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1 Cristiano Silva Lopes 2 Gilberto Alves da Silva Neto Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLD6663003ENG) – Prática do Módulo VII - 04/11/25 Terra Armada Cristiano Silva Lopes¹ Gilberto Alves da Silva Neto² RESUMO Neste trabalho, será apresentada uma abordagem teórica baseada em pesquisas bibliográficas sobre o conceito de Terra Armada, este sistema foi patenteado em 1963 pelo engenheiro e arquiteto francês Henri Vidal. A partir de experimentos e análises ao longo dos anos, essa técnica evoluiu e passou a ser muito utilizada na engenharia civil, também conhecida como solo armado ou solo reforçado. Trata-se de um método de construção que utiliza estruturas de contenção flexíveis, projetadas para suportar esforços de tração. Essas estruturas, são associadas a aterros compactados e painéis de paramento, que são elementos modulares pré-fabricados com função de revestimento. O princípio da Terra Armada baseia-se no aumento da resistência interna do solo, através da inserção de elementos de reforço (como tiras metálicas, geossintéticos ou outros materiais), que atuam na distribuição dos esforços internos, proporcionando maior estabilidade ao conjunto. Para ilustrar e validar os conceitos estudados, será desenvolvido um protótipo de sistema Terra Armada, onde serão aplicadas as técnicas de contenção e reforço. O objetivo é demonstrar o funcionamento e a eficácia do sistema em relação à resistência mecânica e à estabilidade estrutural. Palavras-chave Terra armada, Paramento, Solo armado, Talude, Contenção. 1. INTRODUÇÃO A Terra Armada é uma técnica de contenção de solos muito utilizada na engenharia civil, caracterizada pela associação de solo compactado com elementos resistentes à tração, como tiras metálicas, geossintéticos ou outros materiais. Essa integração confere ao maciço uma elevada capacidade estrutural, transformando-o em um sistema estável e seguro. Criada e patenteada pelo engenheiro e arquiteto francês Henri Vidal, na década de 1960, a técnica representou um marco para a geotecnia, trazendo soluções inovadoras para obras de infraestrutura. A relevância da Terra Armada na construção civil está relacionada à sua eficiência, versatilidade e viabilidade econômica. Essa técnica é empregada em muros de contenção, taludes íngremes, aterros de rodovias e ferrovias, acessos a pontes, barragens e diversas outras estruturas que exigem estabilidade e otimização de espaço. Deve ser utilizada especialmente em situações em que métodos tradicionais se mostram economicamente inviáveis ou estruturalmente limitados. O uso da Terra Armada, justifica-se pela redução de custos, maior agilidade na construção e desempenho estrutural adequado às necessidades modernas. O estudo desse sistema apresenta grande relevância acadêmica e prática, uma vez que contribui para o aprimoramento de técnicas eficientes na engenharia civil. Além de ampliar o conhecimento técnico, a pesquisa sobre Terra Armada favorece a aplicação de métodos de construção mais econômicos, seguros e duráveis, reforçando sua importância para projetos de infraestrutura de grande porte. 2 O sistema de Terra Armada é constituído basicamente por três componentes: o solo de aterro, os elementos de reforço e os painéis de paramento. O solo, devidamente compactado, atua como matriz estrutural; os reforços, como tiras metálicas ou geossintéticos, têm a função de resistir aos esforços de tração e mobilizar atrito; e os painéis de paramento, são responsáveis por proteger a estrutura, conferir acabamento estético e auxiliar na estabilidade. Para garantir a eficiência do sistema, os materiais utilizados como reforço devem atender a requisitos específicos. Destacam-se: alta resistência à tração, durabilidade frente às ações do tempo e agentes químicos, ductilidade para absorver deformações e um coeficiente de atrito adequado para interação com o solo. Esses aspectos asseguram que o conjunto funcione de maneira integrada, proporcionando estabilidade e desempenho a longo prazo. Assim, a Terra Armada consolida-se como uma técnica fundamental na engenharia civil moderna, unindo tradição e inovação para oferecer soluções seguras, econômicas e sustentáveis em obras de contenção e infraestrutura. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A técnica da terra armada ficou conhecida depois da patente ser registrada pelo engenheiro Henri Vidal em 1963, que através de várias experiências foi evoluindo a maneira de utilizar a técnica. O método combina o uso do solo compactado e elementos de reforço, o que permite a construção de estruturas econômicas, estáveis e versáteis. De acordo com Vidal (1969, p. 12), “a terra armada é a associação de um material de enchimento com reforços capazes de resistir aos esforços de tração e cisalhamento”. Tal definição é a essência do sistema: um solo que é reforçado de forma artificial para ficar mais resistente. Ilustração do Sistema de Terra Armada Fonte: google.com O sistema de terra armada, também chamado de solo armado, é composto por um maciço contido por placas pré-moldadas de concreto, que funcionam como face da contenção. A pressão do sistema é distribuída em tiras metálicas, presas às placas. Essas tiras, colocadas dentro do solo na medida em que este é compactado durante a execução, resistem aos esforços por conta do atrito desenvolvido no maciço. Os principais componentes do sistema de terra armada - o solo, as tiras metálicas e o 3 paramento externo formado pelas placas pré-moldadas de concreto - têm suas propriedades normatizadas pela NBR 9.286, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A aplicação mais comum dessa técnica é em muros de contenção, taludes reforçados e aterros. Como destacam Bernucci et al. (2008, p. 244), “os muros em terra armada apresentam notável economia, rapidez construtiva e facilidade de adaptação às condições locais”. A utilização da técnica de terra armada em obras de infraestrutura rodoviária e ferroviária tem se mostrado extremamente eficiente. Além de reduzir custos em relação a métodos tradicionais, permite a construção em terrenos de baixa capacidade de suporte, com menores impactos ambientais e maior velocidade de execução. (Bernucci et al. 2008, p. 246) Intersecção Avenida Ivo Da Silveira Fonte: http://muroarmado.com.br/obras Mais um ponto relevante neste tipo de construção é a versatilidade dos tipos de materiais utilizados na construção, podendo serem metálicos, sintéticos ou pré-moldados, desde que garantam a estabilidade e os esforços do sistema. De acordo com Fiori e Carmignani (2001, p. 190) O dimensionamento de estruturas de terra armada deve garantir tanto a segurança contra rupturas externas, que envolvem a estrutura como um todo, quanto as rupturas internas, relacionadas ao comportamento dos elementos de reforço. Essa dupla verificação assegura a eficiência do sistema Mais que a construção, o que realmente importa nos projetos é a estabilidade. Conforme Fiori e Carmignani (2001, p. 182): “as análises de terra armada exigem a verificação tanto da estabilidade externa, como deslizamento e tombamento, quanto da estabilidade interna, como ruptura e arrancamento dos reforços”. Conforme Vertematti (2004), existem 6 tipos de sistemas de construção para muros e taludes: auto-envelopados, auto-envelopados de fôrmas perdidas, blocos segmentais, híbridos, modulares e de paredes integrais. No caso da construção de muro no sistema auto-envelopado, toda camada de solo é confinada nas laterais pelo reforço por meio da obra de ancoragem no interior do muro. A figura abaixo apresenta os elementos de composição do solo reforçado com geossinstéticos. 4 Seção transversal de um muro desolo reforçado com geossintéticos Fonte: Ehrlich e Azambuja (2003). Segundo Felix (1991) A terra armada funciona pelo atrito entre solo e as armaduras, exigindo aterros com alto ângulode atrito interno, o que descarta solos muito finos. Em geral, materiais adequados para aterros também servem para terra armada, selecionando por critério granulométrico. Além de que, quando houver risco de agressividade química com o material de reforço, especialmente por sulfatos, cloretos ou enxofre, é necessário adotar também um critério eletroquímico. Muro de solo com tiras metálicas. Fonte: 1º Simpósio Virtual de Práticas de Engenharia Geotécnica da Região Sul e-GEOSUL 2021 | ©ABMS, 2021 Na construção de um aterro é importante seguir alguns cuidados, como controlar o peso do solo e a quantidade de água presente nele. Para que os muros de terra armada funcionem bem, o ideal é utilizar um solo granular compactado. Esse tipo de solo drena melhor a água e facilita a transferência das forças entre o aterro e os reforços, acontecendo de forma natural conforme as camadas vão sendo colocadas. Os materiais de reforço podem ser de diversos tipos: metálicos, geogrelhas, geotêxteis tecidos e não tecidos. Grande variedade de geossintéticos foram desenvolvidos nas ultimas décadas para o uso no reforço de solo, divididos em duas principais categorias: geotêxteis e greogrelhas. 5 Alguns tipos de geogrelhas. Fonte: http://jornal.ufg.br/n/163841-ciclo-fechado-e-sustentavel-para-os-residuos-de-construcao Aplicações de Terra Armada Fonte: Adaptado de Félix (1991) apud Silva (2012) Na terra armada é necessário revestir as paredes externas contra a erosão do solo, o revestimento tem fator estético, por isso não se faz necessário ser robusto. De acordo com Felix (1991) Mais frequentemente, os paramentos são constituídos por placas pré-fabricadas de betão armado, com formas diversas (cruciformes, hexagonais, em “T”, etc.) e dimensões correntes da da ordem dos 1,50x1,50 m² e espessuras compreendidas entre 0,14m e 0,26m. As superfícies das placas podem apresentar formas e texturas muito variadas, dependendo da expressão estética desejada para o conjunto. 6 Exemplo de escamas Fonte: Google Em relação às juntas, de acordo com Silva (2012), são responsáveis por impedir que haja uma união rígida entre os painéis e contado direto entre os mesmo, evitando assim desgaste, são compostas por almofadas de polietileno combinados com geotêxtil, este último possuindo característica de drenagem sem permitir a passagem dos finos. Como resultado cada painel é independente dos demais, esta característica oferece ao paramento característica de deformabilidade vertical. Segundo Paixão e Rasmussen (2020): O modelo de verificação da estabilidade externa de um maciço em terra armada é análogo ao de uma estrutura de contenção por gravidade. Logo, são realizados cálculos de fatores de segurança mínimos relacionados a quatro potenciais mecanismos de ruptura, os quais sejam: deslizamento, tombamento, capacidade de carga da fundação e ruptura global. Fonte: Vertematti (2204) Da estabilidade interna, (EHRLICH; BECKER, 2009 apud PAIXÃO e RASMUSSEN, 2020) No caso da terra armada ou solo reforçado com geossintéticos, a análise de estabilidade interna deve assegurar que não ocorram colapsos por tração, arrancamentos dos elementos de reforço ou instabilidade na face. Para tal, deve-se realizar a verificação da máxima tensão de tração do reforço, 7 da resistência ao arrancamento, da conexão dos reforços com o sistema de faceamento e da instabilidade de trechos. Analise da ruptura interna: A – Ruptura dos reforços. B – Arrancamento dos reforços. C - Desprendimento das faces. D – Instabilidade local Fonte: (EHRLICH; BECKER, 2009 apud PAIXÃO e RASMUSSEN, 2020) Vantangens da aplicação da Terra Armada Facil montagem, exceto em grandes alturas Construção agil sem o uso de grandes máquinas Eliminação de estruturas de montagem como andaimes Estética facilitada sem acabamentos Flexibilidade dos paramentos tornando a construção de baixa manutenção Custo reduzindo de construção e tempo reduzido de montagem Desvantagens da aplicação da Terra Armada Sem um sistema de drenagem adequado pode ocorrer acumulo de agua no interior do aterro, reduzindo o atrito do solo com as armaduras, comprometendo as estabilidade As tiras metálicas quando utilizadas como reforço podem sofrer corrosão com o passar do tempo Nem todos os solos são apropriados, solos como argila podem ser ineficientes Custo de manutenção preventiva Podem ocorrer problemas que comprometam a obra, como falta de compactação do solo, má instalação das armaduras ou falhas de drenagem 8 3. METODOLOGIA Esta trabalho baseia-se em uma pesquisa bibliográfica exploratória, desenvolvida a partir de materiais já elaborados, como sites, livros e artigos científicos. O objetivo principal foi detalhar o tema terra armada, abordando os conceitos de solos reforçados em taludes, fundamentos de mecânica dos solos procurando ao máximo explorar aspectos técnicos e construtivos de cada elemento que compõe esse tipo de estrutura. A pesquisa fundamenta-se nos parâmetros geométricos e nas propriedades do sistema de terra armada, com embasamento teórico e bibliográfico. Foram considerados os procedimentos técnicos necessários para compreender e se familiarizar com o funcionamento desse sistema. De acordo com o proposto na metodologia apresenta-se a caracterização física da areia e do papel ofício de folhas A2 e A4 utilizado para constituição do paramento e das tiras de reforço. Em seguida, apresenta-se o protótipo construído em MDF com dimensões internas de 0,3 x 0,3 x 0,3m. Os cálculos das tiras foram realizados com as equações propostas por DAS (2007). Modelo da caixa de madeira Fonte: Diretrizes da Disciplina Seminário Interdisciplinar (Uniasselvi 2025) De início é necessário se ter os parâmetros do aterro utilizado no projeto como ângulo de atrito e peso especifico, sem a disponibilidade de um laboratório para obtenção desses parâmetros, utilizamos literaturas disponíveis para embazamento do projeto. Para a construção do paramento e dos reforços para o ensaio foram empregadas folhas de papel A2 e A4 como já descrito. Detalhamento do paramento Fonte: Diretrizes da Disciplina Seminário Interdisciplinar (Uniasselvi 2025) 9 Vista do reforço de tiras de papel Fonte: Diretrizes da Disciplina Seminário Interdisciplinar. (UNIASSELVI, 2025) Vista lateral dos reforços de tiras de papel. Fonte: Diretrizes da Disciplina Seminário Interdisciplinar. (UNIASSELVI, 2025) Conforme DAS (2007), valores típicos do ângulo de atrito do solo, determinados para areia média, tem uma variação de 30º a 40º. O solo definido para o projeto foi definido pela areia média peneirada, utilizada na construção civil. Definimos também como parâmetro de ângulo de atrito de solo para fins de calculo o ângulo de 30°. Dada as medidas da caixa de 0,30x0,30x0,30cm calculamos o volume de areia. Calculo do volume: 0,30 x 0,30 x 0,30 = 0,27m³ Com este valor, calculamos o peso da areia. Os valores de densidade aparamentemente seca da areia média está entre 1500 kg/m³ e 1650 kg/m³. De acordo com DAS (2007), os valores típicos são: Areia seca fofa: 1450 kg/m³ Areia seca compactada: 1650 kg/m³ Vamos usar 1600 kg/m³ como valor médio representativo. 10 Calculo da massa (peso): m = 1600 x 0,027 m = 43,2 kg Método e calculo das armaduras “tirantes” utilizados com reforço da estrutura Para realizar o teste de resistência a tração das armaduras, utilizamos, uma balanca de gancho, balde e água. Foram feitos 3 amostras de armaduras medindo 25cm de comprimento e 2,5cm de largura. Durante o teste fomos acrescentando água na média de 500ml e aguardando 5 segundos para acrescentar uma nova dosagem.Aos tirantes foram colados nas extremidades recortes de papel kraft 2mm medindo 5 x 3 cm para atuar com reforço para pendurar as armaduras nos ganchos da balança e do balde. Imagens do teste Fonte: Autor Abaixo tabela de resultados: Provas Resultado 1 5,67 kg 2 5,89 kg 3 5,71 kg Média 5,75 kg 11 Com os valores encontrados, baseando-se na média encontrada de 5,75kg, podemos calcular a resistência a tração das armaduras com a seguinte equação: Onde: Tensão (𝜎): É a medida da força por unidade de área Força (F): É a força aplicada ao objeto Área (A): É a área onde a força está sendo aplicada Converter força em Newtons F = 5,75kgf x 9,81 N/kgf = 56,41N Calcular a área transversal A = b x e = 2,5cm x 0,01cm = 0,025cm2 *espessura média adotada de 0,01cm Calcular a tensão T = F / A = 5,75 / 0,025 cm² = 230 kgf/cm² Outro dado é o peso do aterro medido para o teste. Peso: 43,2 kg Volume da caixa: 0,027m³ Densidade aparente ρ = 43,2/0,027=1600 kg/m3 logo, γ = 1.600·9,81 = 15,696 kN/m³ O ângulo de atrito entre o solo e a armadura não foi medido, então foi adotado o calculo δ = 0,7·φ = 0,7·30° = 21° como hipótese prática para solo e elemento liso. De acordo com BRAJA (2007) o φ (ângulo de atrito com o solo) fica entre 30° - 40°, vamos considerar 30° para fins de calculo. O ângulo de atrito solo–fita pode ser estimado por δ = k⋅φ, sendo k dependente da rugosidade da interface. Para materiais lisos, k ≈ 0,4 – 0,6k; e para superfícies rugosas, k ≈ 0,8 – 1,0k (Koerner, 2012). O dimensionamento de nosso ensaio leva em conta a área de zona ativa e a área de zona resistente. Onde a zona ativa é a área de solo que pode ser comprometida e está risco de ruptura e a zona resistente é considerada a área de ancoragem das armaduras, é importante que as armaduras estejam dentro desta área. O comprimento máximo da zona ativa deve ser 30% da altura do paramento. 12 Abaixo imagem das áreas baseado no experimento Fonte: o autor Para calcular o coeficiente de empuxo (K_a) utilizei a formula de Rankine para solo em coesão (c ≈ 0) como aproximação porque a areia é granular, assim: Ka = tan² (30°) = 0,3333 Empuxo total ativo sobre o paramento (resultante horizontal Ea) Para parede com altura H, comprimento no plano do paramento L (aqui L = 0,30 m, comprimento “da parede” dentro da caixa): Substituindo: Ka = 0,3333 γ = 15,696 kN/m3 = 15696 N/m3 H=0,30 m, L=0,30 m Resultado: Ea=70,63 N Vamos utilizar uma forma simplificada para calculo da resistência por arrancamento de uma armadura em solo granular, baseada na integração da tensão de cisalhamento com o comprimento ancorado do reforço. Quando a fita é tracionada dentro do solo a resistência por arrancamento do atrito entre o reforço e solo. A tensão de cisalhamento ao longo do reforço é proporcional a pressão vertical e ao ângulo de atrito. 13 Substituindo: w=0,025 m δ=21°→ tanδ = 0,3839 γ=15696 N/m³ Le=0,25 m Resultado: Rfita ≈ 9,41 N por reforço A resistência por armadura calculada por atrito distribuído é de ≈ 9,41N – valor muito menor que o valor encontrado do ensaio de ruptura da fita, que foi de ≈ 56,4N. Numero de armaduras e tensão por armadura mediante espaçamentos. Adotamos inicialmente para o ensaio os seguintes valores: Sv = 5 cm = 0,05 m (vertical) Sh = 5 cm = 0,05 m S (horizontal) Com H = 0,30 m → número de camadas (inteiras) nv = (H/Sv) = 5 camadas Com L = 0,30 m → número de armaduras por camada nh = (L/Sh) = 5 Total de fitas N = nv ⋅ nh = 25 Tensão que precisa resistir cada armadura Tpor fita = Ea / N = 70,63 N / 25 = 2,825 N por armadura Através do calculo baixo determinamos os fatores de segurança e o utilizando as fórmulas abaixo. Onde: = Fator de segurança contra a ruptura da armadura. Razão entre a resistência da última medida da armadura (ensaio de ruptura) e a carga solicitante por armadura. = Fator de segurança contra o arrancamento da armadura. Razão entre a resistência disponível por atrito da armadura no solo e a carga solicitante por armadura. Dados usados (valores numéricos) Empuxo total sobre o paramento: Ea=70,63 N. Número de fitas instaladas: N = 25N. Carga solicitante por fita (distribuição uniforme): T=Ea / N = 70,63 / 25 = 2,825 N 14 Resistência por arrancamento: Rfita=9,414 N. Força de ruptura (ensaio): Frupt = 5,75 kgf = 5,75 × 9,81 = 56,41 N. Cálculo 1 — FS(B) = ruptura Fórmula: Substituindo: FS(B) = 56,41 N / 2,825 N = 19,97 Resultado: FS(B) = 19,97 ≈ 20,0 (a fita suporta ≈ 20 vezes a carga solicitante antes de romper) Cálculo 2 — FS(P) = arrancamento Fórmula: Substituindo: FS(P) = 9,414 N / 2,825 N = 3,333 Resultado: FS(P) = 3,33 Interpretação: a resistência por atrito disponível é ≈ 3,33 vezes a carga solicitante. Foi gerada uma tabela apontando como FS(P) varia se aumentar o Sv e o Sh para tornar o ensaio mais enconomico. De acordo com a tabela o FS(P) mínimo aceitável seria 1,599. As principais referências internacionais definem que, para projetos de reforços em solo o valor mínimo considerável é de 1,5. 15 Porque podem ocorrer variações de densidade do aterro, umidade, variação no ângulo de atrito, perda de aderência com o solo. O valor de 1,5 representa uma margem de segurança de 50%. Abaixo de 1,5 qualquer perda de aderência fará com que a fita deslize o solo, o paramento passa a não garantir o comportamento estável esperado. Processo de construção do protótipo: Para construção do protótipo foi utilizado MDF de 18mm, parafuso, serra elétrica, régua, trena, esquadro, lápis, tesoura, cola branca, folha oficio A2 e A4, areia média, parafusadeira, filmadora. A face frontal foi construída de forma a ser retirar para manter a terra armada sustentada pelo paramento. Construção da caixa (Fonte: O Autor) Foi determinado como carga para o projeto o peso de 20kg, realizado os cálculos para distribuição das armaduras e dimensões, iniciou-se pela colagem das armaduras da folha que será utilizada para o paramento, distribuídos como mostra a imagem a seguir. 16 A distribuição das armaduras foi realizada de acordo com a imagem a seguir. Fonte: O autor Preparação do paramento para o ensaio Realizado os cálculos para definir as dimensões e distribuição das armaduras, iniciou-se a colagem na folha que vai ser utilizada como paramento. Fonte: O Autor. As tiras utilizadas como armaduras para o ensaio seguem as dimensões de 30 x 2,5 cm, onde 5 cm do comprimento foi reservado para colagem no paramento. A distribuição da carga (areia) foi efetuada gradativamente, conforme a altura das armaduras, ao se fazer o preenchimento com areia, a mesma era submetida a compactação até chegar a altura da próxima armadura e assim suscessivamente. 17 Fonte: O Autor. Fonte: O Autor. Completado o preenchimento com areia, uma plataforma foi colocada na parte superior da caixa para ser utilizada como base para ser colocado os pesos para o teste afim de manter distribuído o peso na parte superior. Fonte: O Autor. 18 De acordo com o estabelecido para o ensaio, será considerado como rompimento do paramento se o deslocamento for igual ou superior a 4cm. Após o preenchimento da caixa, posicionado a plataforma e o balde de 20 litros. Foi se adicionando água gradativamente na medida de 1 litro por vez observando a movimentação do paramento. O objetivo é observar a capacidade da estrutura em absorver a carga aplicada e a movimentação do paramento. Fonte: O Autor. Após o preenchimento dos 20 litros disposto nas diretrizes do ensaio, como não houve ruptura, dispomos de mais 10 litrosdistribuido em 2 galões de 5 litros, que foram adicionados como carga para observar as alterações no paramento. Fonte: O Autor. Video do experimento disponível no You Tube: http://youtu.be/ck2orWIxDEg 19 1. RESULTADOS E DISCUSSÕES 2. Os resultados do ensaio demonstraram que o paramento e os tirantes construídos com papel e a areia compactada suportaram uma alta resistência. A medida que foram sendo adicionada as cargas as movimentações do paramento foram mínimas. Observou-se somente movimentação acentuada no paramento, acima da linha do primeiro tirante, isso indica que os reforços internos foram eficientes. Assim que retirada a lateral de madeira que sustentava o paramento de papel, observou-se o deslocamento de 1,5 cm do paramento acima do primeiro reforço. Adicionados a carga total de 20kg, o deslocamento .da parte superior do paramento aumentou 0,5 cm. Mesmo assim o restante da estrutura não apresentou movimentação ou risco de ruptura. Acrescentados mais 10kg, o deslocamento permaneceu estável, sem apresentar aumento de deslocamento, o que demonstra que a contenção reforçada com tirantes de papel foi eficiente e capaz de suportar cargas elevadas antes de atingir o limite de segurança. Os resultados encontrados validam a eficiência do sistema em aplicações práticas da engenharia, considerando que o valor máximo de deslocamento foi de 2,0 cm na parte superior. TABELA DE DADOS TIPO DE SOLO GRANULOMETRIA AREA DO PAPEL MASSA DO SOLO (m³) AREIA MÉDIA SECA 900 cm² 0,027M³ CARGA APLICADA DESLOCAMENTO DA GUIA (δ) 1 Kg 1,5 cm 5 Kg 1,5 cm 10 Kg 1,5 cm 15 Kg 1,8 cm 20 Kg 2 cm 25 Kg 2 cm 30 Kg 2 cm CARGA FINAL RUPTURA: NÃO CHEGAMOS A RUPTURA 3. CONCLUSÃO Os resultados encontrados no experimento confirmam que o método de terra armada apresenta elevada relevância na construção civil, especialmente em contenções submetidas a cargas controladas. A estrutura do ensaio demonstra resistência e estabilidade, mesmo sob o aumento de carga progressivo. Dessa forma, o uso de materiais de reforço incorporados ao solo é uma alternativa promissora para aplicar na engenharia, principalmente em projetos que necessitam de soluções econômicas e sustentáveis. O modelo de construção terra armada conquistou ampla aceitação mundial por sua facilidade e agilidade de construção. Em um contexto onde egenheiros lidam com cronogramas reduzidos e espaços físicos limitados, essa técnica permite que a maioria das etapas ocorram na região posterior ao paramento, dispensando o uso de andaimes e reduzindo interferências no fluxo de tráfego especialmente em rodovias. 20 REFERÊNCIAS BERNUCCI, L. B.; MOTTA, L. M. G.; CERATTI, J. A. P.; SOARES, J. B. Pavimentação Asfáltica: Formação Básica para Engenheiros. 2. ed. Rio de Janeiro: Petrobras/ABEDA, 2008. DAS, Braja M. Fundamentos de Engenharia Geotécnica. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2007. 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