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1 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.12, p. 01-24, 2024 
 
 jan. 2021 
Os impactos psicológicos das crenças religiosas na formação de pessoas 
LGBTQIAPN+ 
 
The psychological impacts od religious beliefs on the formation of 
LGBTQIAPN+ people 
 
Los impactos psicológicos de las creencias religiosas en la formación de 
personas LGBTQIAPN+ 
 
DOI: 10.55905/revconv.17n.12-217 
 
Originals received: 10/18/2024 
Acceptance for publication: 11/08/2024 
 
Paula Thereza de Carvalho Paiva do Nascimento 
Graduanda em Psicologia 
Instituição: Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO) 
Endereço: Manaus - Amazonas, Brasil 
E-mail: paulatcpaiva@gmail.com 
 
Luiza Vasco de Araujo Gomes 
Graduanda em Psicologia 
Instituição: Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO) 
Endereço: Manaus - Amazonas, Brasil 
E-mail: luizavgms@gmail.com 
 
Wollace Scantbelruy da Rocha 
Mestre em Educação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) 
Instituição: Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO) 
Endereço: Manaus - Amazonas, Brasil 
E-mail: wollace.rocha@fametro.edu.br 
 
RESUMO 
Este estudo pretende discutir os impactos psicológicos das crenças religiosas na formação da 
identidade de gênero e orientação sexual de pessoas LGBTQIAPN +, tendo como objetivo geral 
compreender os impactos psicológicos provenientes das interações entre identidade de gênero, 
orientação sexual e crenças religiosas predominantes no Brasil e como objetivos específicos 
conceituar identidade de gênero e orientação sexual; investigar a interseção entre identidade de 
gênero, orientação sexual e crenças religiosas; e relacionar o possível impacto na saúde mental 
causado em pessoas LGBTQIAPN+ oriundos das crenças religiosas, identidade de gênero e 
orientação sexual. Metodologicamente realizaremos uma pesquisa bibliográfica com abordagem 
qualitativa a partir de estudos em base de dados digitais como Pepsic e SciELO Brasil, por ser 
mais recomendável para a análise de fenômenos sociais e como método de análise, utilizaremos 
a análise de conteúdo, muito usado na área da saúde. Como desfecho primário investigaremos o 
conflito interior e as dificuldades enfrentadas por pessoas LGBTQIAPN+; e o possível 
adoecimento mental ocasionado pela participação desse indivíduo em comunidades não 
mailto:luizavgms@gmail.com
mailto:wollace.rocha@fametro.edu.br
 
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afirmativas religiosas. Respeitaremos questões éticas quanto a proteção dos direitos autorais de 
todas as fontes secundárias aqui utilizadas e visaremos reunir informações valiosas para enfatizar 
a necessidade de um olhar mais atento aos cuidados com essa população. 
 
Palavras-chave: saúde mental, identidade de gênero, orientação sexual, crenças religiosas, 
LGBTQIAPN+. 
 
ABSTRACT 
This study intends to discuss the psychological impact on religious belief when the gender 
indentity and sexual orientatioin are being developed in the LGBTQIAPN+ Community as 
aiming the goal of comprehending the psychological impact arising from interactions between 
gender indentity, sexual orientation and religious belief predominant in Brazil and with the 
specific goal to conceptualize the gender identity and sexual orientation; invetigate the 
intersection between gender identity, sexual orientation and religious belief; and to relate the 
possible impact caused on the mental health of the LGBTQIAPN+ people arising from religious 
belief, gender identity and sexual orientation. A biblipgraphic research will be executed by 
qualitative approach from studies based on digital datas as Pepsic and SciElo Brazil. As a 
primmary outcome the inner conflict and dificulties faced by the LGBTQIAPN+ people and the 
possible mental illness caused by repective’s attendance in non-affirmatives religious 
communities will be investigated. The ethical issues will be respected regarding the protection 
of copyright of all secondary sources used for accomplishing this research and aiming to gather 
all valuable information in order to affirm the needing of having a closed attention with the well 
being of this population. 
 
Keywords: mental health, gender identity, sexual orientation, religious beliefs, LGBTQIAPN+. 
 
RESUMEN 
Este estudio tiene como objetivo discutir los impactos psicológicos de las creencias religiosas e
n la formación de la identidad de género y la orientación sexual de las personas LGBTQIAPN+
, con el objetivo general de comprender los impactos psicológicos derivados de las interaccione
s entre identidad de género, orientación sexual y creencias religiosas predominantes en Brasil. 
Los objetivos específicos son conceptualizar la identidad de género y la orientación sexual; inv
estigar la intersección entre identidad de género, orientación sexual y creencias religiosas; y rel
acionar el posible impacto en la salud mental causado en las personas LGBTQIAPN+ por las cr
eencias religiosas, la identidad de género y la orientación sexual. Metodológicamente, realizare
mos una investigación bibliográfica con un enfoque cualitativo a partir de estudios en bases de 
datos digitales como Pepsic y SciELO Brasil, por ser más recomendable para el análisis de fenó
menos sociales, y como método de análisis utilizaremos el análisis de contenido, muy utilizado 
en el área de la salud. Como resultado principal, investigaremos el conflicto interior y las dificu
ltades enfrentadas por las personas LGBTQIAPN+, y el posible deterioro mental ocasionado po
r la participación de este individuo en comunidades religiosas no afirmativas. Respetaremos las 
cuestiones éticas en cuanto a la protección de los derechos de autor de todas las fuentes secunda
rias utilizadas y buscaremos reunir información valiosa para enfatizar la necesidad de una mayo
r atención a los cuidados con esta población. 
 
Palabras clave: salud mental, identidade de género, orientación sexual, creencias religiosas, 
LGBTQIAPN+. 
 
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1 INTRODUÇÃO 
 
As pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis, queer, intersexuais, 
assexuais, pansexuais, não-binárias e mais (LGBTQIAPN+), possuem suas vivências 
atravessadas por conceitos estigmatizantes e discriminatórios, os quais podem estar relacionados 
a discursos religiosos e conservadores. Visto que esta população possui maior vulnerabilidade 
em sua saúde mental “por terem comportamentos que diferem da convenção social da maioria, 
ou seja, da heteronormatividade, é atingida por demonstrações públicas de preconceito, agressões 
físicas, verbais e/ou psicológicas, têm seus direitos violados, entre outros” (Melo et al, 2019, p. 
2). 
Desta forma, o presente projeto de pesquisa buscará realizar uma compreensão dos 
possíveis impactos psicológicos oriundos das interações entre identidade de gênero, orientação 
sexual e crenças religiosas predominantes no Brasil. Visto que discursos religiosos possuem 
importante impacto na formação de opinião, Rosa (2022) nos diz que “os discursos proferidos e 
defendidos por estas comunidades têm um alcance para além dos ambientes religiosos, cujos 
efeitos se estendem também à sociedade mais ampla” (Rosa; Esperandio, 2022, p. 27). 
Nesta perspectiva, surgem os conflitos internos quando esses indivíduos acreditam que a 
sua identidade de gênero e orientação sexual não se alinham com suas crenças religiosas, 
especialmente devido aos discursos provenientes de muitas dessas instituições. Desse conflito, 
surgem então os efeitos negativos na saúde mental, tais como: baixa autoestima, depressão, 
ansiedade, comportamentos de automutilação e comportamentos de isolamento (Rosa; 
Esperandio, 2022, p. 38). 
Para este estudo, utilizaremos o método de pesquisa bibliográfica no contexto da 
abordagem qualitativa, junto aométodo de análise de conteúdo. Como objetivos, pretendemos 
com este projeto compreender os impactos psicológicos ocasionados a partir das interações entre 
identidade de gênero, orientação sexual e crenças religiosas predominantes no Brasil, como nosso 
objetivo geral. E para nossos objetivos específicos: 1) Conceituar identidade de gênero e 
orientação sexual; 2) Investigar a interseção entre identidade de gênero, orientação sexual e 
crenças religiosas; e 3) Relacionar o possível impacto na saúde mental causado em pessoas 
LGBTQIAPN+ oriundos das crenças religiosas, identidade de gênero e orientação sexual. 
 
 
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2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
Para que sejam abordados os temas aos quais esse estudo se propõe, se faz necessário 
primeiramente conceituá-los. Entendendo que conceitos são unidades de conhecimento 
científicos e portadores de significado, destaca-se a importância da alfabetização conceitual e 
crítica a respeito do distinto significado entre identidade de gênero e orientação sexual. 
 
2.1 CONCEITUAÇÃO DE: IDENTIDADE DE GÊNERO E ORIENTAÇÃO SEXUAL 
 
2.1.1 Identidade de gênero 
 
Os estudos de gênero englobam algumas categorias como: teorias feministas, teorias 
queer e estudos transgêneros. Cada campo possui autores com posicionamentos distintos. Nesse 
sentido, quando nos referimos à gênero neste estudo, é preciso ter clareza do que se pretende 
passar e a qual teoria e autor iremos nos referir. 
Partindo de um contexto histórico, o conceito de gênero surge nos anos de 1950, com o 
psicólogo John Money que visava afirmar a validade do argumento de que não havia uma ligação 
inata entre o sexo anatômico de um indivíduo e a sua identidade sexual ou, conforme passou a 
ser conhecida, sua identidade de gênero (Lattanzio, 2018, p. 411). Neste artigo, utilizamos a ideia 
de que gênero corresponde aos “processos individuais, sociais, institucionais, nunca finalizados, 
fixos e lineares, pelos quais os sujeitos vão se constituindo como masculinos e/ou femininos, em 
meio à cultura e às relações de poder” (Meyer, 1999). 
Empregamos ainda a teoria de Butler (1990, p. 69), que elabora o gênero como “a 
estilização repetida do corpo, um conjunto de atos repetidos no interior de uma estrutura 
reguladora altamente rígida, a qual se cristaliza no tempo para produzir a aparência de uma 
substância, de uma classe natural de ser”. Segundo a autora, a construção de gênero não é 
essencialmente identitária, mas, em vez disso, é predominantemente um ato performativo, 
permitindo-nos representar variados gêneros em diferentes contextos e que o gênero desempenha 
um papel crucial na nossa formação como seres humanos e na forma como nos inserimos na 
esfera política. 
 
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Dentro dos debates das agendas LGBTQIAPN+ no Brasil, identidades de gênero como 
“cisgênero” e “transgênero/travesti” tornaram-se mais conhecidas pela população. De acordo 
com Batista (2023), o termo cisgênero designa “pessoas que se identificam com o gênero que é 
designado quando nasceram, o qual é associado socialmente ao sexo biológico”, já o 
transgênero/travesti designa “aquela que não se identifica com o gênero associado socialmente 
ao sexo biológico com que ela nasceu”. 
Ainda nas identidades de gênero, temos pessoas não-binárias. Para Brazão (2021), a não-
binariedade é uma “identificação à margem do sistema em vigor porque é compreendido fora do 
modelo binário, num discurso de descontinuidade face ao modelo padrão, considerado o 
determinante e único para a identificação dos indivíduos” (Brazão; Dias, 2021, p. 2888). 
Com base na premissa de que as diferenças não são apenas determinadas pela natureza, 
mas produzidas na cultura, o conceito de identidade de gênero propõe então questionar as 
desigualdades sociais que se baseiam em diferenças utilizadas para classificar as diversas 
manifestações de masculinidade e feminilidade. 
 
2.1.2 Orientação sexual 
 
Sendo parte de uma das dimensões de nossa identidade, a orientação sexual de uma pessoa 
possui grande importância em seu desenvolvimento psíquico e social. Nossos gêneros são 
sexualizados e nossos sexos são generificados (Colling, 2018, p. 41), então faz-se necessário a 
correta conceituação para melhor entendimento. Há socialmente, uma tendência em confundir 
orientação sexual e sexualidade, que são conceitos relacionados, porém, que diferem em suas 
definições e alcances. 
Segundo Foucault (2013, p. 139) a sexualidade é o “conjunto dos efeitos produzidos nos 
corpos, nos comportamentos, nas relações sociais, por um certo dispositivo pertencente a uma 
tecnologia política complexa”. Foucault concebeu a sexualidade como não fixa, mas sim, 
historicamente contingente e moldada por normas e discursos em épocas e sociedades. 
Dentro da sexualidade, possuímos a orientação sexual. Apesar do conceito de orientação 
sexual ter uma grande variedade de definições na literatura e variar de autor para autor, para 
Randall (1997), “geralmente inclui um ou ambos dos seguintes componentes: o psicológico e o 
comportamental”. De modo claro, a orientação sexual “diz respeito à atração que se sente por 
 
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outros indivíduos. Ela geralmente também envolve questões sentimentais, e não somente 
sexuais” (Araguaia, 2022). 
Como forma elucidativa, a pessoa homossexual é aquela que se envolve sexualmente com 
indivíduos do mesmo sexo/gênero. A bissexualidade refere-se àqueles que mantêm relações 
sexuais tanto com pessoas do mesmo sexo/gênero quanto com aquelas do sexo/gênero oposto. A 
pansexualidade diz respeito à atração sexual ou emocional por alguém, independentemente de 
sua identidade de gênero ou sexo. A assexualidade refere-se a indivíduos que não sentem 
interesse sexual por outros, podendo ou não acompanhar um desinteresse afetivo ou romântico. 
Por fim, a heterossexualidade ocorre quando uma pessoa se relaciona sexualmente com alguém 
do sexo/gênero oposto ao seu (Colling, 2018, p. 44-49). 
Outro conceito que impacta diretamente esta temática, é o da heteronormatividade que 
visa “regular e normatizar modos de ser e de viver os desejos corporais e a sexualidade de acordo 
com o que está socialmente estabelecido para as pessoas numa perspectiva biologicista e 
determinista”, existindo então somente duas possibilidades de “locação das pessoas quanto à 
anatomia sexual humana, ou seja, feminino/fêmea ou masculino/macho” (Petry, 2018, p. 195). 
Também nas questões do entendimento da orientação sexual, temos o conceito de 
heterossexualidade compulsória, que para Colling (2018, p. 45), “consiste na exigência de que 
todos os sujeitos sejam heterossexuais, isto é, se apresenta como única forma considerada normal 
de vivência da sexualidade”. Pela naturalização da heterossexualidade, esta identidade é tida 
como padrão e os que não se encaixam neste binarismo, são tidos como desviantes, ou ainda, 
indivíduos patológicos. 
 
2.2 INTERSEÇÃO ENTRE: PESSOAS LGBTQIAPN+ E CRENÇAS RELIGIOSAS 
 
Tendo em conta imbricamento de como os indivíduos experimentam e expressam sua 
identidade de gênero e orientação sexual juntamente às suas crenças religiosas, essa interseção 
pode variar amplamente. 
Na psicologia, assim como em outras áreas da saúde, adota-se a visão do indivíduo como 
um ser biopsicossocial. Tal conceito aponta uma visão holística de homem que antes era 
fragmentado pelas diferentes ciências. De acordo com Pereira (2016, p. 153), quando assumimos 
esta linha de entendimento, falamos que no âmbito social, os valores, as crenças, os papéis 
 
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desempenhadosnos grupos de que este indivíduo participará, bem como o meio ambiente e a 
localização geográfica ao qual viverá, influenciará significativamente sua formação tendo em 
vista seu contexto cultural. 
De acordo com Andrade (2007, p. 3), nos anos 60 a psicologia passa a dar mais ênfase à 
espiritualidade do indivíduo. Onde “a psicologia transpessoal, considerada a quarta força na 
psicologia, percebe o homem em seus aspectos biopsicossocioespirituais, interligados em uma 
rede social e cósmica”. A psicologia transpessoal se relaciona especialmente com “o estudo 
empírico e a implementação das descobertas emergentes das meta-necessidades individuais e da 
espécie, valores últimos, consciência unitiva, experiências culminantes, valores do ser (being- 
ser) e experiência mística” (Sutich, 1969, p. 72). 
No Brasil, há uma cultura diversa e uma relação profunda em nossa formação identitária 
com a religião. A Igreja Católica durante o período colonial, trouxe consigo a marca da 
catequização em povos originários, miscigenando e eliminando práticas e vivências de 
espiritualidade, demonizando e bestializando os rituais antes praticados por esses povos. Como 
contextualiza Maia (2022), “o nascimento da Companhia de Jesus e sua ação catequizadora, 
como missão, foram fundamentais para tornar a América portuguesa o maior país católico do 
mundo” (Maia; Carvalho, 2022, p. 22). 
No senso comum, delimitado no território brasileiro, religião e a comunidade 
LGBTQIAPN+ possuem uma relação dicotômica, lida por alguns como irreconciliável. Faz-se 
necessário reconhecer o peso social que os valores transmitidos pela igreja possuem em nossa 
construção. Segundo Pagel (2016), a religião é uma das principais fontes de socialização, pois 
seus ensinamentos oferecem respostas para questionamentos profundos sobre a vida, e as regras 
e valores de uma igreja apontam modelos de conduta ainda hoje fundamentais para a nossa 
compreensão de sociedade. 
Cada igreja possui um líder. Para Machado (2019, p. 18), o líder religioso tem a função 
de preservar e de transmitir os princípios religiosos, ele é o responsável por transmitir a palavra 
sagrada que deve ser preservada e difundida, sem traí-la nas suas originalidades. A problemática 
quanto à população LGBTQIAPN+ se revela quando verificamos que “os/as evangélicos/as 
brasileiros/as, independente das peculiaridades, foram identificados por frequentes posturas de 
rejeição das manifestações culturais não cristãs do País”. (Cunha, 2019, p. 9). 
Deve-se, no entanto, fazer uma ressalva quanto ao fundamentalismo religioso, que 
 
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consiste em uma abordagem mais rígida e literal, envolvendo uma interpretação sem uma visão 
crítica e rejeitando formas de adaptações e/ou modernizações. Se praticados em espaços de 
pregação como igrejas, geram violências simbólicas de discursos. Pires (2021, p. 170) nos alerta 
para os fundamentados pautados por concepções morais, estereótipos e percepções que 
estigmatizam a suposta inferioridade da diversidade sexual, contrapondo-se com as definições 
rituais de santidade, pecado e pureza. 
Há ainda outro importante dado a ser analisado, nos últimos anos, o país vem passando 
por um despertar do neoconservadorismo, que implica em uma filosofia social que visa defender 
a manutenção das instituições sociais tradicionais no contexto da cultura e da civilização. Esta 
ideia segue alinhada “na produção e perpetuação de um discurso de verdade sobre a família 
tradicional, entendida como monogâmica, heterossexual e patriarcal, e que tem implicações 
precisas na forma de regular os corpos e a sexualidade dos sujeitos” (Dias, 2017, p. 56). 
Os discursos que partem dos conservadores seguem uma lógica binária (Pires, 2021, p. 
161), onde a identidade de gênero deve seguir uma coerência de sexo biológico e então a 
nomeação do gênero conforme a genitália, levando a uma prática sexual heterossexual e 
produção de desejo que levarão à reprodução. 
No Brasil, há predominância de religiões de matrizes cristãs, e nos últimos anos, o número 
de igrejas evangélicas vem aumentando. De acordo com Lopes (2023), uma pesquisa realizada 
pelo Centro de Estudos da Metrópole, da USP, igrejas evangélicas abriram cerca de 17 novos 
templos em média, diariamente, no Brasil em 2019. 
O crescimento revela que o brasileiro possui um perfil conservador em sua maioria. Para 
Viana (2023, p. 82), “as regiões que mais se urbanizaram são os maiores bastiões do evangelismo 
brasileiro”. O autor usa como exemplo o nordeste brasileiro que segundo ele “continua sendo 
amplamente católico, embora os evangélicos predominem nas regiões metropolitanas das 
capitais”. 
É importante entendermos a relação população e religião na formação de visões de 
mundo. Cunha (2019, p. 13) ressalta que, “igrejas e grupos cristãos podem firmar comunidade, 
articular, promover socialidade, expor posições diante de demandas sociais e discuti-las”. Mesmo 
em discursos implícitos, a formação identitária de pessoas LGBTQIAPN+ e sua própria 
existência, se vê atravessada por discursos que seguem se consolidando no imaginário popular e 
gerando riscos para esta comunidade. 
 
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O crescimento de igrejas evangélicas trouxe consigo outro importante marco, o aumento 
de representantes destes grupos dentro dos parlamentos brasileiros. Para Vaggione (2020): 
 
Nas últimas quatro décadas, temos observado o fortalecimento político de atores 
coletivos com agendas conflitantes na América Latina: os movimentos feministas e 
LGBTQI, por um lado, e os segmentos católicos carismáticos e evangélicos 
pentecostais, por outro. Enquanto os primeiros atuam para promover a igualdade de 
gênero e pela extensão dos direitos sexuais e reprodutivos, os setores pentecostais e 
católicos também adotam uma política de identidade e representação, mas como a 
agenda de defesa da liberdade religiosa, da família e da moral sexual cristã. Sem 
considerar a heterogeneidade existente nos dois lados, quando se trata das disputas em 
torno do gênero e da sexualidade, é possível detectar o antagonismo entre uma agenda 
marcada pelo pluralismo ético e outra orientada por concepções morais unitárias. 
(Vaggione, 2020, p. 13). 
 
Este dado se torna relevante quando falamos da criação e defesa de leis que amparem 
grupos minoritários como o caso da comunidade LGBTQIAPN+. Levando em conta o aumento 
de debates públicos sobre temas relativos à identidade de gênero e à orientação sexual no Brasil, 
o país segue sendo marcado por altos índices de violência e de discriminação contra 
LGBTQIAPN+. O Brasil é um dos países recordistas em LGBTfobia, que se caracteriza como 
“a violência contra pessoas LGBTQIAPN+, que podem ocorrer tanto pelas mãos de indivíduos 
ou grupos, como por parte da aplicação de leis governamentais” (Lopes et al, 2021). 
 Segundo Carvalho (2020), a criação das políticas públicas tem como atores 
principais: os/as representantes, eleitos/as democraticamente, e a participação popular. Cabe 
aos/às primeiros/as (governo) a formulação dessas políticas, idealmente, a partir de demandas 
sociais. Com base nas informações até então expostas, cabe o questionamento, o Brasil está 
representando e/ou amparando pessoas LGBTQIAPN+? 
Se considerarmos o contexto brasileiro, o país ainda caminha na direção de implementar 
e garantir políticas públicas direcionadas à população LGBTQIAPN+. Para Laurentino (2015, p. 
8), a Política Nacional de Saúde Integral LGBT reconhece os efeitos perversos da discriminação 
e da exclusão, e devolve aos LGBT o reconhecimento de sua cidadania. A criação, e posterior 
implementação, desta política decorre de um processo de amadurecimento e conquista de 
espaços, que é cotidiano. A Política Nacional de SaúdeIntegral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, 
Travestis e Transexuais (PNSI LGBT), foi criada em 1 dedezembro de 2011, durante a 14ª 
Conferência Nacional de Saúde. 
Este crescente número de líderes religiosos no parlamento cria uma espécie de “religião 
 
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pública” como designa Pires (2021), que equivale a pensar que as religiões estão envolvidas em 
uma arena, ou em várias arenas, lutando pelo domínio, pela asseguração da uniformidade, seja 
de corpos, práticas e/ou subjetividades. Este processo da religião pública se dá através de sua 
constituição como cultura e como discurso sobre valores, que só é possível se existir a projeção 
para além da fronteira do privado, considerando as vivências pessoais e coletivas, de formas 
institucionais e/ou informais (Cunha, 2019). 
A verdadeira ameaça ocorre quando grupos religiosos se organizam para dificultar o 
avanço de agendas que garantam direitos civis da população LGBTQIAPN+. Recentemente 
ocorreu a tentativa por parte da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância e 
Adolescência e Família da Câmara dos Deputados de aprovar uma proposta para proibir o 
casamento entre pessoas do mesmo sexo, direito conquistado em maio de 2011, no Plenário do 
Supremo Tribunal Federal (STF), de forma unânime. Tal projeto de lei, além de ser 
inconstitucional, representaria um retrocesso aos direitos civis já conquistados e garantidos à 
casais homoafetivos. 
Como elucida Pires (2021, p. 160), a lógica cristã considera características biológicas 
como determinante do modo de existir de indivíduos, desconsiderando a ideia de gênero como 
uma construção social. É então a lógica binária de gênero que embasa a cis-heteronormatividade, 
que se fundamenta em preceitos evolucionistas e produz culturalmente as diferenças entre 
mulher-homem. 
A cis-heteronormatividade é um conceito que descreve a suposição e a promoção das 
normas sociais que afirmam que todas as pessoas são cisgêneras (que se identificam com o gênero 
que lhes foi atribuído) e heterossexuais (envolvem-se sexualmente e/ou afetivamente com 
pessoas do sexo oposto). Tal afirmação, gera uma falsa ideia de que essas identidades e 
orientações são as únicas e “naturais”, invisibilizando e marginalizando as demais formas de se 
existir (Mattos; Cidade, 2016, p. 135). 
Essa produção binarista sexual e identitária produz uma norma e indivíduos que não se 
encaixam são vistos como irregulares. A filósofa Butler (1990, p. 44) nos apresenta ao termo 
“corpos que escapam” que seriam então corpos que desviam da relação de coerência e 
continuidade impostas pelos discursos onde sexo, gênero, prática sexual e desejo que deveriam 
estar alinhados em uma perspectiva heteronormativa. 
Se o indivíduo só pode existir, depois do ato fundacional de gênero, ou seja, a forma que 
 
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será “lido” socialmente como uma mulher ou homem, podemos dizer que não conseguimos 
pensar na pessoa fora do interior desses sentidos em um primeiro momento. Todo este processo 
do impacto das crenças contribui enfim para o estigma religioso, que se mostra relevante no 
surgimento de problemas na saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+, que de formas diversas, 
impactam seus processos pessoais como iremos discorrer no tópico seguinte. 
 
2.3 SAÚDE MENTAL DA POPULAÇÃO LGBTQIAPN+ NAS RELAÇÕES ENTRE: 
IDENTIDADE DE GÊNERO, ORIENTAÇÃO SEXUAL E CRENÇAS RELIGIOSAS 
 
A saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+ mostra estar entrelaçada em como suas 
vivências religiosas exercem influência significativa na formação da identidade de gênero e 
orientação sexual, manifestando-se de diversas maneiras, que permeiam entre conflito de fé até 
a reconciliação e busca de aceitação dentro de comunidades religiosas mais inclusivas. 
 
2.3.1 Saúde Mental 
 
Para Tagliamento (2020) “a pessoa da comunidade LGBT pode utilizar medidas para 
reduzir o stress gerado pela tensão social, tais como: consumo excessivo e prejudicial de álcool 
e outras substâncias psicoativas ou recorrer ao suicídio” (Tagliamento et al., 2020, p. 87). 
É importante frisar que apenas em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde 
(OMS), retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e 
Problemas Relacionados à Saúde (CID). Já a transexualide, passa a ser retirada em junho de 
2018. Mesmo com o avanço, entende-se que “o gesto da OMS é um aval, mas uma lei escrita não 
muda preconceitos” (Welle, 2020). 
De acordo Albuquerque (2016) uma pesquisa realizada no estado do Ceará identificou 
que as principais queixas de saúde mental da população LGBT+ entrevistada foram: tristeza, 
baixa autoestima e ansiedade, seguidas de depressão e insônia. Os dados revelam que “as 
minorias sexuais e de gênero tornam-se alvo de violência psicológica, como humilhação, 
cobrança para mudança de comportamento, rejeição e isolamento do convívio social”. 
Muitas pessoas LGBTQIAPN+ experienciam um conflito de identidade, oriunda de toda 
problemática até aqui apresentada. Para a Costa (1989, p. 22), “em termos puramente descritivos, 
 
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a identidade é tudo que se vivencia (sente, enuncia) como sendo eu, por ocasião àquilo que se 
percebe ou anuncia como não-eu (aquilo que é meu; aquilo que é outro)”. Segundo o autor, a 
identidade não é uma experiência uniforme, existindo assim, uma identidade social, étnica, 
religiosa e de classe. 
Um estudo realizado por Tagliamento e colaboradores, revela que “das(os) 19 
entrevistadas(os), a maioria (18 pessoas) relatou efeitos prejudiciais das discriminações na sua 
saúde mental, ocasionando sintomas de estresse, assim como ansiedade elevada, quadros 
depressivos, ideações ou tentativas de suicídio e uso prejudicial de substâncias psicoativas”. O 
estudo ainda pôde identificar que os participantes possuíam episódios depressivos desde a 
infância decorrentes do afastamento e evitação social (Tagliamento, 2020, p. 95). 
O estudo revela ainda que jovens que não possuem apoio emocional familiar ou uma rede 
de apoio externa, possuem intensos sintomas psicológicos. Para os pesquisadores, os quadros 
depressivos estão “intrinsecamente associados a relações desfavoráveis, às quais as pessoas 
LGBTs estão submetidas quando não podem expressar a dimensão afetivo-sexual não 
heterossexual ou uma identidade de gênero que se contrapõe à cisnormatividade vigente no plano 
social” (Tagliamento, 2020, p. 96). 
De modo geral, os sintomas mais descritos pelos entrevistados foram de crises de 
ansiedade, intensificadas por quadros de ansiedade patológica devido ao estresse diário sofrido 
em espaços públicos, culminando em fobia social, picos de raiva e crises de choro, “sobretudo 
pela dificuldade em estabelecer relações positivas acerca de si e com o meio social e familiar” 
(Tagliamento, 2020, p. 96). 
A discriminação surte um efeito ainda mais nocivo para esta população, que para tentar 
lidar com o cotidiano muitas vezes opressor, recorre a substâncias psicoativas como válvula de 
escape. Segundo eles, “a utilização dessas substâncias era realizada para uma fuga momentânea 
de eventos conflitantes. Foi possível verificar a recorrência do uso de substâncias, entre elas as 
mais predominantes eram o álcool, maconha, cocaína e medicamentos”, como uma forma de 
facilitação para socialização” (Tagliamento, 2020, p. 97). 
Acometidos pelo sofrimento da desvalorização, preconceitos e falta de acolhimento, 
muitos entrevistados relataram sentirem-se invisíveis. O que pontuam os pesquisadores é que “o 
suicídio se torna uma alternativa possível, impulsionada pelo desejo de pôr fim nessas constantes 
situações de violações de direitos, nas quaisficam impedidas(os) de poderem expressar sua 
 
13 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.12, p. 01-24, 2024 
 
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orientação sexual e/ou identidade gênero” (Tagliamento, 2020, p. 99). Sendo uma opção quando 
não se tem perspectiva, a dificuldade em viver uma vida plena faz com que o índice de tentativas 
de suicídio seja alto na comunidade. 
 
2.3.2 Terapia Reparativa ou de Conversão e a Psicologia 
 
Para o indivíduo LGBTQIAPN+, criado em ambientes religiosos, em especial de matriz 
cristã, os discursos praticados podem ser excludentes. Para os preceitos católicos, por exemplo, 
pessoas LGBT+ “ainda são representados discursivamente pelas instituições eclesiais de modo 
análogo aos ‘colonizados’ pois, na prática, são considerados degenerados, ‘em pecado’, 
criticados por não fazerem filhos e não merecedores de uma inclusão aberta e digna” (Peixoto, 
2020, p. 166). Tais afirmações podem gerar conflitos na formação da identidade de gênero e 
compreensão da orientação sexual de pessoas da comunidade. 
Em resposta a tais exclusões, a evitação religiosa por parte de pessoas LGBTQIAPN+, 
oriunda do confronto ideológico pregado em centros religiosos, acaba por resultar no 
distanciamento ou abandono de fé. Para Tagliamento (2020, p. 94), os discursos cristãos fazem 
com que esses indivíduos incorporem valores que lhes relegam à posição de pecadores. Segundo 
ela, tais discursos ocasionam “uma ideologia excludente das relações homossexuais, gerando 
conflitos e sentimento de culpa durante o processo de aceitação da sua própria 
homossexualidade” e com isso, ocorra o rompimento com a religião. 
Ainda dentro de algumas igrejas, há a prática da terapia reparativa ou de conversão, 
popularmente nomeada de “cura gay”, que seriam “modalidades baseadas em concepções 
religiosas, que têm sido praticadas mesmo após a despatologização das homossexualidades e 
proibição destas práticas por conselhos profissionais do campo psi” (Garcia, 2019, p. 50). 
Mesmo com a despatologização da homossexualidade em 1990 pela OMS, “a expressão 
‘terapia reparativa’ foi criada pelo psicólogo norte-americano Joseph Nicolosi, em 1991, para 
nomear psicoterapias que têm por objetivo reorientar o paciente não heterossexual para a 
heterossexualidade” (Capra, 2021, p. 4). As práticas, além de criminosas, pois não são 
autorizadas pelo Conselho Federal de Psicologia, podem ser prejudiciais para os indivíduos que 
as experenciam. De fato, “as evidências clínicas indicam que muitas pessoas que tentam mudar 
a própria orientação sexual experimentam considerável sofrimento psicológico” (Capra, 2021, p. 
 
14 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.12, p. 01-24, 2024 
 
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4). 
A criação da Resolução n° 01/99, que entrou em vigor a partir do dia 22 de março de 
1999, estabeleceu normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da Orientação 
Sexual. Conforme o Conselho Federal de Psicologia (1999): 
 
Art. 1° - Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente 
aqueles que disciplinam a não discriminação e a promoção e bem- estar das pessoas e 
da humanidade. Art. 2° - Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para 
uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e 
estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas 
homoeróticas. Art. 3° - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a 
patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação 
coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. Parágrafo 
único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham 
tratamento e cura das homossexualidades. Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, 
nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, 
de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais 
como portadores de qualquer desordem psíquica. (Conselho Federal de Psicologia, 
1999) 
 
Segundo Aragusuku (2019, p. 7), a Resolução n° 01/99 é considerado um marco inicial 
das ações e políticas implementadas no âmbito do Sistema de Conselhos no campo da diversidade 
sexual e de gênero. Porém, a medida sofreu resistência com diferentes conflitos. De acordo com 
o autor, “os ataques contra a Resolução n° 01/99 foram realizados fundamentalmente por grupos 
e sujeitos vinculados a um conservadorismo cristão que vem se rearticulando nas disputas 
políticas no Brasil”. 
Ressalta-se ainda que existe o Projeto de Lei 737/22, que criminaliza a terapia de 
conversão, “ou seja, submeter outra pessoa a tratamento destinado a reprimir a orientação sexual, 
identidade de gênero ou expressão de gênero de uma pessoa”, com a justificativa de que “a prática 
de terapia de conversão se mostra extremamente discriminatória, além de ser comprovadamente 
prejudicial ao bem-estar físico, mental e social da vítima, mesmo para os maiores de idade que 
consentem ao tratamento” (Câmara dos Deputados; Haje, 2022). 
 
2.3.3 Igrejas Inclusivas 
 
As práticas ilegais, por parte de algumas comunidades religiosas, acarretam então o 
adoecimento mental oriundo da participação de pessoas LGBTQIAPN+ em comunidades não 
afirmativas religiosas, cujas ideologias pregadas confrontam com a existência dessa população. 
 
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Para além, tais discursos “reforçam estigmas da homossexualidade vinculada a patologias e 
promiscuidades, fazendo com que as(os) homossexuais tenham conflitos existenciais e algumas 
tentativas de suicídio” (Tagliamento, 2020, p. 94). 
Como uma tentativa de inclusão, um ministério para LGBTQIAPN+ nomeado 
Movimento Cores foi criado em Belo Horizonte - MG. Liderado por Priscila Coelho, não é uma 
igreja inclusiva, mesmo sendo composta por pessoas da comunidade. Criada pela Igreja Batista 
da Lagoinha, cuja raiz teológica tradicional possui aprovação de grupos conservadores. Sua 
doutrina é a de que “a homossexualidade é entendida como pecado, mas o indivíduo que não 
quiser abandonar a homossexualidade ainda é livre para permanecer no grupo” (Sahium et al., 
2020, p. 814). 
Tal iniciativa tem ainda o objetivo de “gerar uma suposta mudança de identidade nos 
frequentadores das reuniões e ‘retirá-los’ das práticas relacionais homossexuais” (p. 813). De 
acordo com Sahium (2020) “o homossexual-cristão é encaixado, na medida em que ser cristão 
evoca um conjunto de ideias e ser LGBT evoca ideias diametralmente opostas: “salvo x 
condenado”, “casto x promíscuo”, “santo x profano”, “oprimido x opressor”, “reacionário x 
revolucionário” (Sahium et al., 2020, p. 812). 
Porém, a possível reconciliação religiosa de pessoas LGBTQIAPN+ através de uma 
interpretação mais inclusiva e progressistas de sua espiritualidade se faz presente em alguns 
espaços religiosos. A criação de igrejas inclusivas onde “populações não heterossexuais podem 
se tornar pastores e pastoras, presbíteros e presbíteras, diáconos e diaconisas, obreiros e obreiras, 
ministros e ministras de louvor”, viabiliza experiência religiosas plurais (Natividade, 2017, p. 
15). 
As regras de conduta do culto inclusivo não proíbem o estabelecimento de relações entre 
pessoas do mesmo sexo, nem a expressão das identidades LGBT+. Esses grupos, liderados por 
pastores e pastoras gays e lésbicas, consideram que a vivência de uma orientação sexual diferente 
da heterossexualidade é uma prática que não viola os códigos de santidade, desde que se alinhe 
ao modelo da monogamia e aos discursos sobre relacionamentos. Em geral, a teologia inclusiva 
desafia o dogma religioso que condena a homossexualidade, esforçando-se para apresentar 
interpretações bíblicas alternativas que buscam eliminar os estigmas ligados à diversidade sexual 
(Natividade, 2017,p. 20). 
No Brasil nos anos 2000, uma iniciativa chamada “igrejas inclusivas” começa a surgir. 
 
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Se apresentando como uma alternativa para aqueles que buscam a religião mesmo se 
identificando como um indivíduo LGBTQIAPN+. “Essas igrejas produzem discursos que 
conciliam diversidade sexual e vida eclesial, ao remover a homossexualidade do campo do 
pecado para situá-la no terreno das sexualidades legítimas” (Natividade, 2017). 
Nesses modelos de igrejas, “são confrontadas percepções patologizantes da 
homossexualidade que prevalecem nas igrejas convencionais e que são o suporte dos trabalhos 
de reorientação sexual preconizados por movimentos interdenominacionais evangélicos de cura 
da homossexualidade” (Erzen, 2006). 
 
3 METODOLOGIA 
 
Elegemos a abordagem qualitativa, que segundo Denzin e Lincoln (2006), envolve uma 
abordagem interpretativa do mundo, o que significa que seus pesquisadores estudam as coisas 
em seus cenários naturais, tentando entender os fenômenos em termos dos significados que as 
pessoas a ele conferem. Bryman (1992), alega que a pesquisa qualitativa é mais indicada para a 
análise de fenômenos sociais, e, portanto, mais alinhada às Ciências Sociais, já que seus 
praticantes poderão estar mais próximos às pessoas que estão investigando e ficarão menos 
propensos a lhes impor estruturas conceituais impróprias. 
O método de pesquisa utilizado neste trabalho foi o de Revisão da Literatura, que se trata 
de “uma junção de ideias de diferentes autores sobre determinado tema, através de leituras, de 
pesquisas realizadas pelo pesquisador” (Brizola; Fantin 2016, p. 5). Não sendo uma obra 
produzida que irá resultar em um produto totalmente original, os autores ainda ressaltam que este 
método funciona como um diálogo pesquisador-escritor, cujo debate da temática resultará em 
um texto analítico e crítico das ideias ali estudadas. 
O tipo de revisão adotada foi a literária sistemática, que trabalha com estudos empíricos 
que foram verificados e objetiva responder a uma pergunta específica, além de trabalhar sempre 
com dados primários. Este método objetiva reduzir o enviesamento da literatura através da 
escolha do material utilizado que deverá passar por uma seleção rigorosa e de transparência com 
validade científica (Ramos et al, 2014, p. 6). 
 
17 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.12, p. 01-24, 2024 
 
 jan. 2021 
Se tratando de uma revisão da literatura com abordagem qualitativa, utilizamos as 
plataformas de coleta de dados SciELO Brasil e Pepsic nesta pesquisa, onde foram coletados 
artigos científicos, teses de mestrado e dissertações de doutorado. 
Para otimização da busca, aplicamos operadores booleanos que “são utilizados em bases 
de dados científicas e outros buscadores, a fim de ordenar expressões de busca de forma lógica e 
obter resultados precisos”. A estrutura básica consiste na união de “dois termos distintos, 
obrigatoriamente (AND), de forma elegível (OR) ou excluir um ou mais termos (NOT). Esses 
operadores são úteis, pois funcionam como conectivos” (Picalho et al., 2022, p. 4). 
Para os critérios de inclusão, utilizaremos os seguintes parâmetros: artigos científicos, 
teses de mestrado, dissertações de doutorado, em língua portuguesa brasileira, preferencialmente 
com data de publicação entre janeiro de 2019 a junho de 2024. Optamos por selecionar pesquisas 
publicadas em revistas de qualis A1, A2, A3, A4, B1 e B2, além de projetos de leis devidamente 
registrados no Portal da Câmara dos Deputados. Também fizemos uso de dados coletados por 
organizações oficiais ligados ao movimento LGBTQIAPN+. 
Como método de análise, utilizamos a análise de conteúdo, uma ferramenta para análise 
de dados qualitativos muito usado na área da saúde. Desenvolvida por Laurence Bardin em 1977, 
a análise de conteúdo é uma técnica que visa obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos 
de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores que permitem entender como e por que 
essas mensagens foram criadas e recebidas. Essa metodologia é caracterizada pela flexibilidade, 
permitindo sua aplicação a diferentes tipos de dados (Valle; Ferreira, 2024, p. 24). 
Priorizamos este tipo de pesquisa por oferecer uma ampla gama de dados sobre o tema 
escolhido e com isso, tornar os apontamentos das análises mais assertivas e fidedignas possíveis 
através da compreensão de múltiplos aspectos da realidade estudada. 
Utilizamos como palavras chaves nas buscas: gênero and sexualidade; orientação sexual 
and identidade de gênero; crenças and religião; crenças religiosas and saúde mental de pessoas 
LGBT; LGBTQIAPN+; adoecimento mental LGBT and impactos na saúde mental de pessoas 
LGBT. 
As principais etapas da análise de conteúdo de Bardin são a pré-análise, a exploração do 
material e o tratamento dos resultados e interpretação. Na pré-análise, ocorre uma leitura 
preliminar para familiarizar-se com o material, seguida pela seleção dos documentos a serem 
analisados, com base em critérios de exaustividade, representatividade, homogeneidade e 
 
18 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.12, p. 01-24, 2024 
 
 jan. 2021 
pertinência. A constituição do corpus envolve a definição do objetivo da pesquisa, a exploração 
preliminar, a seleção dos documentos e a organização e validação do corpus. Nesta etapa, 
também são formuladas hipóteses e objetivos, definindo o que se espera encontrar na análise, e 
o material é preparado para a próxima fase (Valle; Ferreira, 2024, p. 27). 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
As pessoas LGBTQIAPN+, segundo Melo et al (2019), experimentam variadas situações 
de estigma, preconceito, agressões, discriminação e violação de direitos em suas trajetórias de 
vida, o que leva a uma maior vulnerabilidade no que tange a saúde mental dessa população. Sabe-
se que discursos religiosos têm grande influência na formação de opinião das pessoas, discursos 
estes que ultrapassam os próprios ambientes religiosos (Rosa, 2022), o que facilita o 
aparecimento de conflitos internos nas pessoas pertencentes a esse grupo por entenderem que sua 
identidade de gênero e orientação sexual se desencontram das suas próprias crenças religiosas. 
O que se buscou aqui foi realizar um entendimento dos possíveis impactos psicológicos 
para o público em questão, advindos das interações entre identidade de gênero, orientação sexual 
e principais crenças religiosas brasileiras. Foi possível perceber que pessoas LGBTQIAPN+ 
experimentam consequências relevantes em sua saúde mental, devido as vivências religiosas que 
passam a afetar direta e indiretamente sua construção de identidade de gênero e orientação sexual. 
Uma dessas consequências se dá pela predominância e o constante crescimento de 
religiões de matrizes cristãs no Brasil, o que leva a uma forte característica conservadora na 
população brasileira e ainda, por consequência, frequentemente são formadas e disseminadas 
visões de mundo também conservadoras. Esse cenário conservador é envolto por um 
determinismo binário, onde se considera apenas a existência de gênero a partir do sexo biológico. 
O conservadorismo embasa o que é entendido por cis-heteronormatividade, a qual 
pressupõe que todas as pessoas são cisgêneras e heterossexuais, levando a uma ideia errônea de 
que as identidades e orientações são construídas a partir, exclusivamente, da lógica biológica 
“natural” e não como uma construção social, o que inviabiliza e até exclui outras formas de 
existência e identidades. Esse mesmo pensamento também permeia as ideias dos representantes 
políticos, que cada vez mais avançam em direção a uma concepção moral sexual cristã. 
 
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A população LGBTQIAPN+enfrenta uma realidade brasileira permeada por discursos 
religiosos, conservadorismo, cis-heteronormatividade e recorde em LGBTfobia. A presente 
pesquisa abordou sobre os impactos psicológicos das crenças religiosas na formação de pessoas 
LGBTQIAPN+, afim de somar com estudos científicos relevantes para as minorias e para 
convidar a sociedade em geral a fazer uma reflexão crítica e sensível em relação às visões de 
mundo e aos discursos propagados atualmente que inviabilizam a pluralidade e construção de 
identidades, modos de ser e de existir no mundo. 
 
 
20 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.12, p. 01-24, 2024 
 
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