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PRINCÍPIOS PENAIS
ÍNDICE
1.  PRINCÍPIOS PENAIS - INTRODUÇÃO AO TEMA ............................................................5
Direitos e Garantias .............................................................................................................................................................5
Normas, Regras e Princípios ...........................................................................................................................................5
Sistema de proteção dos direitos fundamentais no Brasil ................................................................................5
2.  PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL OU DA ESTRITA LEGALIDADE ................................7
Conceito ....................................................................................................................................................................................7
Origem .......................................................................................................................................................................................7
Fundamento jurídico ...........................................................................................................................................................7
Fundamento político ...........................................................................................................................................................7
Princípio da reserva legal ou da estrita legalidade x legalidade .......................................................................8
Medidas provisórias e o Direito Penal ..........................................................................................................................8
3.  PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE .....................................................................................9
Previsão legal .........................................................................................................................................................................9
Características .......................................................................................................................................................................9
4.  PRINCÍPIOS DA ALTERIDADE E DA CONFIANÇA........................................................10
Princípio da alteridade ...................................................................................................................................................... 10
Princípio da confiança ...................................................................................................................................................... 10
5.  PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE OU RAZOABILIDADE ...................................11
1ª Vertente: proibição do excesso ou garantismo negativo .............................................................................. 11
2ª Vertente: Proibição da proteção insuficiente de bens jurídicos ou garantismo positivo ................ 11
O princípio ...............................................................................................................................................................................12
6.  PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA OU DA NECESSIDADE ................................13
Origem .................................................................................................................................................................................... 13
Princípio da intervenção mínima x princípio da reserva do legal .................................................................. 13
Destinatários ........................................................................................................................................................................ 13
Princípio da fragmentariedade e subsidiariedade ............................................................................................... 13
7.  PRINCÍPIOS DA INTRANSCENDÊNCIA, DA RESPONSABILIDADE PELO FATO E DA 
INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA ............................................................................................14
Princípio da Intranscendência ...................................................................................................................................... 14
Princípio da Responsabilidade Penal pelo Fato .................................................................................................... 14
Princípio da Individualização da pena ....................................................................................................................... 14
8.  PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL, DA CULPABILIDADE E DA EXCLUSIVA PRO-
TEÇÃO AO BEM JURÍDICO ...................................................................................................16
Princípio da adequação social ...................................................................................................................................... 16
Princípio da culpabilidade ............................................................................................................................................... 16
Princípio da exclusiva proteção do bem jurídico .................................................................................................. 16
Exclusiva proteção do bem jurídico x Alteridade .................................................................................................. 16
9.  PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - PARTE I ................................................................ 17
Origem .....................................................................................................................................................................................17
Tipicidade ...............................................................................................................................................................................17
Previsão Legal  .....................................................................................................................................................................17
Bagatela própria ................................................................................................................................................................. 18
Bagatela imprópria ............................................................................................................................................................ 18
10.  PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - PARTE II .............................................................19
Agente reincidente ............................................................................................................................................................ 19
Criminoso Habitual ............................................................................................................................................................ 19
Militares ................................................................................................................................................................................... 19
Descaminho ......................................................................................................................................................................... 19
Questões particulares relacionadas à vítima .......................................................................................................... 19
Violência doméstica: Súmula 589 do STJ .............................................................................................................. 19
Crimes contra a administração: Súmula 599 do STJ ........................................................................................ 20
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1. Princípios Penais - Introdução ao Tema
Direitos e Garantias
Ambos os termos constam no Título II da Constituição Federal, que se chama “Dos Direitos e 
Garantias Fundamentais”
DIREITOS
Direitossão conteúdos declaratórios que asseguram um interesse ao indivíduo, pois conferem 
vantagens. Por exemplo: direito à vida, à saúde e à liberdade de expressão. 
GARANTIAS
As garantias apresentam natureza assecuratória. É por meio delas que os direitos são 
exercidos. Por exemplo, todos têm o direito de ir e vir. Contudo, ao sofrer uma restrição ou 
ameaça de restrição a esse direito em razão de ilegalidade ou abuso de poder, a Constituição 
Federal confere a garantia do habeas corpus. 
Normas, Regras e Princípios
Norma é o gênero em que estão abarcados tantos os princípios quanto às regras.
PRINCÍPIOS
Os princípios são o norte seguido por um ordenamento. Eles estão no plano de desenvolvimento 
de uma sociedade, na busca que direitos sejam implementados e assegurados dentro das 
possibilidades jurídicas reais e existentes. No caso de conflitos entre princípios, não existe a 
aniquilação e sim o juízo de ponderação, momento em que se observa qual princípio deve 
prevalecer no caso concreto.
REGRAS
As regras são estruturadas para serem aplicadas no caso concreto, ou seja, possuem a 
finalidade de regular condutas praticadas pelas pessoas físicas e jurídicas em uma sociedade. A 
regra é aplicável ou não, inexistindo uma terceira opção. No conflito de normas, o intérprete 
pode se valer dos critérios da hierarquia, da especialidade e da cronologia.
Sistema de proteção dos direitos fundamentais no Brasil
A Constituição Federal prevê uma série de Direitos e Garantias no extenso rol previsto em seu 
art. 5º.  A Convenção Americana de Direitos Humanos é um tratado internacional celebrado 
em 1969 pelos países membros da Organização dos Estados Americanos, com a finalidade de 
regular o tema de forma regionalizada. O Tratado foi ratificado no Brasil apenas em 1992 e tem 
natureza subsidiária e suplementar.
5
Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados em 
Cada Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos, por ⅗ dos votos dos respectivos membros, 
serão equivalentes às emendas constitucionais, conforme previsto no Art. 5º, §3º, da 
Constituição Federal (EC 45/04). 
Os tratados e convenções não aprovados até 2008, foram considerados pelo STF com o 
status de lei ordinária. A partir de 2008, o STF reconheceu a hierarquia supralegal dos tratados 
internacionais de direitos humanos, estando, portanto, abaixo da Constituição Federal e 
acima da legislação infraconstitucional brasileira. 
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2. Princípio da Reserva Legal ou da Estrita Legalidade
Conceito
É a exclusividade da lei para a criação de delitos, contravenções penais e cominação de 
penas, com dimensão democrática, pois apresenta a aceitação do povo que é representado 
pelo Congresso Nacional. 
Art.5º, CF. [...]
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
Art. 1º, Código Penal. Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
Origem
Nullum crimen nulla poena sine lege: somente a lei pode criar crimes e cominar penas. 
O princípio teve origem na Inglaterra, em 1215, com o advento da Carta Magna, que 
estabelecia que nenhum homem livre  poderia ser submetido à pena sem prévia lei em vigor.  
Posteriormente, o princípio foi desenvolvido por Paul Johan Anselm Ritter von Feuerbach, 
baseado na sua Teoria da Coação Psicológica. Ou seja, toda imposição de pena, pressupõe 
uma lei penal e somente uma ameaça de um mal por meio da lei fundamenta a noção e a 
possibilidade jurídica da pena. 
Fundamento jurídico
O fundamento jurídico é a taxatividade, certeza ou determinação. É necessária a determinação 
precisa, ainda que mínima, do conteúdo do tipo penal e da sanção penal a ser aplicada. O 
desdobramento lógico é a não tolerância a analogia in malam partem. Ou seja, se os crimes 
e as penas devem estar expressas na lei, é vedada a utilização da analogia em prejuízo do 
sujeito.
Fundamento político
É a proteção do ser humano em face do árbitro poder de punir do Estado, enquadrando-
se entre os direitos fundamentais de 1ª Geração,  também conhecidos como direitos de 
liberdade. Eles foram conquistados no final do século XVIII e início do século XIX e se referem 
às liberdades civis e políticas, como a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, o 
direito à vida, à liberdade e à propriedade.
Esses direitos foram estabelecidos em documentos históricos como a Declaração de 
Independência dos Estados Unidos de 1776 e a Declaração dos Direitos do Homem e do 
Cidadão de 1789, que influenciaram a elaboração da Constituição brasileira de 1988.
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Princípio da reserva legal ou da estrita legalidade x legalidade
Quando se fala em princípio da legalidade, enquadram-se quaisquer espécies normativas 
previstas no art. 59, da Constituição Federal, pois adota o conceito de lei em sentido amplo, 
sendo qualquer ordem emanada do poder público. 
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
A reserva da lei trata de determinar a espécie normativa (lei ordinária ou complementar) que 
regerá uma matéria. Exige que seja a lei em sentido estrito, no sentido formal (criada de acordo 
com o processo legislativo previsto na Constituição Federal) e em sentido material (tratando 
de conteúdo constitucionalmente reservado às leis).
Medidas provisórias e o Direito Penal
Segundo o STF, as medidas provisórias podem ser usadas no Direito Penal desde que 
favoráveis ao réu (RHC 117.566/2013). O RHC 117.566/2013 trata de um caso específico 
de concessão de habeas corpus a um réu preso preventivamente por supostamente ter 
praticado crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. O Supremo Tribunal Federal 
(STF) concedeu o habeas corpus ao réu, e determinou a sua soltura imediata, com base em 
uma medida provisória que alterou a Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006).
A medida provisória em questão é a MP 766/2017, que previu a possibilidade de conversão 
da prisão preventiva em prisão domiciliar nos casos de mulheres gestantes ou com filhos de 
até 12 anos incompletos sob sua responsabilidade. O STF entendeu que a medida provisória 
era aplicável ao caso em questão, já que o réu era pai de uma criança com menos de 12 anos, 
e sua prisão preventiva havia sido decretada antes da edição da MP 766/2017.
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3. Princípio da Anterioridade
Previsão legal
Decorre, também, do art. 5º, XXXIX, da Constituição Federal e do art. 1º, do Código Penal. 
Ou seja, não há crime sem lei anterior que o defina, não há pena sem prévia cominação legal.
Características
A lei só produz efeitos a partir da data em que entra em vigor, ou seja, não retroage, salvo se 
beneficiar o réu.
ANTERIORIDADE E VACATIO LEGIS
E quando o fato típico está previsto em lei, mas ela se encontra em vacatio legis e o fato típico 
é praticado durante este período? É proibida a aplicação da lei penal aos fatos praticados 
durante o período do vacatio. Embora publicada e vigente, a lei ainda não estará em vigor e 
não alcançará as condutas praticadas no período. 
 
(IR)RETROATIVIDADE?
• Novatio legis in mellius ou lex mitior: é a nova lei que de qualquer modo favorece o réu, mesmo 
que o delito continue tipificado. Quando a nova lei é benéfica ao réu, pode retroagir, uma vez que gera 
efeitos a casos julgados antes de sua vigência. A retroatividade é automática, uma vez que dispensa 
cláusula expressa nesse sentido. 
• Novatio legis in pejus é a nova lei que agrava a situação do acusado de um crime já tipificado. 
• Novatio legis incriminadora é a norma que cria um novo tipo penal até então inexistente no orde-
namento jurídico. 
Nas duas últimas hipóteses as normas jamais alcançarão fatos ocorridos antes das respectivas 
vigências.
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4. Princípios da Alteridade e da Confiança
Princípio da alteridade
Foi desenvolvido por Claus Roxin. Esse princípio proíbe a incriminação de conduta meramenteinterna do agente, bem como do pensamento ou de conduta moralmente censuráveis, 
incapazes de invadir o patrimônio jurídico alheio. Ou seja, ninguém pode ser punido por causar 
mal apenas a si próprio. 
O princípio é fundamentado na impossibilidade da punição da autolesão. Observa-se, 
portanto, que é atípica a conduta de consumir drogas, uma vez que o crime tipificado no art. 
28, da Lei nº11.343.2006 tem como a saúde pública como objetividade jurídica.
Princípio da confiança
Difundido pelo Direito Penal espanhol, o princípio da confiança é requisito para a existência 
do fato típico e tem como base a premissa de que todos devem esperar por parte das outras 
pessoas, comportamentos responsáveis e em consonância com o ordenamento jurídico, 
buscando evitar danos a terceiros. 
Confia-se que o comportamento do outro se dará de acordo com as regras da experiência, 
levando em conta o juízo estatístico alicerçado naquilo que normalmente acontece. Exemplo: 
um indivíduo que, com base na legislação em vigor, adquire uma arma de fogo de forma legal, 
respeitando todos os requisitos exigidos pela lei. No entanto, posteriormente, a legislação 
é alterada e o porte de arma passa a ser considerado crime. Se o indivíduo for punido 
retroativamente pelo porte da arma adquirida de forma legal antes da mudança na legislação, 
o princípio da confiança pode ser invocado como argumento de defesa, já que ele agiu de 
acordo com a legislação anterior e confiou na sua legalidade.
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5. Princípio da Proporcionalidade ou Razoabilidade
1ª Vertente: proibição do excesso ou garantismo negativo
Essa vertente trata da proibição de punir mais do que o necessário, ou seja, de forma exagerada, 
a proteção do bem jurídico. Na Arguição de Inconstitucionalidade no HC 239.363/PR, do 
STJ, entendeu-se a inconstitucionalidade do preceito secundário do art. 273, §1º-B, V, do 
Código Penal, por ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 
Art. 273. Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais:
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa.
§1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no § 1º em relação a produtos em 
qualquer das seguintes condições:
I - sem registro, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária competente; 
II - em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior; 
III - sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua comercialização; 
IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade; 
V - de procedência ignorada; 
VI - adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária competente. 
Anteriormente à redação da Lei nº 9677/1998, a pena prevista era de 01 a 03 anos e multa. 
No caso, o réu tinha sido condenado à pena de 11 anos de reclusão e ao pagamento de 80 
dias-multa, por incursão no art. 273, §1º-B, V, do Código Penal, porque mantinha em depósito, 
para vender, medicamentos de procedência ignorada, conhecidos por serem utilizados como 
anabolizantes.
No julgamento, consideraram a indispensabilidade do dano concreto à saúde do pretenso 
usuário do produto, evidenciando a falta de harmonia entre o delito e a pena abstratamente 
cominada, comparando, por exemplo, com o crime de tráfico ilícito de drogas.
2ª Vertente: Proibição da proteção insuficiente de bens 
jurídicos ou garantismo positivo
Nesta vertente, não se pode punir menos que o necessário para a proteção do bem jurídico, ou 
seja, de forma insuficiente. Um exemplo pode ser a descriminalização do aborto, que poderia 
ser considerada inconstitucional em razão da insuficiente proteção ao direito fundamental à 
vida. 
11
O princípio
O princípio da proporcionalidade funciona como forte barreira impositiva de limites ao 
legislador, A lei penal que não protege um bem jurídico é ineficaz, tratando-se de intervenção 
excessiva na vida dos indivíduos em geral. Esse princípio possui três destinatários: 
1. O legislador - proporcionalidade abstrata: é o momento no qual são eleitas as penas 
mais apropriadas para cada infração penal, bem como as respectivas gradações.
2. O juiz da ação penal - proporcionalidade concreta: é o momento em que o magis-
trado se orienta no julgamento da ação penal, promovendo a individualização da pena 
adequada ao caso concreto. 
3. Órgãos de execução penal - proporcionalidade executória: quando incidem as regras 
inerentes ao cumprimento da pena, levando-se em conta as condições pessoais e o 
mérito do condenado. 
12
6. Princípio da Intervenção Mínima ou da Necessidade
Origem
Para evitar que o legislador criasse  tipos penais iníquos e instituísse  penas vexatórias à 
dignidade da pessoa humana, a Declaração dos Direitos dos Homem e do Cidadão (1789) 
estabeleceu em seu art. 8º que a lei somente deve prever as penas estritamente necessárias.
Assim, surgiu o princípio da intervenção mínima, afirmando ser legítima a intervenção penal 
apenas quando a criminalização de um fato constituir meio indispensável para a proteção de 
determinado bem ou interesse, não podendo ser tutelado por outros ramos do ordenamento 
jurídico.
Princípio da intervenção mínima x princípio da reserva do 
legal
O princípio da intervenção mínima funciona como um complemento ao princípio da reserva 
legal, uma vez que, apesar de o legislador ser o titular da lei, não poderá dela abusar. Todo tipo 
penal cumpre o princípio da reserva legal, entretanto, poderá violar o princípio da intervenção 
mínima. 
Destinatários
O princípio da intervenção mínima possui dois destinatários: 
1. O legislador: é recomendada a moderação no momento de eleger as condutas dig-
nas de proteção penal. Somente podem ser castigados aqueles que não puderem ser 
contidos por outros ramos do Direito.
2. O intérprete do Direito: a ele é exigido não proceder à operação de tipicidade quan-
do constatar que a pendência pode ser resolvida com a atuação de outros ramo do 
sistema jurídico, em que pese a criação, pelo legislador, do tipo penal incriminador. 
Princípio da fragmentariedade e subsidiariedade
Do princípio da intervenção mínima decorrem dois princípios: 
1. Fragmentariedade: nem todos os ilícitos configuram infrações penais, mas apenas 
os que atentam contra os valores fundamentais para a manutenção e o progresso do 
ser humano e da sociedade. Ele se manifesta no plano abstrato, no momento da cria-
ção do tipo penal.  Em razão do caráter fragmentário, o Direito Penal é a última etapa de 
proteção do bem jurídico.
2. Subsidiariedade: a atuação do Direito Penal só é cabível quando os outros ramos do 
Direito e os demais meios estatais de controle social forem impotentes para o controle 
da ordem pública. O Direito Penal funciona como um executor de reserva. Ele se mani-
festa no plano concreto, ou seja, no momento da aplicação do Direito Penal.
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7. Princípios da Intranscendência, da Responsabilidade 
pelo Fato e da Individualização da Pena
Princípio da Intranscendência
Tem como fundamento que ninguém pode ser responsabilizado por fato cometido por terceira 
pessoa, consequentemente, a pena não pode ser passada para terceira pessoa. 
Art. 5º, CF. [...]
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação 
do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite 
do valor do patrimônio transferido;
Segundo o Supremo Tribunal Federal:
O postulado da intranscendência impede que sanções e restrições de ordem jurídica superem a 
dimensão  estritamente pessoal do infrator. (AgRG no EDcl nos REsp 965.071/RS)
Esse princípio é a base legal para que exista o incidente de ilegitimidade de parte.
Princípio da Responsabilidade Penal pelo Fato
Não se admite o direito penal do autor, mas somente o Direito Penal do Fato, que é aquele 
que se preocupa com o fato típico e ilícito praticado pelo agente, não importando quem ele 
seja. Ninguém pode ser punido por questõespessoais. A pena se destina ao agente culpável 
condenado somente após o devido processo legal, pela prática de um fato típico e ilícito. 
O Direito Penal do Autor pode ser lembrado como o da Alemanha Nazista, na qual não existiam 
propriamente crimes, mas, criminosos.  Atualmente, este guarda sintonia com o Direito Penal 
do inimigo. 
Princípio da Individualização da pena
As penas devem ser cominadas e executadas levando-se em consideração as condutas 
praticadas, bem como o agente que as executou. Tem como objetivo evitar a padronização 
de sentenças, pois são consideradas as particularidades de cada caso.
Art.5º, CF. [...]
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
14
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Não se leva a norma penal em abstrato, mas especialmente, os aspectos subjetivos e objetivos 
do crime. É desenvolvido em três planos: 
1. Legislativo: quando é descrito o tipo penal e estabelecidas as sanções adequadas, 
indicando seus limites, mínimo e máximo, e as circunstâncias aptas a aumentar ou di-
minuir a reprimenda.
2. Judicial: é a que complementa o plano legislativo e efetivada pelo juiz, quando aplica 
a pena utilizando-se de todos os instrumentos fornecidos pelos autos da ação penal, 
em obediência ao sistema trifásico delineado pelo art. 68, do Código Penal ou ainda 
pelo sistema bifásico inerente à sanção pecuniária (art. 49, Código Penal)
3. Administrativo: efetuada durante a execução da pena, quando o Estado deve zelar 
pelo condenado de forma singular.
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8. Princípio da Adequação Social, da Culpabilidade e da 
Exclusiva Proteção ao Bem Jurídico
Princípio da adequação social
Não pode ser considerado criminoso o comportamento humano que, embora tipificado em 
lei, não afronta o sentimento social de Justiça. Por exemplo: trotes acadêmicos moderados, 
circuncisão realizada pelos judeus, furo na orelha de bebê para colocar brinco. 
Princípio da culpabilidade
Nullum crimen sine culpa: ninguém será considerado culpado por um crime e nem sofrerá 
uma pena sem que uma autoridade judicial competente tenha analisado as provas e proferido 
um juízo de condenação. 
Existem 3 acepções do termo culpabilidade: 
1. Culpabilidade como parte do conceito de crime, sendo a possibilidade do indivíduo 
entender o caráter ilícito da conduta e determinar suas ações para consumar o delito.
2. Culpabilidade como medida de sanção, ou seja, o indivíduo deve receber uma pena 
proporcional à lesão ao bem jurídico por ele causado.
3. Culpabilidade como sinônimo da presença de dolo ou culpa na conduta do agente, 
evitando a responsabilidade penal objetiva. 
Princípio da exclusiva proteção do bem jurídico
O Direito Penal moderno é o Direito Penal do bem jurídico. Ou seja, é vedado ao Direito Penal 
a preocupação com as intenções e pensamentos das pessoas, do seu modo de viver ou de 
pensar, ou ainda, de suas condutas internas, enquanto não exteriorizada a atividade delitiva. 
O Direito Penal não é utilizado para resguardar questões de ordem moral, ética, ideológica, 
religiosa, política ou semelhantes. A sua função é a proteção de bens jurídicos fundamentais 
para a preservação e o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. 
Exclusiva proteção do bem jurídico x Alteridade
Não se confunde o princípio da exclusiva proteção do bem jurídico com o princípio da alteridade. 
No segundo, há um bem jurídico a ser penalmente tutelado, mas pertence exclusivamente ao 
responsável pela conduta legalmente prevista, razão pela qual o Direito não está autorizado a 
intervir. No primeiro, não há interesse legítimo a ser protegido pelo Direito Penal.  
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9. Princípio da Insignificância - Parte I
O princípio da insignificância é causa excludente da tipicidade caracterizada pela ausência 
de tipicidade material na conduta do agente, em razão da ínfima lesão ou perigo de lesão 
causado ao bem jurídico tutelado penalmente. 
Origem
O princípio surgiu no Direito Civil, derivado do brocardo minimus non curat praeter. Significando 
que o Direito Penal não deve se preocupar com assuntos irrelevantes, incapazes de lesar o 
bem jurídico legalmente tutelado. Foi estruturado em 1965 e incorporado por Claus Roxin.
Tipicidade
Calcado em valores de política criminal, funciona como causa excludente de tipicidade, 
desempenhando uma interpretação restritiva do tipo penal. A tipicidade divide-se em duas:
• Formal: é a conduta praticada pelo agente e que se adéqua, perfeitamente, à descrição abstrata 
prevista no ordenamento penal.
• Material: é a efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico protegido pela lei penal. 
Previsão Legal 
Código Penal Militar
Art. 209. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Lesão levíssima [...]
§6º No caso de lesões levíssimas, o juiz pode considerar a infração como disciplinar.
Art. 240. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Furto atenuado
§1º Se o agente é primário e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela 
de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou considerar a infração como disciplinar. Entende-se pequeno o 
valor que não exceda a um décimo da quantia mensal do mais alto salário mínimo do país.
HABEAS CORPUS 84.412, STF
São considerados para a aplicação do princípio da insignificância: 
• A mínima ofensividade da conduta do agente;
• A falta de periculosidade social da ação;
• O reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;
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• A inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Bagatela própria
Trata-se do princípio da insignificância. Esse princípio é baseado na ideia de que o sistema 
penal não deve ser acionado para proteger bens jurídicos de valor ínfimo, devendo ser reservado 
apenas para os casos de lesão ou ameaça efetiva a valores essenciais da sociedade.
Assim, o princípio da insignificância busca limitar a aplicação do Direito Penal somente aos 
casos em que haja efetiva lesão ou perigo de lesão a bens jurídicos relevantes, evitando a 
criminalização de condutas que não representam uma ameaça significativa à sociedade.
O princípio da insignificância deve evitar o início da ação penal, pois a conduta praticada 
é considerada atípica e não deve ser objeto de punição pelo Direito Penal. No entanto, é 
importante ressaltar que cada caso deve ser analisado individualmente, levando em 
consideração todas as circunstâncias envolvidas. Além disso, é necessário que a conduta 
seja considerada materialmente insignificante, ou seja, que não tenha causado dano ou risco 
significativo ao bem jurídico tutelado.
Bagatela imprópria
Não há previsão legal no Brasil. A infração de bagatela imprópria é aquele que surge como 
relevante para o Direito Penal, pois apresenta desvalor da conduta e do resultado.
O fato típico é ilícito, o agente é dotado de culpabilidade e o Estado possui o direito de punir. 
Mas, após a prática do fato, a pena se revela incabível no caso concreto, pois diversos fatores 
recomendam seu afastamento, como por exemplo: sujeito com personalidade ajustada ao 
convívio social, colaboração com a Justiça, reparação do dano causado à vítima, reduzida 
reprovabilidade do comportamento, reconhecimento da culpa, ônus provocado pelo fato de 
ter sido processado ou preso provisoriamente.
A sua pertinência deve ser realizada na situação fática e jamais no plano abstrato. O fato 
real deve ser confrontado com um princípio basilar do Direito Penal, como por exemplo, o da 
necessidade da pena. 
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10. Princípio da Insignificância - Parte II
Agente reincidente
A reincidência não impede que o Juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, 
à luz dos elementos dos caso concreto (HC 123.108/2015, STF). Explica-se que esse princípio 
envolve um juízo amplo, que vai além da simples aferição do resultado material da conduta, 
abrangendo, também, a reincidência ou contumácia do agente, elementos que, embora nãodeterminantes, devem ser considerados. 
Criminoso Habitual
Tanto o STJ quanto o STF negam, em regra, a aplicação do princípio da insignificância para o 
criminoso habitual.
Militares
É negada a aplicação em razão da violação da disciplina e hierarquia, fundamentos da 
atividade militar.
Descaminho
O STF e o STJ (REsp 1.112.748/2018) consideraram insignificantes a sonegação que não 
supera o valor de R$10.000,00. Posteriormente, duas portarias do Ministério da Fazenda 
atualizaram a quantia para R$20.000,00.
O entendimento se deu em razão do art. 20, da Lei n. 10.522/2002, com a redação dada pela 
Lei n. 11.033/2004. 
Art. 20. Serão arquivados, sem baixa na distribuição, mediante requerimento do Procurador da Fazenda 
Nacional, os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União pela Procuradoria-
Geral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados, de valor consolidado igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil 
reais). 
Questões particulares relacionadas à vítima
A vítima pode obstar a aplicação do princípio da insignificância. Também pode ser analisada 
a extensão do dano e o valor sentimental do bem.
Violência doméstica: Súmula 589 do STJ
É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados 
contra a mulher no âmbito das relações domésticas. Também não cabe bagatela imprópria, 
em razão da gravidade social gerada pelas agressões e ameaças.
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Crimes contra a administração: Súmula 599 do STJ
O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública em razão 
da moralidade pública. Mas o STF tende a ser mais flexível com a aplicação do princípio.
Súmula 606 do STJ. Não se aplica o princípio da insignificância a casos de transmissão clandestina de sinal de 
internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no art. 183, da Lei n. 9.472/1997.
Princípios Penais
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