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Exclusão da Herança

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Curso de Direito Disciplina: Direito Civil VI Sucessões Semestre: 2026.1 UNI-RN Docente: Rosângela Mitchell RESUMO DE AULA 4 EXCLUSÃO DA HERANÇA POR INDIGNIDADE E DESERDAÇÃO direito sucessório brasileiro admite que uma pessoa seja excluída da sucessão na qual viria a ter direitos, a depender de atos praticados por ele que possam ser interpretados como desapreço e menosprezo contra autor da herança. Neste sentido, são duas as formas de exclusão da herança: por indignidade e por deserdação. 1. DA EXCLUSÃO POR INDIGNIDADE As causas de exclusão por indignidade estão elencadas taxativamente no artigo 1.814 do Código Civil, in verbis: CC, Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro; III que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. Assim sendo, para que ocorra a indignidade, é essencial que herdeiro tenha praticado atos contra a vida, contra a honra e contra a liberdade de testar do autor da herança. Trata-se, assim, de um instituto de amplo alcance, de natureza essencialmente punitiva, motivo pelo qual não se pode fazer uso da interpretação extensiva para deserdar um herdeiro que não se encaixe perfeitamente no artigo supracitados. Nota-se que tal instituto do Código Civil diferencia-se das demais sanções civis impostas no nosso ordenamento jurídico, que, em face do cometimento de um ato ilícito em geral, prevê o dever de indenizar. No caso em questão, a pessoa tem subtraída seu direito de suceder, como se nunca tivesse sido herdeiro. Já no que tange às causas de exclusão por indignidade, nota-se que, nos casos de prática de atos contra a vida do autor da herança, há uma extensão da parte passiva, sendo que considerará excluído da sucessão aqueles que não sóatentarem contra a vida direta do autor da herança, mas também de seu cônjuge ou companheiro, ascendentes ou descendentes. Importante ressaltar que, em tese, não há a necessidade de sentença penal condenatória para que o herdeiro seja excluído da herança, visto que a discussão deste tópico é apenas para efeito no âmbito civil. Entretanto, para evitar que, posteriormente, haja uma sentença penal absolutória e, em virtude do princípio da segurança jurídica, alguns autores aconselham que se aguarde desfecho da lide na esfera penal, é o caso, por exemplo, de Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho. No tocante aos atos contra a vida, entende-se homicídio doloso, tentado ou consumado. Caso haja absolvição devido à inexistência do fato ou de autoria, ou mesmo reconhecimento das causas de exclusão de ilicitude, como a legitima defesa ou estado de necessidade, não há o que se falar de exclusão por indignidade no âmbito civil. Homicídio ou sua tentativa deve ser dolosa. Já inciso versa sobre os atos contra a honra do autor da herança, dizendo respeito, assim, aos crimes de injúria, calúnia e difamação. Assim como no primeiro inciso do referido artigo, esses atos também podem se estender para além do autor da herança, limitando-se, porém, à pessoa de seu cônjuge ou companheiro. Neste sentido, inciso visa proteger os direitos da personalidade do autor da herança, resguardando o princípio da dignidade da pessoa humana, de forma a garantir a defesa da honra objetiva, correspondente à reputação da pessoa, bem como da honra subjetiva, correspondente ao sentimento pessoal de estima que ela possui de si própria. Não obstante, diferentemente da primeira hipótese, no caso dos crimes contra a honra, deve haver uma prévia condenação no juízo criminal para que herdeiro seja excluído da herança, salvo nos casos de calúnia praticados em juízo. Por fim, o inciso III traz a última hipótese de exclusão da herança por indignidade, que é a do uso de violência ou fraude para atentar contra a liberdade do autor em testamentar. Exemplificando, podemos imaginar herdeiro que diante do testamento cerrado, rompe lacre para invalidá-lo. Ou o herdeiro que promove rasura em testamento particular. Ou o caso do herdeiro que não informa a existência de testamento público do qual tinha ciência a fim de evitar a divisão da herança com terceiros, impedindo que se dê cumprimento a última vontade do morto. Da mesma forma será excluído da sucessão quando o herdeiro impede de cujus de fazer testamento desejado, ou exige ser beneficiado por testamento utilizando coação ou dolo e, também do herdeiro que impede a revogação de testamento. Considerando-se que a autonomia privada também se faz presente no direito sucessório, não obstante os limites previstos nos termos da sucessão testamentária, quaisquer atos que impeçam o exercício regular do autor da herança em manifestar livremente a sua vontade devem ser rechaçados.Nesse caso a vítima deve necessariamente ser autor da herança, e a prática configura no impedimento de que autor da herança faça seu testamento ou obstar de que a sua vontade já manifestada chegue ao Estado. Tal impedimento deve ser feito mediante violência ou meios fraudulentos. Vale a pena lembrar que, no âmbito dos defeitos da declaração negocial, entende-se como coação capaz de viciar consentimento toda violência psicológica apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar, podendo tal coação ser vis absoluta (física), ou vis compulsiva (moral). Já no que tange à fraude, entende-se o sentido de abarcar toda situação em que autor da herança tenha sido dolosamente enganado pelo ofensor, que, através de sua má-fé, induz autor a praticar determinado ato dentro de um contexto fático falso. Consoante o artigo 1.815 do Código Civil, a indignidade deve ser declarada por sentença, sendo, assim, necessário, que seja interposta uma ação declaratória de indignidade em juízo. Tal ação deve ser interposta no prazo prescricional de 4 anos a contar da abertura da sucessão. Trata-se de um processo de conhecimento, de rito ordinário, sendo assegurados o contraditório e a ampla defesa. Recentemente, a Lei n° 14.661, de 2023 passou a permitir a exclusão da herança por indignidade como efeito automático da sentença penal condenatória, dispensando, neste caso, ajuizamento da ação cível. Importante ressaltar que a sentença penal fará coisa julgada no cível caso seja decidido de modo definitivo pela inexistência do fato, pela negativa de autoria ou que reconheça a ocorrência de alguma excludente de ilicitude. Os legitimados para figurar no polo ativo da Ação Declaratória de Indignidade é dos outros herdeiros. Entretanto, há a possibilidade de Ministério Público pleitear no polo ativo nessa ação, mas somente no caso de homicídio doloso contra autor da herança, seu cônjuge, companheiro, descendente ou ascendente, conforme Artigo 1.815 §2, do CC. Por se tratar de uma sanção, são pessoais os efeitos da exclusão por indignidade, sendo que os descendentes do herdeiro indigno continuam sendo sucessores do autor da herança, como se indigno estivesse morto quando da abertura da sucessão (pré-morto). Assim sendo, os seus herdeiros farão jus à parte da herança que a ele caberia, por direito de representação. nosso Código Civil prevê em seu artigo 1.818 a reabilitação do Indigno. Essa reabilitação, ou perdão, é o ato em que o autor da herança perdoa indigno, de forma expressa em uma cédula testamentária. Não há que se falar em perdão se este não for dentro de um testamento. O perdão então deve ser feito na forma expressa e é irretratável. Porém, caso autor da herança tenha contemplado o indigno em testamento após a ofensatemos que chamamos de perdão tácito. Nesta modalidade, indigno tem direito a suceder como legatário. Caso o testamento tenha sido feito antes da prática da ofensa, não há aí perdão do indigno 2. DA EXCLUSÃO POR DESERDAÇÃO A deserdação é a exclusão do sucessor feita pelo próprio autor da herança. Neste sentido, a manifestação da vontade se faz imprescindível, sendo que apenas podem ser deserdados os herdeiros necessários, mediante manifestação expressa, feita, normalmente, em cédulas testamentárias, devendo estar explícito o porquê da deserdação. A deserdação é, assim, uma medida também sancionatória e excludente da relação sucessória, imposta pelo autor como uma reprovação ao herdeiro necessário que haja cometido qualquer dos atos de indignidade capitulados nos artigos 1.962 e 1.963 do Código Civil. As causas próprias de deserdação se dividem, ainda, entre aquelas que abrangem apenas os descendentes e aquelas que abrangem apenas os ascendentes. CC, Art. 1.962. Além das causas mencionadas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos descendentes por seus ascendentes: ofensa física; injúria grave; III relações ilícitas com a madrasta ou com o padrasto; IV desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade. CC. Art. 1.963. Além das causas enumeradas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos ascendentes pelos descendentes: ofensa física; injúria grave; III relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou a do neto, ou com marido ou companheiro da filha ou o da neta; IV desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade. Por se tratar de situações referidas em um testamento, já de início, podemos concluir que as causas de deserdação precisam, necessariamente, ser referentes a fatos ocorridos antes de sua celebração. Além das causas próprias de deserdação, também podem ser utilizadas para esse contexto as causas de indignidade acima tratadas. Neste sentido, todas as causas que geram a indignidade geram, também, a deserdação, sendo que a regra não se aplica necessariamente de modo contrário. Ainda, é de suma importância ressaltar que os ascendentes e descendentes podem ser excluídos da herança tanto pelas causas de indignidade,quanto pelas causas de deserdação, enquanto cônjuge ou companheiro, apenas são excluídos da herança pelas causas de indignidade. A hipótese legal do inciso IV do art. 1814 CC é no mínimo curiosa pois se o ascendente estiver em plena alienação mental, faltar-lhe-á discernimento para testar e nulo será seu testamento (art. 1860 CC). No entanto, se a alienação mental for temporária, recuperando ascendente a plenitude do gozo de suas faculdades mentais, poderá se valer do testamento para deserdar os descendentes. A enfermidade de ordem física não lhe retira o discernimento para testar. Assim imaginemos um pai acometido de câncer que, em estado terminal é abandonado por seu filho. A ideia de desamparo não se cinge apenas ao aspecto material, mas também ao aspecto moral ou afetivo e, além de constituir ato ilícito, também gera possibilidade de ressarcimento e ainda causa deserdação. Atesta-se assim definitivamente valor jurídico do afeto. Após a abertura do testamento em que herdeiro foi declarado deserdado, abre-se um prazo de quatro anos para que herdeiro instituído ou aquele em que se aproveitar da deserdação prove a veracidade da causa alegada pelo testador. Conclui-se que há semelhanças entre os institutos da indignidade e deserdação. E que ambos excluem aqueles que não merecem receber a herança. Mas, frisemos que a indignidade emana da lei, enquanto a deserdação emana da vontade do autor da herança, a indignidade afeta qualquer herdeiro, seja este legítimo, testamentário, ou mesmo legatário, enquanto a deserdação destina-se a privar os herdeiros necessários de sua cota legítima da herança. As causas de indignidade são restritas aos incisos do art. 1.814 do CC, ao passo que a deserdação possui causas mais amplas e, de maior número conforme os arts. 1.962 e 1.963. Em ambos os casos há a possibilidade de representação do filho ingrato e ofensor, havendo ainda a necessidade de ação civil promovida pelos interessados em efetivar a exclusão sucessória. Tanto um como noutro instituto é possível haver perdão expresso do de cujus, e a deserdação implicará a perda do direito de usufruto e de sucessão eventual quanto aos bens ereptícios (são aqueles retirados do indigno e devolvidos aos demais herdeiros). Sobre perdão, esclarece Hironaka que este é sempre concedido in totum, ou seja, na totalidade, pois não se admite parcial perdão. Se tiverem sido praticados vários atos ofensivos, e o de cujus tiver liberado seu sucessor de um ou alguns deles, permanecerá a possibilidade de que ofensor seja excluído da sucessão. Inovou CC de 2002 ao permitir perdão tácito do indigno quando o testar, ao testar, já conhecia da causa de indignidade e, mesmo assim 0 contempla na qualidade de herdeiro. Este poderá suceder apenas no limite da disposição testamentária, se não havia reabilitação expressa do indigno conforme prevê o parágrafo único do art. 1.818 do CC.BIBLIOGRAFIA GAGLIANO, Pablo Stolze e FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil - direito das sucessões. edição. Saraiva: São Paulo, 2014. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro, volume 7: direito das ed., São Paulo: Saraiva, 2010. LEITE, Gisele. esclarecimentos sobre exclusão do direito sucessório por indignidade e deserdação. Disponível em http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos.

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