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Diagnóstico imunológico da Sífilis Imunologia clínica Biomedicina - 5° Semestre Andressa Marques (@ji9study) 2025 1.0 O que é a sífilis? A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica, crônica, causada pela espiroqueta Treponema pallidum, pertence à subespécie pallidum. Essa bactéria é espiralada, gram-negativa, altamente móvel e não cultivável em meios artificiais. É um patógeno humano estrito, o que significa que não possui reservatórios animais; Possui alta infectividade durante os estágios iniciais e, sem tratamento, pode evoluir para formas mais graves e debilitantes; A transmissão ocorre principalmente por contato sexual direto, mas também pode ocorrer de forma congênita (da mãe para o feto) ou, raramente, por transfusão de sangue; Seu diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão; O treponema invade tecidos epiteliais e rapidamente se dissemina por via hematogênica; Sua parede celular pobre em lipopolissacarídeos dificulta a detecção pelo sistema imune, contribuindo para a persistência da infecção. 2.0 Dicas para o uso de tabelas A sífilis permanece como uma infecção sexualmente transmissível (IST) de elevada relevância para a saúde pública; No brasil, os casos vêm aumentando de forma significativa nos últimos anos, tanto em adultos quanto em gestantes; Dados do Ministério da Saúde apontam um aumento importante da sífilis congênita, indicativo de falhas na triagem e no tratamento pré natal; É uma das principais causas evitáveis de natimortalidade e morbidade neonatal; Além disso, a sífilis aumenta significativamente o risco de transmissão e aquisição do HIV; A infecção tem distribuição mundial, afetando principalmente populações de maior vulnerabilidade social; Campanhas de testagem rápida e educação sexual são fundamentais para o controle da doença. 3.0 Transmissão · A principal forma de transmissão é o contato direto com lesões ativas durante o ato sexual vaginal, anal ou oral; · A sífilis também pode ser transmitida verticalmente de mãe para o feto, especialmente nos estágios iniciais de infecção materna; · Casos de transmissão por transfusão de sangue são raros hoje, devido a triagem sorológica nos bancos de sangue; · Grupos de risco incluem pessoas com multiplos parceiros sexuais, profissionais do sexo, usários de drogas, pessoas vivendo com HIV e gestantes sem acompanhamento adequado; · A infecção pode ocorrer de forma assintomática, o que dificulta o rastreamento e favorece a disseminação silenciosa. 4.0 Estágios clínicos da Sífilis A sífilis evolui em quatro estágios clínicos distintos: · Primária: surge entre 10 a 90 dias apó a infecção, com o aparecimento do cancro duro (uma lesão ulcerada, indolor, com bordas elevadas; · Secundária: semana a meses após o cancro, com manifestações sistêmicas como rash cutâneo (inclusive em palmas e plantas), febre, linfadenopatia, alopecia e condilomas; · Latente: fase sem manifestações clínicas, mas com sorologia reagente. Divide-se em latente recente (1 ano); · Terciária: ocorre anos após a infecção, com envolvimento cardiovascular, neurológico (neurosífilis) e formação de gomas (granulomas); A progressão depende da resposta imune do hospedeiro e da ausência de tratamento. 5.0 Sífilis congênita · A sífilis congênita ocorre pela transmissão transplacentária do T. pallidum durante a gestação, principalmente em estágios precoces da infecção materna; · Pode causar aborto espontâneo, morte fetal, parto prematuro, baixo peso ao nascer, ictericia, anemia, hepatomegalia e outras manifestações graves; · A maioria dos casos poderia ser evitada com triagem adequada no pré-natal e tratamento com penicilina benzatina; · O diagnóstico neonatal baseia-se em testes sorológicos comparativos entre mãe e recém nascido; · Requer seguimento clínico e laboratorial rigoroso após o nascimento; · No Brasil, a triagem da sífilis em gestantes é obrigatória por lei e deve ocorrer no primeiro e no terceiro trimestres da gestação, além do momento do parto. 6.0 Testes diagnósticos O diagnóstico de sífilis baseia-se em testes sorológicos, uma vez que o cultivo do T. pallidum não é possível em testes em meios artificiais; · Os testes são divididos em dois grupos: não treponêmicos (como VDRL e RPR) e treponêmicos (como FTA-Abs, ELISA, TPHA e testes rápidos); · Os testes não treponêmicos detectam anticorpos contra componentes lipídicos celulares liberados durante a infecção; · Já os testes treponêmicos detectam os anticorpos específicos contra antígenos do T. pallidum; · O uso combinado dos dois tipos é necessário para diagnóstico, estadiamento e monitoramento terapêutico; · Os testes devem ser interpretados de acordo com a história clínica, estágio da doença e condições asociada, como infecção por HIV; · A escolha do teste depende do objetivo (triagem, diagnóstico, seguimento) e da disponibilidade laboratorial; · A padronização do diagnóstico é essencial para garantir compatibilidade entre serviços e rastrear casos. 6.1 Testes não treponêmicos · Os testes não treponêmicos, como VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) e RPR (Rapid Plasma Reagin), detectam anticorpos anticardiolipina; · Esses anticorpos não são específicos contra o T. pallidum, mas sim contra lipídeos liberados por células danificadas durante a infecção; · São úteis para a triagem, avaliação da atividade da doença e controle da resposta ao tratamento; · Os títulos dos anticorpos caem progressivamente após o tratamento efetivo, sendo útil para monitorar cura; · No entanto, podem ocorrer resultados falso-positivos em condições como doenças auto imunes, gravidez, malária e vacinação recente; · A técnica do VDRL exige microscopia para leitura, enquanto o RPR pode ser lido a olho nu; · São os testes mais indicados para controle de tratamento por apresentarem variação de títulos mensuráveis. 6.1.1 Interpretação de resultados - VDRL e RPR ‹𝟹 🍨〃 ˝ · Um resultado reagente deve sempre ser interpretado em conjunto com dados clínicos e outro exames laboratoriais; · Títulos baixos (ex. 1:2 ou 1:4) podem indicar infecção passada ou reação cruzada; · Títulos elevados (ex. 1:32 ou mais) são mais sugestivos de infecção ativa, especialmente nos estágios primário e secundário; · Uma queda de quatro vezes no título após o tratamento pode indicar falha terapêutica adequada (ex. de 1:32 para 1:8); · A ausência de queda ou elevação dos títulos após tratamento pode indicar falha terapêutica, reinfecção ou sífilis latente tardia; · Em pacientes com sífilis congênita, o título do RN deve ser comparado com o da mãe (quatro vezes maior é o indicativo); · Os testes não treponêmicos não devem ser utilizados isoladamente para diagnóstico definitivo. 6.2 Testes treponêmicos · Os testes treponêmicos detectam os anticorpos específicos contra proteínas do T. pallidum; · Incluem FTA-Abs (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption), TPHA (Treponema pallidum Hemagglutination Assay), EIA (Enzyme Immunoassay), testes rápidos e outros; · Possuem alta sensibilidade e especificidade, confirmando o diagnóstico da infecção; · Diferente dos testes não treponêmico, os título não se correlacionam com a atividade da doença e geralmente permanecem positivos por toda a vida; · São úteis para a confirmação diagnóstica, especialmente em casos de VDRL duvidoso; · Os testes rápidos são vantajosos por não requererem infraestrutura laboratorial e oferecem resultados em até 30 minutos; · No Brasil, o teste rápido treponêmico é amplamente utilizado em triagens de gestantes e populações vulneráveis. 6.2.1 FTA-Abs e TPHA ໒꒱🌺⠈⠂⠄ ‹𝟹 🍨〃 ˝ · O FTA-Abs utiliza microscopia de fluorescência para detectar anticorpo IgG e IgM específicos contra o T. pallidum; · É um dos testes mais antigos e confiáveis, embora tecnicamente mais complexo e menos disponível; · O TPHA é baseado na aglutinação de hemácias sensibilizadas com antígenos treponêmicos; · Ambos são confirmatórios e utilizadosapós um teste não treponêmico reagente; · São altamente sensíveis, inclusive nas fases iniciais da infecção, embora o FTA-Ab possa ser positivo mesmo em infecções antigas tratadas; · A interpretação exige correlação com testes não treponêmicos para avaliar a atividade da infecção; · A permanência da positividade ao longo da vida limita sua aplicação no controle de cura. 6.2.2 Testes rápidos e sua aplicabilidade🌺⠈⠂⠄ ‹𝟹 🍨〃 · Os testes rápidos treponêmicos são imunocromatográficos, realizados com amostra de sangue total, soro ou plasma; · Oferecem resultado em 10 a 30 minutos, não requerem equipamento e podem ser utilizados em campo; · São fundamentais em situações onde há barreiras de acesso ao laboratório convencional; · Utilizados amplamente em unidades básicas de saúde, maternidades, presídios e programas de redução de danos; · Sua sensibilidade é próxima a 98% e especificidade superior a 95%, embora possam gerar falso-positivos em infecções anteriores; · São indicados como triagem em populações vulneráveis e gestantes em trabalho de parto; · Casos positivos, devem ser seguidos por teste não treponêmico para avaliação da atividade da doença. POSITIVO: duas linhas são visíveis, sendo uma linha na região de controle (C) e outra na região de teste (T); A intensidade da cor da linha de teste (T) poderá variar de acordo com a concentração presente na amostra. Porém, qualquer intensidade de cor na linha de teste indica um resultado positivo. NEGATIVO: Apenas uma linha é visível na região de controle (C), não sendo observada linha na região de teste. INVÁLIDO: não é evidenciada a linha de controle (C). Ela sempre precisa estar visível. 7.0 Comparação entre testes treponêmicos e não treponêmicos TESTES TREPONÊMICO · Detectam anticorpos específicos; · Alta especificidade; · Positividade vitalícia; · Não quantificam a atividade da doença; · Ex.: FTA-Abs, TPHA, EIA, testes rápidos; TESTES NÃO TREPONÊMICO · Detectam anticorpo anticardiolipina; · Menor especificidade; · Títulos variam com a atividade; · Úteis para monitoramento terapêutico; · Ex.: VDRL, RPR. ALERTA ! ! ! A interpretação conjunta dos testes treponêmicos e não treponêmicos é essencial para diagnóstico e acompanhamento adequado do paciente. 8.0 Resposta imune ao T. pallidum · Resposta imune inata: Na fase inicial da infecção, a imunidade inata atua através de células como macrófagos e neutrófilos, que fagocitam as espiroquetas, embora o T. pallidum possua mecanismos de evasão, como a camada externa pobre em proteínas que dificulta o reconhecimento por padrões moleculares associados a patógenos ; · Resposta imune adaptativa: A resposta imune adaptativa é crucial, com a ativação de linfócitos T auxiliares (Th1) que produzem citocinas como IFN-γ, essenciais para ativar macrófagos e promover a fagocitose eficiente; · Resposta humoral: Simultaneamente, a resposta humoral gera anticorpos específicos, principalmente IgM e IgG, que opsonizam as espiroquetas e facilitam sua eliminação, embora esses anticorpos nem sempre sejam protetores a longo prazo; · Resposta celular: A resposta celular mediada por linfócitos T citotóxicos (CD4 + e CD8 +) é menos caracterizada na sífilis, mas pode contribuir para o controle da infecção em tecidos específicos. · O T. pallidum escapa da resposta imune por variação antigênica e baixa antigenicidade; · A resposta imune é o suficiente para controle parcial, mas não para erradicação sem tratamento. 9.0 Imunopatologia da sífilis · A lesão tecidual é causada mais pela resposta imune do que pela ação direta do patógeno; · Inflamação crônica leva a formação de gomas na sífilis terciária; · Comprometimento vascular e neurológico está associado à ativação imune exacerbada; · Estudos demonstram papel de citocinas como IFN-γ e TNF-α na progressão da doença. 10.0 Falsos positivos e situações especiais · Testes não treponêmicos podem ser falsamente positivos em: · Doenças autoimunes (LES); · Gravidez; · Uso de drogas; · Infecções virais e bacterianas; · Sempre correlacionar com clínica e testes treponêmicos; Diagnóstico imunológico da Sífilis Referências: ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia celular e molecular. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022. ANEWAY, C. A. et al. Imunobiologia: o sistema imunológico na saúde e na doença. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021. MURPHY, K.; WEAVER, C. Janeway’s Immunobiology. 10. ed. New York: Garland Science, 2022. PARHAM, P. O sistema imunológico. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021. image15.png image8.png image20.png image2.png image21.png image16.png image30.png image40.png image13.png image35.png image28.png image36.png image9.png image11.png image39.png image12.png image5.png image10.png image41.png image33.png image17.png image24.png image27.png image4.png image31.png image37.png image18.png image1.png image38.png image7.png image23.png image34.png image14.png image22.png image26.png image42.png image6.png image19.png image32.png image3.png image25.png image29.png