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PETIÇÃO INICIAL ART. 319 - 331 Art. 2º. O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, (...). • Princípio da INÉRCIA da Jurisdição - A jurisdição somente poderá ser exercida caso seja provocada pela parte. • Princípio da DEMANDA – Só se reconhece à parte o poder de iniciar o processo. Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando requerida pela parte. Não há instauração de processo pelo juiz ex officio. • Princípio da Congruência/Adstrição – O juiz deve ficar limitado ou adstrito ao pedido da parte. Apreciará a lide nos termos em que foi proposta, sendo-lhe vedado conhecer questões não suscitadas pelos litigantes. Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. OBS: A violação ao princípio da Adstrição pode resultar das seguintes hipóteses: • Decisão CITRA PETITA - o juiz concede menos do que foi pedido pelas partes; • Decisão ULTRA PETITA - o juiz concede mais do que foi pedido pelo autor; • Decisão EXTRA PETITA - o juiz concede pedido diverso daquele postulado pelo autor. Pode dizer respeito ao pedido mediato (objeto da relação de direito material; bem da vida), ou ao pedido imediato (tutela jurisdicional). •Ação - É o direito de exigir do Estado a Jurisdição. •Demanda - É o exercício da ação, é a ação sendo posta em movimento. •Petição Inicial - É o instrumento da demanda. ART. 319. A PETIÇÃO INICIAL INDICARÁ: I - O JUÍZO A QUE É DIRIGIDA; • Endereçamento - é a indicação do órgão judiciário que apreciará a petição inicial, ou seja, o juiz ou tribunal. • É aqui que o autor estabelece a competência, seja do juízo monocrático, seja como competência originária do Tribunal. • A competência é determinada pela legislação que disciplina qual juízo será responsável pela análise e julgamento do feito, observando a competência material, pessoal, funcional, territorial, o valor da causa e dentre outras a especialidade da justiça. • A distribuição da competência é feita pela Constituição Federal, pelos diplomas processuais civil e penal e pelas leis de organização judiciária, além da distribuição interna da competência nos tribunais, feita pelos seus regimentos internos. • v. CPC, Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Ex.: CIVIL AO JUÍZO DA __ VARA CÍVEL DA COMARCA DA GRANDE ILHA DE SÃO LUÍS, TERMO DE SÃO LUÍS/MA Ex.: FAMÍLIA AO JUÍZO DA __ VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DA GRANDE ILHA DE SÃO LUÍS, TERMO DE SÃO LUÍS/MA Ex.: FAZENDA PÚBLICA AO JUÍZO DA __ VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DA GRANDE ILHA DE SÃO LUÍS, TERMO DE SÃO LUÍS/MA • v. CF, art. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais: I - processar e julgar, originariamente: a) os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade (...); Ex.: AO EGRÉGIO TRIBUNAL FEDERAL DA n REGIÃO. • v. CF, art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, (...); Ex.: AO JUÍZO DA __ VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO MARANHÃO. • v. CE/MA, art. 81. Compete ao Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente: (...); VI- o habeas-corpus e o mandado de segurança contra atos do Governador do Estado (...); Ex.: AO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO. • v. Lei 9.099/95, Art. 3º. O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas: I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo; (...); Ex.: AO JUÍZO DO n JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E DAS RELAÇÕES DE CONSUMO DE SÃO LUÍS/MA. ART. 319. A PETIÇÃO INICIAL INDICARÁ: II - OS NOMES, OS PRENOMES, O ESTADO CIVIL, A EXISTÊNCIA DE UNIÃO ESTÁVEL, A PROFISSÃO, O NÚMERO DE INSCRIÇÃO NO CADASTRO DE PESSOAS FÍSICAS OU NO CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA, O ENDEREÇO ELETRÔNICO, O DOMICÍLIO E A RESIDÊNCIA DO AUTOR E DO RÉU; Ex.: PF - Fulano de Tal, casado, comerciante, portador do CPF n° 123.456.783-00, e-mail fulano_de_tal@gmail.com, residente e domiciliado na rua x, s/n, bairro y, São Luís/MA. PJ - Empresa XYZ, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob nº 98.765.432/0001-00, e-mail atendimento@xyz.com, com sede localizada na rua z, s/n, São Luís/MA. Mas e se o autor não dispor de todos esses dados do réu? § 1º. CASO NÃO DISPONHA DAS INFORMAÇÕES PREVISTAS NO INCISO II, PODERÁ O AUTOR, NA PETIÇÃO INICIAL, REQUERER AO JUIZ DILIGÊNCIAS NECESSÁRIAS A SUA OBTENÇÃO. § 2º. A PETIÇÃO INICIAL NÃO SERÁ INDEFERIDA SE, A DESPEITO DA FALTA DE INFORMAÇÕES A QUE SE REFERE O INCISO II, FOR POSSÍVEL A CITAÇÃO DO RÉU. § 3º. A PETIÇÃO INICIAL NÃO SERÁ INDEFERIDA PELO NÃO ATENDIMENTO AO DISPOSTO NO INCISO II DESTE ARTIGO SE A OBTENÇÃO DE TAIS INFORMAÇÕES TORNAR IMPOSSÍVEL OU EXCESSIVAMENTE ONEROSO O ACESSO À JUSTIÇA. ART. 319. A PETIÇÃO INICIAL INDICARÁ: III - O FATO E OS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO; • Causa de Pedir é o fundamento do pedido. É o conjunto dos fatos necessários para deduzir, com base em norma jurídica, que o autor é titular de um direito violado pelo réu. É o conjunto dos fatos com base nos quais se pode, se provados, afirmar a procedência da ação. • A causa de pedir é o fundamento de fato e de direito do pedido. É formada por dois aspectos: A fundamentação de fato e a fundamentação de direito (Teoria da Substanciação). • Fundamentação de Fato (causa de pedir próxima) = Fato constitutivo do direito do autor (c.p. ativa) + Fato violador do direito do autor (c.p. passiva). (Ex. Contrato + Inadimplemento) • Fundamentação de Direito/Jurídica (causa de pedir remota) = é a explicação à luz do ordenamento jurídico do porquê o autor merece o que está pedindo diante dos fatos que narrou. Obs. Fundamento Legal é a indicação do artigo de lei no qual se fundamenta a decisão. Fund. Legal é dispensável e não vincula o autor ou o juiz, não fazendo parte da causa de pedir. Obs. Narra mihi factum dabo tibi jus (dê-me os fatos e eu te darei o direito) – iura novit cúria (o Tribunal conhece o direito). ART. 319. A PETIÇÃO INICIAL INDICARÁ: IV - O PEDIDO COM AS SUAS ESPECIFICAÇÕES; É a indicação da pretensão jurisdicional do autor. •Pedido Imediato = Sentença (Aspecto Processual) – Condenatória, Declaratória, Satisfativa (...). •Pedido Mediato = Condenação do réu (Aspecto Material) – Gênero do bem pleiteado. •Pedido Certo (Art. 322) - é aquele feito de forma expressa, com precisão, de conteúdo explícito. •Pedido Determinado (Art. 324) – é aquele definido quanto à quantidade e qualidade. Resultará da liquidez da sentença. • Pedido Genérico (exceção) – Art. 324, § 1º, I, II e III – Quando houver universalidade de bens; Quando impossível a fixação do valor do dano; Quando o valor depender de ato a ser praticado pelo réu. • Pedido Implícito (exceção) (Art. 322, § 1º e 323) – Pedidos óbvios. Ex. juros legais, correção monetária, verbas de sucumbência e honorários advocatício, prestações de trato sucessivo. •Pedidos Cumulados (Art. 325 a 327). Espécies de Cumulação: Cumulação Própria – Simples ou Sucessiva. Cumulação Imprópria – Subsidiária/Eventual ou Alternativa. Cumulação Própria: Quando for possível a procedência simultânea de todos os pedidos. • Cumulação Própria Simples: O resultado de um dos pedidos não interfere e nem condiciona os demais. É possível o acolhimento de todos os pedidos. Ex.: Danos morais + Danos materiais.• Cumulação Própria Sucessiva: Há relação de prejudicialidade entre pedidos. Os pedidos podem ser acolhidos de forma cumulada, contudo, se o pedido anterior for rejeitado o segundo restará prejudicado. (Ex.: Investigação de paternidade e Pensão Alimentícia). Cumulação Imprópria: Quando apenas um dos pedidos puder ser concedido. • Cumulação Imprópria Subsidiária/Eventual: O segundo pedido somente será apreciado se o primeiro não for acolhido. Ex.: Pedido 1 = rescisão integral do contrato. Pedido 2 = revisão de determinada cláusula do contrato. • Cumulação Imprópria Alternativa: Não há ordem de preferência para a concessão dos pedidos. Ex. Consumidor que pede a troca do produto, a devolução do dinheiro ou a concessão de desconto. ART. 319. A PETIÇÃO INICIAL INDICARÁ: V - O VALOR DA CAUSA; Art. 291 - A toda causa será atribuído valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível. Obs. O art. 292 indica as regras específica para o calculo do valor da causa. Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da reconvenção e será: I - na ação de cobrança de dívida, a soma monetariamente corrigida do principal, dos juros de mora vencidos e de outras penalidades, se houver, até a data de propositura da ação; II - na ação que tiver por objeto a existência, a validade, o cumprimento, a modificação, a resolução, a resilição ou a rescisão de ato jurídico, o valor do ato ou o de sua parte controvertida; III - na ação de alimentos, a soma de 12 (doze) prestações mensais pedidas pelo autor; IV - na ação de divisão, de demarcação e de reivindicação, o valor de avaliação da área ou do bem objeto do pedido; V - na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral, o valor pretendido; VI - na ação em que há cumulação de pedidos, a quantia correspondente à soma dos valores de todos eles; VII - na ação em que os pedidos são alternativos, o de maior valor; VIII - na ação em que houver pedido subsidiário, o valor do pedido principal. § 1o Quando se pedirem prestações vencidas e vincendas, considerar-se-á o valor de umas e outras. § 2o O valor das prestações vincendas será igual a uma prestação anual, se a obrigação for por tempo indeterminado ou por tempo superior a 1 ano, e, se por tempo inferior, será igual à soma das prestações. § 3o O juiz corrigirá, de ofício e por arbitramento, o valor da causa quando verificar que não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao proveito econômico perseguido pelo autor, caso em que se procederá ao recolhimento das custas correspondentes. ART. 319. A PETIÇÃO INICIAL INDICARÁ: VI - AS PROVAS COM QUE O AUTOR PRETENDE DEMONSTRAR A VERDADE DOS FATOS ALEGADOS; Indicação de todas as provas que o autor pretende produzir, seja testemunhal, documental, pericial e etc. Basta a indicação genérica para que o presente requisito seja atendido. ART. 319. A PETIÇÃO INICIAL INDICARÁ: VII - A OPÇÃO DO AUTOR PELA REALIZAÇÃO OU NÃO DE AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO OU DE MEDIAÇÃO. Art. 334. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 dias de antecedência. ART. 320. A PETIÇÃO INICIAL SERÁ INSTRUÍDA COM OS DOCUMENTOS INDISPENSÁVEIS À PROPOSITURA DA AÇÃO. • Documentos Indispensáveis são aqueles que cuja ausência impedem o julgamento de mérito da demanda. Ex. Ação de divórcio – Certidão de casamento. • Caso o autor não tenha acesso a tais documentos o juiz poderá requisitá- los de ofício ou a pedido do autor. Obs. A ausência de tais documentos indispensáveis enseja a possibilidade de emenda da petição inicial no prazo de 15 dias. A não juntada dos documentos ensejará no indeferimento da inicial (art. 321). ADITAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL ART. 329. O AUTOR PODERÁ: I - ATÉ A CITAÇÃO, ADITAR OU ALTERAR O PEDIDO OU A CAUSA DE PEDIR, INDEPENDENTEMENTE DE CONSENTIMENTO DO RÉU; Obs. Aditar = Acrescentar; Alterar = Modificar II - ATÉ O SANEAMENTO DO PROCESSO, ADITAR OU ALTERAR O PEDIDO E A CAUSA DE PEDIR, COM CONSENTIMENTO DO RÉU, ASSEGURADO O CONTRADITÓRIO MEDIANTE A POSSIBILIDADE DE MANIFESTAÇÃO DESTE NO PRAZO MÍNIMO DE 15 DIAS, FACULTADO O REQUERIMENTO DE PROVA SUPLEMENTAR. Obs. Após a fase de saneamento não é possível aditamento ou alteração da petição inicial. DESISTÊNCIA DA AÇÃO ART. 485 (...): § 4º Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. § 5º A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença.