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COMO É A GESTÃO DE RISCO NA NOVA VERSÃO DA ISO 9001? Para a ISO 9001 risco é o efeito da incerteza que pode causar um desvio daquilo que se espera que ocorra quando se planeja algo, onde esta incerteza, ainda que parcial, provenha de deficiência de informação, de compreensão ou de conhecimento relacionado a um evento, sua consequência ou sua probabilidade. Mas a palavra risco também pode ser utilizada quando há somente a possibilidade de consequências negativas, algo como “existe um risco do pneu furar na viagem”. Frequentemente o risco pode ser também expresso em termos de uma combinação das consequências de um evento, incluindo mudanças em circunstâncias, e a “probabilidade” associada de sua ocorrência. Uma matriz tipo GUT pode ajudar bastante nisso, onde se mede G (gravidade), U (urgência) e T (tendência) dando uma mensura ao risco e isto pode ser associado em relação a probabilidade deste evento inesperado ocorrer. O tema está muito claro agora na nova versão da ISO 9001, mas não estava totalmente de fora nas versões anteriores, pois estava associado às ações preventivas, uma vez que são ações tomadas para problemas potenciais, isto é, aqueles que ainda não aconteceram, mas tem o “risco” de acontecer. Assim, a norma introduziu num novo requisito (6.1) algo que parece bastante evidente para qualquer organização que deseje prevenir problemas: quando se elabora o planejamento para o sistema de gestão da qualidade, a organização deve determinar os riscos e as oportunidades que devem ser direcionadas para: 1) dar garantias de que o sistema de gestão da qualidade pode atingir o seu resultado pretendido; 2) prevenir, ou reduzir, os efeitos indesejáveis; 3) alcançar a melhoria contínua. Como ver isso na prática? Fácil! Reflita sobre o que pode deixar seu cliente insatisfeito. Primeiramente, o que deixa um cliente insatisfeito é a organização não cumprir aquilo que combinou, seja quanto ao prazo combinado (data de entrega), seja quanto ao volume combinado (quantidade a entregar), e seja quanto às especificações acordadas (características de qualidade acordadas e intrínsecas). Identificando claramente o que pode causar esta insatisfação, cabe identificar suas causas, planejar (P) contramedidas preventivas para evitar que ocorram, colocar em prática (D), verificar se tudo deu certo e foi efetivo na contenção do risco (C), analisar e tomar ações para melhorar as ações caso o risco ainda se manifeste ou buscando patamares mais elevados de segurança (A). Como pode ver, aí está o PDCA sendo aplicado ao conceito de ação preventiva, então na verdade, a nova versão da ISO 9001 não “eliminou” a ação preventiva, só a deixou como elemento de ação que decorre da gestão de riscos. O que pode inviabilizar atender cliente no prazo? Se for problemas com transportadora, que tal ter uma carta na manda, trabalhar com mais de uma opção (ação preventiva)? O que pode inviabilizar atender o cliente quando à quantidade combinada? Se for problemas com quebra de máquinas, que tal aprimorar as manutenções preventivas e preditivas ou começar um programa de TPM (ação preventiva)? O que pode inviabilizar atender o cliente em sua especificação? Um sistema de gestão da qualidade bem estruturado certamente tem como foco principal ajudar nisto. Obviamente, as ações tomadas para enfrentar os riscos devem ser proporcionais ao impacto potencial sobre a conformidade dos produtos e serviços, e entre as opções para enfrentar riscos e as oportunidades podem incluir: evitar riscos, assumir risco a fim de buscar uma oportunidade, eliminando a fonte de risco alterando a probabilidade ou consequências, compartilhando o risco ou retenção do risco por decisão informada. Como exemplo, alguns segmentos já trazem em seu DNA da qualidade ferramentas de gestão bastante contundentes para a gestão de riscos, como é o caso do HACCP (Análise de Perigos em Pontos Críticos de Controle) na indústria de alimentos e o FMEA (Análise do Modo e Efeito das Falhas) no setor eletromecânico. Sua aplicação não tem toda a amplitude que a ISO 9001 propõe, pois são ferramentas focadas em qualidade intrínseca, no caso de um alimento não conter contaminantes físicos, químicos ou microbiológicos que possam causar danos à saúde de um consumidor; numa peça ou num componente eletrônico mão apresentar falhas quando em uso. Mas o conceito em si, pode se estendido e se aplicar para prevenir não atendimento de exigências acordadas com clientes através de especificações (qualidade percebida) ou mesmo para prevenir riscos contratuais (prazos e quantidades). Como usuário da ISO 9001, vi com bastante entusiasmo a introdução do assunto gestão de riscos, pois dará o devido valor ao tema “ações preventivas” apesar dele não aparecer mais como requisito, mas como elemento obrigatório para atender um plano de gestão de riscos, e como no dito popular “prevenir é melhor que remediar”, afinal economiza recursos, evita aborrecimentos com clientes e custos de não qualidade.