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Projeto Integrador 5º Semestre 
Os desafios da Gestão do Desenvolvimento Local sob uma perspectiva 
interseccional 
1. INTRODUÇÃO 
As empresas têm encontrado diversos desafios para uma boa gestão do desenvolvimento local 
atrelado a valorização do ser humano, do meio ambiente e principalmente o incentivo a 
diversidade nas organizações, este fator tem gerado diversos debates e trata-se de um processo 
lento de transformação cultural nas organizações (OLIVEIRA, 2020). Rodrigues (2021) afirma 
que a implementação das novas economias, buscando um desenvolvimento local sustentável, 
deve ser feito com consciência social, visto a quebra de paradigmas e a luta constante para a 
mudança da cultura organizacional, ou seja, do pensamento do puro capitalismo, onde a busca do 
lucro é feita acima de qualquer custo. 
Atualmente, práticas de responsabilidade Socioambiental estão se tornando cada vez mais 
essenciais para todo o mundo. Por este motivo, empresas, governos e toda a sociedade devem ser 
tanto praticantes como fiscalizadores destas práticas, ou seja, a produção em grande escala sem a 
preocupação com questões de proteção ambiental e desenvolvimento sociais já não são mais 
vistos com bons olhos pelos consumidores e toda a sociedade (WIKIHAUS, 2023). De acordo 
com pesquisas realizadas pela Nielsen (2015) indicam que a responsabilidade Socioambiental 
aplicada por empresas traz diversas vantagens econômicas por ser um fator atrativo para 
investidores, além de um marketing positivo e melhora da reputação empresarial, causando a 
fidelização e confiança para clientes. 
Em meio aos danos ambientais, redução de recursos naturais, problemas sociais e escândalos 
de corrupção dentro das empresas, vem motivando a alta implementação de boas práticas como a 
chamada ESG, do inglês Environmental, Social and Governance, tratando-se de práticas 
empresariais aliadas com a consciência ambiental pela busca de processos sustentáveis que 
reduzam danos e riscos ambientais; ações sociais que promovam o desenvolvimento social e 
reduzam a desigualdade e a pobreza; e por último, práticas de governança corporativa visando 
ações mais transparentes e evitando casos de corrupção e desvio de dinheiro. Isso tem grande 
impacto na reputação das empresas perante aos seus stakeholders e toda a sociedade, sendo um 
bom índice em meio um cenário mercadológico altamente concorrido e a busca por parcerias e 
investimentos (TOTVS, 2022). 
Como um exemplo de prática social, a Caixa Econômica Federal lançou em 2023 o Programa 
Mulheres de Favela, que se trata de um programa que visa a promoção do desenvolvimento social 
por meio de programas de capacitação, incentivo ao empreendedorismo e geração de renda para 
mulheres moradoras de favelas do Brasil, apenas na fase inicial do programa serão investidos R$ 
16,6 milhões de reais do Fundo Socioambiental da Caixa no desenvolvimento de laboratórios de 
inovação e ensino, promovendo treinamentos e capacitações para a população (CAMPOS, 2023). 
Por este motivo, o objetivo do projeto é a analisar as práticas de ESG desenvolvidas por 
empresas que promovam o desenvolvimento local, como o Programa Mulheres de Favela, 
promovido pela Caixa Econômica Federal. A metodologia empregada para desenvolvimento do 
projeto foi a pesquisa bibliográfica, utilizando como material de pesquisa os artigos científicos, 
livros, vídeos, notícias e sites confiáveis. 
2. DESENVOLVIMENTO 
2.1. Desafios da gestão do desenvolvimento local sobre uma perspectiva 
interseccional 
 Mudanças causadas por empresas vêm sendo debatidas com frequência pela 
sociedade, visto casos de problemas sociais e econômicos causados em ambiente 
corporativos, esses problemas apontam que as organizações são consideradas agentes 
fundamentais para um desenvolvimento local em concordância com ações sociais e a 
proteção do meio ambiente (SILVA, 2010). 
 Rodrigues (2021), afirma que as empresas que colocam em práticas a novas 
economias, dentre elas a economia compartilhada, criativa, circular e verde com o 
pensamento capitalista, sem a real valorização do ser humano, causam diversos 
problemas, dentre eles a precarização do trabalho e a redução dos direitos trabalhistas em 
relações de trabalho com plataformas tecnológicas. Conti (2005 apud Silva 2010) aponta que 
“o desafio do desenvolvimento local é de natureza organizacional e envolve, portanto, a 
coordenação de atores sociais e não somente de agentes de mercado com seus princípios de ação 
e comunicação. ” 
 Um dos reais desafios da busca do desenvolvimento local sob a perspectiva interseccional 
é alinhar a produtividade com ações sustentáveis de redução aos impactos ambientais, incentivos 
a programas de desenvolvimento social, além da busca a transparência corporativa, evitando 
assim casos de corrupção, ou seja, uma empresa deve se preocupar com o todo, o ecossistema em 
que ela está localizada, mas isso não pode ser algo apenas de fachada, ações ambientais e sociais 
devem estar atreladas em toda a cultura organizacional (ALVES; CUNHA; GOMES, 2019). 
Já o conceito de interseccionalidade foi definido por Kimberlé Crensshaw, uma ativista 
americana dos direitos civis, sendo uma das principais defensoras da teoria crítica da raça, teoria 
esta que se trata de uma vertente que estuda e analisa o racismo estrutural dentro da sociedade. O 
objetivo deste conceito de desenvolvimento local baseado em questões de inteseccionalidade é o 
combate em meio ao ambiente social e corporativo, ao racismo, preconceito, desigualdade e 
opressões, a fim de incentivar a diversidade e a inclusão ao trabalho, porém esta aplicação ainda 
sofre por desafios, sendo que não deve ser visto apenas como um conceito, mas algo que deve ser 
aplicado no dia-a-dia da empresa, sendo um esforço constante para mudanças das culturas 
organizacionais e o combate a problemas sérios como racismo e os assédios morais e sexuais nas 
empresas (NÓR, 2022). 
2.2. Práticas de ESG nas empresas 
O ESG abrange o tema social, ambiental e governamental em empresas para que esses pontos 
sejam de extrema importância no ato de análise de investimentos pelos futuros compradores ou 
investidores, impactando em suas decisões. Além de que o termo foi citado em 2005 na ONU no 
relatório WHO CARES WINS (Quem se importa, ganha), que aponta o trio de medidas e a sua 
disseminação dos impactos ambientais, sociais e governamental, mais se popularizou 
exponencialmente. Os temas principais à temática ESG foram alcançadas com as agendas 
corporativas, estimuladas por instituições financeiras e os investidores que querem investimentos 
em organizações socialmente responsáveis (BLUEPRINT, 2020). Em razão que o tema ESG 
adaptou-se precisamente aos debates da agenda empresarial, bem como a de maior importância 
as empresas analisadas pelo mercado, personalizando as questões de maior relevância para as 
empresas e sociedade (NIEMOLLER, 2021). 
Segundo relatório da PwC a expectativa é que até 2025, 57% dos investimentos em empresas 
na Europa estarão em empresas que possuem práticas de ESG, este investimento representa cerca 
de US$8,9 trilhões. Além disso, 77% dos investidores institucionais planejam cessar a compra de 
produtos de empresas que não implementam ações de ESG. No Brasil, os fundos de ESG 
atingiram a marca de 2,5 bilhões de reais de investimento no ano de 2020 (PACTO GLOBAL, 
2023). 
2.3. Ações sociais empresariais o S do ES 
Dos três pilares principais de ESG, o S é representado pela responsabilidade social das 
empresas, ou seja, em como é a relação que a empresa tem com as pessoas. Buscando ir além do 
que pede a legislação, a parte social visa atingir diretamente diversos indivíduos, comunidades e 
a sociedade em geral (CONTENT TEAM, 2022). Fazendo a inclusão de diferentes pessoas e 
culturas, trazendo a redução da desigualdade social no meio corporativo. Além da melhoria de 
imagem nas instituições que investem em práticassociais, é importante que essa melhoria seja 
usada tanto na intuição, seja com seus colaboradores, até mesmo fora dela como com seus 
clientes/fornecedores e sociedade (MEIO & MENSAGEM, 2022). 
As ações corporativas representadas pela parte social, estão entre elas à inclusão, a 
diversidade, trazendo as corporações a igualdade de gênero, equidade racial, melhorias para o 
meio ambiente e sua preservação, diversidade na empresa (como a inclusão e permanência de 
pessoas portadoras de deficiência), entre outros (ESOLIDAR, 2021). Hoje em dia existem 
programas e ferramentas criadas para poder trazer na prática a inclusão dessas ações sociais, assim 
como a ferramenta de cálculo do índice de equivalência racial do ESG, no qual muda o foco das 
organizações colocando em setores de atividades mais amplas, no qual ele traz resultados cada 
um dos 25 grandes subsetores da economia, conforme a classificação do IBGE É um grande 
incentivo para a adesão das empresas de auditoria e organizações da sociedade civil ao protocolo 
ESG racial. (FILIPE, 2022). 
2.4. Programa Social Mulheres de Favela da Caixa Econômica Federal 
O Programa Mulheres de Favela foi lançado pela Caixa Econômica Federal em parceria com 
a CUFA (Central Única das Favelas), a empresa de crédito VISA e a empresas de inovação Impact 
Hub em março de 2023, com cerca de R$ 16,6 milhões de investimento do Fundo Socioambiental 
da Caixa. A proposta é a criação de um laboratório de pesquisa, inovação e ensino, sendo um 
espaço destinado para a capacitação e desenvolvimento social de moradoras de comunidades com 
base no acolhimento, empreendedorismo, educação financeira, inovação em produtos bancários, 
habitação, fomento social e integração de projetos de impacto social positivo e políticas públicas, 
a fim de promover a geração de renda e a independência financeira. A expectativa inicial é que 
sejam atendidas em média 300 mulheres nestes laboratórios em programas de capacitação, além 
de mais 1500 em oficinas de ensino online (CAMPOS, 2023). 
Inicialmente o programa está sendo implementado para moradoras do Complexo da Penha 
(RJ), Complexo Coutos (BA) e da Comunidade de Heliópolis (SP), podendo atender cerca de 900 
mulheres em treinamentos de empreendedorismo e mais 4.500 mulheres em diversas oficinas e 
atividades online. Os pilares do programa são a geração de renda pelo apoio à pequena 
empreendedora, além da geração de empregos locais pela capacitação e a conexão com empresas 
e entidades parceiras. A moradia digna pela promoção de oficinas de orientação sobre a qualidade 
da moradia e assistência social por meio de parcerias realizando melhorias de casas locais. E por 
fim a melhoria na qualidade de vida através do apoio a discussões sobre barreiras e problemas 
sociais como violência doméstica, dificuldades a acessos à creche, saúde, educação, cultura e 
lazer (CAIXA, 2023). 
3. CONCLUSÃO 
As Boas Práticas Gerenciais, aliadas aos conceitos de ESG, ou seja, questões sustentáveis, 
sociais e de governança corporativa, estão sendo cada vez mais indispensáveis atualmente, 
principalmente frente aos desafios do desenvolvimento local que possam abranger estas esferas. 
Como principal desafio para implementação destas ações está a mudança de cultura 
organizacional dentro das empresas, que antes era focada apenas na produção em grande escala 
sem a preocupação com o uso de recursos naturais e a busca constante pelo lucro, as quais são 
sim um fator importante para a sobrevivência das empresas, mas não deve ser a única 
preocupação. 
As empresas são um dos principais agentes de transformação e devem estar atentas ao 
meio ambiente em que elas ocupam. Ações sustentáveis, sociais e de transparência, também 
contribuem para o melhoramento da reputação organizacional, e pode ser considerado um fator 
importante para a busca de investimento, parcerias e parcelas de mercado. E é dever dos gestores 
empresariais estarem atentos as questões de interseccionalidade, visando combater duramente 
qualquer caso de descriminação, assédio moral e sexual nas empresas, promovendo a mudança 
na cultura organizacional e a implementação da gestão da diversidade nas organizações e o acesso 
igualitário ao mercado de trabalho para todos, independentemente da suas caraterísticas pessoais. 
Como o caso da Caixa Econômica Federal que através da implementação do programa 
Mulheres de Favela, demonstra a sua preocupação com as moradoras de comunidades e garante 
o desenvolvimento social e econômico local. Além de ser um programa de auxílio e divulgação 
de informação e conhecimento, também traz como benefícios a assistência à moradia digna e 
acolhimento de mulheres em situação de risco ou sofrendo violência doméstica. 
REFERÊNCIAS 
ALVES, J. L.; CUNHA, A. G. M .; GOMES, G. X. S. Desafios e Perspectivas para o 
Desenvolvimento Local Sustentável em Múltiplas Dimensões. Universidade de Pernambuco. 
EDUPE. [s.l: s.n.] 2019. 
BLUEPRINT. Environmental, Social, and Governance (ESG) Investing. Environmental, Social, 
and Governance (ESG) Investing, [S. l.], v. 07030, n. 201, p. 9930, 2020. 
CAIXA. Mulheres de Favela. 2023. Disponível em: 
. Acesso em: 08 set. 2023. 
CAMPOS, A. C. No Rio, Caixa Econômica lança Programa Mulheres de Favela. Agência 
Brasil. 2023. Disponível em: . Acesso em: 08 set. 2023. 
CONTENT TEAM. O que é a parte social do ESG? Entenda como funciona na pratica. 
2022. Disponível em: . Acesso 
em: 22 set. 2023. 
CONTI, S. Espaço global versus espaço local: perspectiva sistêmica do desenvolvimento local. 
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ESOLIDAR. O “S” da ESG: importância e como abordar na sua empresa. 2021. Disponível 
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FILIPE, M. Índice inédito mostra situação racial nas empresas brasileiras. 2022. Disponível 
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MEIO&MENSAGEM. EP3: O lado Social do ESG. ESG: Conceitos e prática, por Meio & 
Mensagem. 18 de ago. 2022. 1 vídeo (13min 41s). Disponível em: 
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NIEMOLLER, J. ESG and Sustainability – What’s the difference? - PeaSoup Cloud. 2021. 
Disponível em: https://peasoup.cloud/2021/06/14/esg-and-sustainability-hats-the-difference/. 
Acesso em: 22 set. 2023. 
NIELSEN. Escolhas sustentáveis: Como empresas socialmente responsáveis lucram com 
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NÓR, B. Você sabe o que é interseccionalidade? Entenda por que isso é importante. 2022. 
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OLIVEIRA, N. M. D. Desenvolvimento Local: Quo Vadis? Revista do Desenvolvimento 
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RODRIGUES, N. Adjetivação da economia: compartilhada, criativa, circular e verde. Para 
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TOTVS. ESG: o que é, como funciona, vantagens e características. 2022. Disponível em: 
. Acesso em: 26 set. 2023. 
WIKIHAUS. Conheça 5 empresas que desenvolvem ações sociais. 2023. Disponível em: 
. Acesso 
em: 08 set. 2023.

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