Logo Passei Direto
Buscar

Classes Sociais e Estado Moderno

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Questões resolvidas

Prévia do material em texto

Classes sociais e sociedade civil
Conceitos e fenômenos sociais que proliferam em torno da noção de classes sociais. Classes sociais e
sociedade civil.
Prof. Dennis Novaes
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender, por uma perspectiva histórica e sincrônica, as formas de organização e estruturação da
sociedade contemporânea em termos políticos e socioeconômicos para a atuação do futuro profissional de
Serviço Social.
Objetivos
Reconhecer a instituição Estado, suas origens e seus desdobramentos na organização da sociedade.
Reconhecer a importância de posicionamento crítico a respeito de questões em pauta na sociedade 
civil e nos movimentos sociais.
Identificar classes sociais e sociedade civil e outras noções que orbitam tais conceitos.
Introdução
As classes sociais são uma forma de estratificação ou organização hierarquizada da sociedade civil. Seu
surgimento, para ser devidamente compreendido, passa pelas origens do próprio Estado Moderno, quando
formas possíveis ou modelos de organização e estruturação social foram se desenvolvendo a partir de
movimentos intelectuais e políticos, ativismo, guerras e experiências socioeconômicas diversas.
Entender a genealogia da organização da sociedade, portanto, significa passar para os grandes eventos
históricos e pensadores clássicos, sem renunciar a uma perspectiva sincrônica na qual estudamos como
acontecem certos movimentos sociais nos dias de hoje.
• 
• 
• 
Luís XIV, rei da França.
1. Classes sociais e sociedade civil: conceitos
Surgimento e transformações no conceito de Estado
Os iluministas e o Estado Moderno
Neste vídeo, o especialista irá nos apresentar as características do Estado Moderno a partir da contribuição
teórica de alguns filósofos iluministas.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Origens do Estado Moderno
Estado é a unidade administrativa de um território, formada por um conjunto de instituições que deveriam
atender às necessidades da população. A configuração de Estado que conhecemos tem suas origens na
segunda metade do século XV, na Europa, e surgiu como o resultado de um conjunto de fatores. Entre eles, o
fator econômico teve um papel importante. 
Com o desenvolvimento do capitalismo mercantil, a centralização administrativa acabou substituindo o Antigo
Regime e permitindo o surgimento do Estado Nacional Moderno Absolutista, sob o poder político da realeza.
Surgem então:
A burocracia
Para dar conta da administração pública.
A força militar
Para proteger as fronteiras nacionais e garantir
a ordem pública.
O sistema de leis e normas unificado
Para organizar os direitos e deveres do povo.
Essa é a origem do Estado tal como o conhecemos. Com as Grandes Navegações, os Estados Nacionais
Modernos se expandiram, com a conquista de novos territórios no além-mar.
Nesse momento histórico, a centralização do poder político
pelos reis ficou marcada e famosa por meio da frase de Luís
XIV, rei da França: “O Estado sou eu”. O poder do Estado,
nesse momento, era fundamentado ideologicamente pela
religião católica. Acreditava-se que o monarca absolutista
era a encarnação do próprio Deus, o que justificava o seu
poder total, sob todos os aspectos da vida e da sociedade.
Iluminismo e reconfiguração do Estado
Apenas mais tarde, entre os séculos XVII e XVIII, o
iluminismo traria profundas mudanças políticas, sociais e
econômicas alterando essa concepção inicial de Estado. O
Século das Luzes, como ficou conhecido, foi um século de mudança de paradigmas, dominado por um vasto e
profundo movimento intelectual e filosófico que pregava a disseminação do conhecimento e o enaltecimento
da razão, em detrimento do pensamento teológico e religioso reinante. 
O iluminismo fundou as bases da democracia que surgiria no momento histórico subsequente. São algumas
características iluministas: 
o racionalismo;
o liberalismo;
a igualdade perante a lei; e
o anticlericalismo.
Também ficou conhecido como Esclarecimento, porque os iluministas acreditavam que apenas a razão traria
clareza e arrancaria as pessoas do obscurantismo cultural do momento histórico anterior, que, graças a essa
crítica, ficaria conhecido como Idade das Trevas. O elogio ao racionalismo ficou conhecido, desde a Filosofia
Moderna, pela máxima de René Descartes, filósofo do do séc. XVII: “duvido logo penso, penso, logo existo”
(1996, p. 75).
A Idade das Trevas, por oposição, passou a ser identificada com a ignorância, a autoridade
injustificada e uma tradição que precisava ser superada rumo ao progresso.
Jean-Jacques Rousseau e Montesquieu foram dois importantes pensadores do iluminismo que trouxeram
novas e importantes visões sobre o papel do Estado e seu funcionamento.
Rousseau e a teoria do contrato social
Rousseau ficou conhecido, principalmente, por sua concepção sobre a natureza humana.
 
Segundo Rousseau, haveria um estado de natureza em que os homens seriam livres e iguais, havendo
sempre harmonia e abundância na sociedade.
Nesse estado de natureza, anterior à formação do Estado Moderno, o “bom selvagem” pensado pelo
autor representava a sua convicção de haver uma natureza humana primitiva que funcionava
espontaneamente em prol do bem comum. É por isso que Rousseau vai dizer que “o homem é
naturalmente bom, é a sociedade que o corrompe”.
Rousseau, então, vai buscar uma solução ideal para a organização da sociedade, garantindo que a
liberdade do homem natural seja preservada, ao mesmo tempo em que se possa garantir o bem-estar
da vida em sociedade. A solução seria o estabelecimento de um contrato social, que asseguraria a
soberania da sociedade e a soberania política da vontade coletiva.
• 
• 
• 
• 
Montesquieu 
Montesquieu, em sua famosa obra Do
espírito das leis (1979), elaborou a teoria da
divisão de poderes como forma de limitar a
soberania dos monarcas.
Rousseau 
Já Rousseau, em Do contrato social
(1978), surge como um grande defensor
da liberdade civil, argumentado que as
leis do Estado precisam expressar a
vontade do povo.
• 
• 
• 
Para esse filósofo, a propriedade privada seria a origem das desigualdades sociais, tendo corrompido
os homens e os afastado da sua boa essência. E, assim como o indivíduo se impunha sobre a
coletividade de maneira egoísta, também o Estado corria o risco de tender para subjugar a vontade
coletiva.
Por isso, o Estado representava, ao mesmo tempo, tanto uma importante forma de organização e
administração da sociedade quanto um risco. Tal risco apenas seria dirimido pela democracia. As ideias de
Rousseau fundamentariam, mais tarde, a Revolução Francesa.
Revolução Francesa e a importância da sociedade civil
Democracia: da Grécia Clássica ao Mundo Contemporâneo
Neste vídeo, o especialista irá nos apresentar as características de democracia grega (período Clássico) e sua
constituição na contemporaneidade, a partir da Revolução Francesa.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Democracia
Democracia, como se sabe, tem origem nos seguintes termos:
Democracia significa, portanto, poder do povo. O conceito de democracia surgiu na Grécia Antiga e funcionou
como regime político de Atenas por volta de 500 anos antes de Cristo. Inspirado nessa experiência histórica
específica, Rousseau acreditava que a democracia só seria possível em sociedades pequenas.
A democracia grega, no entanto, era muito
restrita, já que apenas alguns indivíduos (os
homens adultos e livres), considerados de fato
como cidadãos, podiam manifestar sua opinião
e participar da vida política da cidade.
No século XVIII, a ideia de democracia ganharia
fôlego e complexidade, até que os regimes
democráticos participativo e representativo
surgissem como possiblidades e alternativas à
democracia direta, como era o caso do exemplo
histórico da Grécia Clássica. 
A democracia pode, então, pode ser de três
tipos: 
Direta
Modelo de democracia em que todos os indivíduos que possuem o estatuto de cidadãos têm poder
decisório e participam ativamente da vida política de forma direta,como o próprio nome indica. Os
cidadãos atenienses, reunidos em praça pública, legislavam, votavam todas as propostas
concernentes à vida pública e decidiam os rumos da cidade.
• 
Demo 
Termo que significa povo.
Cracia 
Termo que significa poder.
Prise de la Bastille, Jean-Pierre Houël, 1789.
Representativa
No tipo representativo, o povo escolhe os representes a quem será delegado o poder decisório. É a
forma de democracia mais comum, na atualidade, e mais funcional para sociedades grandes, em que
não seria possível consultar todos os cidadãos para que cada decisão política pudesse ser tomada.
Importante destacar que, nesse caso, para que a democracia se mantenha, é fundamental a
alternância de poder, trocando-se periodicamente os representantes da população.
Participativa
Finalmente, a democracia participativa pode ser considerada um modelo híbrido entre as duas
anteriores. Nesse sistema, embora haja representantes eleitos, as decisões mais importantes são
tomadas com a consulta à população por meio de plebiscitos.
Revolução Francesa
A Revolução Francesa ocorreu no final do século XVIII e selou, definitivamente, o fim do Antigo Regime.
A partir do marco simbólico da Queda da Bastilha, em 1789,
a burguesia, contando com o apoio popular tanto no campo
quanto nas cidades, implementaria um novo sistema
político, social e econômico. Desse modo, o fim do
absolutismo francês deflagrou o triunfo das ideias liberais
em todo o mundo.
O regime que se instaurou foi uma sucessão de grupos e
até mesmo regimes no poder:
Monarquia Constitucional
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Convenção
Decreto da Convenção Nacional, abolindo a monarquia.
Diretório
Paul Barras, presidente do diretório de 1795 a 1799.
Consulado
Os três consulês: Cambacérès, Bonaparte e Lebrun (da esquerda para a
direita).
Império
Napoleão Bonaparte, como imperador da França.
Um documento relevante marcou fortemente o período:
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, baseada nos princípios da liberdade,
fraternidade e igualdade!
A Revolução Francesa foi o evento histórico que universalizou os direitos sociais e as liberdades individuais,
acabando com os direitos feudais e consolidando os ideais burgueses. O modelo socioeconômico capitalista
se desenvolveria a partir desse cenário.
A sociedade civil
Classes sociais e sociedade civil no contexto do capitalismo
Neste vídeo, o especialista irá nos apresentar elementos que indicam o surgimento e estabelecimento das
classes sociais no contexto da sociedade civil no Estado capitalista.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Associativismo em Tocqueville
Maquiavel (2010) estabeleceu a definição de sociedade civil como o polo oposto e antagônico ao do Estado.
Sociedade civil é o conjunto de instituições e iniciativas que não são empresas, pois não têm finalidade
econômica, mas que representam a população organizada em torno de questões específicas, com objetivos e
valores em comum.
Exemplo
Por organizações da sociedade civil temos os sindicatos profissionais, as ONGS e associações de
moradores. 
Alexis de Tocqueville, em seu livro clássico A democracia na América (2005), demonstra a importância do
associativismo civil no liberalismo.
Alexis de Tocqueville.
Karl Marx.
Segundo o autor, a igualdade e a liberdade
eram, na aparência, princípios concorrentes.
Uma vez que a democracia se fundava
principalmente na igualdade, a restrição da
liberdade se tornava uma condição necessária.
 
Na sociedade norte-americana, estudada por
Tocqueville, o hábito cultural presente na
sociedade civil de criar associações livres para
defender interesses específicos e pontuais é
usado para chamar atenção para os perigos de
uma ditadura da maioria.
A ditadura da maioria seria um tipo de
achatamento dos interesses específicos de
grupos que se constituem como minorias de direitos na sociedade. É como se a dimensão coletiva (da
igualdade) se tornasse hipertrofiada em relação à liberdade e à pluralidade, como um consenso fechado à
diferença. Tocqueville influenciou muitos pensadores do terceiro setor, constituindo um tipo de tradição
liberal-conservadora (GROPPO, 2008, p. 68).
No entanto, a mobilização dos indivíduos restrita a causas pontuais é incapaz de atingir o âmago do sistema
capitalista como sistema produtor de desigualdades. Tocqueville terminaria por concluir, pelo bem do
equilíbrio social, que a liberdade individual e a igualdade política devem ser pensadas como inseparáveis.
Capitalismo e surgimento das classes sociais
Assim como a sociedade feudal se dividia em estamentos, a sociedade capitalista se divide em classes
sociais. Em um primeiro momento histórico de constituição das classes no arranjo da sociedade capitalista,
apenas burgueses e proletários resumiam a estratificação social.
Karl Marx, primeiro grande pensador que estudou a
estrutura de classes sociais, na sua obra O Capital (2013),
definiu as classes sociais na sociedade capitalista como um
resultado da exploração do trabalho do homem pelo homem
e a subsequente questão – de que também se ocupava
Rousseau, diga-se de passagem – da desigualdade.
Do trabalho alienado do proletariado, seria extraída uma
mais-valia, traduzida em um lucro que é apropriado pelo
capitalista. A partir dessa exploração, essa divergência
estrutural de interesses entre trabalhadores e patrões se
transformaria em uma luta de classes capaz de, um dia, dar
fim ao capitalismo em favor de uma sociedade igualitária.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O associativismo norte-americano estudado por Alexis de Tocqueville pode ser descrito como uma prática da
sociedade civil de criar associações de indivíduos em torno de causas comuns. Sobre essa prática, é correto
afirmar que
A
é consonante ao espírito da liberdade democrática.
B
é uma forma ultrapassada de fazer política.
C
inspirou a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e a Revolução Russa.
D
resultaria na busca de uma sociedade sem classes, de cunho marxista.
E
faz parte do Estado Absolutista do Antigo Regime.
A alternativa A está correta.
O associativismo é próprio do espírito republicano liberal, afim à democracia e contra o absolutismo
monárquico. Não possui relação histórica com a Revolução Russa ou o socialismo (sociedade sem classes).
Questão 2
A respeito das formas de democracia, marque a alternativa correta.
A
A democracia participativa é aquela em que os cidadãos elegem um representante a quem delegam o poder
de decidir.
B
A democracia participativa é impossível de ser aplicada em sociedades grandes e complexas como as
modernas sociedades ocidentais.
C
A democracia representativa é aquela em que os cidadãos elegem um representante a quem delegam o poder
de decidir.
D
A democracia representativa e a participativa se opõem à democracia direta.
E
A democracia direta é o tipo de democracia que temos no Brasil hoje.
A alternativa C está correta.
A democracia direta não é o tipo de democracia que temos no Brasil. Aqui, funciona a democracia
representativa, que é aquela em que a população delega a representantes eleitos o poder de decidir em
seu nome. A forma democrática de difícil aplicação em sociedades grandes e complexas é a direta.
2. Consciência social e de classe no capitalismo
Classes e diferenças sociais no Brasil de hoje
Neste vídeo, o especialista irá nos apresentar elementos que garantam a compreensão do conceito e contexto
das classes sociais no Brasil atual.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Estratificação social significa a classificação das pessoas em grupos dispostos hierarquicamente, como em
uma pirâmide com a base alargada e o topo estreito. Dessa forma, uma sociedade estratificada é marcada
pela desigualdade de condições de vida entre os que estão em cima da pirâmide e aqueles que estão situados
embaixo. São exemplos de estratos sociais:
Castas
Ocorre na sociedade tradicional indiana. É um
sistema hereditário e que não permite a
mobilidade.Estamentos
Ocorria no feudalismo. Também é um sistema
hereditário, mas que comporta alguma
mobilidade.
Classes sociais
Típicas do sistema capitalista, surgidas com a
Revolução Industrial, que dividiu a sociedade
em donos dos meios de produção e donos da
força de trabalho.
Para Marx, a partir da divisão social do trabalho, as condições econômicas terminam por desenhar grupos –
chamados por Max Weber (1999) de grupos de status –, que definem, para além da questão estritamente
econômica, quem são as pessoas, como elas vivem e quanto poder têm na sociedade.
As classes sociais, assim como quaisquer outros estratos ou
formas de estratificação social, são maneiras de estruturar
a sociedade, ou seja, são a “forma” que a sociedade tem.
Tal forma, ou esqueleto, será preenchida com valores e
comportamentos apropriados para cada grupo que constitui
cada uma dessas camadas, criando, no nível antropológico,
subculturas com aspirações políticas particulares. 
Atualmente, no Brasil, temos as classes A, B, C, D e E. O
pertencimento dos indivíduos a cada uma dessas classes é
determinado pela renda familiar, em cada domicílio.
Enquanto a classe A concentra apenas 2,8% da população, as classes D e E representam mais de 50% do
povo brasileiro. A classe A é definida como aquela em que as famílias possuem renda superior a R$22.000,00,
e as classes D e E são as que têm renda mensal domiciliar de até R$2.900,00.
Desde 2020, as classes D e E cresceram muito, passando a concentrar mais da metade da população. Esse
cenário deve se manter até 2024, segundo os prognósticos dos cientistas sociais.
Rocinha, a maior favela do Brasil.
A agudização da estratificação é o resultado de um conjunto de fatores: a má distribuição da renda e a não
garantia de serviços básicos à população são os fatores principais, já que são determinantes dessa estrutura
social que mantém abismos tão grandes entre as classes sociais, e cada vez maiores. 
Um elemento que deixa explícita a questão da
desigualdade social no Brasil é a existência de
favelas em áreas urbanas, como bolsões
territoriais de pobreza aos quais o Estado não
chega com seus serviços para atender à
população que ali reside. As favelas são um
exemplo de segregação socioespacial, assim
como os guetos americanos, embora tenham
suas especificidades. Entre essas
peculiaridades, está o preconceito racial
valado, no caso do Brasil.
Embora se diga e se pense que as pessoas têm
liberdade de transitar entre favela e asfalto e
que o preconceito racial não existe, em função de sermos um país miscigenado, as fronteiras simbólicas que
marcam a divisão entre favela e asfalto são altamente reguladas por distâncias culturais, que podem parecer,
às vezes, intransponíveis.
Marcadores sociais da diferença
Neste vídeo, o especialista irá aprofundar o conceito de marcadores sociais da diferença e suas implicações
no âmbito do Estado liberal, exemplificando sua utilização e seus confrontos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O trânsito dos cidadãos pelos bairros das altas classes não tem nada de livre também.
Os marcadores corporais (características raciais, modos de
se vestir, de falar, de se comportar, por exemplo) indicam de
onde a pessoa vem, por meio de uma rápida leitura que, em
sociedade, é feita de maneira quase automática pelos
indivíduos que conhecem os códigos definidores dos
lugares na pirâmide social.
As Ciências Sociais utilizam o conceito de marcadores
sociais da diferença para entender como a sociedade e a
cultura classificam os sujeitos, organizam a experiência e
criam modelos de identificação dos indivíduos que
informam os encontros mistos.
Em termos de raça, por exemplo, os indivíduos podem ser classificados como negros ou brancos,
morenos ou mulatos, asiáticos ou indígenas. Cada uma dessas categorias de classificação está
associada a uma determinada posição social, possui uma história e atribui certas características em
comum aos indivíduos nela agrupados. O mesmo vale para gênero (homens e mulheres, machões e
princesas, travestis e transexuais), sexualidade (hétero e homossexuais, gays e lésbicas, bissexuais e
sadomasoquistas), classe (ricos e pobres, classe média e proletariado, profissionais liberais e moradores
de rua) e geração (jovens e idosos, adultos e adolescentes, coroas e crianças), entre outros. 
(ZAMBONI, 2018, p. 14).
Segundo a perspectiva de análise feita por Marcio Zamboni a respeito dos marcadores sociais da diferença,
não é possível pensar em uma lista fechada que determine os marcadores trazidos pelas pessoas em seus
corpos para auxiliar na identificação de “quem são”. Em vez disso, os marcadores precisam ser pensados de
forma articulada e contextual, pois atuam conjuntamente no processo de identificação.
Se pensarmos, por exemplo, em um indivíduo
jovem, do sexo masculino, negro, de traços
afro-asiáticos, vestindo roupas de grife, com
sotaque francês em um restaurante em um
bairro de elite, isso cria uma certa expectativa
cultural a respeito de quem é esse homem.
O mesmo indivíduo, no mesmo restaurante de
um bairro de elite, mas falando português com
sotaque e gírias da periferia carioca perceberá,
incidindo sobre si mesmo, outro
enquadramento a respeito de quem é, quando
trava contato com desconhecidos. E se, em vez de um homem negro, pensarmos em uma mulher branca,
outra vez gira a roda das classificações dessas diferenças. Mas que as diferenças alimentem desigualdades
sociais é uma outra e importante discussão.
A importância das margens: centros e periferias
Consciência social e participação política
Neste vídeo, o especialista irá demostrar a importância da consciência social e a consequente participação
política no contexto do enfrentamento centro versus periferia.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A sociedade possui fronteiras físicas e simbólicas que organizam os espaços. As margens são as bordas
desses territórios, que possuem um centro em que se concentram os privilégios, e as pessoas que podem
usufruir desses privilégios. Por oposição, os territórios de margem são aqueles que estão à beira da exclusão,
onde o Estado e as empresas entregam menos serviço à população das classes menos abastadas.
Esses lugares físicos e simbólicos que definem uma relação centro-periferia ou centro-margem, muitas vezes,
não coincidem com a questão da centralidade geográfica.
No sentido da geografia simbólica, muitas vezes, os centros de poder podem estar localizados nas
margens do espaço geográfico.
Basta pensar que muitos bairros de elite se encontram situados na orla das cidades praianas, enquanto o
interior geográfico do território, geograficamente mais central, possui menos acesso a serviços e uma
população mais pobre.
Saiba mais
É das periferias que emergiram os movimentos sociais na década 1960, no caso do Brasil. Foram
movimentos populares que se organizaram na luta contra a ditadura militar vigente no país nesse
período, embora as origens históricas desse tipo de mobilização política e social remontem aos séculos
anteriores, no mundo, coincidindo com o processo de industrialização na Europa. 
Na verdade, se pararmos para pensar na essência dessa forma de expressão e organização política, talvez ela
seja tão antiga quanto o próprio Estado, embora o conceito de movimentos sociais seja bastante recente. O
principal é que, em todos os casos, estamos falando de uma iniciativa que parte das periferias do poder,
agitando a transformando a organização da sociedade.
As favelas, no Brasil, são territórios urbanos caracterizados
como ocupação ilegal, como consequência da má
distribuição de renda e déficit habitacional. Segundo o IBGE
(2019), “trata-se de um conjunto de domicílios com, no
mínimo, 51 unidades, que ocupa, de maneira desordenada e
densa, terreno de propriedade alheia (pública ou particular)
e que não possui acesso a serviços públicos essenciais”.
As favelas surgiram no final do século XIX como
consequência do êxodo rural em um processo de
urbanização e industrializaçãoaceleradas, que não deram
conta de absorver todo o contingente de pessoas e mão de obra.
Desde o seu surgimento, as favelas foram alvo de uma série de políticas higienistas que pretendiam acabar
com os cortiços, mandando a população de baixa renda que neles habitava para lugares mais afastados da
cidade. Isso torna a ocupação desses espaços, historicamente, um ato de resistência da população que ali
vive. A população, afirmando sua vontade e escolha, permaneceu ao longo do tempo enfrentando os mais
variados estigmas.
Atenção
As favelas diferem umas das outras, constituindo espaços muito heterogêneos. Nem todos os moradores
das favelas são de uma pobreza extrema, como às vezes se pensa. E muitas favelas são caracterizadas
por uma riqueza cultural tão grande que se projeta – apesar de dificuldades estruturais pelas quais
podem passar os artistas no seu dia a dia – nos circuitos de arte oficiais da cidade. 
Consciência social e participação política
Somos desafiados, nesse contexto, a compreender o que poderíamos chamar de força da periferia. Para isso,
no entanto, é necessária uma mudança na mentalidade.
Atenção
Identificar as favelas com a criminalidade é outro estereótipo muito difundido e igualmente equivocado,
já que existe criminalidade em todos os lugares, variando apenas os modos de funcionamento e
visibilidade. 
Um primeiro passo para o desmonte do preconceito que enviesa o olhar do centro para a periferia é pensar as
favelas como espaços nos quais, embora o Estado não esteja presente, há culturas específicas e ricas, uma
proliferação intensa de interações e relações humanas que alimentam a invenção constante de modos de vida,
arte, música, pintura, teatro etc.
 
Em comunidades periféricas, a consciência social, que pode ser entendida como a capacidade que as pessoas
têm de perceber a sociedade em seu redor, pode ser muito expressiva, dado que as pessoas vivem
cotidianamente problemas urgentes a respeito dos quais é preciso se organizar.
Com isso, a participação política via ONGs,
associações de moradores, produção
intelectual e outros são formas comuns de as
pessoas se associarem em torno de causas
pelas quais decidem lutar em prol de melhorias.
 
Nos últimos dez anos, temos assistido ao
crescimento dos discursos organizados de
minorias de direitos, na forma de movimentos
sociais combativos e atuantes. Nesse contexto,
a discriminação racial, de classe e a homofobia
parecem ter funcionado como elementos
propulsores dessas forças sociais combativas
em nome da inclusão.
No cenário da política institucional, temos também assistido a um expressivo crescimento da visibilidade das
causas negra, feminista entre outras, em torno das quais o cenário político se polariza. Por um lado, uma
tradição da ordem social excludente, por outro, movimentos que, em todas as frentes, exigem inclusão e
transformações profundas na cultura e nos modos de vida.
 
O conceito de política, na verdade, é muito mais amplo do que o conjunto de práticas abarcadas pela política
institucional – essa que é feita no e pelo Estado. A política compreende todas as trocas e negociações
humanas, no nível das relações sociais. Existe um nível, chamado de micropolítico, em que a atuação das
pessoas é vista e pode ser lida politicamente, mesmo fora dos parâmetros da política do Estado e dos
exercícios políticos relacionados a esse parâmetro, como o voto.
No nível micropolítico, é importante uma atuação consciente na sociedade.
Como nos expressamos, o que decidimos comer, se apagamos a luz de casa, se jogamos lixo no chão da rua,
se somos educados com aqueles que nos prestam serviços, o que sentimos quando um indivíduo em situação
de rua se aproxima para pedir uma moeda etc. – tudo isso faz parte de um posicionamento político que,
quanto mais inclusivo, mais afinado está com o bem-estar da democracia.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O estereótipo de criminalidade e violência que ronda as favelas e a população que nelas vive é também uma
forma de violência simbólica do centro sobre a periferia. Por isso, podemos afirmar que
A
esse pensamento tem fundamento racista e classista.
B
as culturas periféricas não conseguem se devolver para além desse rótulo.
C
a violência da população da favela contra a do asfalto é tanto presente quanto constante e justificada.
D
a população da favela não tem qualquer qualidade de vida.
E
é justo que o Estado não se faça presente nesses territórios.
A alternativa A está correta.
O preconceito contra a população guetoizada das favelas é, muitas vezes, coincidente com o racismo e
preconceito de classe social. Ainda assim, a cultura das favelas é rica e dinâmica. Mesmo que o Estado não
se faça presente oferecendo serviços básicos e necessários, a invenção de modos de vida nesses locais
pode trazer qualidade de vida aos moradores.
Questão 2
Sobre o conceito de marcadores sociais da diferença, assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas
verdadeiras.
 
I. São marcadores sociais da diferença a cor de pele, os traços físicos e fisionômicos, as roupas e os
comportamentos da pessoa.
II. São marcadores sociais da diferença apenas os caracteres que criam desigualdades de cunho
socioeconômico.
III. Os marcadores sociais da diferença não estão mais presentes nas sociedades democráticas.
A
Apenas I.
B
Apenas II.
C
Apenas III.
D
I e II.
E
II e III.
A alternativa D está correta.
Os marcadores sociais da diferença não têm a ver com o regime democrático ou autocrático ou qualquer
outro modelo de Estado, mas com as formas pelas quais a cultura organiza a sociedade civil e atribui
significados e valores às características pessoais.
Rosa Parks com Martin Luther King Jr. ao fundo.
3. Movimentos sociais no Brasil e na América Latina
Movimento negro no Brasil e nos Estados Unidos
Neste vídeo, o especialista irá apresentar as características do movimento negro no Brasil, identificando
quando se alia ao movimento feminista, e quando não. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O movimento negro é como chamamos o conjunto de movimentos (coletivos) que têm por pauta a questão
étnico-racial e do racismo na sociedade. Em uma sociedade como a brasileira, diz-se que o racismo é
estrutural. 
O racismo estrutural acontece nas relações interpessoais, institucionais, está na mídia, na família, na
vida cotidiana, no trabalho, atravessa as classes sociais e o Estado.
O movimento negro é, talvez, o movimento social de maior expressão no Brasil. Os ativistas costumam situar o
seu surgimento no período escravagista, quando surgiram grandes personagens, que inspiram até hoje o
movimento, como Zumbi dos Palmares. Mas é nos anos 1960 que o movimento ganha fôlego e projeção com a
influência do movimento por direitos civis norte-americano e as revoltas contra o apartheid na África do Sul.
Nos anos 1950, a luta antirracista já vinha crescendo nos
EUA. Em 1955, deu-se o famoso caso de desobediência civil
protagonizado Rosa Parks – uma cidadã norte-americana,
em um ônibus no Alabama –, que ficaria mundialmente
conhecido e reconhecido como um marco.
Rosa Parks se recusou a se levantar de um assento do
ônibus destinado a pessoas brancas para dar lugar a um
homem branco que o reivindicava e foi presa por isso,
fazendo com que o caso ganhasse visibilidade.
Depois do ocorrido e em todo o ano seguinte, Martin Luther
King liderou um boicote civil aos ônibus de Montgomery
para fazer frente à política de segregação racial nos transportes públicos da cidade, organizando grandes
protestos não violentos nos EUA nos anos 1960.
Curiosidade
Devido a esse heroico movimento reconhecido mundialmente, Martin Luther King foi contemplado com o
Prêmio Nobel da Paz, em 1964. 
Os jovens negros brasileiros, com destaque para os artistas e estudantes, esmagados pela “mão de ferro” do
Estado durante o período da ditadura, alimentaram seus ideais com essas referências. Em 1978, um protesto
realizado no Teatro Municipal de São Paulo marcou a criação do Movimento NegroUnificado. A partir daí,
vários coletivos ligados ao movimento negro surgiram se alastraram pelo país.
Especialistas indicam outro momento do movimento, que vai dos anos 2000 aos dias atuais e compreende a
discussão proposta pelo feminismo negro, debates interseccionais, cotas raciais no campo de educação e do
trabalho, visibilidade e projeção das culturais de inspiração afro-americanas em toda a sociedade.
Movimento feminista
O movimento feminista começou no século XIX e, desde então, vem se constituindo em diversos campos do
saber e da política, reivindicando o empoderamento feminino na sociedade patriarcal. Como movimento social,
o feminismo luta por direitos civis para as mulheres, reivindicando igualdade política, jurídica e social em
relação aos homens.
Algumas pautas que se tornaram importantes nesse movimento reivindicaram para as mulheres:
direito ao voto e à participação na vida política da sociedade;
emancipação jurídica em relação aos homens (pais e maridos);
liberdade sexual e direitos totais sobre o próprio corpo;
paridade salarial com os homens; e
não objetificação do corpo feminino e combate à violência de gênero e violência sexual.
Tais pautas já galgaram muitas conquistas, mas ainda há muito por conquistar para que possamos falar em
uma sociedade igualitária em termos de gênero. Quando se fala no movimento feminista, os analistas e
ativistas costumam dividi-lo em ondas. No cenário brasileiro, essas ondas estão relacionadas com a luta pelo
direito ao voto e, depois, contra a ditadura militar. Há ainda uma terceira onda relacionada à reivindicação de
políticas públicas.
Primeira onda
A primeira onda esteve relacionada às mulheres de classe média alta e da
elite.
Segunda onda
A segunda teve seu lócus de desenvolvimento nas universidades
brasileiras, estando muito relacionada ao movimento estudantil, contexto
no qual o feminismo encontra uma diversidade de classes maior.
Terceira onda
A terceira fase tem a ver com a institucionalização do movimento, com
intensificação dos diálogos com o Estado e a construção de políticas
públicas voltadas às necessidades apontadas historicamente pelo
movimento.
Nos dias de hoje, já se fala em uma quarta onda, marcada pelo ciberativismo, com a massificação do discurso
feminista por meio das redes sociais.
Assim como a luta antirracista, o feminismo é fundamental para a construção de uma sociedade igualitária,
uma vez que o machismo, como o racismo, é um problema estrutural da sociedade: está na escola, no
trabalho, nas leis do Estado, na moral, da educação, no ambiente familiar.
• 
• 
• 
• 
• 
Cruz, em 2008, marca as proximidades do local do
massacre em Eldorado do Carajás.
Muito a propósito, o ambiente familiar tem sido apontado como o grande lugar de reprodução velada do
machismo e das violências de gênero, abrigando relações de abuso moral e sexual. Ao longo do tempo, tais
abusos têm minado a autoconfiança das mulheres, determinando para elas uma condição de silenciamento em
que se misturam afetos, violências e proteção.
Por esse motivo, o movimento feminista tem feito um apelo cada vez mais veemente pela ruptura dos silêncios
que permitem que essas violências continuem acontecendo, como o incentivo às denúncias de estupro e
abuso sexual.
MST e MTST
Movimentos sociais em destaque
Neste vídeo, o especialista irá apresentar o impacto do MST, MTST, dos movimentos estudantil e
ambientalista na sociedade brasileira atual, bem como os questionamentos e embates que são feitos às ações
desses movimentos por setores da sociedade civil.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A questão social em torno da posse da terra existe, no Brasil, desde a promulgação da Lei de Terras, em 1850,
quando optou-se por uma estrutura agrária baseada nos latifúndios.
Curiosidade
Ao regulamentar a propriedade privada rural em latifúndios, Dom Pedro II aumentou o poder das
oligarquias ligadas ao Império. 
Nos dias de hoje, os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária se baseiam nos preceitos
constitucionais de que a terra precisa cumprir uma função social e de que todo cidadão tem direito à moradia.
Desse modo, um latifúndio improdutivo e um território urbano desocupado, diante da existência de
trabalhadores que precisam de um lugar para morar – no caso das cidades – ou de espaço para trabalhar a
terra – no caso do ambiente rural – podem ser ocupados e reivindicados perante o Estado.
De fato, essas conquistas não são tão simples e envolvem,
historicamente, muitas mortes e violência, como o episódio
de Eldorado dos Carajás, nos anos 1990. Na ocasião, houve
a morte de vários integrantes do MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais sem Terra), principal movimento que
luta pela resolução da questão agrária no país.
Se o MST luta pela Reforma Agrária, o MTST (Movimento
dos Trabalhadores Sem-Teto) reivindica uma reforma
habitacional urbana. 
A desigualdade habitacional é uma realidade que
impacta vários níveis da vida social, está na origem do
surgimento das favelas a na sua perpetuação.
Por sua vez, a concentração de terras reverbera na economia, nos preços e na qualidade dos alimentos que
toda a população consome.
O MST surgiu nos anos 1980, e o MTST, no final dos anos 1990. São movimentos exclusivamente brasileiros,
embora a luta por terra e moradia ultrapasse as fronteiras nacionais sob outros nomes e outras bandeiras de
luta, específicas de cada contexto. No caso do Brasil, esses movimentos vão além das questões jurídicas do
Estado e do próprio direito à moradia e à terra que reivindicam, estabelecendo novas formas de vida e de
sociedade, estranhas ao capitalismo global.
Conheça a seguir algumas das iniciativas do MST: 
Educação alternativa
O MST possui suas próprias escolas e universidades em acampamentos, e seus integrantes, muitas
vezes, vivem de maneira itinerante, em função das ocupações que vão sendo feitas.
Pedagogia adaptada
Atualmente, o movimento abriga mais de 350 mil famílias e 2 mil escolas públicas com modelos
pedagógicos adaptados e reconhecidos pelo Ministério da Educação.
Produção orgânica
Os acampamentos possuem uma expressiva produção de arroz orgânico, que tornou o Brasil o maior
produtor desse gênero na América Latina.
De modo semelhante, o MTST acaba por viabilizar um modelo de domesticidade alternativo ao tradicional,
uma vez que os ativistas ocupam as propriedades ociosas conjuntamente, em um número relativamente
grande de pessoas como forma de autoproteção contra violências dos proprietários que se veem lesados. 
É importante destacar que, embora a propriedade privada seja um bem e um valor na sociedade
contemporânea, ela não pode estar além e acima de outras garantias básicas e não pode funcionar para a
perpetuação das desigualdades e da exclusão. O fato de uma pessoa possuir vários imóveis enquanto outras
não têm onde morar não pode ser visto com naturalidade. Mas, claro, essa é uma questão complexa, em que
inúmeros pontos de vista devem ser abordados.
Movimento estudantil e movimento ambientalista
A história do movimento estudantil no Brasil está muito relacionada ao período da ditadura militar, quando os
estudantes, organizados pelos Diretórios Centrais Estudantis de suas universidades e da UNE (União Nacional
dos Estudantes), participavam ativamente de protestos, organizações de greves e manifestações de vários
tipos. Acompanhe:
1938
UNE
Foi a primeira grande associação estudantil de nível nacional, criada em 1938.
Caras-pintadas em manifestação em frente ao
Congresso Nacional, em Brasília, em setembro de 1992.
1950
Expansão das universidades
Os estudantes, animados com o clima de florescimento cultural do crescimento das faculdades e
universidades, rapidamente se tornaram uma resistência organizada, influenciados pelas ideias de
matriz marxista.
1968
Passeata dos Cem Mil
Tratou-se de uma manifestação popular massiva contra o regime militar no Rio de Janeiro, que contou
com o apoio de artistas, intelectuais e de parcelas significativas da sociedadecivil.
1990
Impeachment do Fernando Collor de Mello
Os estudantes tiveram um papel importante na vida política do país em diversos outros momentos,
como na década de 1990, no processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.
Como visto, a atuação do movimento estudantil não se restringiu aos anos do regime militar. 
O movimento estudantil, na década de 1990, arrebatou
milhares de jovens no Brasil e ficou conhecido como os
caras-pintadas, porque a juventude ia às ruas para
protestar com o rosto pintado de verde e amarelo.
O movimento ambientalista é outro movimento social
brasileiro expressivo. Buscando cuidar do meio ambiente,
essa causa está entrelaçada a muitas outras, tais como: a
questão agrária, a demarcação de terras indígenas, a
questão animal e patrimonial. Trata-se de um movimento
que atua por meio de ações diretas de preservação do meio
ambiente, como despoluição de rios e educação ambiental.
Saiba mais
O movimento ambientalista teve sua origem na Segunda Guerra Mundial, quando bombas atômicas
lançadas em Hiroshima e Nagasaki alertaram o mundo sobre os riscos reais do potencial de destruição
humano do planeta. 
Nos últimos anos, cada vez mais, os movimentos e as causas indígenas têm confluído para os movimentos
ambientalistas, ganhando projeção e intensificando seu diálogo com o Estado dessa maneira.
Integrantes da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas em
agosto de 2019.
No Brasil, o movimento ambientalista é importante em
função da causa histórica que é a preservação da
Amazônia. A Amazônia brasileira abriga muitos povos
indígenas, além de uma inestimável riqueza natural, que
rendeu a esse ecossistema o título de “pulmão do mundo”.
Além disso, a Amazônia brasileira possui culturas
importantes do ponto de vista do ambientalismo, pois estão
familiarizadas com a vida na floresta e sua preservação,
como é o caso do extrativismo vegetal de frutos em
pequena escala e a cultura da borracha.
A Amazônia legal estende-se para além do território
nacional, como sabemos. Também em outros países, há
movimentos que buscam sua preservação, por meio da
conscientização e proteção dos povos originais.
No Equador (CUEVA, 1993), há um expressivo movimento
de defesa ecológica e indígena, como a Confeniae (Confederação Nacional Indígena da Amazônia
Equatoriana) e a Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador), ambas nascidas na década
de 1980. O fator étnico foi importante na organização de movimentos indígenas no Equador em função da
homogeneidade cultural da população indígena nesse país.
Políticas públicas
Neste vídeo, o especialista irá apresentar a importância das políticas públicas no contexto de uma sociedade
democrática, bem como suas contradições no âmbito do Estado capitalista.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
As políticas públicas são soluções do Estado para problemas que afetam a população. Nas áreas discutidas
aqui por meio do tema dos movimentos sociais, muitas políticas públicas passaram a existir e foram
implementadas graças à pressão e atuação da população organizada em torno de grandes causas.
Há alguns tipos de políticas públicas diferentes, conforme podemos classificá-las. Por exemplo, há políticas
públicas redistributivas e políticas públicas de natureza regulatória. Vejamos como cada uma delas se
classifica:
Políticas públicas regulatória
Essas políticas visam aprimorar leis ou fiscalizar o seu cumprimento, como é o caso da Política
Nacional de Recursos Hídricos, que contém diretrizes e metas para a utilização dos nossos recursos
hídricos.
Políticas públicas redistributivas
Essas políticas visam rever alguma distribuição de recursos considerada injusta, como é o caso da
Política de Reforma Agrária.
Sem nos demorarmos em explorar cada uma delas, e apenas a título de exemplo relacionado ao que viemos
discutindo até aqui, é importante destacar algumas políticas públicas que são resultado das lutas de
movimentos sociais, como:
as políticas de ação afirmativa, como a da Lei de Cotas Raciais e Socioeconômicas;• 
as políticas estabelecidas pela Lei Maria da Penha para proteção da mulher em situação de violência
doméstica;
a política nacional do meio ambiente;
o Programa Universidade Para Todos; e
o Prolind, que promove cursos de formação superior para professores indígenas.
Poderíamos citar muitas outras políticas públicas. O importante é compreender, a partir das discussões que
fizemos, que as políticas públicas servem ao propósito de efetivar direitos previstos pela Constituição Federal.
Portanto, trata-se do reconhecimento do Estado da necessidade de cumprir com o dever de uma gestão
adequada da população e de suas necessidades.
Verificando o aprendizado
Questão 1
As origens do movimento ambientalista organizado remontam a um triste episódio da história da humanidade,
que é
A
a escravidão de povos de África e indígenas.
B
a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki.
C
o aumento do buraco na camada de ozônio.
D
a Queda da Bastilha.
E
o massacre de Eldorado.
A alternativa B está correta.
As origens do movimento ambientalistas são atribuídas ao ano de 1945, quando houve a explosão das
bombas de Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. Quando da escravidão dos povos
colonizados, não havia ainda movimento ambientalista estruturado, nem no período da Queda da Bastilha.
Questão 2
O movimento feminista costuma ser dividido em ondas, para efeito de análise. A primeira onda do movimento
feminista, no caso do Brasil,
• 
• 
• 
• 
A
começa com a reinvindicação do direito ao voto feminino.
B
é marcada pelo feminismo negro.
C
é um movimento de mulheres do povo.
D
começa em 2000.
E
é marcada pelo ciberativismo.
A alternativa A está correta.
A primeira onda do movimento brasileiro se inspira no movimento europeu e é um movimento das mulheres
de classe média e da elite nacional na luta pelo direito ao voto. O feminismo negro e as pautas mais
populares são reconhecidas depois como parte do movimento feminista. A última onda, chamada de quarta
onda, é a que vivemos atualmente, desde os anos 2000, marcada pelo papel da internet e redes sociais na
divulgação das pautas.
4. Conclusão
Considerações finais
As sociedades das mais diversas culturas se organizam de diferentes maneiras. O Estado é apenas uma
dessas maneiras. Nas grandes sociedades contemporâneas, essa forma de organização passa a produzir
diferenças e desigualdades, desde que o sistema capitalista se tornou hegemônico no mundo, estruturando a
economia e estratificando a sociedade civil.
Os movimentos sociais procuram lutar pelo reconhecimento de causas que denunciam a exclusão e privam
certos grupos de direitos e benefícios. Compreender como essas dinâmicas se desenvolveram e se
desenvolvem nos dias de hoje pode orientar o entendimento das transformações e permanências de nossas
formas de vida como sociedade, fornecendo recursos para uma perspectiva crítica fundamentada nas
formações históricas e nos processos políticos atuais.
Podcast
Vamos ficar atentos, agora, a um panorama geral de nosso estudo, pela ótica e experiência profissional
de um cientista social.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Para complementar o seu conhecimento no assunto estudado:
 
Assista ao filme Amadeus, inspirado na vida de Mozart e ambientado na Viena do século XVIII, e
perceba o florescimento e a agitação cultural da elite intelectual promovida pelo Iluminismo.
Leia o texto Serviço social e antagonismos de classe, de Ana Carolina Cantuária, apresentado no XVI
Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social, e perceba como também é fundamental o
suporte do Projeto Ético-Político Profissional.
Leia o artigo A “luta de classes” é real – só que os lados opostos são diferentes do que imagina a
esquerda, de Matt McCaffrey, e a reportagem A reforma agrária, o MST e o direito de propriedade
privada, de Ariel Marcos, e acolha-os como conteúdo de contraponto às temáticas estudadas,a fim de
aprofundar o assunto de forma ainda mais consistente.
Leia a reportagem Por que você deve conhecer a vida e a obra de John Stuart Mill?, de Pedro Henrique
Alves, e compare a visão desse filósofo à abordagem estudada.
Referências
CUEVA, A. Os movimentos sociais no Equador contemporâneo: o caso do movimento indígena. Revista de
Ciências Humanas, v. 9, n. 13, 1993.
 
DESCARTES, R. Discurso sobre o método. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
 
GROPPO. L. A. A revolta mundial da juventude e o Brasil. Estudos da UCDB, 2008.
• 
• 
• 
• 
IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Aglomerações subnormais. 2019. Consultado
na internet em: 02 dez. 2022.
 
MAQUIAVEL. N. O príncipe. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
 
MARX, K. O Capital. Livro I – Crítica da economia política: O processo de produção do capital. São Paulo:
Boitempo, 2013.
 
MONTESQUIEU, B. Do espírito das leis. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
 
ROUSSEAU, J. Do contrato social. Coleção Os Pensadores. 2. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
 
TOCQUEVILLE, A. A democracia na América. Livro 1 – Leis e costumes. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
 
WEBER, M. A objetividade do conhecimento nas Ciências Sociais. In: COHN, G.; FERNANDES, F. Weber –
Sociologia. Coleção Grandes Cientistas Sociais, v. 13. São Paulo: Ática, 1999, p. 79-127.
 
ZAMBONI, M. Marcadores sociais. Sociologia especial, 2018. Consultado na internet em: 02 dez. 2022.
	Classes sociais e sociedade civil
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Classes sociais e sociedade civil: conceitos
	Surgimento e transformações no conceito de Estado
	Os iluministas e o Estado Moderno
	Conteúdo interativo
	Origens do Estado Moderno
	A burocracia
	A força militar
	O sistema de leis e normas unificado
	Iluminismo e reconfiguração do Estado
	Rousseau e a teoria do contrato social
	Revolução Francesa e a importância da sociedade civil
	Democracia: da Grécia Clássica ao Mundo Contemporâneo
	Conteúdo interativo
	Democracia
	Direta
	Representativa
	Participativa
	Revolução Francesa
	Monarquia Constitucional
	Convenção
	Diretório
	Consulado
	Império
	A sociedade civil
	Classes sociais e sociedade civil no contexto do capitalismo
	Conteúdo interativo
	Associativismo em Tocqueville
	Exemplo
	Capitalismo e surgimento das classes sociais
	Verificando o aprendizado
	2. Consciência social e de classe no capitalismo
	Classes e diferenças sociais no Brasil de hoje
	Conteúdo interativo
	Castas
	Estamentos
	Classes sociais
	Marcadores sociais da diferença
	Conteúdo interativo
	A importância das margens: centros e periferias
	Consciência social e participação política
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	Atenção
	Consciência social e participação política
	Atenção
	Verificando o aprendizado
	3. Movimentos sociais no Brasil e na América Latina
	Movimento negro no Brasil e nos Estados Unidos
	Conteúdo interativo
	Curiosidade
	Movimento feminista
	Primeira onda
	Segunda onda
	Terceira onda
	MST e MTST
	Movimentos sociais em destaque
	Conteúdo interativo
	Curiosidade
	Educação alternativa
	Pedagogia adaptada
	Produção orgânica
	Movimento estudantil e movimento ambientalista
	UNE
	Expansão das universidades
	Passeata dos Cem Mil
	Impeachment do Fernando Collor de Mello
	Saiba mais
	Políticas públicas
	Conteúdo interativo
	Políticas públicas regulatória
	Políticas públicas redistributivas
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências