed.,%202020,%20p.%20175-176.https://cj.estrategia.com/ldi/print/MAZZUOLI,%20Valerio%20de%20Oliveira.%20CURSO%20DE%20DIREITO%20INTERNACIONAL%20P%C3%9ABLICO.%20Rio%20de%20Janeiro:%20Forense,%2013.%20Ed.,%202020,%20p.%20175-176.
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Cuidado 2: Via de regra, não existe grau de hierarquia entre as fontes formais de 
Direito Internacional Público trazidas na referida disposição. Logo, é possível que um 
costume internacional revogue um tratado, e vice-versa. 
Cuidado 3: Segundo Mazzuoli, exepciona-se essa regra quando se tratar de uma norma de 
direito cogente (“jus cogens”), que prevalece sobre todas as demais normas e costumes 
internacionais. Além disso, há, também, a previsão contida no art. 103 da Carta das Nações 
Unidas, segundo a qual as obrigações previstas nesse diploma assumidas pelos seus 
membros prevalecem sobre qualquer outro acordo internacional. 
Cuidado 4: Para o doutrinador Paulo Henrique Gonçalves Portela, porém, os princípios 
gerais de Direito Internacional Público possuem prevalência sobre os costumes 
internacioanis, pois externalizam valores a serem assegurados na ordem internacional como 
um todo. NÃO é o que prevalece! 
Cuidado 5: Como bem ressalta Mazzuoli, ao contrário do Estatuto da CIJ, o art. 21 do 
Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional enumera prioritariamente as fontes de 
Direito Internacional a serem aplicadas em seus julgamentos, trazendo uma escala de 
aplicação.   
Já o art. 38.2 do Estatuto da CIJ prevê que, se as partes assim concordarem, a Corte 
Internacional de Justiça pode decidir uma questão seguindo o postulado do “ex aeque et 
bano”, isto é, seguindo critérios de equidade e de analogia, que também são considerados 
como meios auxiliares aplicáveis quando da falta de normas jurídicas, como forma de trazer 
uma decisão mais justa ao caso concreto. 
A doutrina ainda fala em outras fontes de Direito Internacional Público não citadas no 
Estatuto da Corte Internacional de Justiça, denominando-as de fontes extraconvencionais 
do Direito Internacional Público, sendo elas: 
a)        Atos unilaterais dos Estados e decisões das Organizações Internacionais: 
manifestações unilaterais públicas e inequívocas de vontade, que visam a produzir 
efeitos nas relações com os atores internacionais, sem ter qualquer tipo de forma 
contratual ou costumeira.   
Obs: Em respeito à soberania estatal, não podem criar obrigações a outros Estados, 
mas apenas direitos. Isto é, obriga apenas ao Estado que emitiu o ato unilateral, 
submetendo-se ao postulado do “acta sunt servada”.  
b)        Decisões das organizações internacionais: decisões proferidas unilateralmente 
por organizações internacionais na qualidade de pessoa jurídica de Direito 
Internacional, com efeitos externos ao âmbito da organização, que acabam produzindo 
efeitos aos Estados-parte na seara internacional. Ex: resoluções emanadas pelo 
Conselho de Segurança da ONU; Recomendações da Organização Internacional do 
Trabalho. 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 11/93
c)        Atos unilaterais transnacionais: atos unilaterais tomados por outros atores 
transnacionais que não Estados e organizações internacionais, como, por exemplo, o 
Comitê Olímpico Internacional, que atingem as categorias por eles regulamentadas. 
d)         Obrigações “erga omnes”, normas de “jus cogens” e “soft law”: Nas lições de 
Mazzuoli, por obrigação “erga omnes”, entende-se deveres impostos a todos os atores 
internacionais, independentemente da vontade destes (Ex: direito de passagem 
inocente). Já a norma de caráter “jus cogens” tem a ver com disposições imperativas 
de Direito Internacionais mais abrangentes, que são inderrogáveis pela vontade dos 
Estados, e, ao contrário daquelas, somente podem ser revogada por outra norma 
posterior da mesma natureza, sendo hierarquicamente superiores às obrigações “erga 
omnes” (Ex: Carta da ONU). Já as normas de “soft law” são mais flexíveis, não 
possuindo natureza vinculante, tendo um caráter de recomendação (Ex: Agenda da 
ONU de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030). 
Obs: Uma norma de caráter “jus cogens” cria obrigações “erga omnes”, mas o 
contrário não é verdade. Isso, pois, normas “jus cogens” são mais amplas e fortes, 
somente podendo serem derrogadas por normas de igual hierarquia. 
Princípios Gerais do Direito Internacional Público
Com o advento do pós-positivismo, os princípios passaram a ter a sua força normativa 
reconhecida, inclusive na seara internacional, devido a carga axiológica que carregam, 
revelando os mais importantes interesses da comunidade internacional, servindo, também, 
tanto como vetor interpretativo como vetor nomogenético.
Os princípios não estão previstos em róis taxativos, sobretudo pelo fator dinâmico que lhes 
são ínsitos. Porém, a doutrina considera que a Carta das Nações Unidas consolidou um rol 
de princípios gerais do Direito Internacional Público em seu art. 1º.
Princípio da não-agressão: são vedados atos de agressão ou qualquer tipo de ruptura da 
paz, evitando-se, a todo custo, a guerra.  
Princípio da solução pacífica de controvérsias: os atores internacionais têm o dever de 
utilizar de meios pacíficos para a solução de conflitos.
Princípio da não intervenção em assuntos internos: a regra geral é a de que a sociedade 
internacional não deve intervir em questões internas, sendo o objetivo do Direito 
Internacional a coordenação dos interesses das nações.
Obs: “Teoria da Margem de Apreciação”: Corte Européia de Direitos Humanos. Segundo 
essa teoria, determinadas questões polêmicas relacionadas à restrição de direitos 
fundamentais devem ser discutidas com base no Direito interno do Estado-parte, que está 
mais a par da situação, não cabendo ao juiz da corte internacional apreciar essa marge 
conferida aos Países.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 12/93
|key-item-2| Atos Internacionais
Princípio da autodeterminação dos povos: cada Estado tem o direito de determinar suas 
questões políticas internas, sendo que cada País determina como o poder político será 
exercido em seu território nacional.
Obs: “Caso Lotus”: França x Turquia; 1927. Embarcação francesa Lotus colidiu com um 
navio turco em alto-mar, matando oito marinheiros turcos. Ao atracar em Constantinopla, o 
comandante fancês foi detido pelas autoridades turcas. A França, à época, recorreu à Corte 
Permanente Internacional de Justiça, alegando não haver nenhuma norma internacional que 
permitisse aquela prisão. Porém, decidiu a corte que as restrições impostas à 
independência dos Estados NÃO são presumidas. Nesse sentido, a interpretação correta 
era a de que, à época, não havia nenhuma norma internacional que proibisse a Turquia de 
exercer sua soberania e efetuar a prisão do comandante.
Princípio da igualdade: deve-se respeitar a igualdade formal entre os Estados, que são 
considerados igualmente como soberanos, não havendo superioridade ou hierarquia entre 
eles.
Princípio da cooperação internacional: os problemas internacionais de caráter 
econômico, social, cultural e humanitário devem ser resolvidos por meio da cooperação 
internacional, devendo-se estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades 
fundamentais, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião, o quesó pode ser alcançado 
pela atuação conjunta dos Países.
Princípio da boa-fé no cumprimento das obrigações internacionais: os Estados-
membros possuem o dever de cumprir, de boa-fé, as obrigações por eles assumidas.
[5]
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
TRATADO INTERNACIONAL: validade; efeitos;   ratificação; promulgação; 
registro; publicidade; vigência contemporânea e diferida; incorporação de 
tratados 
Tratado internacional é definido pela doutrina como um acordo celebrado, por escrito, 
entre sujeitos de Direito Internacional, em um ou mais documentos específicos, 
INDEPENDENTEMENTE de sua nomenclatura, caracterizado pelo ânimo de criar um 
vínculo jurídico-obrigacional entre si (“animus contrahendi”). 
Obs.: “Gentlemen’s Agreement”/Acordo de cavalheiros: pacto pessoal entre estadistas, 
fundado na honra, sendo um compromisso moral, durando enquanto aqueles se manterem 
no poder. NÃO é tratado internacional, pois não existe “animus contrahendi”, não havendo 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 13/93
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intenção de produzir efeitos jurídicos entre as partes, caracterizados pela não vinculação 
dos firmatários (“non-binding”). 
A Convenção de Viena de 1986 [6] é considerada como principal diploma internacional 
sobre o Direito dos Tratados, regulamentando os tratados estabelecidos entre Estados; 
entre Estados e organizações internacionais; e entre organizações internacionais entre si. 
CUIDADO: Não confundir com a Convenção de Viena de 1969, a qual dispõe sobre a 
disciplina jurídica internacional dos tratados celebrados única e exclusivamente entre 
ESTADOS. 
CUIDADO 2: Os convênios constitutivos de organizações internacionais submetem-se às 
normas da Convenção de Viena de 1969. Afinal, são tratados firmados entre Estados! 
CUIDADO 3: Empresas privadas, assim como as pessoas físicas, NÃO podem celebrar 
tratados internacionais, pois não são consideradas como sujeitos de Direito Internacional 
Público. 
CUIDADO 4: Porém, a Santa Sé, por ser considerada como um sujeito “sui generis” de 
Direito Internacional, pode firmar tratados internacionais, sendo estes denominados 
especificamente de concordatas. 
Por sujeito de Direito Internacional Público, entende-se como as entidades que possuem 
a personalidade internacional, isto é, têm a capacidade para exercer direitos e contrair 
obrigações na seara internacional. 
Há uma tendência de codificação do Direito Consuetudinário na ordem internacional, como 
forma de se estabelecer maior segurança jurídica nas relações internacionais, e, por 
conseguinte, maior estabilidade. 
Os tratados internacionais podem ser classificados em: 
A)   Quanto ao procedimento de conclusão: 
a.1) Tratados em sentido estrito/em devida forma/de sistema bifásico: exigem duas 
fases de manifestação de vontade, havendo um consentimento provisório (assinatura do 
tratado) e um consentimento definitivo (ratificação do tratado). 
a.2) Tratados em forma simplificada/de sistema unifásicos: exigem apenas uma 
manifestação de vontade, isto é, exigem apenas a assinatura, que já basta como expressão 
de consentimento definitivo do Estado. 
CUIDADO: no Brasil, adota-se, via de regra, o sistema bifásico, exigindo-se tanto o 
consentimento provisório quanto o consentimento definitivo e, posteriormente, a 
promulgação do tratado, para haver eficácia no âmbito interno. 
CUIDADO 2: Excepciona-se essa regra, utilizando-se o sistema unifásico quando se tratar 
de acordos interpretativos (estipulam como um tratado será interpretado); acordos 
complementares (decorrentes de outros tratados anteriormente já firmados pelo País); e 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 14/93
acordos do tipo “modus vivendi” (estabelecem bases para negociações internacionais 
futuras). Em síntese, devem ser acordos que não acarretam ônus ao Brasil no plano 
internacional. 
CUIDADO 3: Segundo o art. 12.1 da Convenção de Viena de 1969, a assinatura valerá como 
consentimento de obrigar-se quando assim dispor o tratado internacional, ou, de alguma 
outra forma, os Estados estabelecer esse efeito à assinatura. 
B) Quanto à execução no tempo: 
b.1) Tratados transitórios/ dispositivos/ reais/ executados/ de efeitos limitados/ 
estáticos: a execução é imediata, mas os efeitos se prolongam no tempo. 
b.2) Tratados permanentes/ executórios/ de efeitos sucessivos/ de vigência dinâmica: 
cria uma relação jurídica dinâmica, sendo que a execução do tratado se prolonga no 
tempo, enquanto esse vigorar. 
C)   Quanto à execução no espaço: 
c.1) Tratados de aplicação integral: aplica-se em todo o território nacional. 
c.2) Tratados de aplicação parcial: limita-se a uma parcela do território nacional. 
D)    Quanto à estrutura da execução: 
d.1) Tratados mutalizáveis: o descumprimento do tratado por uma das partes não 
compromete a execução do acordo como um todo. 
d.2) Tratados não-mutalizáveis: todas as partes devem cumprir com o tratado, sob pena 
de a execução ser comprometida e não produzir seus efeitos. 
E) Quanto à natureza das normas: 
e.1) Tratados-lei: estabelecem normas de aplicação de aplicação geral, havendo 
vontades             convergentes entre Estados. 
e.2) Tratados-contratos: estabelecem uma operação jurídica, havendo vontades 
divergentes entre os Estados. 
e.3) Tratados mistos: mesclam elementos de vontades divergentes e divergentes, 
mesclando as duas formas de tratados supracitados. 
F) Quanto a possibilidade de adesão: 
f.1) Abertos: possibilita-se a adesão após a conclusão do tratado, podendo ser de forma 
limitada (Ex: tratado do Mercosul, que só admite países da ALADI – Associação Latino-
Americana de Integração) ou de forma ilimitada (não impõe limite para adesão. Ex: 
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a mulher). 
f.2) Fechados: somente os Estados que aderiram antes da conclusão podem se vincular ao 
tratado internacional.   
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 15/93
G) Quanto a extensão dos efeitos: 
g.1.) Tratados de efeitos limitados: produzem efeitos apenas aos Estados que aderiram 
voluntariamente ao tratado. É a regra, em respeito à soberania dos Estados e à 
autodeterminação dos povos. 
g.2) Tratados de efeitos extensíveis: produzem efeitos até mesmo aos Estados que não 
aderiram voluntariamente, tendo em vista a importância das normas dispostas. Geralmente 
preveem normas relativas aos Direitos Humanos.  
H) Quanto ao número de partes: 
h.1) Tratados bilaterais: são firmados entre dois sujeitos internacionais. 
h.2) Tratados multilaterais: são firmados entrediversos sujeitos internacionais (mais que 
dois). 
CUIDADO: O que não existe é tratado internacional unilateral (sic). Isso, pois, atos 
unilaterais dos Estados configuram outra fonte de Direito Internacional. 
Tem-se como requisitos de validade dos tratados internacionais: 
Habilitação dos agentes signatários: somente Chefes de Estado/Governo e seus 
delegatários podem firmar tratados internacionais. 
Obs.: Porém, é possível que o tratado internacional seja assinado pelo 
plenipotenciário, isto é, aquele que tem plenos poderes para os atos relativos a 
conclusão de um tratado, comprovado pela carta de plenos poderes, figurando como 
um representante oficial de uma nação. 
Obs2: A assinatura por quem não representa o Estado não produz efeitos jurídicos, 
exceto se, na sequência, houver uma confirmação formal por parte do Estado da 
adesão ao tratado, conforme disposto no art. 8 da Convenção de Viena de 1969. 
Capacidade das partes contratantes: as partes que firmam o tratado devem ter 
capacidade jurídica internacional. 
Obs1: Diz-se que as organizações internacionais, que são instituições permanentes 
(criadas para durar), possuem capacidade relativa, só podendo firmar tratados sobre 
assuntos previstos em seu ato constitutivo. Além disso, têm uma capacidade 
derivada, uma vez que ela deriva da vontade dos Estados que voluntariamente 
assinaram o convênio constitutivo. 
Obs2: No Brasil, apenas a União, enquanto representante da República Federativa do 
Brasil no plano internacional, pode celebrar tratados (Estados, DF e Municípios NÃO 
podem), detendo o monopólio exclusivo do “treaty-making power [7](RE 543.943 AgR, 
rel. min. Celso de Mello, j. 30-11-2010, 2ª T, DJE de 15-2-2011). 
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 16/93
Obs3: Compete privativamente ao Presidente da República celebrar tratados, 
convenções e atos internacionais, nos termos do art. 84, VIII, CRFB/88. Já ao 
Congresso Nacional compete resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos 
internacionais que acarretem em encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio 
nacional. 
Obs4: Porém, conforme previsto no art. 52, V, CRFB/88, os Estados, os Municípios, os 
Territórios e o Distrito Federal – inclusive a Administração Indireta desses entes 
federativos -podem realizar operações externas de natureza financeira, desde que 
autorizados pelo Senado Federal. 
Objeto lícito e possível: por objeto lícito e possível, tem-se, basicamente, como 
aquele que não contraria normas de natureza “jus cogens” (art. 53, da Convenção de 
Viena de 1969). 
Obs.: Porém, conforme anteriormente citado, é possível que o tratado preveja nova 
norma “jus cogens”, e, em sendo esta superveniente, o tratado anterior contrário a 
nova norma será considerado nulo e, por conseguinte, será extinto (art. 64, da 
Convenção de Viena de 1969).
Obs2: A doutrina majoritária entende que, no caso acima citado, tem-se uma causa de 
extinção de tratado internacional, com efeitos “ex nunc”.
Consentimento regular: o consentimento das partes não pode ter sido viciado por 
erro; por dolo; por coação por parte de outro Estado ou de representante do Estado; 
ou por atos de corrupção por parte do representante do Estado (art. 48 a art. 50, da 
Convenção de Viena de 1969). 
Obs.: Conforme o art. 46 da Convenção de Viena de 1969, não pode o Estado alegar 
que seu consentimento explicitado viola norma de Direito interno sobre competência 
para concluir tratados, exceto se essa violação for manifesta (objetivamente evidente, 
conforme a prática normal e boa-fé) e contrarie norma de importância fundamental.
Com os tratados internacionais, visa-se a adquirir, a resguardar, a transferir, a modificar ou 
a extinguir direitos e obrigações na seara internacional, sendo que, após sua vigência, 
devem os sujeitos de Direito Internacional que aderirem ao diploma cumprir com o 
pactuado, sob pena de o Estado-membro ser responsabilizado internacionalmente.
Excepcionalmente, é possível que um tratado internacional seja aplicado a um Estado que 
não expressou sua vontade em aderi-lo, como é o caso das normas “jus cogens”, aplicáveis 
a toda a sociedade internacional, sendo inderrogáveis pela vontade dos Estados.  
Tem-se como fases de elaboração dos tratados internacionais:
1ª fase: Negociações. Fase de debates sobre o conteúdo e o texto do tratado 
internacional. Geralmente são realizadas em conferências, participando os Chefes de 
Estado ou os plenipotenciários. Define-se, inclusive, o idioma da versão autêntica do 
tratado.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 17/93
2ª fase: Adoção do texto. Momento final das negociações, em que se define o texto final 
para assinatura, devendo os Estados pactuantes concordarem com o projeto jurídico 
definido.
Obs.: mesmo em casos de tratados internacionais multilaterais, prioriza-se o consentimento 
de todos os Estados envolvidos na negociação. Em sendo impossível a unanimidade, define 
o art. 9.2 da Convenção de Viena de 1969 que a adoção será tomada, via de regra, pela 
maioria de 2/3 dos Estados presentes e votantes, exceto se, pela mesma quantidade de 
votos, decidirem os Estados por um novo quórum de aprovação.
3ª fase: Assinatura. Via de regra, a assinatura é uma manifestação de consentimento 
provisório dos Estados envolvidos na negociação, a ser confirmado no ordenamento 
jurídico interno. Após a assinatura, gera-se a autenticação do tratado, isso é, reconhece-se 
que não houve vícios em sua elaboração. A partir desse momento, proíbe-se a alteração 
unilateral do tratado, devendo o Estado se abster de frustrar a finalização deste, consoante 
ao princípio da boa-fé. 
Obs.: Normalmente, uma pessoa poderá proceder com os atos de negociação, de adoção, 
de assinatura e de autenticação de um tratado internacional, desde que possua um 
instrumento chamado de carta de plenos poderes – documento que, no Brasil, é firmado 
pelo Presidente da República –, o qual comprova ter a pessoa atribuição para tanto.
Obs2: Porém, consoante ao art. 7.2 da Convenção de Viena de 1969, certas pessoas não 
precisam da carta de plenos poderes para tanto, sendo elas:
Chefes de Estado/de Governo, quando assinarem atos de conclusão de tratados;
Ministros das Relações Exteriores, quando se tratar de atos de conclusão de 
tratados;
Chefes de Missões Diplomáticas, para a adoção do texto de um tratado entre o 
Estado acreditante (envia o representante diplomático) e o Estado acreditado 
(recebe a missão diplomática);
Representantes acreditados pelo Estado perante uma conferência ou uma 
organização internacional, para a tomada de trabalhos;
Obs3: No caso de assinatura “ad referendum”, isto é, quando o assinante não tem plenos 
poderes para realizar o ato, preceitua o art. 12.2, “b”, da Convenção de Viena de 1969, que 
ela deve ser confirmada pelo Estado pactuante para produzir seus efeitos jurídicos.
IMPORTANTE: Excepcionalmente, a assinatura poderá valer como consentimento 
definitivo, em casos de tratados de forma simplificada, nos termos do art. 12, da Convenção 
de Viena de 1969.
4ª fase: Autorização Interna. No Brasil, compete ao Congresso Nacional, mediante 
decreto legislativo, confirmar o interesse de o Brasil se submeter ao tratado internacional, 
autorizando que o Presidente da República ratifique o documento.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 18/93
Obs.: Via de regra, esse decreto legislativo é tomado pela maioria dos votos, presente a 
maioria absoluta de seus membros (art. 47, CRFB/88). Equivalem-se a leis ordinárias, não 
podendo, portanto, tratar de matéria reservada à lei complementar.
Obs3: O STF decidiu que, no conflito entre a Convenção de Varsóvia e Montreal, que 
versam sobre responsabilidade civil de companhias aéreas, e o CDC,prevalecem as 
normas daquela, pois são mais específicas, já que versam sobre valores a serem utilizados 
na indenização, sendo o CDC norma geral.
Obs2: Porém, dispõe o art. 5º, §3º, CRFB/88, que, em caso de tratado internacional que 
verse sobre direitos humanos, se for aprovado pelo Congresso Nacional, seguindo o rito 
legislativo das Emendas Constitucionais, serão equivalentes a estas. Se não aprovadas 
sobre esse rito, terão caráter de norma supralegal.
Obs3: Até o presente momento, apenas quatro tratados internacionais possuem status de 
emenda constitucional, a saber, Convenção de Nova Iorque para Proteção de Pessoas com 
Deficiência; Protocolo Facultativo da Convenção de Nova Iorque para Proteção de Pessoas 
com Deficiência; Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às 
pessoas cegas, com Deficiência Visual ou com Outras Dificuldades para ter Acesso ao 
Texto Impresso (Tratado de Marraqueche); e Convenção Interamericana contra o Racismo, 
a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância (Tratado de Guatemala).
5ª fase: Ratificação. No Brasil, após autorização do Congresso Nacional, compete ao 
Presidente da República, de maneira unilateral e discricionária, ratificar o tratado 
internacional, isto é, confirmar, definitivamente, que o País se submete ao tratado 
internacional. Isso se dá por meio de decreto presidencial.
Obs: O Presidente da República apenas se manifestará após a autorização do Congresso 
Nacional. Porém, ele não é obrigado a ratificar o tratado internacional, sendo um ato 
discricionário, e, conforme a doutrina majoritária, não há prazo para realizá-lo.  
Obs2: Conforme o art. 16 da Convenção de Viena de 1969, deverão os Estados realizar a 
troca dos instrumentos de ratificação do tratado internacional entre si, ou realizar o 
depósito desse instrumento perante a figura do depositário (art. 76 da Convenção de Viena 
de 1969).
Obs3: Ressalte-se ser possível que a entrada em vigor de um tratado na seara internacional 
submeta- se a uma condição estipulada no próprio texto do tratado. Ex: condicionar a 
entrada em vigor do tratado internacional ao depósito do instrumento de ratificação na 
ONU.Obs4: Não confundir com o art. 102 da Carta da ONU, que exige aos Estados-
membros que procedam com a publicação e registro do tratado internacional que firmarem 
perante a Secretária-geral. Isso serve apenas para que esses tratados possam ser invocados 
perante os órgãos das Nações Unidas. 
O Brasil se compromete provisoriamente com o tratado internacional com a assinatura 
do texto definitivo;
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 19/93
Após isso, o Congresso Nacional emite decreto legislativo autorizando – e NÃO 
obrigando – o Presidente da República a ratificar o tratado internacional;
O Brasil se obriga definitivamente na ordem internacional com a ratificação do tratado;
O Brasil se obriga definitivamente na ordem interna quando o Presidente da República 
expede o Decreto Executivo, promulgando e publicando o texto do tratado internacional 
no Diário Oficial da União.
Exemplo: A Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas 
Correlatas de Intolerância, foi assinada pelo Brasil em 05 de junho de 2013. Apenas em 18 de 
fevereiro de 2021, o Congresso Nacional aprovou o texto do tratado internacional, por meio de 
decreto legislativo, seguindo o rito das emendas constitucionais, autorizando internamente a 
incorporação do tratado. Após isso, o Presidente da República ratificou e depositou o 
instrumento de ratificação do tratado em 27 de junho de 2021, obrigando o Brasil, de maneira 
definitiva, na seara internacional. Em 1 de janeiro de 2022, foi publicado o Decreto 
Presidencial de nº 10.932/2022 no DOU, fazendo com que o tratado passasse a viger na 
ordem jurídica interna.  
Poder de reserva/salvaguarda/qualificativo de consentimento: Segundo o art. 2.1, “d”, da 
Convenção de Viena de 1986, a reserva é uma declaração unilateral de não aceitação ou de 
alteração de um ou mais dispositivos de um tratado internacional. Pode ser feita a qualquer 
momento, seja na assinatura, na ratificação, na aceitação, na aprovação ou na adesão ao 
tratado internacional.
Obs.: Não é um direito absoluto, podendo ser limitado pelo próprio tratado internacional, 
que pode prever disposições não passíveis de reserva, ou determinar a forma pela qual esta 
poderá ser feita.
Obs2: O art. 19, c, da Convenção de Viena de 1986 prevê que não ser permitida a reserva 
que seja incompatível com o objeto e com a finalidade do tratado internacional, por uma 
questão lógica.
Obs3: O Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, não admite 
NENHUMA reserva ao texto. Nesse sentido, até mesmo brasileiros natos poderiam ser 
entregues ao tribunal.
A doutrina classifica a reserva em dois tipos:
A)   Reserva exclusiva: afasta o dispositivo impugnado como um todo;
B)   Reserva interpretativa: determina como o tratado será interpretado;
Apesar de polêmico na doutrina, prevalece que o Congresso Nacional pode apresentar 
reservas ao texto de um tratado internacional, ainda que não tenha sido assinado. Porém, 
compete ao Presidente da República decidir se as mantém ou não.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 20/93
Em se tratando de tratados multilaterais, quando um Estado apresenta reservas ao texto, e 
outro Estado apresenta objeção a essa formulação de reserva, tem-se que o tratado 
internacional vigorará entre eles SEM as disposições da reserva. O tratado não deixará de 
ser aplicado!
Se o Estado não propor objeções contra a reserva, esta é tida como aceita, e o tratado 
vigorará com essas reservas. Conforme o art. 20.5 da Convenção de Viena de 1969, 
presume-se como aceita a reserva se o Estado não se manifestar sobre em até 12 meses da 
data em que foi notificado dela.   
A não ser que o tratado disponha de maneira diversa, tanto a reserva quanto a objeção 
podem ser retiradas a qualquer momento.
Sobre a vigência dos tratados internacionais (art. 24, CV/69), a regra é que, se o tratado 
não dispor de maneira diversa, entrará em vigor quando TODOS os Estados negociadores 
manifestarem seu consentimento por meio da ratificação, podendo, portanto, gerar 
responsabilização internacional se descumprido, em respeito ao princípio do “pacta sunt 
servanda”.
Porém, o tratado internacional poderá ser aplicado provisoriamente, quando assim o seu 
texto dispuser, ou quando assim os Estados-negociadores acordarem.
CUIDADO: Não se admite, no Brasil, a aplicação provisória de tratado internacional, haja 
vista que obrigatoriamente o Congresso Nacional deve se manifestar sobre ele.
Ainda sobre a vigência dos tratados internacionais, a doutrina classifica-os em:
A)    Tratado de vigência contemporânea: o tratado passa a vigorar com a manifestação 
de vontade definitiva entre os Estados pactuantes. É a REGRA.
B)    Tratado de vigência diferida: como o próprio nome já diz, o tratado prevê um prazo 
diferente para a entrada em vigência de suas disposições. Ao invés de viger a partir da 
ratificação, passa a viger em momento posterior. É exceção!
Ainda, vale ressaltar que a regra é que os tratados internacionais sejam irretroativos, exceto 
se o próprio texto dispuser ao contrário, ou se assim ficar evidenciado do seu texto.
Acerca da sucessão de tratados, tem-se que, se ambos os Estados fizerem parte do tratado 
anterior e do posterior, aplicar-se-lhes-á este, em respeito ao postulado da “lex posteriori 
derrogat lex priori”.
Porém, se somente um dos Estados fizer parte do tratado posterior, será aplicável apenas 
as disposições do tratado anterior, de que ambos façam parte.
Sobre as formas de interpretação dos tratados, a doutrina conceitua como:
A)   Interpretação Autêntica: realizada pelos próprios Estados-membros;
8. Direito InternacionalPúblico e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 21/93
B)   Interpretação não autêntica: realizada por tribunais internacionais.
Via de regra, tratados internacionais não podem produzir efeitos perante Estados sem o 
consentimento desses. Porém, excepcionalmente, podem criar situações que repercutem 
na sociedade internacional, podendo ser:
Efeitos difusos: criam-se situações jurídicas objetivas, que repercutem na sociedade 
internacional como um todo. Ex: criação de fronteiras.
Efeitos aparentes: não criam efeitos jurídicos, mas apenas efeitos práticos. Ex: “cláusula da 
nação mais favorecida” (privilégios, inclusive de natureza tributária, concedidos a produtos 
de um País também se estendem a produtos similares dos demais países membros de um 
acordo).
Efeitos convencionais de direitos e obrigações a terceiro Estado: o Estado alheio ao 
tratado só contrairá direitos e deveres se aceitá-los expressamente e por escrito, nos 
termos do art. 35 da CV/1969. Ex: um terceiro Estado, que não firmará o tratado 
internacional, aceita figurar como ente depositário dos instrumentos de ratificação.
Obs: Porém, conforme o art. 36.1 do referido diploma internacional, quando há a produção 
de direitos a Estados alheios ao tratado, o silêncio destes presumirá o consentimento, até 
prova em contrário.
Obs2: Salvo disposição contrária, a alteração dessas obrigações e desses direitos ao 
terceiro Estado só podem ocorrer com a sua anuência.
Sobre as modificações de tratados internacionais, leciona a doutrina que um tratado só 
pode ser alterado mediante a vontade dos Estados-membros, seja ela tácita ou expressa.
Modificação expressa: faz-se um novo tratado (acordo de emenda) para se promover uma 
emenda (alteração parcial) ou a revisão (alteração total) do diploma internacional. 
Obs.: No Brasil, tanto a emenda quanto a revisão devem ser aprovados pelo Congresso 
Nacional, por meio de decreto legislativo, para que o Presidente da República manifeste o 
consentimento definitivo.
Obs2: Todo Estado-parte do tratado tem iniciativa de emendá-lo, devendo notificar todos 
os Estados contratantes para participarem das tratativas.
Obs3: A CV/69 consagrou uma duplicidade de regimes jurídicos. Afinal, o tratado 
emendado não vincula a quem não consentir com essa alteração, aplicando-se a estes o 
texto originário.
Obs4: Se um novo Estado se torna parte de um tratado já emendado, a ele se aplica o 
texto emendado, respeitando-se, porém, a lógica da duplicidade de regimes em relação 
aos que não consentiram com o texto emendado.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 22/93
Modificação tática: ocorre quando há uma criação de um novo tratado ou costume 
internacional contrário ao anterior, sem menção expressa de derrogação, aplicando-se o 
brocardo “lex posterior derrogat”.
Sobre os vícios do consentimento na celebração de tratados internacionais, tem-se os 
seguintes:
A)    Ratificações imperfeitas: ocorre quando o texto do tratado internacional viola, de 
forma objetiva e expressa, uma norma fundamental do Direito Interno.
B)    Erro: o Estado tem uma falsa percepção dos fatos no momento de conclusão do 
tratado, viciando a base essencial para o seu consentimento.
Obs.: Só pode ser um erro de FATO, não se admitindo alegar erro de direito.
Obs2: Não se aplica se o erro for objetivamente perceptível pelo Estado, ou se este mesmo 
tiver dado causa a ele.
C)    Dolo: ocorre quando um dos Estados negociadores utiliza-se de meios fraudulentos 
para viciar o consentimento do outro.
D)    Corrupção de representante do Estado:   Um dos Estados negociadores corrompe, 
direta ou indiretamente, o representante de outro Estado, viciando o seu consentimento. É 
causa de ANULABILIDADE, permitindo-se convalidação.
E)    Coação de representante do Estado: É a ÚNICA causa de NULIDADE ABSOLUTA, 
não se permitindo a convalidação. Ocorre quando o representante do Estado é coagido, 
por meio de fatos de ameças, a manifestar determinada forma de consentimento.
Sobre as formas de extinção dos tratados internacionais:
A)    Predeterminação ab-rogatória/extinção em conformidade com as disposições do 
tratado: o tratado prevê uma data ou uma condição para sua extinção.  
B)    Ab-rogação superveniente: as partes que pactuaram decidem, por unanimidade, 
extinguir o tratado internacional.
C)    Execução integral: extingue-se o tratado internacional quando o seu objeto é 
integralmente executado.
D)    Impossibilidade superveniente do cumprimento: há uma impossibilidade 
superveniente e definitiva do tratado internacional, seja pela destruição ou pelo 
desaparecimento de um objeto indispensável para o seu cumprimento.
Obs.: se não for definitiva, ocorrerá apenas a suspensão do tratado.
E)   Mudança fundamental das circunstâncias/cláusula “rebus sic stantibus”: ocorre uma 
mudança no quadro internacional que modifica substancialmente o equilíbrio convencional, 
deixando o tratado de ser equitativo entre as partes.
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8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional 23/93
IMPORTANTÍSSIMO: Somente pode ser alegada quando as circunstâncias iniciais eram 
uma condição essencial do consentimento, bem como quando a alteração circunstancial 
mude, de maneira intensiva, a forma de execução das obrigações. Noutros termos, é 
alegada quando há uma mudança imprevisível a repentina das circunstâncias.
Obs.: Não pode o Estado invocar essa cláusula e rescindir o tratado unilateralmente, 
devendo todos os demais envolvidos reconhecerem essa mudança de conjectura, ou então 
haver uma decisão arbitral ou judiciária reconhecendo-a.
F)    Denúncia unilateral: ato unilateral de um Estado que manifesta o desejo de se 
desvincular de um tratado internacional.
Obs.: Somente extingue tratados bilaterais.
Obs2: Prevalece na doutrina, notadamente nas lições de Mazzuoli, que tanto o Presidente 
da República quanto o Congresso Nacional devem consentir, de maneira conjunta, para 
que haja a denunciação do tratado internacional. É o que se extrai do art. 49, I, c/c art. 84, 
VIII, CRFB/88.
Obs3: O STF, na ADC 39, entendeu ser imprescindível que a denúncia feita pelo 
Presidente da República sobre um tratado internacional seja aprovada pelo Congresso 
Nacional.
G)  Rompimento das relações consulares e diplomáticas: via de regra, não extingue 
tratados. Porém, quando a relação foi imprescindível para o cumprimento das disposições 
do tratado, esse rompimento necessariamente gerará a sua extinção.
Obs.: Em meio ao conflito entre Irã e Estados Unidos, decidiu a Corte de Haia que, ainda 
que tenha havido o rompimento de relações diplomáticas entre tais países, os diplomatas 
devem continuar gozando de proteção, pois é justamente nesse momento em que mais 
precisam dessa garantia.
CUIDADO: O princípio do “inter arma silent leges” preceitua que, via de regra, o conflito 
armado extingue os tratados entre as partes. Porém, certos tratados permanecem, a 
exemplo da Convenção de Haia.
H)    Norma “jus cogens” superveniente: como visto anteriormente, as normas de direito 
“jus cogens” são disposições imperativas e inderrogáveis, sendo normas de maior hierarquia 
no ordenamento jurídico internacional. Nesse sentido, em havendo uma norma “jus cogens” 
superveniente e contrária às disposições de um tratado internacional, tem-se que este será 
extinto, gerando efeitos prospectivos.
Obs.: Conforme o art. 71 da CV/1969, em havendo norma imperativa superveniente, os 
Estados são obrigados a eliminar, na medida do possível, as consequências de qualquer ato 
praticado com base em disposição convencional que contrarie aquela.
I)     Caducidade: as normas convencionais são substituídas por costumes internacionais.
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional
8. Direito Internacional Público e Cooperação Internacional

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