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1 Cristiano Silva Lopes 
2 Gilberto Alves da Silva Neto 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLD6663003ENG) – Prática do Módulo VII - 
04/11/25 
 
Terra Armada 
 
Cristiano Silva Lopes¹ 
Gilberto Alves da Silva Neto² 
 
RESUMO 
 
Neste trabalho, será apresentada uma abordagem teórica baseada em pesquisas bibliográficas sobre 
o conceito de Terra Armada, este sistema foi patenteado em 1963 pelo engenheiro e arquiteto 
francês Henri Vidal. A partir de experimentos e análises ao longo dos anos, essa técnica evoluiu e 
passou a ser muito utilizada na engenharia civil, também conhecida como solo armado ou solo 
reforçado. Trata-se de um método de construção que utiliza estruturas de contenção flexíveis, 
projetadas para suportar esforços de tração. Essas estruturas, são associadas a aterros compactados e 
painéis de paramento, que são elementos modulares pré-fabricados com função de revestimento. O 
princípio da Terra Armada baseia-se no aumento da resistência interna do solo, através da inserção 
de elementos de reforço (como tiras metálicas, geossintéticos ou outros materiais), que atuam na 
distribuição dos esforços internos, proporcionando maior estabilidade ao conjunto. Para ilustrar e 
validar os conceitos estudados, será desenvolvido um protótipo de sistema Terra Armada, onde 
serão aplicadas as técnicas de contenção e reforço. O objetivo é demonstrar o funcionamento e a 
eficácia do sistema em relação à resistência mecânica e à estabilidade estrutural. 
 
Palavras-chave 
Terra armada, Paramento, Solo armado, Talude, Contenção. 
1. INTRODUÇÃO 
A Terra Armada é uma técnica de contenção de solos muito utilizada na engenharia civil, 
caracterizada pela associação de solo compactado com elementos resistentes à tração, como tiras 
metálicas, geossintéticos ou outros materiais. Essa integração confere ao maciço uma elevada 
capacidade estrutural, transformando-o em um sistema estável e seguro. Criada e patenteada pelo 
engenheiro e arquiteto francês Henri Vidal, na década de 1960, a técnica representou um marco 
para a geotecnia, trazendo soluções inovadoras para obras de infraestrutura. 
A relevância da Terra Armada na construção civil está relacionada à sua eficiência, 
versatilidade e viabilidade econômica. Essa técnica é empregada em muros de contenção, taludes 
íngremes, aterros de rodovias e ferrovias, acessos a pontes, barragens e diversas outras estruturas 
que exigem estabilidade e otimização de espaço. Deve ser utilizada especialmente em situações em 
que métodos tradicionais se mostram economicamente inviáveis ou estruturalmente limitados. O 
uso da Terra Armada, justifica-se pela redução de custos, maior agilidade na construção e 
desempenho estrutural adequado às necessidades modernas. 
O estudo desse sistema apresenta grande relevância acadêmica e prática, uma vez que 
contribui para o aprimoramento de técnicas eficientes na engenharia civil. Além de ampliar o 
conhecimento técnico, a pesquisa sobre Terra Armada favorece a aplicação de métodos de 
construção mais econômicos, seguros e duráveis, reforçando sua importância para projetos de 
infraestrutura de grande porte. 
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O sistema de Terra Armada é constituído basicamente por três componentes: o solo de 
aterro, os elementos de reforço e os painéis de paramento. O solo, devidamente compactado, atua 
como matriz estrutural; os reforços, como tiras metálicas ou geossintéticos, têm a função de resistir 
aos esforços de tração e mobilizar atrito; e os painéis de paramento, são responsáveis por proteger a 
estrutura, conferir acabamento estético e auxiliar na estabilidade. 
Para garantir a eficiência do sistema, os materiais utilizados como reforço devem atender a 
requisitos específicos. Destacam-se: alta resistência à tração, durabilidade frente às ações do tempo 
e agentes químicos, ductilidade para absorver deformações e um coeficiente de atrito adequado para 
interação com o solo. Esses aspectos asseguram que o conjunto funcione de maneira integrada, 
proporcionando estabilidade e desempenho a longo prazo. 
Assim, a Terra Armada consolida-se como uma técnica fundamental na engenharia civil 
moderna, unindo tradição e inovação para oferecer soluções seguras, econômicas e sustentáveis em 
obras de contenção e infraestrutura. 
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
A técnica da terra armada ficou conhecida depois da patente ser registrada pelo engenheiro 
Henri Vidal em 1963, que através de várias experiências foi evoluindo a maneira de utilizar a 
técnica. O método combina o uso do solo compactado e elementos de reforço, o que permite a 
construção de estruturas econômicas, estáveis e versáteis. 
De acordo com Vidal (1969, p. 12), “a terra armada é a associação de um material de 
enchimento com reforços capazes de resistir aos esforços de tração e cisalhamento”. Tal definição 
é a essência do sistema: um solo que é reforçado de forma artificial para ficar mais resistente. 
Ilustração do Sistema de Terra Armada 
 
Fonte: google.com 
O sistema de terra armada, também chamado de solo armado, é composto por um maciço 
contido por placas pré-moldadas de concreto, que funcionam como face da contenção. 
 
 A pressão do sistema é distribuída em tiras metálicas, presas às placas. Essas tiras, colocadas 
dentro do solo na medida em que este é compactado durante a execução, resistem aos esforços por 
conta do atrito desenvolvido no maciço. 
 
 Os principais componentes do sistema de terra armada - o solo, as tiras metálicas e o 
3 
 
 
 
paramento externo formado pelas placas pré-moldadas de concreto - têm suas propriedades 
normatizadas pela NBR 9.286, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 
A aplicação mais comum dessa técnica é em muros de contenção, taludes reforçados e 
aterros. Como destacam Bernucci et al. (2008, p. 244), “os muros em terra armada apresentam 
notável economia, rapidez construtiva e facilidade de adaptação às condições locais”. 
A utilização da técnica de terra armada em obras de infraestrutura rodoviária e ferroviária 
tem se mostrado extremamente eficiente. Além de reduzir custos em relação a métodos 
tradicionais, permite a construção em terrenos de baixa capacidade de suporte, com 
menores impactos ambientais e maior velocidade de execução. (Bernucci et al. 2008, p. 
246) 
Intersecção Avenida Ivo Da Silveira 
 
Fonte: http://muroarmado.com.br/obras 
 
Mais um ponto relevante neste tipo de construção é a versatilidade dos tipos de materiais 
utilizados na construção, podendo serem metálicos, sintéticos ou pré-moldados, desde que garantam 
a estabilidade e os esforços do sistema. 
 
De acordo com Fiori e Carmignani (2001, p. 190) O dimensionamento de estruturas de terra 
armada deve garantir tanto a segurança contra rupturas externas, que envolvem a estrutura como um 
todo, quanto as rupturas internas, relacionadas ao comportamento dos elementos de reforço. Essa 
dupla verificação assegura a eficiência do sistema 
Mais que a construção, o que realmente importa nos projetos é a estabilidade. 
Conforme Fiori e Carmignani (2001, p. 182): “as análises de terra armada exigem a 
verificação tanto da estabilidade externa, como deslizamento e tombamento, quanto da estabilidade 
interna, como ruptura e arrancamento dos reforços”. 
Conforme Vertematti (2004), existem 6 tipos de sistemas de construção para muros e 
taludes: auto-envelopados, auto-envelopados de fôrmas perdidas, blocos segmentais, híbridos, 
modulares e de paredes integrais. No caso da construção de muro no sistema auto-envelopado, toda 
camada de solo é confinada nas laterais pelo reforço por meio da obra de ancoragem no interior do 
muro. 
A figura abaixo apresenta os elementos de composição do solo reforçado com 
geossinstéticos. 
 
4 
 
 
 
Seção transversal de um muro desolo reforçado com geossintéticos 
 
Fonte: Ehrlich e Azambuja (2003). 
Segundo Felix (1991) A terra armada funciona pelo atrito entre solo e as armaduras, 
exigindo aterros com alto ângulode atrito interno, o que descarta solos muito finos. Em geral, 
materiais adequados para aterros também servem para terra armada, selecionando por critério 
granulométrico. Além de que, quando houver risco de agressividade química com o material de 
reforço, especialmente por sulfatos, cloretos ou enxofre, é necessário adotar também um critério 
eletroquímico. 
Muro de solo com tiras metálicas. 
 
 
 
Fonte: 1º Simpósio Virtual de Práticas de Engenharia Geotécnica da Região Sul 
e-GEOSUL 2021 | ©ABMS, 2021 
Na construção de um aterro é importante seguir alguns cuidados, como controlar o peso do 
solo e a quantidade de água presente nele. Para que os muros de terra armada funcionem bem, o 
ideal é utilizar um solo granular compactado. Esse tipo de solo drena melhor a água e facilita a 
transferência das forças entre o aterro e os reforços, acontecendo de forma natural conforme as 
camadas vão sendo colocadas. 
Os materiais de reforço podem ser de diversos tipos: metálicos, geogrelhas, geotêxteis 
tecidos e não tecidos. Grande variedade de geossintéticos foram desenvolvidos nas ultimas décadas 
para o uso no reforço de solo, divididos em duas principais categorias: geotêxteis e greogrelhas. 
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Alguns tipos de geogrelhas. 
 
Fonte: http://jornal.ufg.br/n/163841-ciclo-fechado-e-sustentavel-para-os-residuos-de-construcao 
Aplicações de Terra Armada 
 
Fonte: Adaptado de Félix (1991) apud Silva (2012) 
Na terra armada é necessário revestir as paredes externas contra a erosão do solo, o 
revestimento tem fator estético, por isso não se faz necessário ser robusto. 
De acordo com Felix (1991) Mais frequentemente, os paramentos são constituídos por 
placas pré-fabricadas de betão armado, com formas diversas (cruciformes, hexagonais, em “T”, 
etc.) e dimensões correntes da da ordem dos 1,50x1,50 m² e espessuras compreendidas entre 0,14m 
e 0,26m. As superfícies das placas podem apresentar formas e texturas muito variadas, dependendo 
da expressão estética desejada para o conjunto. 
 
6 
 
 
 
Exemplo de escamas 
 
 
Fonte: Google 
 
Em relação às juntas, de acordo com Silva (2012), são responsáveis por impedir que haja 
uma união rígida entre os painéis e contado direto entre os mesmo, evitando assim desgaste, são 
compostas por almofadas de polietileno combinados com geotêxtil, este último possuindo 
característica de drenagem sem permitir a passagem dos finos. Como resultado cada painel é 
independente dos demais, esta característica oferece ao paramento característica de deformabilidade 
vertical. 
 
Segundo Paixão e Rasmussen (2020): O modelo de verificação da estabilidade externa de 
um maciço em terra armada é análogo ao de uma estrutura de contenção por gravidade. Logo, são 
realizados cálculos de fatores de segurança mínimos relacionados a quatro potenciais mecanismos 
de ruptura, os quais sejam: deslizamento, tombamento, capacidade de carga da fundação e ruptura 
global. 
 
 
Fonte: Vertematti (2204) 
 
 
Da estabilidade interna, (EHRLICH; BECKER, 2009 apud PAIXÃO e RASMUSSEN, 2020) 
No caso da terra armada ou solo reforçado com geossintéticos, a análise de estabilidade interna deve 
assegurar que não ocorram colapsos por tração, arrancamentos dos elementos de reforço ou 
instabilidade na face. Para tal, deve-se realizar a verificação da máxima tensão de tração do reforço, 
7 
 
 
 
da resistência ao arrancamento, da conexão dos reforços com o sistema de faceamento e da 
instabilidade de trechos. 
Analise da ruptura interna: A – Ruptura dos reforços. B – Arrancamento dos reforços. 
C - Desprendimento das faces. D – Instabilidade local 
 
Fonte: (EHRLICH; BECKER, 2009 apud PAIXÃO e RASMUSSEN, 2020) 
Vantangens da aplicação da Terra Armada 
 Facil montagem, exceto em grandes alturas 
 Construção agil sem o uso de grandes máquinas 
 Eliminação de estruturas de montagem como andaimes 
 Estética facilitada sem acabamentos 
 Flexibilidade dos paramentos tornando a construção de baixa manutenção 
 Custo reduzindo de construção e tempo reduzido de montagem 
 
Desvantagens da aplicação da Terra Armada 
 Sem um sistema de drenagem adequado pode ocorrer acumulo de agua no 
interior do aterro, reduzindo o atrito do solo com as armaduras, comprometendo as 
estabilidade 
 As tiras metálicas quando utilizadas como reforço podem sofrer corrosão com 
o passar do tempo 
 Nem todos os solos são apropriados, solos como argila podem ser ineficientes 
 Custo de manutenção preventiva 
 Podem ocorrer problemas que comprometam a obra, como falta de 
compactação do solo, má instalação das armaduras ou falhas de drenagem 
 
 
 
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3. METODOLOGIA 
 
Esta trabalho baseia-se em uma pesquisa bibliográfica exploratória, desenvolvida a partir de 
materiais já elaborados, como sites, livros e artigos científicos. O objetivo principal foi detalhar o 
tema terra armada, abordando os conceitos de solos reforçados em taludes, fundamentos de 
mecânica dos solos procurando ao máximo explorar aspectos técnicos e construtivos de cada 
elemento que compõe esse tipo de estrutura. 
A pesquisa fundamenta-se nos parâmetros geométricos e nas propriedades do sistema de 
terra armada, com embasamento teórico e bibliográfico. Foram considerados os procedimentos 
técnicos necessários para compreender e se familiarizar com o funcionamento desse sistema. 
De acordo com o proposto na metodologia apresenta-se a caracterização física da areia e do 
papel ofício de folhas A2 e A4 utilizado para constituição do paramento e das tiras de reforço. Em 
seguida, apresenta-se o protótipo construído em MDF com dimensões internas de 0,3 x 0,3 x 0,3m. 
Os cálculos das tiras foram realizados com as equações propostas por DAS (2007). 
 
Modelo da caixa de madeira 
 
Fonte: Diretrizes da Disciplina Seminário Interdisciplinar (Uniasselvi 2025) 
 
De início é necessário se ter os parâmetros do aterro utilizado no projeto como ângulo de 
atrito e peso especifico, sem a disponibilidade de um laboratório para obtenção desses parâmetros, 
utilizamos literaturas disponíveis para embazamento do projeto. 
 
Para a construção do paramento e dos reforços para o ensaio foram empregadas folhas de 
papel A2 e A4 como já descrito. 
 
Detalhamento do paramento 
 
Fonte: Diretrizes da Disciplina Seminário Interdisciplinar (Uniasselvi 2025) 
 
 
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Vista do reforço de tiras de papel 
 
 
Fonte: Diretrizes da Disciplina Seminário Interdisciplinar. (UNIASSELVI, 2025) 
 
Vista lateral dos reforços de tiras de papel. 
 
Fonte: Diretrizes da Disciplina Seminário Interdisciplinar. (UNIASSELVI, 2025) 
 
Conforme DAS (2007), valores típicos do ângulo de atrito do solo, determinados para areia 
média, tem uma variação de 30º a 40º. 
 
O solo definido para o projeto foi definido pela areia média peneirada, utilizada na 
construção civil. Definimos também como parâmetro de ângulo de atrito de solo para fins de 
calculo o ângulo de 30°. 
 
Dada as medidas da caixa de 0,30x0,30x0,30cm calculamos o volume de areia. 
 
Calculo do volume: 0,30 x 0,30 x 0,30 = 0,27m³ 
 
Com este valor, calculamos o peso da areia. 
 
Os valores de densidade aparamentemente seca da areia média está entre 1500 kg/m³ e 1650 
kg/m³. 
De acordo com DAS (2007), os valores típicos são: 
 Areia seca fofa: 1450 kg/m³ 
 Areia seca compactada: 1650 kg/m³ 
 
Vamos usar 1600 kg/m³ como valor médio representativo. 
 
 
 
 
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Calculo da massa (peso): 
 
 
m = 1600 x 0,027 
m = 43,2 kg 
 
Método e calculo das armaduras “tirantes” utilizados com reforço da estrutura 
 
Para realizar o teste de resistência a tração das armaduras, utilizamos, uma balanca de 
gancho, balde e água. Foram feitos 3 amostras de armaduras medindo 25cm de comprimento e 
2,5cm de largura. Durante o teste fomos acrescentando água na média de 500ml e aguardando 5 
segundos para acrescentar uma nova dosagem.Aos tirantes foram colados nas extremidades recortes de papel kraft 2mm medindo 5 x 3 cm 
para atuar com reforço para pendurar as armaduras nos ganchos da balança e do balde. 
 
Imagens do teste 
 
Fonte: Autor 
 
 
Abaixo tabela de resultados: 
 
Provas Resultado 
1 5,67 kg 
2 5,89 kg 
3 5,71 kg 
Média 5,75 kg 
 
 
 
 
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Com os valores encontrados, baseando-se na média encontrada de 5,75kg, podemos calcular 
a resistência a tração das armaduras com a seguinte equação: 
 
 
 
Onde: 
 
Tensão (𝜎): É a medida da força por unidade de área 
 Força (F): É a força aplicada ao objeto 
Área (A): É a área onde a força está sendo aplicada 
 
Converter força em Newtons 
 
F = 5,75kgf x 9,81 N/kgf = 56,41N 
 
Calcular a área transversal 
 
 A = b x e = 2,5cm x 0,01cm = 0,025cm2 
 
 *espessura média adotada de 0,01cm 
 
Calcular a tensão 
 
 T = F / A = 5,75 / 0,025 cm² = 230 kgf/cm² 
 
Outro dado é o peso do aterro medido para o teste. 
 
Peso: 43,2 kg 
 
Volume da caixa: 0,027m³ 
 
Densidade aparente ρ = 43,2/0,027=1600 kg/m3 logo, γ = 1.600·9,81 = 15,696 kN/m³ 
 
O ângulo de atrito entre o solo e a armadura não foi medido, então foi adotado o calculo δ = 
0,7·φ = 0,7·30° = 21° como hipótese prática para solo e elemento liso. 
 
De acordo com BRAJA (2007) o φ (ângulo de atrito com o solo) fica entre 30° - 40°, vamos 
considerar 30° para fins de calculo. 
 
O ângulo de atrito solo–fita pode ser estimado por δ = k⋅φ, sendo k dependente da 
rugosidade da interface. Para materiais lisos, k ≈ 0,4 – 0,6k; e para superfícies rugosas, k ≈ 0,8 – 
1,0k (Koerner, 2012). 
 
O dimensionamento de nosso ensaio leva em conta a área de zona ativa e a área de zona 
resistente. Onde a zona ativa é a área de solo que pode ser comprometida e está risco de ruptura e a 
zona resistente é considerada a área de ancoragem das armaduras, é importante que as armaduras 
estejam dentro desta área. O comprimento máximo da zona ativa deve ser 30% da altura do 
paramento. 
12 
 
 
 
 
Abaixo imagem das áreas baseado no experimento 
 
 
Fonte: o autor 
 
Para calcular o coeficiente de empuxo (K_a) utilizei a formula de Rankine para solo em 
coesão (c ≈ 0) como aproximação porque a areia é granular, assim: 
 
 
Ka = tan² (30°) = 0,3333 
 
Empuxo total ativo sobre o paramento (resultante horizontal Ea) 
 
Para parede com altura H, comprimento no plano do paramento L (aqui L = 0,30 m, 
comprimento “da parede” dentro da caixa): 
 
 
Substituindo: 
 Ka = 0,3333 
 γ = 15,696 kN/m3 = 15696 N/m3 
 H=0,30 m, L=0,30 m 
Resultado: 
Ea=70,63 N 
Vamos utilizar uma forma simplificada para calculo da resistência por arrancamento de uma 
armadura em solo granular, baseada na integração da tensão de cisalhamento com o comprimento 
ancorado do reforço. 
Quando a fita é tracionada dentro do solo a resistência por arrancamento do atrito entre o 
reforço e solo. A tensão de cisalhamento ao longo do reforço é proporcional a pressão vertical e ao 
ângulo de atrito. 
 
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Substituindo: 
 w=0,025 m 
 δ=21°→ tanδ = 0,3839 
 γ=15696 N/m³ 
 Le=0,25 m 
Resultado: Rfita ≈ 9,41 N por reforço 
A resistência por armadura calculada por atrito distribuído é de ≈ 9,41N – valor muito menor 
que o valor encontrado do ensaio de ruptura da fita, que foi de ≈ 56,4N. 
 
Numero de armaduras e tensão por armadura mediante espaçamentos. 
Adotamos inicialmente para o ensaio os seguintes valores: 
 
  Sv = 5 cm = 0,05 m (vertical) 
 Sh = 5 cm = 0,05 m S (horizontal) 
Com H = 0,30 m → número de camadas (inteiras) nv = (H/Sv) = 5 camadas 
 Com L = 0,30 m → número de armaduras por camada nh = (L/Sh) = 5 
 Total de fitas N = nv ⋅ nh = 25 
Tensão que precisa resistir cada armadura 
Tpor fita = Ea / N = 70,63 N / 25 = 2,825 N por armadura 
 
Através do calculo baixo determinamos os fatores de segurança e o utilizando as 
fórmulas abaixo. 
 
Onde: 
 
 = Fator de segurança contra a ruptura da armadura. Razão entre a resistência da última 
medida da armadura (ensaio de ruptura) e a carga solicitante por armadura. 
 = Fator de segurança contra o arrancamento da armadura. Razão entre a resistência 
disponível por atrito da armadura no solo e a carga solicitante por armadura. 
 
Dados usados (valores numéricos) 
 Empuxo total sobre o paramento: Ea=70,63 N. 
 Número de fitas instaladas: N = 25N. 
 Carga solicitante por fita (distribuição uniforme): 
T=Ea / N = 70,63 / 25 = 2,825 N 
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 Resistência por arrancamento: Rfita=9,414 N. 
 Força de ruptura (ensaio): Frupt = 5,75 kgf = 5,75 × 9,81 = 56,41 N. 
Cálculo 1 — FS(B) = ruptura 
Fórmula: 
 
Substituindo: 
FS(B) = 56,41 N / 2,825 N = 19,97 
Resultado: FS(B) = 19,97 ≈ 20,0 (a fita suporta ≈ 20 vezes a carga solicitante antes de 
romper) 
Cálculo 2 — FS(P) = arrancamento 
Fórmula: 
 
Substituindo: 
FS(P) = 9,414 N / 2,825 N = 3,333 
Resultado: FS(P) = 3,33 
 
 Interpretação: a resistência por atrito disponível é ≈ 3,33 vezes a carga solicitante. 
Foi gerada uma tabela apontando como FS(P) varia se aumentar o Sv e o Sh para tornar o 
ensaio mais enconomico. 
 
 
De acordo com a tabela o FS(P) mínimo aceitável seria 1,599. As principais referências 
internacionais definem que, para projetos de reforços em solo o valor mínimo considerável é de 1,5. 
15 
 
 
 
Porque podem ocorrer variações de densidade do aterro, umidade, variação no ângulo de atrito, 
perda de aderência com o solo. O valor de 1,5 representa uma margem de segurança de 50%. 
Abaixo de 1,5 qualquer perda de aderência fará com que a fita deslize o solo, o paramento 
passa a não garantir o comportamento estável esperado. 
Processo de construção do protótipo: 
Para construção do protótipo foi utilizado MDF de 18mm, parafuso, serra elétrica, régua, 
trena, esquadro, lápis, tesoura, cola branca, folha oficio A2 e A4, areia média, parafusadeira, 
filmadora. 
A face frontal foi construída de forma a ser retirar para manter a terra armada sustentada 
pelo paramento. 
 
 
 
Construção da caixa (Fonte: O Autor) 
 
Foi determinado como carga para o projeto o peso de 20kg, realizado os cálculos para 
distribuição das armaduras e dimensões, iniciou-se pela colagem das armaduras da folha que será 
utilizada para o paramento, distribuídos como mostra a imagem a seguir. 
 
 
 
 
 
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A distribuição das armaduras foi realizada de acordo com a imagem a seguir. 
 
Fonte: O autor 
 
 
 
Preparação do paramento para o ensaio 
 
Realizado os cálculos para definir as dimensões e distribuição das armaduras, iniciou-se a 
colagem na folha que vai ser utilizada como paramento. 
 
Fonte: O Autor. 
As tiras utilizadas como armaduras para o ensaio seguem as dimensões de 30 x 2,5 cm, onde 
5 cm do comprimento foi reservado para colagem no paramento. 
A distribuição da carga (areia) foi efetuada gradativamente, conforme a altura das 
armaduras, ao se fazer o preenchimento com areia, a mesma era submetida a compactação até 
chegar a altura da próxima armadura e assim suscessivamente. 
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Fonte: O Autor. 
 
Fonte: O Autor. 
Completado o preenchimento com areia, uma plataforma foi colocada na parte superior da 
caixa para ser utilizada como base para ser colocado os pesos para o teste afim de manter 
distribuído o peso na parte superior. 
 Fonte: O Autor. 
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De acordo com o estabelecido para o ensaio, será considerado como rompimento do 
paramento se o deslocamento for igual ou superior a 4cm. 
Após o preenchimento da caixa, posicionado a plataforma e o balde de 20 litros. Foi se 
adicionando água gradativamente na medida de 1 litro por vez observando a movimentação do 
paramento. O objetivo é observar a capacidade da estrutura em absorver a carga aplicada e a 
movimentação do paramento. 
 
Fonte: O Autor. 
Após o preenchimento dos 20 litros disposto nas diretrizes do ensaio, como não houve 
ruptura, dispomos de mais 10 litrosdistribuido em 2 galões de 5 litros, que foram adicionados como 
carga para observar as alterações no paramento. 
 
Fonte: O Autor. 
 
Video do experimento disponível no You Tube: http://youtu.be/ck2orWIxDEg 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
 
 
 
1. RESULTADOS E DISCUSSÕES 
2. 
Os resultados do ensaio demonstraram que o paramento e os tirantes construídos com papel 
e a areia compactada suportaram uma alta resistência. A medida que foram sendo adicionada as 
cargas as movimentações do paramento foram mínimas. Observou-se somente movimentação 
acentuada no paramento, acima da linha do primeiro tirante, isso indica que os reforços internos 
foram eficientes. Assim que retirada a lateral de madeira que sustentava o paramento de papel, 
observou-se o deslocamento de 1,5 cm do paramento acima do primeiro reforço. 
 
Adicionados a carga total de 20kg, o deslocamento .da parte superior do paramento 
aumentou 0,5 cm. Mesmo assim o restante da estrutura não apresentou movimentação ou risco de 
ruptura. Acrescentados mais 10kg, o deslocamento permaneceu estável, sem apresentar aumento de 
deslocamento, o que demonstra que a contenção reforçada com tirantes de papel foi eficiente e 
capaz de suportar cargas elevadas antes de atingir o limite de segurança. Os resultados encontrados 
validam a eficiência do sistema em aplicações práticas da engenharia, considerando que o valor 
máximo de deslocamento foi de 2,0 cm na parte superior. 
TABELA DE DADOS 
 
TIPO DE SOLO GRANULOMETRIA AREA DO PAPEL MASSA DO SOLO (m³) 
AREIA MÉDIA 
SECA 900 cm² 0,027M³ 
CARGA APLICADA DESLOCAMENTO DA GUIA (δ) 
1 Kg 1,5 cm 
5 Kg 1,5 cm 
10 Kg 1,5 cm 
15 Kg 1,8 cm 
20 Kg 2 cm 
25 Kg 2 cm 
30 Kg 2 cm 
CARGA FINAL RUPTURA: NÃO CHEGAMOS A RUPTURA 
 
 
3. CONCLUSÃO 
 
Os resultados encontrados no experimento confirmam que o método de terra armada 
apresenta elevada relevância na construção civil, especialmente em contenções submetidas a cargas 
controladas. A estrutura do ensaio demonstra resistência e estabilidade, mesmo sob o aumento de 
carga progressivo. Dessa forma, o uso de materiais de reforço incorporados ao solo é uma 
alternativa promissora para aplicar na engenharia, principalmente em projetos que necessitam de 
soluções econômicas e sustentáveis. 
 
O modelo de construção terra armada conquistou ampla aceitação mundial por sua 
facilidade e agilidade de construção. Em um contexto onde egenheiros lidam com cronogramas 
reduzidos e espaços físicos limitados, essa técnica permite que a maioria das etapas ocorram na 
região posterior ao paramento, dispensando o uso de andaimes e reduzindo interferências no fluxo 
de tráfego especialmente em rodovias. 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
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