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Direito Penal 
Crime Culposo 
Prof. Daniela Tamaio
CULPA
Dispõe o art. 18, II do CP:
“Diz-se o crime:
II – culposo, quando o agente deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia.
§ único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser
punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica
dolosamente.”
Em regra, a punição se dá a título doloso.
Excepcionalmente, segundo o art. 18, § único do CP, os
crimes são punidos a título de culpa.
Culpa é a ação ou omissão praticada sem o cuidado objetivo
necessário.
Crime culposo é a conduta humana voluntária que produz
resultado antijurídico não querido, mas previsível, e
excepcionalmente previsto, que podia, com a devida
atenção, ser evitado.
1. Conduta inicial voluntária
No crime culposo, a vontade limita-se à realização da
conduta perigosa. Não há, todavia, vontade dirigida à
produção do resultado naturalístico.
A conduta inicial é sempre voluntária.
Ex:. Motorista que trafega em alta velocidade em local
inadequado. Dolo X Culpa.
2. Violação do dever de cuidado
Na essência de todo crime culposo encontra-se uma falta de
atenção inescusável, consistente na violação do dever de
cuidado.
3. Modalidades de culpa
Imprudência é a culpa in agendo, que consiste na prática
de uma ação perigosa sem as cautelas oportunas.
Ex:. Municiar arma de fogo na frente de outras pessoas.
Negligência é a culpa in omitendo, consistente na
inobservância dos cuidados exigidos pelas circunstâncias.
Negligenciar é omitir a ação que o caso requer.
Ex:. Pai que viaja com sua família, e não faz a revisão do
automóvel.
Imperícia é a chamada culpa profissional, que se traduz
na falta de aptidão para o exercício de arte, profissão ou
ofício.
O agente, embora autorizado a exercer sua profissão, não
dispõe dos conhecimentos teóricos ou práticos para bem
desempenhá-la.
Ex:. É o caso do médico que, não possuindo especialização
para efetuar certa operação, provoca a morte do paciente.
Na imperícia, o profissional inobserva a regra técnica ou
prática que, devido ao despreparo, ele desconhece.
Na negligência, o profissional inobserva por desleixo uma
regra que ele conhece
Ex:. O médico esquece uma pinça dentro do abdômen do
paciente.
Na imprudência, o profissional pratica um ato perigoso.
Ex:. O médico realiza a cirurgia por um processo complexo
quando podia efetuá-la por processo simples.
A imperícia deve sempre ocorrer no exercício de uma
atividade (arte, profissão ou ofício), que o agente esteja
autorizado a exercer, caso contrário, sob o prisma jurídico,
será imprudência ou negligência.
Ex:. O motorista que tem habilitação legal, mas não sabe
dirigir o veículo que conduz, será imperito.
Se, além de não saber dirigir, ainda não tem carteira de
habilitação, será imprudente.
4. Resultado involuntário
No crime culposo, o resultado funciona como elemento
constitutivo do tipo.
Não há crime culposo, nem mesmo na forma tentada, se
da conduta culposa não advém o resultado lesivo.
Se este não ocorre, a simples conduta, conforme o caso,
constitui fato atípico.
Ex:. Esquecer o revólver ao alcance de crianças.
5. Nexo Causal
A consumação do crime culposo depende da ocorrência do
evento naturalístico, enquadrando-se na categoria dos
crimes materiais.
Como nos demais crimes materiais, o nexo causal,
consistente na relação de causa e efeito entre a conduta e
o evento, torna-se imprescindível à tipicidade do fato.
6. Previsibilidade Objetiva do Resultado
A previsibilidade objetiva é a possibilidade de ser antevisto
o resultado, nas condições em que o agente se encontrava.
A verificação da atuação com ou sem cautela é feita
através do exame do homem de mediana prudência e
mediano discernimento - “imprevisão do previsível”.
7. Previsibilidade Subjetiva do Resultado
É a possibilidade de previsão do resultado do ponto de vista
do agente, consoante suas aptidões e características
pessoais, quando do momento da prática da conduta.
Ex:. João interior – RJ – arrastão – tiro para o alto – esporte
asa delta.
Análise da previsibilidade objetiva: homem médio do local
onde ocorreu o fato RJ - fato típico. Análise da previsibilidade
subjetiva – interior - isento de pena.
Culpa consciente X Dolo eventual
Na culpa consciente, o agente, embora prevendo o
resultado, acredita sinceramente na sua não ocorrência, o
resultado previsto não é querido ou mesmo assumido pelo
agente. Não há reflexão.
No dolo eventual, embora o agente não queira diretamente
o resultado, assume o risco de vir a produzi-lo, portanto,
aceita o resultado. Há egoísmo.
Compensação de culpa X Concorrência de Culpa
“A” e “B” agem com imprudência, uma dando causa a
lesões na outra - ambas respondem pelo crime, pois uma
conduta não anula a outra. Não há compensação.
“A” dirige na contramão e “B” em excesso de velocidade,
dando causa a uma colisão, da qual resulta a morte de
“C”. A e B respondem pelo crime. Há concorrência.
Crimes qualificados pelo resultado
Nos crimes preterdolosos ou preterintencionais, há dolo no
antecedente e culpa no consequente.
Ex:. Lesão corporal seguida de morte do art. 129, § 3º do CP –
o sujeito dá um soco na vítima, que, durante a queda, bate a
cabeça no chão e morre. Note-se que o agente realiza a
conduta com a intenção de ferir (dolo), sobrevindo, por culpa,
a morte da vítima.
Responde pela lesão corporal a título de dolo e pela morte a
título de culpa.
Questão 1 - NTCS - 2024 - Prefeitura de São João da Baliza - RR - Guarda Municipal
Nos termos do Código Penal Brasileiro, especificamente sobre a diferenciação
entre o crime doloso e culposo, impera importantes aspectos de distinção.
Considerando a afirmativa, assinale a alternativa correta.
a) O crime culposo é aquele em que, pelo agente, há nítida intenção de produzir o
resultado, ou este assumiu o risco de produzi-lo, uma vez que presente o elemento de
culpa.
b) Se diz crime culposo quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,
negligência ou imperícia.
c) Se diz crime doloso quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,
negligência ou imperícia.
d) A definição de crime doloso não está prevista no ordenamento brasileiro, sendo
considerada mera ficção jurídica onde se constata, pela conduta do agente, que não há
intenção de produzir o resultado, e este não assumiu o risco de produzi-lo.
e) É possível afirmar que a culpa e o dolo são, na verdade, elementos que produzem ao
agente o mesmo nível de aplicação de pena, sem distinção, uma vez que, em ambas as
situações, existe a presença da consumação do crime.
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Questão 2 - MPE-PR - 2023 - MPE-PR - Promotor Substituto
Sobre o tipo dos crimes culposos, assinale a alternativa correta:
a) Os tipos de omissão de ação própria e imprópria admitem modalidades culposas.
b) As habilidades especiais de um expert em manuseio e disparos de armas de fogo,
como diferenças de capacidade individual do autor, devem ser consideradas na
culpabilidade, de acordo com o critério da individualização.
c) Na culpa inconsciente, o autor não prevê a possibilidade de realização do tipo
objetivo, por ausência de representação da lesão do dever de cuidado ou do risco
permitido, o que afasta a sua responsabilidade penal.
d) De acordo com a sistemática adotada pelo Código Penal brasileiro, na legítima defesa
putativa, a evitabilidade do erro não permite hipóteses de atribuição de
responsabilização penal a título de culpa, mas permite hipóteses de redução da
culpabilidade do agente, na terceira fase de aplicação da pena.
e) A exposição consentida a perigo criado por outrem e os perigos situados em área de
responsabilidade alheia configuram hipóteses de resultados situados fora da área de
proteção do tipo, que podem excluir a imputação do resultado de lesão do bem jurídico
ao autor.
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Questão 3 FGV - 2023 - SEFAZ-MG - Auditor Fiscal da Receita Estadual - Auditoria e
Fiscalização (Manhã)
Rebeca trabalha há muitos anos como instrumentadora cirúrgica e tem bastante
experiência na sua atuação. Sabe que, via de regra, os centros cirúrgicos exigem
tipos especiais de calçados para acesso. Tendo em vista sua larga experiência com
a atividade de instrumentação, Rebeca passa a utilizar sapatos de salto alto, por
ser muito vaidosa, e por ter certeza de que este fato não irá comprometer sua
atividade. Rebeca, certo dia, escorrega durante a atividade de instrumentação e
derruba a mesa auxiliar de instrumentação, caindo alguns objetos na área
cirúrgica. O acidente ocasionou danos graves no paciente, com sequela cicatricial
não esperada ao tipo de procedimento a que se submetia.
Neste caso, é possível dizer que a conduta de Rebeca, que implicou no resultado
lesivo ao paciente, foi praticada com:
a) dolo eventual.
b) culpa inconsciente, na modalidade imprudência.
c) culpa consciente, na modalidade imprudência.
d) culpa inconsciente, na modalidade imperícia.
e) culpa consciente, na modalidade imperícia.
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Questão 4 - VUNESP - 2022 - PC-SP - Médico Legista
Um médico generalista passou a realizar em sua clínica cirurgias plásticas. Após
uma rinoplastia, a paciente evolui com celulite de face, complicada por meningite
bacteriana com necessidade de internação por hipertensão intracraniana. Houve
ainda alteração estética permanente no nariz. Em acordo com o disposto no
código penal, assinale a alternativa correta.
a) Caracteriza-se um crime doloso por imprudência.
b) Trata-se de lesão corporal dolosa por imperícia de natureza grave.
c) O médico pode ser acusado de lesão corporal dolosa por negligência, de natureza
gravíssima.
d) O médico será indiciado por crime de lesão corporal culposa por negligência.
e) Trata-se de lesão corporal culposa por imperícia de natureza gravíssima.
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Jurisprudência
EXPLOSAO DE BOTIJAO DE GAS. VENDA AMBULANTE. IMPRUDENCIA.
HOMICIDIO CULPOSO. CARACTERIZACAO. Homicídioculposo e lesão corporal
culposa. Explosão de botijão de gás em carroça de venda de churros. Culpa. Imprudência.
Inobservância do dever objetivo de cuidado. Pena restritiva de direito aplicada com
razoabilidade e proporcionalidade diante das consequências do delito. 1. Para a
caracterização do delito culposo é preciso que o ato humano voluntário seja dirigido, em
geral, à realização de um fim lícito, mas que, por imprudência, imperícia ou negligência,
não tendo o agente observado o seu dever de cuidado, este dê causa a um resultado não
querido, nem mesmo assumido, tipificado previamente na lei penal. 2. Obviamente não
constitui ilícito vender churros na praça, quando autorizado para tal, porém, assim
como em qualquer atividade, o mínimo de prudência é o que se espera daquele que
trabalha com material inflamável. 3. Ao apelante cabia agir com cautela, guardando o
botijão em local mais arejado, longe de intensa fonte de calor, sendo a explosão do botijão
perfeitamente previsível e evitável, ainda mais por quem trabalha nesse ramo. 4. Pena
que deve ser mantida em seus exatos termos, posto ter sido aplicada com razoabilidade e
proporcionalidade, não se distanciando das consequências do crime, que resultou em
morte e lesão corporal com deformidade permanente. (TJRJ. AC - 2007.050.03299.
JULGADO: 09/10/2007. PRIMEIRA CAMARA CRIMINAL - Unanime. RELATOR:
DESEMBARGADOR ANTONIO JAYME BOENTE)
Jurisprudência
HOMICIDIO CULPOSO. NEGLIGENCIA. CARACTERIZACAO DO CRIME.
Homicídio culposo (art. 121, par. 3. e par. 4., C.P.). Prédio em construção.
Elevador precário. Ausência de segurança e manutenção. Operário esmagado.
Negligência. Inobservância das cautelas específicas. Conduta típica dos
engenheiros responsáveis pela construção da obra e do técnico da segurança do
trabalho. A vítima, operário contratado, morreu esmagado pelo elevador, que
funcionava irregularmente, para o transporte de material de construção e de
alguns moradores, sem qualquer manutenção e autorização. Dois réus,
engenheiros responsáveis pela execução, desenvolvimento e manutenção da
obra, conhecendo essas precárias condições de funcionamento do elevador,
omitiram-se no seu dever de cuidado, agindo com negligência, desatenção e
descaso. Da mesma forma, o técnico responsável pela segurança do trabalho.
Comprovada a conduta culposa, confirma-se a condenação, bem aplicadas as
penas. Recursos desprovidos. (TJRJ. AC - 2003.050.02714. JULGADO EM
30/08/2005. QUINTA CAMARA CRIMINAL - Unanime. RELATOR:
DESEMBARGADOR SERGIO DE SOUZA VERANI)
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