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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA AVALIAÇÃO INTEGRADA DOS RECURSOS NATURAIS COMO INSTRUMENTO DE APOIO AO ORDENAMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: ESCOLHA UMA DE ESTUDO Bernardete Da Rosa Joana Albino Lino Soares Código: 708216648 Curso: Licenciatura em Gestão Ambiental Disciplina: Avaliação Integrada dos Recursos Naturais e Ordenamento Territorial Ano de frequência: 4° Ano, Turma B Nampula, Maio de 2026 II Bernadete da Rosa Albino Lino Soares AVALIAÇÃO INTEGRADA DOS RECURSOS NATURAIS COMO INSTRUMENTO DE APOIO AO ORDENAMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: ESCOLHA UMA DE ESTUDO Nampula, Maio de 2026 Trabalho de pesquisa de carácter avaliativo da cadeira de Avaliação Integrada dos Recursos Naturais e Ordenamento Territorial, 4ºano turma B, curso de Licenciatura em Gestão Ambiental leccionado na UCM, a ser entregue no Instituto de Educação à Distância ao docente: Diasmina Chande III Folha de Feedback Categorias Indicadores Padrões Classificação Pontuação máxima Nota do tutor Subtotal Estrutura Aspectos organizacionais Capa 0.5 Índice 0.5 Introdução 0.5 Discussão 0.5 Conclusão 0.5 Bibliografia 0.5 Conteúdo Introdução Contextualização (Indicação clara do problema) 1.0 Descrição dos objectivos 1.0 Metodologia adequada ao objecto do trabalho 2.0 Análise e discussão Articulação e domínio do discurso académico (expressão escrita cuidada, coerência / coesão textual) 2.0 Revisão bibliográfica nacional e internacionais relevantes na área de estudo 2. Exploração dos dados 2.0 Conclusão Contributos teóricos práticos 2.0 Aspectos gerais Formatação Paginação, tipo e tamanho de letra, paragrafo, espaçamento entre linhas 1.0 Referências Bibliográficas Normas APA 6ª edição em citações e bibliografia Rigor e coerência das citações/referências bibliográficas 4.0 IV Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor V Índice I. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 6 1.1. Objectivos .................................................................................................................... 7 1.1.1. Geral ..................................................................................................................... 7 1.1.2. Específicos ............................................................................................................ 7 1.2. Metodologia ................................................................................................................. 7 II. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................................... 8 2.1. Avaliação Integrada dos Recursos Naturais................................................................. 8 2.2. Métodos e Técnicas de Avaliação e Valoração dos Recursos Naturais ....................... 9 2.2.1. Métodos de Avaliação dos Recursos Naturais...................................................... 9 2.2.2. Técnicas de Valoração dos Recursos Naturais ................................................... 10 2.2.3. Importância da Avaliação e Valoração dos Recursos Naturais .......................... 11 2.3. Relação entre Ordenamento Territorial e Uso Sustentável dos Recursos Naturais ... 11 2.4. Análise da Legislação Ambiental e de Ordenamento Territorial em Moçambique ... 13 2.4.1. Constituição da República de Moçambique ....................................................... 13 2.4.2. Lei do Ambiente (Lei n.º 20/97) ......................................................................... 14 2.4.3. Lei de Terras (Lei n.º 19/97)............................................................................... 14 2.4.4. Lei do Ordenamento Territorial (Lei n.º 19/2007) ............................................. 15 2.4.5. Política Nacional do Ambiente ........................................................................... 16 2.4.6. Desafios da Implementação da Legislação Ambiental ....................................... 16 2.4.7. Importância da Legislação Ambiental e Territorial ............................................ 17 III. CONCLUSÃO ............................................................................................................... 18 IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 19 6 I. INTRODUÇÃO Os recursos naturais representam elementos fundamentais para a sobrevivência humana e para o desenvolvimento económico e social das nações. Em Moçambique, recursos como terra, água, florestas, fauna, minerais e recursos marinhos desempenham um papel importante na economia nacional e no sustento das comunidades. Contudo, o crescimento populacional, a urbanização acelerada, a exploração intensiva dos recursos naturais e as mudanças climáticas têm provocado diversos problemas ambientais, tais como desflorestação, erosão dos solos, poluição e ocupação desordenada do território. Neste contexto, a avaliação integrada dos recursos naturais surge como um instrumento essencial para apoiar o ordenamento territorial sustentável, permitindo analisar de forma conjunta os aspectos ambientais, económicos e sociais relacionados com o uso dos recursos naturais. Esta abordagem contribui para a identificação das potencialidades e limitações do território, promovendo uma gestão equilibrada dos recursos disponíveis e reduzindo os impactos ambientais negativos. O ordenamento territorial sustentável visa organizar o uso do espaço geográfico de forma racional, garantindo a compatibilidade entre actividades económicas, conservação ambiental e melhoria das condições de vida das populações. Assim, a integração entre avaliação ambienta l e planeamento territorial torna-se importante para assegurar o desenvolvimento sustentável e a preservação dos recursos naturais para as gerações futuras. Segundo Sachs (2002), o desenvolvimento sustentável depende da harmonização entre crescimento económico, inclusão social e protecção ambiental. Desta forma, a avaliação integrada dos recursos naturais desempenha um papel estratégico na formulação de políticas públicas ambientais e territoriais. O presente trabalho aborda a avaliação integrada dos recursos naturais como instrumento de apoio ao ordenamento territorial sustentável em Moçambique, destacando os principa is métodos de avaliação e valoração dos recursos naturais, a relação entre ordenamento territoria l e sustentabilidade ambiental, bem como a análise da legislação ambiental e territorial vigente no país. 7 1.1. Objectivos 1.1.1. Geral Analisar a avaliação integrada dos recursos naturais como instrumento de apoio ao ordenamento territorial sustentável em Moçambique. 1.1.2. Específicos Explicar o enquadramento teórico da avaliação integrada dos recursos naturais; Identificar os métodos e técnicas de avaliação e valoração dos recursos naturais; Relacionar o ordenamento territorial com o uso sustentável dos recursos naturais; Avaliar a legislação ambiental e de ordenamento territorial em Moçambique. 1.2. Metodologia Para a realização deste trabalho recorreu-se à pesquisa bibliográfica, através da consulta de livros, artigos científicos, legislação moçambicanae documentos electrónicos relacionados com recursos naturais, ordenamento territorial e sustentabilidade ambiental. O método qualitat ivo permitiu analisar e interpretar informações relevantes sobre o tema em estudo. 8 II. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. Avaliação Integrada dos Recursos Naturais A avaliação integrada dos recursos naturais constitui um processo multidisciplinar que visa analisar, de forma conjunta, os elementos ambientais, económicos e sociais relacionados com a utilização dos recursos naturais. Este processo procura compreender as interacções entre o ser humano e o meio ambiente, de modo a garantir uma gestão sustentável dos recursos disponíveis. Segundo Sachs (2002), o desenvolvimento sustentável baseia-se no equilíbrio entre crescimento económico, justiça social e conservação ambiental. Neste contexto, a avaliação integrada dos recursos naturais torna-se um instrumento essencial para apoiar a tomada de decisões relacionadas com o uso do território e a exploração dos recursos naturais. Os recursos naturais correspondem aos elementos existentes na natureza que podem ser utilizado s pelo homem para satisfazer as suas necessidades. Estes recursos dividem-se em renováveis e não renováveis. Os recursos renováveis incluem água, florestas, fauna e solos férteis, enquanto os recursos não renováveis abrangem minerais, carvão, petróleo e gás natural (MICOA, 2007). A avaliação integrada procura analisar não apenas a disponibilidade dos recursos naturais, mas também os impactos ambientais resultantes da sua exploração. De acordo com Barbieri (2007), a exploração descontrolada dos recursos naturais pode provocar degradação ambiental, perda da biodiversidade, poluição e alterações climáticas, comprometendo o desenvolvimento sustentável. No contexto do ordenamento territorial, a avaliação integrada dos recursos naturais desempenha um papel importante na definição de políticas públicas relacionadas com o uso da terra, conservação ambiental e planificação territorial. Segundo a Lei do Ordenamento Territorial de Moçambique (Lei n.º 19/2007), o ordenamento territorial visa organizar o espaço nacional de forma equilibrada, assegurando o uso racional dos recursos naturais e a melhoria das condições de vida das populações. A avaliação integrada também está associada à gestão ambiental participativa, envolvendo o Estado, sector privado e comunidades locais na tomada de decisões sobre os recursos naturais. Para Nhantumbo e Salomão (2010), a participação comunitária na gestão dos recursos naturais contribui para a conservação ambiental e para o desenvolvimento local sustentável. 9 Em Moçambique, a necessidade de avaliação integrada dos recursos naturais tornou-se mais evidente devido ao aumento da exploração mineira, expansão agrícola, crescimento urbano e ocorrência frequente de fenómenos naturais, como cheias e ciclones. Estes factores aumentam a pressão sobre os ecossistemas e reforçam a importância do planeamento territorial sustentável. 2.2. Métodos e Técnicas de Avaliação e Valoração dos Recursos Naturais A avaliação e valoração dos recursos naturais representam instrumentos fundamentais para a gestão sustentável do meio ambiente e para o ordenamento territorial. Estes métodos permitem identificar a quantidade, qualidade, importância económica e impacto ambiental associado à utilização dos recursos naturais, contribuindo para uma melhor tomada de decisões. Segundo Motta (2006), a avaliação dos recursos naturais consiste no conjunto de procedimentos utilizados para analisar o estado dos recursos ambientais e os efeitos das actividades humanas sobre os ecossistemas. Já a valoração ambiental procura atribuir valor económico aos recursos naturais e aos serviços ambientais, mesmo quando estes não possuem preço directo no mercado. 2.2.1. Métodos de Avaliação dos Recursos Naturais A avaliação dos recursos naturais pode ser realizada através de diferentes métodos científicos e técnicos, dependendo do tipo de recurso e dos objectivos do estudo. a) Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) A Avaliação de Impacto Ambiental é um dos principais instrumentos utilizados na gestão ambiental. Este método analisa os possíveis impactos positivos e negativos de determinados projectos sobre o meio ambiente antes da sua implementação. Em Moçambique, a Avaliação de Impacto Ambiental é obrigatória para actividades susceptíve is de causar degradação ambiental, como mineração, construção de barragens, exploração florestal e indústrias (Assembleia da República de Moçambique, 1997). Segundo Glasson, Therivel e Chadwick (2005), a AIA contribui para a prevenção de danos ambientais e para a promoção do desenvolvimento sustentável. b) Sistemas de Informação Geográfica (SIG) Os Sistemas de Informação Geográfica são ferramentas tecnológicas utilizadas para recolher, armazenar, analisar e representar informações espaciais relacionadas com os recursos naturais. 10 Os SIG permitem identificar áreas de risco ambiental, monitorar mudanças no uso da terra e apoiar o planeamento territorial sustentável. Em Moçambique, esta técnica é frequentemente utilizada na gestão florestal, agrícola e urbana. c) Sensoriamento Remoto O sensoriamento remoto utiliza imagens captadas por satélites e drones para monitorar alterações ambientais à distância. Este método é importante para acompanhar fenómenos como desflorestação, erosão dos solos, queimadas e expansão urbana. De acordo com Novo (2010), o sensoriamento remoto facilita a análise ambiental em grandes áreas territoriais, reduzindo custos e aumentando a precisão das informações. d) Inventário dos Recursos Naturais O inventário dos recursos naturais consiste no levantamento detalhado das características e quantidades dos recursos existentes numa determinada região. Este método é utilizado para identificar recursos florestais, recursos hídricos, biodiversidade, minerais e potencial agrícola, servindo de base para políticas de conservação e exploração sustentável. 2.2.2. Técnicas de Valoração dos Recursos Naturais A valoração ambiental procura atribuir valor económico aos recursos naturais e aos serviços ecossistémicos, permitindo medir os prejuízos causados pela degradação ambiental. a) Método do Custo de Reposição Este método calcula quanto custaria restaurar ou substituir um recurso natural degradado. Por exemplo, pode ser utilizado para estimar os custos de recuperação de áreas florestais destruídas. b) Método dos Custos Evitados Consiste em calcular os custos que seriam evitados caso existam medidas adequadas de conservação ambiental. Por exemplo, a preservação de mangais pode reduzir custos relacionados com erosão costeira e inundações. 11 c) Método de Valoração Contingente Este método utiliza questionários para determinar quanto as pessoas estariam dispostas a pagar pela conservação de determinado recurso natural ou serviço ambiental. Segundo Motta (2006), esta técnica é muito utilizada na avaliação económica de parques naturais, biodiversidade e qualidade da água. d) Análise Custo-Benefício Ambiental A análise custo-benefício compara os custos ambientais e económicos de um projecto com os benefícios esperados, permitindo avaliar a viabilidade ambiental e financeira das actividades. Este método é frequentemente utilizado em projectos de desenvolvimento, infra-estruturas e exploração de recursos naturais. 2.2.3. Importância da Avaliação e Valoração dos Recursos Naturais A avaliação e valoração dos recursos naturais são importantes porque permitem: Promover o uso sustentável dos recursos naturais; Apoiar o ordenamento territorial; Reduzir impactos ambientais; Melhorar a formulação de políticas públicas; Incentivar a conservação ambiental; Apoiar a tomada de decisões económicas e ambientais. Em Moçambique, estes métodos têm sido aplicados em sectores como agricultura,mineração, florestas, turismo e gestão costeira, contribuindo para a preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. 2.3. Relação entre Ordenamento Territorial e Uso Sustentável dos Recursos Naturais O ordenamento territorial e o uso sustentável dos recursos naturais possuem uma relação directa, uma vez que ambos procuram garantir o equilíbrio entre o desenvolvimento económico, a preservação ambiental e o bem-estar social. O ordenamento territorial organiza o uso do espaço geográfico de forma racional, enquanto o uso sustentável dos recursos naturais assegura que os recursos disponíveis sejam explorados sem comprometer as necessidades das gerações futuras. 12 Segundo Santos (2004), o ordenamento territorial corresponde ao conjunto de políticas, estratégias e instrumentos utilizados para organizar as actividades humanas no território, tendo em consideração factores ambientais, económicos, sociais e culturais. Assim, o ordenamento territoria l desempenha um papel importante na prevenção de conflitos relacionados com o uso da terra e na protecção dos recursos naturais. A utilização inadequada do território pode provocar vários problemas ambientais, tais como desflorestação, erosão dos solos, poluição, perda da biodiversidade e ocupação de áreas vulneráveis. Neste sentido, o ordenamento territorial sustentável surge como um mecanismo essencial para orientar o crescimento urbano, agrícola e industrial de forma equilibrada. De acordo com Sachs (2002), o desenvolvimento sustentável exige a integração entre crescimento económico, justiça social e conservação ambiental. Esta integração só é possível através de políticas territoriais capazes de promover o uso racional dos recursos naturais. Em Moçambique, o crescimento populacional, a urbanização acelerada e a exploração intensiva dos recursos naturais têm aumentado a pressão sobre o território. Actividades como mineração, agricultura extensiva, exploração florestal e expansão urbana contribuem para a degradação ambiental quando não são devidamente planificadas. A Lei do Ordenamento Territorial de Moçambique (Lei n.º 19/2007) estabelece que o ordenamento territorial deve assegurar a organização equilibrada do espaço nacional, promovendo o desenvolvimento sustentável e a protecção ambiental. Esta legislação procura garantir que o uso da terra seja compatível com a capacidade ambiental das diferentes regiões do país. Segundo MICOA (2007), o ordenamento territorial sustentável deve considerar aspectos como: Conservação dos ecossistemas; Protecção das zonas costeiras; Gestão adequada dos recursos hídricos; Preservação das florestas; Controlo da ocupação urbana; Redução dos riscos ambientais. 13 O uso sustentável dos recursos naturais baseia-se no princípio de que os recursos devem ser utilizados de forma racional, evitando desperdícios e degradação ambiental. Segundo Barbieri (2007), a sustentabilidade ambiental depende da capacidade de equilibrar as necessidades humanas com a conservação dos ecossistemas naturais. A relação entre ordenamento territorial e sustentabilidade também pode ser observada na definição de áreas protegidas, reservas naturais e zonas de conservação ambiental. Estas áreas desempenham um papel importante na preservação da biodiversidade e na protecção dos recursos naturais contra actividades humanas predatórias. Além disso, o ordenamento territorial contribui para a prevenção de desastres naturais, como cheias, erosão e deslizamentos de terra, através da identificação de zonas de risco e da regulamentação do uso do solo. Em Moçambique, instituições governamentais e organizações ambientais têm promovido programas de gestão territorial sustentável com o objectivo de melhorar a conservação ambienta l e garantir o aproveitamento racional dos recursos naturais. Contudo, persistem desafios relacionados com a fraca fiscalização, ocupação desordenada da terra e exploração ilegal dos recursos naturais. 2.4. Análise da Legislação Ambiental e de Ordenamento Territorial em Moçambique A legislação ambiental e de ordenamento territorial em Moçambique desempenha um papel fundamental na protecção dos recursos naturais, na promoção do desenvolvimento sustentável e na organização do uso do território nacional. O Estado moçambicano tem aprovado diversas leis e regulamentos com o objectivo de garantir a conservação ambiental e assegurar que a exploração dos recursos naturais ocorra de forma racional e equilibrada. Segundo Cau (2011), a legislação ambiental constitui um instrumento essencial para controlar os impactos ambientais resultantes das actividades humanas e promover a gestão sustentável dos recursos naturais. Em Moçambique, o quadro legal ambiental está alinhado com os princíp ios internacionais de desenvolvimento sustentável e protecção ambiental. 2.4.1. Constituição da República de Moçambique A Constituição da República de Moçambique estabelece o direito dos cidadãos a viver num ambiente equilibrado e o dever do Estado de promover a protecção ambiental. 14 O artigo 90 da Constituição da República de Moçambique determina que todos os cidadãos têm direito a viver num ambiente equilibrado e têm o dever de defendê-lo. A Constituição também reconhece a importância do uso racional dos recursos naturais para garantir o desenvolvimento sustentável do país (Moçambique, 2004). 2.4.2. Lei do Ambiente (Lei n.º 20/97) A Lei do Ambiente é considerada o principal instrumento jurídico da gestão ambiental em Moçambique. Esta lei estabelece os princípios, normas e mecanismos de protecção ambiental no país. Segundo a Assembleia da República de Moçambique (1997), a Lei do Ambiente tem como objectivos: Garantir o uso racional dos recursos naturais; Prevenir a degradação ambiental; Promover a qualidade de vida das populações; Assegurar a participação comunitária na gestão ambiental. A Lei do Ambiente introduziu instrumentos importantes, tais como: Avaliação de Impacto Ambiental (AIA); Licenciamento ambiental; Auditoria ambiental; Educação ambiental; Fiscalização ambiental. A Avaliação de Impacto Ambiental tornou-se obrigatória para projectos susceptíveis de causar impactos negativos sobre o ambiente, especialmente nas áreas de mineração, indústria, energia e construção de infra-estruturas. 2.4.3. Lei de Terras (Lei n.º 19/97) A Lei de Terras regula o acesso, uso e aproveitamento da terra em Moçambique. Esta legislação reconhece que a terra é propriedade do Estado e não pode ser vendida, hipotecada ou alienada. 15 Segundo Tanner (2002), a Lei de Terras de Moçambique é considerada uma das mais avançadas de África devido ao reconhecimento dos direitos das comunidades locais sobre a terra. A lei procura: Garantir segurança de posse da terra; Proteger os direitos das comunidades locais; Promover o uso sustentável da terra; Reduzir conflitos fundiários. Entretanto, persistem desafios relacionados com ocupações ilegais, conflitos de terra e dificuldades no processo de atribuição do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT). 2.4.4. Lei do Ordenamento Territorial (Lei n.º 19/2007) A Lei do Ordenamento Territorial estabelece os princípios e instrumentos para a organização e gestão do território nacional. De acordo com a Assembleia da República de Moçambique (2007), esta lei tem como principa is objectivos: Promover o desenvolvimento sustentável; Garantir a ocupação equilibrada do território; Proteger áreas ambientalmente sensíveis; Melhorar as condições de vida das populações; Reduzir desigualdades regionais. A lei define instrumentos de ordenamento territorial, tais como: Planos distritais de uso da terra; Planos de urbanização; Zoneamento ecológico; Planos especiais de ordenamento territorial. Estes instrumentos ajudam a controlar o crescimentourbano e a prevenir a degradação ambiental. 16 2.4.5. Política Nacional do Ambiente A Política Nacional do Ambiente orienta as estratégias ambientais do país, promovendo a integração entre desenvolvimento económico e conservação ambiental. Segundo MICOA (2007), esta política procura incentivar: Gestão sustentável dos recursos naturais; Participação comunitária; Educação ambiental; Conservação da biodiversidade; Adaptação às mudanças climáticas. 2.4.6. Desafios da Implementação da Legislação Ambiental Apesar da existência de legislação ambiental e territorial relativamente abrangente, Moçambique enfrenta vários desafios na implementação efectiva destas normas. Entre os principais desafios destacam-se: Fraca fiscalização ambiental; Exploração ilegal de recursos florestais e minerais; Crescimento urbano desordenado; Corrupção em processos de atribuição de terra; Falta de recursos técnicos e financeiros; Baixo nível de educação ambiental nas comunidades. Segundo Norfolk e Hanlon (2012), muitos conflitos ambientais e territoriais em Moçambique resultam da insuficiente aplicação das leis existentes e da limitada capacidade institucional de fiscalização. Além disso, as mudanças climáticas, cheias, secas e ciclones têm agravado os problemas ambientais e aumentado a necessidade de fortalecer o ordenamento territorial sustentável. 17 2.4.7. Importância da Legislação Ambiental e Territorial A legislação ambiental e territorial é importante porque permite: Regular o uso dos recursos naturais; Proteger o meio ambiente; Promover o desenvolvimento sustentável; Garantir direitos das comunidades locais; Reduzir conflitos fundiários; Melhorar o planeamento territorial. Deste modo, o fortalecimento das instituições ambientais e a aplicação efectiva da legislação são fundamentais para assegurar a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento equilibrado em Moçambique. 18 III. CONCLUSÃO A avaliação integrada dos recursos naturais constitui um instrumento essencial para apoiar o ordenamento territorial sustentável, permitindo analisar de forma conjunta os aspectos ambienta is, sociais e económicos relacionados com o uso dos recursos naturais. Através desta abordagem, torna-se possível identificar potencialidades e limitações do território, promovendo decisões mais equilibradas e sustentáveis. Ao longo do trabalho verificou-se que os métodos e técnicas de avaliação e valoração dos recursos naturais desempenham um papel importante na gestão ambiental, contribuindo para a prevenção da degradação ambiental e para a conservação dos ecossistemas. Ferramentas como a Avaliação de Impacto Ambiental, os Sistemas de Informação Geográfica e o sensoriamento remoto auxiliam na monitoria e planificação do território. Constatou-se igualmente que existe uma relação directa entre ordenamento territorial e uso sustentável dos recursos naturais, uma vez que a organização racional do território contribui para reduzir conflitos fundiários, controlar a ocupação desordenada e proteger áreas ambientalmente sensíveis. No caso de Moçambique, o país possui um conjunto significativo de instrumentos legais voltados para a gestão ambiental e ordenamento territorial, destacando-se a Lei do Ambiente, a Lei de Terras e a Lei do Ordenamento Territorial. Contudo, persistem desafios relacionados com a implementação efectiva destas leis, devido à fraca fiscalização, exploração ilegal dos recursos naturais, crescimento urbano desordenado e insuficiência de recursos técnicos e financeiros. 19 IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Assembleia da República de Moçambique. (1997). Lei n.º 19/97 de 1 de Outubro: Lei de Terras. Maputo: Imprensa Nacional. Assembleia da República de Moçambique. (1997). Lei n.º 20/97 de 1 de Outubro: Lei do Ambiente. Maputo: Imprensa Nacional. Assembleia da República de Moçambique. (2007). Lei n.º 19/2007 de 18 de Julho: Lei do Ordenamento Territorial. Maputo: Imprensa Nacional. Barbieri, J. C. (2007). Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos (2. ed.). São Paulo: Saraiva. Cau, B. M. (2011). Direito do ambiente em Moçambique. Maputo: Escolar Editora. Glasson, J., Therivel, R., & Chadwick, A. (2005). Introduction to environmental impact assessment (3rd ed.). London: Routledge. MICOA. (2007). Relatório do estado do ambiente em Moçambique. Maputo: Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental. Moçambique. (2004). Constituição da República de Moçambique. Maputo: Imprensa Nacional. Motta, R. S. (2006). Economia ambiental. Rio de Janeiro: Editora FGV. Nhantumbo, I., & Salomão, A. (2010). Biofuels, land access and rural livelihoods in Mozambique. London: IIED. Norfolk, S., & Hanlon, J. (2012). Confrontation between peasant producers and investors in Northern Zambézia, Mozambique, in the context of profit pressures on European investors. London: Open University. Novo, E. M. L. M. (2010). Sensoriamento remoto: princípios e aplicações (4. ed.). São Paulo: Blucher. Sachs, I. (2002). Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond. Santos, R. F. (2004). Planejamento ambiental: teoria e prática. São Paulo: Oficina de Textos. Tanner, C. (2002). Law-making in an African context: The 1997 Mozambican Land Law. FAO Legal Papers Online, 26, 1-39.