Prévia do material em texto
O Currículo e as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação - TDICs Olá, estudante! Nesta videoaula, abordaremos a inserção das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no currículo escolar, destacando a importância de seu uso com coerência pedagógica e de forma ética e responsável. Discutiremos como a escola pode se tornar não apenas um espaço consumidor de conhecimento, mas também um ambiente gerador de saberes, ao integrar as TDIC de maneira criativa e inovadora. Além disso, exploraremos o conceito de multiletramento, ampliando as aprendizagens por meio dessas tecnologias e transformando as relações dentro da escola, promovendo novas formas de ensinar e aprender que façam sentido para os alunos em um mundo cada vez mais digital. Vamos lá? Faça o download do arquivo Ponto de Partida Olá, estudante! Muitas vezes, quando pensamos em currículo, a primeira ideia que nos chega é a de uma lista de componentes curriculares e seus respectivos conteúdos, que precisam ser contemplados em um ano letivo, para cada uma das séries ou anos indicados. Mas, como você já deve ter percebido, a definição de currículo é muito mais complexa nos dias de hoje. Além dos objetivos educacionais a serem atingidos, que se expressam como direitos de desenvolvimento e de aprendizagem, o currículo pode apresentar diferenciais. Nesta unidade, investigaremos alguns desses diferenciais, ou seja, estudaremos as tecnologias digitais da informação e da comunicação, os aspectos de diversidade e as inovações que permeiam a educação escolar dos educandos brasileiros. Este estudo é fundamental para os profissionais da educação e que se formam como professores. Os diferenciais apresentados correspondem aos aspectos contemporâneos que fazem parte de discussões internacionais e já foram inseridos em currículos de diversos países. A Aula 1 vai tratar das Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC) e as vantagens de incluir estas ferramentas no processo de ensino-aprendizagem, construindo o conceito de multiletramento e o desenvolvimento de competências associadas ao emprego ético, responsável, autônomo e proativo das diversas tecnologias modernas. A Aula 2 enfoca a diversidade e os processos inclusivos. Nestes processos, abordaremos as questões identitárias que perpassam a sexualidade, a nacionalidade, as etnias, a religiosidade, as diferenças geracionais e de classe, bem com as deficiências e os transtornos de aprendizagem. Por fim, a terceira seção, trará um olhar específico para as propostas de protagonismo, da colaboração e participação, para a análise crítica da sociedade e do momento histórico atual, tanto no âmbito regional quanto global. As metodologias ativas também fazem parte do estudo desta seção. O estudo sobre currículo é, atualmente, amplo e engloba temáticas contemporâneas, complexas e que exigem tomada de posição e melhoria das práticas pedagógicas. Os professores precisam se apropriar destas temáticas, uma vez que eles, em seu papel essencial, executam o currículo e têm a capacidade e competência para transformá-lo de forma a atender as necessidades e os interesses dos educandos. Você já imaginou como faria para escrever um texto em uma máquina de escrever? Conhece o processo de inserir e alinhar o papel no tracionador? Saberia pular linha? E se escrevesse uma palavra errada, como faria para corrigi-la? Já pensou se acabar a tinta da fita? Como se instala uma fita nova na máquina de escrever? A máquina de escrever foi criada em 1713 e aprimorada em 1808, sendo uma tecnologia revolucionária na época, mas é ultrapassada se considerarmos, por exemplo, um simples editor de texto como o Bloco de Notas. E, por falar em editor de texto, você saberia dizer quais as potencialidades deste programa para a aprendizagem? Esta seção vai explorar as Tecnologias Digitais da Comunicação e da Informação (TDIC) e suas potencialidades para a área de educação e para a aprendizagem dos educandos. O uso das TDIC como promotoras e facilitadoras da aprendizagem depende muito das premissas que organizam o currículo. Assim, um currículo com características mais tradicionalistas provavelmente empregará as TDIC como suporte às aulas, ao passo que um currículo crítico empregará as TDIC em processos investigativos, para síntese de dados, para construção do conhecimento e para resolução das situações e dos problemas do cotidiano. O uso competente, autônomo, responsável, crítico e protagonista das TDIC corresponde aos processos de multiletramento que precisam ser desenvolvidos na escola. E agora talvez você esteja se perguntando: o que é multiletramento? Imagine a seguinte situação: há anos, um professor pedia um trabalho de pesquisa que deveria ser feito a partir da consulta em livros e enciclopédias. A pesquisa compreende fazer a leitura do assunto solicitado, compreender, refletir, reescrever incluindo a reflexão e a aprendizagem realizada. Esse trabalho era escrito manualmente em folha de papel almaço. Para fazer isso, os educandos precisariam ser letrados, ou seja, precisariam compreender claramente os processos de leitura e de escrita e realizá-los com o propósito de preparar o estudo solicitado pelo professor. Mas, atualmente, essa proposta pode ser realizado a partir da leitura de artigos e textos hipertextuais na internet (textos hipertextuais são aqueles que possuem links que levam a outras páginas da internet), a produção do trabalho pode ser escrita no editor de texto, no editor de apresentação eletrônica, pode-se produzir um site, um blog, pode ser uma gravação em vídeo, ou seja, hoje, existem diversas possibilidades de elaborar um trabalho de pesquisa que denote a aprendizagem do aluno. Porém, para usar todas essas ferramentas, programas, sites, tecnologia, o educando precisa conhecê- los, saber qual o melhor tipo de tecnologia para apresentar os resultados da pesquisa que está realizando, ou seja, precisa ser letrado em todas essas possibilidades para que possa fazer a melhor escolha. Isso é o multiletramento digital: a capacidade de ler e escrever textos em diversos tipos de linguagem. O ano de 2020 foi um ano marcado por uma pandemia por um vírus chamado SARS-COV2, causador da COVID-19, que ocasionou a morte de mais de dois milhões de pessoas pelo mundo. O vírus, facilmente transmissível e que traz consequências graves para quem sofre a contaminação, obrigou que os países do mundo criassem mecanismos para contenção do vírus, entre eles: lockdown, uso de máscaras e equipamentos de proteção, criação de protocolos de higiene e notificações e multas para aqueles não cumprem as novas regras. A educação também precisou se adaptar. As escolas não puderam mais atender alunos no modelo presencial e continuaram funcionando apoiadas pelos recursos da tecnologia, incluindo os processos de alfabetização e os princípios de inclusão escolar e respeito às diversidades. Priscila é professora da primeira série do ensino fundamental, e em 2020 foi a primeira vez que lecionou. O ensino remoto foi implementado (as aulas passaram a ser ministradas em ambiente virtual de aprendizagem) nos primeiros meses de 2020 e os alunos da professora Priscila tiveram aula virtuais e seguiram com o processo de alfabetização. Agora, algumas as escolas já foram abertas sob protocolos sanitários rigorosos e com rodízio presencial de alunos, porém muitas práticas pedagógicas do período da pandemia foram incorporadas no processo educacional escolar. Priscila precisa reorganizar o processo educativo, incluindo: O uso das TDIC, favorecendo a transformação das relações no interior da escola e trazer formas inovadoras de ensinar e aprender, enfocando o multiletrar com a utilização das TDIC. As perspectivas identitárias em torno da sexualidade, das identidades nacionais e étnicas, geracionais, religiosas, de classe, o currículo inclusivo e bilíngue e a educação igualitária para negros, deficientes, indígenas, quilombolas, além de outros. Uma análise crítica, reflexiva, moderna e prática a partir de novas estratégias de3, 6, 8 e 9). A escola precisa adotar metodologias inovadoras, pois são mais apropriadas ao desenvolvimento das competências e para a formação integral do educando. Neste caso, as metodologias ativas são mais adequadas. Elas exigem uma nova postura tanto do professor, que passa a ser um mediador, orientador, provocador, quanto do educando, que se torna ativo, protagonista, líder em sua aprendizagem. Vamos estudar seis metodologias ativas: ensino híbrido, sala de aula invertida, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em projetos, ensino personalizado e gamificação. Ensino híbrido Também conhecido como blended learning, é uma organização metodológica que emprega ações pedagógicas em sala de aula presencial e em momentos virtuais (blended significa misturar, misturado). As novas tecnologias digitais de comunicação e informação propiciaram novos modelos de aprendizagem baseados em recursos tecnológicos. O ensino híbrido faz isso: mistura o formato presencial (offline) com o on-line. O ensino híbrido teve seu início na década de 1960, nos Estados Unidos, com a criação de programas de ensino assistidos pelo computador, mais voltados ao ensino superior. Com a disseminação dos computadores pessoais, smartphones e outros recursos tecnológicos, o ensino híbrido foi aprimorado e reorganizado, de forma a criar possibilidades para as diferentes etapas de ensino. O ensino híbrido se organiza em diversas possibilidades, conforme mostra a Figura 2: Figura 2 | Ensino híbrido. Fonte: adaptada de Bacich; Tanzi Neto; Trevisani (2015, p. 45). O modelo rotacional é o mais indicado para a educação infantil e para o ensino fundamental. EstiloEstiloEstiloEstilo Como funcionaComo funcionaComo funcionaComo funciona O professor cria várias estações de atividades diferentes a serem realizadas por grupos de aluno. Durante a aula, os alunos rotacionam pelas diversas estações. Uma das estações utiliza recursos digitais. O professor organiza duas estações de aprendizagem e dois grupos de alunos para realização de uma determinada pesquisa: uma estação presencial em sala de aula, para que o primeiro grupo de alunos pesquisem usando livros, revistas, entre outros; outra estação de aprendizagem, ainda na escola, para o segundo grupo de alunos, utilizando recursos tecnológicos (computador e tablet) para realizar a pesquisa. Em seguida, os grupos rotacionam entre as duas estações na escola, ou seja, complementam sua pesquisa usando os recursos próprios de cada estação. Neste modelo, os alunos se preparam estudando a teoria de um determinado conhecimento antes da aula para depois realizam atividades práticas sobre este conhecimento. Depois da aula, realizam atividades de fixação de aprendizagem. Este modelo é tão importante e interessante que vamos aprofundá-lo logo mais. Cada aluno recebe uma proposta individualizada de estudo, que o professor organizou para que ele empregue recursos on-line e offline para que possa realizá-la; aqui, se considera que cada aluno tem um potencial diferenciado, bem como interesses individuais, por este motivo realiza uma proposta individualizada. Tabela 1 | Ensino híbrido: modelo rotacional. Fonte: adaptada de Bacich; Tanzi Neto; Trevisani (2015). Siga em Frente... O ensino híbrido traz diversas vantagens para os estudantes. Além de propiciar aprendizagem a partir de recursos tecnológicos, inserindo-os no ambiente virtual e informatizado, estimulando o desenvolvimento destas competências, permite que o aluno assuma o controle sobre sua aprendizagem (protagonismo e proatividade). É claro que o professor monitora todo o processo, cuidando para que o estudante aproveite o máximo para sua aprendizagem. A rotação pelas estações, em todos os estilos apresentados, permite que o estudante desenvolva suas competências, aprenda no seu próprio tempo e de acordo com sua subjetividade, aproveitando melhor os recursos com os quais possui mais afinidade e aprendendo sobre os demais. Sala de aula invertida Também conhecida como flipped classroom, organiza-se em três momentos: pré-aula, aula e pós- aula. Será que estes termos não são bem conhecidos por você? Acreditamos que sim, já que o modelo KLS utiliza exatamente esta metodologia nos cursos de graduação. Figura 3 | Organização da metodologia sala de aula invertida. Fonte: Batista; Barea (2021). Os três momentos da sala de aula invertida podem e devem contar com o uso de recursos tecnológicos. Esta metodologia ativa exige que alunos se concentrem e dediquem, organizando-se para o aprendizado, encontrando caminhos para construção do conhecimento de acordo com suas potencialidades, tornando-se reais protagonistas de sua aprendizagem. As atividades organizadas pelo professor podem ser escritas, pode haver explanação por parte do professor, pode-se empregar recursos de videoconferência, entre outras possibilidades. Aprendizagem baseada em problema Nesta metodologia, o docente traz um problema a ser analisado pelos estudantes, para que eles possam buscar soluções e apresentar alternativas. Neste caso, não se trata de um problema matemático simples, mas sim de um problema de ordem social, científica ou filosófica, no sentido de levar os alunos a pesquisarem diversas áreas do conhecimento e trazer uma solução que as integre, gerando valor para a sociedade. Aprendizagem baseada em projeto Esta metodologia é muito similar a anterior, porém o enfoque não é resolver um problema, mas criar um projeto para uma determinada situação. Normalmente, o projeto é criado para o enfrentamento de uma situação real e de ordem social, por exemplo: um projeto para recuperação de uma área degradada da escola ou do entorno (nestes casos talvez seja necessário obter autorização dos órgãos públicos) ou para o cuidado com uma praça ou, ainda, para a instalação de equipamentos de lazer, entre outros. Ensino personalizado Metodologia que considera as características individuais dos educandos e proporciona percursos de aprendizagem exclusivos a cada um, propiciando rápido avanço na construção e no emprego de conhecimentos. Não se trata de aprofundar apenas os temas de interesse dos alunos, mas criar trilhas de aprendizagem personalizadas. Os recursos digitais são bastante empregados nesta metodologia, pois permitem o desenvolvimento de diversas habilidades: pesquisa, sintetização de informações, comparações, análises e práticas envolvendo o conhecimento adquirido. Gamificação Em linhas gerais, trata-se de aplicar a lógica dos jogos para estimular a aprendizagem. O professor pode usar recursos tecnológicos, tais como aplicativos, ambientes virtuais de aprendizagem, simuladores virtuais, testes, portais educacionais, entre outros, para propor uma sequência de atividades que seja estimuladora, desafiadora e promova aprendizagem. Ou então, o professor pode criar um jogo que conduza à aprendizagem de determinado conceito, por exemplo. A vantagem da gamificação é que as propostas normalmente são executadas em grupo, proporcionando interatividade e resolução de problemas, envolvendo as competências gerais da educação. As metodologias ativas são consideradas, atualmente, um modelo inovador e moderno para as propostas de ensino, pois colocam o aluno como centro do processo de aprendizagem, estimulando o desenvolvimento de suas competências, habilidades e atitudes. A questão central em qualquer uma das metodologias ativas é o planejamento, que é de responsabilidade do professor e precisa ser preparado com antecedência, analisado e ajustado antes de sua realização prática. Outra questão importante é que as metodologias ativas envolvem, em maior ou menor grau, o uso de recursos tecnológicos, pois são competências e habilidades fundamentais para o futuro do educando. A BNCC organiza o processo educativo nacional em torno do desenvolvimento de dez competências gerais, ou seja, conhecimentos, habilidades, atitudes e valores devem ser movimentados para tornar os educandos competentes para viver a vida moderna, com todos osseus desafios e suas oportunidades. As metodologias ativas colocam os alunos no centro do processo de aprendizagem, estimulando a aprendizagem significativa, a criatividade, a resiliência, a comunicação, a proatividade, o protagonismo, a criticidade, a participação e a colaboratividade, entre outros, favorecendo que as competências sejam desenvolvidas plena e consistentemente. Assim, os processos escolares acompanham o tempo histórico. Estamos, certamente, vivendo uma transição nos modelos pedagógicos. Se você pudesse avaliar o modelo pedagógico que orientou sua formação escolar no ensino fundamental e no ensino médio você diria que ele está mais próximo do tradicional, do construtivismo, do socioconstrutivismo? Agora que você se torna cada vez mais próximo de ser responsável por construir e executar processos educacionais, como pretende realizá-los? Como fará a transição das práticas tradicionalistas para as práticas inovadoras, tais como as metodologias ativas? Talvez você não tenha as respostas para esta pergunta, mas é sempre importante mantê-las em vista, certo? Tratamos de vários estilos de metodologias ativas nesta seção e vamos detalhar uma delas aqui. A rotação por estações (é um dos estilos do Ensino Híbrido) é uma das mais interessantes, pois o professor consegue acompanhar todo o processo e todas as estações, já que acontecem exclusivamente na escola e não demandam recursos extras dos alunos, já que tudo ocorre dentro da escola. Nesta proposta, os alunos são divididos em grupos para realizar uma pesquisa ou aprendizagem e passam por estações preparadas previamente pelo professor. Por exemplo: digamos que vão estudar o ciclo da água na natureza. Uma estação pode ser um vídeo que demonstra o processo de evaporação-condensação-precipitação. Em outra estação, poderão ler textos sobre isso, separados pelo professor. Em outra, poderão fazer uma experiência: com uma vela, aquecer um pequeno recipiente com água, observando o vapor gerado. O vapor pode ser concentrado em uma tampa inclinada, para que ocorra a condensação e, conforme as gotas se formam e se unem, acabam precipitando e podem ser colhidas em outro recipiente. Em outras estações, os educandos podem fazer seus registros sobre tudo o que aprenderam. É importante, então, que discutam a importância do ciclo da água na natureza e que isso abra oportunidade para outras discussões, tais como a importância da preservação dos mares, oceanos e rios, das florestas e do meio ambiente em geral, para a preservação dos recursos hídricos, fonte significativa de nossa sobrevivência. Esta pode ser outra estação: debate e discussão sobre esses temas, com criação de propostas ou projetos de intervenção de preservação dos recursos hídricos. O tempo de permanência em cada estação deve ser em torno de 15 a 20 minutos. Destas propostas, podem surgir outras bem interessantes, não é mesmo? Vamos Exercitar? Esta situação-problema será diferente das demais. Desta vez, o enfoque será sobre sua aprendizagem. Você escolherá um tema sobre o qual precisa ou gostaria de aprender mais, de acordo com as temáticas do seu curso de graduação. Você vai criar uma proposta de ensino personalizado para si, estruturando as etapas de construção de conhecimento, de consolidação e de apresentação de sua aprendizagem. Em primeiro lugar, decida o tema que pretende estudar. Depois, crie uma agenda de estudo, apontando prazos e materiais específicos a serem investigados. Em seguida, testes e exercícios sobre esta temática, para testar se a aprendizagem foi concretizada. Por fim, escolha uma forma de apresentar esta aprendizagem: um paper, um seminário, um vídeo expositivo. O ensino personalizado atende as demandas do educando (seus interesses e suas necessidades), aproveitando as habilidades mais consistentes para que a aprendizagem seja consolidada. Mas também exige que esta aprendizagem seja evidenciada, ou seja, que você, de alguma forma, demostre que aprendeu. ResoluçãoResoluçãoResoluçãoResolução Este roteiro irá ajudá-lo a elaborar a proposta desta metodologia ativa, chamada ensino personalizado. Você vai perceber que também se associa à sala de aula invertida, uma vez que há uma preparação (pré-aula), uma execução (aula) e uma reflexão ou síntese final (pós-aula). Esboço da proposta de ensino personalizado: Tema a ser estudado: determine aqui aquilo que você precisa aprofundar ou tem interesse, dentro da área de educação. Prazo de início: dia, mês, ano. Prazo de término: dia, mês, ano. Agenda de estudo: Aqui você vai arrolar os seguintes itens, organizados como uma agenda de estudo, de forma que atenda sua própria metodologia de aprendizagem: Filmes, documentários e vídeos importantes a serem assistidos. Observação: quando você começa a pesquisar filmes, documentários e vídeos, podem aparecer outros temas interessantes que vão atrair sua atenção e poderão afastá-lo de seu objetivo; aqui a dica é anotar para assistir em outro momento, evitando perder o foco e objetividade). Artigos e livros a serem lidos. Entrevistas a serem realizadas. Produção de trabalho escrito, com as considerações sobre a aprendizagem realizada. Avaliação e consolidação da aprendizagem: Localização de questões: ENADE, banco de questões do ensino superior, exercícios em livros e realização dos testes – avaliando se o resultado foi satisfatório ou se há necessidade de retomada dos estudos. Apresentação de resultados: escolha do formato em que vai apresentar os conhecimentos adquiridos: escrita de paper (artigo resumido, em torno de cinco páginas), apresentação de projeto, apresentação de trabalho no formato de seminário, gravação de vídeo, produção de blog, ou outra proposta. Socialização: apresentação do roteiro de estudo entre colegas. Agora, basta preencher com as temáticas de seu interesse! Bom trabalho! Saiba mais O artigo “Currículo inovador: A realidade de uma escola do ensino fundamental” retrata uma pesquisa que analisou os resultados do processo de implementação de um currículo inovador que tem entre suas propostas desenvolver uma metodologia de ensino baseada na Pedagogia de Freinet, de modo a possibilitar a concretização de uma nova concepção de aprendizagem, de relações humanas e de organização dos espaços e vivências em uma escola privada de Ensino Fundamental II, da cidade de São Paulo. Os resultados desta pesquisa permitem comprovar que o currículo inovador possibilitou ampliar o interesse e a motivação dos discentes, além de desenvolver habilidades e competências significativas que favorecem seu desempenho acadêmico e sua formação humana. Através desta pesquisa foi possível ainda validar a condição de que inovar na educação pressupõe a compreensão e o comprometimento do corpo docente e de toda a comunidade envolvida. Referências BACICH, L.; TANZI NETO, A.; TREVISANI, F. D. M. Ensino híbridoEnsino híbridoEnsino híbridoEnsino híbrido: personalização e tecnologia na educação, 1. ed. Porto Alegre: Penso, 2015. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3wnNVYu. Acesso em: 07 out. 2024. SOARES, C. Currículo inovador Currículo inovador Currículo inovador Currículo inovador: A realidade de uma escola do ensino fundamental. Disponível em: https://atenaeditora.com.br/catalogo/ebook/curriculo-inovador-a-realidade-de-uma-escola-do- ensino-fundamental.Acesso em: 7 out. 2024. Videoaula de Encerramento Olá, estudante! Nesta videoaula, exploraremos o tema da diversidade e multiculturalismo no currículo escolar. Discutiremos como incorporar diferentes perspectivas e culturas nas aulas, promovendo um ambiente inclusivo e respeitoso. Esse conteúdo é essencial para a prática profissional, pois prepara você para lidar com a pluralidade de alunos e enriquecer o aprendizado de todos. Prepare-se para retomar o que foi abordado durante a disciplina. Faça o download do arquivo Ponto de Chegada Olá, estudante!Para desenvolver a competência da Unidade 4, que se propõe a analisar criticamente o currículo escolar na contemporaneidade, é fundamental conhecer os conceitos de diversidade cultural, inclusão e as demandas sociais atuais. A partir da compreensão desses temas, você articula práticas pedagógicas que promovem um ambiente de aprendizado mais equitativo e representativo. Além disso, ao investigar as influências sociais e históricas no currículo, você aprofunda sua capacidade de intervir e propor mudanças que atendam a todos os alunos. É Hora de Praticar! Imagine que em uma escola pública localizada em uma comunidade multicultural, os professores enfrentam o desafio de adaptar o currículo escolar para atender às necessidades de uma turma composta por alunos de diferentes etnias, origens socioeconômicas e culturas. Recentemente, alguns pais expressaram preocupações sobre a falta de representação de suas culturas nos conteúdos abordados em sala de aula. Questões Norteadoras: 1. Como os educadores podem adaptar o currículo para refletir a diversidade cultural dos alunos? 2. Quais práticas pedagógicas podem ser implementadas para promover um ambiente inclusivo? 3. Como avaliar o impacto dessas mudanças no aprendizado dos alunos? Reflita Quais são os principais desafios na inclusão da diversidade cultural no currículo escolar? Como as experiências dos alunos podem influenciar a prática docente? De que forma a análise crítica do currículo pode contribuir para uma educação mais justa e equitativa? Essas reflexões são essenciais para aprimorar sua atuação profissional e fortalecer a educação contemporânea. Resolução do Estudo de Caso Resolução do Estudo de Caso: Para abordar a questão da inclusão da diversidade cultural no currículo escolar, é essencial desenvolver uma visão crítica sobre possíveis falhas do currículo atual na representação das experiências e perspectivas dos alunos. Caminhos para Resolução: 1. Revisão do currículo: os educadores podem iniciar um processo de revisão do currículo, envolvendo alunos e comunidade. Isso pode incluir a coleta de sugestões sobre temas que refletem a cultura local e a incorporação de autores e obras representativas de diferentes grupos. 2. Integração de temas multiculturais: introduzir projetos interdisciplinares que abordem questões de diversidade e inclusão, como a história das comunidades representadas na escola, práticas artísticas e celebrações culturais. Isso não apenas enriquece o aprendizado, mas também valida as identidades dos alunos. 3. Formação continuada: promover capacitações para os professores, com foco em pedagogias inclusivas e em práticas que valorizem a diversidade cultural, incluindo oficinas sobre como utilizar materiais didáticos que reflitam a pluralidade cultural. 4. Avaliação contínua: implementar um sistema de avaliação que não apenas considere o desempenho acadêmico, mas também o engajamento dos alunos com o conteúdo e sua percepção sobre a representatividade nas aulas. Questionários e discussões em grupo podem ajudar a medir o impacto das mudanças. Esse processo não resulta em uma única solução, mas abre um leque de possibilidades para tornar a educação mais inclusiva e representativa. O desafio é contínuo, e os educadores devem estar sempre abertos a refletir sobre suas práticas e adaptar o currículo às necessidades de todos os alunos. Agora, pense sobre as seguintes questões: 1. Quais outras estratégias poderiam ser adotadas para garantir a inclusão de todos os alunos no currículo escolar? 2. Como você poderia envolver a comunidade escolar nesse processo de transformação curricular? 3. Que indicadores você utilizaria para avaliar a eficácia das mudanças implementadas? Essas reflexões ajudam a construir uma prática docente mais consciente e responsiva às realidades contemporâneas. Assimileensino, metodologias ativas e inovadoras e propostas que promovam a comunicação, a criatividade, a análise crítica, a participação, a colaboração e o protagonismo, de acordo com uma proposta de diálogo e articulação entre o conhecimento local e global. Você é a coordenadora pedagógica da escola na qual a professora Priscila trabalha e seu papel é ajudá-la a melhorar seu processo educativo. Nesta seção, trabalharemos com o primeiro item referente à reorganização do processo educativo que será organizado pela professora. Priscila já sabe empregar o ensino remoto, ou seja, faz transmissões on-line de suas aulas e realiza gravações de aula que ficam disponíveis aos alunos, para que assistam a qualquer momento. Agora, ela precisa continuar empregando as TDIC, porém os alunos retornaram à sala de aula presencial. A escola possui uma sala com computadores ligados à internet. O que a professora Priscila poderia fazer para adquirir meios inovadores de ensinar e aprender, enfocando o multiletrar com a utilização das TDIC? Crie uma relação com pelo menos três possibilidades que ajudem a professora em suas aulas, explicando detalhadamente cada uma delas. Você já deve ter reparado que o estudo desta seção será bem dinâmico enfocando questões relacionadas ao uso das TDIC no cotidiano escolar. Vamos lá? Vamos Começar! Para iniciar nossos estudos, exploraremos um pouco mais o que é o significado do termo Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC). Vamos também discutir como cada tipo de currículo pode empregar as TDIC. Por fim, veremos as potencialidades das TDIC no processo de aprendizagem, no sentido de favorecer o multiletramento e formar um educando crítico, autônomo, responsável e proativo. Para iniciarmos, veja um detalhamento do significado de cada uma das palavras que compõe o termo: Figura 1 | Significado de TDIC. Fonte: Batista; Barea (2021). Trataremos de um exemplo simples, que faz parte do cotidiano de quase todo mundo: o editor de texto eletrônico. Ele é uma tecnologia, pois incorpora uma série de técnicas e conhecimentos sobre a produção escrita com intencionalidade de produzir um texto, é digital porque usa o suporte computacional, é da informação pois é utilizado para registrar informações ou conhecimentos. Já um livro que foi escrito por um autor, também utiliza processos tecnológicos relativos à escrita, organização das ideias, apresentação final, também é da informação e da comunicação, porém não é digital, já que o suporte físico é o papel – neste caso é uma TIC. Um outro exemplo é o telefone de linha fixa é TIC – tecnologia, informação e comunicação; um smartphone é TDIC – que permite mais que a comunicação direta entre duas pessoas, pode navegar na internet, pode fazer chamadas, criar conferências, gerenciar a conta bancária, permite instalar os mais diversos aplicativos etc. Uma TV analógica, que usa antena, é TIC – sinal de transmissão contínuo, não chega a permitir que o usuário se comunique, só receba a comunicação; uma smartTV permite conexão com a internet, pausas ou gravação de programas transmitidos, interação com aplicativos e jogos etc. Uma máquina de escrever é uma TIC; um editor de texto eletrônico é uma TDIC. Note que uma TDIC pode ser tanto um equipamento quanto um programa ou aplicativo. Antes de entrar propriamente na discussão sobre as potencialidades das TDIC na educação e o multiletramento, é importante refletir sobre a intencionalidade que está por trás do uso ou do não uso destas tecnologias. Isso está diretamente relacionado à perspectiva curricular de cada escola, ou seja, da intencionalidade que se deseja para o processo educativo. A teoria do currículo é um campo de estudo que se dedica a estudar a ideologia que perpassa os mecanismos educacionais durante o processo de ensino realizado na escola. Silva (2011), aponta três grandes categorias curriculares e a ênfase que trazem a determinados conceitos, tendo mais ou menos características de reprodução cultural e social. São elas: Teorias tradicionais: ensino, aprendizagem, avaliação, metodologia, didática, organização, planejamento, eficiência, objetivos. Teorias críticas: ideologia, reprodução cultural e social, poder, classe social, capitalismo, relações sociais de produção, conscientização, emancipação e libertação, currículo oculto, resistência. Teorias pós-críticas: identidade, alteridade, diferença, subjetividade, significação e discurso, saber-poder, representação, cultura, gênero, raça, etnia, sexualidade, multiculturalismo.( SILVA, 2011, p. 17) Assim, um currículo mais centralizado, tradicional, preocupado com a transmissão de conhecimentos e que exerce pouca reflexão crítica, utilizará a tecnologia neste mesmo sentido, apenas como um meio de transmissão de conhecimentos, onde o aluno não é protagonista e nem possui papel ativo. Desta forma, a internet é utilizada apenas para pesquisa e não para comunicação, o uso da tecnologia tende a ser mais controlado, os trabalhos escolares de pesquisa tendem a ser feitos à mão e não com suporte tecnológico. O currículo crítico, aquele que se preocupa descortinar as práticas sociais opressivas e de reprodução das forças sociais e culturais, que sustentam a dominação de uma classe social sobre outra, dominada, e que também estão presentes na escola de forma oculta, propõem o uso da tecnologia como uma ferramenta que apoia as ações críticas que venham a combater o status quo: análises, denúncias, uso das ferramentas digitais para evidenciar as práticas opressoras e para divulgação de teorias que combatam a opressão e a subalternidade entre classes sociais. Também são empregadas para desvelar o chamado currículo oculto: aquele que transmite mensagens de forma subliminar por meio de imagens, falas e posturas que fortalecem as relações de dominação entre classes sociais. Por sua vez, o currículo pós-crítico, aquele que amplia a discussão para outras formas de opressão, discriminação e violação dos direitos humanos, tende a usar as TDIC como espaço para construção de críticas, mas também como ferramentas para emancipação, para combate à discriminação e fortalecimento das minorias sociais. A tecnologia é usada como forma de emancipação, posicionamento, crítica, articulação e organização. Como é possível observar, cada modalidade de currículo pode empregar as TDIC de acordo com suas respectivas perspectivas em relação à função da educação, de forma apenas exploratória ou de forma mais crítica, emancipatória e criativa. As TDIC aplicadas na perspectiva crítica e pós-crítica do currículo possui amplo valor comunicacional, não só pela forma rápida com a qual se estabelece contato com outras pessoas, mas porque é um ferramental capaz de agrupar e organizar um volume enorme de conhecimentos. Na contemporaneidade, as TDIC são instrumentos situados na história e na cultura da sociedade, ao menos nas sociedades que introduziram, apropriaram-se e se organizaram ao redor das tecnologias digitais para realizar suas atividades produtivas. [...] Como instrumentos dessa época e mediadores da interação humana, as tecnologias digitais, possivelmente, têm contribuído para mudanças em algumas práticas sociais como a comunicação, a socialização, a organização, a mobilização e a aprendizagem. (COSTA; DUQUEVIZ; PEDROZA, 2015, p. 605) A melhor forma de emprego da TDIC é aquela que promove a construção da aprendizagem de forma crítica e consciente: O uso das tecnologias digitais para o desenvolvimento de aprender a conhecer e aprender a fazer tem mostrado uma nova construção simbólica da cultura perante o uso de instrumentos contemporâneos, de modo a impactar a constituição subjetiva de como os nativos digitais aprendem [...]. Assim, ser sujeito na cultura digital denota possuir conhecimentos das tecnologias digitais, instrumentos estes que são, também, materiais e simbólicos. (COSTA; DUQUEVIZ; PEDROZA, 2015, p. 606). Desta forma, vamos apresentar agora algumas das TDICs mais comuns utilizadas no ambiente escolar. 1. Celular: indicado para processoscomunicacionais, organização de trabalhos em grupo, discussões, debates, uso de aplicativos educacionais, uso de câmera fotográfica para registros, possibilidade de edição de texto, de planilhas e apresentações eletrônicas. 2. Tablet: interessante para realização de pesquisa, uso de aplicativos, para suporte às apresentações e seminários. 3. Computador: pesquisa, uso de softwares educacionais, programação, criação de documentos eletrônicos (textos, planilhas, apresentações e banco de dados). 4. E-mail: utilizado para comunicação, troca de informações, construção de conhecimentos, envio de documentos, cadastro em aplicativos, softwares, portais, possibilidade de comunicação com pesquisadores, profissionais, políticos, representantes sociais, realizando entrevistas, por exemplo. 5. Serviços de streaming e YouTube: projeção de filmes, documentários, séries e, no caso do YouTube, o educando pode abrir seu próprio canal e publicar seus vídeos, resultados de pesquisas, realizar transmissões de debates, entre outras potencialidades. 6. Internet: conjunto interligado de redes de computadores que concentram uma infinidade de dados e permite a comunicação entre eles e entre pessoas, repositório de páginas digitais, revistas e inúmeras publicações. 7. Sites, Vlog, Blogs, Portais: fonte de pesquisa, concentram dados e informações que os estudantes podem se apropriar para construir seus conhecimentos, em processos educacionais mais avançados, os educandos podem aprender a criar sites e a fazer programações. 8. Softwares, games e aplicativos educacionais: programas com finalidades específicas para aprendizagem, com o propósito de apresentar um conteúdo e propiciar o exercício da aprendizagem. Em processos educacionais mais avançados os educandos podem aprender a construir softwares, games e aplicativos. 9. Editores digitais: utilizados para registros, para apresentações em seminários, para edição de textos, planilhas e apresentações eletrônicas. 10. Robótica: construção de engrenagens, pequenos aparelhos e correspondente programação para que o objeto construído tenha movimentação. 11. Cultura maker: capacidade de emprego de objetos, peças e diversos elementos para a construção de um objeto com utilidade. 12. Realidade ampliada: uso de óculos capazes de reproduzir a sensação de imersão em determinado espaço, tal como um museu virtual. 13. Realidade virtual: uso de equipamentos que simulam uma situação, por exemplo, uma viagem espacial ou uma viagem submarina, a realização de uma cirurgia ou mesmo a condução de um avião. Você deve ter percebido que o uso das TDIC exige novas competências dos educandos. Saber operar um computador e utilizar um editor de texto, ter flexibilidade e criatividade para programar em robótica, inteligência e agilidade para uso de softwares e aplicativos, em geral, a capacidade de operar em todas as potencialidades das TIDC é desenvolvida a partir da exposição do aluno a estas possibilidades, de forma que vá aprendendo a ter fluência em todos eles. Assim, a capacidade de ler, interpretar e escrever em várias linguagens é chamada de multiletramento. Não se trata apenas de saber usar determinado aplicativo ou software, ou mesmo saber usar o e-mail ou o celular, mas fazer uso crítico, consciente, autônomo e ético, com responsabilidade e para a solução de situações e problemas do cotidiano. Imagine um aluno capaz de criar uma planilha que controla os consumos em sua casa e propicia, a partir de uma análise crítica, propor um programa de economia doméstica para sua família. É preciso conhecer planilhas eletrônicas, entender como se faz controle financeiro, avaliar a entrada e a saída de dinheiro no período de um mês, desenvolver criticidade para saber onde e como é possível fazer economia, ou seja, todas essas informações, utilizadas com intencionalidade, responsabilidade, proatividade e autonomia para melhorar a qualidade de vida de sua própria família indica que o educando está letrado nesta TDIC em particular. Será que ele consegue usar as TDIC para outras situações e para resolver outros problemas do seu cotidiano? Por exemplo, utilizar uma rede social para fazer uma campanha para revitalizar uma praça, usar uma agenda eletrônica para controlar a entrega de seus trabalhos escolares, utiliza o celular para manter contato com familiares e amigos, cuidando da própria saúde mental, pode-se dizer que este educando é multiletrado em TDIC, não só porque sabe empregá-las, mas porque as emprega com intencionalidade e ética. Siga em Frente... Retomaremos à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e observar como as TDIC e o multiletramento são tratados. A proposta de utilização da tecnologia aparece, inicialmente, na competência geral da educação básica número 5: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. (BRASIL, 2018, p. 9). Ao longo de toda a BNCC aparecem trechos que remetem à utilização das TDIC, mas gostaríamos de ressaltar os trechos que começam a fazer referência ao multiletramento, como este, que aborda especificamente as tecnologias digitais e a computação ao se referir às novas competências a serem desenvolvidas pelos educandos. Apropriar-se das linguagens da cultura digital, dos novos letramentos e dos multiletramentos para explorar e produzir conteúdos em diversas mídias, ampliando as possibilidades de acesso à ciência, à tecnologia, à cultura e ao trabalho. (BRASIL, 2018, p. 475) Neste trecho, a BNCC diz que o papel da escola é investir em práticas de multiletramento: Nessa perspectiva, para além da cultura do impresso (ou da palavra escrita), que deve continuar tendo centralidade na educação escolar, é preciso considerar a cultura digital, os multiletramentos e os novos letramentos, entre outras denominações que procuram designar novas práticas sociais de linguagem. [...] As práticas de leitura e produção de textos que são construídos a partir de diferentes linguagens ou semioses são consideradas práticas de multiletramentos, na medida em que exigem letramentos em diversas linguagens, como as visuais, as sonoras, as verbais e as corporais. Já os novos letramentos remetem a um conjunto de práticas específicas da mídia digital que operam a partir de uma nova mentalidade, regida por uma ética diferente. (BRASIL, 2018, p. 487) Assim, é preciso compreender que o uso das TDIC e o multiletramento têm uma função muito especial na formação escolar dos educandos, favorecendo a transformação social ao mesmo tempo que exerce um papel de resgate da humanidade, da participação social, da responsabilidade, da ética e da autonomia: Nesse sentido, procura-se oferecer ferramentas de transformação social por meio da apropriação dos letramentos da letra e dos novos e multiletramentos, os quais supõem maior protagonismo por parte dos estudantes, orientados pela dimensão ética, estética e política. O segundo sentido de trabalho – o de atividade responsável pela (re)produção da vida material – também é considerado pelo repertório de práticas, letramentos e culturas que se pretende que sejam contemplados, pela possibilidade de exercício da criatividade, pelo desenvolvimento de habilidades vinculadas à pesquisa, a resoluções de problemas, ao recorte de questões-problema, ao planejamento, ao desenvolvimento e à avaliação de projetos de intervenção, pela vivência de processos colaborativos e coletivos de trabalho, entre outras habilidades que serão detalhadas a seguir. (BRASIL, 2018, p. 506). As TDIC podem ser usadas de forma mais criativa, autônoma, ética e com responsabilidade de acordo com a perspectiva do currículo que se trabalha. O multiletramento, isto é, a capacidade de ler, interpretar e escrever em diversos tipos de linguagem permite que se explorem as potencialidades educativasdas TIDCs. Vamos Exercitar? Priscila leciona para o 1° ano do ensino fundamental que tem como objetivo o processo de alfabetização e do multiletramento. Neste sentido, a professora pode lançar mão de diversas opções que envolvam as TDIC. Aqui citaremos três, que ajudarão você a criar suas próprias reflexões e propostas de trabalho: Construção de um dicionário usando uma planilha eletrônica: as crianças, em sua maioria, se interessam muito em pensar em conjuntos de palavras que tenham uma associação entre si. Então, este dicionário pode se referir a qualquer temática: dicionário de bichos, dicionário de elogios, dicionário de sentimentos, dicionário de objetos da casa, e, tal como um dicionário, é preciso apresentar o verbete e seu significado. Propõe-se uma prática de letramento, que é a aprendizagem sobre a língua materna escrita e sobre a organização de um dicionário. O uso de uma planilha eletrônica é indicado porque permite que se apresente uma planilha para cada letra, que se organize em ordem alfabética rapidamente, que se organizem os dados em linhas e colunas. Aqui estamos entrando em uma prática de multiletramento. A formação de professores pode ser uma necessidade real, já que algumas ferramentas tecnológicas podem não fazer parte de suas competências. A segunda possibilidade seria criar um texto coletivo em um documento eletrônico compartilhado. Há aplicativos que fazem isso e também uma ferramenta chamada Google Docs que permite que várias pessoas editem um documento. Neste caso, é preciso dividir as crianças em pequenos grupos e elas podem ter, como objetivo, escrever uma pequena carta, poesia ou bilhete para uma data comemorativa, como o Dia da Família, por exemplo. Novamente, empregamos uma prática de letramento (leitura e escrita da língua materna com intencionalidade e que envolve uma situação do cotidiano) e multiletramento (edição de texto em documento compartilhado, usando a nuvem como suporte), além do desenvolvimento das competências socioemocionais (respeito às ideias apresentadas, ceder o lugar e delegar tarefas, acolher, organizar ideias, produzir material coeso e coerente em grupo etc.). Por fim, uma prática comum no 1° ano do ensino fundamental é produzir um livro de contos que as crianças escrevem como processo de alfabetização e letramento. A sugestão, portanto, é usar a uma apresentação eletrônica como suporte, criando um índice com links hipertextuais para cada história. Os alunos também podem fazer desenhos como imagem, gravar a leitura de cada história (narração) e inserir na apresentação, gravar pequenas passagens de cada história e inserir na apresentação. Veja como este trabalho fica muito rico, atende às perspectivas de multiletramento e ainda se produz um material inclusivo, já que a narração das histórias é interessante para pessoas cegas. Esta última sugestão implica que os educandos possuam conexão com a internet e acesso a recursos tecnológicos, mas cabe ressaltar que esta não é a realidade de todos os educandos brasileiros. Assim, como você poderia propor uma sugestão para a realidade de crianças que não possuem todos os recursos? Considere que a pandemia trouxe uma reflexão importante para todos os segmentos e redes escolares, que é a questão da desigualdade. Mesmo em escolas que atendem o público de maior poder aquisitivo, observou-se desigualde em termos de acesso à internet e ferramentas tecnológicas, espaço adequado para estudos, rotina e até mesmo famílias que não concordam com o ensino mediado pela tecnologia. É preciso considerar que o aluno real pode não ter acesso e possibilidade de uso da tecnologia da forma como foi proposto. Considere a realidade de onde você trabalha ou, se não atua ainda em escola, reflita sobre a realidade que vivenciou enquanto estudante da educação infantil ou do ensino fundamental anos iniciais. Agora é sua vez! Que outras práticas envolvendo as TDIC e o multiletramento poderiam ser desenvolvidas pela professora Priscila para o primeiro ano do ensino fundamental? Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre a cultura maker, ou “educação mão na massa”, leia o artigo Como a educação mão na massa favorece o aprendizado na escola. Você consegue imaginar alguma criança que não utilize jogos eletrônicos, independente do suporte (celular, computador, videogame etc.)? Pois bem: os jogos eletrônicos são preparados de forma autoinstrutiva, ou seja, o jogador aprende a jogar conforme vai ultrapassando as fases do jogo. Além disso, os jogos se parecem muito, ou seja, existe uma linguagem semelhante a todos os jogos, como os nomes de comandos e jogadas, por exemplo. A criança que consegue compreender e jogar com sucesso, podemos dizer que é uma criança letrada neste ou nestes jogos. No campo da educação, a gamificação (aprendizagem a partir de da mecânica e dinâmica de jogos) é uma das tendências mais modernas das TDIC. Caso você queira conhecer um pouco mais sobre gamificação, existem duas plataformas gratuitas: Classcraft e Apps Educação. Referências APPS EDUCAÇÃO. Gamificação. Gamificação. Gamificação. Gamificação. Disponível em: https://appseducacao.rbe.mec.pt/category/gamificacao/. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3wnNVYu. Acesso em: 04 out. 2024. BATISTA, A. J. G.; BAREA, N. R. Currículo e InovaçõesCurrículo e InovaçõesCurrículo e InovaçõesCurrículo e Inovações. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2021. Diversidade e Currículo Olá, estudante! Nesta videoaula, discutiremos como o currículo escolar pode ser um poderoso instrumento para promover uma educação igualitária e inclusiva, abordando temas como a educação para pessoas com deficiência, indígenas, quilombolas e outros grupos historicamente marginalizados. Além disso, refletiremos sobre o multiculturalismo e a diversidade cultural, entendendo como essas diferenças são tanto uma construção quanto uma preservação histórica, social e cultural. Por fim, exploraremos a importância de um currículo com um olhar inclusivo, incluindo a proposta de um currículo bilíngue, que valorize as múltiplas identidades e experiências dos alunos, contribuindo para uma educação que respeite e celebre a diversidade. Vamos lá? Faça o download do arquivo Ponto de Partida Você já parou para pensar o quanto a sociedade evoluiu nos últimos séculos e milênios? Há 150 anos pessoas escravizadas eram vendidas e o Brasil vivia em um regime escravocrata. Há séculos, era comum que humanos lutassem com leões famintos em uma arena, para diversão do povo que assistia ao evento. Como se sabe, em geral, os leões venciam. Há menos de 100 anos vivemos a disseminação de um grupo étnico que exterminou seis milhões de pessoas por meio da fome e em câmeras de envenenamento por gás, mortes lentas e cruéis. Ainda existe um gigantesco número de pessoas cujos direitos essenciais são violados por serem pobres, crianças, pretos, mulheres. O estudo desta seção traz questões que possibilitam divergência de ideias e precisam ocupar um espaço importante dentro dos temas contemporâneos no contexto escolar, pois faz parte do nosso papel social como professores evidenciá-las e propiciar reflexões que levam a uma possível mudança de atitudes. Assim, esta seção tratará de temas desafiantes que são explorados nas teorias pós-críticas do currículo. É importante assumir cada vez mais uma postura acadêmica e científica, bem como crítica e proativa, evitando as impressões pessoais e, principalmente, práticas preconceituosas que são disseminadas na sociedade e que podem ter feito parte da sua formação. Nesta aula, você conhecerá um pouco mais sobre as tendências críticas acerca das formas de preconceito que ferem a dignidade humana, que são fruto de dominação entre classes e que promovem a manutenção do status quo. Você observou o quanto somos multiculturais e como a cultura se expressa em diversas formas? A construçãoda nossa nação é baseada em culturas de diversos países, que se consolidaram aqui em diversos períodos históricos e contamos também com uma cultura nativa, dos primeiros habitantes dessas terras, os indígenas. Além da composição cultural, ainda há a forma com a qual a cultura se manifesta, mediante linguagem oral, escrita e corporal, por meio das vestimentas e dos adereços, da música e da dança. O ambiente escolar, certamente, é permeado pelo multiculturalismo e pela diversidade cultural. Imagine a seguinte situação: você foi admitido como professor em uma escola de ensino fundamental e vai lecionar pela primeira vez. É preciso acolher seus novos alunos para uma aproximação significativa, para isso, é preciso conhecê-los melhor. Primeiramente, você os observa: vestimenta, acessórios, o modo como se comportam, como se comunicam, os olhares. Aspectos que expressam o multiculturalismo e a diversidade cultural. Vamos esclarecer um pouco estes conceitos. Vamos Começar! Multiculturalismo é o reconhecimento, o respeito e a valorização das diferenças étnicas que existem em um determinado território ou grupo social. O Brasil é um país reconhecidamente multicultural, pois recebeu um contingente grande de pessoas oriundas de determinados países, tais como holandeses (predominância no Nordeste), alemães (predominância no Sul), portugueses, italianos, judeus, japoneses, árabes e sírios (predominância em São Paulo), africanos (predominância na região central), entre outros. Mas isso quer dizer que não há indivíduos de origem africana em São Paulo? Claro que existem e em quantidade significativa, mas também existe predominância de determinadas etnias em determinadas regiões devido à colonização, à escravização e à imigração, o fato é que todas as culturas se misturam no território nacional. […] o multiculturalismo tornou-se uma temática fundamental no processo da democracia de muitos países e desenvolveu-se com a evolução dos direitos humanos da última geração, quando neles se introduz o debate sobre o direito das minorias e dos grupos étnicos marginalizados em grandes áreas culturais. Esses direitos passam a ser explicitados amplamente a partir do direito à diferença e com o direito ao reconhecimento da identidade étnica. (OLIVEIRA; SOUZA, 2011, p. 123) Neste sentido, é importante salientar que a exclusão dos pretos do sistema escolar foi uma prática que ocorreu durante grande parte da história da educação brasileira. E mesmo em relação aos brinquedos infantis, a grande representatividade ainda continua sendo branca, como se vê nesta reportagem do portal de notícias do G1: Bonecas negras ajudam a promover diversidade e autoestima entre as crianças. Além disso, é papel da escola evidenciar ideologias de supremacia do homem branco em relação ao homem preto veiculadas implicitamente em vários canais de comunicação e em várias relações sociais. Um exemplo disso ocorre quando uma família de etnia branca é servida por uma mulher preta em um programa televisivo, ou ainda, em uma propaganda quando um homem branco leva seu carro a uma oficina mecânica é atendido por um mecânico preto (que, inclusive, pode ser o proprietário da oficina) mas é apresentado em posição de inferioridade ao dono do veículo, principalmente quando se usam jargões do tipo: “E aí, doutor, qual o problema do possante?”. A escola é o espaço de encontro de diversas identidades étnico-raciais, portanto, é nela que devem ser desenvolvidas práticas educativas voltadas tanto à formação cidadã que respeite e valorize a pluralidade étnica e cultura da própria sociedade. Em relação às populações negras, indígenas, quilombolas e outras minorias étnicas, é fundamental que se discuta em nível de currículo, como a escola deve se organizar para desenvolver ações educacionais igualitárias e equitativas que atendam estes públicos. O multiculturalismo representa muito mais do que apenas o reconhecimento da existência de diversas etnias compartilhando o mesmo espaço e se influenciando mutuamente: significa um olhar voltado à igualdade de direitos e respeito à cultura de origem a todos os indivíduos e não apenas aos representantes da chamada cultura dominante. Há pouco tempo, o multiculturalismo estava associado aos povos africanos e os migrantes do norte e do nordeste, que se dirigiam às regiões do sudeste em busca de melhor qualidade de vida. Atualmente, como o reconhecimento e valorização de outras etnias, ampliou-se a visão multicultural. Da mesma forma, observa-se um nível de criticidade que retoma a origem de determinadas palavras que conduz à conscientização e mudanças de hábitos, como se vê na matéria do Instituto. Siga em Frente... Fazendo História: Vamos repensar nosso vocabulário? Em geral, o multiculturalismo está associado à matriz biológica e geográfica do nascimento, que trazem características físicas específicas, tais como a cor da pele, os traços e a cor dos olhos, a cor e textura dos cabelos, entre outros. No entanto, mesmo dentro de etnias preservadas, como a comunidade japonesa, por exemplo, na qual não há grande miscigenação, ainda pode haver diversidade cultural. A diversidade cultural engloba as diferenças culturais que existem entre as pessoas, como a linguagem, danças, vestimenta e tradições, bem como a forma como as sociedades organizam-se conforme a sua concepção de moral e de religião, a forma como eles interagem com o ambiente etc. O termo diversidade diz respeito à variedade e convivência de ideias, características ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto, situação ou ambiente. (OLIVEIRA; SOUZA, 2011, p. 128). Desta forma, é possível encontrar um gaúcho vegano? Um japonês evangélico? Sim. E qual o motivo de esta discussão se tornar tão importante quando falamos em currículo? Em primeiro lugar, a BNCC (2018) aponta que a diversidade cultural não é uma meta a ser atingida, mas um ponto de partida para os processos educacionais. O segundo ponto é que o Brasil tem se tornado um reduto de amparo a populações que sofrem com contexto de guerra, fome, situação econômica precária e violação dos direitos humanos. Colombianos, venezuelanos, haitianos, peruanos, bolivianos, bem como senegaleses, angolanos, chineses, sírios têm no Brasil o segundo lar e é na escola que as crianças de todas estas etnias se encontram proporcionando uma rica diversidade. Vamos Exercitar? Como coordenadora pedagógica, você ajudará a professora Priscila a implementar pelo menos uma das práticas solicitadas. Você deverá escolher uma das opções para fazer um trabalho de pesquisa na BNCC, especificamente no primeiro ano do ensino fundamental. Aqui, apresentamos uma pequena contribuição para nortear o seu trabalho. Perspectivas identitárias em torno da sexualidade: a BNCC não traz especificamente um trabalho para esta dimensão, apenas cita que: Nos anos iniciais, as características dos seres vivos são trabalhadas a partir das ideias, representações, disposições emocionais e afetivas que os alunos trazem para a escola. Esses saberes dos alunos vão sendo organizados a partir de observações orientadas, com ênfase na compreensão dos seres vivos do entorno, como também dos elos nutricionais que se estabelecem entre eles no ambiente natural. Nesse caso, é importante ampliar a discussão, podendo elencar elementos que já foram apresentados na leitura, por exemplo: cor, roupa, brinquedo de menino X de menina. Perspectivas de identidades nacionais e étnicas, geracionais, religiosas, de classe: em Língua Portuguesa, por exemplo, a BNCC indica o campo artístico-literário para trabalhar com a diversidade cultural: campo artístico-literário – campo de atuação relativo à participação em situações de leitura, fruição e produção de textos literários e artísticos, representativos da diversidade cultural e linguística, que favoreçam experiências estéticas. Alguns gêneros deste campo: lendas, mitos, fábulas, contos, crônicas, canção, poemas, poemas visuais, cordéis, quadrinhos, tirinhas, charge/ cartum, entre outros. O currículo inclusivo: ao longoda apresentação do currículo para o primeiro ano, a educação inclusiva é citada diversas vezes, sempre mencionando a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva: Em competências específicas de linguagens para o ensino fundamental: conhecer e explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em diferentes campos da atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas possibilidades de participação na vida social e colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva. Em competências específicas de Ciências da Natureza para o ensino fundamental: compreender conceitos fundamentais e estruturas explicativas das Ciências da Natureza, bem como dominar processos, práticas e procedimentos da investigação científica, de modo a sentir segurança no debate de questões científicas, tecnológicas, socioambientais e do mundo do trabalho, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Saiba mais Do ponto de vista cultural, a diversidade pode ser entendida como a construção histórica, cultural e social das diferenças. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas, observáveis a olho nu. Amplie seus conhecimentos realizando a leitura dos textos “Diversidade e currículo” e “Indagações sobre o currículo: diversidade e currículo”. Referências BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3wnNVYu. Acesso em: 04 out. 2024. BRASIL. Congresso. Senado Federal. Comissão Especial de Acessibilidade. Acessibilidade: passaporte para a cidadania das pessoas com deficiência. Guia de orientações básicas para a inclusão de pessoas com deficiência / Comissão Especial de Acessibilidade. – Brasília: Senado Federal, 2005. Disponível em: https://bit.ly/3i0Z6l5. Acesso em: 04 out. 2024. DIVERSIDADE E CURRÍCULO. Disponível em: https://fep.if.usp.br/~profis/arquivo/docs_curriculares/ES/Docs/Espirito_Santo_roteiro3.pdf. Acesso em: 07 out. 2024. GOMES, N. L. Indagações sobre o currículo: diversidade e currículo. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag4.pdf. OLIVEIRA, E.; SOUZA, M. L. de. Multiculturalismo, diversidade cultural e direito coletivo na ordem contemporânea. Cadernos da Escola de Direito e Relações Internacionais, Curitiba, n. 16, v. 3, p. 121- 139, 2011. Disponível em: https://bit.ly/2SY1noy. Acesso em: 4 out. 2024. O Currículo e as Perspectivas Identitárias Olá, estudante! Nesta videoaula, exploraremos como o currículo escolar pode abordar temas essenciais para a formação cidadã, como sexualidade, identidades nacionais e étnicas, além de aspectos geracionais e religiosos. Discutiremos a importância de tratar esses assuntos de forma inclusiva e crítica no ambiente escolar, promovendo o respeito à diversidade e combatendo preconceitos. Veremos, também, como o currículo pode ser um espaço de valorização das diferenças, estimulando a construção de uma sociedade mais justa e democrática, onde cada aluno se sinta representado e respeitado em suas múltiplas dimensões. Faça o download do arquivo Ponto de Partida Nos últimos anos, as discussões sobre currículo escolar têm se tornado cada vez mais relevantes, refletindo as transformações sociais, culturais e políticas que marcam o mundo contemporâneo. O currículo, longe de ser apenas um conjunto de conteúdos a serem ensinados, é um espaço de construção de significados e de formação de cidadanias. Nesse sentido, torna-se essencial abordar, de forma crítica e consciente, temas que permeiam a vivência dos alunos, como sexualidade, identidades nacionais e étnicas, aspectos geracionais e religiosos. A sexualidade, por exemplo, não deve ser tratada apenas como uma questão biológica, mas como uma dimensão complexa que envolve relações de poder, construções sociais e culturais, além de ser um campo importante para o desenvolvimento da autonomia e do respeito às diferenças. O tratamento desse tema no currículo escolar promove o enfrentamento de preconceitos e desigualdades de gênero, e fortalece uma educação voltada para os direitos humanos. Da mesma forma, as identidades nacionais e étnicas, que se articulam com questões de pertencimento e diversidade, são centrais no debate curricular. Em um país marcado pela pluralidade cultural e étnica como o Brasil, o reconhecimento e a valorização dessas identidades são fundamentais para a construção de uma sociedade mais inclusiva e democrática. A escola, nesse contexto, assume o papel de promover o respeito às diferenças e o diálogo entre culturas. Os aspectos geracionais e religiosos também precisam ser considerados no currículo escolar, pois influenciam diretamente as práticas sociais e educativas. As diferentes gerações trazem consigo valores, comportamentos e expectativas que impactam o ambiente escolar e o processo de ensino- aprendizagem. Além disso, as práticas religiosas, quando discutidas de forma inclusiva e plural, contribuem para o desenvolvimento de uma educação que respeita a diversidade de crenças e promove a convivência pacífica. Portanto, apresentaremos os fundamentos teóricos desses temas e iremos estratégias pedagógicas que permitam aos professores abordá-los de maneira sensível, crítica e transformadora. Assim, espera-se que os alunos possam desenvolver uma consciência crítica sobre as questões que envolvem sexualidade, identidade, geração e religiosidade, tornando-se cidadãos mais comprometidos com a equidade, o respeito e a justiça social. Vamos Começar! Hoje, observa-se em qualquer sala de aula, a presença do multiculturalismo e da diversidade cultural. É muito importante perceber que existem outras perspectivas identitárias relacionadas à sexualidade, às relações de gênero, ao pertencimento geracional, à religiosidade, à classe social, entre outras. Em relação à sexualidade ou às relações de gênero, a principal discussão se dá em torno da formação biológica do indivíduo (masculina ou feminina) e sua identidade de gênero, ou seja, a forma como se identifica e se reconhece. Uma matéria do governo do estado do Mato Grosso retrata o respeito à dignidade e à cidadania ao reconhecer e explicar os procedimentos para inserção do nome social no RG: Documento de identidade possibilita que pessoas trans sejam reconhecidas pelo nome social. Antes da classificação de identidade sexual, o professor precisa ter claro que ali se apresenta um ser humano em formação e o seu papel não é o de julgamento, mas o de respeito, acolhida, organizador de processos de aprendizagem. Sem dúvida, a escola também tem seu papel protetivo, ou seja, deve intervir acionando os órgãos competentes caso identifique situações de violência física ou emocional em relação a qualquer aluno que ocorram em casa quanto no ambiente escolar. As relações de gênero, por sua vez, merecem um outro olhar do professor: o olhar crítico que desvela as relações opressoras e de desigualdade em relação ao sexo feminino e supervalorização e proteção ao sexo masculino. A maior contribuição que os professores podem fazer desde a educação infantil é manter a atenção promovendo situações reflexivas sobre o que é de menino e o que é de menina, como: meninas não podem usar a quadra esportiva, meninos sentam na frente da sala e meninas atrás (para evitar bagunça), uso de termos agressivos e pejorativos “tinha que ser menininha mesmo”, imposição de cores e roupas específicas (rosa e saia para meninas, azul e shorts para meninos), divisão de brinquedos “femininos” e “masculinos”, entre outras tantas situações. Professores também devem trabalhar de forma adequada cada faixa etária para despertar a consciência crítica: observar e questionar como as mulheres são retratadas em imagens e textos nos materiais didáticos, programas televisivos, reportagens, propagandas etc. O papel é de submissão? Na escola em que trabalha, há mais mulheres ou homens? Nos ministériosque formam o governo, há mais mulheres ou homens? Por quê? O estudo dos desenhos que as crianças assistem também são importantes, pois em alguns já se observa o papel central dedicado ao gênero feminino. Essa discussão se alinha a uma perspectiva mais crítica ou pós-crítica de currículo. É preciso verificar como a escola se posiciona frente a estas e outras questões, para entender e promover os ajustes em termos curriculares. É preciso entender, também, como o currículo se coloca em termos de identificação geracional. Aqui a discussão perpassa a compreensão de mundo, o espaço da criança e do adulto, as diferenças etárias em sala de aula, as emersões de novas manifestações culturais, entre outras. Embora o curso de Pedagogia enfoque mais diretamente a formação de professores da educação infantil e do ensino fundamental anos iniciais, há outros espaços educacionais que o pedagogo pode exercer seu trabalho, tais como educação de jovens e adultos, educação em organizações da sociedade civil de interesse público (as antigas ONGs – Organizações não Governamentais), projetos populares e sociais, educação corporativa etc., nos quais o conflito entre gerações pode se tornar mais evidente, pois cada grupo geracional possui características próprias e visão de mundo particular. Mas, mesmo na escola de educação infantil pode-se encontrar o conflito de gerações entre professores recém-formados e professores que já possuem longa jornada profissional. O que pode ocorrer é quando a equipe diretiva é mais jovem do que a equipe docente (ou vice-versa). Ou mesmo quando uma turma do primeiro ano disputa a quadra com uma turma do oitavo ano: a tendência é favorecer os mais velhos ou os mais novos, quando o ideal é permitir e estimular que cheguem a um consenso e que todos sejam atendidos. A Figura 1 traz um pequeno exemplo de como as questões identitárias geracionais são diferenciadas e complexas. Figura 1 | Classificação das gerações. Fonte: Batista; Barea (2021). Então, se por um lado as gerações mais X e Y sejam vistas como antiquadas e não acompanham o ritmo dos Millenials, são essas gerações que trazem equilíbrio, orientações, antecipação de problemas, soluções mais coerentes e objetivas. O fato é que conforme as novas gerações vão nascendo, novas manifestações culturais as acompanham em seu desenvolvimento. Assim, cada época teve a sua forma de manifestação e que nem sempre são aceitas por gerações anteriores. Siga em Frente... Movimentos sociais, passeatas, cultura hippie, hip hop, rap e funk, como isso é visto dentro da escola? É preciso cuidar para que a os mais jovens tenham espaço para incluir, discutir e vivenciar as diversas manifestações culturais, que perpassam o compartilhamento de linguagens, as expressões corporais, como a dança, e as expressões de musicalidade, por exemplo. Da mesma forma, a diversidade cultural também aparece nas escolhas religiosas. O Brasil é um país com uma das maiores diversidades religiosas. Temos as religiões de matriz africana, tais como o candomblé e a umbanda, o cristianismo, que se divide em catolicismo, protestantismo, evangelismo, o hinduísmo, o islamismo, o taoísmo, o espiritismo (embora nem sempre se classifique como religião), o budismo, o xintoísmo, a wicca, as tradições religiosas indígenas, o paganismo, o agnosticismo e o ateísmo, que é a não crença em um Deus. A Figura 2 demonstra os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao último censo realizado em 2010 em relação à identidade religiosa da população brasileira. Figura 2 | População residente por religião, 2010. Fonte: IBGE. A identidade religiosa talvez seja uma das diversidades culturais mais desrespeitadas, principalmente aquelas que estão associadas às matrizes africanas, muito provavelmente por conta do próprio preconceito racial. É preciso mencionar que outro aspecto da diversidade cultural está associado à identificação ou pertencimento a uma classe social. Nas discussões realizadas sobre a diversidade cultural, não podemos deixar de lado os processos inclusivos escolares. Mencionamos a necessidade de um olhar responsável e inclusivo para as pessoas com deficiências e altas habilidades que participam do contexto escolar. Este grupo também é considerado uma minoria, alvo de preconceito, e deve ter seus direitos educacionais resguardados. O guia de orientações básicas para a inclusão de pessoas com deficiência (BRASIL, 2005), define deficiência da seguinte forma: “É toda restrição física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade funcional de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária”. Educandos com estas restrições têm mais dificuldade em acessar a escola e receber educação. Para isso, há ações que os professores precisam desenvolver junto às suas turmas que envolvam aspectos de socialização, de trabalhos em grupo, de respeito, de inclusão nas atividades, de adaptação curricular, de atendimento às necessidades educacionais específicas, do uso de equipamentos próprios e até mesmo do ensino de Libras (Língua Brasileira de Sinais) na perspectiva do bilinguismo. Como você deve ter percebido, a discussão sobre cada um dos temas que envolve o multiculturalismo, a diversidade cultural e os processos de inclusão é profunda, longa, multifacetada, envolve a imersão na própria diversidade cultural, a construção de valores que remetem ao respeito e à preservação dos direitos humanos e a identificação do papel social e cultural da própria escola. As perspectivas curriculares que levam a esta profundidade de discussão e de ação são as críticas e as pós-críticas. O papel do professor não é apenas evidenciar os mecanismos de opressão, preconceito e desrespeito, mas criar ações e propostas pedagógicas voltadas à formação de indivíduos que valorizem a própria diversidade cultural e tenha uma postura respeitosa e inclusiva em relação a manifestações culturais que não sejam próprias do seu repertório. O multiculturalismo e a diversidade cultural nem sempre receberam o devido espaço nos processos educacionais escolares. Houve um tempo que a educação tinha o papel de normatizar a sociedade de acordo com valores preestabelecidos por uma cultura branca, machista, opressora, exclusivista. Quem não se adequasse, não conseguia se manter na escola. Os estudos críticos e pós-críticos sobre o currículo e as práticas escolares permitiram que novos olhares pedagógicos se desenvolvessem e que novas práticas inclusivas, respeitosas, valorativas e acolhedoras fossem implantadas nas escolas. Há muitos anos havia uma enquete da TV Cultura que pedia a pedestres a responderem: “Onde você guarda o seu racismo?”. O entrevistador não perguntava se as pessoas eram racistas, mas onde elas guardavam seu racismo. Esta enquete foi repetida algumas vezes e, se você pesquisar, encontrará outros vídeos. Neste momento, convidamos você a fazer uma reflexão íntima e pessoal: você já se percebeu racista, homofóbico, preconceituoso? Como lidou com isso? Muitos projetos já são desenvolvidos nas escolas que visam práticas inclusivas e de respeito à diversidade cultural e ao multiculturalismo. Vejamos: Chá com as vovós: as avós são convidadas a passar um dia na escola e contar como foi a infância delas = enfrentamento do conflito entre gerações, abertura a diferentes realidades e culturas. Festa das Nações: apresentação de aspectos culturais de diversos países = multiculturalismo. Festival de talentos: apresentação de danças, músicas, teatro etc. = diversidade cultural. Debates com representantes religiosos = diversidade cultural. Que outras práticas além das citadas você conhece? As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) é um dos documentos que embasam a BNCC: Em 2010, o CNE promulgou novas DCN, ampliando e organizando o conceito de contextualização como “a inclusão, a valorização das diferenças e o atendimento à pluralidade e à diversidade cultural resgatando e respeitando as várias manifestações de cada comunidade. (BRASIL, 2018,p. 11) Mais à frente, a BNCC propõe propostas de leitura e desenvolvimento cognitivo que considerem a: Diversidade cultural, de maneira a abranger produções e formas de expressão diversas, a literatura infantil e juvenil, o cânone, o culto, o popular, a cultura de massa, a cultura das mídias, as culturas juvenis etc., de forma a garantir ampliação de repertório, além de interação e trato com o diferente. (BRASIL, 2018, p. 75). A BNCC, como documento normatizador dos currículos escolares nacionais, está alinhada com as propostas de respeito, valorização e disseminação da diversidade cultural. Ao final desta seção, vale levar adiante a reflexão de que as diferenças entre seres humanos é que proporcionam a própria evolução da sociedade, pois nos leva a refletir sobre nosso posicionamento e nossas ações frente ao multiculturalismo, à diversidade cultural e à diversidade entre pessoas, estimulando o exercício da empatia. Vamos Exercitar? Você e seus colegas são educadores sociais e trabalham em uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), antigamente conhecida como Organização Não-Governamental (ONG) que atende quarenta crianças de seis a doze anos no contraturno escolar. O objetivo desta OSCIP é desenvolver atividades de apoio escolar, desenvolvimento artístico, esporte e leitura. Acontece que as crianças se manifestam de forma tímida, demonstram baixa autoestima, não valorizam sua própria cultura original nem suas manifestações cotidianas. A instituição entende que o multiculturalismo e a diversidade cultural são um patrimônio histórico e social do país e gostaria que as crianças entendessem isso e valorizassem, não só a história da nação, mas a história de si mesmas, pois a construção da perspectiva identitária atravessa tanto a história do país quanto a história pessoal. Ao conversar com seus colegas, você percebeu que a problemática não se localiza apenas nas crianças, mas também nas famílias, que não valorizam sua própria origem e cultura. Neste sentido, vocês construíram um projeto que foi submetido à diretoria da OSCIP. A proposta do projeto é construir um movimento de valorização do multiculturalismo e da diversidade cultural local. Entre as diversas ações, há um momento especial em que se realiza um encontro com as famílias, para resgatar suas raízes sociais e culturais. Este encontro não deve ser apenas um momento em que os palestrantes (no caso, vocês, educadores sociais) ficam transmitindo informações histórias sobre a colonização do país e o multiculturalismo. Vocês querem realizar uma proposta mais viva, dinâmica e com a intensa participação das famílias e das crianças. Em grupo, elabore a proposta do encontro, pensando em uma abertura, um processo de construção e um fechamento. Nesta situação-problema, o grupo precisa planejar um encontro a ser realizado com as famílias, envolvendo as crianças que participam da OSCIP, para realizar um trabalho de resgate e valorização do multiculturalismo e da diversidade cultural. A preparação do evento pode ser realizada previamente, para que as famílias se preparem. Então, a sugestão é que se escolha uma temática que será desenvolvida no encontro. Vamos sugerir algumas e exemplificar uma mais detalhadamente. Temáticas sugeridas: História de vida dos avós das crianças História dos primeiros anos de vida da criança com fotografias ou outros elementos marcantes Como eram as roupas dos avós, dos pais e das crianças: o que mudou? Como era a alimentação? Algum prato tradicional na família? Tradições familiares: origem e adaptações Podem ser elencados outros temas. Para exemplificar, vamos escolher uma temática: Alimentação. Título: Prato tradicional da família Ações prévias: informar as famílias sobre o encontro, pedir que elaborem o prato para trazer no dia, pedir que enviem a receita antecipadamente (para que a equipe conheça e possa fazer a ação formativa), pedir que investiguem a origem da tradição na família (quem começou, o que aconteceu, como foi, quem continuou – apontando as transformações e também o valor desse prato nos eventos familiares – buscando resgatar a cultura que envolve a realização do prato e seu consumo – porque, às vezes, há todo um ritual para o momento do consumo: é sempre a mãe que põe a comida no prato de todo mundo? É sempre o avô que destrincha o frango? Faz alguma oração? Faz alguma brincadeira (“é pavê ou pá cumê”)? As crianças devem participar da preparação do prato e do resgate histórico. Ao receber as receitas, o grupo de educadores sociais deverá incrementar com informações importantes, que serão distribuídas entre as famílias. Por exemplo: Na feitura de um doce: a origem do açúcar, o papel dos escravizados nas primeiras lavouras da cana-de-açúcar, a riqueza agrícola da lavoura de açúcar. Feijoada: origem da feijoada, por qual razão os escravizados cozinhavam o feijão com pedaços de carne, como isso se tornou uma iguaria nobre. Se for um prato típico regional (pão de queijo, arroz carreteiro, vatapá): procurar a origem histórica e cultural que envolveu a criação do prato, a constituição histórica da região onde o prato foi criado. No dia do encontro: as famílias se rodiziam para degustação (veja, não se trata de uma refeição completa, apenas uma degustação – se for biscoito, trazer um para cada; se for feijoada, dividir em copinhos de café; se for bolo, dividir em pedações bem pequenos mesmo. Pense que haverá muitos tipos de alimento e troca de conhecimentos sobre a feitura dos pratos. Encerramento do encontro: cada família, juntamente com as crianças, apresenta o que aprenderam a partir das informações que trocaram com outras famílias, com as informações que os educadores trouxeram, momento de contar histórias e partilhar conhecimentos. Após o encontro: os educadores conversam com as crianças e propõe ações para valorizar a origem de cada uma delas e da construção cultural que envolveu cada um dos pratos: o que não sabiam, o que aprenderam, se gostam ou não gostam desse prato. É interessante que registrem de forma escrita, por desenho ou colagem. Agora é a sua vez! Como seu grupo organizaria um encontro com outra temática? E se for a mesma, que tal fazer diferente? Saiba mais Um dos principais pressupostos do trabalho “A sexualidade e o atual currículo escolar: quais as contribuições na construção da identidade do educando?” é evidenciar a importância de uma educação para a sexualidade na escola, que crie reais possibilidades para o aluno refletir e se emancipar com relação aos tabus que ainda rodeiam as discussões sobre sexualidade, para que, por si possa conhecer para respeitar a sua e diversas formas de sexualidade existentes em seu contexto. Referências BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum CurricularBase Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3wnNVYu. Acesso em: 04 out. 2024. BRASIL. Congresso. Senado Federal. Comissão Especial de Acessibilidade. Acessibilidade:Acessibilidade:Acessibilidade:Acessibilidade: passaporte para a cidadania das pessoas com deficiência. Guia de orientações básicas para a inclusão de pessoas com deficiência / Comissão Especial de Acessibilidade. – Brasília: Senado Federal, 2005. Disponível em: https://bit.ly/3i0Z6l5. Acesso em: 04 out. 2024. BATISTA, A. J. G. BAREA, N. R. Currículo e InovaçõesCurrículo e InovaçõesCurrículo e InovaçõesCurrículo e Inovações. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2021. IBGE. Principais resultados – características gerais da população, religião e pessoa comPrincipais resultados – características gerais da população, religião e pessoa comPrincipais resultados – características gerais da população, religião e pessoa comPrincipais resultados – características gerais da população, religião e pessoa com deficiênciadeficiênciadeficiênciadeficiência. 2010. Disponível em: https://bit.ly/3hkFfy2. Acesso em: 04 out. 2024. SANTOS, A. C. A sexualidade e o atual currículo escolar: A sexualidadee o atual currículo escolar: A sexualidade e o atual currículo escolar: A sexualidade e o atual currículo escolar: quais as contribuições na construção da identidade do educando? Disponível em: https://www.marilia.unesp.br/Home/Eventos/2015/xiisemanadamulher11189/a-sexualidade-e-o- atual_ana-carolina-teixeira.pdf. Acesso em: 4 out. 2024. Currículo e Inovações Olá, estudante! Nesta videoaula, exploraremos como o currículo escolar pode ser organizado para o desenvolvimento de competências por meio de metodologias ativas e inovadoras, adequadas a um mundo em constante transformação. Discutiremos novas estratégias de ensino que promovam habilidades essenciais como comunicação, criatividade, análise crítica, participação, colaboração e protagonismo dos alunos. Além disso, veremos que um currículo inovador deve estar fundamentado em uma clara concepção pedagógica, conectada ao contexto social, cultural e tecnológico em que a escola está inserida, proporcionando uma educação mais dinâmica e significativa para os estudantes. Vamos lá? Faça o download do arquivo Ponto de Partida Olá, estudante! Os estudos sobre currículo são fundamentais para a educação, pois tratam da centralidade e finalidade desta área. Um dos aspectos importantes sobre o currículo é sua relação com a contemporaneidade e as inovações próprias do contexto no qual está inserido. O fato é que a tecnologia e o aumento de informações provocaram transformações profundas no mundo, nos conhecimentos e nas relações. Essas transformações precisam ser consideradas na perspectiva educacional de um país e estarem presentes no currículo escolar. Neste sentido, o currículo deve refletir a preparação dos educandos para a vida no presente e futuro próximo. O mundo em transformação propõe a necessidade de indivíduos que sejam comunicativos, criativos, críticos, participativos, colaborativos e protagonistas. Mas, como atingir esta perspectiva formativa? Como organizar os processos escolares para formar o cidadão e a cidadã para os desafios da contemporaneidade?O currículo escolar deve investir no desenvolvimento das competências básicas, especificamente aquelas propostas na BNCC, proporcionar flexibilidade suficiente para promover o diálogo e a articulação entre o conhecimento local e o global e deve ser modernizado por meio da inserção de metodologias inovadoras e ativas. Já estudamos o uso das tecnologias, a diversidade cultural e o multiculturalismo e agora chegou o momento de explorar as técnicas metodológicas voltadas à autonomia e ao protagonismo do aluno em seu processo de aprendizagem. A aprendizagem significativa ocorre melhor quando o(a) educando(a) realiza as ações de organizar, contextualizar, sistematizar, comparar e avaliar conhecimentos, sendo capaz de questionar e criticar, desenvolvendo conclusões próprias, apoiadas em bases científicas, superando as compreensões equivocadas ou superficiais. Existem metodologias específicas para desenvolver processos significativos de aprendizagem, são chamadas metodologias ativas e conhecidas como: ensino híbrido, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em projetos, sala de aula invertida, ensino personalizado e gamificação. O ano de 2020 foi um ano marcado por uma pandemia por um vírus chamado SARS-COV2, causador do COVID-19, que ocasionou a morte de mais de dois milhões de pessoas pelo mundo. O vírus, facilmente transmissível e que traz consequências graves para quem sofre a contaminação, obrigou que os países do mundo criassem mecanismos para contenção do vírus, entre eles: lockdown, uso de máscaras e equipamentos de proteção, criação de protocolos de higiene e notificações e multas para aqueles que não cumprem as novas regras. A educação também precisou se adaptar. As escolas fecharam e não puderam mais atender alunos no modelo presencial, mas a educação continuou apoiada pelos recursos da tecnologia, incluindo os processos de alfabetização e os princípios de inclusão escolar e respeito às diversidades. Priscila é professora da primeira série do ensino fundamental e em 2020 foi a primeira vez que lecionou. O ensino remoto foi implementado nos primeiros meses de 2020 e os alunos de Priscila tiveram aulas virtuais e seguiram com o processo de alfabetização. Agora, as escolas já foram abertas, porém muitas práticas pedagógicas do período da pandemia foram incorporadas no processo educacional escolar. Priscila precisa reorganizar o processo educativo, incluindo: O uso das (TDIC) Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação, favorecendo a transformação das relações no interior da escola e trazer formas inovadoras de ensinar e aprender, enfocando o multiletrar com a utilização das TDIC. As perspectivas identitárias em torno da sexualidade, das identidades nacionais e étnicas, geracionais, religiosas, de classe, o currículo inclusivo e bilingue e a educação igualitária para negros, deficientes, indígenas, quilombolas, além de outros. Uma análise crítica, reflexiva, moderna e prática a partir de novas estratégias de ensino, metodologias ativas e inovadoras e propostas que promovam a comunicação, a criatividade, a análise crítica, a participação, a colaboração e o protagonismo, de acordo com uma proposta de diálogo e articulação entre o conhecimento local e global. Você é o coordenador pedagógico da escola na qual a professora Priscila trabalha e seu papel é ajudá-la a melhorar seu processo educativo. Nesta seção, vamos trabalhar com o terceiro item referente à reorganização do processo educativo a ser realizado pela professora. As metodologias ativas são empregadas para colocar os estudantes como protagonistas de sua aprendizagem, promovendo a comunicação, a criatividade, a análise crítica, a participação e a colaboração, de acordo com uma proposta de diálogo e articulação entre o conhecimento local e global. A professora Priscila se interessou por estas metodologias de ensino e entendeu que elas podem promover a aprendizagem significativa, porém possui pouco conhecimento sobre isso. Você, como coordenador pedagógico, precisa elaborar uma apresentação que traga informações detalhadas sobre as metodologias ativas (as principais técnicas são: aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em projetos, gamificação, sala de aula invertida, ensino híbrido, ensino personalizado, entre outras). Crie três telas (ou slides) para cada técnica mencionada, contendo: apresentação da técnica (o que é e como funciona), sua relação com a BNCC e um exemplo de aplicação. Como profissional da educação, você sabe que precisará se atualizar constantemente sobre os recursos e processos de ensino modernos. É preciso aperfeiçoar as formas de ensinar, estruturando ações que promovam a aprendizagem significativa baseada em metodologias ativas, já que estas apresentam uma relação propícia para o desenvolvimento das competências. Vamos lá? Vamos Começar! A BNCC (BRASIL, 2018) traz uma perspectiva inovadora e contemporânea ao propor que a educação em território nacional seja organizada em torno do desenvolvimento de dez competências básicas. A seguir, apresentamos um quadro que traz uma versão resumida das dez competências gerais da educação básicas da BNCC.F Figura 1 | Dez competências gerais da educação básica. Fonte: adaptada de Brasil (2018). Essas dez competências, para serem desenvolvidas, precisam de construção de conhecimentos, prática de habilidades, mobilização de atitudes e edificação de valores. Aulas expositivas não favorecem o desenvolvimento de competências. A escola, atualmente, precisa formar o educando para se adaptar às transformações constantes do mundo, por este motivo precisa investir em metodologias que estimulem criatividade, resiliência, comunicação, proatividade, criticidade, colaboratividade e protagonismo. Vejamos como as competências propostas na BNCC se colocam tanto para a construção de conhecimentos (competências 1, 2 e 5), como para seu emprego no cotidiano (competências 4, 7 e 10), bem como para o desenvolvimento socioemocional (competências