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DE071 – DIREITOS HUMANOS E PROTEÇÃO I NTERNACIONAL
ATIVIDADE PRÁTICA
CASO PRÁTICO
Em um estado latino-americano, há 10 anos, duas mulheres, Manuelita e Carla, foram detidas ilegalmente em um posto de controle militar. Elas foram violadas, agredidas física e psicologicamente para que não apresentassem queixa, e punidas porque os agressores as consideravam como parte da organização paramilitar oposta.
As vítimas apresentaram uma queixa ao Ministério Público, o que corroborou cientificamente que ambas as mulheres haviam sido estupradas, tinham lesões físicas e temiam ameaças que afetassem seu estado mental e psicológico. Consequentemente, e devido ao dever envolvido no que aconteceu, a respectiva queixa e ação judicial foi apresentada ao tribunal criminal que tem competência e jurisdição para ouvir o assunto. Após dois meses, durante a fase de investigação, o processo foi arquivado, os recursos legais nacionais foram esgotados, sem qualquer progresso no processo criminal, e as mulheres prejudicadas apresentaram uma queixa na Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Resposta:
1. a queixa escrita de violações de direitos humanos apresentada por Manuelita e Carlota à Corte Interamericana de Direitos Humanos é aceita?
R. Apesar da grave violação dos direitos humanos das vítimas e também o esgotamento dos recursos judiciais internos, não é possível apresentar a queixa escrita de violações de direitos humanos diretamente à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
2. O que você recomenda fazer se considerar que a denúncia de estupro apresentada por Manuelita e Carlota não é aceita?
R. Como não é possível apresentar petições individuais diretamente a Corte Internacional de Direitos Humanos, é necessário recorrer ao Comissão Internacional de Direitos Humanos. O Sistema de Petições Individuais é uma das principais atividades da CIDH, voltada para o cumprimento da missão de "promover o respeito e a defesa dos direitos humanos" consagrada no artigo 106 da Carta da Organização dos Estados Americanos, e inclui procedimentos criados por meio de instrumentos interamericanos que permitem à CIDH ouvir denúncias de violações de direitos humanos. Dentre esses instrumentos, destacam-se, além da Carta Democrática Americana (artigo 8º), a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e protocolos e convenções específicas. O artigo 44º da Convenção Americana dispõe que: “Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não- governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados membros da Organização, pode apresentar à Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado parte.” Se, ao ouvir o caso, a Corte Interamericana determinar que houve uma violação dos direitos humanos, o que contém a decisão.
3. Se, ao ouvir o caso, a Corte Interamericana determinar que houve uma violação dos direitos humanos, o que contém a decisão?
R. Segundo o artigo 63º - 1. Quando decidir que houve violação de um direito ou liberdade protegidos nesta Convenção, a Corte determinará que se assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade violados. 2.Em casos de extrema gravidade e urgência, e quando se fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas, a Corte, nos assuntos de que estiver conhecendo, poderá tomar as medidas provisórias que considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem submetidos ao seu conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão.
4. Quais são os deveres do Estado parte na Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura?
R. Segundo o artigo 6 da Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura; Em conformidade com o disposto no artigo l, os Estados Partes tomarão medidas efetivas a fim de prevenir e punir a tortura no âmbito de sua jurisdição. Os Estados Partes as segurar-se-ão de que todos os atos de tortura e as tentativas de praticar atos dessa natureza sejam considerados delitos em seu direito penal, estabelecendo penas severas para sua punição, que levem em conta sua gravidade. Os Estados Partes obrigam-se também a tomar medidas efetivas para prevenir e punir outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes, no âmbito de sua jurisdição nos assuntos de que estiver conhecendo, poderá tomar as medidas provisórias que considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem submetidos ao seu conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão.
5. Você considera que houve tortura no caso de Manuelita e Carlota?
R. Sim! Analisando o caso concreto de Manuelita e Carlota, houve tortura em conformidade com o artigo 2 da convenção interamericana par a prevenir e punir a tortura, segundo o qual: Para os efeitos desta Convenção, entender-se-á por tortura todo ato pelo qual são infligidos intencionalmente a uma pessoa penas ou sofrimentos físicos ou mentais, com fins de investigação criminal, como meio de intimidação, como castigo pessoal, como medida preventiva, como pena ou c om qualquer outro fim. Entender-se-á também como tortura a aplicação, sobre uma pessoa, de métodos tendentes a anulara personalidade da vítima, ou a diminuir sua capacidade física ou mental, embora não causem dor física ou angústia psíquica.
REFERÊNCIAS
BARROSO, Renato A. Há direitos dos idosos? Revista Julgar, Coimbra Editora, nº 22, 2014.
 BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: lembranças dos velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
Aluno: MAURO ARGANTE TAGLIARI

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