Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À 
DISTÂNCIA 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO INTEGRADA DOS RECURSOS NATURAIS COMO 
INSTRUMENTO DE APOIO AO ORDENAMENTO TERRITORIAL 
SUSTENTÁVEL: ESCOLHA UMA DE ESTUDO 
 
Bernardete Da Rosa Joana Albino Lino 
Soares Código: 708216648 
 
 
 Curso: Licenciatura em Gestão 
Ambiental 
Disciplina: Avaliação Integrada dos 
Recursos Naturais e Ordenamento 
Territorial 
Ano de frequência: 4° Ano, Turma B 
 
 
 
 
 
Nampula, Maio de 2026 
 
II 
Bernadete da Rosa Albino Lino Soares 
 
 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO INTEGRADA DOS RECURSOS NATURAIS COMO INSTRUMENTO 
DE APOIO AO ORDENAMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: ESCOLHA 
UMA DE ESTUDO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nampula, Maio de 2026 
 
Trabalho de pesquisa de carácter avaliativo da cadeira de 
Avaliação Integrada dos Recursos Naturais e 
Ordenamento Territorial, 4ºano turma B, curso de 
Licenciatura em Gestão Ambiental leccionado na UCM, 
a ser entregue no Instituto de Educação à Distância ao 
docente: Diasmina Chande 
 
III 
 
Folha de Feedback 
 
Categorias 
 
Indicadores 
 
Padrões 
Classificação 
Pontuação 
máxima 
Nota do 
tutor 
Subtotal 
 
 
 
Estrutura 
 
 
Aspectos 
organizacionais 
 Capa 0.5 
 Índice 0.5 
 Introdução 0.5 
 Discussão 0.5 
 Conclusão 0.5 
 Bibliografia 0.5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conteúdo 
 
 
 
Introdução 
 Contextualização 
(Indicação clara do 
problema) 
 
1.0 
 
 Descrição dos 
objectivos 
1.0 
 Metodologia 
adequada ao 
objecto do trabalho 
 
2.0 
 
 
 
 
 
 
Análise e 
discussão 
 Articulação 
 e domínio do 
discurso académico 
(expressão
 escrita cuidada, 
coerência / 
coesão textual) 
 
 
2.0 
 
 Revisão 
bibliográfica 
nacional e 
internacionais 
relevantes na área de 
estudo 
 
 
2. 
 
 Exploração dos 
dados 
2.0 
Conclusão  Contributos 
teóricos práticos 
2.0 
 
Aspectos 
gerais 
 
 
Formatação 
 Paginação, 
 tipo e 
tamanho de 
 letra, paragrafo, 
espaçamento 
 entre 
linhas 
 
 
1.0 
 
 
Referências 
Bibliográficas 
Normas APA 6ª 
edição em 
citações e 
bibliografia 
 Rigor e coerência 
das 
citações/referências 
bibliográficas 
 
4.0 
 
IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor 
V 
Índice 
I. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 6 
1.1. Objectivos .................................................................................................................... 7 
1.1.1. Geral ..................................................................................................................... 7 
1.1.2. Específicos ............................................................................................................ 7 
1.2. Metodologia ................................................................................................................. 7 
II. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................................... 8 
2.1. Avaliação Integrada dos Recursos Naturais................................................................. 8 
2.2. Métodos e Técnicas de Avaliação e Valoração dos Recursos Naturais ....................... 9 
2.2.1. Métodos de Avaliação dos Recursos Naturais...................................................... 9 
2.2.2. Técnicas de Valoração dos Recursos Naturais ................................................... 10 
2.2.3. Importância da Avaliação e Valoração dos Recursos Naturais .......................... 11 
2.3. Relação entre Ordenamento Territorial e Uso Sustentável dos Recursos Naturais ... 11 
2.4. Análise da Legislação Ambiental e de Ordenamento Territorial em Moçambique ... 13 
2.4.1. Constituição da República de Moçambique ....................................................... 13 
2.4.2. Lei do Ambiente (Lei n.º 20/97) ......................................................................... 14 
2.4.3. Lei de Terras (Lei n.º 19/97)............................................................................... 14 
2.4.4. Lei do Ordenamento Territorial (Lei n.º 19/2007) ............................................. 15 
2.4.5. Política Nacional do Ambiente ........................................................................... 16 
2.4.6. Desafios da Implementação da Legislação Ambiental ....................................... 16 
2.4.7. Importância da Legislação Ambiental e Territorial ............................................ 17 
III. CONCLUSÃO ............................................................................................................... 18 
IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 19 
 
 
 
 
 
 
6 
I. INTRODUÇÃO 
Os recursos naturais representam elementos fundamentais para a sobrevivência humana e para 
o desenvolvimento económico e social das nações. Em Moçambique, recursos como terra, água, 
florestas, fauna, minerais e recursos marinhos desempenham um papel importante na economia 
nacional e no sustento das comunidades. Contudo, o crescimento populacional, a urbanização 
acelerada, a exploração intensiva dos recursos naturais e as mudanças climáticas têm provocado 
diversos problemas ambientais, tais como desflorestação, erosão dos solos, poluição e ocupação 
desordenada do território. 
Neste contexto, a avaliação integrada dos recursos naturais surge como um instrumento 
essencial para apoiar o ordenamento territorial sustentável, permitindo analisar de forma 
conjunta os aspectos ambientais, económicos e sociais relacionados com o uso dos recursos 
naturais. Esta abordagem contribui para a identificação das potencialidades e limitações do 
território, promovendo uma gestão equilibrada dos recursos disponíveis e reduzindo os 
impactos ambientais negativos. 
O ordenamento territorial sustentável visa organizar o uso do espaço geográfico de forma 
racional, garantindo a compatibilidade entre actividades económicas, conservação ambiental e 
melhoria das condições de vida das populações. Assim, a integração entre avaliação ambienta l 
e planeamento territorial torna-se importante para assegurar o desenvolvimento sustentável e a 
preservação dos recursos naturais para as gerações futuras. 
Segundo Sachs (2002), o desenvolvimento sustentável depende da harmonização entre 
crescimento económico, inclusão social e protecção ambiental. Desta forma, a avaliação 
integrada dos recursos naturais desempenha um papel estratégico na formulação de políticas 
públicas ambientais e territoriais. 
O presente trabalho aborda a avaliação integrada dos recursos naturais como instrumento de 
apoio ao ordenamento territorial sustentável em Moçambique, destacando os principa is 
métodos de avaliação e valoração dos recursos naturais, a relação entre ordenamento territoria l 
e sustentabilidade ambiental, bem como a análise da legislação ambiental e territorial vigente 
no país. 
7 
1.1. Objectivos 
1.1.1. Geral 
Analisar a avaliação integrada dos recursos naturais como instrumento de apoio ao ordenamento 
territorial sustentável em Moçambique. 
1.1.2. Específicos 
 Explicar o enquadramento teórico da avaliação integrada dos recursos naturais; 
 Identificar os métodos e técnicas de avaliação e valoração dos recursos naturais; 
 Relacionar o ordenamento territorial com o uso sustentável dos recursos naturais; 
 Avaliar a legislação ambiental e de ordenamento territorial em Moçambique. 
1.2. Metodologia 
Para a realização deste trabalho recorreu-se à pesquisa bibliográfica, através da consulta de 
livros, artigos científicos, legislação moçambicanae documentos electrónicos relacionados com 
recursos naturais, ordenamento territorial e sustentabilidade ambiental. O método qualitat ivo 
permitiu analisar e interpretar informações relevantes sobre o tema em estudo.
8 
II. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
2.1. Avaliação Integrada dos Recursos Naturais 
A avaliação integrada dos recursos naturais constitui um processo multidisciplinar que visa 
analisar, de forma conjunta, os elementos ambientais, económicos e sociais relacionados com a 
utilização dos recursos naturais. Este processo procura compreender as interacções entre o ser 
humano e o meio ambiente, de modo a garantir uma gestão sustentável dos recursos disponíveis. 
Segundo Sachs (2002), o desenvolvimento sustentável baseia-se no equilíbrio entre crescimento 
económico, justiça social e conservação ambiental. Neste contexto, a avaliação integrada dos 
recursos naturais torna-se um instrumento essencial para apoiar a tomada de decisões relacionadas 
com o uso do território e a exploração dos recursos naturais. 
Os recursos naturais correspondem aos elementos existentes na natureza que podem ser utilizado s 
pelo homem para satisfazer as suas necessidades. Estes recursos dividem-se em renováveis e não 
renováveis. Os recursos renováveis incluem água, florestas, fauna e solos férteis, enquanto os 
recursos não renováveis abrangem minerais, carvão, petróleo e gás natural (MICOA, 2007). 
A avaliação integrada procura analisar não apenas a disponibilidade dos recursos naturais, mas 
também os impactos ambientais resultantes da sua exploração. De acordo com Barbieri (2007), a 
exploração descontrolada dos recursos naturais pode provocar degradação ambiental, perda da 
biodiversidade, poluição e alterações climáticas, comprometendo o desenvolvimento sustentável. 
No contexto do ordenamento territorial, a avaliação integrada dos recursos naturais desempenha 
um papel importante na definição de políticas públicas relacionadas com o uso da terra, 
conservação ambiental e planificação territorial. Segundo a Lei do Ordenamento Territorial de 
Moçambique (Lei n.º 19/2007), o ordenamento territorial visa organizar o espaço nacional de forma 
equilibrada, assegurando o uso racional dos recursos naturais e a melhoria das condições de vida 
das populações. 
A avaliação integrada também está associada à gestão ambiental participativa, envolvendo o 
Estado, sector privado e comunidades locais na tomada de decisões sobre os recursos naturais. Para 
Nhantumbo e Salomão (2010), a participação comunitária na gestão dos recursos naturais contribui 
para a conservação ambiental e para o desenvolvimento local sustentável. 
9 
Em Moçambique, a necessidade de avaliação integrada dos recursos naturais tornou-se mais 
evidente devido ao aumento da exploração mineira, expansão agrícola, crescimento urbano e 
ocorrência frequente de fenómenos naturais, como cheias e ciclones. Estes factores aumentam a 
pressão sobre os ecossistemas e reforçam a importância do planeamento territorial sustentável. 
2.2. Métodos e Técnicas de Avaliação e Valoração dos Recursos Naturais 
A avaliação e valoração dos recursos naturais representam instrumentos fundamentais para a gestão 
sustentável do meio ambiente e para o ordenamento territorial. Estes métodos permitem identificar 
a quantidade, qualidade, importância económica e impacto ambiental associado à utilização dos 
recursos naturais, contribuindo para uma melhor tomada de decisões. 
Segundo Motta (2006), a avaliação dos recursos naturais consiste no conjunto de procedimentos 
utilizados para analisar o estado dos recursos ambientais e os efeitos das actividades humanas sobre 
os ecossistemas. Já a valoração ambiental procura atribuir valor económico aos recursos naturais e 
aos serviços ambientais, mesmo quando estes não possuem preço directo no mercado. 
2.2.1. Métodos de Avaliação dos Recursos Naturais 
A avaliação dos recursos naturais pode ser realizada através de diferentes métodos científicos e 
técnicos, dependendo do tipo de recurso e dos objectivos do estudo. 
a) Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) 
A Avaliação de Impacto Ambiental é um dos principais instrumentos utilizados na gestão 
ambiental. Este método analisa os possíveis impactos positivos e negativos de determinados 
projectos sobre o meio ambiente antes da sua implementação. 
Em Moçambique, a Avaliação de Impacto Ambiental é obrigatória para actividades susceptíve is 
de causar degradação ambiental, como mineração, construção de barragens, exploração florestal e 
indústrias (Assembleia da República de Moçambique, 1997). 
Segundo Glasson, Therivel e Chadwick (2005), a AIA contribui para a prevenção de danos 
ambientais e para a promoção do desenvolvimento sustentável. 
b) Sistemas de Informação Geográfica (SIG) 
Os Sistemas de Informação Geográfica são ferramentas tecnológicas utilizadas para recolher, 
armazenar, analisar e representar informações espaciais relacionadas com os recursos naturais. 
10 
Os SIG permitem identificar áreas de risco ambiental, monitorar mudanças no uso da terra e apoiar 
o planeamento territorial sustentável. Em Moçambique, esta técnica é frequentemente utilizada na 
gestão florestal, agrícola e urbana. 
c) Sensoriamento Remoto 
O sensoriamento remoto utiliza imagens captadas por satélites e drones para monitorar alterações 
ambientais à distância. Este método é importante para acompanhar fenómenos como 
desflorestação, erosão dos solos, queimadas e expansão urbana. 
De acordo com Novo (2010), o sensoriamento remoto facilita a análise ambiental em grandes áreas 
territoriais, reduzindo custos e aumentando a precisão das informações. 
d) Inventário dos Recursos Naturais 
O inventário dos recursos naturais consiste no levantamento detalhado das características e 
quantidades dos recursos existentes numa determinada região. 
Este método é utilizado para identificar recursos florestais, recursos hídricos, biodiversidade, 
minerais e potencial agrícola, servindo de base para políticas de conservação e exploração 
sustentável. 
2.2.2. Técnicas de Valoração dos Recursos Naturais 
A valoração ambiental procura atribuir valor económico aos recursos naturais e aos serviços 
ecossistémicos, permitindo medir os prejuízos causados pela degradação ambiental. 
a) Método do Custo de Reposição 
Este método calcula quanto custaria restaurar ou substituir um recurso natural degradado. Por 
exemplo, pode ser utilizado para estimar os custos de recuperação de áreas florestais destruídas. 
b) Método dos Custos Evitados 
Consiste em calcular os custos que seriam evitados caso existam medidas adequadas de 
conservação ambiental. Por exemplo, a preservação de mangais pode reduzir custos relacionados 
com erosão costeira e inundações. 
 
 
11 
c) Método de Valoração Contingente 
Este método utiliza questionários para determinar quanto as pessoas estariam dispostas a pagar pela 
conservação de determinado recurso natural ou serviço ambiental. 
Segundo Motta (2006), esta técnica é muito utilizada na avaliação económica de parques naturais, 
biodiversidade e qualidade da água. 
d) Análise Custo-Benefício Ambiental 
A análise custo-benefício compara os custos ambientais e económicos de um projecto com os 
benefícios esperados, permitindo avaliar a viabilidade ambiental e financeira das actividades. 
Este método é frequentemente utilizado em projectos de desenvolvimento, infra-estruturas e 
exploração de recursos naturais. 
2.2.3. Importância da Avaliação e Valoração dos Recursos Naturais 
A avaliação e valoração dos recursos naturais são importantes porque permitem: 
 Promover o uso sustentável dos recursos naturais; 
 Apoiar o ordenamento territorial; 
 Reduzir impactos ambientais; 
 Melhorar a formulação de políticas públicas; 
 Incentivar a conservação ambiental; 
 Apoiar a tomada de decisões económicas e ambientais. 
Em Moçambique, estes métodos têm sido aplicados em sectores como agricultura,mineração, 
florestas, turismo e gestão costeira, contribuindo para a preservação ambiental e desenvolvimento 
sustentável. 
2.3. Relação entre Ordenamento Territorial e Uso Sustentável dos Recursos Naturais 
O ordenamento territorial e o uso sustentável dos recursos naturais possuem uma relação directa, 
uma vez que ambos procuram garantir o equilíbrio entre o desenvolvimento económico, a 
preservação ambiental e o bem-estar social. O ordenamento territorial organiza o uso do espaço 
geográfico de forma racional, enquanto o uso sustentável dos recursos naturais assegura que os 
recursos disponíveis sejam explorados sem comprometer as necessidades das gerações futuras. 
12 
Segundo Santos (2004), o ordenamento territorial corresponde ao conjunto de políticas, estratégias 
e instrumentos utilizados para organizar as actividades humanas no território, tendo em 
consideração factores ambientais, económicos, sociais e culturais. Assim, o ordenamento territoria l 
desempenha um papel importante na prevenção de conflitos relacionados com o uso da terra e na 
protecção dos recursos naturais. 
A utilização inadequada do território pode provocar vários problemas ambientais, tais como 
desflorestação, erosão dos solos, poluição, perda da biodiversidade e ocupação de áreas 
vulneráveis. Neste sentido, o ordenamento territorial sustentável surge como um mecanismo 
essencial para orientar o crescimento urbano, agrícola e industrial de forma equilibrada. 
De acordo com Sachs (2002), o desenvolvimento sustentável exige a integração entre crescimento 
económico, justiça social e conservação ambiental. Esta integração só é possível através de 
políticas territoriais capazes de promover o uso racional dos recursos naturais. 
Em Moçambique, o crescimento populacional, a urbanização acelerada e a exploração intensiva 
dos recursos naturais têm aumentado a pressão sobre o território. Actividades como mineração, 
agricultura extensiva, exploração florestal e expansão urbana contribuem para a degradação 
ambiental quando não são devidamente planificadas. 
A Lei do Ordenamento Territorial de Moçambique (Lei n.º 19/2007) estabelece que o ordenamento 
territorial deve assegurar a organização equilibrada do espaço nacional, promovendo o 
desenvolvimento sustentável e a protecção ambiental. Esta legislação procura garantir que o uso 
da terra seja compatível com a capacidade ambiental das diferentes regiões do país. 
Segundo MICOA (2007), o ordenamento territorial sustentável deve considerar aspectos como: 
 Conservação dos ecossistemas; 
 Protecção das zonas costeiras; 
 Gestão adequada dos recursos hídricos; 
 Preservação das florestas; 
 Controlo da ocupação urbana; 
 Redução dos riscos ambientais. 
13 
O uso sustentável dos recursos naturais baseia-se no princípio de que os recursos devem ser 
utilizados de forma racional, evitando desperdícios e degradação ambiental. Segundo Barbieri 
(2007), a sustentabilidade ambiental depende da capacidade de equilibrar as necessidades humanas 
com a conservação dos ecossistemas naturais. 
A relação entre ordenamento territorial e sustentabilidade também pode ser observada na definição 
de áreas protegidas, reservas naturais e zonas de conservação ambiental. Estas áreas desempenham 
um papel importante na preservação da biodiversidade e na protecção dos recursos naturais contra 
actividades humanas predatórias. 
Além disso, o ordenamento territorial contribui para a prevenção de desastres naturais, como 
cheias, erosão e deslizamentos de terra, através da identificação de zonas de risco e da 
regulamentação do uso do solo. 
Em Moçambique, instituições governamentais e organizações ambientais têm promovido 
programas de gestão territorial sustentável com o objectivo de melhorar a conservação ambienta l 
e garantir o aproveitamento racional dos recursos naturais. Contudo, persistem desafios 
relacionados com a fraca fiscalização, ocupação desordenada da terra e exploração ilegal dos 
recursos naturais. 
2.4. Análise da Legislação Ambiental e de Ordenamento Territorial em Moçambique 
A legislação ambiental e de ordenamento territorial em Moçambique desempenha um papel 
fundamental na protecção dos recursos naturais, na promoção do desenvolvimento sustentável e na 
organização do uso do território nacional. O Estado moçambicano tem aprovado diversas leis e 
regulamentos com o objectivo de garantir a conservação ambiental e assegurar que a exploração 
dos recursos naturais ocorra de forma racional e equilibrada. 
Segundo Cau (2011), a legislação ambiental constitui um instrumento essencial para controlar os 
impactos ambientais resultantes das actividades humanas e promover a gestão sustentável dos 
recursos naturais. Em Moçambique, o quadro legal ambiental está alinhado com os princíp ios 
internacionais de desenvolvimento sustentável e protecção ambiental. 
2.4.1. Constituição da República de Moçambique 
A Constituição da República de Moçambique estabelece o direito dos cidadãos a viver num 
ambiente equilibrado e o dever do Estado de promover a protecção ambiental. 
14 
O artigo 90 da Constituição da República de Moçambique determina que todos os cidadãos têm 
direito a viver num ambiente equilibrado e têm o dever de defendê-lo. A Constituição também 
reconhece a importância do uso racional dos recursos naturais para garantir o desenvolvimento 
sustentável do país (Moçambique, 2004). 
2.4.2. Lei do Ambiente (Lei n.º 20/97) 
A Lei do Ambiente é considerada o principal instrumento jurídico da gestão ambiental em 
Moçambique. Esta lei estabelece os princípios, normas e mecanismos de protecção ambiental no 
país. 
Segundo a Assembleia da República de Moçambique (1997), a Lei do Ambiente tem como 
objectivos: 
 Garantir o uso racional dos recursos naturais; 
 Prevenir a degradação ambiental; 
 Promover a qualidade de vida das populações; 
 Assegurar a participação comunitária na gestão ambiental. 
A Lei do Ambiente introduziu instrumentos importantes, tais como: 
 Avaliação de Impacto Ambiental (AIA); 
 Licenciamento ambiental; 
 Auditoria ambiental; 
 Educação ambiental; 
 Fiscalização ambiental. 
A Avaliação de Impacto Ambiental tornou-se obrigatória para projectos susceptíveis de causar 
impactos negativos sobre o ambiente, especialmente nas áreas de mineração, indústria, energia e 
construção de infra-estruturas. 
2.4.3. Lei de Terras (Lei n.º 19/97) 
A Lei de Terras regula o acesso, uso e aproveitamento da terra em Moçambique. Esta legislação 
reconhece que a terra é propriedade do Estado e não pode ser vendida, hipotecada ou alienada. 
15 
Segundo Tanner (2002), a Lei de Terras de Moçambique é considerada uma das mais avançadas 
de África devido ao reconhecimento dos direitos das comunidades locais sobre a terra. 
A lei procura: 
 Garantir segurança de posse da terra; 
 Proteger os direitos das comunidades locais; 
 Promover o uso sustentável da terra; 
 Reduzir conflitos fundiários. 
Entretanto, persistem desafios relacionados com ocupações ilegais, conflitos de terra e dificuldades 
no processo de atribuição do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT). 
2.4.4. Lei do Ordenamento Territorial (Lei n.º 19/2007) 
A Lei do Ordenamento Territorial estabelece os princípios e instrumentos para a organização e 
gestão do território nacional. 
De acordo com a Assembleia da República de Moçambique (2007), esta lei tem como principa is 
objectivos: 
 Promover o desenvolvimento sustentável; 
 Garantir a ocupação equilibrada do território; 
 Proteger áreas ambientalmente sensíveis; 
 Melhorar as condições de vida das populações; 
 Reduzir desigualdades regionais. 
A lei define instrumentos de ordenamento territorial, tais como: 
 Planos distritais de uso da terra; 
 Planos de urbanização; 
 Zoneamento ecológico; 
 Planos especiais de ordenamento territorial. 
Estes instrumentos ajudam a controlar o crescimentourbano e a prevenir a degradação ambiental. 
16 
2.4.5. Política Nacional do Ambiente 
A Política Nacional do Ambiente orienta as estratégias ambientais do país, promovendo a 
integração entre desenvolvimento económico e conservação ambiental. 
Segundo MICOA (2007), esta política procura incentivar: 
 Gestão sustentável dos recursos naturais; 
 Participação comunitária; 
 Educação ambiental; 
 Conservação da biodiversidade; 
 Adaptação às mudanças climáticas. 
2.4.6. Desafios da Implementação da Legislação Ambiental 
Apesar da existência de legislação ambiental e territorial relativamente abrangente, Moçambique 
enfrenta vários desafios na implementação efectiva destas normas. 
Entre os principais desafios destacam-se: 
 Fraca fiscalização ambiental; 
 Exploração ilegal de recursos florestais e minerais; 
 Crescimento urbano desordenado; 
 Corrupção em processos de atribuição de terra; 
 Falta de recursos técnicos e financeiros; 
 Baixo nível de educação ambiental nas comunidades. 
Segundo Norfolk e Hanlon (2012), muitos conflitos ambientais e territoriais em Moçambique 
resultam da insuficiente aplicação das leis existentes e da limitada capacidade institucional de 
fiscalização. 
Além disso, as mudanças climáticas, cheias, secas e ciclones têm agravado os problemas 
ambientais e aumentado a necessidade de fortalecer o ordenamento territorial sustentável. 
17 
2.4.7. Importância da Legislação Ambiental e Territorial 
A legislação ambiental e territorial é importante porque permite: 
 Regular o uso dos recursos naturais; 
 Proteger o meio ambiente; 
 Promover o desenvolvimento sustentável; 
 Garantir direitos das comunidades locais; 
 Reduzir conflitos fundiários; 
 Melhorar o planeamento territorial. 
Deste modo, o fortalecimento das instituições ambientais e a aplicação efectiva da legislação são 
fundamentais para assegurar a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento equilibrado em 
Moçambique. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
III. CONCLUSÃO 
A avaliação integrada dos recursos naturais constitui um instrumento essencial para apoiar o 
ordenamento territorial sustentável, permitindo analisar de forma conjunta os aspectos ambienta is, 
sociais e económicos relacionados com o uso dos recursos naturais. Através desta abordagem, 
torna-se possível identificar potencialidades e limitações do território, promovendo decisões mais 
equilibradas e sustentáveis. 
Ao longo do trabalho verificou-se que os métodos e técnicas de avaliação e valoração dos recursos 
naturais desempenham um papel importante na gestão ambiental, contribuindo para a prevenção 
da degradação ambiental e para a conservação dos ecossistemas. Ferramentas como a Avaliação 
de Impacto Ambiental, os Sistemas de Informação Geográfica e o sensoriamento remoto auxiliam 
na monitoria e planificação do território. 
Constatou-se igualmente que existe uma relação directa entre ordenamento territorial e uso 
sustentável dos recursos naturais, uma vez que a organização racional do território contribui para 
reduzir conflitos fundiários, controlar a ocupação desordenada e proteger áreas ambientalmente 
sensíveis. 
No caso de Moçambique, o país possui um conjunto significativo de instrumentos legais voltados 
para a gestão ambiental e ordenamento territorial, destacando-se a Lei do Ambiente, a Lei de Terras 
e a Lei do Ordenamento Territorial. Contudo, persistem desafios relacionados com a 
implementação efectiva destas leis, devido à fraca fiscalização, exploração ilegal dos recursos 
naturais, crescimento urbano desordenado e insuficiência de recursos técnicos e financeiros. 
 
 
 
 
 
 
 
19 
IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
Assembleia da República de Moçambique. (1997). Lei n.º 19/97 de 1 de Outubro: Lei de Terras. 
Maputo: Imprensa Nacional. 
Assembleia da República de Moçambique. (1997). Lei n.º 20/97 de 1 de Outubro: Lei do Ambiente. 
Maputo: Imprensa Nacional. 
Assembleia da República de Moçambique. (2007). Lei n.º 19/2007 de 18 de Julho: Lei do 
Ordenamento Territorial. Maputo: Imprensa Nacional. 
Barbieri, J. C. (2007). Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos (2. ed.). 
São Paulo: Saraiva. 
Cau, B. M. (2011). Direito do ambiente em Moçambique. Maputo: Escolar Editora. 
Glasson, J., Therivel, R., & Chadwick, A. (2005). Introduction to environmental impact assessment 
(3rd ed.). London: Routledge. 
MICOA. (2007). Relatório do estado do ambiente em Moçambique. Maputo: Ministério para a 
Coordenação da Acção Ambiental. 
Moçambique. (2004). Constituição da República de Moçambique. Maputo: Imprensa Nacional. 
Motta, R. S. (2006). Economia ambiental. Rio de Janeiro: Editora FGV. 
Nhantumbo, I., & Salomão, A. (2010). Biofuels, land access and rural livelihoods in Mozambique. 
London: IIED. 
Norfolk, S., & Hanlon, J. (2012). Confrontation between peasant producers and investors in 
Northern Zambézia, Mozambique, in the context of profit pressures on European investors. 
London: Open University. 
Novo, E. M. L. M. (2010). Sensoriamento remoto: princípios e aplicações (4. ed.). São Paulo: 
Blucher. 
Sachs, I. (2002). Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond. 
Santos, R. F. (2004). Planejamento ambiental: teoria e prática. São Paulo: Oficina de Textos. 
Tanner, C. (2002). Law-making in an African context: The 1997 Mozambican Land Law. FAO 
Legal Papers Online, 26, 1-39.

Mais conteúdos dessa disciplina