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RELEITURA DE OBRAS ARTÍSTICAS CLÁSSICAS E MODERNAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA ABORDAGEM LÚDICA À LUZ DA PSICOMOTRICIDADE E DA NEUROCIÊNCIA 1. Introdução A educação infantil constitui uma etapa fundamental para o desenvolvimento integral da criança, contemplando aspectos cognitivos, emocionais, sociais e motores. Nesse contexto, a arte emerge como uma linguagem essencial, permitindo a expressão, a criatividade e a construção de significados. A proposta de releitura de obras artísticas clássicas e modernas, inserida em atividades lúdicas, possibilita à criança não apenas o contato com diferentes manifestações culturais, mas também a ressignificação dessas produções por meio da experimentação e do brincar. A releitura artística não se limita à reprodução, mas envolve interpretação, criação e expressão individual, respeitando o repertório e o desenvolvimento infantil. Ao associar essa prática à ludicidade, cria-se um ambiente favorável à aprendizagem significativa, no qual o corpo, o movimento e a emoção estão integrados ao processo cognitivo. Dessa forma, este trabalho tem como objetivo analisar a importância de atividades lúdicas baseadas na releitura de obras artísticas no contexto da educação infantil, fundamentando-se na psicomotricidade e na neurociência, além de propor uma metodologia prática aplicável em sala de aula. 2. Referencial Teórico A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca a importância das experiências estéticas e expressivas na educação infantil, especialmente nos campos de experiência “Traços, sons, cores e formas” e “Corpo, gestos e movimentos”. Essas dimensões reforçam a integração entre arte, corpo e aprendizagem. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/96) assegura a arte como componente curricular obrigatório, reconhecendo sua relevância no desenvolvimento cultural dos estudantes. Sob a perspectiva de Jean Piaget, a criança constrói o conhecimento por meio da interação com o meio, sendo o brincar uma atividade essencial no estágio pré-operatório. A releitura artística favorece a assimilação e acomodação de novos conhecimentos, estimulando a imaginação simbólica. Lev Vygotsky, por sua vez, enfatiza o papel do contexto social e da mediação na aprendizagem. A atividade artística em grupo promove interação, linguagem e desenvolvimento na zona de desenvolvimento proximal, especialmente quando orientada pelo professor. A psicomotricidade contribui ao considerar o corpo como instrumento de aprendizagem. Segundo essa abordagem, o movimento, o gesto e a coordenação são fundamentais para o desenvolvimento global da criança. Atividades artísticas que envolvem pintura, recorte e colagem favorecem a motricidade fina e ampla, além da organização espacial. Do ponto de vista da neurociência, estudos indicam que experiências lúdicas e artísticas estimulam múltiplas áreas cerebrais, promovendo conexões neurais relacionadas à criatividade, memória e emoções. A aprendizagem torna-se mais efetiva quando envolve prazer, significado e participação ativa. No campo das escolas artísticas, movimentos como o Impressionismo, o Cubismo e o Modernismo oferecem referências ricas para releituras, permitindo que as crianças explorem cores, formas e perspectivas de maneira livre e criativa. 3. Metodologia 3.1 Tipo de Pesquisa Este estudo caracteriza-se como qualitativo, com abordagem descritiva e aplicação prática por meio de plano de aula. 3.2 Plano de Aula Tema: Releitura de obras artísticas Faixa etária: 4 a 5 anos Duração: 2 aulas de 50 minutos Objetivos: • Estimular a criatividade e a expressão artística; • Desenvolver a coordenação motora; • Promover o contato com diferentes estilos artísticos; • Incentivar a interpretação e a releitura. Obra de referência: “Abaporu” (Tarsila do Amaral) ou “Girassóis” (Van Gogh) Materiais: • Tintas guache • Papel A3 • Pincéis • Giz de cera • Tesoura sem ponta • Cola Desenvolvimento da aula: 1. Acolhimento e sensibilização: Apresentação da obra artística por meio de imagens e conversa dirigida. 2. Exploração: Discussão sobre cores, formas e sentimentos despertados pela obra. 3. Atividade prática: As crianças produzem sua releitura livre da obra, utilizando diferentes materiais. 4. Socialização: Apresentação das produções e compartilhamento das experiências. 5. Encerramento: Reflexão coletiva sobre o processo criativo. 4. Resultados Esperados Espera-se que a atividade promova: • Desenvolvimento da coordenação motora fina; • Ampliação da criatividade e da expressão individual; • Maior interesse pelas artes; • Desenvolvimento da percepção estética; • Fortalecimento da interação social. Dificuldades: • Resistência inicial à atividade; • Limitações motoras em algumas crianças; • Dificuldade de interpretação da proposta. Potencialidades: • Alto engajamento por meio do lúdico; • Inclusão de diferentes estilos de aprendizagem; • Integração entre emoção, corpo e cognição; • Estímulo à autonomia e protagonismo infantil. 5. Considerações Finais A releitura de obras artísticas no contexto da educação infantil, quando mediada por atividades lúdicas, revela-se uma estratégia pedagógica potente. Ao integrar fundamentos da psicomotricidade e da neurociência, essa prática contribui significativamente para o desenvolvimento integral da criança. Além de favorecer habilidades motoras e cognitivas, a atividade estimula a criatividade, a expressão emocional e a construção de significados. A atuação do professor como mediador é essencial para potencializar essas experiências, respeitando o ritmo e as particularidades de cada criança. Portanto, a inserção de práticas artísticas no cotidiano escolar deve ser valorizada e incentivada, alinhando-se às diretrizes da BNCC e da LDB, e promovendo uma educação mais sensível, criativa e significativa. 6. Referências Bibliográficas (ABNT) BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: LTC, 1975. VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991. FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade. São Paulo: Martins Fontes, 2008. LENT, Roberto. Cem bilhões de neurônios. São Paulo: Atheneu, 2010. OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis: Vozes, 2014. BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo: Perspectiva, 2012.