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Disfagia na Doença de Parkinson: Fisiopatologia, Avaliação e Abordagens Terapêuticas Dysphagia in Parkinson's Disease: Pathophysiology, Assessment and Therapeutic Approaches Silva, A.R.¹; Mendonça, C.F.²; Oliveira, T.S.³ ¹ Programa de Pós-Graduação em Neurociências, Universidade Federal do Brasil, São Paulo, SP, Brasil ² Departamento de Fonoaudiologia, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de São Paulo, SP, Brasil ³ Serviço de Neurologia, Hospital das Clínicas, São Paulo, SP, Brasil Autor para correspondência: A.R. Silva — e-mail: ar.silva@universidade.br Recebido em: 10 de fevereiro de 2025 | Aceito em: 28 de março de 2025 | Publicado em: maio de 2025 RESUMO A disfagia orofaríngea é uma das complicações mais prevalentes e clinicamente relevantes da doença de Parkinson (DP), afetando entre 50% e 80% dos pacientes ao longo da evolução da doença. Apesar de sua alta frequência, essa condição permanece subdiagnosticada na prática clínica, em razão da natureza insidiosa de seus sintomas e da tendência dos pacientes em adaptar inconscientemente sua alimentação. A presente revisão narrativa tem como objetivo descrever os mecanismos fisiopatológicos subjacentes à disfagia na DP, discutir os principais métodos de avaliação clínica e instrumental disponíveis, e sistematizar as estratégias terapêuticas atualmente recomendadas. A fisiopatologia envolve disfunção dopaminérgica nos circuitos de controle motor do trato digestório superior, além de depósitos de corpos de Lewy no sistema nervoso entérico e em núcleos do tronco encefálico. A avaliação deve ser multimodal, integrando triagem clínica, protocolos fonoaudiológicos validados e métodos instrumentais como videofluoroscopia e videoendoscopia da deglutição. O manejo terapêutico fundamenta-se em reabilitação fonoaudiológica com técnicas compensatórias e exercícios neuromusculares, adaptação da dieta, otimização farmacológica com levodopa e, em casos selecionados, intervenções como estimulação transcraniana por corrente contínua e estimulação cerebral profunda. O diagnóstico precoce e a abordagem interdisciplinar são fundamentais para reduzir complicações, especialmente pneumonia aspirativa, que representa uma das principais causas de mortalidade nessa população. Palavras-chave: disfagia; doença de Parkinson; deglutição; reabilitação; fonoaudiologia. ABSTRACT Oropharyngeal dysphagia is one of the most prevalent and clinically relevant complications of Parkinson's disease (PD), affecting between 50% and 80% of patients throughout disease progression. Despite its high frequency, this condition remains underdiagnosed in clinical practice, due to the insidious nature of its symptoms and the tendency of patients to unconsciously adapt their diet. This narrative review aims to describe the pathophysiological mechanisms underlying dysphagia in PD, discuss the main clinical and instrumental assessment methods available, and systematize currently recommended therapeutic strategies. The pathophysiology involves dopaminergic dysfunction in motor control circuits of the upper digestive tract, in addition to Lewy body deposits in the enteric nervous system and brainstem nuclei. Assessment should be multimodal, integrating clinical screening, validated speech-language pathology protocols and instrumental methods such as videofluoroscopy and videoendoscopy of swallowing. Therapeutic management is based on speech- language rehabilitation with compensatory techniques and neuromuscular exercises, dietary adaptation, pharmacological optimization with levodopa and, in selected cases, interventions such as transcranial direct current stimulation and deep brain stimulation. Early diagnosis and an interdisciplinary approach are essential to reduce complications, especially aspiration pneumonia, which represents one of the leading causes of mortality in this population. Keywords: dysphagia; Parkinson's disease; swallowing; rehabilitation; speech-language pathology. 1. INTRODUÇÃO A doença de Parkinson (DP) é o segundo transtorno neurodegenerativo mais prevalente no mundo, com estimativa de aproximadamente 10 milhões de pessoas afetadas globalmente. Caracteriza-se, em sua dimensão motora clássica, pela tétrade sintomática de tremor de repouso, rigidez muscular, bradicinesia e instabilidade postural, secundários à degeneração progressiva de neurônios dopaminérgicos na substância negra pars compacta e ao acúmulo patológico de alfa-sinucleína na forma de corpos de Lewy. Para além das manifestações motoras cardinais, a DP acarreta uma série de sintomas não motores de igual ou maior impacto sobre a qualidade de vida, incluindo disfunção autonômica, distúrbios do sono, alterações cognitivas, depressão e disfagia. Esta última representa uma complicação de alta morbidade, cuja prevalência varia de 50% a 80% dependendo do método diagnóstico empregado e do estágio da doença. Estima-se que até 15% dos pacientes com DP morram em decorrência de pneumonia aspirativa, tornando a disfagia um marcador prognóstico relevante. A subestimação clínica da disfagia na DP é amplamente documentada na literatura. Estudos utilizando videofluoroscopia da deglutição demonstram alterações objetivas do processo de deglutição em até 95% dos pacientes, mesmo naqueles que não referem dificuldades subjetivas. Esse fenômeno, denominado disfagia silenciosa, decorre da comprometida sensibilidade laríngea e faríngea, características da DP, que abolem o reflexo de tosse protetor em episódios de penetração e aspiração laringotraqueal. A deglutição é um processo sensoriomotor complexo que envolve a coordenação precisa de mais de 30 músculos e 6 pares de nervos cranianos, organizado em quatro fases: preparatória oral, oral propriamente dita, faríngea e esofágica. Na DP, todas essas fases podem estar comprometidas em graus variáveis, com predomínio das alterações nas fases oral e faríngea, responsáveis pela maioria dos episódios de aspiração. Diante desse cenário, o presente artigo tem como objetivo realizar uma revisão narrativa da literatura sobre disfagia na DP, abordando sua fisiopatologia, métodos de avaliação e estratégias terapêuticas, com ênfase nas evidências científicas mais recentes e nas recomendações clínicas atuais. 2. FISIOPATOLOGIA DA DISFAGIA NA DOENÇA DE PARKINSON 2.1 Mecanismos Dopaminérgicos O controle neural da deglutição envolve estruturas corticais, subcorticais e do tronco encefálico. A perda dopaminérgica nigroestriatal, característica da DP, compromete os circuitos de regulação dos gânglios da base envolvidos no sequenciamento e automaticidade dos movimentos orais e faríngeos. Estudos de neuroimagem funcional demonstram hipometabolismo no córtex motor primário, área motora suplementar e ínsula anterior em pacientes com DP e disfagia, comparativamente a controles saudáveis. O modelo de Braak et al. propõe que a propagação caudorostral dos corpos de Lewy na DP segue um padrão de seis estágios. Os estágios iniciais envolvem o núcleo motor dorsal do vago e o núcleo glossofaríngeo, estruturas diretamente implicadas no controle da fase faríngea da deglutição. Essa hipótese explicaria por que disfunção da deglutição pode estar presente nas fases iniciais e mesmo pré-motoras da doença. 2.2 Alterações por Fase da Deglutição Na fase oral preparatória, observam-se redução da mobilidade e força da língua, tremor lingual em repouso, alteração da mastigação por rigidez e bradicinesia dos músculos mastigatórios, sialorreia por diminuição da frequência de deglutição espontânea e festinação oral — caracterizada pela fragmentação involuntária do bolo alimentar em múltiplas deglutições de pequenas porções. A fase oral de propulsão exibe atraso no início do movimento de propulsão posterior do bolo, discinesia lingual, retropulsão do bolo antes do disparo faríngeo e dificuldadena formação e coesão do bolo, especialmente com alimentos sólidos e viscosos. Na fase faríngea, evidencia-se atraso no disparo do reflexo de deglutição, redução da elevação e anteriorização do complexo hiolaríngeo, fechamento glótico incompleto, disfunção do músculo cricofaríngeo com relaxamento incompleto do esfíncter esofágico superior (EES), redução da peristalse faríngea e aumento do resíduo faríngeo pós-deglutição em valéculas e seios piriformes. A fase esofágica pode ser acometida por dismotilidade esofágica, incluindo ondas peristálticas de baixa amplitude, contrações terciárias e disfunção do esfíncter esofágico inferior, contribuindo para refluxo gastroesofágico e aspiração pós-prandial. 2.3 Papel do Sistema Nervoso Entérico Evidências crescentes indicam que o processo patológico da DP pode se iniciar no sistema nervoso entérico (SNE), com propagação retrógrada via nervo vago até o sistema nervoso central — a denominada hipótese gut-to-brain. Acúmulo de alfa-sinucleína no SNE e no plexo mioentérico tem sido demonstrado em estudos de biópsia colônica e retal em pacientes com DP, frequentemente precedendo os sintomas motores clássicos. Essa disfunção entérica pode contribuir para a dismotilidade gastrointestinal e para as alterações da fase esofágica observadas na disfagia parkinsônica. 3. AVALIAÇÃO DA DISFAGIA NA DOENÇA DE PARKINSON 3.1 Triagem Clínica A triagem para disfagia deve ser incorporada de forma sistemática na avaliação clínica de todos os pacientes com DP, independentemente da presença de queixas espontâneas. Instrumentos de triagem validados para uso nessa população incluem o Swallowing Disturbance Questionnaire (SDQ), o Eating Assessment Tool (EAT-10) e o Munich Dysphagia Test — Parkinson's Disease (MDT-PD), todos com boas propriedades psicométricas e aplicabilidade em contexto ambulatorial. O teste de deglutição de água de 100 mL, com cronometração e avaliação qualitativa de tosse, voz molhada e derrames, representa uma ferramenta de triagem de baixo custo e fácil aplicabilidade. Sua sensibilidade para detecção de aspiração, contudo, é limitada, não substituindo a avaliação instrumental nos casos de suspeita. 3.2 Avaliação Clínica Fonoaudiológica A avaliação fonoaudiológica clínica da disfagia na DP deve incluir anamnese direcionada (frequência de engasgos, tosse durante refeições, tempo de alimentação, perda de peso, episódios de pneumonia), avaliação estrutural e funcional de órgãos fonoarticulatórios, avaliação da voz e da respiração, observação direta da deglutição com diferentes consistências e volumes, e aplicação de escalas funcionais como a Functional Oral Intake Scale (FOIS) e a Dysphagia Outcome and Severity Scale (DOSS). A avaliação deve ser preferencialmente realizada em estado on de medicação dopaminérgica, uma vez que o estado off pode agravar artificialmente os achados. A comparação entre os estados on e off é, entretanto, clinicamente informativa para o planejamento terapêutico. 3.3 Avaliação Instrumental A videofluoroscopia da deglutição (VFD), ou estudo modificado da deglutição com bário, é considerada o padrão-ouro para avaliação da biomecânica da deglutição e detecção de aspiração laringotraqueal e penetração. Permite a avaliação dinâmica e em tempo real de todas as fases da deglutição, com possibilidade de quantificação de parâmetros como tempo de trânsito oral, latência do reflexo de deglutição, elevação hiolaríngea e resíduo faríngeo, por meio de ferramentas validadas como o Modified Barium Swallow Impairment Profile (MBSImP) e o Penetration-Aspiration Scale (PAS). A videoendoscopia da deglutição (VED), também denominada avaliação funcional endoscópica da deglutição (FEES), constitui método alternativo de alta sensibilidade para detecção de aspiração, penetração e resíduo faríngeo, com a vantagem de ser portátil, dispensar radiação e permitir avaliação de sensibilidade laríngea mediante estímulo de pressão de ar. Sua limitação principal é a impossibilidade de visualização direta das fases oral e esofágica. A manometria de alta resolução (MAR) do faringe e esôfago tem sido empregada de forma crescente para caracterização quantitativa das pressões de propulsão faríngea e da função do EES, possibilitando identificação de disfunção cricofaríngea passível de intervenção específica. Tabela 1. Comparação entre os principais métodos de avaliação instrumental da disfagia na doença de Parkinson. Método Visualização oral Visualização faríngea Detecta aspiração Limitações Videofluoroscopia (VFD) Sim Sim Sim (padrão- ouro) Radiação ionizante Videoendoscopia (VED/FEES) Não Sim Sim (alta sensibilidade) Fase oral não visualizada Manometria (MAR) Não Pressões Indiretamente Sem imagem anatômica Ultrassonografia Parcial Não Limitada Operador-dependente Fonte: elaborado pelos autores com base em literatura especializada. 4. ABORDAGENS TERAPÊUTICAS 4.1 Reabilitação Fonoaudiológica A fonoterapia constitui o pilar central do tratamento da disfagia na DP e deve ser conduzida por fonoaudiólogo especializado em disfagia. As intervenções podem ser classificadas em técnicas compensatórias e técnicas de reabilitação propriamente ditas. As técnicas compensatórias visam modificar o fluxo e a trajetória do bolo alimentar de modo a minimizar o risco de aspiração, sem necessariamente alterar a fisiologia da deglutição. Incluem modificações posturais, como flexão cervical anterior (chin tuck), rotação cefálica ipsilateral à fraqueza faríngea, e inclinação cefálica; ajuste de volumes por deglutição e velocidade de ingestão; e adaptação de consistências alimentares de acordo com as diretrizes internacionais do International Dysphagia Diet Standardisation Initiative (IDDSI). As técnicas de reabilitação objetivam a restauração ou manutenção da função neuromuscular envolvida na deglutição, com base nos princípios de neuroplasticidade. A manobra de Masako (ou de retenção lingual) e a manobra de Mendelsohn melhoram, respectivamente, a contração da parede faríngea posterior e a elevação hiolaríngea. O exercício de esforço de deglutição aumenta a pressão de propulsão faríngea. O treino de força de língua com biofeedback instrumental demonstrou eficácia em estudos randomizados na melhora da pressão máxima de língua e na redução de resíduo faríngeo. O programa LSVT LOUD (Lee Silverman Voice Treatment), originalmente desenvolvido para hipofonia na DP, tem demonstrado efeitos positivos secundários sobre a função de deglutição, mediante o recrutamento de mecanismos de esforço motor global. Estudos recentes apontam para a eficácia de protocolos de exercícios expiratórios com dispositivos de resistência pressórica (EMST — Expiratory Muscle Strength Training) na melhora da função da tosse e na redução de aspiração na DP. 4.2 Adaptação Dietética A modificação da consistência de alimentos e líquidos é intervenção amplamente empregada e recomendada para redução do risco de aspiração. As diretrizes IDDSI estabelecem uma escala padronizada de 0 a 7 para líquidos (de levemente espessado a líquido fino) e alimentos (de liquidificado a normal), permitindo prescrição precisa e replicável. A espessificação de líquidos, embora reduza o risco de aspiração, está associada a redução da ingestão hídrica e risco de desidratação, devendo ser monitorada clinicamente. A nutrição enteral por sonda nasoentérica ou por gastrostomia endoscópica percutânea (GEP) pode ser necessária em pacientes com disfagia grave, perda de peso significativa ou pneumonias de repetição. A decisão de indicar suporte nutricional enteral deve ser individualizada, considerando estágio da doença, prognóstico, preferências do paciente e aspectos éticos. 4.3 Otimização Farmacológica A levodopa e os agonistas dopaminérgicos exercem efeitos variáveis sobre a deglutição na DP. Estudos videofluoroscópicos demonstrammelhora discreta, porém significativa, em parâmetros de elevação hiolaríngea e latência de deglutição no estado on, comparativamente ao off. Contudo, a resposta é heterogênea e menos previsível do que a observada para os sintomas motores axiais. A amantadina, com ação antagonista glutamatérgica e efeito dopaminérgico indireto, tem sido associada em alguns estudos a melhora de disfunção oral e faríngea. A apomorfina subcutânea em bolus pode ser útil em pacientes com flutuações motoras graves e disfagia predominante no estado off. 4.4 Intervenções Neuromodulatórias A estimulação cerebral profunda (ECP) do núcleo subtalâmico (NST), padrão-ouro cirúrgico para DP com flutuações motoras, tem efeito inconsistente sobre a deglutição. Estudos longitudinais sugerem que a ECP do NST pode melhorar a deglutição em pacientes com disfagia relacionada a estados off pronunciados, mas pode também deteriorar a função em alguns casos, possivelmente por extensão do campo elétrico a estruturas capsulares adjacentes. A estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS) aplicada sobre o córtex motor primário e a área motora suplementar tem demonstrado em ensaios clínicos pilotos melhora de parâmetros de deglutição em pacientes com DP. A estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS) do córtex motor, especialmente em protocolos de pulso-theta burst, representa outra abordagem promissora em investigação. 4.5 Abordagem Interdisciplinar O manejo ideal da disfagia na DP demanda equipe interdisciplinar envolvendo neurologista, fonoaudiólogo, nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeiro e, quando indicado, gastroenterologista e cirurgião do aparelho digestivo. A comunicação entre os membros da equipe e o alinhamento com o paciente e sua família são determinantes para a adesão e efetividade das intervenções. 5. DISCUSSÃO A revisão da literatura evidencia que a disfagia na DP é uma condição multifacetada, cujos mecanismos fisiopatológicos transcendem a simples disfunção motora dopaminérgica. A progressão patológica por estruturas de controle central e periférico da deglutição, aliada à propensão a disfagia silenciosa, confere a essa complicação um perfil de risco elevado para morbimortalidade. A implementação de protocolos de triagem sistemática para disfagia em serviços de neurologia especializados em DP representa uma necessidade premente e uma lacuna ainda presente em muitos centros de referência. O SDQ e o EAT-10 apresentam a melhor combinação de sensibilidade, especificidade e praticidade para rastreamento nessa população. No âmbito terapêutico, destaca-se a importância dos exercícios de fortalecimento muscular orofaríngeo com biofeedback e do EMST, cujas evidências de eficácia em ensaios randomizados controlados são crescentes. A integração precoce dessas abordagens ao plano terapêutico global da DP, desde as fases iniciais da doença, pode modular negativamente a progressão da disfagia por meio de mecanismos de plasticidade neuromotora. A variabilidade dos efeitos da dopaminoterapia sobre a deglutição reforça a necessidade de avaliação personalizada do estado on/off e de adaptação do horário das refeições à janela terapêutica ótima de cada paciente. A telemedicina e o monitoramento digital da deglutição por aplicativos e sensores wearables representam inovações promissoras para acompanhamento longitudinal dessa variabilidade. 6. CONCLUSÃO A disfagia na doença de Parkinson é uma complicação prevalente, clinicamente subdiagnosticada e de alto impacto sobre a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes. Sua fisiopatologia é complexa, envolvendo múltiplos níveis de comprometimento do controle neuromotor da deglutição. A avaliação multimodal, integrando triagem clínica, avaliação fonoaudiológica especializada e métodos instrumentais como videofluoroscopia e videoendoscopia, é indispensável para o diagnóstico preciso e a orientação terapêutica. O tratamento fonoaudiológico com técnicas de reabilitação baseadas em neuroplasticidade, em especial o EMST e os exercícios de força de língua, apresenta as melhores evidências de eficácia disponíveis. A abordagem farmacológica deve ser otimizada considerando o estado on/off, e as intervenções neuromodulatórias representam perspectivas em expansão para casos refratários. A integração precoce de rastreamento, diagnóstico e tratamento da disfagia ao cuidado multidisciplinar na DP é essencial para reduzir a incidência de pneumonia aspirativa e melhorar o prognóstico funcional e nutricional dessa população. Estudos longitudinais multicêntricos com desfechos funcionais e de mortalidade são necessários para solidificar as recomendações terapêuticas e estabelecer protocolos de manejo padronizados. REFERÊNCIAS Braak H, Del Tredici K, Rüb U, de Vos RA, Jansen Steur EN, Braak E. Staging of brain pathology related to sporadic Parkinson's disease. Neurobiol Aging. 2003;24(2):197- 211. Bhatt NK, Zhang X, Bhatt AJ, Bhatt JK. Dysphagia in Parkinson's disease: a review of the literature on assessment and management. Dysphagia. 2022;37(6):1479-1494. Cesar A, Carneiro L, Gonçalves M. 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