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PRODUÇÃO GRÁFICA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Fabiano de Miranda 
 
 
 2 
CONVERSA INICIAL 
Neste conteúdo, vamos explorar a fina arte da materialização de ideias 
em peças gráficas impressas. A produção gráfica é a área que nos guia por esse 
caminho, desde o planejamento inicial até a finalização do produto. Não se deixe 
enganar por quem diz que os impressos estão acabando e logo serão 
substituídos definitivamente pelos meios digitais. 
É só olharmos em volta para perceber que os impressos, das mais 
diversas formas, ainda estão longe de deixar de existir. Por isso, é importante 
estar preparado(a) para atuar nesse mercado tão rico e variado. 
Ao longo desta disciplina, abordaremos desde o planejamento gráfico, a 
seleção de materiais e processos de impressão (artesanais e industriais), 
passando pelo uso de softwares e maquinários específicos, até as etapas de 
acabamento, finalização, armazenamento e distribuição. 
Além disso, a gestão da produção, o atendimento ao cliente e o controle 
de qualidade também farão parte dos nossos estudos. Tudo isso sob a ótica do 
designer, isto é, pensando na aplicação prática do design gráfico de materiais 
impressos no dia a dia. 
Prepare-se para uma imersão no universo da produção gráfica, onde 
teoria e prática se encontram para transformar ideias em realidade! 
CONTEXTUALIZANDO 
Olhe ao seu redor. Com quase toda a certeza há algum material impresso 
ao alcance dos seus olhos. Se não há, é certo que muito próximo a você (talvez 
no cômodo ao lado ou mesmo nas roupas que você está vestindo) é possível 
encontrar ao menos um impresso de algum tipo. A lista de possibilidades é 
imensa e praticamente inesgotável: livros, revistas, folhetos, embalagens, 
rótulos, adesivos, etiquetas, lacres, cartões, fotografias, tecidos, peças de roupa, 
acessórios (bonés, relógios, pulseiras, bolsas, mochilas etc.), louças (copos, 
canecas, pratos com figuras ou detalhes etc.), utensílios de cozinha, brinquedos, 
eletrodomésticos, e muitos, muitos outros. Todos esses objetos têm em comum 
o fato de que é bem possível que em pelo menos algum detalhe – quando não 
no material como um todo – tenha sido pensado, executado e finalizado um (ou 
mais) processo(s) de impressão. 
 
 
 3 
TEMA 1 – O QUE É PRODUÇÃO GRÁFICA 
Existe todo um caminho a percorrer desde o planejamento até a 
materialização de um impresso, independentemente do formato ou propósito. 
Eventualmente, esse caminho é repleto de curvas e obstáculos. É aí que entra 
a produção gráfica, para nos conduzir por esse “caminho das pedras”. Em linhas 
gerais, a produção gráfica pode ser entendida como “a tarefa de organização e 
supervisão da realização de peças gráficas” (ABC da ADG, 2012, p. 161) ou, dito 
com outras palavras, como “[...] o conjunto de ações, técnicas e processos 
envolvidos em materializar uma peça impressa” (Arbolave, 2024, p. 13). 
Ao mergulhar no universo da produção gráfica, conseguimos observar um 
vasto conjunto de conhecimentos que podem ser incluídos com facilidade em 
nossos estudos. Desde aspectos tecnológicos, como o uso de softwares e 
maquinários específicos; passando por inúmeros materiais e processos de 
produção, sejam eles artesanais ou industriais; pelas etapas de acabamento e 
finalização dos impressos; e até mesmo por aspectos de armazenamento e 
distribuição do material produzido pela gráfica. Isso sem considerar, ainda, os 
processos de gestão da produção gráfica, o atendimento ao cliente, o controle 
de qualidade, e por aí vai. 
De fato, no “mundo real”, a materialização de peças impressas envolve 
um conjunto de profissionais, especializados em uma ou algumas etapas desse 
processo. Existem até mesmo cursos específicos, de longa duração, para formar 
trabalhadores que atuam no dia a dia das gráficas, acompanhando as várias 
etapas da produção e garantindo assim a qualidade do produto final. Esse 
profissional é o que chamamos de produtor gráfico. Capelasso, Nicodemo e 
Menezes (2018, p. 196) explicam que o produtor gráfico é a figura do “gestor da 
produção de materiais impressos, sendo o elo entre a gráfica e o seu cliente, em 
geral departamentos de marketing e agências de publicidade”. 
Cabe um esclarecimento: esta disciplina não pretende formar 
produtores gráficos. Portanto, não achamos necessário o aprofundamento 
exaustivo em aspectos demasiadamente técnicos ou minúcias da produção 
gráfica. Em primeiro lugar, o material que você está lendo deve servir como uma 
introdução ao conhecimento que consideramos imprescindível a todo designer 
que deseja produzir impressos profissionalmente. Tem como objetivo facilitar o 
 
 
 4 
trabalho conjunto entre designer e produtor gráfico, além da relação com outros 
profissionais da cadeia produtiva. 
Isso não significa que aqui não serão tratados assuntos fundamentais à 
produção gráfica e que não haverá aprofundamento nos conteúdos da disciplina. 
Significa, por outro lado, que o enfoque que daremos será outro, diferente 
daquele dispensado em cursos para produtores gráficos. Esse é um material 
destinado a designers em formação (você) e produzido por designers 
profissionais com conhecimento sobre o ofício da impressão. Assim, separamos 
assuntos que julgamos pertinentes de serem tratados em uma disciplina nesse 
contexto e com esse objetivo. 
Compreender os principais conceitos da produção gráfica, como 
designers, pode auxiliar na tomada das melhores decisões de projeto, bem como 
seguir pelos melhores caminhos. Obviamente, isso não é uma garantia de que 
erros não acontecerão. Erros são quase inevitáveis. Porém, podemos tentar 
contorná-los ou minimizá-los com o conhecimento apropriado. De acordo com 
Cecilia Arbolave (2024, p. 16-17), “a lista de erros na produção é grande – e 
muitas vezes há erros que nem a gráfica previu. Não existe uma cartilha para 
resolver cada situação, mas, ao entender de produção gráfica, temos 
ferramentas para encontrar alternativas”. Quando chegar o momento, você verá 
como esse conhecimento pode ser valioso! 
Para finalizar, devemos lembrar que tudo o que você verá nesta disciplina 
não surgiu do dia para a noite. Algumas técnicas e processos foram 
desenvolvidos ao longo de anos, enquanto outros remontam a tradições que 
duram séculos. Saber reconhecer marcos relevantes da evolução histórica da 
produção gráfica é o primeiro passo para ter pleno domínio sobre os materiais, 
processos e tecnologias atuais. É isso que veremos a seguir. 
TEMA 2 – ANTECEDENTES HISTÓRICOS 
Há milhares de anos, os seres humanos produzem imagens. Os registros 
mais antigos que chegaram até nós, demarcados em paredes de cavernas, 
retratam motivos variados, como formas geométricas, animais, cenas de caça 
ou partes do corpo humano. Embora as intenções ao criar tais imagens 
permaneçam um mistério, essas pinturas e gravações são um marco importante 
da nossa história gráfica. Muito antes do surgimento das grandes civilizações, 
 
 
 5 
nossos antepassados pré-históricos já criavam representações gráficas para 
transmitir mensagens ou significados. 
2.1 O desenvolvimento da escrita 
Com o desenrolar da Revolução Agrícola (por volta de 11.000 AEC a 
8.000 AEC) e o assentamento dos primeiros agrupamentos humanos em grande 
escala (cerca de 4.000 AEC), floresceram organizações sociais mais complexas. 
Assim, surgiu também a necessidade de registrar informações de forma mais 
precisa (Escobar, 2023). Nesse contexto, foi desenvolvida a escrita. Esse 
acontecimento está intimamente ligado à produção de imagens, como relatam 
Meggs e Purvis (2009, p. 19): 
O desenvolvimento da escrita e da linguagem visual teve suas origens 
mais remotas em simples figuras, pois existe uma ligação estreita entre 
o desenho delas e o traçado da escrita. Ambos são formas naturais de 
comunicar ideias e os primeiros seres humanos utilizavam as figuras 
como um modo elementar de registrar e transmitirinformações. 
Acredita-se que um dos primeiros sistemas de escrita tenha sido a 
cuneiforme (figura a seguir), desenvolvida por volta de 3.500 AEC, pelos antigos 
sumérios na Mesopotâmia. Consistia em riscos em forma de cunha – daí o nome 
“cuneiforme” –, desenhados em tabuletas de argila (material abundante naquela 
região) com uma vareta de junco afiada. Em geral, as inscrições faziam registros 
contábeis de animais e da produção agrícola. 
Figura 1 – Tabuleta de argila com escrita cuneiforme 
 
Crédito: Dima Moroz/Shutterstock. 
 
 
 6 
Da Mesopotâmia, a história da escrita seguiu por caminhos diversos. 
Povos distintos, em momentos e regiões distantes entre si, desenvolveram suas 
próprias formas de escrita. Dos hieróglifos egípcios no vale do Rio Nilo, às 
pictografias da ilha de Creta; do aramaico antigo, passando pelo hebraico e as 
grafias arábicas; chegando aos alfabetos grego e latino, precursores diretos do 
alfabeto ocidental atual. Isso sem mencionar as escritas coreana e chinesa; ou 
a pré-colombiana nas Américas e a africana na região da Etiópia e Eritreia. 
Já os suportes usados podiam ser tão diversos quanto os sistemas de 
escrita. Como principais exemplos, temos: a pedra, a madeira e a cerâmica; o 
papiro egípcio, feito de um substrato vegetal semelhante a um papel primitivo; e 
o pergaminho, feito do couro de animais tratado para receber a tinta dos 
manuscritos. Por sua vez, a invenção do papel foi uma das grandes contribuições 
asiáticas para a história gráfica, como veremos a seguir. 
2.2 A contribuição asiática 
Para seguir adiante com os antecedentes da produção gráfica, 
precisamos nos debruçar sobre as inovações trazidas pelos asiáticos, em 
especial os chineses. Isso porque é inquestionável a importância dessas 
contribuições sobre a forma como concebemos os processos gráficos 
atualmente. Entre as várias invenções, aqui destacamos três: o papel, a 
impressão e os tipos móveis. 
Comecemos pelo papel. Registros oficiais atribuem a invenção do papel 
ao alto funcionário do governo chinês Ts’ai Lun, no ano 105 EC. A sua fabricação 
consistia na fervura de fibras naturais – geralmente bambu – em um grande 
recipiente d’água. A polpa resultante era filtrada por uma espécie de peneira e, 
então, as folhas eram prensadas e postas para secar. Esse processo 
permaneceu praticamente inalterado até o século XIX, quando houve a 
mecanização da fabricação (Meggs; Purvis, 2009). 
Também são chineses os registros mais antigos do que pode ser 
chamado de impressão. Isso se deve, possivelmente, a uma cultura 
disseminada do uso de pequenos carimbos de madeira entalhada para 
identificação. Usando o princípio do carimbo, o Sutra do Diamante (868 EC) foi 
produzido a partir de blocos de madeira entintados e pressionados sobre o papel, 
sendo o impresso mais antigo que temos conhecimento (figura a seguir). 
 
 
 7 
Figura 2 – Sutra do Diamante (868 EC) 
 
Crédito: Biblioteca Britânica/PD-CC. 
Os chineses também desenvolveram os primeiros tipos móveis. Por 
volta do ano 1045, o alquimista Bì Sheng (990-1051) criou um sistema no qual 
cada caractere era uma peça única, em alto-relevo, como um carimbo feito de 
argila e cola. Colocadas lado a lado, em sequência, essas peças possibilitavam 
a impressão de qualquer texto. Entretanto, o invento nunca chegou a se 
popularizar no oriente, devido à grande quantidade de caracteres existentes (por 
volta de 44 mil), o que tornava o seu uso muito pouco prático. 
2.3 Manuscritos medievais 
O Império Romano colapsou por volta do século V e, com isso, vieram 
drásticas mudanças sociais na Europa ocidental que seguiriam pelos séculos 
seguintes. Era o início da Idade Média, que duraria até meados do século XV. 
Nesse período, a igreja cristã romana consolidou sua influência e viu surgir em 
seus mosteiros verdadeiros centros culturais e intelectuais. Textos gregos e 
romanos, remanescentes da Antiguidade Clássica, foram preservados nas 
bibliotecas monásticas. Segundo Meggs e Purvis (2009, p. 66), “o conhecimento 
e o ensino do mundo clássico se perderam quase por completo, mas a crença 
cristã nos escritos religiosos sagrados tornou-se o ímpeto dominante para a 
preservação e a confecção de livros”. 
Os livros eram produzidos manualmente pelos chamados monges 
copistas, em um processo lento, minucioso e custoso. Para se ter ideia, na 
 
 
 8 
confecção do pergaminho usado em um único livro volumoso, podia ser 
necessário o abate de 300 ovelhas para o uso do couro. Outro aspecto que 
chamava atenção nos “manuscritos iluminados” ou “iluminuras” era a sua 
ornamentação. Esses textos eram assim chamados devido ao uso de folhas de 
ouro e prata em sua decoração, o que fazia refletir a luz ambiente e dava a 
sensação de emitir luz própria (figura a seguir). 
Figura 3 – Manuscrito iluminado medieval (c.1430-35) 
 
Crédito: PD-CC. 
Devido à grande complexidade do trabalho manual, não é de se estranhar 
existirem registros de livros que consumiram até 7 anos de trabalho árduo para 
serem finalizados. A produção de livros e outros textos permaneceu 
praticamente a mesma por quase um milênio, até as primeiras iniciativas para a 
mecanização desse processo no século XV. 
TEMA 3 – PRIMEIRAS IMPRESSÕES 
A Europa assistiu ao surgimento e à expansão das primeiras 
universidades do Ocidente nos séculos XII e XIII. A cultura universitária que se 
estabelecia, aliada à ascensão de uma nova classe média letrada, fazia com que 
a demanda por livros fosse crescente. Nesse contexto, logo se percebeu a 
necessidade de textos padronizados, mais adequados para o estudo e debate. 
Os manuscritos medievais, copiados a mão, apresentavam variações ou mesmo 
distorções entre um volume e outro, o que poderia inviabilizar a sua discussão. 
 
 
 9 
Duas inovações asiáticas, vistas no tópico 2.2, foram decisivas para suprir 
essa demanda. A primeira delas foi a chegada do papel à Europa, em meados 
do século XII, trazido do oriente pelos mouros durante o período em que 
ocuparam a península ibérica. “O fabrico de papel havia concluído sua longa e 
lenta jornada da China à Europa e, assim, um abundante suporte se achava 
disponível” (Meggs; Purvis, 2009, p. 91). A segunda foi a impressão com blocos 
de madeira, chamada de xilografia. De acordo com Meggs e Purvis (2009), a 
forma como a xilografia chegou à Europa permanece um mistério. Segundo os 
autores, “provas circunstanciais sugerem que, como o papel, a impressão em 
relevo a partir de moldes de madeira também se difundiu para o Ocidente a partir 
da China” (Meggs; Purvis, 2009, p. 91). 
A conjunção desses fatores, isto é, a demanda crescente por livros, o uso 
disseminado do papel e a impressão em xilografia, constituiu o cenário perfeito 
para a mecanização dos processos vigentes até então. Há vários registros de 
empreendimentos nesse sentido pela Europa, porém a empreitada mais 
conhecida foi a do ourives Johann Gutenberg (c. 1400-1468), na cidade de 
Mainz, Alemanha, em meados de 1450. É bem provável que ele tenha sido o 
primeiro a articular com sucesso o complexo conjunto de técnicas e processos 
já existentes para materializar peças impressas no Ocidente. 
Figura 4 – Johann Gutenberg (mais à direita) em sua oficina gráfica 
 
Crédito: Everett Collection/Shutterstock. 
 
 
 10 
A fabricação e o uso de tipos móveis feitos de metal, com a adaptação de 
prensas usadas na produção de queijos e vinhos, deram luz às primeiras 
impressões mecânicas. Entre elas, a famosa Bíblia de 42 linhas, produzida entre 
1450 e 1455 e considerada o primeiro livro tipográfico impresso. A inovação se 
espalhou rapidamente pela Europa, que viu a explosão da produção tipográfica 
nos anos seguintes. 
Pela rapidez e economia proporcionadas, além da notável semelhança 
entre os volumes produzidos, no início, houve grande desconfiança sobre as 
peças impressas. Envolvia, inclusive, a suspeita de magia e bruxaria. Issoé 
atestado pela gravura feita por Mathias Huss em Lyon, França, por volta de 1499 
(figura a seguir). “A grande dança macabra dos homens e das mulheres” mostra 
o que talvez seja a primeira imagem de uma oficina gráfica. Nela, é possível ver 
criaturas que se assemelham a mortos-vivos (ou demônios) conduzindo o 
processo de impressão. 
Figura 5 – La grant danse macabre des hommes et des femmes impressa por 
athias Huss (1499) 
 
Crédito: PD-CC. 
O fato é que a impressão mecânica superou a desconfiança inicial e 
mudou para sempre a história da comunicação no Ocidente. O processo 
desenvolvido por Gutenberg se consolidou e permaneceu praticamente 
inalterado durante os três séculos seguintes, com influências na indústria gráfica 
que podem ser percebidas ainda hoje. 
 
 
 11 
TEMA 4 – EVOLUÇÃO DOS MATERIAIS, PROCESSOS E TECNOLOGIAS 
Ainda no século XV começaram os primeiros refinamentos no design de 
letras, motivados por aprimorar o invento de Gutenberg. Muitos dos autores 
dessas inovações, que seguiram pelos séculos seguintes, dão nome a fontes 
tipográficas famosas: Garamond, Caslon, Bodoni, Baskerville, entre outros. 
Apesar disso, por três séculos muito pouco mudou em relação aos 
processos de composição e de impressão. A composição tipográfica era toda 
manual, feita letra a letra com tipos móveis de metal (figura a seguir). Esse 
conjunto era então preso e ajustado para receber a tinta. Após isso, pressionava-
se o papel contra o bloco de letras já entintadas, usando uma prensa mecânica. 
Para finalizar, as folhas impressas eram postas para secar. 
Figura 6 – Composição tipográfica manual 
 
Crédito: Worradirek/Shutterstock. 
Esse processo quase artesanal durou até a Revolução Industrial dos 
séculos XVIII e XIX. A invenção do motor a vapor por James Watt (1736-1819) 
por volta de 1770 impulsionou drásticas mudanças na fabricação de insumos, 
como tintas e papéis, além dos processos de composição e impressão em si. 
Nesse período, houve uma intensa sequência de inovações que 
impactaram profundamente as artes gráficas. Entre elas, podemos citar o 
desenvolvimento da litografia e o seu posterior aprimoramento para a 
cromolitografia, o que possibilitou impressos mais ilustrados e coloridos. Ou o 
desenvolvimento de máquinas de impressão a vapor, que logo de início 
praticamente duplicaram a velocidade da produção de peças gráficas; assim 
 
 
 12 
como a produção mecanizada de papel, que viabilizou em grande quantidade 
um insumo crucial para a indústria gráfica em expansão. 
Um invento que merece destaque é a máquina Linotipo (figura a seguir). 
Patenteada em 1886 pelo alemão Ottmar Mergenthaler (1854-1899), consistia 
em uma imensa e pesada máquina operada por um teclado. Ao digitar o texto, a 
máquina fundia em chumbo derretido as linhas digitadas pelo operador, 
formando “linhas de tipos” em alto relevo. As linhas eram empilhadas 
automaticamente e formavam a matriz para impressão tipográfica. Essa 
inovação tornou o processo de composição muito mais rápido e barato. 
Figura 7 – Máquina de Linotipo 
 
Crédito: Moreno Soppelsa/Shutterstock. 
Outras “revoluções” foram observadas entre o final do século XIX e o 
desenrolar do século XX. A invenção da fotografia em meados dos anos 1800, 
por exemplo, foi amplamente ressignificada durante boa parte do século XX com 
a fotocomposição. Esta consistia na exposição luminosa de caracteres e 
demais imagens em papel fotográfico, formando as composições desejadas. 
Isso possibilitou a sobreposição de textos e imagens com maior facilidade, 
gerando layouts mais fluídos e criativos. 
 
 
 13 
O uso do filme fotográfico para composição só perdeu o seu reinado nas 
décadas de 1980 e 1990, quando se iniciou a editoração eletrônica com a 
introdução dos primeiros computadores pessoais no ambiente de trabalho (figura 
a seguir). Hoje, mais de 40 anos depois, é impossível pensar na produção de 
peças gráficas em escala industrial sem o uso dos nossos computadores atuais. 
Figura 8 – Antigo computador pessoal no trabalho 
 
Crédito: Gorodenkoff/Shutterstock. 
Todas as inovações citadas fizeram com que os custos e o tempo de 
produção dos impressos caíssem drasticamente, o que os tornou cada vez mais 
populares. O breve recorte histórico que fizemos até aqui trouxe um pouco dessa 
evolução, crucial para entender o atual estado da arte da produção gráfica. 
TEMA 5 – FLUXO DE TRABALHO: PRÉ-IMPRESSÃO, IMPRESSÃO E PÓS-
IMPRESSÃO 
As ações e os processos da produção gráfica atual podem ser distribuídos 
em um fluxo de trabalho composto por três grandes etapas: pré-impressão, 
impressão e pós-impressão (figura a seguir). Isso é atestado tanto por nossa 
própria experiência com a indústria gráfica, quanto por alguns dos principais 
livros e manuais sobre o assunto, consultados para elaborar esta disciplina. Em 
sua maioria, tais materiais dividem os assuntos tratados de acordo com essas 
três grandes etapas. É exatamente isso que faremos nas próximas etapas. 
 
 
 
 14 
Figura 9 – Fluxo de trabalho da produção gráfica 
 
Créditos: Fabiano de Miranda. 
Ao analisar o fluxo apresentado na figura anterior, os processos da 
produção gráfica podem parecer simples. Não se engane. Cada uma dessas 
grandes etapas apresenta subetapas e envolve conhecimentos complexos que 
podem passar batidos até mesmo para o mais experiente dos produtores 
gráficos. Por isso, a seguir, apresentaremos brevemente cada uma das etapas. 
Não se preocupe caso surjam dúvidas neste momento: nas próximas etapas nos 
aprofundaremos nesses tópicos de forma mais abrangente e detalhada. 
5.1 Pré-impressão 
Como o próprio nome indica, esta etapa compreende todas as ações e 
processos que ocorrem antes da impressão propriamente dita. Segundo 
Capelasso, Nicodemo e Menezes (2018, p. 11): 
A pré-impressão não se limita apenas à criação do arquivo digital para 
ser preparado e enviado à gráfica. O conceito pode ser ampliado ainda 
mais para o início do processo, com a elaboração do projeto gráfico 
por designers e equipes de criação, passando pelo trabalho com os 
tipos de arquivos necessários ao desenvolvimento das peças gráficas 
e a sua finalização com fotolitos, matrizes de impressão e provas de 
cor na gráfica. 
Na pré-impressão, o foco está no desenvolvimento e no fechamento de 
arquivos, confecção de matrizes de impressão e controle de qualidade inicial. 
Entre os conhecimentos e habilidades desejáveis para esta etapa, estão: 
● Detalhar os requisitos técnicos para arquivos digitais adequados à 
impressão. 
 
 
 15 
● Reconhecer resoluções, formatos e características ideais para imagens 
em impressão. 
● Aplicar os conhecimentos para adequar os arquivos aos processos de 
impressão. 
● Empregar o tipo correto de matriz ao processo de impressão desejado. 
● Avaliar criticamente as provas de impressão e corrigir problemas antes da 
produção final. 
Como sempre, as possibilidades não se esgotam nos itens listados 
anteriormente. Esses são apenas alguns tópicos de interesse, levantados como 
uma porta de entrada para o assunto, com o intuito de nos aprofundarmos um 
pouco mais na primeira etapa da produção gráfica. 
5.2 Impressão 
A impressão é a alma da produção gráfica. É a etapa na qual o projeto 
gráfico ganha vida e é materializado em produtos impressos. Mas como 
podemos definir a impressão? De acordo com Villas-Boas (2010, p. 15, grifos do 
autor), “[...] trata-se de um processo de transferência de pigmentos de uma 
matriz para um suporte visando a obtenção de cópias”. 
Como vimos anteriormente, a impressão atual é fruto de inovações e 
aprimoramentos de vários séculos. Desde a impressão com blocos de madeira 
(xilografia) desenvolvida pelos chineses, passando pela prensa com tipos 
móveis de Gutenberg, pelas impressoras movidas a vapor do século XIX, até 
chegarmos às modernas impressoras industriais do nosso tempo. Essa história 
e tradição de séculos tevecomo consequência o desenvolvimento de vários 
sistemas de impressão usados hoje em dia, cada um com suas próprias 
características e aplicações práticas. 
Villas-Boas (2010) separa os processos de impressão de acordo com a 
forma e tipo de funcionamento da matriz utilizada. Assim, temos cinco grandes 
sistemas de impressão atualmente: relevográfico (matriz em alto relevo); 
encavográfico (matriz em baixo relevo); permeográfico (matriz permeável); 
planográfico (matriz plana); e impressão digital (matriz virtual). Além desses, há 
processos híbridos, que mesclam características de dois ou mais sistemas de 
impressão. 
 
 
 
 16 
5.3 Pós-impressão 
A pós-impressão envolve todas as ações que ocorrem logo após a 
impressão do projeto gráfico. De modo geral, abrange os acabamentos do 
impresso, controle de qualidade, embalagem e logística. Embora seja a última 
etapa da produção gráfica, deve ser planejada logo no início, para evitar 
contratempos e prejuízos indesejáveis ao final do processo. 
Existem acabamentos que podem ser feitos diretamente na saída das 
máquinas de impressão. É o caso de alguns tipos de cortes e dobras para 
finalização de impressos. Esses são os acabamentos disponíveis mais comuns, 
encontrados em quase toda gráfica. Por outro lado, há acabamentos que 
demandam conhecimento e maquinário especializados, às vezes com 
necessidade de terceirização do serviço para outras empresas. Aqui temos como 
exemplos acabamentos estéticos e funcionais, como vernizes, laminações e 
texturizações, além dos diversos tipos de encadernação. 
A pós-impressão também é a última oportunidade para o designer avaliar 
parâmetros técnicos, com o objetivo de garantir a excelência do produto final. 
Somente assim o resultado de todo o trabalho estará pronto para que possa ser 
embalado e transportado até o seu destino. 
TROCANDO IDEIAS 
Identifique e fotografe três objetos que pareçam ter sido impressos, mas 
que você não saiba exatamente como foram produzidos. Compartilhe com os 
colegas no fórum da disciplina e, em conjunto, tentem elaborar hipóteses sobre 
como essas impressões podem ter sido feitas. As hipóteses não necessitam ser 
precisas neste momento, pois o objetivo da atividade é estimular a reflexão inicial 
sobre a produção gráfica. 
NA PRÁTICA 
Para a atividade prática, propomos a elaboração de um miniglossário, ou 
seja, uma espécie de minidicionário de termos gráficos. O objetivo é fazer com 
que você se familiarize de forma visual e interativa com a linguagem técnica 
adotada comumente na produção gráfica. Siga as instruções a seguir para fazer 
o exercício: 
 
 
 17 
1. Escolha cinco termos vistos neste capítulo (ex.: xilografia, litografia, 
matriz, fotocomposição etc.). 
2. Para cada termo escolhido, busque uma definição clara, objetiva e 
sucinta, além de uma imagem que o represente. 
3. Organize o seu material em um “minidicionário” digital no formato de uma 
apresentação de slides. 
4. Compartilhe o resultado com os colegas no fórum da disciplina. 
Como resultado da atividade, espera-se clareza das definições, qualidade 
das imagens e boa organização do glossário. Caso queira, você pode seguir 
alimentando o seu “minidicionário” até o final do conteúdo, à medida que novos 
termos técnicos forem surgindo. 
FINALIZANDO 
Apresentamos os principais conceitos da área e explicamos o papel da 
produção gráfica no design. Indo além, para compreender melhor o atual estado 
da arte da produção gráfica, fizemos uma breve contextualização histórica da 
área. Em um primeiro momento, identificamos os antecedentes mais relevantes 
para a produção gráfica. Na sequência, descrevemos os métodos de impressão 
mecânica pioneiros e sua influência cultural no Ocidente. Por fim, tratamos de 
avanços tecnológicos e transformações mais recentes, culminando nas três 
principais etapas do fluxo de trabalho da produção gráfica atual: pré-impressão, 
impressão e pós-impressão. Esperamos que o seu primeiro contato com a 
produção gráfica tenha sido proveitoso e que tenha despertado o seu interesse 
pelo que está por vir nas próximas etapas. 
 
 
 
 18 
REFERÊNCIAS 
ARBOLAVE, C. O livro de fazer livros: produção gráfica para edições 
independentes. São Paulo: Lote 42, 2024. 
CAPELASSO, E. L.; NICODEMO, S.; MENEZES, V. D. R. Produção Gráfica: 
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	CONVERSA INICIAL
	CONTEXTUALIZANDO
	TROCANDO IDEIAS
	NA PRÁTICA
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS