Prévia do material em texto
Profa. Ma. Mônica Bortolassi UNIDADE I Direito nas Organizações Direito é o conjunto de leis e costumes que organizam a vida de um determinado grupo social, historicamente situado, modificando essas regras à medida que adota novas formas de organização. Todos os grupos sociais em todas as épocas da história adotaram regras de conduta para organizar a vida social e impedir que a força física prevalecesse. Direito Público: regula os interesses gerais da sociedade (constitucional, administrativo, penal, processual, ambiental, internacional). Direito Privado: regula os interesses dos particulares nas relações que estabelecem entre si (civil, empresarial). O que é Direito? Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/justi%c3%a7a -balan%c3%a7a-advogado-juiz-7998693/ Civil Law: O Brasil adota o sistema de civil law, em que o sistema jurídico é regido prioritariamente por leis escritas e hierarquizadas. Os juízes decidem os casos concretos que forem levados ao Poder Judiciário, fundamentando-se nas leis. Trata-se do sistema de prevalência das leis. Common Law: Sistema adotado em países como Inglaterra e Estados Unidos, onde as decisões judiciais anteriores têm mais relevância que o texto da lei. Nesses países, o magistrado, ao julgar um caso concreto, estuda que decisões foram adotadas no passado em casos semelhantes e julga com base nessas decisões anteriores. Sistema jurídico brasileiro Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/livros- justi%c3%a7a-lei-lei-civil-5658928/ Jurisprudência: Conjunto de decisões semelhantes anteriores que podem ser aplicadas para a solução de casos posteriores, desde que presentes as semelhanças necessárias. A utilização dos julgados anteriores, como parâmetro para decisões judiciais atuais, não torna o Brasil um país inserido no sistema da common law. Continuamos sendo um país de sistema jurídico em que prevalece a força da lei escrita e hierarquizada. Sistema jurídico brasileiro Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/congresso- nacional-bras%c3%adlia-5991196/ As leis são regras escritas criadas pelo Poder Legislativo e publicadas obrigatoriamente para todos que residem no Brasil. Artigo 5º da Constituição Federal (Brasil, 1988): “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Quando existe uma lei sobre determinado tema, ela deve ser obedecida. A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), em seu artigo 3º, estabelece que “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (Brasil, 1942). Portanto, uma vez aprovada e publicada, a lei deve ser conhecida por todos os cidadãos, que não podem usar o desconhecimento como justificativa para deixar de cumprir suas obrigações. A força da lei no Brasil A Constituição Federal é a lei mais importante do Brasil, também chamada de Carta Magna ou Lei Maior. Nenhuma outra lei pode colidir com o que está disposto na Constituição. Caso isso ocorra, a lei será considerada inconstitucional. Além do Poder Legislativo federal – representado pela Câmara dos Deputados, que representa o povo – e do Senado federal, que representa os Estados federativos –, temos no Brasil ainda os Legislativos estaduais e municipais, representados pelas Assembleias Legislativas e pelas Câmaras municipais. Nenhuma lei no Brasil, seja ela federal, estadual ou municipal, pode violar a Constituição Federal, sob pena de ser considerada inconstitucional e afastada do ordenamento jurídico. A Constituição Federal brasileira: a lei mais importante do país Para assegurar a harmonia social, as leis precisam seguir determinados critérios que visam prevenir conflitos entre normas. Irretroatividade da lei: nenhuma lei produzirá efeitos para fatos ocorridos anteriormente à sua edição, sendo aplicada apenas a situações que ocorram após a sua entrada em vigor. Conflito de leis no tempo Aprovação da lei: A lei é aprovada pelo Legislativo e publicada oficialmente Vacatio Legis: Período de vacância onde a lei está aprovada, mas ainda não está em vigor Lei entra em vigor: A lei passa a ser obrigatória e aplicável a fatos futuros Irretroatividade da lei: A lei não se aplica a fatos anteriores à sua vigência Respeitados esses três princípios, as leis podem ser alteradas, modificadas ou atualizadas sem gerar insegurança para os cidadãos e para suas atividades empresariais. Isso é muito importante para que uma sociedade se desenvolva em harmonia. Segurança jurídica Ato jurídico perfeito: Aquele que atende a todas as formalidades legais da época em que foi firmado por livre vontade das partes. Exemplos: contratos de compra e venda, casamento, locação. Direito adquirido: É aquele que já pertence a uma pessoa, seja ele um direito da personalidade ou um direito patrimonial. Exemplo: aposentadoria concedida antes de mudança na lei previdenciária. Coisa julgada: Decisão judicial contra a qual não cabe mais nenhum recurso processual e que não pode ser modificada, nem por nova lei. Território O Estado brasileiro tem soberania em seu território para adotar as leis aprovadas pelo Poder Legislativo, mas o campo de aplicação dessas leis é o território brasileiro, porque não há autoridade fora dos limites de nosso território, na medida em que cada país do mundo adota e cumpre suas próprias leis. Territorialidade da lei Fonte: https://pixabay.com/pt/vectors/brasil- geografia-mapa-regi%c3%a3o-153889/ Território é a porção de terra contínua ou não em que uma nação vive, se organiza e determina as regras de cumprimento obrigatório para todos. Território solo subsolo espaço aéreo águas fluviais águas marítimas embaixadas, navios e aeronaves Sobre os fundamentos do Direito e o sistema jurídico brasileiro, assinale a alternativa correta: a) O sistema jurídico brasileiro é baseado no common law, em que decisões judiciais anteriores têm mais peso que as leis escritas. b) A Constituição Federal pode ser contrariada por leis estaduais, desde que aprovadas pelo Legislativo local. c) A lei brasileira pode ser aplicada fora do território nacional, pois o Brasil tem autoridade sobre outros países. d) O Direito Público regula apenas interesses privados entre pessoas físicas e jurídicas. e) No Brasil, a lei só pode ser aplicada a fatos ocorridos após sua entrada em vigor, respeitando o princípio da irretroatividade. Interatividade Sobre os fundamentos do Direito e o sistema jurídico brasileiro, assinale a alternativa correta: a) O sistema jurídico brasileiro é baseado no common law, em que decisões judiciais anteriores têm mais peso que as leis escritas. b) A Constituição Federal pode ser contrariada por leis estaduais, desde que aprovadas pelo Legislativo local. c) A lei brasileira pode ser aplicada fora do território nacional, pois o Brasil tem autoridade sobre outros países. d) O Direito Público regula apenas interesses privados entre pessoas físicas e jurídicas. e) No Brasil, a lei só pode ser aplicada a fatos ocorridos após sua entrada em vigor, respeitando o princípio da irretroatividade. Resposta O Poder Judiciário no Brasil está regulado pelo artigo 92 e seguintes da Constituição Federal, sendo o Supremo Tribunal Federal (STF) o órgão máximo responsável por guardar a Constituição Federal. O Judiciário é estruturado em diferentes instâncias, sendo composto de Tribunais de segunda instância (TJ, TRF, TRT, TRE) e de Tribunais Superiores como o STJ, TST, TSE, STM. O STF tem a obrigação de decidir os conflitos que envolvam a aplicação da Constituição Federal e, por isso, é chamado de “guardião da Constituição Federal”. Organização do Judiciário Poder Judiciário no Brasil Fonte: https://www.cnj.jus.br/poder-judiciario/panorama-e-estrutura-do-poder-judiciario-brasileiro/ STF Supremo Tribunal Federal STJ SuperiorTribunal de Justiça TST Tribunal Superior do Trabalho TSE Tribunal Superior Eleitoral STM Superior Tribunal Militar Auditorias Militares da União Tribunais Regionais Eleitorais Cartórios Eleitorais Tribunais Regionais do Trabalho Varas do Trabalho Tribunais de Justiça Militar Auditorias Militares Estaduais Juizados Especiais (Federal) Turmas Recursais (Federal) Varas Federais Tribunais Regionais Federais Tribunais de Justiça Varas Estaduais Turmas Recursais (Estadual) Juizados Especiais (Estadual) PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO Estrutura da Justiça no Brasil Conselho Nacional de Justiça Superiores 2º grau 1º grau Turmas Recursais (Estadual) Fonte: //www.cnj.jus.br/poder-judiciario/panorama-e- estrutura-do-poder-judiciario-brasileiro// O STF é o órgão de cúpula do Poder Judiciário e a ele compete, precipuamente, a guarda da Constituição. Supremo Tribunal Federal Fonte: Imagem gerada pelo autor com tecnologia Gamma, uma ferramenta de IA desenvolvida por Gamma Tech. Composição 11 Ministros brasileiros natos, escolhidos entre cidadãos com mais de 35 e menos de 70 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Principais atribuições Julgar ação direta de inconstitucionalidade. Julgar infrações penais comuns do Presidente. Julgar recursos extraordinários. Garantia dos magistrados Vitaliciedade Adquirida após dois anos de exercício. O magistrado só pode perder o cargo por sentença judicial transitada em julgado, garantindo sua independência funcional. Inamovibilidade O magistrado não pode ser removido do local onde trabalha sem sua prévia concordância, exceto por comprovado interesse público. Irredutibilidade de subsídio Nenhum juiz sofrerá redução de seus vencimentos como forma de inibir sua independência. No dia a dia das empresas e de seus administradores, não é incomum que alguns conflitos sejam levados para solução judicial, principalmente aqueles relacionados a contratos, relações trabalhistas, tributos e outras questões. Os consultores jurídicos e advogados são essenciais para a vida empresarial, mas é de fundamental importância que os administradores possuam noções sobre processo judicial, de forma a atuar em colaboração com o setor jurídico e para que suas decisões sejam melhor fundamentadas. Regras fundamentais dos processos judiciais no Brasil Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/estude-advogado-direito-legal-2746004/: Devido processo legal: esse princípio garante que sejam respeitadas pelos magistrados e pelas partes todas as garantias processuais que tenham por objetivo garantir uma sentença justa e célere. Isonomia: garante que as partes recebam tratamento igualitário para o exercício de todos os seus direitos processuais. Contraditório: as partes têm direito de ter ciência dos atos praticados no processo para que possam ter a oportunidade de se manifestar e de se defender, apresentando suas provas e argumentos. Princípios constitucionais processuais Fonte: Imagem gerada pelo autor com tecnologia Copilot, uma ferramenta de IA desenvolvida pela Microsoft. Importantes princípios constitucionais processuais: Princípios constitucionais processuais Inafastabilidade do controle jurisdicional: nenhuma lei pode excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça de direito. Imparcialidade do juiz: o juiz serve o Estado de forma imparcial em relação às partes, sem nenhum privilégio ou favorecimento. Publicidade: os atos processuais são publicados no Diário Oficial. Exceção: segredo de justiça em hipóteses específicas. Duplo grau de jurisdição: O direito de recorrer a um tribunal superior, garantindo que as decisões dos juízes singulares (1ª instância) sejam revistas por um colegiado (Tribunal de 2ª instância). Razoável duração do processo: Este princípio é uma diretriz para o Judiciário de que sua função seja célere, diligente, cuidadosa, porém ágil, de forma que os jurisdicionados – que são os cidadãos brasileiros e os estrangeiros residentes no país – recebam sempre a melhor solução da justiça (no sentido de tecnicamente perfeita), no menor espaço de tempo entre o início e o final do processo. Princípios constitucionais processuais Sobre o funcionamento do Poder Judiciário e os princípios constitucionais processuais no Brasil, assinale a alternativa correta: a) O Supremo Tribunal Federal (STF) é composto por 15 ministros escolhidos entre cidadãos brasileiros de qualquer idade. b) O princípio da isonomia garante que apenas uma das partes do processo tenha direitos processuais privilegiados. c) O juiz pode perder o cargo a qualquer momento, sem necessidade de sentença judicial transitada em julgado. d) O princípio do contraditório assegura que as partes tenham ciência dos atos do processo e possam se manifestar e se defender. e) O Poder Judiciário brasileiro não possui Tribunais Superiores, sendo composto apenas por juízes de primeira instância. Interatividade Sobre o funcionamento do Poder Judiciário e os princípios constitucionais processuais no Brasil, assinale a alternativa correta: a) O Supremo Tribunal Federal (STF) é composto por 15 ministros escolhidos entre cidadãos brasileiros de qualquer idade. b) O princípio da isonomia garante que apenas uma das partes do processo tenha direitos processuais privilegiados. c) O juiz pode perder o cargo a qualquer momento, sem necessidade de sentença judicial transitada em julgado. d) O princípio do contraditório assegura que as partes tenham ciência dos atos do processo e possam se manifestar e se defender. e) O Poder Judiciário brasileiro não possui Tribunais Superiores, sendo composto apenas por juízes de primeira instância. Resposta Principais Etapas: Petição inicial: é o documento escrito e assinado pelo advogado que narra os fatos conflituosos e fundamenta os direitos da parte que ingressa com o pedido com base na lei. Citação: é o ato processual através do qual o réu é chamado ao processo, ou seja, é comunicado de forma oficial de que existe um processo judicial contra ele. Contestação: defesa do réu. Processo judicial no Brasil Fonte: livro-texto. Petição inicial Citação Contestação Produção de provas Decisão de primeira instância Interposição de recurso Resposta às razões de recurso Decisão de segunda instância Execução da sentença Produção de provas: as provas mais comuns produzidas no processo judicial são: testemunhais, periciais, documentais. Sentença: após a fase de realização das provas, o juiz já está em condições de proferir a decisão de primeira instância, que é denominada de sentença. Recurso: interposto contra a decisão de primeira instância e será julgado pelo Tribunal (2ª instância). Decisão de 2ª instância: denominada de acórdão e é proferida pelo Tribunal. Trânsito em julgado: quando a última decisão for tomada e não houver mais nenhum recurso legal para ser interposto, ocorrerá o trânsito em julgado da decisão. Processo judicial no Brasil Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/escala-martelo-quadra-igualdade-5665991/ O Código de Processo Civil adotou a solução consensual de conflitos como uma prática que deverá ser incentivada por magistrados, promotores de justiça e mesmo por advogados. A mediação, a conciliação e a arbitragem são as formas mais comuns de solução de conflitos. Métodos alternativos de solução de conflitos Mediação: imparcialidade, isonomia, oralidade, informalidade, autonomia da vontade, busca do consenso, confidencialidade e boa-fé (art. 2º, Lei n. 13.140/2015). Mediador: deve conduzir seu trabalho com imparcialidade, sem manifestar preferência por nenhuma das partes envolvidas no conflito que está sendo mediado. O mediador não apresenta hipóteses de solução do conflito. Ele estimula as partes paraque analisem com profundidade a questão e encontrem os melhores caminhos para a solução. Métodos alternativos de solução de conflitos Conciliação: a conciliação é mais conhecida e praticada no Brasil, inclusive pelos próprios magistrados nas ações judiciais. Conciliador: o conciliador age de forma imparcial e apresenta possibilidades de solução do conflito para as partes, de acordo com a avaliação de seus advogados. Arbitragem: a arbitragem é uma forma de solução de conflito extrajudicial. É adotada por empresas em conflito sobre questões de ordem técnica que demandam apresentação de documentos e realização de perícias para serem solucionadas. Árbitro: escolhido pelas partes por seu notório saber sobre o assunto específico que está sendo tratado. Direito tributário é a área do direito que trata das relações jurídicas estabelecidas entre o Estado e os contribuintes, que podem ser pessoas físicas ou pessoas jurídicas. Pode ser denominado também de direito fiscal. É um ramo do direito público brasileiro que trata de questões essenciais para a manutenção do Estado e para a realização das tarefas que ele possui. É pela arrecadação de tributos que o Estado garante os direitos dos cidadãos, tanto no aspecto de direitos fundamentais individuais e coletivos como os direitos sociais. Direito tributário Fonte: Imagem gerada pelo autor com tecnologia Copilot, uma ferramenta de IA desenvolvida pela Microsoft. Conceito de tributo Tributo: de acordo com o art. 3º do Código Tributário Nacional, o tributo é “toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (Brasil, 1966). Tributo Prestação pecuniária compulsória em moeda Não constitui sanção de ato ilícito Criado por lei Cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada Espécies tributárias: são espécies de tributos os impostos, as taxas, as contribuições de melhoria, os empréstimos compulsórios e as contribuições. Competência tributária: a Constituição Federal atribui competência tributária para que os entes políticos criem tributos. A competência tributária legalmente atribuída a um ente político é indelegável para outro. Espécies tributárias e competência tributária T ri b u to Impostos Taxas Contribuições de melhoria Contribuições Empréstimo compulsório São espécies tributárias: Impostos: Imposto é uma exigência que não tem vinculação direta com nenhuma contraprestação estatal para o contribuinte. O valor arrecadado não é destinado a um fundo ou função específica, mas custeia as atividades próprias do Estado. Espécies tributárias Exemplos de Impostos da União Federal: Imposto sobre a importação (II) Imposto sobre a exportação (IE) Imposto sobre operações financeiras (IOF) Imposto sobre a renda (IR) Imposto territorial rural Imposto sobre produtos industrializados (IPI) Exemplos de impostos estaduais: Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) Imposto sobre a transmissão causa mortis e doações (ITCMD) Imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços (ICMS) Exemplos de impostos municipais: Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU) Imposto sobre a transmissão de bens imóveis (ITBI) Imposto sobre serviços (ISS) Taxas: são tributos cobrados pela UF, Estados, Municípios e DF “(...) em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição”. Espécies tributárias Taxas de serviço público Apenas os serviços públicos específicos e divisíveis poderão ser remunerados por taxas. Taxas de polícia A taxa decorre do exercício do poder de polícia (poder de limitar e disciplinar direitos e deveres com base no interesse público) As taxas não poderão ter base de cálculo e fato gerador idêntico ao dos impostos (art. 145, § 2º da CF). Contribuição de melhoria (art. 145, III CF) Empréstimo compulsório (art. 148 CF) Contribuições especiais (art. 149 CF) Espécies tributárias Tributo que tem como fato gerador a valorização imobiliária decorrente da realização de uma obra pública. Deve ser calculada de modo que não supere o montante de valorização individual. Tributo criado pela União Federal nas seguintes hipóteses: I – para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II – no caso de investimento público urgente e de relevante interesse nacional. Compete à União, com exclusividade, instituir as contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Sobre o processo judicial, assinale a alternativa correta: a) O recurso é julgado pelo juiz de primeira instância, que pode modificar a sentença a qualquer momento. b) A petição inicial é a defesa do réu. c) A decisão de segunda instância é chamada de sentença e é proferida pelo Tribunal. d) A citação é o ato processual através do qual o réu é chamado ao processo. e) A sentença de primeira instância é proferida antes da realização de provas. Interatividade Sobre o processo judicial, assinale a alternativa correta: a) O recurso é julgado pelo juiz de primeira instância, que pode modificar a sentença a qualquer momento. b) A petição inicial é a defesa do réu. c) A decisão de segunda instância é chamada de sentença e é proferida pelo Tribunal. d) A citação é o ato processual através do qual o réu é chamado ao processo. e) A sentença de primeira instância é proferida antes da realização de provas. Resposta Hipótese de incidência: é a situação abstrata definida na lei que gerará a cobrança do tributo quando essa situação se tornar um fato real. Sujeito ativo: quem cobra o tributo (pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento). Sujeito passivo: quem deve pagar o tributo (contribuinte). Base de cálculo: grandeza ou valor econômico utilizado. Alíquota: percentual aplicado sobre a base de cálculo para determinar o valor exato do tributo a ser pago. Hipótese de incidência tributária Hipótese de incidência Sujeito ativo Alíquota Sujeito passivo Base de cálculo Princípio da legalidade tributária (art. 150, I CF): determina que os tributos só podem ser criados ou aumentados através de lei. Princípio da isonomia tributária (art. 150, II CF): a UF, Estados, Municípios e DF não podem instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. Princípio da capacidade contributiva (art. 145, §1º da CF): “Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte (...)” (Brasil, 1988). Princípio da irretroatividade da lei tributária (art. 150, III, “a” da CF): a lei que criar ou aumentar um tributo não pode retroagir para atingir fatos geradores ocorridos antes do início da sua vigência. Principais princípios tributários Princípio da anterioridade anual (art. 150, III, “b” da CF): um novo tributo ou o seu aumento só pode ser exigido no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao da publicação da lei que o criou ou o aumentou, ou seja, no dia 1º de janeiro do ano seguinte. Princípio da anterioridade nonagesimal (art. 150, III, “c” da CF): um novo tributo ou o seu aumento só pode ser exigido após o prazo de 90 (noventa) dias da publicação da lei que o criou ou o aumentou. A anterioridade nonagesimal deve ser aplicada em conjunto com a anterioridade anual. Princípio do não confisco (art. 150, IV CF): nenhum tributo no Brasil pode ser cobrado em valor que impeça o exercício do direito de propriedadeou que seja uma forma de desestimular a livre-iniciativa, que é um fundamento da República. Principais princípios tributários Princípio da uniformidade geográfica (art. 151, I da CF): os tributos federais devem ser igualmente exigíveis em todo o território nacional, exceção feita para a aplicação dos incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do país. Princípio da liberdade de tráfego (art. 150, V da CF): A UF, Estados, Municípios e DF não podem limitar o tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público e do ICMS. Acrescente-se, finalmente, que a reforma tributária introduziu novos princípios na Constituição Federal: princípios da simplicidade, da transparência, da justiça tributária, da cooperação e da defesa do meio ambiente, conforme o §3º do art. 145 da CF (Incluído pela Emenda Constitucional n. 132/2023). Principais princípios tributários Imunidade tributária é uma hipótese de não incidência do tributo prevista no inciso VI do artigo 150 da CF: Assim sendo, não incide imposto sobre: a) patrimônio, renda ou serviços da União Federal, Estados, Distrito Federal e Municípios; b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e beneficentes; (redação dada pela Emenda Constitucional n. 132, de 2023); c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão; Imunidade tributária e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. A imunidade tributária não se confunde com isenção: A imunidade é uma hipótese de não incidência tributária, prevista na Constituição Federal. A respeito, Mazza (2025, p. 186) ensina que, enquanto as “Imunidades são normas constitucionais que limitam a competência tributária afastando a incidência de tributos sobre determinados itens ou pessoas”, a isenção é decorrente de lei. Imunidade tributária Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/cd-caixa-cd-disco- compacto-dvd-1840048/ Crédito tributário é o direito da Fazenda Pública de cobrar um determinado tributo em razão da comprovada existência de uma obrigação tributária. O crédito tributário se constitui através do ato administrativo denominado lançamento (art. 142 do CTN), que objetiva a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Principais modalidades de extinção do crédito tributário: a) Pagamento: o contribuinte efetua o pagamento em moeda corrente nacional no prazo determinado pela lei. b) Compensação: o contribuinte que for credor da Fazenda Pública poderá compensar os valores de tributos dos quais seja devedor. c) Transação: acordo de vontade das partes (Fazenda Pública e contribuinte), que implica em concessões mútuas. Crédito tributário d) Remissão: perdão da dívida por razões de justiça fiscal ou de inadequação da cobrança. e) Decadência: quando a Fazenda Pública deixa transcorrer o prazo de 5 (cinco) anos sem efetivar o lançamento do crédito tributário. f) Prescrição: ocorre quando a Fazenda Pública perde o prazo para ajuizar ação judicial para cobrança do crédito tributário e, com isso, o crédito não pode mais ser cobrado. g) decisão administrativa irreformável; h) decisão judicial transitada em julgado; i) dação em pagamento em bens imóveis. Crédito tributário: extinção O não pagamento do tributo pelo contribuinte pode levar à sua inscrição na dívida ativa. A Certidão da Dívida Ativa (CDA) é o título executivo que irá instruir a futura ação de execução fiscal a ser ajuizada pela Fazenda Pública. Com a inscrição na dívida ativa, o contribuinte não poderá mais receber a certidão de regularidade fiscal, também denominada de Certidão Negativa de Débito (CND). Cobrança do crédito tributário Fonte: Imagem gerada pelo autor com tecnologia Copilot, uma ferramenta de IA desenvolvida pela Microsoft. O principal objeto da reforma é a unificação dos tributos sobre o consumo criados e cobrados pela União Federal, especialmente IPI e PIS/COFINS, o ICMS pelos Estados e DF e o ISS pelos Municípios e DF. O PIS/COFINS, o ICMS e o ISS darão lugar a um Imposto sobre Valor Agregado Dual, composto por: Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), exigida pela União Federal e Impostos sobre Bens e Serviços (IBS), divididos entre Estados, DF e Municípios. Tais tributos terão ampla base de incidência sobre todas as operações originalmente tributadas pelos tributos substituídos, além de incluir operações onerosas com bens materiais e imateriais de modo a evitar lacunas de tributação. O IPI terá sua incidência reduzida a zero, mantendo sua incidência para itens fabricados na Zona Franca de Manaus. Ainda no âmbito dessa reforma, será criado o Imposto Seletivo (IS), federal e cumulativo, a ser exigido sobre bens ou os serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Reforma tributária Sobre os princípios tributários previstos na Constituição Federal, assinale a alternativa correta: a) O princípio da legalidade tributária permite que tributos sejam criados ou aumentados por meio de decretos do Poder Executivo. b) O princípio da anterioridade anual determina que um novo tributo pode ser exigido imediatamente após a publicação da lei que o instituiu. c) O princípio da isonomia tributária impede que contribuintes em situações equivalentes recebam tratamento desigual. d) O princípio do não confisco permite que tributos sejam cobrados em valor que inviabilize o exercício do direito de propriedade. e) O princípio da uniformidade geográfica exige que tributos estaduais sejam iguais em todo o território nacional, sem exceções. Interatividade Sobre os princípios tributários previstos na Constituição Federal, assinale a alternativa correta: a) O princípio da legalidade tributária permite que tributos sejam criados ou aumentados por meio de decretos do Poder Executivo. b) O princípio da anterioridade anual determina que um novo tributo pode ser exigido imediatamente após a publicação da lei que o instituiu. c) O princípio da isonomia tributária impede que contribuintes em situações equivalentes recebam tratamento desigual. d) O princípio do não confisco permite que tributos sejam cobrados em valor que inviabilize o exercício do direito de propriedade. e) O princípio da uniformidade geográfica exige que tributos estaduais sejam iguais em todo o território nacional, sem exceções. Resposta BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://x.gd/spoh5. Acesso em: 11 jan. 2026. BRASIL. Decreto-Lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942. Rio de Janeiro: Presidência da República, 1942. Disponível em: https://x.gd/8qGsM. Acesso em: 11 jan. 2026. BRASIL. Emenda Constitucional n. 42, de 19 de dezembro de 2003. Brasília, DF: Presidência da República, 2003a. Disponível em: https://x.gd/uqJ7o. Acesso em: 11 jan. 2026. BRASIL. Emenda Constitucional n. 132, de 20 de dezembro de 2023. Altera o Sistema Tributário Nacional. Brasília, DF, 2023a. Disponível em: https://x.gd/WnVFw. Acesso em: 11 jan. 2026. BRASIL.Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Brasília, DF, 1966. Disponível em: https://x.gd/VFPuw. Acesso em: 11 jan. 2026. BRASIL. Lei n. 13.140, de 26 de junho de 2015. Brasília, DF, 2015b. Disponível em: https://x.gd/vnFIJ. Acesso em: 11 jan. 2026. MAZZA, A. Curso de direito tributário. 11. ed. São Paulo: Saraiva Jur, 2025. Referências ATÉ A PRÓXIMA!