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RESUMO EMPRESARIAL FALÊNCIA TOMAZETE

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não 
sendo necessário cessar as atividades da empresa. Esta se aplica somente as 
sociedades anônimas. 
 
CAPÍTULO 16 – INSOLVÊNCIA 
 
 Pressuposto da falência, a insolvência significa situação fática quanto a 
impossibilidade de superação de determinada crise empresarial. Podendo ser 
declarada pelo próprio devedor, ou ser presumida dos fatos, para essa 
presunção não há critérios, no entanto, há sistemas que verificam estas 
situações. 
Como um deles, temos o sistema do patrimônio deficitário, é o sistema de 
sentido econômico, fazendo levantamento de todos o ativo/passivo do devedor 
e do crédito disponibilizado. 
Outro sistema é o da incapacidade de pagar, sustentando-se na lei, e nos fatos 
de suspensão dos pagamentos. 
Sistema de cessação de pagamento, similar ao sistema da incapacidade de 
pagar, muito utilizado na França, fazendo o levantamento entre ativo 
disponível, e passivo exigível. 
Sistema de impontualidade, em caso de não pagamento de UMA das dívidas 
líquidas, presume-se que as outras também não podem ser pagar. 
Sistema da enumeração legal, neste sistema a lei indica os fatos que irão 
configurar a insolvência. 
Em nosso ordenamento, aceitamos a insolvência confessada, bem como a 
insolvência presumida em razão de impontualidade, não sendo necessária a 
insolvência econômica, mas sim uma insolvência jurídica justificativa. 
A execução frustrada também é outra forma de presumir a insolvência do 
devedor, partindo do pressuposto de que ele não terá condições para arcar 
com as obrigações que ainda estão por vir, não se limitando ao adimplemento, 
mas sim da insuficiência patrimonial do devedor. 
 
 
 
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Havendo ainda os atos de falência, que são atos/sinais exteriores da ruína, em 
outras palavras, eles denotam a impossibilidade de cumprir com as obrigações. 
Estes atos estão descritos no art.94, III da Lei 11.101/2005. 
O primeiro ato da falência é a liquidação precipitada, na qual vende-se os bens 
de forma rápida. 
Outro ato de falência é a utilização de meios fraudatórios para o efetivo 
pagamento, geralmente consequência de desordem administrativa do 
patrimônio. 
Essa intenção fraudatória para com os credores classifica-se presumida a 
insolvência, este ato tem uma descrição extensa e abrangente. Em todo caso, 
não irá decorrer exclusivamente da realização deste ato, mas também da 
tentativa, pois em ambos, o devedor se mostra incapaz de cumprir com as 
obrigações. 
 
CAPÍTULO 17 – DECRETAÇÃO JUDICIAL DE FALÊNCIA 
 
 A princípio não podemos confundir a insolvência jurídica com falência, 
uma vez que, quem está insolvente não está falido, e a falência é decorrente 
de declaração judicial competente. Vale lembrar que falência só ocorre nos 
processos de recuperação e de autofalência. 
A legitimidade ativa para o pedido de falência tem de ser apresentado por 
aquelas pessoas que estejam autorizadas em lei. Em questões de legitimidade 
passiva, qualquer credor pode realizar o pedido de falência, desde que hajam 
créditos vencidos. 
Em caso de credor empresário, este deve apresentar documentos que 
comprovem a efetiva atividade empresarial. 
O pedido de falência é formulado no foro competente do principal 
estabelecimento do devedor, sendo este definido através de requisito 
econômico. 
O primeiro caminho após o pedido é o despacho inicial do Juiz competente, e a 
citação do devedor. Todos os pressupostos serão verificados, bem como as 
regularidades das petições iniciais, logo após a verificação, temos a citação do 
devedor para que tome ciência do pedido. 
Após sua citação, o devedor tem como opções: 
1 – Apresentar o pedido de recuperação judicial, o que seria vedado se o 
pedido fosse proveniente de atos de falência; 
2 – Efetuar depósito elisivo, que trata-se de depósito de impedimento de 
falência, abrangendo todo o valor do crédito. 
 
 
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3 – Contestar o pedido no prazo de 10 dias, o que também abrange a 
impugnação quanto ao valor da causa, e questionamento da legitimidade 
passiva; 
4 – Ficar inerte, o que presume a veracidade dos fatos; 
5 – Reconhecer o pedido, o que gera confissão quanto à matéria. 
Após adotar uma das cinco posturas descritas, o processo passa para o rito 
ordinário, na maioria das vezes, é designada audiência de conciliação, em caso 
de êxito, extingue-se o processo. 
Em caso de não conciliação, será designada audiência de instrução e 
julgamento para produção de provas. Após apresentadas, o juiz irá proferir 
decisão. 
A denegação do pedido é o entendimento de que não cabe falência aquele 
caso em questão. A parte vencida fica responsável financeiramente pelas 
custas do processo, e os honorários da parte adversa, podendo ainda ser 
condenado sob o art. 101 da Lei 11.101/2005 a pagar indenização a título de 
danos causados ao devedor, uma vez que o pedido de falência abala a 
confiança de mercado da empresa em questão, ou mesmo limita o crédito que 
o devedor possuía. 
Nos casos de sentença declaratória de falência, lembrando que a falência 
propriamente dita só acontece a partir dessa sentença declaratória, antes dela, 
temos apenas o pedido. 
Essa sentença tem de ser constituída por relatório, fundamentação, e 
dispositivo, ou seja, deve ter em seu conteúdo uma série de elementos 
específicos. Estes elementos estão no art. 99, da lei 11.101/2005. 
Para a continuação do processo, devem acontecer uma fase administrativa, e 
uma fase contenciosa, esta última de forma eventual. Na fase administrativa 
obrigatória, o administrador judicial vai apurar o passivo do devedor, e na fase 
contenciosa eventual temos situações de exclusão da obrigatoriedade, nos 
exemplos de: impugnações, habilitações retardatárias, e impugnações quanto 
ao crédito) 
Na fase administrativa temos a lista dos credores a serem pagos, em ordem de 
importância, constando também a classificação dos créditos. 
Ainda visando a continuação do processo, a sentença declaratória de falência 
deverá determinar suspensão de atos contra o falido, evitando possíveis 
recebimentos fora do processo, exceto ações ilíquidas e de cunho trabalhista. 
Em casos de crimes falimentares após a decretação da falência, a própria 
sentença pode decretar a prisão preventiva do devedor. 
Deve constar ainda, a continuação provisória das atividades do falido, ou sobre 
a lacração, podendo decidir de forma livre, conforme interpretação majoritária. 
Qualquer interessado pode propor recurso de agravo de instrumento contra a 
sentença declaratória de falência, inclusive o próprio Ministério Público. 
 
 
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 CAPÍTULO 18 – EFEITOS DA FALÊNCIA QUANTO A PESSOA DO FALIDO 
 
 Vimos que falido é o devedor que tem sua falência decretada por 
sentença judicial competente, e preenchida todos os requisitos. No entanto, há 
casos em que a falência poderá incidir sobre outras pessoas, fenômeno 
denominado de extensão da falência, como nas sociedades em comum, e nas 
sociedades em nome coletivo. 
Nas sociedades limitadas, os sócios respondem de forma subsidiária, solidária, 
e o valor do capital a integralizar é limitado. Nas sociedades anônimas, os 
acionistas respondem pelo preço de emissão das ações subscritas ou 
adquiridas. 
Falando em sociedade, temos a desconsideração da personalidade jurídica, 
que visa retirar a personalidade jurídica da autonomia patrimonial para 
estender os efeitos das obrigações aos sócios/administradores, e também para 
responsabilizar titular da EIRELI’s, não havendo impedimento da 
desconsideração da personalidade jurídica em prol de estender os efeitos da 
falência, com exceção da condição de falido. Em casos de admissão dessa 
desconsideração, esta irá se estender de forma restrita, atingindo somente 
aqueles que tenham poder de controle, gestão, ou que tenham adquirido 
benefício por atos abusivos/fraudulentos decorrentes da