Prévia do material em texto
Resumo **Prazo de Decadência no Direito Tributário** * O prazo de decadência para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é sempre de cinco anos, contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. * A contagem do prazo inicia-se no meio do dia do exercício financeiro posterior ao lançamento que não deveria ter sido efetuado. * O artigo 73 do Código Tributário Nacional (CTN) regula essa contagem, com destaque para o inciso 1 e o inciso 2, que traz uma situação nova relacionada a vícios formais na constituição do crédito tributário. **Vício Formal e Desconstituição do Crédito Tributário** * O inciso 2 do artigo 73 trata da hipótese em que o crédito tributário é desconstituído por vício formal, como no caso da notificação feita por edital sem tentativa de notificação pessoal, violando a Constituição Municipal (Eurogânica). * Exemplo prático: fiscalização do IPTU em Campos com uso de drones, cuja notificação foi considerada inválida por vício formal, resultando na anulação do lançamento. * A notificação prevista no artigo 145 é ato definitivo que constitui o lançamento; se feita de forma irregular, pode levar à desconstituição do crédito. * Mesmo após a desconstituição por vício formal, a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos para constituir novamente o crédito, contado da data do trânsito em julgado da decisão que anulou o lançamento. **Contagem e Antecipação do Prazo Decadencial** * A contagem do prazo decadencial pode ser antecipada se a fiscalização iniciar o processo antes do primeiro dia do exercício financeiro seguinte. * A partir do momento em que a fiscalização toma conhecimento da obrigação tributária e inicia o processo, o prazo de cinco anos começa a correr, independentemente da regra geral. * A inércia da Fazenda Pública é fundamental para caracterizar a decadência, pois o direito existe, mas não é exercido dentro do prazo legal. **Prescrição e Suspensão do Prazo** * A prescrição é o prazo para a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário, que também é de cinco anos, contado da constituição definitiva do crédito. * Diferentemente da decadência, a prescrição pode ser suspensa ou interrompida em determinadas situações, como durante o processo administrativo ou judicial. * A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, prevista no artigo 151 do CTN, impede a cobrança enquanto durar a suspensão, e o prazo prescricional fica suspenso nesse período. * Exemplos de suspensão incluem impugnação, recurso administrativo e outras medidas que impedem a exigibilidade do crédito. **Constituição Definitiva do Crédito Tributário** * A constituição definitiva pode ocorrer por meio de notificação formal, entrega de declaração ou decisão judicial transitada em julgado. * A entrega da declaração é considerada uma forma de constituição do crédito, chamada de notificação às avessas, pois informa o fisco sobre a obrigação tributária. * O protesto extrajudicial em cartório é um instrumento utilizado para constituir o crédito e interromper o prazo prescricional, especialmente para valores baixos que não justificam execução fiscal. **Interrupção do Prazo Prescricional** * O protocolo da ação de execução fiscal é suficiente para interromper o prazo prescricional, reiniciando a contagem do prazo. * A inércia exclusiva do Judiciário pode levar à prescrição, mas o protocolo da ação interrompe essa inércia, descaracterizando a prescrição por culpa do Judiciário. **Aspectos Práticos e Casos Reais** * Discussão sobre a importância da movimentação processual para evitar a prescrição, destacando a necessidade de acompanhamento ativo dos processos judiciais e administrativos. * Exemplos de situações em que a inércia do exequente (Fazenda Pública) e do Judiciário resultaram em prescrição do crédito tributário. * Reflexão sobre a burocracia e a necessidade de desburocratização para agilizar processos e evitar perdas financeiras. **Resumo dos Conceitos Fundamentais** * Decadência: prazo para constituição do crédito tributário, cinco anos, não suspende, não interrompe, inicia-se com a inércia da Fazenda Pública. * Prescrição: prazo para cobrança do crédito tributário, cinco anos, pode ser suspensa ou interrompida, inicia-se com a constituição definitiva do crédito. * Vício formal: irregularidade na constituição do crédito que pode levar à desconstituição e reinício do prazo decadencial. * Notificação: ato formal que constitui o lançamento e inicia a contagem dos prazos. * Suspensão da exigibilidade: impede a cobrança e suspende o prazo prescricional. **Considerações Finais e Próximos Passos** * A importância do conhecimento detalhado dos prazos e procedimentos para a correta atuação na área tributária. * A próxima aula abordará temas relacionados à administração sanitária e transmissão pela internet, complementando o estudo jurídico com aspectos práticos. Esta aula trouxe uma análise aprofundada sobre os prazos decadenciais e prescricionais no direito tributário, destacando a importância da notificação, vícios formais, suspensão e interrupção dos prazos, além de exemplos práticos e reflexões sobre a atuação da Fazenda Pública e do Judiciário.