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Classes sociais e sociedade civil Conceitos e fenômenos sociais que proliferam em torno da noção de classes sociais. Classes sociais e sociedade civil. Prof. Dennis Novaes 1. Itens iniciais Propósito Compreender, por uma perspectiva histórica e sincrônica, as formas de organização e estruturação da sociedade contemporânea em termos políticos e socioeconômicos para a atuação do futuro profissional de Serviço Social. Objetivos Reconhecer a instituição Estado, suas origens e seus desdobramentos na organização da sociedade. Reconhecer a importância de posicionamento crítico a respeito de questões em pauta na sociedade civil e nos movimentos sociais. Identificar classes sociais e sociedade civil e outras noções que orbitam tais conceitos. Introdução As classes sociais são uma forma de estratificação ou organização hierarquizada da sociedade civil. Seu surgimento, para ser devidamente compreendido, passa pelas origens do próprio Estado Moderno, quando formas possíveis ou modelos de organização e estruturação social foram se desenvolvendo a partir de movimentos intelectuais e políticos, ativismo, guerras e experiências socioeconômicas diversas. Entender a genealogia da organização da sociedade, portanto, significa passar para os grandes eventos históricos e pensadores clássicos, sem renunciar a uma perspectiva sincrônica na qual estudamos como acontecem certos movimentos sociais nos dias de hoje. • • • Luís XIV, rei da França. 1. Classes sociais e sociedade civil: conceitos Surgimento e transformações no conceito de Estado Os iluministas e o Estado Moderno Neste vídeo, o especialista irá nos apresentar as características do Estado Moderno a partir da contribuição teórica de alguns filósofos iluministas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Origens do Estado Moderno Estado é a unidade administrativa de um território, formada por um conjunto de instituições que deveriam atender às necessidades da população. A configuração de Estado que conhecemos tem suas origens na segunda metade do século XV, na Europa, e surgiu como o resultado de um conjunto de fatores. Entre eles, o fator econômico teve um papel importante. Com o desenvolvimento do capitalismo mercantil, a centralização administrativa acabou substituindo o Antigo Regime e permitindo o surgimento do Estado Nacional Moderno Absolutista, sob o poder político da realeza. Surgem então: A burocracia Para dar conta da administração pública. A força militar Para proteger as fronteiras nacionais e garantir a ordem pública. O sistema de leis e normas unificado Para organizar os direitos e deveres do povo. Essa é a origem do Estado tal como o conhecemos. Com as Grandes Navegações, os Estados Nacionais Modernos se expandiram, com a conquista de novos territórios no além-mar. Nesse momento histórico, a centralização do poder político pelos reis ficou marcada e famosa por meio da frase de Luís XIV, rei da França: “O Estado sou eu”. O poder do Estado, nesse momento, era fundamentado ideologicamente pela religião católica. Acreditava-se que o monarca absolutista era a encarnação do próprio Deus, o que justificava o seu poder total, sob todos os aspectos da vida e da sociedade. Iluminismo e reconfiguração do Estado Apenas mais tarde, entre os séculos XVII e XVIII, o iluminismo traria profundas mudanças políticas, sociais e econômicas alterando essa concepção inicial de Estado. O Século das Luzes, como ficou conhecido, foi um século de mudança de paradigmas, dominado por um vasto e profundo movimento intelectual e filosófico que pregava a disseminação do conhecimento e o enaltecimento da razão, em detrimento do pensamento teológico e religioso reinante. O iluminismo fundou as bases da democracia que surgiria no momento histórico subsequente. São algumas características iluministas: o racionalismo; o liberalismo; a igualdade perante a lei; e o anticlericalismo. Também ficou conhecido como Esclarecimento, porque os iluministas acreditavam que apenas a razão traria clareza e arrancaria as pessoas do obscurantismo cultural do momento histórico anterior, que, graças a essa crítica, ficaria conhecido como Idade das Trevas. O elogio ao racionalismo ficou conhecido, desde a Filosofia Moderna, pela máxima de René Descartes, filósofo do do séc. XVII: “duvido logo penso, penso, logo existo” (1996, p. 75). A Idade das Trevas, por oposição, passou a ser identificada com a ignorância, a autoridade injustificada e uma tradição que precisava ser superada rumo ao progresso. Jean-Jacques Rousseau e Montesquieu foram dois importantes pensadores do iluminismo que trouxeram novas e importantes visões sobre o papel do Estado e seu funcionamento. Rousseau e a teoria do contrato social Rousseau ficou conhecido, principalmente, por sua concepção sobre a natureza humana. Segundo Rousseau, haveria um estado de natureza em que os homens seriam livres e iguais, havendo sempre harmonia e abundância na sociedade. Nesse estado de natureza, anterior à formação do Estado Moderno, o “bom selvagem” pensado pelo autor representava a sua convicção de haver uma natureza humana primitiva que funcionava espontaneamente em prol do bem comum. É por isso que Rousseau vai dizer que “o homem é naturalmente bom, é a sociedade que o corrompe”. Rousseau, então, vai buscar uma solução ideal para a organização da sociedade, garantindo que a liberdade do homem natural seja preservada, ao mesmo tempo em que se possa garantir o bem-estar da vida em sociedade. A solução seria o estabelecimento de um contrato social, que asseguraria a soberania da sociedade e a soberania política da vontade coletiva. • • • • Montesquieu Montesquieu, em sua famosa obra Do espírito das leis (1979), elaborou a teoria da divisão de poderes como forma de limitar a soberania dos monarcas. Rousseau Já Rousseau, em Do contrato social (1978), surge como um grande defensor da liberdade civil, argumentado que as leis do Estado precisam expressar a vontade do povo. • • • Para esse filósofo, a propriedade privada seria a origem das desigualdades sociais, tendo corrompido os homens e os afastado da sua boa essência. E, assim como o indivíduo se impunha sobre a coletividade de maneira egoísta, também o Estado corria o risco de tender para subjugar a vontade coletiva. Por isso, o Estado representava, ao mesmo tempo, tanto uma importante forma de organização e administração da sociedade quanto um risco. Tal risco apenas seria dirimido pela democracia. As ideias de Rousseau fundamentariam, mais tarde, a Revolução Francesa. Revolução Francesa e a importância da sociedade civil Democracia: da Grécia Clássica ao Mundo Contemporâneo Neste vídeo, o especialista irá nos apresentar as características de democracia grega (período Clássico) e sua constituição na contemporaneidade, a partir da Revolução Francesa. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Democracia Democracia, como se sabe, tem origem nos seguintes termos: Democracia significa, portanto, poder do povo. O conceito de democracia surgiu na Grécia Antiga e funcionou como regime político de Atenas por volta de 500 anos antes de Cristo. Inspirado nessa experiência histórica específica, Rousseau acreditava que a democracia só seria possível em sociedades pequenas. A democracia grega, no entanto, era muito restrita, já que apenas alguns indivíduos (os homens adultos e livres), considerados de fato como cidadãos, podiam manifestar sua opinião e participar da vida política da cidade. No século XVIII, a ideia de democracia ganharia fôlego e complexidade, até que os regimes democráticos participativo e representativo surgissem como possiblidades e alternativas à democracia direta, como era o caso do exemplo histórico da Grécia Clássica. A democracia pode, então, pode ser de três tipos: Direta Modelo de democracia em que todos os indivíduos que possuem o estatuto de cidadãos têm poder decisório e participam ativamente da vida política de forma direta,como o próprio nome indica. Os cidadãos atenienses, reunidos em praça pública, legislavam, votavam todas as propostas concernentes à vida pública e decidiam os rumos da cidade. • Demo Termo que significa povo. Cracia Termo que significa poder. Prise de la Bastille, Jean-Pierre Houël, 1789. Representativa No tipo representativo, o povo escolhe os representes a quem será delegado o poder decisório. É a forma de democracia mais comum, na atualidade, e mais funcional para sociedades grandes, em que não seria possível consultar todos os cidadãos para que cada decisão política pudesse ser tomada. Importante destacar que, nesse caso, para que a democracia se mantenha, é fundamental a alternância de poder, trocando-se periodicamente os representantes da população. Participativa Finalmente, a democracia participativa pode ser considerada um modelo híbrido entre as duas anteriores. Nesse sistema, embora haja representantes eleitos, as decisões mais importantes são tomadas com a consulta à população por meio de plebiscitos. Revolução Francesa A Revolução Francesa ocorreu no final do século XVIII e selou, definitivamente, o fim do Antigo Regime. A partir do marco simbólico da Queda da Bastilha, em 1789, a burguesia, contando com o apoio popular tanto no campo quanto nas cidades, implementaria um novo sistema político, social e econômico. Desse modo, o fim do absolutismo francês deflagrou o triunfo das ideias liberais em todo o mundo. O regime que se instaurou foi uma sucessão de grupos e até mesmo regimes no poder: Monarquia Constitucional Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Convenção Decreto da Convenção Nacional, abolindo a monarquia. Diretório Paul Barras, presidente do diretório de 1795 a 1799. Consulado Os três consulês: Cambacérès, Bonaparte e Lebrun (da esquerda para a direita). Império Napoleão Bonaparte, como imperador da França. Um documento relevante marcou fortemente o período: A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, baseada nos princípios da liberdade, fraternidade e igualdade! A Revolução Francesa foi o evento histórico que universalizou os direitos sociais e as liberdades individuais, acabando com os direitos feudais e consolidando os ideais burgueses. O modelo socioeconômico capitalista se desenvolveria a partir desse cenário. A sociedade civil Classes sociais e sociedade civil no contexto do capitalismo Neste vídeo, o especialista irá nos apresentar elementos que indicam o surgimento e estabelecimento das classes sociais no contexto da sociedade civil no Estado capitalista. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Associativismo em Tocqueville Maquiavel (2010) estabeleceu a definição de sociedade civil como o polo oposto e antagônico ao do Estado. Sociedade civil é o conjunto de instituições e iniciativas que não são empresas, pois não têm finalidade econômica, mas que representam a população organizada em torno de questões específicas, com objetivos e valores em comum. Exemplo Por organizações da sociedade civil temos os sindicatos profissionais, as ONGS e associações de moradores. Alexis de Tocqueville, em seu livro clássico A democracia na América (2005), demonstra a importância do associativismo civil no liberalismo. Alexis de Tocqueville. Karl Marx. Segundo o autor, a igualdade e a liberdade eram, na aparência, princípios concorrentes. Uma vez que a democracia se fundava principalmente na igualdade, a restrição da liberdade se tornava uma condição necessária. Na sociedade norte-americana, estudada por Tocqueville, o hábito cultural presente na sociedade civil de criar associações livres para defender interesses específicos e pontuais é usado para chamar atenção para os perigos de uma ditadura da maioria. A ditadura da maioria seria um tipo de achatamento dos interesses específicos de grupos que se constituem como minorias de direitos na sociedade. É como se a dimensão coletiva (da igualdade) se tornasse hipertrofiada em relação à liberdade e à pluralidade, como um consenso fechado à diferença. Tocqueville influenciou muitos pensadores do terceiro setor, constituindo um tipo de tradição liberal-conservadora (GROPPO, 2008, p. 68). No entanto, a mobilização dos indivíduos restrita a causas pontuais é incapaz de atingir o âmago do sistema capitalista como sistema produtor de desigualdades. Tocqueville terminaria por concluir, pelo bem do equilíbrio social, que a liberdade individual e a igualdade política devem ser pensadas como inseparáveis. Capitalismo e surgimento das classes sociais Assim como a sociedade feudal se dividia em estamentos, a sociedade capitalista se divide em classes sociais. Em um primeiro momento histórico de constituição das classes no arranjo da sociedade capitalista, apenas burgueses e proletários resumiam a estratificação social. Karl Marx, primeiro grande pensador que estudou a estrutura de classes sociais, na sua obra O Capital (2013), definiu as classes sociais na sociedade capitalista como um resultado da exploração do trabalho do homem pelo homem e a subsequente questão – de que também se ocupava Rousseau, diga-se de passagem – da desigualdade. Do trabalho alienado do proletariado, seria extraída uma mais-valia, traduzida em um lucro que é apropriado pelo capitalista. A partir dessa exploração, essa divergência estrutural de interesses entre trabalhadores e patrões se transformaria em uma luta de classes capaz de, um dia, dar fim ao capitalismo em favor de uma sociedade igualitária. Verificando o aprendizado Questão 1 O associativismo norte-americano estudado por Alexis de Tocqueville pode ser descrito como uma prática da sociedade civil de criar associações de indivíduos em torno de causas comuns. Sobre essa prática, é correto afirmar que A é consonante ao espírito da liberdade democrática. B é uma forma ultrapassada de fazer política. C inspirou a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e a Revolução Russa. D resultaria na busca de uma sociedade sem classes, de cunho marxista. E faz parte do Estado Absolutista do Antigo Regime. A alternativa A está correta. O associativismo é próprio do espírito republicano liberal, afim à democracia e contra o absolutismo monárquico. Não possui relação histórica com a Revolução Russa ou o socialismo (sociedade sem classes). Questão 2 A respeito das formas de democracia, marque a alternativa correta. A A democracia participativa é aquela em que os cidadãos elegem um representante a quem delegam o poder de decidir. B A democracia participativa é impossível de ser aplicada em sociedades grandes e complexas como as modernas sociedades ocidentais. C A democracia representativa é aquela em que os cidadãos elegem um representante a quem delegam o poder de decidir. D A democracia representativa e a participativa se opõem à democracia direta. E A democracia direta é o tipo de democracia que temos no Brasil hoje. A alternativa C está correta. A democracia direta não é o tipo de democracia que temos no Brasil. Aqui, funciona a democracia representativa, que é aquela em que a população delega a representantes eleitos o poder de decidir em seu nome. A forma democrática de difícil aplicação em sociedades grandes e complexas é a direta. 2. Consciência social e de classe no capitalismo Classes e diferenças sociais no Brasil de hoje Neste vídeo, o especialista irá nos apresentar elementos que garantam a compreensão do conceito e contexto das classes sociais no Brasil atual. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Estratificação social significa a classificação das pessoas em grupos dispostos hierarquicamente, como em uma pirâmide com a base alargada e o topo estreito. Dessa forma, uma sociedade estratificada é marcada pela desigualdade de condições de vida entre os que estão em cima da pirâmide e aqueles que estão situados embaixo. São exemplos de estratos sociais: Castas Ocorre na sociedade tradicional indiana. É um sistema hereditário e que não permite a mobilidade.Estamentos Ocorria no feudalismo. Também é um sistema hereditário, mas que comporta alguma mobilidade. Classes sociais Típicas do sistema capitalista, surgidas com a Revolução Industrial, que dividiu a sociedade em donos dos meios de produção e donos da força de trabalho. Para Marx, a partir da divisão social do trabalho, as condições econômicas terminam por desenhar grupos – chamados por Max Weber (1999) de grupos de status –, que definem, para além da questão estritamente econômica, quem são as pessoas, como elas vivem e quanto poder têm na sociedade. As classes sociais, assim como quaisquer outros estratos ou formas de estratificação social, são maneiras de estruturar a sociedade, ou seja, são a “forma” que a sociedade tem. Tal forma, ou esqueleto, será preenchida com valores e comportamentos apropriados para cada grupo que constitui cada uma dessas camadas, criando, no nível antropológico, subculturas com aspirações políticas particulares. Atualmente, no Brasil, temos as classes A, B, C, D e E. O pertencimento dos indivíduos a cada uma dessas classes é determinado pela renda familiar, em cada domicílio. Enquanto a classe A concentra apenas 2,8% da população, as classes D e E representam mais de 50% do povo brasileiro. A classe A é definida como aquela em que as famílias possuem renda superior a R$22.000,00, e as classes D e E são as que têm renda mensal domiciliar de até R$2.900,00. Desde 2020, as classes D e E cresceram muito, passando a concentrar mais da metade da população. Esse cenário deve se manter até 2024, segundo os prognósticos dos cientistas sociais. Rocinha, a maior favela do Brasil. A agudização da estratificação é o resultado de um conjunto de fatores: a má distribuição da renda e a não garantia de serviços básicos à população são os fatores principais, já que são determinantes dessa estrutura social que mantém abismos tão grandes entre as classes sociais, e cada vez maiores. Um elemento que deixa explícita a questão da desigualdade social no Brasil é a existência de favelas em áreas urbanas, como bolsões territoriais de pobreza aos quais o Estado não chega com seus serviços para atender à população que ali reside. As favelas são um exemplo de segregação socioespacial, assim como os guetos americanos, embora tenham suas especificidades. Entre essas peculiaridades, está o preconceito racial valado, no caso do Brasil. Embora se diga e se pense que as pessoas têm liberdade de transitar entre favela e asfalto e que o preconceito racial não existe, em função de sermos um país miscigenado, as fronteiras simbólicas que marcam a divisão entre favela e asfalto são altamente reguladas por distâncias culturais, que podem parecer, às vezes, intransponíveis. Marcadores sociais da diferença Neste vídeo, o especialista irá aprofundar o conceito de marcadores sociais da diferença e suas implicações no âmbito do Estado liberal, exemplificando sua utilização e seus confrontos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O trânsito dos cidadãos pelos bairros das altas classes não tem nada de livre também. Os marcadores corporais (características raciais, modos de se vestir, de falar, de se comportar, por exemplo) indicam de onde a pessoa vem, por meio de uma rápida leitura que, em sociedade, é feita de maneira quase automática pelos indivíduos que conhecem os códigos definidores dos lugares na pirâmide social. As Ciências Sociais utilizam o conceito de marcadores sociais da diferença para entender como a sociedade e a cultura classificam os sujeitos, organizam a experiência e criam modelos de identificação dos indivíduos que informam os encontros mistos. Em termos de raça, por exemplo, os indivíduos podem ser classificados como negros ou brancos, morenos ou mulatos, asiáticos ou indígenas. Cada uma dessas categorias de classificação está associada a uma determinada posição social, possui uma história e atribui certas características em comum aos indivíduos nela agrupados. O mesmo vale para gênero (homens e mulheres, machões e princesas, travestis e transexuais), sexualidade (hétero e homossexuais, gays e lésbicas, bissexuais e sadomasoquistas), classe (ricos e pobres, classe média e proletariado, profissionais liberais e moradores de rua) e geração (jovens e idosos, adultos e adolescentes, coroas e crianças), entre outros. (ZAMBONI, 2018, p. 14). Segundo a perspectiva de análise feita por Marcio Zamboni a respeito dos marcadores sociais da diferença, não é possível pensar em uma lista fechada que determine os marcadores trazidos pelas pessoas em seus corpos para auxiliar na identificação de “quem são”. Em vez disso, os marcadores precisam ser pensados de forma articulada e contextual, pois atuam conjuntamente no processo de identificação. Se pensarmos, por exemplo, em um indivíduo jovem, do sexo masculino, negro, de traços afro-asiáticos, vestindo roupas de grife, com sotaque francês em um restaurante em um bairro de elite, isso cria uma certa expectativa cultural a respeito de quem é esse homem. O mesmo indivíduo, no mesmo restaurante de um bairro de elite, mas falando português com sotaque e gírias da periferia carioca perceberá, incidindo sobre si mesmo, outro enquadramento a respeito de quem é, quando trava contato com desconhecidos. E se, em vez de um homem negro, pensarmos em uma mulher branca, outra vez gira a roda das classificações dessas diferenças. Mas que as diferenças alimentem desigualdades sociais é uma outra e importante discussão. A importância das margens: centros e periferias Consciência social e participação política Neste vídeo, o especialista irá demostrar a importância da consciência social e a consequente participação política no contexto do enfrentamento centro versus periferia. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A sociedade possui fronteiras físicas e simbólicas que organizam os espaços. As margens são as bordas desses territórios, que possuem um centro em que se concentram os privilégios, e as pessoas que podem usufruir desses privilégios. Por oposição, os territórios de margem são aqueles que estão à beira da exclusão, onde o Estado e as empresas entregam menos serviço à população das classes menos abastadas. Esses lugares físicos e simbólicos que definem uma relação centro-periferia ou centro-margem, muitas vezes, não coincidem com a questão da centralidade geográfica. No sentido da geografia simbólica, muitas vezes, os centros de poder podem estar localizados nas margens do espaço geográfico. Basta pensar que muitos bairros de elite se encontram situados na orla das cidades praianas, enquanto o interior geográfico do território, geograficamente mais central, possui menos acesso a serviços e uma população mais pobre. Saiba mais É das periferias que emergiram os movimentos sociais na década 1960, no caso do Brasil. Foram movimentos populares que se organizaram na luta contra a ditadura militar vigente no país nesse período, embora as origens históricas desse tipo de mobilização política e social remontem aos séculos anteriores, no mundo, coincidindo com o processo de industrialização na Europa. Na verdade, se pararmos para pensar na essência dessa forma de expressão e organização política, talvez ela seja tão antiga quanto o próprio Estado, embora o conceito de movimentos sociais seja bastante recente. O principal é que, em todos os casos, estamos falando de uma iniciativa que parte das periferias do poder, agitando a transformando a organização da sociedade. As favelas, no Brasil, são territórios urbanos caracterizados como ocupação ilegal, como consequência da má distribuição de renda e déficit habitacional. Segundo o IBGE (2019), “trata-se de um conjunto de domicílios com, no mínimo, 51 unidades, que ocupa, de maneira desordenada e densa, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e que não possui acesso a serviços públicos essenciais”. As favelas surgiram no final do século XIX como consequência do êxodo rural em um processo de urbanização e industrializaçãoaceleradas, que não deram conta de absorver todo o contingente de pessoas e mão de obra. Desde o seu surgimento, as favelas foram alvo de uma série de políticas higienistas que pretendiam acabar com os cortiços, mandando a população de baixa renda que neles habitava para lugares mais afastados da cidade. Isso torna a ocupação desses espaços, historicamente, um ato de resistência da população que ali vive. A população, afirmando sua vontade e escolha, permaneceu ao longo do tempo enfrentando os mais variados estigmas. Atenção As favelas diferem umas das outras, constituindo espaços muito heterogêneos. Nem todos os moradores das favelas são de uma pobreza extrema, como às vezes se pensa. E muitas favelas são caracterizadas por uma riqueza cultural tão grande que se projeta – apesar de dificuldades estruturais pelas quais podem passar os artistas no seu dia a dia – nos circuitos de arte oficiais da cidade. Consciência social e participação política Somos desafiados, nesse contexto, a compreender o que poderíamos chamar de força da periferia. Para isso, no entanto, é necessária uma mudança na mentalidade. Atenção Identificar as favelas com a criminalidade é outro estereótipo muito difundido e igualmente equivocado, já que existe criminalidade em todos os lugares, variando apenas os modos de funcionamento e visibilidade. Um primeiro passo para o desmonte do preconceito que enviesa o olhar do centro para a periferia é pensar as favelas como espaços nos quais, embora o Estado não esteja presente, há culturas específicas e ricas, uma proliferação intensa de interações e relações humanas que alimentam a invenção constante de modos de vida, arte, música, pintura, teatro etc. Em comunidades periféricas, a consciência social, que pode ser entendida como a capacidade que as pessoas têm de perceber a sociedade em seu redor, pode ser muito expressiva, dado que as pessoas vivem cotidianamente problemas urgentes a respeito dos quais é preciso se organizar. Com isso, a participação política via ONGs, associações de moradores, produção intelectual e outros são formas comuns de as pessoas se associarem em torno de causas pelas quais decidem lutar em prol de melhorias. Nos últimos dez anos, temos assistido ao crescimento dos discursos organizados de minorias de direitos, na forma de movimentos sociais combativos e atuantes. Nesse contexto, a discriminação racial, de classe e a homofobia parecem ter funcionado como elementos propulsores dessas forças sociais combativas em nome da inclusão. No cenário da política institucional, temos também assistido a um expressivo crescimento da visibilidade das causas negra, feminista entre outras, em torno das quais o cenário político se polariza. Por um lado, uma tradição da ordem social excludente, por outro, movimentos que, em todas as frentes, exigem inclusão e transformações profundas na cultura e nos modos de vida. O conceito de política, na verdade, é muito mais amplo do que o conjunto de práticas abarcadas pela política institucional – essa que é feita no e pelo Estado. A política compreende todas as trocas e negociações humanas, no nível das relações sociais. Existe um nível, chamado de micropolítico, em que a atuação das pessoas é vista e pode ser lida politicamente, mesmo fora dos parâmetros da política do Estado e dos exercícios políticos relacionados a esse parâmetro, como o voto. No nível micropolítico, é importante uma atuação consciente na sociedade. Como nos expressamos, o que decidimos comer, se apagamos a luz de casa, se jogamos lixo no chão da rua, se somos educados com aqueles que nos prestam serviços, o que sentimos quando um indivíduo em situação de rua se aproxima para pedir uma moeda etc. – tudo isso faz parte de um posicionamento político que, quanto mais inclusivo, mais afinado está com o bem-estar da democracia. Verificando o aprendizado Questão 1 O estereótipo de criminalidade e violência que ronda as favelas e a população que nelas vive é também uma forma de violência simbólica do centro sobre a periferia. Por isso, podemos afirmar que A esse pensamento tem fundamento racista e classista. B as culturas periféricas não conseguem se devolver para além desse rótulo. C a violência da população da favela contra a do asfalto é tanto presente quanto constante e justificada. D a população da favela não tem qualquer qualidade de vida. E é justo que o Estado não se faça presente nesses territórios. A alternativa A está correta. O preconceito contra a população guetoizada das favelas é, muitas vezes, coincidente com o racismo e preconceito de classe social. Ainda assim, a cultura das favelas é rica e dinâmica. Mesmo que o Estado não se faça presente oferecendo serviços básicos e necessários, a invenção de modos de vida nesses locais pode trazer qualidade de vida aos moradores. Questão 2 Sobre o conceito de marcadores sociais da diferença, assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas verdadeiras. I. São marcadores sociais da diferença a cor de pele, os traços físicos e fisionômicos, as roupas e os comportamentos da pessoa. II. São marcadores sociais da diferença apenas os caracteres que criam desigualdades de cunho socioeconômico. III. Os marcadores sociais da diferença não estão mais presentes nas sociedades democráticas. A Apenas I. B Apenas II. C Apenas III. D I e II. E II e III. A alternativa D está correta. Os marcadores sociais da diferença não têm a ver com o regime democrático ou autocrático ou qualquer outro modelo de Estado, mas com as formas pelas quais a cultura organiza a sociedade civil e atribui significados e valores às características pessoais. Rosa Parks com Martin Luther King Jr. ao fundo. 3. Movimentos sociais no Brasil e na América Latina Movimento negro no Brasil e nos Estados Unidos Neste vídeo, o especialista irá apresentar as características do movimento negro no Brasil, identificando quando se alia ao movimento feminista, e quando não. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O movimento negro é como chamamos o conjunto de movimentos (coletivos) que têm por pauta a questão étnico-racial e do racismo na sociedade. Em uma sociedade como a brasileira, diz-se que o racismo é estrutural. O racismo estrutural acontece nas relações interpessoais, institucionais, está na mídia, na família, na vida cotidiana, no trabalho, atravessa as classes sociais e o Estado. O movimento negro é, talvez, o movimento social de maior expressão no Brasil. Os ativistas costumam situar o seu surgimento no período escravagista, quando surgiram grandes personagens, que inspiram até hoje o movimento, como Zumbi dos Palmares. Mas é nos anos 1960 que o movimento ganha fôlego e projeção com a influência do movimento por direitos civis norte-americano e as revoltas contra o apartheid na África do Sul. Nos anos 1950, a luta antirracista já vinha crescendo nos EUA. Em 1955, deu-se o famoso caso de desobediência civil protagonizado Rosa Parks – uma cidadã norte-americana, em um ônibus no Alabama –, que ficaria mundialmente conhecido e reconhecido como um marco. Rosa Parks se recusou a se levantar de um assento do ônibus destinado a pessoas brancas para dar lugar a um homem branco que o reivindicava e foi presa por isso, fazendo com que o caso ganhasse visibilidade. Depois do ocorrido e em todo o ano seguinte, Martin Luther King liderou um boicote civil aos ônibus de Montgomery para fazer frente à política de segregação racial nos transportes públicos da cidade, organizando grandes protestos não violentos nos EUA nos anos 1960. Curiosidade Devido a esse heroico movimento reconhecido mundialmente, Martin Luther King foi contemplado com o Prêmio Nobel da Paz, em 1964. Os jovens negros brasileiros, com destaque para os artistas e estudantes, esmagados pela “mão de ferro” do Estado durante o período da ditadura, alimentaram seus ideais com essas referências. Em 1978, um protesto realizado no Teatro Municipal de São Paulo marcou a criação do Movimento NegroUnificado. A partir daí, vários coletivos ligados ao movimento negro surgiram se alastraram pelo país. Especialistas indicam outro momento do movimento, que vai dos anos 2000 aos dias atuais e compreende a discussão proposta pelo feminismo negro, debates interseccionais, cotas raciais no campo de educação e do trabalho, visibilidade e projeção das culturais de inspiração afro-americanas em toda a sociedade. Movimento feminista O movimento feminista começou no século XIX e, desde então, vem se constituindo em diversos campos do saber e da política, reivindicando o empoderamento feminino na sociedade patriarcal. Como movimento social, o feminismo luta por direitos civis para as mulheres, reivindicando igualdade política, jurídica e social em relação aos homens. Algumas pautas que se tornaram importantes nesse movimento reivindicaram para as mulheres: direito ao voto e à participação na vida política da sociedade; emancipação jurídica em relação aos homens (pais e maridos); liberdade sexual e direitos totais sobre o próprio corpo; paridade salarial com os homens; e não objetificação do corpo feminino e combate à violência de gênero e violência sexual. Tais pautas já galgaram muitas conquistas, mas ainda há muito por conquistar para que possamos falar em uma sociedade igualitária em termos de gênero. Quando se fala no movimento feminista, os analistas e ativistas costumam dividi-lo em ondas. No cenário brasileiro, essas ondas estão relacionadas com a luta pelo direito ao voto e, depois, contra a ditadura militar. Há ainda uma terceira onda relacionada à reivindicação de políticas públicas. Primeira onda A primeira onda esteve relacionada às mulheres de classe média alta e da elite. Segunda onda A segunda teve seu lócus de desenvolvimento nas universidades brasileiras, estando muito relacionada ao movimento estudantil, contexto no qual o feminismo encontra uma diversidade de classes maior. Terceira onda A terceira fase tem a ver com a institucionalização do movimento, com intensificação dos diálogos com o Estado e a construção de políticas públicas voltadas às necessidades apontadas historicamente pelo movimento. Nos dias de hoje, já se fala em uma quarta onda, marcada pelo ciberativismo, com a massificação do discurso feminista por meio das redes sociais. Assim como a luta antirracista, o feminismo é fundamental para a construção de uma sociedade igualitária, uma vez que o machismo, como o racismo, é um problema estrutural da sociedade: está na escola, no trabalho, nas leis do Estado, na moral, da educação, no ambiente familiar. • • • • • Cruz, em 2008, marca as proximidades do local do massacre em Eldorado do Carajás. Muito a propósito, o ambiente familiar tem sido apontado como o grande lugar de reprodução velada do machismo e das violências de gênero, abrigando relações de abuso moral e sexual. Ao longo do tempo, tais abusos têm minado a autoconfiança das mulheres, determinando para elas uma condição de silenciamento em que se misturam afetos, violências e proteção. Por esse motivo, o movimento feminista tem feito um apelo cada vez mais veemente pela ruptura dos silêncios que permitem que essas violências continuem acontecendo, como o incentivo às denúncias de estupro e abuso sexual. MST e MTST Movimentos sociais em destaque Neste vídeo, o especialista irá apresentar o impacto do MST, MTST, dos movimentos estudantil e ambientalista na sociedade brasileira atual, bem como os questionamentos e embates que são feitos às ações desses movimentos por setores da sociedade civil. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A questão social em torno da posse da terra existe, no Brasil, desde a promulgação da Lei de Terras, em 1850, quando optou-se por uma estrutura agrária baseada nos latifúndios. Curiosidade Ao regulamentar a propriedade privada rural em latifúndios, Dom Pedro II aumentou o poder das oligarquias ligadas ao Império. Nos dias de hoje, os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária se baseiam nos preceitos constitucionais de que a terra precisa cumprir uma função social e de que todo cidadão tem direito à moradia. Desse modo, um latifúndio improdutivo e um território urbano desocupado, diante da existência de trabalhadores que precisam de um lugar para morar – no caso das cidades – ou de espaço para trabalhar a terra – no caso do ambiente rural – podem ser ocupados e reivindicados perante o Estado. De fato, essas conquistas não são tão simples e envolvem, historicamente, muitas mortes e violência, como o episódio de Eldorado dos Carajás, nos anos 1990. Na ocasião, houve a morte de vários integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), principal movimento que luta pela resolução da questão agrária no país. Se o MST luta pela Reforma Agrária, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) reivindica uma reforma habitacional urbana. A desigualdade habitacional é uma realidade que impacta vários níveis da vida social, está na origem do surgimento das favelas a na sua perpetuação. Por sua vez, a concentração de terras reverbera na economia, nos preços e na qualidade dos alimentos que toda a população consome. O MST surgiu nos anos 1980, e o MTST, no final dos anos 1990. São movimentos exclusivamente brasileiros, embora a luta por terra e moradia ultrapasse as fronteiras nacionais sob outros nomes e outras bandeiras de luta, específicas de cada contexto. No caso do Brasil, esses movimentos vão além das questões jurídicas do Estado e do próprio direito à moradia e à terra que reivindicam, estabelecendo novas formas de vida e de sociedade, estranhas ao capitalismo global. Conheça a seguir algumas das iniciativas do MST: Educação alternativa O MST possui suas próprias escolas e universidades em acampamentos, e seus integrantes, muitas vezes, vivem de maneira itinerante, em função das ocupações que vão sendo feitas. Pedagogia adaptada Atualmente, o movimento abriga mais de 350 mil famílias e 2 mil escolas públicas com modelos pedagógicos adaptados e reconhecidos pelo Ministério da Educação. Produção orgânica Os acampamentos possuem uma expressiva produção de arroz orgânico, que tornou o Brasil o maior produtor desse gênero na América Latina. De modo semelhante, o MTST acaba por viabilizar um modelo de domesticidade alternativo ao tradicional, uma vez que os ativistas ocupam as propriedades ociosas conjuntamente, em um número relativamente grande de pessoas como forma de autoproteção contra violências dos proprietários que se veem lesados. É importante destacar que, embora a propriedade privada seja um bem e um valor na sociedade contemporânea, ela não pode estar além e acima de outras garantias básicas e não pode funcionar para a perpetuação das desigualdades e da exclusão. O fato de uma pessoa possuir vários imóveis enquanto outras não têm onde morar não pode ser visto com naturalidade. Mas, claro, essa é uma questão complexa, em que inúmeros pontos de vista devem ser abordados. Movimento estudantil e movimento ambientalista A história do movimento estudantil no Brasil está muito relacionada ao período da ditadura militar, quando os estudantes, organizados pelos Diretórios Centrais Estudantis de suas universidades e da UNE (União Nacional dos Estudantes), participavam ativamente de protestos, organizações de greves e manifestações de vários tipos. Acompanhe: 1938 UNE Foi a primeira grande associação estudantil de nível nacional, criada em 1938. Caras-pintadas em manifestação em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, em setembro de 1992. 1950 Expansão das universidades Os estudantes, animados com o clima de florescimento cultural do crescimento das faculdades e universidades, rapidamente se tornaram uma resistência organizada, influenciados pelas ideias de matriz marxista. 1968 Passeata dos Cem Mil Tratou-se de uma manifestação popular massiva contra o regime militar no Rio de Janeiro, que contou com o apoio de artistas, intelectuais e de parcelas significativas da sociedadecivil. 1990 Impeachment do Fernando Collor de Mello Os estudantes tiveram um papel importante na vida política do país em diversos outros momentos, como na década de 1990, no processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Como visto, a atuação do movimento estudantil não se restringiu aos anos do regime militar. O movimento estudantil, na década de 1990, arrebatou milhares de jovens no Brasil e ficou conhecido como os caras-pintadas, porque a juventude ia às ruas para protestar com o rosto pintado de verde e amarelo. O movimento ambientalista é outro movimento social brasileiro expressivo. Buscando cuidar do meio ambiente, essa causa está entrelaçada a muitas outras, tais como: a questão agrária, a demarcação de terras indígenas, a questão animal e patrimonial. Trata-se de um movimento que atua por meio de ações diretas de preservação do meio ambiente, como despoluição de rios e educação ambiental. Saiba mais O movimento ambientalista teve sua origem na Segunda Guerra Mundial, quando bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki alertaram o mundo sobre os riscos reais do potencial de destruição humano do planeta. Nos últimos anos, cada vez mais, os movimentos e as causas indígenas têm confluído para os movimentos ambientalistas, ganhando projeção e intensificando seu diálogo com o Estado dessa maneira. Integrantes da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas em agosto de 2019. No Brasil, o movimento ambientalista é importante em função da causa histórica que é a preservação da Amazônia. A Amazônia brasileira abriga muitos povos indígenas, além de uma inestimável riqueza natural, que rendeu a esse ecossistema o título de “pulmão do mundo”. Além disso, a Amazônia brasileira possui culturas importantes do ponto de vista do ambientalismo, pois estão familiarizadas com a vida na floresta e sua preservação, como é o caso do extrativismo vegetal de frutos em pequena escala e a cultura da borracha. A Amazônia legal estende-se para além do território nacional, como sabemos. Também em outros países, há movimentos que buscam sua preservação, por meio da conscientização e proteção dos povos originais. No Equador (CUEVA, 1993), há um expressivo movimento de defesa ecológica e indígena, como a Confeniae (Confederação Nacional Indígena da Amazônia Equatoriana) e a Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador), ambas nascidas na década de 1980. O fator étnico foi importante na organização de movimentos indígenas no Equador em função da homogeneidade cultural da população indígena nesse país. Políticas públicas Neste vídeo, o especialista irá apresentar a importância das políticas públicas no contexto de uma sociedade democrática, bem como suas contradições no âmbito do Estado capitalista. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. As políticas públicas são soluções do Estado para problemas que afetam a população. Nas áreas discutidas aqui por meio do tema dos movimentos sociais, muitas políticas públicas passaram a existir e foram implementadas graças à pressão e atuação da população organizada em torno de grandes causas. Há alguns tipos de políticas públicas diferentes, conforme podemos classificá-las. Por exemplo, há políticas públicas redistributivas e políticas públicas de natureza regulatória. Vejamos como cada uma delas se classifica: Políticas públicas regulatória Essas políticas visam aprimorar leis ou fiscalizar o seu cumprimento, como é o caso da Política Nacional de Recursos Hídricos, que contém diretrizes e metas para a utilização dos nossos recursos hídricos. Políticas públicas redistributivas Essas políticas visam rever alguma distribuição de recursos considerada injusta, como é o caso da Política de Reforma Agrária. Sem nos demorarmos em explorar cada uma delas, e apenas a título de exemplo relacionado ao que viemos discutindo até aqui, é importante destacar algumas políticas públicas que são resultado das lutas de movimentos sociais, como: as políticas de ação afirmativa, como a da Lei de Cotas Raciais e Socioeconômicas;• as políticas estabelecidas pela Lei Maria da Penha para proteção da mulher em situação de violência doméstica; a política nacional do meio ambiente; o Programa Universidade Para Todos; e o Prolind, que promove cursos de formação superior para professores indígenas. Poderíamos citar muitas outras políticas públicas. O importante é compreender, a partir das discussões que fizemos, que as políticas públicas servem ao propósito de efetivar direitos previstos pela Constituição Federal. Portanto, trata-se do reconhecimento do Estado da necessidade de cumprir com o dever de uma gestão adequada da população e de suas necessidades. Verificando o aprendizado Questão 1 As origens do movimento ambientalista organizado remontam a um triste episódio da história da humanidade, que é A a escravidão de povos de África e indígenas. B a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki. C o aumento do buraco na camada de ozônio. D a Queda da Bastilha. E o massacre de Eldorado. A alternativa B está correta. As origens do movimento ambientalistas são atribuídas ao ano de 1945, quando houve a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. Quando da escravidão dos povos colonizados, não havia ainda movimento ambientalista estruturado, nem no período da Queda da Bastilha. Questão 2 O movimento feminista costuma ser dividido em ondas, para efeito de análise. A primeira onda do movimento feminista, no caso do Brasil, • • • • A começa com a reinvindicação do direito ao voto feminino. B é marcada pelo feminismo negro. C é um movimento de mulheres do povo. D começa em 2000. E é marcada pelo ciberativismo. A alternativa A está correta. A primeira onda do movimento brasileiro se inspira no movimento europeu e é um movimento das mulheres de classe média e da elite nacional na luta pelo direito ao voto. O feminismo negro e as pautas mais populares são reconhecidas depois como parte do movimento feminista. A última onda, chamada de quarta onda, é a que vivemos atualmente, desde os anos 2000, marcada pelo papel da internet e redes sociais na divulgação das pautas. 4. Conclusão Considerações finais As sociedades das mais diversas culturas se organizam de diferentes maneiras. O Estado é apenas uma dessas maneiras. Nas grandes sociedades contemporâneas, essa forma de organização passa a produzir diferenças e desigualdades, desde que o sistema capitalista se tornou hegemônico no mundo, estruturando a economia e estratificando a sociedade civil. Os movimentos sociais procuram lutar pelo reconhecimento de causas que denunciam a exclusão e privam certos grupos de direitos e benefícios. Compreender como essas dinâmicas se desenvolveram e se desenvolvem nos dias de hoje pode orientar o entendimento das transformações e permanências de nossas formas de vida como sociedade, fornecendo recursos para uma perspectiva crítica fundamentada nas formações históricas e nos processos políticos atuais. Podcast Vamos ficar atentos, agora, a um panorama geral de nosso estudo, pela ótica e experiência profissional de um cientista social. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Para complementar o seu conhecimento no assunto estudado: Assista ao filme Amadeus, inspirado na vida de Mozart e ambientado na Viena do século XVIII, e perceba o florescimento e a agitação cultural da elite intelectual promovida pelo Iluminismo. Leia o texto Serviço social e antagonismos de classe, de Ana Carolina Cantuária, apresentado no XVI Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social, e perceba como também é fundamental o suporte do Projeto Ético-Político Profissional. Leia o artigo A “luta de classes” é real – só que os lados opostos são diferentes do que imagina a esquerda, de Matt McCaffrey, e a reportagem A reforma agrária, o MST e o direito de propriedade privada, de Ariel Marcos, e acolha-os como conteúdo de contraponto às temáticas estudadas,a fim de aprofundar o assunto de forma ainda mais consistente. Leia a reportagem Por que você deve conhecer a vida e a obra de John Stuart Mill?, de Pedro Henrique Alves, e compare a visão desse filósofo à abordagem estudada. Referências CUEVA, A. Os movimentos sociais no Equador contemporâneo: o caso do movimento indígena. Revista de Ciências Humanas, v. 9, n. 13, 1993. DESCARTES, R. Discurso sobre o método. São Paulo: Martins Fontes, 1996. GROPPO. L. A. A revolta mundial da juventude e o Brasil. Estudos da UCDB, 2008. • • • • IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Aglomerações subnormais. 2019. Consultado na internet em: 02 dez. 2022. MAQUIAVEL. N. O príncipe. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. MARX, K. O Capital. Livro I – Crítica da economia política: O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2013. MONTESQUIEU, B. Do espírito das leis. São Paulo: Abril Cultural, 1979. ROUSSEAU, J. Do contrato social. Coleção Os Pensadores. 2. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. TOCQUEVILLE, A. A democracia na América. Livro 1 – Leis e costumes. São Paulo: Martins Fontes, 2005. WEBER, M. A objetividade do conhecimento nas Ciências Sociais. In: COHN, G.; FERNANDES, F. Weber – Sociologia. Coleção Grandes Cientistas Sociais, v. 13. São Paulo: Ática, 1999, p. 79-127. ZAMBONI, M. Marcadores sociais. Sociologia especial, 2018. Consultado na internet em: 02 dez. 2022. Classes sociais e sociedade civil 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Classes sociais e sociedade civil: conceitos Surgimento e transformações no conceito de Estado Os iluministas e o Estado Moderno Conteúdo interativo Origens do Estado Moderno A burocracia A força militar O sistema de leis e normas unificado Iluminismo e reconfiguração do Estado Rousseau e a teoria do contrato social Revolução Francesa e a importância da sociedade civil Democracia: da Grécia Clássica ao Mundo Contemporâneo Conteúdo interativo Democracia Direta Representativa Participativa Revolução Francesa Monarquia Constitucional Convenção Diretório Consulado Império A sociedade civil Classes sociais e sociedade civil no contexto do capitalismo Conteúdo interativo Associativismo em Tocqueville Exemplo Capitalismo e surgimento das classes sociais Verificando o aprendizado 2. Consciência social e de classe no capitalismo Classes e diferenças sociais no Brasil de hoje Conteúdo interativo Castas Estamentos Classes sociais Marcadores sociais da diferença Conteúdo interativo A importância das margens: centros e periferias Consciência social e participação política Conteúdo interativo Saiba mais Atenção Consciência social e participação política Atenção Verificando o aprendizado 3. Movimentos sociais no Brasil e na América Latina Movimento negro no Brasil e nos Estados Unidos Conteúdo interativo Curiosidade Movimento feminista Primeira onda Segunda onda Terceira onda MST e MTST Movimentos sociais em destaque Conteúdo interativo Curiosidade Educação alternativa Pedagogia adaptada Produção orgânica Movimento estudantil e movimento ambientalista UNE Expansão das universidades Passeata dos Cem Mil Impeachment do Fernando Collor de Mello Saiba mais Políticas públicas Conteúdo interativo Políticas públicas regulatória Políticas públicas redistributivas Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências