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Curso de Direito Disciplina: Direito Civil VI Sucessões Semestre: 2026.1 UNI-RN Docente: Rosângela Mitchell RESUMO DE AULA 6 ACEITAÇÃO E RENÚNCIA DA HERANÇA 1. DA ACEITAÇÃO A herança pode ser conceituada como "um conjunto de bens, direitos e obrigações que falecido (de cujus) deixa aos seus sucessores". Quanto à transmissão da herança, o direito brasileiro adota princípio de Saisine, previsto no art. 1.784 do Código Civil, visto que, aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Assim, quando da abertura da sucessão, o herdeiro torna-se, imediatamente, titular da herança, motivo pelo qual a aceitação é considerada apenas um ato de confirmação, pois a transmissão não depende dela. CC, Art. 1.804. Aceita a herança, torna-se definitiva a sua transmissão ao herdeiro, desde a abertura da sucessão. Parágrafo único. A transmissão tem-se por não verificada quando o herdeiro renuncia à herança. Assim, herdeiro pode, quando da abertura da sucessão, indicar através de manifestação de vontade pura e simples, ou por meio de ações, qual será sua opção: Aceitação ou Renúncia da herança. ato de aceitação da herança implica em concordância do herdeiro em receber todos os bens, direitos e obrigações deixados pelo falecido, não podendo o herdeiro aceitar a herança em parte, ou sob condição e termo. Vige, pois, entre nós, Princípio da Indivisibilidade da aceitação da herança, que encontra exceção apenas nos casos em que herdeiro, além de ser herdeiro legítimo, participa da sucessão também na qualidade de legatário. Nesse caso, poderá renunciar ao legado e aceitar a herança, sendo a recíproca também verdadeira. A aceitação da herança pode ser expressa ou tácita expressa quando por escrito e tácita quando decorrer da prática de atos inerentes à condição de herdeiro. Pode, ainda, ser presumida, quando o herdeiro chamado a dizer se aceita a herança, não se manifesta. Porém, a aceitação é sempre irrevogável (tal como a renúncia),uma vez que, com ela, a transmissão da herança se efetiva, sendo uma das principais consequências práticas a incidência do imposto de transmissão causa mortis, tendo como contribuinte aceitante. Por essa razão, muito se discute a respeito dos atos que configuram a aceitação tácita da herança. Por falta de enumeração legal, a doutrina elenca alguns atos que, inequivocamente, demonstram a intenção de aceitar a herança, como por exemplo a nomeação de advogado para intervenção do inventário na defesa dos direitos de herdeiro, manifestação a respeito de quaisquer das diversas fases do inventário (primeiras declarações, avaliações, cálculo de tributos), etc. Por outro lado, não exprimem aceitação da herança os atos meramente conservatórios e de administração provisória dos bens do Espólio, bem como aqueles decorrentes do dever moral e familiar. E tais definições são importantes porque, uma vez configurada a prática de quaisquer atos que configurem aceitação tácita, não há mais em se falar em renúncia da herança. Com efeito, aceita a herança, mesmo que tacitamente, caso herdeiro resolva dela desistir, não mais se trata de renúncia, mas de cessão de herança. Assim, nesta hipótese, além do imposto de transmissão causa mortis herdeiro que aceite a herança e depois dela desista, ainda estará sujeito ao pagamento de transmissão inter vivos. Por outro lado, renunciando herdeiro à herança sem que tenha praticado qualquer ato a ela relativo, não estará sujeito ao pagamento de quaisquer tributos. Ainda, a aceitação pode ser classificada quanto a pessoa que irá manifestar tal vontade, podendo ocorrer de forma direta (quando realizada pelo próprio herdeiro, ou ainda, na impossibilidade deste, de forma indireta pelos sucessores (quando o herdeiro vem a falecer), mandatário ou gerente de negócios (procurador com poderes especiais para tanto) e também pelos credores (quando herdeiro renuncia no intuito de prejudicar seus credores). Há doutrinadores que defendem que inexiste ato de aceitação, tal como Maria Berenice Dias, a qual sustenta que não é necessário que herdeiro manifeste sua aceitação. simples silêncio é suficiente para reconhecer que aceitou a herança, não exige a lei a prática de qualquer ato para que ocorra a transferência do acervo hereditário. Ou seja, a aceitação ocorre quando o herdeiro não renuncia à herança. 2. DA RENÚNCIA Já a Renúncia é ato formal de repúdio a uma herança aberta em seu favor. Por ser uma exceção, a renúncia deve ocorrer de forma expressa, sendo admitida apenas por escritura pública ou termo judicial sendo dispensável a indicação dos motivos que a determinaram. Ela não pode ser parcial, nem sujeita a condição ou a termo. É que se chama de renúncia pura e simples. Documento particular não é aceito.ato de renúncia, assim como também o de aceitação, produzem efeitos ex tunc, retroagindo e produzindo consequências desde a data da abertura da sucessão. A renúncia pura e simples beneficia monte-mor, ou seja, os demais herdeiros de mesma classe do renunciante, ou, os da classe subsequente, na falta daqueles. Quando a renúncia é realizada por herdeiro testamentário ou legatário, a sua parte será acrescida aos outros coerdeiros ou colegatários, conforme preconizam os arts. 1941 a 1944 do Código Civil. Ainda, cabe referir que a herança renunciada por único legatário retornará ao acervo sucessório para ser distribuída entre herdeiros legítimos. Possui duas formas: Abdicativa e Translativa. 1. Abdicativa: O renunciante manifesta sua vontade de ficar alheio a essa sucessão e a destinação da quota hereditária que abriu mão. Ou seja: ele não quer ser herdeiro e não se importa com que vai ocorrer com sua quota hereditária. Ele simplesmente abre mão de seu direito. A lei é que vai ditar como será a divisão da sua parte. Havendo mais herdeiros na sua classe, a quota será dividida entre eles, não havendo, Princípio da Saisine buscará as próximas classes na linha de sucessão, até encontrar alguém com vocação hereditária para o recebimento da herança. 2. Translativa: Além de manifestar sua vontade de ficar alheio a essa sucessão, o renunciante indica a destinação da sua quota. artigo 1.811 excluiu a possibilidade de os herdeiros do renunciante receberem a herança em seu lugar. Contudo, é importante destacar o próprio artigo 1.811, estabelecedor de que, se renunciante for único herdeiro de sua classe ou se todos os demais também renunciarem à herança, os filhos poderão vir à sucessão. Pode-se ter a impressão de que a lei é contraditória, uma vez que, num primeiro momento, afasta os herdeiros do renunciante para, depois, chamar os filhos do renunciante para a sucessão. Porém, não se trata aqui de direito de representação do renunciante, mas de direito próprio dos filhos. Por exemplo, se o filho do de cujus renuncia à herança, não existindo outros descendentes de primeiro grau, a herança é transmitida aos netos do falecido, filhos do renunciante, por direito próprio, na qualidade de descendentes de segundo grau. Nesse particular, cabe destacar um equívoco que muitas vezes se verifica em casos nos quais ocorre renúncia à herança. Não é raro que, com o falecimento do pai, os filhos resolvam renunciar em favor da mãe, que era casada com falecido pelo regime da comunhão universal de bens. Assim, os filhos renunciam, pura e simplesmente, ou seja, em favor do monte-mor, pensando beneficiar a mãe. Porém, como neste caso, ela não é herdeira (somente meeira dos bens do falecido, em virtude do regime de bens) ato, em verdade, beneficia os filhos dos renunciantes, netos do falecido e seus descendentes em segundo grau, e, só na falta deles, a cônjuge sobrevivente, em concorrência com os ascendentes, se existirem.Portanto, se com a renúncia objetivo for beneficiar uma pessoa específica, há de se verificar, se, de fato, essa pessoa é herdeira e se é a próxima a ser chamada na linha sucessória. Caso contrário, tal desiderato somente poderá ser atingido por meio de cessão de herança, a qual implica em prévia aceitação da herança e, portanto, sujeita aos tributos de transmissão causa mortis e inter vivos. Importante ressaltar ainda, que, diferentemente do que ocorre da aceitação, quando tratar-se de herdeiro incapaz ou menor, não pode seu representante (genitores ou legal) renunciar a ela sem autorização judicial, conforme art. 1.691 do Código Civil. BIBLIOGRAFIA DIAS, Maria Berenice. Manual das Sucessões/Maria Berenice Dias. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de direito civil: sucessões. 3. ed. Salvador: Juspodivm, 2017. RIZZARDO, Arnaldo. Direito das Sucessões. Rio de Janeiro: Forense, edição, 2019. (e-book, Minha Biblioteca) TARTUCE, Flávio e José F. Simão. Direito das Sucessões. Volume 6. edição. Editora Gen/Método. 2019. (e-book, Minha Biblioteca)

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