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DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO AVIDIDADE PRÁTICA 1. O que o DIH diz sobre a situação dos mortos de uma parte no conflito nas mãos da outra parte? R.: O DIH exige que todas as partes em conflito busquem e forneçam informações completas sobre os mortos e desaparecidos, assegurando que os corpos e as sepulturas sejam respeitadas. É também uma obrigação manter um registro de localização dos restos mortais humanos e das sepulturas. Se as medidas necessárias não forem tomadas, as pessoas mortas em combate podem ser presumidas como desaparecidas. Em muitas ocasiões , os órgãos não são encontrados, identificados e as autoridades competentes não são notificadas, portanto, é comum que os membros das forças armadas sejam declarados como desaparecidos em ação, especialmente se não usarem um crachá de identificação ou qualquer outro meio de identificação exigido pelo DIH. Durante e, particularmente após o combate, os beligerantes devem tomar todas as ações e medidas viáveis para procurar, recolher e transportar os cadáveres sem demora ou distinção. O objetivo é incentivar as partes a criar gruposou equipes de busca, que devem ser respeitados e protegidos. O DIHC (2005) a regra 116 formula a obrigação legal dos beligerantes de registrar qualquer informação que permita, ou facilite, a identificação de pessoas mortas no contexto de um conflito armado, e que estejam em sua posse. Os dados registrados, bem como os atestados de óbito, listas de óbito autenticadas, pertences encontrados nos restos mortais ou outros valores, terão que ser encaminhados à parte adversa por meio do escritório nacional de informações e da Agência Nacional de Rastreamento do CIV (DIHC, norma 114, 2005). Quando as circunstâncias exigirem, metade da placa de identidade dupla deve ser deixada nos restos mortais para facilitar a exumação posterior. Independente das circunstâncias, deve ser realizado um enterro honrado e digno, seguindo na medida do possível, os ritos religiosos celebrados pelo falecido. Será admitido a cremação quando as condições de higiene são primordiais. As sepulturas individuais também devem ser respeitadas, acessíveis e cuidadas. As partes devem estabelecer um registro oficial de sepulturas a fim de assegurar a identificação do falecido e permitir a transferência ao seu país de origem. Deverá também ser permitido , mediante acordo, a visitação as sepulturas dos falecidos pelos parentes e de representantes oficiais de registro de túmulos. O estado territorial não pode exumar restos mortais em nenhuma circunstância, exceto nos casos em que for necessário para a repatriação do falecido ou quando for necessária inevitável no interesse público, inclusive em casos de saúde, inquérito judicial ou administrativo. Em caso de exumação, o Estado Territorial é obrigado a respeitar os restos humanos e a informar o país de origem de sua intenção. 2. Os soldados capturados são prisioneiros de guerra? Qual é o fundamento? Sim, os soldados capturados são prisioneiros de guerra pois, o estatuto de prisioneiro de guerra tem como consequências diretas poder ser internado pela potência detentora até o fim das hostilidades sem que haja processo judicial ou administrativo e, em todo o caso, a internação de prisioneiros de guerra é preventiva, e não punitiva. Seu principal objetivo é remover os combatentes hostis do combate de maneira digna e protege-los dos perigos que o conflito armado pode trazer. Os prisioneiros de guerra são todos os combatentes que caem no poder da parte contrária, independentemente de serem forças regulares ou irregulares, ou se agem diretamente em uma revolta em massa. De acordo com o CG III (1949) para que os membros das forças armadas irregulares recebam o status de prisioneiros de guerra, quatro são as condições devem ser atendidas, exigidas pelo Regulamento de Haia: ter a sua frente uma pessoa que possa assumir a responsabilidade pelos subordinados, ter fixado e utilizar um sinal distintivo fixo, visível e identificável à distância; carregam armas visíveis e regem suas operações pelas leis e costumes de guerra. Os militares desmobilizados de um território ocupado e o pessoal militar internado em um país neutro também possuem o status de prisioneiros de guerra. O estatuto de prisioneiro de guerra vigora desde o momento da queda em poder do inimigo até a libertação e repatriação definitiva. Cai em poder do inimigo ao ser capturado as hostilidades ou quando há uma prisão após uma rendição em massa. Cair em poder do inimigo não é o mesmo que estar fora da ação e estar em poder de uma parte adversa. Após a captura, os documentos de identidade e outros pertences permanecerão na posse do prisioneiro de guerra, juntamente com objetos emitidos para sua proteção, tais como máscaras de gás ou capacetes. O dinheiro e outros valores serão coletados por meio de um procedimento formal, por razões de segurança. Os prisioneiros de guerra são obrigados a fornecer todos os seus dados de qualificação, como nome, data de nascimento, posto, registro, exército, regimento, nome pessoal ou de série ou outras informações comparáveis. Estados devem ser os mesmos de suas carteiras de identidade. Uma vez obtido todos os dados, estes devem ser transmitidos imediatamente ao país de origem e parentes do prisioneiro, e também devem ser enviados para a Agência Central de Rastreamento. Após serem capturados, os prisioneiros terão que ser evacuados para uma área longe das hostilidades, onde terão que receber tudo o que precisam para sobreviver, garantindo sua saúde e segurança durante a transferência. Embora a evacuação seja uma obrigação, ela pode ser evitada se duas condições forem cumpridas, por meio de exceções: prisioneiros de guerra podem ser retidos, temporariamente, se seu estado de saúde for mais susceptível de se deteriorar como resultado da transferência, e se a captura ocorrer sob condições incomuns de combate que impossibilitem a evacuação, como em comandos atrás de linhas inimigas. Nestes casos os prisioneiros podem ser desarmados e libertados, tomando todas as precauções para protege-los. 3. É proibido o uso de emblemas pelo pessoal militar? Proporcione o fundamento. É proibido o uso de emblemas, sinais ou signos tratados e fixados pelo DIH, como o sinal da Cruz Vermelha, o crescente ou o cristal vermelho pelo pessoal militar. Da mesma forma, o uso indevido de outros emblemas, sinais ou sinalizações que impliquem proteção internacional, como a bandeira do Parlamento, o emblema de bens culturais, o sinal de proteção civil ou aquele que identifica bens que contenham forças perigosas, ou o emblema da ONU. O uso de bandeiras, emblemas, insígnias e uniformes de estados neutros ou não beligerantes em conflitos armados, também é proibido; entretanto, o uso de uniformes, insígnias, bandeiras ou emblemas de partes adversárias como estratagemas não é proibido, embora não possam ser usados quando em contato direto e hostil com a parte adversária, ou com o propósito de promove, proteger ou dificultar operações militares. (DIHC, normas 620e 63, 2007). De acordo com o DIH, existem três emblemas distintivos que devem ser usados somente para fins específicos sob certas condições e gozam do mesmo status e respeito: estes são a Cruz Vermelha, o Crescente Vermelho e o Cristal Vermelho sobre fundo branco. O uso destes emblemas por pessoal militar é terminantemente proibido, e em certos casos, seu mau uso poderia ser considerado um ato de perfídia, o que se equivaleria a um crime de guerra. O seu uso para fins comerciais e privados também é proibido, sem considerações ou exceções especiais. Cabe aos Estados assegurar, a partir da obrigação legal vigente, a regulamentação do uso de emblemas distintivos, de acordo com os CG e PA de 1949, acrescentando disposições para evitar seu uso irresponsável, e penalidades apropriadas em caso de abuso deliberado. Com isto em mente, o CIVC assumiu a tarefa de criar e publicar uma lei modelo sobre emblemas, que se destina a dar apoio aos governos e algumas diretrizes úteis a este respeito[ICHR, regra 59, 2007; PA I, arts.37(1) e 85(3)(f), 1977; GC I, arts. 53(1) e 54, 1949]. 4. O que se expressa sobre projéteis de fragmentação que impactam alvos e a população civil. O DIH proíbe o uso de armas de efeitos indiscriminados, referindo-se a armas que não podem fixar seu ataque ao alvo militar, ou seja, seus efeitos não podem ser limitados ao que é exigido pelo direito humanitário, e podem atingir indiscriminadamente a população civil ou objetos civis. Esta proibição é coerente com o princípio da distinção e a proibição de ataques indiscriminados (PA I. art. 651(4), 1977). Com Base na proibição de uso de armas que podem causar sofrimento excessivo e desnecessário às populações civis e objetos civis, juntamente com armas que causam danos indiscriminados, e armas criadas para ou susceptíveis de causar danos generalizados, duradouros e severos ao meio ambiente natural, vários tratados restringiram e proibiram vários meios de guerras com relação ao seu uso e implicações. Balas explosivas ou expansivas são proibidas desde a Declaração de São Petesburgo de 1868, que proibia o uso de projeteis com peso inferior a 400 gramas, explosivos ou carregados com material inflamáveis ou fulminantes. A proibição vem depois de considerar que o suso deste de munição seria letal para os combatentes e causaria grandes danos desnecessários aos corpos. Segundo o Protocolo I da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (1980), é proibido o uso de qualquer arma cujo efeito primário seja ferir por fragmentos que não possam ser localizados por Raio X no corpo humano. Cacos de Vidros ou Plásticos, por exemplo, causam feridas muito difíceis de se tratar., e o uso de tais armas não tem nenhuma vantagem militar. As munições de fragmentações são conceituadas a partir da abordagem da Convenção sobre Munições de Fragmentações, que seriam munições convencionais que são projetadas para dispersar ou liberar submunições explosivas, cada uma pesando menos de 20 quilos. A definição não inclui outros tipos de munições. Tais munições geralmente caem livremente e são entregues por meio de armas como morteiros, lançadores de foguetes ou mísseis. Como estão em queda livre, são vulneráveis ao vento e a outros fatores climáticos, fazendo com que se espalhem por amplas áreas e não atinjam o alvo pretendidos e podem atingir alvos da população civil e objetos civis. A Convenção sobre Munições de Fragmentação de 2008 proíbe o uso, desenvolvimento, fabricação, aquisição, estocagem, retenção e transferências de munições de fragmentação, também inclui obrigações de limpar áreas contaminadas, destruir estoques existentes e fornecer apoio médico e psicologico em áreas contaminadas. 5. E quanto ao ataque a hospitais civis e profissionais da saúde? O DIH oferece proteção não apenas ao pessoas de saúde e religioso, mas também visa salvaguardar a missão sanitária para o cuidado e benefício dos feridos, doentes e náufragos; portanto, também protege as instalações sanitárias, transportes, equipamentos e suprimentos necessários. O GC I (1949) só oferecia proteção às unidades de saúde ligadas aos serviços de saúde das forças armadas ou se elas estivessem sob a classificação de hospitais civis. Atualmente, o PA I atualizou o escopo da proteção para todos os estabelecimentos fixos ou móveis, permanentes ou temporários, independente de serem civis ou militares, desde que sejam organizados para fins humanitários e designados para tais fins por uma parte beligerante. Portanto estão incluídos hospitais, centros de transfusão, armazéns onde são mantidos suprimentos e produtos farmacêuticos, centros e institutos de medicina preventiva e outras unidades similares. Escopo de Proteção: As unidades sanitárias, civis e militares, autorizadas por um dos beligerantes não podem ser diretamente atacadas ou usadas para colocar objetivos militares sob cobertura de ataques. Os danos acidentais a essas unidades devem ser evitados tanto o quanto possível pelos beligerantes, garantindo que sejam colocados a uma distância adequada dos alvos militares e notificando as outras partes de sua localização. De acordo com o GVC I, art. 19, (1949), as partes adversas não podem infringir a proteção concedida às unidades de saúde, mesmo que um dos beligerantes não tenha cumprido suas obrigações de protege-las. Mestrado em Direito Aluno: MAURO ARGANTE TAGLIARI Referências Bibliográficas: FUNIBER, Fundação Universitária Iberoamericana, Conteúdo da Disciplina MD014 – DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO.