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Abordagem e técnicas de pesquisa em
Serviço Social
A construção metodológica da abordagem científica, das tipologias de pesquisa no campo de investigação
e a qualificação do olhar específico das Ciências Sociais aplicadas sobre objeto de estudo no Serviço
Social.
Prof.ª Fernanda Nakamura
1. Itens iniciais
Propósito
O desenvolvimento do pensamento investigativo e metodológico no âmbito do Serviço Social é essencial na
formação do Assistente Social, para a compreensão das diferentes configurações relacionadas à questão
social e suas abordagens ideológicas, a intervenção nos diversos problemas sociais, sendo de grande
importância para a prática do assistente social, no campo científico ou profissional.
Objetivos
Identificar os procedimentos metodológicos em Serviço Social.
Analisar construção e configurações da pesquisa qualitativa.
Reconhecer o campo da pesquisa quantitativa e sua relação nas Ciências Sociais aplicadas.
Aplicar o conhecimento científico na relação entre pessoas e sociedade.
Introdução
Antes de analisar, identificar e compreender uma determinada realidade, devemos nos fazer a seguinte
pergunta: qual é o caminho que eu devo seguir para conhecer algo? Esse caminho se apresenta como o
método que será utilizado para chegar a uma conclusão sobre um determinado assunto ou tema. 
Por isso, neste conteúdo, identificaremos os procedimentos metodológicos na pesquisa científica no âmbito
do Serviço Social, em um processo que envolve a construção do saber em etapas delimitadas que têm como
finalidade chegar a conclusões e resultados mais confiáveis, que vão perpassar pela forma como o
pesquisador age frente ao objeto e realidade a serem pesquisados. 
Com base nesse ponto de partida, analisaremos os caminhos que a pesquisa científica pode tomar,
considerando a abordagem qualitativa, quantitativa e social, de modo a observar a realidade apresentada no
campo do Serviço Social, delimitando seu objeto e investigação. 
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René Descartes.
1. A metodologia científica no Serviço Social
Aspectos teóricos e conceituais da construção do
pensamento
Vamos mergulhar no mundo da construção do pensamento sobre a pesquisa em Ciências Sociais aplicadas?
Em primeiro lugar, devemos ter em mente que toda pesquisa é dotada de um procedimento metodológico que
tem um início, um meio e um fim. Nessa primeira etapa, vamos começar pelo processo de identificação do
objeto na pesquisa científica e de como ele é construído e trabalhado até chegar à etapa de análise da
realidade em si.
A primeira colocação que devemos ponderar é
a de que (ANDRADE et al., 2019) a pesquisa
produz conhecimento científico, esse tipo de
conhecimento é marcado por um caminho que
leva à comprovação de algo. 
Essa comprovação advém de um conceito
clássico de ciência, provindo do racionalismo
cartesiano, que se propôs a colocar o
conhecimento e as teorias como experiências
na prática, sendo essa experimentação o
processo de validação e comprovação da
pesquisa, sobretudo no âmbito das ciências
naturais.
Nesse ponto, é importante ressaltar que o
processo de construção do conhecimento por meio da investigação científica de comprovação e validação do
conhecimento pautado nas ciências da natureza não encontra guarida nas Ciências Humanas e Sociais
aplicadas, ainda mais nos dias de hoje.
No campo das Ciências Sociais aplicadas, a relação se mostra diversa, pois não trabalhamos com a
exatidão das informações, e muito menos com a replicação delas nos mesmos moldes de sua
comprovação, pois o objeto do campo das Ciências Sociais é amplo, diverso e considera diferentes
realidades, configurações culturais e a evolução da própria história da humanidade.
Hoje, o pesquisador pode ser parte de sua pesquisa, o que era impensado há algum tempo. A clássica divisão
entre pesquisa e pesquisador já não faz mais parte da construção do conhecimento científico que envolve a
sociedade e a sua realidade. Isso se deve ao fato de que a própria pesquisa pode ser a vivência do
pesquisador, na produção de um conhecimento baseado no autoconhecimento. Essa possibilidade pode
trazer uma riqueza peculiar à pesquisa científica na área das Ciências Sociais aplicadas, pois o pesquisador,
ao levantar questões sobre sua própria realidade, produz um conhecimento que pode abranger outras
pessoas que podem se encontrar na mesma situação que ele.
Outro ponto que se considera aqui é o fato de a responsabilidade que esse pesquisador tem de não deixar
que o subjetivismo e o senso comum transpareçam na pesquisa, pois mesmo sendo um autoconhecimento,
este deve possuir um lastro teórico, em uma realidade que já foi vivenciada e experimentada por outras
pessoas. O pesquisador pode buscar fontes de conhecimento em realidades que, apesar de não vivenciadas
por ele, lhe trazem certa empatia, incômodo e outros sentimentos que despertem a necessidade de investigar
e procurar a solução de problemas.
É importante destacar que a escolha do objeto de estudo deverá apresentar um problema real na sociedade,
ou seja, a pesquisa científica deve servir para aprofundar-se em uma determinada situação que faz parte de
um problema a ser solucionado no campo científico. É o chamado problema de pesquisa.
Na análise do problema que determinado objeto apresenta, o pesquisador precisa estar atento ao
que deverá ser trazido à tona na análise, pois aprofundar-se em uma determinada temática envolve
a capacidade de realizar as perguntas certas, de forma objetiva.
Em suma, o pesquisador é o sujeito que conhece algo, que é o objeto. Essa capacidade de aprendizagem vem
de um processo de reflexão, que muitas vezes é oriunda de um incômodo em face de uma realidade, ou da
necessidade de se aprofundar em uma determinada área.
É a partir daí que o conhecimento começa a ser delineado pelo pesquisador, que vai precisar:
 
Escolher um tema;
Adotar uma abordagem específica;
Desenvolver a pesquisa;
Relatar os seus resultados.
A pesquisa no Serviço Social
O Serviço Social, como parte da área das Ciências Sociais aplicadas, apresenta suas peculiaridades no âmbito
científico que convergem com a vivência que será experimentada pelo futuro assistente social, como a de
observar a realidade em um aspecto de classes, considerando a materialidade das relações que envolvem a
situação de quem tem muito e de quem tem pouco.
Nesse âmbito, segundo Carvalho Neto et al. (2014), cumpre destacar que o objeto de estudo do Serviço
Social envolve a construção das relações sociais em um processo histórico e ideológico que faz parte do
cotidiano do profissional, considerando a história, a realidade, o objeto de trabalho – se é interventivo ou
investigativo –, e a interação dos sujeitos nesse sistema.
Com base na delimitação do objeto de estudo que permeia a área do Serviço Social como um todo, é de
extrema importância que se tenha a disciplina necessária para o bom desenvolvimento da pesquisa. Mas, o
que é essa disciplina?
A atividade de investigação científica que permeará o desenvolvimento de uma pesquisa (TRIVIÑOS, 1987)
demanda o exercício de uma disciplina intelectual por parte do pesquisador, no sentido de organizar as
informações coletadas, escolher as mais relevantes, construir um embasamento teórico sólido e coerente.
O enfrentamento dos problemas na realidade social pode se desenvolver por linhas teóricas que podem
abarcar o positivismo, a fenomenologia e o materialismo dialético. Essas três vertentes teóricas podem ser
utilizadas como um substrato teórico para a investigação científica. Vejamos!
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Positivismo
Segundo Carvalho Neto (et al., 2014), nas Ciências Sociais aplicadas, o positivismo foi colocado como
uma vertente teórica que se limitava à escuta e à observação, sem considerar a realidade e as
diversas variáveis relativas aos sujeitos, o que fez com que a reprodução do conhecimento fosse
mecânica e acrítica.
Fenomenologia
Nos anos de 1980, a fenomenologia encontrou campo fértil nas Ciências Sociais aplicadas. Ao
contrário do positivismo, leva em consideração a busca peloQuantitativo-Qualitativo: oposição ou complementaridade? Cad. Saúde
Pública, Rio de Janeiro, 9(3):239-262, jul./set., 1993.
 
SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
 
SILVA, D. da; LOPES, E. L.; JUNIOR, S. S. B. Pesquisa quantitativa: elementos, paradigmas e definições. Revista
de Gestão e Secretariado, v. 5, n. 1, p. 01-18, 2014.
 
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TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo:
Atlas, 1987.
 
TURATO, E. R. Tratado da metodologia da pesquisa clínico-qualitativa. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2003.
	Abordagem e técnicas de pesquisa em Serviço Social
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. A metodologia científica no Serviço Social
	Aspectos teóricos e conceituais da construção do pensamento
	A pesquisa no Serviço Social
	Positivismo
	Fenomenologia
	Materialismo dialético
	O trajeto da pesquisa
	Temas de pesquisa em Serviço Social
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	Atenção
	Delimitando a pesquisa
	Vem que eu te explico!
	A clássica divisão pesquisa x pesquisador
	Conteúdo interativo
	A trajetória da pesquisa
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. A pesquisa qualitativa
	A pesquisa qualitativa no Serviço Social
	Exemplo
	O estudo dos fenômenos na pesquisa qualitativa
	Conhecimento dos termos estruturantes
	Definição do objeto de pesquisa
	Estratégias de investigação e de execução
	Análise do cenário de pesquisa
	Análise do campo do objeto de estudo
	Primeira categorização das informações coletadas
	Transição da prática para a teoria
	Segunda categorização das informações coletadas
	Produção textual
	Validação do trabalho científico
	Os desafios da pesquisa qualitativa
	Paradigma
	Grande área de estudo
	Atitude científica
	Objeto de estudo
	Objetivos de pesquisa
	Desenho do projeto
	Método
	Instrumentos de pesquisa
	Grupo para estudo
	Técnicas de análise de dados
	Apresentação da pesquisa
	Discussão dos resultados
	Generalização pretendida
	Características e técnicas da pesquisa qualitativa em Serviço Social
	Conteúdo interativo
	Técnicas de pesquisa qualitativa
	Coleta documental
	Observação
	Entrevista
	Questionário
	Formulário
	Medidas de opiniões e atitudes
	Técnicas mercadológicas
	Testes
	Sociometria
	Análise de conteúdo
	História de vida
	Atenção
	Vem que eu te explico!
	Pesquisa qualitativa e sociedade
	Conteúdo interativo
	Caraterísticas do pesquisador na investigação qualitativa
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. A pesquisa quantitativa
	A pesquisa quantitativa no Serviço Social
	Exemplo
	Paradigma
	Grande área de estudo
	Atitude científica
	Objeto de estudo
	Objetivos de pesquisa
	Desenho do projeto
	Método
	Instrumentos de pesquisa
	Grupo para estudo
	Técnicas de análise de dados
	Apresentação da pesquisa
	Discussão dos resultados
	Generalização pretendida
	Características e técnicas da pesquisa quantitativa em Serviço Social
	Conteúdo interativo
	Desafios da pesquisa quantitativa
	Técnicas de pesquisa quantitativa
	Fontes primárias de pesquisa
	Fontes secundárias de pesquisa
	Amostragem aleatória simples
	Amostragem estratificada ou por conglomerado
	Amostragem não aleatória
	Amostragem por cotas
	Amostragem por julgamento
	Gráfico de pizza
	Gráfico de barra
	Gráfico de linha
	Vem que eu te explico!
	Pesquisa quantitativa e sociedade
	Conteúdo interativo
	Características do pesquisador na investigação quantitativa
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. A pesquisa social
	A observação da realidade na ciência
	Exemplo
	Os desafios da pesquisa social
	Exemplo
	Exemplo
	As técnicas que podem ser aplicadas na pesquisa social
	Técnicas e tipologias da pesquisa social
	Conteúdo interativo
	Quem fala?
	Qual é a mensagem?
	A quem fala?
	Como fala?
	Com qual finalidade fala?
	Quais resultados da fala?
	Quantitativa-descritiva
	Exploratória
	Experimental
	Vem que eu te explico!
	O caráter inesgotável da pesquisa científica
	Conteúdo interativo
	A cientificidade da pesquisa social
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciassignificado dos fenômenos e de suas
bases culturais, possuindo um enfoque eminentemente antropológico e, assim como no positivismo,
fez com que pesquisadores tivessem pensamentos únicos em torno de determinadas realidades. Uma
das críticas que permeiam o campo fenomenológico (TRIVIÑOS, 1987) é a de que ele considera a
busca da essência da consciência e da percepção do pesquisador sobre uma determinada situação
sem considerar a história dos sujeitos que fazem parte da realidade social.
Materialismo dialético
No campo do materialismo dialético desenvolvido por Marx (MARTINELLI, 2006), a análise científica
considera a perspectiva profissional na aproximação com os sujeitos que fazem parte de uma
determinada realidade social, e por isso perpassa pelas fases de acolher, compreender, interpretar e
intervir, olhando o sujeito em sua integralidade considerando suas peculiaridades. Considerando essa
abordagem no âmbito do Serviço Social, tem-se a possibilidade de estudar e compreender a
experiência profissional que enxerga as especificidades da questão social e dos sujeitos que
compõem a classe trabalhadora, além de ser capaz de construir um nível de consciência que faz com
que o pesquisador perceba a realidade social de variadas formas, por meio da investigação científica,
histórica e crítica.
Em suma, o desenvolvimento da pesquisa em Serviço Social deve sempre levar em consideração a dinâmica
das relações humanas dentro das temáticas desenvolvidas na área, que têm como pano de fundo o
enfrentamento da questão social.
O trajeto da pesquisa
Temas de pesquisa em Serviço Social
Confira agora alguns possíveis temas de pesquisa em Serviço Social, no âmbito da delimitação da pesquisa,
exemplificando de forma mais minuciosa alguns deles.
Conteúdo interativo
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O planejamento da pesquisa (MINAYO, 2012) se inicia com os questionamentos que o pesquisador realizará
sobre uma determinada temática. Essa etapa inicial envolve a escolha do tema e uma espiral de dúvida,
problema, pergunta, soluções provisórias e novas dúvidas.
É nessa fase que o pesquisador elabora o seu projeto de pesquisa, de modo a traçar um plano de ação que irá
conduzi-lo no processo de investigação científica.
Conforme Gil (2002), algumas qualidades são essenciais ao pesquisador no desenvolvimento do seu trabalho
científico. Vamos conferi-las:
 
Conhecer a temática que irá desenvolver;
Criatividade;
Sensibilidade social;
Imaginação disciplinada;
Perseverança;
Paciência;
Confiança na experiência.
Saiba mais
Importante destacar que das qualidades listadas: a curiosidade faz parte da prática de pesquisar; a
integridade intelectual diz respeito ao cuidado na escrita e nos procedimentos metodológicos; e a
atitude autocorretiva tem como premissa básica a capacidade de se aperfeiçoar sobre o assunto. 
Todas as decisões tomadas e as ações empreendidas na etapa do planejamento são a constituição de um
caminho a ser traçado para o bom desenvolvimento da pesquisa. Por isso, é importante ter claro o objeto a ser
pesquisado, o universo que envolve esse objeto e os recortes específicos que são necessários para que a
pesquisa seja aprofundada.
Muitos temas podem ser explorados no Serviço Social: saúde; assistência social; crianças e adolescentes;
pessoas em situação de rua; questões de raça, gênero e discriminação; o campo profissional do assistente
social; educação; políticas públicas; dentre uma diversidade de questões que permeiam a análise da questão
social na nossa sociedade.
Com base nesse objeto escolhido, você definirá o título que representará o seu projeto de pesquisa, os
objetivos, aquilo que você pretende alcançar com a investigação científica, e o método, que é o caminho
escolhido para se alcançar os objetivos pretendidos.
Essa dinâmica pode ser representada da seguinte forma:
Objeto de pesquisa e relações que envolvem o campo da investigação científica.
Com base na escolha e delimitação do objeto de pesquisa, há o desenvolvimento da segunda etapa, a 
execução. Na execução do projeto de pesquisa (MINAYO, 2012), o pesquisador colocará em prática as ações
que foram descritas na etapa do planejamento. É nesse momento que se faz o levantamento da bibliografia,
os fichamentos, as entrevistas, a coleta de dados, e tudo que for necessário para a investigação científica. 
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Atenção
Os clássicos são essenciais para a construção do referencial teórico da pesquisa e os contemporâneos
trazem a visão mais atualizada da teoria, o que robustece a investigação e traz novos olhares ao objeto a
ser pesquisado, mas sem se esquecer das leituras atuais. 
Delimitando a pesquisa
Se o objeto de pesquisa demandar uma investigação essencialmente bibliográfica, é muito importante,
também, que o levantamento seja realizado em bases de dados confiáveis, como livros e revistas científicas
de boa classificação junto à Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (CAPES).
Por outro lado, se a pesquisa demandar a realização de entrevistas, uma investigação de campo, deve-se
observar a questão ética, uma vez que a pesquisa realizada com seres humanos precisa de termos de
consentimento, sigilo no tratamento dos dados coletados e o cuidado nas perguntas, devendo o pesquisador
ter em mente se a entrevista que ele realizará será aberta, estruturada ou semiestruturada.
Aberta, estruturada ou semiestruturada
Na entrevista aberta o entrevistado é convidado a falar livremente sobre o tema, sendo que eventuais
perguntas do pesquisador tem o intuito de aprofundar as reflexões.
Após a realização do procedimento de coleta de dados e informações da pesquisa (MINAYO, 2012), é hora de
realizar a interpretação desses dados e o cruzamento deles com as teorias aplicáveis ao objeto de estudo, de
modo a estruturar análises, construir pensamentos e analisar possíveis soluções de problemas ou a realização
de críticas.
Nessa etapa final dentro do processo de execução da pesquisa, há a realização de fichamentos, que são a
organização do conteúdo lido e interpretado em fichas, com a indicação da obra e página a fim de que seja
possível a realização da consulta e citação na pesquisa a ser desenvolvida.
Outro procedimento que pode ser utilizado na organização dos dados e informações coletadas refere-se à
realização de planilhas, separação do conteúdo em pastas com a descrição necessária para a identificação de
que parte da pesquisa aquele conteúdo fará parte, além da possibilidade da gravação de áudios, utilização de
ferramentas on-line, dentre outras.
Superada a fase executória, é hora de comunicar os resultados e socializar a pesquisa. Essa socialização
ocorre na disponibilização do desenvolvimento da investigação a toda comunidade científica e à própria
sociedade, como forma de se obter um feedback do desenvolvimento da investigação do objeto de estudo.
A comunicação dos resultados pode ser feita por meio de um trabalho de conclusão de curso, de um
artigo científico, de uma dissertação de mestrado, de uma tese de doutorado ou, ainda, nas
apresentações em eventos científicos, bem como na escrita dos resultados parciais em resumos e
artigos de eventos.
A construção dessa fase é o produto da pesquisa que foi realizada ao longo das etapas do planejamento e da
execução. Em resumo, podemos simplificar a trajetória da pesquisa da seguinte forma:
 
Escolha do tema a ser pesquisado.
 
Definição do título e da temática.
 
Levantamento bibliográfico.
 
Realização de entrevistas (se for necessário).
 
Coleta de dados de organizações não governamentais, entidades políticas, organizações sociais,
tribunais de justiça, dentre outros (se for necessário).
 
Organização e interpretação da literatura e dos dados coletados.
 
Comunicação dos resultados.
 
Realização do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): monografia, artigo, portfólio, projeto de
intervenção etc.
Sabendo como funciona a pesquisa em Serviço Social, você será capaz de realizar a investigação científica de
formaorganizada e disciplinada, de modo a construir uma análise sólida e de grande contribuição social.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
A clássica divisão pesquisa x pesquisador
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
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A trajetória da pesquisa
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A pesquisa demanda uma disciplina do pesquisador que envolve os conhecimentos específicos na área em
que se pretende realizar a investigação científica, por isso o pesquisador precisa estar alinhado com a
temática escolhida para bem desenvolvê-la. Essa disciplina intelectual é importante para:
A
saber enfrentar os problemas relacionados a sua prática profissional, de modo a desenvolver estratégias de
ação.
B
ampliar os conhecimentos em diversas áreas, de forma a trazer uma contribuição interdisciplinar dentro das
ciências humanas.
C
construir um embasamento teórico sólido com a organização de informações relevantes para a pesquisa.
D
aumentar o número de leituras relevantes ao objeto de pesquisa, para que se possa desenvolver novas
teorias.
E
contribuir para a comunidade científica com a apresentação de trabalhos e socialização da investigação.
A alternativa C está correta.
A disciplina intelectual ajuda o pesquisador a se nortear pelo objeto de estudo de forma responsável e
consciente, com a capacidade de organizar as leituras, escolher as informações relevantes e apresentar
soluções viáveis aos problemas enfrentados durante a realização da pesquisa.
Questão 2
Ao iniciar na investigação científica, o pesquisador precisa desenvolver um plano de ação que permita e faça
com que ele possa atingir os seus objetivos. Ter consciência da necessidade de organização de informações
para investigação científica é fundamental para que a pesquisa tenha o sucesso esperado. Sobre a trajetória
de pesquisa, assinale a alternativa correta.
A
O planejamento da pesquisa inicia-se com a realização de textos sobre os conteúdos estudados, a fim de que
as informações sejam organizadas de forma correta.
B
A etapa de execução é a mais difícil no trajeto da pesquisa, pois nela o pesquisador precisa ter consciência e
domínio do objeto de estudo.
C
Na trajetória como um todo, o pesquisador precisa estar atento à quantidade de informações coletadas, se
realmente são relevantes.
D
A socialização da pesquisa deve ocorrer frente a toda comunidade científica com a organização das
informações coletadas.
E
No início da pesquisa, o pesquisador realizará questionamentos, dúvidas, soluções e novas dúvidas que vão
ser parte de um projeto de pesquisa.
A alternativa E está correta.
O trajeto de pesquisa é o caminho que o pesquisador irá percorrer para investigar determinado objeto de
estudo, nele são compreendidas as etapas de planejamento, execução e resultados, sendo que o início
compreende um espiral de dúvidas, soluções e novas dúvidas que vão compor o projeto de pesquisa.
2. A pesquisa qualitativa
A pesquisa qualitativa no Serviço Social
A abordagem qualitativa em uma pesquisa pressupõe uma análise aberta da realidade a ser observada,
estudada e investigada
Esse tipo de pesquisa é largamente utilizada nas Ciências Sociais aplicadas, sobretudo no Serviço Social.
Primeiramente, devemos ter em mente que, ao lidar com a realidade, observaremos o sujeito e o modo de ele
ser no mundo. 
Exemplo
Em pesquisas que envolvem a questão social da saúde, vislumbrado um amplo espectro de relações
travadas tanto na esfera de uma comunidade, em um espaço mais delimitado, quanto na esfera global,
considerando os fatores sociais, econômicos e políticos que podem envolver esse universo. Podemos
esmiuçar que área da questão social da saúde podemos investigar. Como pesquisador ou pesquisadora
do Serviço Social, deve-se olhar para a realidade da saúde brasileira e aferir como o sujeito se encontra
nesse universo. 
Ao olhar para o sujeito, deve-se considerar que ele possui uma história, uma realidade, um gênero, um espaço
de fala, dentre outras variantes que vão enriquecer a pesquisa e fazer com que ela se delimite e se aprofunde
em um tema específico. Por essa razão, temos pesquisas na área da saúde mental, de formação dos
trabalhadores da saúde, do acesso aos serviços de saúde pública pelos diferentes públicos (a população
negra, a população LGBTQIA+, a população indígena, as mulheres, os idosos, as crianças, dentre outros que
se encontram nesse universo de pesquisa).
A pesquisa qualitativa considera os elementos subjetivos do campo científico que se remete aos fenômenos
que ocorrem na sociedade e aos sujeitos que dele participam, em uma dinâmica constante de modificações e
evolução que influenciam diretamente a ocorrência de novas configurações sociais.
A abordagem qualitativa (MINAYO, 2012) permite uma incursão mais profunda nas relações que
envolvem o sujeito e o objeto, de modo a realizar uma análise mais sistemática e objetiva, que deixe
de lado qualquer tipo de achismo ou subjetivismo pautado no senso comum.
Por causa dessa necessidade de uma construção científica profunda, a abordagem qualitativa demanda a
produção de diversos materiais que têm como foco a geração de uma imensidade de dados que precisam ser 
filtrados e escalonados de acordo com o objeto e sujeito a ser pesquisado.
Em razão disso, é muito importante para o pesquisador ter a disciplina intelectual de organizar os conteúdos,
filtrar os mais importantes e se aprofundar naquilo que realmente for necessário ao objeto da pesquisa, de
modo a buscar soluções razoáveis aos problemas e percorrer o caminho traçado no planejamento.
Veja que é preciso transformar a quantidade em qualidade, considerando todo o processo de
desenvolvimento da pesquisa (Lakatos; Marconi (2003), o que deve levar em conta o universo do objeto de
pesquisa, a análise do sujeito social e a realidade em que ele se encontra inserido.
O estudo dos fenômenos na pesquisa qualitativa
Na perspectiva qualitativa, o estudo dos fenômenos deve ser feito de forma paulatina, em uma espiral de
dúvidas, soluções, mais dúvidas e outras soluções. Isso se deve ao fato de que o pesquisador deve olhar o
objeto sob as diversas vertentes que envolvem a realidade social, de modo a encontrar a que mais se amolda
à investigação científica que deve ser empreendida.
Portanto, as informações coletadas (GIL, 2002) não são fechadas e demandam uma análise interpretativa com
relação ao fenômeno investigado. Sobre a estrutura da investigação qualitativa (MINAYO, 2012), as premissas
que devem ser seguidas, de modo a conferir ao trabalho científico a segurança que ele deve ter, são:
Conhecimento dos termos estruturantes
O pesquisador deve ter conhecimento dos termos estruturantes. A matéria-prima da pesquisa
qualitativa é composta de substantivos que se autocomplementam: experiência, vivência, senso
comum e ação.
Definição do objeto de pesquisa
Definir o objeto de pesquisa, apontando o seu problema central, de modo a teorizá-lo e discuti-lo
cientificamente. O pesquisador deve ter um amplo conhecimento da temática escolhida, tendo por
base a literatura nacional, estrangeira e clássica sobre o objeto de pesquisa.
Estratégias de investigação e de execução
Delinear estratégias de investigação e de execução da pesquisa com base na teoria e nos roteiros de
observação a serem desenvolvidos, de modo a construir um lastro teórico solidificado que tenha
relação com a temática pesquisada.
Análise do cenário de pesquisa
Observar o cenário de pesquisa informalmente, procedendo à realização de entrevistas se for
necessário, analisar o ambiente, realizar intervenções que forem necessárias à investigação científica,
de modo a ampliar a segurança do pesquisador com relação ao objeto pesquisado e, da mesma
forma, ser capaz de realizar a ponte entre a teoria e a prática dentro do objeto de pesquisa.
Análise do campo do objetode estudo
Investigar o campo do objeto de estudo utilizando-se de teorias e hipóteses, devendo o pesquisador
estar sempre aberto a novos questionamentos, a novos conhecimentos, buscando novas
informações.
Primeira categorização das informações coletadas
Depois de coletadas as informações, é preciso ordenar e organizar o material, para poder interpretá-
lo, conferindo-lhe valor, ênfase, espaço e tempo. Em outras palavras, é delimitar dentro da pesquisa,
o que foi pesquisado, onde e quando foi pesquisado, quais foram os problemas aferidos, o que
precisa ser melhorado, quais são as soluções possíveis e as impressões do pesquisador sobre a
investigação que foi realizada.
Transição da prática para a teoria
Reunir o material coletado e realizar a transição da prática para a teoria, de modo a sintetizar o que foi
pesquisado, categorizando as informações, realizando descrições, adotando posicionamentos com
base teórica e científica, não podendo o pesquisador se contaminar com eventuais interpretações
precipitadas ou sem qualquer tipo de embasamento. É nessa premissa que a abordagem
metodológica precisa estar clara para o leitor, para quem a pesquisa foi dirigida.
Segunda categorização das informações coletadas
Realizar uma segunda categorização do material de forma mais aprofundada, aferindo novas
abordagens, possíveis contradições, conferindo-lhes coerência e demonstrando a importância da
investigação que foi realizada.
Produção textual
Produzir um texto claro, coeso e acessível. O pesquisador deve ter em mente que o trabalho científico
é voltado para a sociedade, e por isso ele deve ser capaz de ser compreensível para qualquer pessoa
que for lê-lo. A utilização de termos específicos da área é desejável, desde que seja feito de forma
clara e destacada, facilitando a compreensão na leitura.
Validação do trabalho científico
Como todo trabalho científico, o texto deve ser fidedigno e validado. É preciso se assegurar da
veracidade das informações coletadas e da segurança na interpretação realizada, para que o trabalho
final seja passível de boa avaliação.
Ao realizar todas essas premissas na investigação científica, o pesquisador será capaz de dar ao seu trabalho
o aprofundamento necessário, ressaltando sua relevância científica tanto para a universidade como para a
sociedade como um todo.
Os desafios da pesquisa qualitativa
A pesquisa qualitativa apresenta alguns desafios inerentes à própria abordagem e, dentro do Serviço Social,
esses desafios voltam-se à análise das contradições da realidade em uma perspectiva dialética, o que irá
demandar do pesquisador uma análise que não seja permeada por subjetivismos e senso comum, que são
análises puramente pessoais, sem qualquer validação científica.
Algumas características, segundo Andrade et al. (2019), devem ser observadas na pesquisa qualitativa. Esses
parâmetros perpassam por fases que envolvem o paradigma de estudo, a área à qual se relaciona, a atitude
científica, o objeto de estudo, os objetivos, o desenho do projeto, o método em si, os instrumentos da
pesquisa, o grupo para estudo, técnicas de análise de dados, a apresentação da pesquisa, a discussão de
resultados e conclusões e a generalização pretendida.
Perceba que essas características são verdadeiros caminhos que norteiam o pesquisador àquilo que ele
pretende alcançar com a sua pesquisa. A primeira coisa que deve ser feita antes de partir para a análise
desses parâmetros é ter consciência do que se quer pesquisar, compreender as limitações que podem surgir e
ter a esperança de superá-las ao final da investigação.
Essas características compõem um quadro (TURATO, 2003) que apresenta o passo a passo de como a
pesquisa qualitativa é realizada, no qual, para cada nível conceitual, são apresentadas características da
pesquisa. Vamos conferir!
1 Paradigma
Pautado na fenomenologia.
2
Grande área de estudo
Ciências Humanas.
3
Atitude científica
Buscar a compreensão do sujeito social.
4
Objeto de estudo
Estudar os fenômenos humanos apreendidos.
5
Objetivos de pesquisa
Conhecer e interpretar a relação de significação dos fenômenos para os indivíduos e para a
sociedade.
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Desenho do projeto
Adoção de recursos abertos e flexíveis, que permitam a concretização da pesquisa.
7
Método
O pesquisador é o próprio instrumento da pesquisa.
8
Instrumentos de pesquisa
Procedimentos que serão adotados pelo pesquisador para investigar determinado fenômeno.
9
Grupo para estudo
Sujeitos que são individualmente eleitos em menor proporção.
10
Técnicas de análise de dados
Análise de conteúdo e relevância teórica.
11 Apresentação da pesquisa
Redação por tópicos, com utilização de citações literárias.
12
Discussão dos resultados
Interpretação dos resultados com revisão das hipóteses iniciais.
13
Generalização pretendida
Revisão de conceitos e pressupostos.
Outro desafio que se pode apontar, segundo Lakatos e Marconi (2003), é a superação da passagem
quantitativa dos dados coletados para uma passagem qualitativa. Trata-se de um desafio que se impõe ao
pesquisador. A escolha dos procedimentos e informações relevantes é delineada pela própria pesquisa, e não
pelo pesquisador. Em outras palavras, é o objeto de estudo, a temática escolhida que chama para si a escolha
do método. 
Transformar a grandiosidade de dados coletados em qualidade é um desafio a ser superado pelo
pesquisador. Por essa razão, é importante se ter a consciência do fenômeno estudado,
compreendendo suas limitações e suas possibilidades, de modo a trazer à realidade da pesquisa
informações que realmente sejam relevantes e subjetivamente científicas, o que é validado por meio
da literatura e das pesquisas de campo que podem ser realizadas na pesquisa qualitativa. 
Um último desafio que também pode ser colocado à pesquisa qualitativa envolve a multidisciplinaridade que
pode ser observada nesse campo. Isso significa que, por mais que a pesquisa seja realizada dentro da área do
Serviço Social, o objeto de estudo pode e deve ser permeado por conceitos utilizados em outras áreas, como:
Psicologia, Direito, Antropologia, Sociologia, dentre outras.
Compreender alguns desses desafios apresentados é assumir que empreender no campo científico das
Ciências Humanas sob a abordagem qualitativa é descobrir um universo de possibilidades que devem ser
enfrentadas pelo pesquisador de forma responsável e disciplinada, nunca perdendo de vista que a pesquisa
científica é voltada para a academia e para a sociedade como um todo.
Características e técnicas da pesquisa qualitativa em Serviço Social
Confira agora as principais características e técnicas da pesquisa qualitativa, através de exemplos de
pesquisas na área do Serviço Social.
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Técnicas de pesquisa qualitativa
As técnicas de pesquisa são a parte prática da investigação científica. Com a escolha da abordagem
qualitativa na pesquisa, o pesquisador parte para o como fazer, como analisar e como discutir e, para tanto, é
necessário conhecer algumas técnicas.
De acordo com Lakatos; Marconi (2003), é importante perceber que algumas das técnicas são mais eficientes
na execução do seguinte tipo de pesquisa: 
1 Coleta documental
Material coletado em primeira mão.
2
Observação
Relaciona-se com a pesquisa de campo.
3
Entrevista
Envolve o contato do pesquisador com outras pessoas, pois é realizada de forma oral.
4
Questionário
Contato do pesquisador com outras pessoas, por meio de uma sequência de perguntas realizadas
em um documento.
5
Formulário
Documento com campos específicos de perguntas e respostas destinados a uma finalidade.
6
Medidas de opiniões e atitudes
Envolvem a construção de indicadores para obter respostas quanto à realidade que foi observada.
7
Técnicas mercadológicas
Demandam a investigação da interação dos sujeitos com a realidade econômica e social.
8
Testes
Referem-se à avaliação de um sistema frente aos seus usuários.
9
Sociometria
Estuda a interação entre grupos e as suas relações emdeterminada comunidade.
10
Análise de conteúdo
Análise das comunicações que constam na pesquisa.
11 História de vida
Processo em que a história de determinado sujeito é utilizada como forma de análise de dado
contexto social.
Essas são algumas das técnicas mais utilizadas na pesquisa qualitativa em Serviço Social. A escolha de uma
delas ou a combinação de algumas dependem do objeto a ser pesquisado, o que deve obedecer a um rito
específico, envolvendo consulta à ética profissional do assistente social e da própria pesquisa com seres
humanos. 
Atenção
É possível, em determinada pesquisa com usuários da Assistência Social, realizar entrevistas,
observações, questionários, medidas de opiniões e atitudes que devem ser esclarecidas às pessoas que
farão parte do estudo, pois elas precisarão consentir para a sua participação na investigação científica.
Esse consentimento deve ter um documento escrito, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
além da aprovação do Conselho de Ética da Universidade na qual o pesquisador se encontra. 
Os dados vão desde a individualização da pessoa (sexo, cor, gênero, idade etc.) até ao que ela pensa. Por
isso, é muito importante manter a confidencialidade das identificações das pessoas que participarão da
pesquisa, para que elas não sejam expostas de forma indevida, ou ainda, para que não se sintam inseguras ao
fazer parte da pesquisa. Não observar esse fator dentro da pesquisa com seres humanos é correr o risco de
se envolver em processos judiciais que envolvem a ética da pesquisa e do profissional.
Por outro lado, a pesquisa pode se voltar à análise de documentos, como leis, regulamentos, portarias,
fotografias, gravuras, reportagens, dentre outros, o que vai demandar do pesquisador a utilização de uma
teoria ou de algumas teorias para a interpretação do conteúdo coletado.
Da mesma forma, a pesquisa pode assumir uma vertente essencialmente bibliográfica, em que a investigação
científica é pautada na literatura sobre determinada temática, podendo-se utilizar de relatos de experiência
encontrados em algumas leituras, para dar substrato teórico e prático à pesquisa. 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Pesquisa qualitativa e sociedade
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Caraterísticas do pesquisador na investigação qualitativa
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A pesquisa qualitativa é uma espécie de abordagem de investigação científica amplamente utilizada nas
Ciências Humanas e nas Ciências Sociais aplicadas, sobretudo no Serviço Social. A sua análise tem como
paradigma:
A
a análise dos fenômenos sociais por meio das relações travadas entre os indivíduos.
B
o estudo sobre os sujeitos e a sua relação com o objeto de pesquisa por meio de entrevistas.
C
a utilização de instrumentos que são vistos dentro das técnicas de pesquisa de qualidade.
D
a construção de um referencial teórico aprofundado sobre determinada realidade social.
E
o envolvimento pessoal do pesquisador com o objeto de estudo, pautando em sua subjetividade.
A alternativa A está correta.
A pesquisa qualitativa tem como paradigma a utilização da fenomenologia para a compreensão dos estudos
que envolvem as relações humanas e as interações dos sujeitos em um determinado contexto, que faz
parte do objeto de estudo e da temática escolhida pelo pesquisador.
Questão 2
As técnicas de pesquisa qualitativa fazem parte da sua execução. É a forma como o pesquisador vai colocar a
investigação científica em prática, norteado pelas especificidades do objeto a ser pesquisado, com a
finalidade de se alcançar os objetivos traçados no planejamento. 
 
Sobre as técnicas de pesquisa, analise as assertivas e assinale a alternativa correta:
A
As técnicas de pesquisa são procedimentos que devem ser utilizados de forma isolada, para que o
pesquisador tenha ciência do que está pesquisando.
B
As técnicas de pesquisa se caracterizam como instrumentos que podem ser utilizados, tanto de forma isolada
como em conjunto pelo pesquisador.
C
As técnicas de pesquisa se configuram em procedimentos metodológicos que devem ser adotados de forma
responsável na pesquisa.
D
As técnicas de pesquisa envolvem a construção de um referencial teórico a partir da literatura, sem ter relação
com a realidade da pesquisa e do sujeito.
E
As técnicas de pesquisa permitem ao pesquisador utilizar-se de suas experiências pessoais para interpretar
dados considerados relevantes para a pesquisa.
A alternativa B está correta.
A execução da pesquisa, a atividade científica em si, é realizada por meio de técnicas adotadas pelo
pesquisador para empreender a investigação em uma determinada área, sendo que cada objeto de estudo
demanda técnicas específicas, que podem ser utilizadas de forma isolada ou em conjunto.
3. A pesquisa quantitativa
A pesquisa quantitativa no Serviço Social
A pesquisa quantitativa, segundo Minayo e Sanches (1993), oferece maior segurança ao pesquisador, pois os
números trazidos não demandam uma interpretação ampla, o que não gera uma grande quantidade de dados
a serem analisados, mas a quantidade adequada para a compreensão de um determinado problema de
pesquisa. Seu objetivo é:
Encontrar os fatos, descrevê-los estatisticamente e encontrar relações entre variáveis, apresentando
dados contáveis, medidos e analisados estatisticamente para comprovar a validade do estudo.
(ANDRADE et al., 2019, p. 140-141)
Os valores conferidos aos dados quantitativos referem-se a índices, taxas, dentre outros que podem ser
objeto de uma análise exata da realidade, de modo a mensurar o objeto de estudo e observar o seu impacto
em dada realidade social.
A adoção da abordagem quantitativa (SILVA et al., 2014) deve passar por uma análise do pesquisador,
principalmente no que se refere ao momento em que deve ser utilizada, a quais problemas podem ser
aplicados e se a temática pesquisada traz dados quantificáveis que possam ser analisados estatisticamente.
A análise estatística, de acordo com Minayo e Sanches (1993), deve realizar a ponte entre os dados
quantificáveis coletados e a teoria a que se propõe o pesquisador, para que a pesquisa tenha a
validação necessária dentro do universo do objeto de estudo investigado.
A abordagem qualitativa, portanto, segundo Silva et al. (2014), deve fazer sentido dentro da temática de
pesquisa escolhida. Esse sentido refere-se à disponibilidade de dados numéricos sobre determinado
problema ou objeto de estudo que é bem definido e bem delimitado, com qualidade conhecida para que se
possa ter um controle do que será pesquisado.
Exemplo
Tendo como objeto de pesquisa o acesso à educação, como é possível definir uma quantidade de dados
que seja adequada a uma amostragem sobre o problema? Partindo dessa hipótese, o que o pesquisador
deve verificar, em primeiro lugar, é o local onde a pesquisa será feita, qual época será analisada e em
quais bancos de dados estatísticos essas informações se encontram. Neste exemplo, o pesquisador
pode se utilizar de bancos de dados, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Ministério da Educação, dentre outros provindos de
universidades públicas e privadas que realizam esse tipo de estudo quantitativo, de forma segura e
confiável. 
De posse dos dados coletados, cabe ao pesquisador, segundo Andrade et al. (2019), o exercício de descrever
quantidades, frequências, médias, comparando-os e classificando-os dentro de uma métrica que permita
visualizar o todo.
Para ilustrar melhor como funciona a pesquisa quantitativa, vamos visualizar o quadro adaptado da obra de
Turato (2003), que traz as características da pesquisa quantitativa que devem ser observadas pelo
pesquisador. Vamos conferir!
1
Paradigma
Pautado no positivismo.
2
Grande área de estudo
Ciências da Natureza.
3
Atitude científicaO pesquisador deve buscar a explicação dos dados coletados.
4
Objeto de estudo
Descrição dos fatos da natureza.
5
Objetivos de pesquisa
Descrever e estabelecer correlações de causa e efeito.
6
Desenho do projeto
Os recursos e os procedimentos a serem utilizados são preestabelecidos e fixos.
7
Método
Podem ser utilizados surveys (método de obter informações quantitativas).
8
Instrumentos de pesquisa
Utilizar observação direcionada, questionários fechados, escalas, gráficos etc.
9
Grupo para estudo
Tem relação com amostra populacional, que é demonstrada de forma estatística.
10 Técnicas de análise de dados
São realizadas com base em expressões matemáticas e estatísticas.
11
Apresentação da pesquisa
Deve ser realizada em linguagem matemática e separada do relatório científico.
12
Discussão dos resultados
O pesquisador deve confirmar e contestar as hipóteses previamente definidas.
13
Generalização pretendida
Parte-se da generalização de resultados e conclusões para que se aplique às populações
semelhantes.
Veja que o caminho da pesquisa quantitativa na área do Serviço Social deve ser feito com base em um
problema que é bem definido na sociedade e que seja passível de controle matemático pelo pesquisador, para
que o universo do objeto de estudo seja aferível de forma segura e confiável.
Características e técnicas da pesquisa quantitativa em Serviço Social
Confira agora as principais características e técnicas da pesquisa quantitativa, exemplificando com pesquisas
na área do Serviço Social.
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Desafios da pesquisa quantitativa
A pesquisa quantitativa, por não ser largamente utilizada no âmbito da pesquisa em Ciências Sociais
aplicadas, apresenta alguns desafios relacionados à mensuração do objeto de estudo e a análise exata do
problema. Um dos maiores desafios da pesquisa quantitativa é conseguir uma amostragem que seja adequada
para a análise do objeto de estudo. 
Por não permitir uma análise ampla, a pesquisa quantitativa demanda um caminho seguro, um guia certo para
a realização da atividade investigativa. Por isso, para se ter uma ideia da amostragem adequada, o
pesquisador precisa ter o conhecimento exato do objeto de estudo, sua amplitude e métricas, para que
consiga desenvolver uma análise quantitativa que chegue à realidade do objeto a ser pesquisado.
O pesquisador que utiliza a pesquisa quantitativa, segundo Silva et al. (2014), precisa ter em mente que a
utilização de dados numéricos, métricas e grandezas matemáticas será parte da investigação. 
A transformação da informação em número é essencial para que se configure a pesquisa
quantitativa.
O tratamento dos dados numéricos é a base da pesquisa quantitativa. É por essa razão que a amostragem
tem que ter um sentido para a pesquisa, levando em consideração a densidade populacional, grau de
satisfação, dentre outros elementos que podem vir a ser objeto do estudo quantitativo. O foco nesse âmbito é
sempre tentar chegar ao que acontece na realidade, para que se possa obter a quantidade de dados exata
para a validação das informações coletadas.
A realização das fórmulas matemáticas e estatísticas, de acordo com Andrade et al. (2019) deve considerar a
variação das respostas para que seja encontrada uma amostra representativa da população, com base em
dados brutos e objetivos. Outro desafio que se impõe na pesquisa quantitativa refere-se às abordagens que
deverão ser utilizadas pelo pesquisador no tratamento das informações coletadas e na transformação delas
em grandezas numéricas.
A disposição das informações é realizada de forma separada e destacada do conteúdo teórico dentro do
texto, pois a quantificação delas é embasamento para a análise que será feita no objeto de pesquisa. Observe
que é preciso uma organização na disposição de dados e uma disciplina intelectual que permita uma análise
certa e exata do problema. A dificuldade do pesquisador em Ciências Sociais aplicadas na análise do método
quantitativo é que, muitas vezes, ele não consegue vislumbrar uma métrica adequada para a investigação
científica.
Por isso, é extremamente importante, ao adotar o método quantitativo para a pesquisa na área do Serviço
Social, aferir antes de tudo, se:
 
O objeto de estudo pode ser mensurado e quantificado.
Os dados estão disponíveis em bases de dados confiáveis.
É possível realizar questionários e entrevistas estruturados (fechados) com os participantes da
investigação.
A quantificação das informações está classificada e categorizada de forma correta.
É possível transformar os dados em números, a fim de fazer a ponte entre a teoria e a realidade dos
dados coletados.
De posse dessa dinâmica relacionada à quantificação dos dados, o pesquisador conseguirá se apropriar do
método e de seu objeto de estudo, com a segurança necessária para realizar a validação científica da
investigação que foi feita.
Técnicas de pesquisa quantitativa
As técnicas que envolvem a quantificação dos dados coletados, bem como as possíveis variáveis, procuram
demonstrar a dimensão dos fenômenos investigados (ANDRADE et al., 2019) e a sua correspondência com a
realidade.
A utilização da estatística descritiva, que, segundo Barbetta (1999), utiliza técnicas de organização, resumo e 
apresentação dos dados voltados aos objetivos de pesquisa permite delinear hipóteses relevantes e
importantes à estrutura do fenômeno investigado. Essa análise, conforme Andrade et al. (2019), é pautada em
uma relação de causa e efeito entre os dados coletados e o objeto de estudo. 
A busca pela operacionalização e quantificação das informações deve fazer parte da atitude
científica do pesquisador, sendo o início do seu trabalho. Por isso que na pesquisa quantitativa o
pesquisador primeiro precisa definir a problemática do seu objeto de estudo, realizar um
levantamento bibliográfico e uma revisão literária sobre o tema, para poder definir os objetivos da
pesquisa, as possíveis soluções e hipóteses a serem consideradas, para aferir qual é a melhor
definição quantitativa que deve ser utilizada. 
Com relação à coleta dos dados para transformá-los em quantidades (BARBETTA, 1999), o pesquisador pode
se utilizar de: 
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
Fontes primárias de pesquisa
Aquelas em que não houve um tratamento de
coleta de dados, como entrevistas fechadas,
questionários e formulários.
Fontes secundárias de pesquisa
Aquelas que já possuem uma coleta de dados
pronta para a utilização pelo pesquisador, como
a disponibilização de dados em órgãos e
entidades oficiais.
Por exemplo, vamos supor que quero saber qual é o nível de satisfação dos usuários do Central de Referência
Especializada de Assistência Social (CREAS) em determinada cidade do meu estado. Para tanto, é possível
realizar formulários a fim de obter graus e níveis de satisfação com os serviços oferecidos. Depois da coleta
dos dados dos formulários, é necessária a realização de uma codificação deles, que consiste na 
transformação desses dados em símbolos, como 1 e 2, para se referir à insatisfatório e satisfatório, dentre
outras possibilidades.
Depois dessa codificação, o pesquisador reúne os dados e os tabula em grupos, para depois realizar a
interpretação e aferir a aplicação da coleta de informações quantitativas ao levantamento bibliográfico e
revisão literária anteriormente feitas.
É essencial ao pesquisador, de acordo com Barbetta (1999), conhecer as características principais
do objeto ou sujeitos a serem estudados, definindo seus elementos e relação com o problema de
pesquisa. Esse processo evita falhas na coleta dos dados primários. 
Tomando como pressuposto esses pontos de verificação na pesquisa quantitativa, o pesquisador deve
procurar uma amostragem que seja adequada à análise do objeto de estudo, refletindo a objetividade que
deve ter na pesquisa quantitativa.
A amostragem, segundo Andrade et al. (2019), apresenta algumas tipologias, podendo ser:
Amostragem aleatória simples
Há a realização de um sorteio por meio de ferramentascomo tabela de números aleatórios.
Amostragem estratificada ou por conglomerado
Há a separação dos elementos em subgrupos, onde serão feitos os sorteios.
Amostragem não aleatória
Sem a utilização de sorteios, mas com a utilização de técnicas como snow ball (indivíduo indica qual
outro será entrevistado).
Amostragem por cotas
A escolha dos elementos é realizada por características e qualidades dos indivíduos em categorias
predefinidas em cada grupo.
Amostragem por julgamento
A escolha dos elementos é feita por meio de julgamento do pesquisador.
Com relação à análise dos dados coletados, para seu destaque dentro do texto científico, eles devem ser
representados por instrumentos visuais, como os vários tipos de gráficos, tabelas e quadros que trazem
grandezas matemáticas.
O instrumento visual mais utilizado, segundo Andrade et al. (2019), são os gráficos. Por exemplo:
Gráfico de pizza
Apresenta relações entre as variáveis da
pesquisa.
Gráfico de barra
Ajuda a ter uma ordem de grandeza.
Gráfico de linha
Permite uma análise histórica do fenômeno
estudado.
Observe que a pesquisa quantitativa pode trazer uma infinidade de informações objetivas que podem ser
extremamente úteis à pesquisa. Além disso, ela pode ser utilizada conjuntamente com a pesquisa qualitativa,
em uma abordagem quantiqualitativa, que, dependendo do objeto de estudo a ser analisado, traz uma riqueza
de informações capaz de contribuir imensamente para a investigação científica.
Vem que eu te explico!
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Pesquisa quantitativa e sociedade
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Características do pesquisador na investigação quantitativa
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A pesquisa quantitativa tem como base conceitual o positivismo, trazendo para a investigação científica uma
análise mais objetiva e, por isso, é amplamente utilizada no campo das Ciências da Natureza. Sobre a sua
utilização no Serviço Social, analise as alternativas e assinale a correta.
A
A pesquisa quantitativa não pode ser utilizada no âmbito das Ciências Sociais aplicadas, por utilizar grandezas
matemáticas e estatísticas.
B
Para a utilização da pesquisa quantitativa no Serviço Social, deve-se ter em mente que o objeto precisa ser
definido e passível de controle.
C
No Serviço Social, a pesquisa quantitativa deve ser traduzida para o texto corrido, devendo suas informações
fazer parte da análise subjetiva.
D
Só é possível a realização da pesquisa quantitativa no Serviço Social se o pesquisador tiver conhecimentos
aprofundados sobre matemática e estatística.
E
As técnicas da pesquisa quantitativa devem pautar-se na análise da realidade social, considerando a
subjetividade dos sujeitos analisados.
A alternativa B está correta.
A utilização da pesquisa quantitativa é perfeitamente possível no âmbito das Ciências Sociais aplicadas, o
que inclui o Serviço Social. Para tanto, é necessário que o pesquisador tenha consciência da objetividade
dos dados a serem coletados, pois a análise, além de objetiva, deve ser passível de controle, permitindo
uma análise entre as possíveis variáveis estatísticas e matemáticas no problema de pesquisa.
Questão 2
Com relação às técnicas de pesquisa quantitativa, é preciso ter uma ideia muito clara de como a análise do
objeto de estudo será feita, pois para ter uma visualização objetiva, alguns caminhos devem ser observados,
como a escolha do melhor tipo de amostragem, por exemplo. Sobre a amostragem estratificada, assinale a
alternativa correta.
A
Na amostragem estratificada, os sujeitos são separados por características pessoais, gostos e níveis de
satisfação, para depois o pesquisador realizar a escolha de quais sujeitos irão participar da pesquisa ou não.
B
Na amostragem estratificada, o pesquisador obtém os dados a partir da análise aritmética das variáveis
obtidas em grupos específicos, nos quais são realizados sorteios com a utilização da tabela de números.
C
Na amostragem estratificada, há um julgamento subjetivo por parte do pesquisador que detém o poder de
escolha dos melhores elementos que devem compor a pesquisa e os gráficos a serem elaborados.
D
Na amostragem estratificada, há a realização de um sorteio dentre os elementos e sujeitos previamente
escolhidos para participar da pesquisa, com uma base estatística e aritmética observada por gráficos.
E
Na amostragem estratificada, o pesquisador deve separar os elementos e os sujeitos a serem estudados em
subgrupos, categorizando-os, para depois realizar os sorteios para a escolha da participação dos membros.
A alternativa E está correta.
Quando o pesquisador escolhe a amostragem estratificada, ele deve olhar o todo do objeto de estudo, para
poder observar os elementos ou sujeitos, separá-los por grupos e subgrupos, em um processo de
categorização de cada um. A partir dessa organização científica, ele realizará os sorteios para obter uma
amostragem adequada dentro de cada grupo categorizado.
4. A pesquisa social
A observação da realidade na ciência
Quando tratamos de pesquisa social, devemos ter a visão de como os sujeitos que compõem a sociedade se
comportam e de como as atitudes e comportamentos influenciam o campo científico, tanto na elaboração de
hipóteses como na busca por soluções aos problemas que possam surgir.
No âmbito das Ciências Sociais aplicadas e do Serviço Social, especificamente, a compreensão da totalidade
do ser humano, considerando-o no aspecto individual e social, traz a possibilidade de o pesquisador refletir
com mais profundidade sobre alguns fatos sociais que surgem na sociedade contemporânea.
Os desafios de investigação que são observados na pesquisa social, segundo Barbosa Filho et al. (2019),
referem-se à utilização do caminho mais adequado para que a reflexão crítica e sólida seja feita com base no
aspecto total do ser social.
Na pesquisa social, há a preocupação de compreender como o ser social, aquele sujeito que se
encontra em uma comunidade, em uma localidade e em um tempo-espaço se comporta frente a
alguns problemas que surgem na realidade em que ele vive.
A análise verte-se, portanto, na dialética compreendida nas relações sociais, considerando as contradições
que podem ser observadas no aspecto material do ser humano e do ser social, tendo como base uma 
abordagem empírica que trabalha com o sensível e o concreto.
O pesquisador que baseia a sua análise na pesquisa social deve ter, portanto, a disciplina intelectual de
desenvolver um estudo que leve em consideração todo o aspecto do social, em suas contradições, em um
tempo e espaço específicos, e com os problemas que podem ser observados dentro do recorte realizado.
Para ilustrar melhor, vamos exemplificar como funcionaria a dinâmica da pesquisa social. 
Exemplo
Vamos supor que você, pesquisador, escolha investigar o tema meio ambiente e serviço social. Com o
intuito de desenvolver essa temática, você deve observar o aspecto da natureza e a sua importância
para a manutenção do ser social. Tendo como embasamento o aspecto natural e o aspecto social, você
pode considerar que as problemáticas que envolvem responsabilidade e a educação ambiental em um
determinado espaço e em determinado lapso temporal. Poderá, assim, realizar a análise pelo aspecto da
pesquisa qualitativa e também da pesquisa quantitativa, procurando demonstrar, por exemplo, quais
foram os índices de desmatamento observados no período e de como eles repercutem no âmbito social,
no que diz respeito à qualidade de vida. 
Veja que, nesse exemplo, nos utilizamos tanto do âmbito da natureza quanto do social, de modo a observar,
compreender e exemplificar como o ser social se comporta em um espaço e tempo, na temática que envolve a
qualidade de vida e educação ambiental.
De acordo com Minayo (2009), podemos concluir que a dinamicidade da realidade não pode ficar contida,
pois ela é pautadaem diversas análises dentro de uma mesma temática. A ampliação da análise pode ser
representada pela seguinte figura:
Aspectos a serem considerados na investigação científica sobre a sociedade.
É por isso que alguns temas parecem inesgotáveis, pois o conhecimento é inesgotável. Não se discutia há
alguns anos pobreza, fome, violência, dentre outros temas sociais da mesma forma como discutimos hoje.
Isso se deve ao fato de que a sociedade evoluiu e problemas novos surgiram. O que devemos considerar
dentro dessas variáveis é justamente a transformação social que modificou o comportamento dos sujeitos que
compõem uma determinada comunidade e sociedade.
Mas em qualquer área de investigação nas Ciências Sociais aplicadas e no Serviço Social, o pesquisador deve
ter a responsabilidade intelectual de trabalhar as variáveis sociais, econômicas, políticas, dentre outras para
analisar a totalidade do sujeito em suas condicionantes e contradições.
A análise e o estudo da realidade, portanto, são aspectos extremamente relevantes da pesquisa social. A
conexão entre o método, a teoria e o que se observa na prática é essencial para que soluções aos problemas
sejam trabalhadas de forma científica e segura.
Os desafios da pesquisa social
Observar e analisar a realidade e o ser social, por si só, já é um grande desafio que se impõe à pesquisa
científica. A complexidade dos fenômenos sociais e do comportamento dos sujeitos que compõem uma
comunidade pode gerar uma infinidade de dados e um universo de possibilidades. Se o pesquisador, por
causa do objeto de estudo, optar por incluir à sua pesquisa qualitativa, também a pesquisa quantitativa, deve
considerar a disponibilidade dos dados e dos sujeitos para realizar a investigação, com a escolha da melhor
amostragem que permita a análise do todo.
Outro desafio que pode ser destacado, segundo Minayo (2009), é a busca pela cientificidade da pesquisa
social: a busca pela uniformidade entre as Ciências da Natureza e as Ciências Sociais no que tange à análise
de um atrelado ao outro, é utilizada por alguns pesquisadores como um pré-requisito para dar cientificidade à
pesquisa social. Da mesma forma, há aqueles que propagam a ideia da total diversidade e especificidade do
campo humano, que não teria relação com as Ciências da Natureza.
A dificuldade de se dar certeza aos dados coletados com relação à análise dos comportamentos e da
observação da realidade, na maioria das vezes (DEMO, 2008), pode levar o pesquisador a optar por uma
análise puramente quantitativa e restrita ao campo material. 
Exemplo
Análises da pobreza com o aspecto puramente quantitativo, restringindo a uma análise sobre a renda,
oportunidades de emprego, consumo alimentar, necessidades básicas, de modo a delinear um
estereótipo do que é ser pobre em um dado espaço e tempo. 
Perceba que a crítica do pesquisador se relaciona com o aspecto restritivo adotado por muitos pesquisadores
no desafio de se dar cientificidade a determinados fenômenos sociais, o que não leva em consideração os
conflitos e contradições da realidade do ser social. E se as variáveis sociais não são consideradas na
investigação, não se pode dizer que a análise se pauta na pesquisa social.
Ao analisar determinado fenômeno social, o pesquisador nunca deve se desvencilhar da criticidade
inerente às Ciências Sociais aplicadas, bem como o seu recorte espacial e temporal, para analisar
como as influências de tempo e espaço podem repercutir no comportamento do ser social.
Ainda dentro desse desafio da busca pela cientificidade da investigação na pesquisa social, apresenta-se a
>escolha da melhor técnica de pesquisa. A ampla gama de técnicas que podem ser utilizadas na análise
qualitativa deve ser ponderada pelo pesquisador na busca por valores que não são quantificáveis e certos,
mas que são dinâmicos e muitas vezes incertos dentro de uma realidade. Portanto, para conferir a certeza e
segurança na apresentação do trabalho, a técnica de pesquisa deve ser descrita de forma correta, permitindo
ao leitor o completo entendimento do fenômeno social que foi analisado. 
Exemplo
Vamos voltar ao exemplo da análise sobre a pobreza. Sabendo que a investigação desse fenômeno
social é feita de forma diferente em um tempo e espaço, deve-se descrever o porquê da escolha de
determinado tempo e o porquê da escolha de determinado espaço, para que o sentido da análise possa
transparecer ao leitor. Dessa forma, é possível colocar que a análise da pobreza no Brasil é diferente da
análise da pobreza na Europa, América do Norte, África e Ásia, ou que a análise da pobreza é diferente
hoje tendo em vista a evolução e o surgimento de novas variáveis ao longo dos anos, como a pandemia,
o isolamento social, dentre outros fatores. 
Observe que colocar as variáveis confere uma riqueza de informações à análise da realidade, além de dar 
maior segurança e profundidade ao objeto de estudo, não se podendo dizer que houve uma replicação de
informações, mas uma análise crítica da sociedade em determinado tempo e espaço.
Esse desafio deve ser enfrentado pelo pesquisador com disciplina e responsabilidade intelectual de trazer ao
campo de investigação científica das Ciências Sociais aplicadas e, sobretudo, do Serviço Social, a totalidade
do ser social e a profundidade necessária do estudo sobre a questão social na contemporaneidade.
As técnicas que podem ser aplicadas na pesquisa social
Técnicas e tipologias da pesquisa social
Confira agora as principais técnicas e tipologias da pesquisa social, exemplificando algumas delas.
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Como as técnicas de pesquisa social são essencialmente qualitativas, muitas delas podem ser observadas
dentro da abordagem da qualidade do objeto de estudo. Dessa forma, apresentaremos algumas dentre as
várias que podem ser aplicadas na investigação científica.
A primeira técnica que pode ser destacada é a análise de conteúdo, que se utiliza da multidisciplinariedade da
pesquisa qualitativa para a descoberta de novas possibilidades, hipóteses e soluções ao problema da
temática escolhida pelo pesquisador.
A análise de conteúdo, segundo Barbosa Filho et al. (2019), sofreu variações na evolução do tempo e do
espaço, possuindo diversos significados ao longo da história da ciência. Desde o conceito positivista, baseado
no modelo cartesiano, até os dias de hoje, a análise de conteúdo tem como ponto principal o desenvolvimento
de uma técnica que considera as especificidades das informações que foram coletadas.
A esse respeito, Minayo (2009) destaca que a análise de conteúdo pode se fundamentar em algumas
questões:
Quem fala? Qual é a mensagem?
A quem fala? Como fala?
Com qual finalidade fala? Quais resultados da fala?
Esse procedimento é essencial para que a análise de conteúdo seja completa. Não necessariamente o
pesquisador se utilizará de todas as questões propostas, devendo eleger o foco de análise em algumas delas,
de modo a aprofundar na investigação científica.
Outra técnica que pode ser usada na pesquisa social é a pesquisa de campo:
Aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema,
para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir
novos fenômenos.
(Lakatos; Marconi (2003), p. 186)
A pesquisa de campo não deve ser confundida, portanto, com a coleta de dados. O seu objeto é mais amplo
que a coleta de dados e envolve as fases de estudos bibliográficos sobre a temática a ser investigada, por
exemplo. Essa técnica de pesquisa pode ser dividida em quantitativa-descritiva, exploratória e experimental.
No âmbito da pesquisa social, a pesquisa de campo, de acordo com Lakatos; Marconi (2003) apresenta as
seguintes tipologias: 
Quantitativa-descritiva
Visa delinear as características dos fenômenos.
Exploratória
Visa formular questões ou problemas para desenvolver a familiaridade do pesquisador com o tema.
Experimental
Visa testar hipóteses relacionadas a problemasde causa e efeito.
Além da pesquisa de campo e da análise de conteúdo, podem ser utilizadas na pesquisa social as técnicas de 
pesquisa qualitativa, como levantamento bibliográfico, observação, entrevistas, questionários, formulários,
dentre outros, além das atinentes à pesquisa quantitativa, como a análise das amostragens, por exemplo.
Por último, o que também deve ser observado pelo pesquisador ao coletar dados, principalmente nas
pesquisas que envolvem seres humanos, com a realização de entrevistas, por exemplo, é o cuidado que se
deve ter no armazenamento dos dados coletados, bem como a confidencialidade da identidade dos sujeitos
participantes da investigação.
O tratamento dos dados, o seu armazenamento, a sua disponibilização e a sua eventual destruição devem
fazer parte do planejamento de pesquisa, a fim de que o pesquisador estabeleça um norte seguro para
realizar a investigação científica.
Vem que eu te explico!
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O caráter inesgotável da pesquisa científica
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A cientificidade da pesquisa social
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A pesquisa social possui certas especificidades que se relacionam à análise do ser social em sua totalidade,
considerando sua realidade e seus comportamentos em sociedade. Sobre o objeto de estudo que envolve a
pesquisa social, analise as alternativas e assinale a correta.
A
A pesquisa social volta-se para a análise filosófica do que é a sociedade.
B
Na pesquisa social, não se pode utilizar métricas aritméticas e estatísticas.
C
A pesquisa social robustece a pesquisa e pretere qualquer outro método.
D
Na pesquisa social, há a análise de conflitos e contradições da realidade.
E
A pesquisa social traz para o universo científico certezas científicas.
A alternativa D está correta.
A pesquisa social envolve a complexidade dos fatos sociais e dos comportamentos dos sujeitos em um
determinado espaço e tempo. Por essa razão, o pesquisador que se utiliza da pesquisa social como
caminho para alcançar os objetivos propostos em sua temática deve analisar os conflitos e contradições
que se apresentam na realidade.
Questão 2
Considerando as críticas que envolvem a cientificidade da pesquisa social, principalmente, as que se
relacionam à comprovação e validação científica e a atitude do pesquisador frente a elas, assinale a
alternativa correta.
A
Diante da dificuldade de se estabelecer uma relação adequada de comprovação e validação científica na
observação da realidade, o pesquisador tende a analisar os fatos sociais pelo aspecto puramente material.
B
Não é possível estabelecer uma comprovação científica válida na pesquisa social, pois, para isso ser viável, o
pesquisador deve se utilizar dos seus conhecimentos matemáticos e biológicos sobre o ser social.
C
A comprovação e validação científica advém da própria subjetividade do pesquisador com relação ao seu
objeto de estudo, pois somente ele conhece a profundidade da temática a ser pesquisada.
D
A validade das informações coletadas no âmbito da pesquisa social deve ser aferida com base nas Ciências
da Natureza, pois a exatidão dos dados é capaz de conferir a segurança necessária para o bom
desenvolvimento da pesquisa.
E
A cientificidade da pesquisa social é extremamente relevante no que diz respeito à análise quantitativa das
características dos sujeitos que participam da pesquisa, uma vez que o foco de análise se volta aos aspectos
estatísticos e matemáticos.
A alternativa A está correta.
Por envolver a complexidade do ser social e suas relações, a cientificidade da pesquisa social envolve a
análise sobre o aspecto crítico, histórico e espacial do objeto de estudo, não devendo ser permeada
somente pelo aspecto quantitativo e material, mas pelo foco da abordagem qualitativa, analisando as
variáveis que podem ser vistas na investigação científica.
5. Conclusão
Considerações finais
O estudo das abordagens de pesquisa em Serviço Social permite visualizar como é importante escolher um
caminho seguro de investigação dos diversos temas que envolvem a questão social e o ser social em sua
totalidade. 
O caminho, que é o método a ser utilizado na investigação científica, é permeado pelo próprio objeto de
estudo, que irá definir quais serão as abordagens e teorias mais apropriadas para o bom desenvolvimento da
pesquisa. 
Por essa razão, vimos que no campo das Ciências Sociais aplicadas, sobretudo no Serviço Social, existe uma
infinidade de temas que podem ser tratados pelas mais variadas formas, cabendo ao pesquisador, portanto,
delimitar os recortes de tempo, espaço e problemáticas a serem solucionadas frente aos objetivos propostos
pela pesquisa.
A atividade científica, dessa forma, demanda o desenvolvimento de uma disciplina e responsabilidade
intelectual que devem ser o fundamento da realização da investigação científica.
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e técnicas de pesquisa em Serviço Social.
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Referências
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MINAYO, M. C. de S.; SANCHES, O.

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