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Aula compilada por: 
Ivo Nhamaze A. Manguva Página 1 
 
 
UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE 
FACULDADE DE ECONOMIA 
DEPARTAMENTO DE CONTABILIDADE E FINANÇAS 
 
Contabilidade Financeira I 
 
 
ACRÉSCIMOS E DIFERIMENTOS 
NOÇÕES E EXERCÍCIOS PRÁTICOS 
 
 
Acréscimos e Diferimentos 
Estas rubricas destinam-se a registar os gastos e os rendimentos nos períodos a que 
respeitam. 
 
O uso desta conta tem a ver fundamentalmente com o princípio da especialização do 
exercício ou a base do acréscimo que nos diz que “os efeitos das transacções e de 
outros acontecimentos são reconhecidos quando eles ocorrem e não quando são 
recebidos ou pagos, e são registados na contabilidade e relatados nas demonstrações 
financeiras dos períodos a que dizem respeito”. 
 
Esta rubrica servirá para atribuir a cada exercício económico os respectivos consumos e 
utilizações de bens e serviços (gastos) e as correspondentes produções de bens e 
serviços (Rendimentos), independentemente da sua aquisição/venda e ou 
pagamento/recebimento, respectivamente. 
 
Aqui podemos encontrar: 
 
1. Acréscimos de rendimentos 
Integram-se nos acréscimos de rendimentos os que sejam relativos ao período em curso, 
mas que apenas irão ser recebidos e contabilizados como tal nos períodos seguintes 
 
Esta conta serve de contrapartida aos rendimentos a reconhecer no próprio exercício, 
ainda que não tenha documentação vinculativa, cuja receita so venha a obter-se em 
exercícios posteriores. 
 
Como exemplos podemos citar: 
 Juros de depósitos a prazo relativos ao exercício mas que o banco creditará 
apenas no exercício seguinte aquando da data de vencimento. 
 Rendimentos de Participações de capital (Dividendos) relativos ao exercício mas 
que o banco serão apenas atribuídos no exercício económico seguinte. 
 Bónus, comissões e descontos especiais respeitantes ao exercício mas que serão 
apenas creditados e recebidos no exercício seguinte. 
 Devolução de compras efectuadas no exercício, mas cuja nota de credito do 
fornecedor só foi emitida no ano seguinte. 
 Encargos ou serviços prestados no exercício em curso, mas facturados apenas no 
exercício seguinte. 
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 Etc.. 
A título de exemplo admitamos que uma empresa é detentora de obrigações de outra 
empresa que vencem juros semestrais no fim de cada seis meses, em 28/2 e 30/8 de cada 
ano. Considerando que em 28/02/n+1 a empresa ia receber juros semestrais de 480 
euros (líquidos de impostos), os movimentos que deveríamos fazer seriam: 
 
i) Em 31/12/n (Contabilização dos juros, vencidos entre 31/8 e 31/12/n, ainda 
não recebidos – 4 meses a 80 Mt/cada): 
 
 
 
 
ii) Em 28/2/n+1 (contabilização dos juros vencidos entre 1/1 e 28/02/n+1, bem 
como do recebimento da totalidade) 
 
 
 
 
Assim sendo, a conta 493 debita-se no fim de cada ano pelos proveitos de exercício a 
receber no exercício económico seguinte; e credita-se no exercício económico seguinte 
quando da efectivação da correspondente receita (ou recebimento). 
 
2. Gastos diferidos 
Integram-se nos gastos diferidos os que tenham sido contabilizados no período em 
curso, mas que digam respeito a períodos seguintes. 
 
Compreende os gastos que devem ser reconhecidos nos exercícios seguintes. A quota 
parte dos diferimentos incluídos nesta conta que foi atribuída a cada exercício ira afectar 
directamente a respectiva conta de gastos. 
 
Para melhor compreender o conteúdo desta conta, vejamos a tipologia das despesas 
efectivas, que se em apresentam no quadro seguinte: 
Natureza da despesa Momento em que ocorre o consumo/utilização Classificação contabilística das despesas 
Aquisições de Bens e Serviços 
Consumíveis 
Incorporação noutros bens ou serviços ou vendas 
(CIVC) 
INVENTÁRIOS 
Aquisições de bens e serviço de 
carácter duradouro 
Ao longo da vida útil esperada (Amortizações) 
ACTIVOS TANGÍVEIS E INTANGÍVEIS 
Aquisições de bens e serviços 
de consumo corrente 
No exercício económico em curso GASTOS 
Em exercícios económicos seguintes DESPESAS COM CUSTO DIFERIDO (CUSTOS 
DIFERIDOS) 
 
 
x 49 Acrescimos e Diferimentos
493 Acrescimos de rendimentos 320.00 
a 78 Rendimentos e Ganhos Financeiros
781 Juros obtidos 320.00 
y 12 Bancos
121 Depositos a Ordem 380.00 
a 49 Acrescimos e Diferimentos
493 Acrescimos de rendimentos 320.00 
a 78 Rendimentos e Ganhos Financeiros
781 Juros obtidos 160.00 
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Diremos então que os gastos diferidos são despesas ocorridas no exercício cujo 
consumo ou utilização se verificara se verificara em exercícios posteriores. Sendo assim 
e como os gastos representam consumos, logo devem ser classificáveis como gastos de 
exercício seguinte e não do exercício em curso. Como exemplos de despesas com gasto 
diferido temos (na parte que corresponde ao exercício económico seguinte) os encargos 
com: 
 Rendas adiantadas; 
 Prémios de seguros antecipados; 
 Juros antecipados; 
 Descontos de letras e outros títulos; 
 Premio de reembolso na emissão de obrigações e títulos de participação; 
 Publicidade Adiantada. 
 
A título de exemplo admitamos que em 02/12/n foi descontada uma letra com o valor 
nominal de 1750 Mt vencível em 31/03/n+1, tendo os encargos de desconto totalizado 
108Mt. Os lançamentos contabilísticos a efectuar seriam: 
 
i) Desconto em 02/12/n e respectiva repartição de encargos 
 
 
ii) No ano n+1, teria de se fazer a transferência: 
 
 
Sendo assim, a conta 494 debita-se pelas despesas suportadas cujo gasto se reporte a 
exercícios seguintes e credita-se pela transferência para o respectivo gasto, no exercício 
a que respeite. Esta conta terá sempre saldo devedor ou nulo. 
 
 
3. Acréscimo de gastos 
Integram-se nos acréscimos de gastos, os gastos relativos ao período em curso que 
apenas serão pagos e contabilizados como tal nos períodos seguintes. 
 
Esta conta serve de contrapartida aos gastos a reconhecer no próprio exercício, ainda 
que não tenham documentação vinculativa, cuja despesa só venha a incorrer-se em 
exercício ou exercícios posteriores. 
 
Tal como acontece com os rendimentos, também existem gastos imputáveis ao exercício 
económico, cujo documento justificativo (factura, recibo, etc.) so é emitido no exercício 
económico seguinte. Assim, como os consumos devem ser atribuídos ao exercício em 
X 12 Bancos
121 Depositos a Ordem 1,642.00 
49 Acrescimos e Diferimentos
494 Gastos Diferidos 81.00 
69 Gastos e Perdas Financeiras
691 Juros Suportados 27.00 
a 43 Emprestimos Obtidos
431 Emprestimos Bancarios 1,750.00 
Y 69 Gastos e Perdas Financeiras
691 Juros Suportados 81.00 
a 49 Acrescimos e Diferimentos
494 Gastos Diferidos 81.00 
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que ocorrem, devemos proceder à sua contabilização, mesmo que o documento 
vinculativo seja com data ao exercício económico seguinte. 
 
Como exemplos de despesas diferidas (gastos com despesas diferidas), temos: 
 Consumo de água, telefone, energia respeitantes ao ultimo mês de cada 
exercício; 
 Juros relativos ao exercício, a processar no exercício seguinte; 
 Remunerações respeitantes ao exercício, cujo processamento terá lugar no 
exercício seguinte (Ex. Encargos com ferias); 
 Seguros e outros encargos a liquidar. 
 
A título de exemplo admita-se que em Fevereiro/n+1 foi paga a despesa do telefone no 
valor de 242 Mt (IVA incluído a taxa de 17%) relativa ao mês de Dezembro/n (Valor: 
242/1.17 = 207 Mt). 
 
Contabilisticamente, deveremos proceder aos seguintes registos: 
 
i) Em 31/12/n, registo do gasto relativo ao gasto do exercício 
 
 
 
ii) Em Fevereiro/n+1, quando do pagamento, far-se-á o seguinte lançamento: 
 
 
 
Como se pode verificar, o gasto reflecte-se nos resultados do exercício em que ocorre o 
consumoe não o pagamento. 
 
4. Rendimentos diferidos 
Integram-se em rendimentos diferidos, os rendimentos contabilizados no período em 
curso que digam respeito a períodos seguintes. 
 
Trata-se de uma conta que tem por objectivo registar a crédito, as receitas ou 
rendimentos obtidos no exercício mas imputáveis (atribuíveis) a exercícios seguintes. 
 
Entre outras, deve considera-se rendimentos diferidos: 
 Rendas recebidas adiantadamente; 
 Facturas emitidas sobre produtos a fornecer ou serviços a prestar nos anos 
seguintes; 
 Encargos debitados a clientes (parte correspondente ao exercício seguinte); 
 Subsídios para investimento. 
X 63 Fornecimentos e Serv. Terceiros
63224 Comunicações 207.00 
a 49 Acrescimos e Diferimentos
491 Acrescimos de Gastos 207.00 
Y 49 Acrescimos e Diferimentos
491 Acrescimos de Gastos 207.00 
44 Estado
4432 Iva dedutivel 35.00 
a 12 Bancos
121 Depositos a Ordem 242.00 
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A título de exemplo, admita-se que a empresa XIS emitiu em Dezembro/n uma factura 
sobre o cliente no valor de 15.000 Mt sujeitos a IVA de 17% relativa a produtos a 
fornecer durante o ano n+1. 
 
Contabilisticamente, os registos seriam os seguintes: 
 
i) Em Dezembro, contabilização da factura: 
 
 
 
ii) Durante n+1 e aquando do fornecimento definitivo dos produtos, faríamos: 
 
 
 
 
X 41 Clientes
411 Clientes Conta corrente 17,550.00 
a 44 Estado
4433 Iva Liquidado 2,550.00 
a 49 Acrescimos e Diferimentos
492 Rendimentos Diferidos 15,000.00 
Y 49 Acrescimos e Diferimentos
492 Rendimentos Diferidos 15,000.00 
a 71 Vendas
711 Mercadorias 15,000.00 
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Exercícios práticos 
Exercício 1 
Relativamente á empresa KAP conhecem-se os seguintes factos: 
1. Foi pago em 03/11/n o seguro de incêndio relativo ao período de 01/11/n a 
01/05/n+1 no montante de 1.008Mt (isento de IVA). 
2. Em Janeiro/n+1 pagou-se a despesa correspondente ao consumo de electricidade do 
mês de Dezembro/n no valor de 4.200Mt (Iva incluído). 
3. Em 30/04/n foram recebidos juros das obrigações das sociedades Y, no valor de 
3.069 Mt (Liquido de impostos) e correspondentes ao período de 30/10/n a 
30/04/n+1. 
4. Em 31/1/n+1 foram pagos juros de um empréstimo bancário no valor de 6.240Mt, 
relativos ao de 31/07/n a 31/01/n+1. 
5. Foi paga em Dezembro, a renda do estabelecimento correspondente ao mês de 
Janeiro/n+1, no valor de 950Mt. 
6. Foi emitida em Dezembro/n uma factura sobre o cliente A relativa ao aluguer de 
equipamento informático correspondente ao mês de Janeiro/n+1 no valor de 
1.700Mt sujeito a IVA 17%. 
Registar no diário de KAP estes factos, quer no ano n, quer no ano n+1. 
 
Exercício 2 
O Sr. Nhamaze, chefe da contabilidade da empresa “UEM Company, SA” estava preocupado 
com o fecho das contas de 2008. Ainda lhe faltavam registar diversos lançamentos, 
nomeadamente os respeitantes a temática de acréscimos e diferimentos, pelo que lhe pediu ajuda 
para a contabilização das seguintes operações: 
 
1. A empresa contraiu um empréstimo que ainda não contabilizou nas seguintes 
condições: 
 Data de Inicio: 1/10/2008 
 Valor 100.000Mt 
 Período: 4 anos. 
 Amortização – anual de capital e juros; 
 Taxa de juro anual: 5 %. 
2. Pagamento em Dezembro de prémios de seguros do ramo automóvel num valor global 
de 3.750Mt, relativos ao período de 1/12/2008 a 30/11/2009. 
3. A empresa detêm obrigações que vencerão juros semestrais em 31/01/2009 no valor de 
600Mt. 
4. Pagamento de rendas de instalações respeitante a Janeiro de 2009. O valor é de 
1.500Mt. 
5. A empresa estima que o gasto com comunicações do mês de Dezembro vai ser de 
7.500Mt (a factura recebida em Janeiro foi de 9.196 MT – valor com IVA incluído 
17%). 
6. Emissão da factura nº 274/08 na quantia de 5.000Mt (+ IXA a taxa de 17%). No 
entanto, o fornecimento ocorreu apenas em Janeiro de 2009. 
 
Nota: Sempre que possível indicar também o lançamento a realizar no ano 2009.

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