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AULA 5 - MAX WEBER E A TEORIA DA BUROCRACIA • Conhecer as Origens da Teoria Burocrática; e suas características e melhoria nos processos. CONTEXTUALIZANDO A APRENDIZAGEM Prezado(a) aluno(a), vimos na aula anterior a importância da Teoria da Decisão e Racionalização, da negociação e as Novas Proposições sobre Liderança. Nessa quinta aula estudaremos a Teoria da Burocracia proposto de Max Weber que baseia-se na organização humana racional, onde a sua análise deve ser de maneira totalmente impessoal e formal no intuito de alcançar o resultado buscado, veremos que o estudo de Weber tem como objetivo a eficiência organizacional, seu estudo cronologicamente antecede a Abordagem Comportamental, porém com grande influência na TGA. Preparado(a) para conhecer Max Weber? Mapa mental panorâmico Para contextualizar e ajudá-lo(a) a obter uma visão panorâmica dos conteúdos que você estudará na Aula 5, bem como entender a inter- relação entre eles, é importante que se atente para o Mapa Mental, apresentado a seguir: MAX WEBER E A TEORIA DA BUROCRACIA 1 ABORDAGEM ESTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO 1.1 MODELO BUROCRÁTICO DE ORGANIZAÇÃO: SUA ORIGEM E DESENVOLVIMENTO 1.2 CARACTERÍSTICAS DA BUROCRACIA, SEGUNDO WEBER 1.3 VANTAGENS DA BUROCRACIA 1.4 DISFUNÇÕES DA BUROCRACIA 1.5 MODELO BUROCRÁTICO DE MERTON 1.6 O MODELO BUROCRÁTICO DE SELZNICK 1.7 GRAUS DE BUROCRATIZAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES E O MODELO DE GOULDNER 1.8 AS DIMENSÕES DA BUROCRACIA 2 APRECIAÇÃO CRÍTICA DA TEORIA DA BUROCRACIA MAX WEBER E A TEORIA DA BUROCRACIA 1 ABORDAGEM ESTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO “No início do século XX, MAX WEBER, um sociólogo alemão, publicou uma bibliografia a respeito das grandes organizações da sua época. Deu-lhes o nome de burocracia e passou a considerar o século XX como o século das burocracias, pois achava que essas eram as organizações características de uma nova época, plena de novos valores e de novas exigências”. (2004 p.254) O aparecimento das burocracias coincidiu com o despontar do capitalismo, graças a inúmeros fatores, dentre os quais a economia do tipo monetário, o mercado de mão-de-obra, o aparecimento do estado-nação centralizado e a divulgação da ética protestante que enfatizava o trabalho como um dom de Deus e a poupança como forma de evitar a vaidade e a ostentação. Chiavenato (2004) Chiavenato (2004 p.254) conceitua o surgimento histórico da burocracia “a partir da era vitoriana como decorrência da necessidade que as organizações sentiram de ordem e de exatidão e das reivindicações dos trabalhadores por um tratamento justo e imparcial. O modelo burocrático de Weber surgiu como uma reação contra a crueldade, o nepotismo e os julgamentos tendenciosos e parcialistas, típicos das práticas administrativas desumanas e injustas do início da Revolução Industrial. Basicamente, a burocracia foi uma invenção social aperfeiçoada no decorrer da Revolução Industrial, embora tenha suas raízes na Antiguidade histórica, com a finalidade de organizar detalhadamente e de dirigir rigidamente as atividades das empresas com a maior eficiência possível.” Silva (2013 p.146) cita que “a burocracia, a Teoria Administrativa e a Administração Científica são três correntes da perspectiva clássica; nessas correntes, as organizações têm sido vistas, em larga escala, como estruturas mecanicistas”. O século XX representa o século da burocracia. A organização burocrática é monocrática e está sustentada no direito de propriedade privada. Os dirigentes das organizações burocráticas - sejam os proprietários ou não - possuem um poder muito grande e elevado status social e econômico. Passaram a constituir uma poderosa classe social. (Chiavenato 2004) O surgimento, expansão e proliferação da burocracia por meio da abordagem estruturalista deu uma maior visão à teoria administrativa, que até este momento era voltada apenas aos fenômenos internos da organização. Na abordagem estruturalista, além daqueles fenômenos, também existia uma visão interorganizacional, ou seja, o conhecimento que extrapola os limites internos da empresa e é compartilhado com outras organizações. Chiavenato (2004 p.255) diz que a partir deste momento “a abordagem estruturalista se impõe definitivamente sobre a Abordagem Clássica e a Abordagem das Relações Humanas. Embora predomine a ênfase na estrutura, a visão teórica ganha novas dimensões e novas variáveis. A Abordagem Estruturalista (“Estruturalismo é uma palavra muito usada para definir uma abordagem de pensamento, tendo como ponto de vista uma sociedade e sua cultura formadas por estruturas, na qual essa sociedade irá tomar para si uma base para a criação ou continuação da língua, economia, comportamento, costumes e muitos outros pontos que são de extrema importância para a formação de um povo”) será estudada por meio da Teoria da Burocracia e da Teoria Estruturalista”. Figura 1 - Os desdobramentos da abordagem estruturalista Fonte: Chiavenato (2004, p.255) Prezado(a) aluno(a) para saber mais sobre Max Weber leia o texto: A biografia e pensamentos de Max Weber, clicando aqui. Não deixe de conferir! Chiavenato (2004 p.256) afirma que “Embora tivesse escrito sobre a burocracia décadas antes, foi somente com a tradução do alemão para o inglês em 1947 que Max Weber - considerado o fundador do movimento que se iniciou na sociologia - passou a ser conhecido e discutido nos meios acadêmicos e empresariais. A abordagem estruturalista é um movimento que provocou o surgimento da sociologia das organizações e que iria criticar e reorientar os caminhos da teoria administrativa. A década de 1940 foi particularmente tumultuada em função da Segunda Guerra Mundial que eclodiu na Europa e que galvanizou todos os esforços dos países nela envolvidos. E também das organizações”. Para se entender a Teoria Burocrática da Administração é preciso, primeiro, entender o que é burocracia. Não estamos falando do conceito popular de burocracia, que se refere à uma estrutura emperrada, geralmente encontrada em instituições públicas. Aqui, apresentamos outro conceito: o da burocracia como solução para que as organizações evitem arbitrariedades. Estamos nos referindo ao termo cunhado pelo sociólogo, cientista político e economista Max Weber (1864-1920). https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/max-weber.htm 1.1 MODELO BUROCRÁTICO DE ORGANIZAÇÃO: SUA ORIGEM E DESENVOLVIMENTO Chiavenato (2004, p.258) afirma que “A Teoria da Burocracia desenvolveu-se na Administração por volta da década de 1940, em função dos seguintes aspectos”: 1. A fragilidade e a parcialidade da Teoria Clássica e da Teoria das Relações Humanas, ambas oponentes e contraditórias, mas sem possibilitarem uma abordagem global e integrada dos problemas organizacionais. Ambas revelam pontos de vista extremistas e incompletos sobre a organização, gerando a necessidade de um enfoque mais amplo e completo. 2. A necessidade de um modelo de organização racional capaz de caracterizar todas as variáveis envolvidas, bem como o comportamento dos membros dela participantes, e aplicável não somente à fábrica, mas a todas as formas de organização humana e principalmente às empresas. 3. O crescente tamanho e complexidade das empresas passaram a exigir modelos organizacionais mais bem-definidos. Milhares de homens e mulheres colocados em diferentes setores de produção e em diferentes níveis hierárquicos: os engenheiros e administradores no alto da pirâmide e os operários na base. Devem executar tarefas específicas e ser dirigidos e controlados. Tanto a Teoria Clássica como a Teoria das Relações Humanas mostraram-se insuficientes para responder à nova situação. 4. O ressurgimento da Sociologia da Burocracia, a partir da descoberta dos trabalhos de Max Weber, seu criador. A Sociologia da Burocracia propõe um modelo de organização e as organizações não tardaram em tentar aplicá-lo na prática, proporcionando as bases da Teoria da Burocracia. Para Chiavenato (2004 p.257) o conceito de burocracia é“uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos. As origens da burocracia remontam à época da Antiguidade”. Maximiano (2000 p.62) diz que “Weber não tentou definir as organizações, nem estabelecer padrões de administração que elas devessem seguir. Seu tipo ideal não é um modelo prescritivo, mas uma abstração descritiva”. Silva (2013 p.148) informa que Weber em seus estudos “procurava estabelecer estrutura, estabilidade e ordem às organizações por meio de uma hierarquia integrada de atividades especializadas, definidas por regras sistemáticas”. Chiavenato (2004 p.258) distingue como três tipos de sociedade para Weber: 1.Sociedade tradicional: onde predominam características patriarcais e patrimonialistas, como a família, o clã, a sociedade medieval etc. 2.Sociedade carismática: onde predominam características místicas, arbitrárias e personalísticas, como nos grupos revolucionários, nos partidos políticos, nas nações em revolução etc. 3.Sociedade legal, racional ou burocrática: onde predominam normas impessoais e racionalidade na escolha dos meios e dos fins, como nas grandes empresas, nos estados modernos, nos exércitos etc. (CHIAVENATO, 2004, p.258) Para Chiavenato (2004 p.259) Weber distingue tipos de autoridade definindo que “A cada tipo de sociedade corresponde, para Weber, um tipo de autoridade.” Autoridade significa a probabilidade de que um comando ou ordem específica seja obedecido e representa o poder institucionalizado e oficializado. Poder implica potencial para exercer influência sobre as outras pessoas e significa, para Weber, a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social, mesmo contra qualquer forma de resistência e qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade. O poder, portanto, é a possibilidade de imposição de arbítrio por parte de uma pessoa sobre a conduta das outras. A autoridade proporciona o poder: ter autoridade é ter poder. A recíproca nem sempre é verdadeira, pois ter poder nem sempre significa ter autoridade. A autoridade, e o poder dela decorrente, depende da legitimidade que é a capacidade de justificar seu exercício. A legitimidade é o motivo que explica por que um determinado número de pessoas obedece às ordens de alguém, conferindo-lhe poder. Essa aceitação ou justificação do poder é chamada legitimação. Entenda que a autoridade é legítima quando é aceita. Se a autoridade proporciona poder, o poder conduz à dominação que significa a vontade (ordem) manifestada pelo dominador influencia a conduta dos outros (dominados) de tal forma que o conteúdo da ordem, por si mesma, se transforma em norma de conduta (obediência) para os subordinados. Sendo assim, a dominação é uma relação de poder na qual o governante ou dominador (pessoa que impõe seu arbítrio sobre as demais) acredita ter o direito de exercer o poder e os governados ou dominados consideram como obrigação obedecer às ordens. As crenças que legitimam o exercício do poder existem tanto na mente do líder como na dos subordinados e determinam a relativa estabilidade da dominação. Weber estabelece uma tipologia de autoridade, baseando-se não nos tipos de poder utilizados, mas nas fontes e tipos de legitimidade aplicados. “A dominação requer um aparato administrativo, isto é, a dominação, principalmente quando exercida sobre um grande número de pessoas e um vasto território, necessita de pessoal administrativo para executar as ordens e servir como ponto de ligação entre o governo e os governados. Para Mouzelis, a legitimação e o aparato administrativo constituem os dois principais critérios para a tipologia weberiana que passaremos a discutir.” Chiavenato (2004 p.259) Chiavenato (2004, p.260 e 261) diz que Weber definiu três os tipos de autoridade são elas: 1. Autoridade Tradicional Quando os subordinados aceitam as ordens dos superiores como justificadas, porque essa sempre foi a maneira pela qual as coisas foram feitas. A dominação tradicional ou típica da sociedade patriarcal, quando envolve grande número de pessoas e um vasto território, pode assumir duas formas de aparato administrativo para garantir sua sobrevivência: • Forma patrimonial, na qual os funcionários que preservam a dominação tradicional são os servidores pessoais do senhor, como por exemplo: parentes, favoritos, empregados e outros, e são geralmente dependentes economicamente dele. • Forma feudal, na qual o aparato administrativo apresenta maior grau de autonomia em relação ao senhor. Os funcionários, considerados vassalos ou suseranos, são aliados do senhor e lhe prestam um juramento de fidelidade. Em virtude deste contrato, os vassalos exercem uma jurisdição independente, dispõem de seus próprios domínios administrativos e não dependem do senhor no que tange a remuneração e subsistência. 2. Autoridade Carismática Quando os subordinados aceitam as ordens do superior como justificadas, por causa da influência da personalidade e da liderança do superior com o qual se identificam. A legitimação da autoridade carismática provém das características pessoais carismáticas do líder e da devoção e arrebatamento que impõe aos seguidores. 3. Autoridade Legal, Racional ou Burocrática Quando os subordinados aceitam as ordens dos superiores como justificadas, porque concordam com certos preceitos ou normas que consideram legítimos e dos quais deriva o comando. É o tipo de autoridade técnica, meritocrática e administrada. Baseia-se na promulgação. Na dominação legal, a crença na justiça da lei é o sustentáculo da legitimação. O povo obedece às leis porque acredita que elas são decretadas por um procedimento escolhido pelos governados e pelos governantes. Maximiano (2000, p.63) aborda o assunto em concordância com Chiavenato (2004) com abordagem diferente onde cita que a atenção de Weber foi baseada no processo autoridade-obediência e apresenta três tipos de autoridades, conforme mostra o Quadro 1. Quadro 1 - Três tipos de autoridade segunda Max Weber Fonte: Maximiano (2000, p.63) Tabela 1 - Tipologia de sociedade e tipologia de autoridade e suas características segundo Weber Fonte: Chiavenato (2004 p.261) A burocracia, segundo Chiavenato (2004), “é a organização típica da sociedade moderna democrática e das grandes empresas e existe na moderna estrutura do Estado, nas organizações não-estatais e nas grandes empresas. Por meio do contrato ou instrumento representativo da relação de autoridade dentro da empresa capitalista, as relações de hierarquia passam a constituir esquemas de autoridade legal”. Chiavenato (2004, p.262) cita três fatores identificado por Weber para o desenvolvimento da burocracia são eles: A moeda não apenas facilita, mas racionaliza as transações econômicas. Isso porque, na burocracia, a moeda assume o lugar da remuneração em espécie para os funcionários, permitindo a centralização da autoridade e o fortalecimento da administração burocrática. Apenas um tipo burocrático de organização poderia arcar com a enorme complexidade e tamanho de tais tarefas. Serviu como a força autônoma interna para impor sua prevalência. A razão decisiva da superioridade da organização burocrática foi sua superioridade técnica sobre qualquer outra forma de organização. Chiavenato (2004, p.268) afirma que “O modelo concebido com antecipação por Max Weber foi utilizado por grandes organizações modernas, como General Motors, Philips, Sears Roebuck, Ford etc”. 1.2 CARACTERÍSTICAS DA BUROCRACIA, SEGUNDO WEBER Chiavenato (2004 p.262) faz uma comparação de burocracia onde sintetiza que “Segundo o conceito popular, a burocracia é entendida como uma organização onde o papelório se multiplica e se avoluma, impedindo soluções rápidas ou eficientes. O termo também é empregado com o sentido de apego dos funcionários aos regulamentos e rotinas, causando ineficiência à organização. O leigo passoua dar o nome de burocracia aos defeitos do sistema (disfunções) e não ao sistema em si mesmo. O conceito de burocracia para Max Weber é exatamente o contrário. Para ele, a burocracia é a organização eficiente por excelência. Para conseguir eficiência, a burocracia explica nos mínimos detalhes como as coisas deverão ser feitas”. As características da Teoria da burocracia segundo Max Weber, são as seguintes Segundo Chiavenato (2004): a burocracia é uma organização ligada por normas e regulamentos estabelecidos previamente por escrito. a burocracia é uma organização ligada por comunicações escritas. As regras, decisões e ações administrativas são formuladas e registradas por escrito. a burocracia é uma organização que se caracteriza por uma sistemática divisão do trabalho. A divisão do trabalho atende a uma racionalidade, isto é, ela é adequada aos objetivos a serem atingidos: a eficiência da organização. a distribuição das atividades é feita impessoalmente, ou seja, em termos de cargos e funções e não de pessoas envolvidas. Daí o caráter impessoal da burocracia. a burocracia é uma organização que estabelece os cargos segundo o princípio da hierarquia. Cada cargo inferior deve estar sob o controle e supervisão de um posto superior. a burocracia é uma organização que fixa as regras e normas técnicas para o desempenho de cada cargo. O ocupante de um cargo - o funcionário - não faz o que deseja, mas o que a burocracia impõe que ele faça. a burocracia é uma organização na qual a escolha das pessoas é baseada no mérito e na competência técnica e não em preferências pessoais. A seleção, a admissão, a transferência e a promoção dos funcionários são baseadas em critérios de avaliação e classificação válidos para toda a organização e não em critérios particulares e arbitrários. a burocracia é uma organização que se baseia na separação entre a propriedade e a administração. Os membros do corpo administrativo estão separados da propriedade dos meios de produção. Em outros termos, os administradores da burocracia não são seus donos, acionistas ou proprietários. O dirigente não é necessariamente o dono do negócio ou grande acionista da organização, mas um profissional especializado na sua administração. a burocracia é uma organização que se caracteriza pela profissionalização dos participantes. Cada funcionário da burocracia é um profissional, pois: a) É um especialista: cada funcionário é especializado nas atividades do seu cargo. Sua especialização varia conforme o nível hierárquico. Enquanto os que ocupam posições no topo da organização são generalistas, à medida que se desce nos escalões hierárquicos, os que ocupam posições mais baixas vão se tornando gradativamente mais especialistas. b) É assalariado: os funcionários da burocracia participam da organização e, para tanto, recebem salários correspondentes ao cargo que ocupam. Quanto mais elevado o cargo na escala hierárquica, maior o salário e, obviamente, o poder. c) É ocupante de cargo: o funcionário da burocracia é um ocupante de cargo e seu cargo é sua principal atividade dentro da organização, tomando todo o seu tempo de permanência nela. O funcionário não ocupa um cargo por vaidade ou honraria, mas porque é o seu meio de vida, o seu ganha-pão. d) É nomeado pelo superior hierárquico: o funcionário é um profissional selecionado e escolhido por sua competência e capacidade, nomeado (admitido), assalariado, promovido ou demitido da organização pelo seu superior hierárquico. e) Seu mandato é por tempo indeterminado: quando um funcionário ocupa um cargo dentro da burocracia, o tempo de permanência no cargo é indefinido e indeterminado. f) Segue carreira dentro da organização: à medida que um funcionário demonstre mérito, capacidade e competência, ele pode ser promovido para outros cargos superiores. g) Não possui a propriedade dos meios de produção e administração: o administrador gere a organização em nome dos proprietários, enquanto o funcionário, para trabalhar, precisa das máquinas e equipamentos fornecidos pela organização. Como as máquinas e equipamentos vão-se tornando sofisticados pela tecnologia e, portanto, mais caros, somente as organizações têm condições financeiras de adquiri-los. Daí as organizações assumem o monopólio dos meios de produção. h) É fiel ao cargo e identifica-se com os objetivos da empresa: o funcionário passa a defender os interesses do cargo e da organização, em detrimento dos demais interesses envolvidos. i) Administrador profissional tende a controlar cada vez mais as burocracias: as burocracias são dirigidas e controladas por administradores profissionais, pelas seguintes razões: • Aumento do número de acionistas das organizações, ocasionando dispersão e fragmentação da propriedade das suas ações. • Em função de sua riqueza, os proprietários passaram a dispersar o risco do seu investimento em várias organizações. E • Através de sua carreira na organização, os administradores profissionais chegam a posições de comando sem possuírem a propriedade do que é comandado e controlado. A consequência desejada da burocracia é a previsibilidade do comportamento dos seus membros. O modelo burocrático de Weber pressupõe que o comportamento dos membros da organização é perfeitamente previsível: todos os funcionários deverão comportar-se de acordo com as normas e regulamentos da organização, a fim de que essa atinja a máxima eficiência possível. A Meritocracia para Weber procura desenvolver critérios e objetivos nas organizações para os funcionários terem perspectiva de carreira, progressão por tempo de serviço e se submeterem a um sistema de disciplina e controle do serviço. Quando falamos de meritocracia estamos criando uma conexão com os estudos da política pública, isso porque o assunto vem assumindo uma importância significativa na política do Brasil depois de grandes escândalos de corrupção ligados a partidos e por indicações políticas. Figura 2 - As características da burocracia segundo Weber Fonte: Disponível em Créditos 1.3 VANTAGENS DA BUROCRACIA Segundo Chiavenato (2004 p.266) Weber viu inúmeras razões para explicar o avanço da burocracia sobre as outras formas de associação. As vantagens da burocracia, para Weber, são: 1. Racionalidade em relação ao alcance dos objetivos da organização 2. Precisão na definição do cargo e na operação, pelo conhecimento exato dos deveres. 3. Rapidez nas decisões, pois cada um conhece o que deve ser feito e por quem e as ordens e papéis tramitam através de canais preestabelecidos. 4. Univocidade de interpretação garantida pela regulamentação específica e escrita. Por outro lado, a informação é discreta, pois é fornecida apenas a quem deve recebê-la. 5. Uniformidade de rotinas e procedimentos que favorece a padronização, a redução de custos e erros, pois as rotinas são definidas por escrito. 6. Continuidade da organização por meio da substituição do pessoal que é afastado. 7. Redução do atrito entre as pessoas, pois cada funcionário conhece o que é exigido dele e quais os limites entre suas responsabilidades e as dos outros. 8. Constância, pois os mesmos tipos de decisão devem ser tomados nas mesmas circunstâncias. 9. Confiabilidade, pois o negócio é conduzido através de regras conhecidas, e os casos similares são metodicamente tratados dentro da mesma maneira sistemática. 10. Benefícios para as pessoas na organização, pois a hierarquia é formalizada, o trabalho é dividido entre as pessoas de maneira ordenada, as pessoas são treinadas para se tornarem especialistas, podendo encarreirar-se na organização em função de seu mérito pessoal e competência técnica.” (CHIAVENATO, 2004, p.266) Outras vantagens da burocracia segundo Weber é que com a burocracia, o trabalho é profissionalizado, o nepotismo é evitado e as condições de trabalho favorecem a moralidade econômica e dificultam a corrupção. Há equidade das normas burocráticas, sempre baseadas em padrões universais de justiça e tratamentoigualitário. A burocracia tem a virtude de assegurar cooperação entre grande número de pessoas, sem que elas se sintam necessariamente cooperadoras. As pessoas cumprem regras porque os fins visados pela organização são valorizados e cada qual deve fazer a sua parte para que o objetivo global seja alcançado. Chiavenato (2004). Para Chiavenato (2004 p.267) cita que “Um conceito muito ligado à burocracia é o de racionalidade. No sentido weberiano, a racionalidade implica adequação dos meios aos fins. No contexto burocrático, isso significa eficiência”. Chiavenato (2004 p.267) ainda afirma que Weber teve alguns dilemas na sua teoria ele pode notar “a fragilidade da estrutura burocrática, que enfrenta um dilema típico: de um lado, existem pressões de forças exteriores para encorajar o burocrata a seguir outras normas diferentes das da organização e, de outro lado, o compromisso dos subordinados com as regras burocráticas tende a se enfraquecer gradativamente”. [...] A capacidade para aceitar ordens e regras como legítimas exige um nível de renúncia que é difícil de se manter. [...] Weber salienta também a existência de chefes não-burocráticos, que indicam e nomeiam os subordinados, estabelecem regras, resolvem os objetivos que deverão ser atingidos e são eleitos ou herdam sua posição, como, por exemplo, os presidentes, diretores e os reis. Esses chefes (não-burocráticos) da organização desempenham o papel de estimular a ligação emocional e mesmo irracional dos participantes com a racionalidade, pois a identificação com uma pessoa ou líder da organização influi psicologicamente, reforçando o compromisso abstrato com as regras da organização.” (Chiavenato, 2004, p.267) 1.4 DISFUNÇÕES DA BUROCRACIA Para Weber, a burocracia é uma organização cujas consequências desejadas se resumem na previsibilidade do seu funcionamento no sentido de obter a maior eficiência da organização. Todavia, ao estudar as consequências previstas (ou desejadas) da burocracia que a conduzem à máxima eficiência, Merton notou também as consequências imprevistas (ou não desejadas) que levam à ineficiência e às imperfeições. A essas consequências imprevistas, Merton deu o nome de disfunções da burocracia para designar as anomalias de funcionamento responsáveis pelo sentido pejorativo que o termo burocracia adquiriu junto aos leigos no assunto. Merton salienta que os cientistas deram muita ênfase aos resultados positivos da organização burocrática e descuidaram das tensões internas, enquanto o leigo, ao contrário, tem exagerado as imperfeições da burocracia. Chiavenato (2004 p.268). As disfunções da burocracia são as seguintes: As diretrizes da burocracia emanadas por meio das normas e regulamentos para atingir os objetivos da organização, tendem a adquirir um valor positivo, próprio e importante, independentemente daqueles objetivos, passando a substituí-los gradativamente. A necessidade de documentar e de formalizar todas as comunicações dentro da burocracia a fim de que tudo possa ser devidamente testemunhado por escrito pode conduzir a tendência ao excesso de formalismo, de documentação e, consequentemente, de papelório. Aliás, o papelório constitui uma das mais gritantes disfunções da burocracia, o que leva o leigo, muitas vezes, a imaginar que toda burocracia tem necessariamente um volume inusitado de papelório, de vias adicionais de formulários e de comunicações. Como tudo dentro da burocracia é rotinizado, padronizado, previsto com antecipação, o funcionário geralmente se acostuma a uma completa estabilidade e repetição daquilo que faz, o que passa a lhe proporcionar uma completa segurança a respeito de seu futuro na burocracia. Atendendo as normas e regulamentos impostos pela burocracia, o funcionário torna-se simplesmente um executor das rotinas e procedimentos, os quais passa a dominar com plena segurança e tranquilidade com o passar do tempo. Quando surge alguma possibilidade de mudança dentro da organização, essa mudança tende a ser interpretada pelo funcionário como algo que ele desconhece, e, portanto, algo que pode trazer perigo à sua segurança e tranquilidade. A burocracia tem como uma de suas características a impessoalidade no relacionamento entre os funcionários. Daí o seu caráter impessoal, pois ela enfatiza os cargos e não as pessoas que os ocupam. Isso leva a uma diminuição das relações personalizadas entre os membros da organização: diante dos demais funcionários, o burocrata não os toma mais como pessoas mais ou menos individualizadas, mas como ocupantes de cargos, com direitos e deveres previamente especificados. Daí a despersonalização gradativa do relacionamento entre os funcionários da burocracia. A burocracia se assenta em uma rígida hierarquização da autoridade. Portanto, quem toma decisões em qualquer situação será aquele que possui a mais elevada categoria hierárquica, independentemente do seu conhecimento sobre o assunto. Quem decide é sempre aquele que ocupa o posto hierárquico mais alto, mesmo que nada saiba a respeito do problema a ser resolvido. Por outro lado, categorizar significa uma maneira de classificar as coisas, estereotipadamente, a fim de lidar com elas com mais facilidade. A burocracia baseia-se em rotinas e procedimentos, como meio de garantir que as pessoas façam exatamente aquilo que delas se espera. Como uma burocracia eficaz exige devoção estrita às normas e regulamentos, essa devoção às regras e regulamentos conduz à sua transformação em coisas absolutas: as regras e rotinas não mais são consideradas relativas a um conjunto de objetivos, mas passam a ser absolutas. Com o tempo, as regras e as rotinas tornam-se sagradas para o funcionário. O impacto dessas exigências burocráticas sobre a pessoa provoca profunda limitação em sua liberdade e espontaneidade pessoal, além da crescente incapacidade de compreender o significado de suas próprias tarefas e atividades dentro da organização como um todo. Como a burocracia enfatiza a hierarquia de autoridade, torna-se necessário um sistema capaz de indicar, aos olhos de todos, aqueles que detêm o poder. Daí surge a tendência à utilização intensiva de símbolos ou de sinais de status para demonstrar a posição hierárquica dos funcionários, como o uniforme, a localização da sala, do banheiro, do estacionamento, do refeitório, o tipo de mesa e outros, como meios de identificar quais são os principais chefes da organização. Em algumas organizações, como o exército, a Igreja, por exemplo, o uniforme constitui um dos principais sinais de autoridade. O funcionário está voltado para dentro da organização, para suas normas e regulamentos internos, para suas rotinas e procedimentos, para seu superior hierárquico que avalia o seu desempenho. Essa atuação interiorizada para a organização o leva a criar conflitos com os clientes da organização. Todos os clientes são atendidos de forma padronizada, de acordo com regulamentos e rotinas internos, fazendo com que o público se irrite com a pouca atenção e descaso para com os seus problemas particulares e pessoais. Figura 3 - As características e as disfunções da burocracia Fonte: Chiavenato (2004 p.269) Silva (2013 p.148) cita apenas quatro principais características das disfunções são elas: 1. Maior internalização das diretrizes. 2. Maior despersonalização nos relacionamentos. 3. Hierarquia como base do processo de decisão. 4. Formalismo e conformidade às rotinas. Ainda segundo Silva (2013 p.148) “A burocracia de Weber sofre ainda a restrição de impedir o que se constituía em sua principal vantagem, ou seja, a eficiência, pois tende ao formalismo excessivo e a despersonalização. Robert K. Merton denominou as consequências imprevistas que levam à ineficiência de disfunção da burocracia, designando assim, as anomalias de funcionamento do processo de Weber.” (SILVA, 2013 p.148) Figura 4 - Modelo Geral de Burocracia Fonte: Silva (2013 p.148) 1.5 MODELO BUROCRÁTICO DE MERTON Para Chiavenato (2004 p.271), “Merton representa aburocracia por meio de um modelo que se baseia nas consequências não previstas, isto é, nas disfunções da burocracia de organizar dentro dos princípios da máquina (sistema fechado). 1. O modelo começa com a exigência de controle por parte da organização, a fim de reduzir a variabilidade do comportamento humano a padrões previsíveis, indispensáveis ao bom funcionamento da organização. 2. Essa exigência de controle enfatiza a previsibilidade do comportamento, que é garantida por meio da imposição de normas e regulamentos. Assim, a organização estabelece os padrões de procedimentos para as pessoas, institui as penalidades pelo não cumprimento, bem como a supervisão hierárquica para assegurar a obediência. A ênfase sobre o cargo e a posição dos indivíduos diminui as relações personalizadas. 3. Mas a ênfase nas regras e sua forte imposição leva as pessoas a justificarem sua ação individual. 4. E conduz as consequências imprevistas (disfunções), tais como a rigidez no comportamento e a defesa mútua na organização. 5. O que não atende às expectativas e anseios da clientela, provocando dificuldades no atendimento ao público. 6. Levando a um sentimento de defesa da ação individual, pois o burocrata não presta contas ao cliente, mas às regras da organização e ao seu superior hierárquico. (CHIAVENATO, 2004, p.271) Para Silva (2013 p. 153) Merton “apresentou um modelo de burocracia que representa um conjunto bastante complexo de relações, que se estabelecem entre um número relativamente grande de variáveis”. Chiavenato (2004 p.272) sintetiza o modelo de Merton da seguinte forma “A rigidez do sistema reduz a eficácia organizacional e põe em risco o apoio da clientela. Apesar da pressão externa, o funcionário atende às regras internas da organização e não se preocupa com o problema do cliente, mas com a defesa e a justificação do seu próprio comportamento na organização (item 3), pois é a ela que deve prestar contas. No fundo, para Merton, a burocracia não é tão eficiente como salientava Weber, mas apresenta na prática uma série de distorções (disfunções) que prejudicam seu funcionamento e a levam à ineficiência”. Figura 5- O modelo burocrático de Merton. Fonte: Silva (2013 p.149) Para Chiavenato (2004) ao formular o modelo burocrático de organização, Weber não previu a possibilidade de flexibilidade da burocracia para atender a duas circunstâncias: a adaptação da burocracia às exigências externas dos clientes e a adaptação da burocracia às exigências internas dos participantes. 1.6 O MODELO BUROCRÁTICO DE SELZNICK Silva (2013 p.154) nos mostra que “Philip Selznick (1919 -2010), sociólogo e professor na Universidade de Berkeley, na Califórnia, propôs um outro modelo, em que destaca a delegação de autoridade, Selznick pretende mostrar como o emprego de delegação gera uma série de consequências imprevistas”. Ele também mostra que as consequências são provenientes dos problemas ligados à manutenção de sistemas interligados de relação interpessoal. Já para Chiavenato (2004) Selznick expõe alguns conceitos para o estudo da organização formal: • A organização burocrática é uma estrutura social adaptativa sujeita às pressões do ambiente e precisa modificar seus objetivos continuamente. A organização formal é moldada por forças exteriores à sua estrutura racional e aos seus objetivos. • Dentro da organização formal desenvolve-se uma estrutura informal que gera atitudes espontâneas das pessoas e grupos para controlarem as condições de sua existência. • Essa estrutura informal torna-se indispensável e paralela ao próprio sistema formal de delegação e controle. • Assim, a burocracia deve ser estudada sob o ponto de vista estrutural e funcional (análise estrutural e funcional da organização) e não sob o ponto de vista de um sistema fechado e estável, como no modelo weberiano. • Essa análise deve refletir os aspectos do comportamento organizacional interno, bem como o sistema de manutenção da organização formal. Prezado(a) aluno(a) que tal conhecer mais sobre Merton? Então, clique aqui, e leia a biografia de Robert K. Merton. Boa leitura! https://www.ebiografia.com/robert_merton/ • As tensões e os dilemas da organização são esclarecidos por meio das restrições ambientais e da limitação das alternativas de comportamento. Figura 6- O modelo burocrático simplificado de Selznick. Fonte: Silva (2013 p.149) Chiavenato (2004 p.274) ainda diz que “o modelo de Selznick mostra que a burocracia gera consequências não previstas que decorrem de problemas ligados à organização informal”. As principais características incluem: • O modelo começa com a exigência de controle por parte da administração. • Como resultado dessa exigência, institui-se uma delegação de autoridade. • Cada unidade procura adaptar sua política à doutrina oficial da organização, produzindo subobjetivos. • Ao mesmo tempo, reforça-se a internalização de subobjetivos nos participantes devido à influência da rotina diária. • As decisões são tomadas com base em critérios operacionais estabelecidos pela organização e que agem como reforço adicional. • As decisões são reforçadas ainda pelo treinamento do pessoal em assuntos especializados em cada unidade. • A internalização de subobjetivos depende da operacionalidade dos objetivos da organização. Qualquer variação nos objetivos da organização afeta o conteúdo das decisões diárias, modificando-as gradativamente. Em resumo, para Selznick, a burocracia não é rígida e nem estática, como afirmava Weber, mas adaptativa e dinâmica, interagindo com o ambiente externo e adaptando-se a ele. (Chiavenato 2004) 1.7 GRAUS DE BUROCRATIZAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES E O MODELO DE GOULDNER Chiavenato (2004 p.274) informa que “Alvin W. Gouldner (sociólogo norte-americano e professora da Universidade de Illinois) realizou uma pesquisa e concluiu que não há um único modelo de burocracia mas uma variedade de graus de burocratização”. Weber concluiu sua teoria visualizando o sistema como apenas mecânico e não político, sem considerar os aspectos informais e subjetivo da aceitação das normas e da autoridade, nem a reação formal da organização perante a falta de consentimento dos subordinados, ou seja, a burocracia levava a consequências que Weber não previu. Para Silva (2013 p. 155) o modelo de Gouldner “se ocupa das consequências que as diretrizes administrativas tem para manutenção da estrutura organizacional. Do mesmo modo que Merton e Selznick, ele procurou demonstrar como uma técnica de controle destinada a manter o equilíbrio de um subsistema perturbar o equilíbrio do sistema maior, do que resulta em feedback sobre o subsistema”. O modelo de Gouldner pode ser assim explicado segundo Chiavenato (2004 p.274): 1. A exigência de controle pela organização conduz à imposição de regras burocráticas. Quanto maior a exigência de controle, tanto mais regras burocráticas. 2. As regras visam à adoção de diretrizes gerais e impessoais que definem o que é permitido e o que não é permitido e estabelecem um padrão de comportamento mínimo aceitável, que passa a ser considerado o nível de comportamento que a organização espera de cada empregado (item 5). 3. Isso proporciona aos participantes uma visibilidade das relações de poder, pois as normas gerais e impessoais regulam as relações de trabalho. 4. Contudo, essas normas provocam aumento do nível de tensão no relacionamento interpessoal, devido à adoção de diretrizes gerais e impessoais, o que reduz a motivação de produzir. 5. A adoção de diretrizes gerais e impessoais induz ao conhecimento dos padrões mínimos aceitáveis. Daí o com comportamento-padrão definido pela organização informal como defesa de seus interesses. 6. Ao verificar a diferença entre os objetivos organizacionais e sua efetiva realização na prática devido ao comportamento-padrão, a direção reage. 7. A organização impõe maior rigor na supervisão para forçar as pessoas a trabalharem mais. Em outros termos,a direção intensifica a burocracia punitiva, o que aumenta mais a visibilidade das relações de poder. 8. Reinicia-se o ciclo, isto é, o círculo vicioso da supervisão fechada.” (CHIAVENATO, 2004 p.274) No modelo de Gouldner, o processo burocrático é um ciclo instável que busca estabilidade e equilíbrio, mas provoca tensões e conflitos interpessoais. Para Gouldner, não há um tipo único de burocracia, mas uma infinidade, variando desde o excesso de burocratização (em um extremo) até a ausência de burocracia (no extremo oposto). Figura 7- O modelo burocrático de Gouldner Fonte: Silva (2013 p.156) 1.8 AS DIMENSÕES DA BUROCRACIA Para Chiavenato (2004 p.276) “Não há um tipo único de burocracia, mas graus variados de burocratização. Atualmente, a burocracia está sendo entendida como um continuum e não uma maneira absoluta de presença ou ausência. O grau variável de burocratização depende das dimensões da burocracia. O conceito atual de burocracia é decorrente de dimensões, cada qual variando na forma de um continuum. Trata-se de uma abordagem empiricamente mais adequada do que tratar a organização como totalmente burocrática ou não-burocrática. A partir do estudo de vários autores, Hall selecionou seis dimensões da burocracia, a saber: - Divisão do trabalho baseado na especialização funcional. - Hierarquia de autoridade. -Sistema de regras e regulamentos. -Formalização das comunicações. -Impessoalidade no relacionamento entre as pessoas. -Seleção e promoção baseadas na competência técnica.” Segundo Chiavenato (2004 p.276) “O conjunto de dimensões é tratado como uma variável contínua e multidimensional. As organizações são portadoras de características do modelo burocrático em diversos graus conforme as dimensões da burocracia que variam independentemente Uma organização pode ser muito burocratizada quanto ao conjunto de regras e regulamentos ao mesmo tempo em que está escassamente burocratizada quanto à sua divisão do trabalho”. Quadro 2 - As 6 dimensões de Hall Fonte: Elaborado pelo Autor. 2 APRECIAÇÃO CRÍTICA DA TEORIA DA BUROCRACIA A burocracia proporciona uma maneira racional de organizar pessoas e atividades para alcançar objetivos específicos. A burocracia tem defensores e adversários. Chiavenato (2004 p.276) afirma que Prezado(a) aluno(a) para saber mais sobre Hall, leia a biografia de Richard Hall, clicando aqui. https://prezi.com/8vxaio1jdcg7/biografia-richard-h-hall/ “A burocracia tem defensores e adversários. Perrow mostra-se advogado da burocracia: Após anos de estudos das organizações complexas, cheguei a duas conclusões que colidem com muita coisa da literatura organizacional. A primeira é que os erros atribuídos à burocracia não são erros do conceito, mas são conseqüências do fracasso em burocratizar adequadamente. Eu defendo a burocracia como o princípio dominante de organização nas grandes e complexas organizações. A segunda conclusão é que a preocupação com reforma, humanização e descentralização das burocracias, enquanto salutares, apenas obscurecem a verdadeira natureza da burocracia e nos desviam do seu impacto sobre a sociedade. O impacto sobre a sociedade é mais importante do que o impacto sobre os membros de uma organização”. O excessivo racionalismo da burocracia Katz e Kahn salientam que a organização burocrática é super-racionalizada e não considera a natureza organizacional e nem as condições circunjacentes do ambiente. As vantagens da burocracia têm sido exageradas. Para ambos, o sistema burocrático consegue sobrevivência e eficiência apenas quando: • As tarefas individuais são mínimas em requisitos criativos, de modo que basta a submissão à autoridade legítima e não há necessidade de identificação com as metas organizacionais. • As exigências do ambiente sobre a organização são óbvias, de modo que a informação é redundante e pode ser esbanjada, e a organização não precisa utilizar todos os processadores de informação entre seus membros. • A rapidez na tomada de decisão é importante e cada pessoa envolvida no processo significa custos e riscos organizacionais. • A organização se aproxima do sistema fechado, com requisitos mínimos de mudança do meio. Mecanicismo e as limitações da "Teoria da Máquina" A Teoria Tradicional, cujo os três modelos clássicos são os de Taylor (Administração Científica), Fayol (Teoria Clássica) e de Weber (Modelo Burocrático), focalizou as estruturas internas, abordando os problemas organizacionais em termos de sistemas fechados. O termo "teoria da máquina", proposto por Worthy em 1950, é aplicável aos três modelos que abordam a organização, embora constituída por pessoas, como uma máquina construída para cumprir uma tarefa. Katz e Kahn explicam que alguns dos conceitos explícitos ou implícitos da teoria da máquina são: • Especialização das tarefas, para obter eficiência com a subdivisão das operações em seus elementos básicos. • Padronização do desempenho da função para garantir ausência de erros. • Unidade de comando e centralização da tomada de decisão. A organização não é necessariamente autodirigida, embora concebida como uma máquina. Para manter a coordenação do todo, as decisões devem ser centralizadas em um só comando e deve haver unidade de comando através da responsabilidade de homem para homem dentro da cadeia escalar. • Uniformidade de práticas institucionalizadas, além da padronização das tarefas. As maneiras de lidar com o pessoal são uniformes. • Não duplicação de função a fim de se garantir a centralização. Katz e Kahn explicam as fraquezas da teoria da máquina, da seguinte forma: • Pouca importância do intercâmbio do sistema com seu ambiente e as influências do meio, em constante mudança e exigindo modificação constante da organização. • Limitação no intercâmbio com o ambiente. As entradas restringem-se a matérias-primas e mão-de-obra, omitindo-se os valores e necessidades das pessoas e o apoio social da comunidade e do público. As saídas se restringem ao produto físico que a organização coloca no ambiente. • Pouca atenção aos subsistemas da organização, com sua dinâmica e intercâmbio dentro da organização. • Negligência quanto à organização informal. • Concepção da organização como um arranjo rígido e estático de órgãos. Conservantismo da burocracia Bennis aponta as seguintes críticas à burocracia: • A burocracia não considera o crescimento pessoal e o desenvolvimento da personalidade das pessoas. • Ela leva à conformidade e ao conformismo das pessoas. • Ela não considera a organização informal. • Seu sistema rígido de controle e de autoridade está ultrapassado. • Ela não possui meios para resolver conflitos internos. • As comunicações e ideias criativas são bloqueadas ou distorcidas por causa das divisões hierárquicas. • Os recursos humanos não são plenamente utilizados por causa da desconfiança, do medo de represálias etc. • Ela não assimila as novas tecnologias adotadas pela organização. • Ela modifica a personalidade das pessoas que se tornam obtusas, limitadas e obscuras: o "homem organizacional" condicionado. Abordagem de sistema fechado Gouldner dividiu em dois modelos fundamentais de organizações complexas: • O modelo "racional" de organização que adota a lógica de sistema fechado, em busca de certeza e previsão exata, como na Administração Científica de Taylor, Teoria Clássica de Fayol e Teoria da Burocracia de Weber. • O modelo "natural" de organização que adota uma lógica de sistema aberto, na expectativa da incerteza, uma vez que o sistema contém mais variáveis do que somos capazes de compreender, estando algumas delas sujeitas a influências que não podemos prever ou controlar. A lógica do sistema fechado busca a certeza, incorporando apenas as variáveis diretamente associadas ao empreendimento e sujeitando-as a uma rede de controle monolítica. Abordagem descritiva e explicativa A Teoria da Burocracia não tem essa preocupação. Em vez de estabelecer como o administrador deverá lidar com as organizações,o modelo burocrático preocupa-se em descrever, analisar e explicar as organizações, a fim de que o administrador escolha a maneira apropriada de lidar com elas, levando em conta sua natureza, tarefas, participantes, problemas, situação, restrições etc., aspectos que variam intensamente. A solução dos problemas, sem a preocupação de confiança a prescrições ou normas pré-fabricadas visando a uma aplicação universal. Críticas multivariadas à burocracia Existem outras críticas à perspectiva burocrática de Weber, a saber: • Weber não inclui a organização informal em seu tipo ideal de burocracia. As pessoas são vistas como seguidores de regras e procedimentos em um sentido mecanístico e não como criaturas sociais interagindo dentro de relacionamentos sociais. 69 A organização burocrática é influenciada por fatores ligados ao comportamento humano que não foram cogitados por Weber. Tanto que Merton procura mostrar como a forma burocrática exerce influência sobre a personalidade dos seus membros e estimula a aderência total às normas e aos regulamentos por um rígido respeito a essas normas e regulamentos, que de meios se tornam fins em si mesmos, deslocando os objetivos da organização. Selznick sugere modificações no modelo burocrático, enfatizando a delegação de autoridade e manutenção da organização como um sistema adaptável e cooperativo. Gouldner mostrou que os mecanismos burocráticos originam formas de liderança e controle autocráticos que levam a conseqüências disfuncionais para a organização. • As distinções de Weber entre tipos de autoridade são exageradas, embora tenha discutido a "combinação de diferentes tipos de autoridade". Como lembra Etzioni, há tipos mistos de autoridade, como em organizações semi tradicionais e semi burocráticas no antigo Egito, China Imperial e Bizâncio Medieval. Posição da Teoria da Burocracia dentro da Teoria das Organizações A teoria weberiana se assemelha à Teoria Clássica da organização quanto à ênfase na eficiência técnica e na estrutura hierárquica da organização. Contudo, ambas as teorias são diferentes entre si, a saber: a) A Teoria Clássica preocupou-se com detalhes, como amplitude de controle, alocação de autoridade e responsabilidade, número de níveis hierárquicos, agrupamento de funções etc., enquanto Weber preocupou-se mais com os grandes esquemas de organização e sua explicação. b) Quanto ao método, os autores clássicos utilizaram uma abordagem dedutiva, enquanto Weber é essencialmente indutivo. c) A Teoria Clássica refere-se à organização industrial, enquanto a teoria de Weber integra uma teoria geral da organização social e econômica. d) A Teoria Clássica apresenta uma orientação normativa e prescritiva, enquanto a orientação de Weber é descritiva e explicativa. Comparando a teoria de Weber com a de Taylor e Fayol, conclui-se que: • Taylor procurava meios e métodos científicos para realizar o trabalho rotineiro das organizações. Sua maior contribuição foi para a gerência. • Fayol estudava as funções de direção. Sua contribuição foi para a direção. • Weber preocupava-se com as características da burocracia. Sua contribuição foi para a organização, considerada como um todo. Entenda que todos os três se preocuparam com os componentes estruturais da organização. Após essa Aula, você consegue compreender a Teoria da Burocracia proposto por Max Weber? Consegue conceituar as teorias geradas em decorrência ao estudo de Weber? Compreende as críticas feita ao seu estudo? Caso você consiga responder a estas questões, parabéns! Você atingiu os objetivos específicos da Aula 5. Caso tenha dificuldades para responder a algumas delas, aproveite para reler o conteúdo das Aulas, e acessar o UNIARAXA Virtual e interagir com seus colegas, Tutor(a) e Professor(a). Você não está sozinho nessa caminhada. Conte conosco! Chegou o momento de complementar seu conhecimento. Vá até seu Ambiente Virtual de Aprendizagem e acesse esta aula para assistir a Video Aula RECAPITULANDO Caro(a) aluno(a) vimos que a teoria da burocracia teve como seu precursor o pensador Max Weber sua teoria baseia-se na organização humana racional, ou seja, sua análise deve ser de maneira totalmente impessoal e formal no intuito de alcançar o resultado buscado, sendo assim vimos que a teoria da burocracia tem como foco a eficiência. Conceituamos nessa aula que o surgimento histórico da burocracia veio a partir da era vitoriana como decorrência da necessidade que as organizações sentiram de ordem e de exatidão e das reivindicações dos trabalhadores por um tratamento justo e imparcial. Também vimos que a burocracia, a Teoria Administrativa e a Administração Científica são três correntes da perspectiva clássica; nessas correntes, as organizações têm sido vistas, em larga escala, como estruturas mecanicistas. Aprendemos também que foi no início do século XX, Max Weber, publicou uma bibliografia a respeito das grandes organizações da sua época e deu o nome de burocracia e passou a considerar o século XX como o século das burocracias, pois achava que essas eram as organizações características de uma nova época, com novos valores e novas exigências. O surgimento das burocracias coincidiu com o despontar do capitalismo, graças a inúmeros fatores, dentre os quais a economia do tipo monetário, o mercado de mão-de-obra, o aparecimento do estado-nação centralizado e a divulgação da ética protestante. Estudamos ainda, o Modelo Burocrático de organização. Sua origem desenvolveu-se na Administração por volta da década de 1940, em função de grandes aspectos visto em nosso estudo a atenção de Weber foi baseada no processo autoridade-obediência e apresentou três tipos de autoridades, a tradicional, carismática e a autoridades legal-racional. Notamos que Weber definiu as organizações com várias características para embasar seu estudo, para Weber, a burocracia é uma organização cujas consequências desejadas se resumem na previsibilidade do seu funcionamento no sentido de obter a maior eficiência da organização. Por fim acompanhamos as críticas da teoria da burocracia que como todas possui críticas, porém a burocracia proporciona uma maneira racional de organizar pessoas e atividades para alcançar objetivos específicos, com isso a burocracia tem defensores e adversários, dentro desta perspectiva observamos alguns pontos de críticas desta abordagem: O excessivo racionalismo da burocracia, o mecanicismo e as limitações da "Teoria da Máquina", o conservantismo da burocracia, a abordagem de sistema fechado, a abordagem descritiva e explicativa, dentre outras. Concluindo, toda organização de sistema de burocracia é refletir a vontade política de um grupo de pessoas, nunca é totalmente. Muito bem, em nossa próxima Aula iremos conhecer a Teoria Estruturalista e a busca da organização ideal, iremos identificar os conflitos organizacionais e suas influências nas organizações bem como os tipos de organização no cenário corporativo da administração. CRÉDITOS Figura 2 - As características da burocracia segundo Weber - Fonte disponível em: https://slideplayer.com.br/slide/1472592/4/images/7/As+caracter%C3%ADsticas+da+burocracia+segundo+Weber.jpg. Acesso em 27 de fev. 2019. REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teroria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7ª Ed. São Paulo: Manole, 2004. MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Introdução à Administração. 5 ed. São Paulo, Atlas, 2000. SILVA, Reinaldo O da. Teoria Geral da Administração. 3ª edição. São Paulo. Editora Pearson, 2013. https://slideplayer.com.br/slide/1472592/4/images/7/As+caracter%C3%ADsticas+da+burocracia+segundo+Weber.jpg