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Crescimento Craniofacial

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Crescimento Craniofacial e Desenvolvimento da 
Oclusão
 
Introdução ao Crescimento Craniofacial
 
O crescimento e desenvolvimento facial são processos contínuos e multifacetados que ocorrem 
desde a concepção até a idade adulta. O conhecimento desses mecanismos é fundamental para 
o diagnóstico, planejamento e tratamento de más oclusões, especialmente as esqueléticas.
 
Conceitos Gerais
Crescimento: Aspecto quantitativo do desenvolvimento, caracterizado pelo aumento de 
tamanho através da divisão celular (ex: aumento de peso e estatura).
Desenvolvimento: Aspecto qualitativo do desenvolvimento, englobando o conjunto de 
eventos biológicos desde a fecundação até a maturidade, visando estágios mais complexos.
Maturação: Estabilização do estágio adulto após o crescimento e desenvolvimento.
Diferenciação: Mudança de células ou tecidos para formas mais especializadas durante o 
desenvolvimento.
Remodelação: Processo contínuo de aposição e reabsorção óssea seletiva, que promove 
crescimento diferencial e conformação óssea.
Surto de Crescimento Puberal: Período de rápido crescimento em um curto espaço de 
tempo, ocorrendo em média aos 12 anos e 8 meses em meninos e 10 anos e 4 meses em 
meninas.
Variáveis que Afetam o Crescimento: Hereditariedade, nutrição e enfermidades.
Movimentos de Crescimento:
Deslizamento: Crescimento real na mesma direção da aposição óssea.
Deslocamento: Movimento espacial de uma unidade como um todo (primário ou 
secundário).
 
 
Crescimento da Mandíbula
 
A mandíbula é o único osso móvel do crânio, com formato de ferradura, composto por um corpo 
e ramos ascendentes.
Centros e Sítios de Crescimento Principais:
Côndilo mandibular
Superfície posterior do ramo mandibular
Processo coronóide
 
Processo de Crescimento Condilar: Ocorre por ossificação endocondral na cartilagem 
secundária do côndilo. A proliferação desta cartilagem contribui para o crescimento em 
altura, largura e comprimento. A aposição ocorre nas superfícies anterior e posterior do colo 
do côndilo, enquanto a reabsorção ocorre nas superfícies lingual e vestibular. O crescimento 
condilar para cima e para trás desloca a mandíbula para frente e para baixo.
Ramo Mandibular: Tende a se tornar mais verticalizado durante o desenvolvimento. A 
relocação do ramo cria espaço para a erupção dos molares decíduos e permanentes.
Processo Alveolar: Seu desenvolvimento é controlado pela erupção dentária e é reabsorvido 
na ausência de dentes.
Processo Coronóide: A superfície vestibular sofre reabsorção, enquanto a lingual sofre 
aposição.
Corpo Mandibular: Apresenta depósitos ósseos em seu perímetro, com reabsorção na face 
lingual. O bordo inferior é local de aposição, exceto na incisura antegoniana.
Mento (Queixo): Área de aposição óssea na sínfise e reabsorção na área alveolar anterior. É 
um sítio de crescimento menos ativo.
Crescimento Pós-Natal: Ao nascimento, a mandíbula é curta com desenvolvimento condilar 
mínimo. O ramo é curto e a eminência na cavidade glenóide é mínima. No primeiro ano de 
vida, a cartilagem da sínfise é substituída por osso, e o crescimento aposicional é ativo em 
várias áreas.
 
Crescimento da Maxila
 
A maxila atinge 95-98% de sua dimensão final por volta dos 12 anos, com o maior incremento 
transversal ocorrendo entre 7 e 11 anos.
Mecanismos de Crescimento:
Aposição nas Suturas: Crescimento aposicional nas suturas faciais (zigomático-maxilar, 
fronto-maxilar, pterigo-palatina) resulta no deslocamento da maxila para frente e para 
baixo.
Remodelação Superficial: Aposição de osso em algumas superfícies e reabsorção em 
outras.
 
Sítios de Crescimento:
Suturas Faciais: Crescimento aposicional que une a maxila aos ossos vizinhos, 
deslocando-a.
Tuberosidade da Maxila: Deposição na superfície posterior e reabsorção na cortical do 
seio maxilar, permitindo a erupção dos dentes posteriores.
Processo Alveolar: Principal responsável pelo crescimento vertical (40% do aumento em 
altura da maxila) devido à erupção dentária.
Sutura Palatina Mediana: Crescimento aposicional que aumenta a largura do palato.
Sutura Palatina Transversa: Pequena deposição que contribui para o crescimento ântero-
posterior.
Palato: Crescimento aposicional que contribui para os sentidos vertical e lateral, com 
reabsorção compensatória no soalho da fossa nasal.
 
 
Crescimento da Base do Crânio
 
A base do crânio cresce principalmente no sentido ântero-posterior, às custas das sincondroses 
(esfenoccipital, esfenoetimoidal, interesfenoidal e intraoccipital). O fechamento dessas 
sincondroses ocorre em diferentes idades, sendo a esfenooccipital a última a ossificar (15-18 
anos). O crescimento da base do crânio influencia diretamente o posicionamento da maxila e 
mandíbula, atuando como um gabarito para o desenvolvimento facial.
Padrão Facial e Base do Crânio:
Braquicéfalos: Base do crânio mais achatada e aberta, dimensão horizontal aumentada, 
maxila posteriorizada, giro mandibular para cima e para frente. Rosto arredondado.
Dolicocéfalos: Base do crânio mais vertical e fechada, complexo maxilar mais protuso, 
giro mandibular para trás e para baixo. Rosto ovalado. Frequentemente Classe II.
Mesocéfalos: Dimensões equilibradas da base do crânio, complexo maxilar e mandíbula 
em harmonia.
 
 
Desenvolvimento da Oclusão
 
A oclusão dentária humana está em constante mudança, sendo um processo contínuo. O 
desenvolvimento da oclusão é dividido em períodos: pré-dental, dentição decídua, dentição 
mista e dentição permanente.
 
Período Pré-Dental
Compreende do nascimento até a erupção dos dentes decíduos.
Ausência de dentes visíveis.
Processos alveolares cobertos por abaulamentos gengivais.
Arcos com formas distintas: superior arredondada, inferior retangular com região anterior 
pontiaguda e inclinação lingual.
A sucção é a função primordial, estimulando o crescimento mandibular.
 
Período de Dentição Decídua
Início: Aproximadamente 6-8 meses de idade.
Completa: Com a erupção e oclusão dos 2ºs molares decíduos (24-30 meses).
Término: Aproximadamente 6 anos, com a erupção dos 1ºs molares permanentes.
Características:
Número de dentes: 20.
Anatomia: Ausência de cúspides e vertentes definidas, constrição no colo.
Cor: Branco-leitosa.
Forma dos Arcos: Predominantemente trapezoidal (65%).
Relação entre dentes: Contato com 4 dentes (exceto incisivos centrais inferiores e 2ºs 
molares inferiores/superiores).
Inclinações Axiais: Verticais nas bases ósseas.
Plano Oclusal: Horizontal, sem curvas de Spee e Wilson. ATM próxima ao plano oclusal.
Espaços Interdentais: Presença de espaços primatas (superior: entre canino e incisivo 
lateral; inferior: entre canino e 1º molar) e espaços de Baume Tipo I e II.
Sobremordida (Overbite): Exagerada no início, diminuindo para cerca de 1/3 dos incisivos 
inferiores ou 2-3mm no final.
Sobressaliência (Overjet): Topo a 2-3mm.
ATM: Profundidade da fossa glenóide aumenta.
Plano Terminal: Relação das superfícies distais dos 2ºs molares decíduos. Pode ser reto 
(mais comum), mesial ou distal.
Relação Canino: A ponta da cúspide do canino superior deve ocluir na ameia entre o 
canino e 1º molar inferior (Classe I).
Funções: Mastigação, deglutição, fonação, estética, manutenção do processo alveolar e 
espaço para dentes permanentes, guia de erupção.
 
 
Período de Dentição Mista
Início: Erupção do 1º molar permanente (geralmente inferior).
Término: Esfoliação do último dente decíduo.
Desenvolvimento da Oclusão:
Sequência de Erupção (Superior): 1ºs Molares, Incisivos Centrais, Incisivos Laterais, Pré-
Molares, Caninos, 2ºs Pré-Molares, 2ºs Molares. Idealmente, pré-molares erupcionam 
antes dos caninos.
Sequência de Erupção (Inferior): 1ºs Molares, Incisivos Centrais, Incisivos Laterais, 
Caninos, 1ºs Pré-Molares, 2ºs Pré-Molares, 2ºs Molares. Desejável erupção do canino 
inferior antes dos pré-molares.
Cronologia do Desenvolvimento Dental (Permanente): Tabela detalhando o início da 
calcificação, coroa completa, erupção e raiz completa para cada dente.
Cronologia de Erupção:
1ºs MolaresPermanentes (± 6-7 anos): Início da formação das curvas de Spee e 
Wilson, desenvolvimento da ATM. Guiados pela relação terminal dos 2ºs molares 
decíduos.
Incisivos Inferiores Permanentes (Centrais ± 6-7 anos, Laterais ± 7-8 anos): 
Desenvolvem-se lingualmente aos decíduos. A língua os movimenta labialmente.
Incisivos Superiores Permanentes (Centrais ± 7-8 anos, Laterais 8-9 anos): 
Desenvolvem-se labialmente aos decíduos. Coroas com inclinação distal e diastemas 
interincisais. O espaço para erupção é proveniente dos espaços primatas, fisiológicos 
e inclinação labial.
 
Fase do Patinho Feio: Caracterizada por inclinação labial exagerada e distal dos incisivos 
permanentes superiores, diastemas interincisais e sobremordida exagerada. Geralmente 
se autocorrige com a erupção dos caninos e dentes posteriores.
Caninos e Pré-Molares Permanentes:
 Desenvolvimento favorável depende da sequência de erupção, relação tamanho dentário/
espaço disponível, e relação molar.
Cronologia de erupção: Caninos Inferiores (± 9-10 anos), 1ºs Pré-Molares Inferiores (± 
10-12 anos), 1ºs Pré-Molares Superiores (± 10-11 anos), 2ºs Pré-Molares Inferiores (± 
11-12 anos), 2ºs Pré-Molares Superiores (± 10-12 anos), Caninos Superiores (± 11-12 
anos).
Últimos dentes a irromper: Caninos Superiores e 2ºs Pré-Molares Inferiores.
 
 
Estabelecimento da Oclusão:
Curva de Spee: Formada pela inclinação axial mesial dos dentes permanentes. Completa-
se com a erupção dos 2ºs molares.
Curva de Wilson: Inclinação lingual dos molares inferiores e vestibular dos molares 
superiores.
ATM: Remodelamento significativo, com aumento da profundidade da fossa glenóide.
Sobremordida (Overbite): Muda de exagerada na dentição mista para normal (1/3 dos 
incisivos inferiores ou 2-3mm) com a erupção dos dentes posteriores.
Sobressaliência (Overjet): Muda de acentuada para normal (1-2mm) com o maior 
crescimento mandibular em relação ao maxilar.
Chave de Oclusão de Angle:
 Relação molar de Classe I (cúspide mésio-vestibular do 1º molar superior ocluindo no 
sulco mésio-vestibular do 1º molar inferior). Ajustes ocorrem pelo fechamento do espaço 
primata, crescimento mandibular e aproveitamento do Leeway Space (espaço maior nos 
dentes decíduos inferiores).
Leeway Space: Superior: 1.8mm (0.9mm/hemiarco); Inferior: 3.4mm (1.7mm/
hemiarco).
 
 
 
Período de Dentição Permanente
Erupção dos 2ºs Molares Permanentes: Inferiores (± 11-13 anos), Superiores (± 12-13 anos).
Erupção dos 3ºs Molares: ± 17-21 anos.
Características Normais:
Número de dentes: 32.
Tamanho dos dentes: Variável, podendo causar apinhamento ou diástemas em 
discrepâncias com o tamanho ósseo.
Curvas de Spee e Wilson: Presentes.
Sobremordida (Overbite): Normal (até 1/3 da coroa dos incisivos inferiores).
Sobressaliência (Overjet): Normal (1-3mm).
Forma dos Arcos: Varia com o tipo facial (parabólico em mesocéfalos, quadrático em 
braquicéfalos, elíptico em dolicocéfalos).
Seis Chaves de Oclusão de Andrews:
Relação molar (Classe I).1. 
Angulação das coroas (mesio-distal): Cérvix distal à porção oclusal.2. 
Inclinação das coroas (vestíbulo-lingual): Aumenta progressivamente para posterior.3. 
Rotações: Ausentes.4. 
Contatos interproximais: Ausentes espaços.5. 
Curva de Spee: Plana ou suave (profundidade ≤ 1.5mm).6. 
 
 
 
Etiologia das Maloclusões
 
As maloclusões podem ter origem intrínseca (local) ou extrínseca (geral).
 
Fatores Intrínsecos (Locais)
Anomalias de Número:
Dentes Supranumerários: Podem ser causados por hereditariedade, trauma ou alterações 
embriológicas. Consequências incluem diastemas, rotações, apinhamento, atraso na 
erupção e impacção.
Agenesias (Hipodontia, Oligodontia, Anodontia): Causadas por fatores genéticos ou 
ambientais (trauma, infecção, radiação, etc.). Os dentes mais afetados são os 3ºs 
molares, 2ºs pré-molares e incisivos laterais. Consequências: perda de espaço, 
diastemas, extrusão do antagonista, perda de contato oclusal/proximal.
 
Anomalias de Tamanho Dentário:
Macrodontia: Dentes maiores que o normal.
Microdontia: Dentes menores que o normal.
Podem ser generalizadas ou localizadas, causando discrepâncias de tamanho dentário/
ósseo, levando a apinhamento ou diástemas.
 
Anomalias de Forma Dentária:
Dentes Conóides: Dentes reduzidos em forma cônica, causadores de diastemas e 
redução do perímetro do arco.
Geminação: Tentativa de um germe dentário se dividir, resultando em uma coroa bífida 
com uma raiz e um canal.
Fusão: União de dois germes dentários, resultando em uma coroa com dobro do tamanho 
ou coroa bífida com canais distintos.
Cúspide Acessória/Glóbulo de Esmalte: Pode levar à não erupção completa, 
deslocamento dental e exposição pulpar.
Cúspide em Garra: Projeta-se lingualmente dos incisivos superiores, podendo causar 
rotações e aumento do overjet.
Outras: Concrescência, dilaceração, dens in dente, taurodontia, raízes supranumerárias.
 
Fatores Relacionados à Erupção:
Retenção Prolongada de Dentes Decíduos: Pode ser causada por agenesia do sucessor 
ou falta de sincronia entre reabsorção e erupção. Requer diagnóstico radiográfico e, 
possivelmente, exodontia do decíduo.
Erupção Tardia de Dentes Permanentes: Causada por supranumerários, fragmentos de 
raiz, cistos, gengiva fibrosa, fatores endócrinos ou genéticos. Requer diagnóstico 
radiográfico e remoção cirúrgica de obstáculos.
Via de Erupção Anormal: Causada por bloqueios físicos (supranumerários, cistos), trauma 
em decíduos, fatores genéticos ou endócrinos. O tratamento depende do grau de 
transposição e integridade dos dentes.
Anquilose: União direta raiz-osso alveolar, sem ligamento periodontal. Causa infra-
oclusão, extrusão do antagonista, inclinação de adjacentes e perda de perímetro do arco. 
O tratamento precoce é crucial.
 
Fatores Ambientais (Ocorrência Local):
Perda Precoce de Dentes Decíduos: Causa perda de espaço, alteração na sequência de 
erupção, desvio/impacção de permanentes, extrusão de antagonistas e desenvolvimento 
de hábitos atípicos. A reconstrução dos contatos oclusais e uso de mantenedores de 
espaço são importantes.
Cárie Dentária: Pode levar à perda precoce de elementos, perda de perímetro do arco, 
extrusão de antagonista e migração de adjacentes. Restauração anatômica imediata é 
essencial.
Restaurações Dentárias Inadequadas: Excesso ou deficiência de material podem causar 
problemas dimensionais, rotações, apinhamento, impacção, perda de perímetro do arco, 
contatos prematuros e mordidas cruzadas funcionais.
 
 
Fatores Extrínsecos (Gerais)
Hereditariedade: Influencia o tipo facial, número, tamanho e forma dos dentes.
Anomalias Congênitas: Síndrome de Down, fissuras lábio-palatinas.
Meio Ambiente Pré e Pós-Natal: Mal posicionamento fetal.
Fatores Sistêmicos: Alterações endócrinas.
Fatores Dietéticos: Nutrição inadequada.
Acidentes e Traumatismos: Podem afetar o desenvolvimento dental e ósseo.
Hábitos de Pressões Anormais (Hábitos Viciosos):
 Causam desequilíbrio muscular e podem levar a alterações oclusais significativas. A 
gravidade depende da duração, frequência, intensidade e idade de término do hábito.
Amamentação Artificial: Uso de mamadeiras com bicos convencionais não exercita a 
musculatura bucofacial como a amamentação natural.
Sucção de Chupeta e Dedo: Pode causar aumento do overjet, labioversão dos incisivos 
superiores, linguoversão dos inferiores, mordida aberta localizada, palato profundo e 
estreito, e hipotonicidade do lábio superior. A remoção do hábito e, se necessário, 
tratamento ortodôntico e fonoaudiológico são indicados.
Sucção ou Interposição Labial: Pode levar a labioversão dos incisivos superiores, 
linguoversão dos inferiores, aumento do overjet e overbite, e alterações na tonicidade 
labial.
Onicofagia (Roer Unha): Pode causar pequenas giroversões nos dentes envolvidos.
Deglutição Atípica: Pode ser causada por interposição de língua/lábio, amigdalites/
faringites crônicas, ou persistência da deglutição infantil. Resulta em mordida aberta, 
projeção de incisivos e alterações funcionais. O tratamentoenvolve ortodontia e 
fonoaudiologia.
Respiração Bucal: Causada por obstrução das vias aéreas (adenóides, cornetos, etc.) ou 
por hábito. Caracteriza-se pela síndrome da face longa, palato estreito, mordida cruzada 
posterior e mordida aberta anterior. O tratamento envolve avaliação otorrinolaringológica, 
fonoaudiológica e ortodôntica.
Bruxismo: Cerrar ou ranger os dentes, com fatores locais e psicológicos. Causa 
desgastes oclusais, dores na ATM, hipertrofia muscular. O tratamento inclui ajuste 
oclusal, placa interoclusal, psicoterapia e medicação.
 
 
Classificação das Maloclusões
 
Classificação de Angle
 
Baseia-se na relação mésio-distal do primeiro molar permanente e do corpo da mandíbula em 
relação à maxila.
Classe I: Relação molar correta (cúspide mésio-vestibular do 1º molar superior oclui no sulco 
vestibular do 1º molar inferior). As discrepâncias podem ser apinhamento, diástemas, 
mordida aberta, sobremordida exagerada, cruzamentos ou biprotrusões dentárias. O perfil 
facial é geralmente reto.
Classe II:
 O corpo da mandíbula e a arcada inferior estão em relação distal em relação à maxila.
1ª Divisão: Incisivos centrais e laterais superiores com inclinação vestibular exagerada. 
Perfil facial convexo.
2ª Divisão: Incisivos centrais superiores com inclinação vertical ou lingual. Tendência à 
sobremordida excessiva. Perfil facial reto a levemente convexo.
Subdivisão: Maloclusão Classe II ocorre apenas em um dos lados.
 
Classe III:
 O corpo da mandíbula e a arcada inferior estão em relação mesial em relação à maxila. Perfil 
facial predominantemente côncavo.
Subdivisão: Maloclusão Classe III ocorre apenas em um dos lados.
 
 
Vantagens: Simples, facilita a comunicação e orienta o tratamento. Desvantagens: Puramente 
dentária, não considera a relação esquelética tridimensional, considera o 1º molar superior 
como ponto fixo.
 
Classificação de Lischer
 
Foca nas más posições individuais dos dentes, utilizando o sufixo "-versão" para indicar a 
direção do movimento.
Tipos de Más Posições: Mesioversão, Distoversão, Lábioversão, Linguoversão, Perversão, 
Infraversão, Supraversão, Axiversão, Torciversão, Transversão.
 
Vantagens: Detalha a posição de cada dente. Desvantagens: Puramente dentária, não relaciona 
com a oclusão geral ou esqueleto.
 
Classificação de Simon
 
Avalia a maloclusão em três planos do espaço, utilizando planos de referência cranianos.
Plano Orbital: Avalia relações ântero-posteriores (Protração, Retração).
Plano Sagital Médio: Avalia relações médio-laterais (Contração, Distração).
Plano de Frankfurt: Avalia relações verticais (Atração, Abstração).
 
Vantagens: Avalia a maloclusão de forma tridimensional. Desvantagens: Confusa, pouco 
difundida, dificuldade de comunicação.
 
Mordidas Cruzadas
 
Alteração na relação normal vestíbulo-lingual dos dentes. Pode ser anterior, posterior ou 
combinada, e ter etiologia dentária, esquelética ou funcional.
 
Mordida Cruzada Anterior
Dentária: Inclinação incorreta dos dentes envolvidos, sem envolvimento basal. Incisivos 
superiores palatinizados e inferiores vestibularizados.
Funcional: Mandíbula em posição avançada por interferência oclusal. Tratada com ajuste 
oclusal para eliminar contato prematuro.
Esquelética: Displasia óssea craniofacial. Em pacientes em crescimento, o tratamento 
precoce com máscara facial pode ser indicado. Em adultos, camuflagem ortodôntica ou 
cirurgia ortognática.
 
Mordida Cruzada Posterior
Dentária: Inclinação incorreta dos dentes posteriores. Tratada com elásticos intermaxilares, 
placas expansoras, aparelhos como Quadri-hélice.
Funcional: Adaptação funcional a interferências oclusais, com desvio da linha média. Tratada 
com desgaste dentário ou aparelhos de correção.
Esquelética: Discrepância óssea entre maxila e mandíbula (ex: atresia de maxila). Tratada 
com disjunção palatal (em crescimento) ou expansão palatal cirurgicamente assistida/
osteotomia Le Fort I (sem crescimento).
 
Mordida Aberta
 
Relação oclusal com trespasse vertical negativo entre dentes antagonistas.
Posterior: Uni ou bilateral, pode estar relacionada a hábitos ou anquilose.
Combinada: Trespasse vertical negativo anterior e posterior.
Anterior:
Dentária: Envolvimento apenas de dentes e processo alveolar, causada por hábitos 
(sucção, interposição lingual), erupção anômala ou deglutição atípica.
Esquelética: Displasia craniofacial com envolvimento ósseo basal.
 
Etiologia: Multifatorial, incluindo hábitos deletérios, função/tamanho da língua, respiração 
bucal, patologias congênitas/adquiridas.
Incidência: Diminui naturalmente da dentição decídua para a permanente.
Tratamento: Varia com a etiologia e a fase de desenvolvimento. Inclui interrupção de hábitos, 
uso de grades palatinas, aparelhos extrusores, tratamento ortodôntico compensatório, orto-
cirúrgico e terapia fonoaudiológica. O prognóstico é melhor para casos dento-alveolares 
tratados precocemente.
 
Crescimento Ósseo e Dentição
 
Crescimento Ósseo
 
O crescimento ósseo da face é resultado de processos de aposição e reabsorção 
(remodelação), além do crescimento em suturas e cartilagens.
Crescimento da Mandíbula: O côndilo cresce por ossificação endocondral, direcionando a 
mandíbula para baixo e para frente. A remodelação nas superfícies do corpo e ramo 
acompanha esse deslocamento.
Crescimento da Maxila: Ocorre primariamente nas suturas faciais (fronto-maxilar, 
zigomático-maxilar, pterigo-palatina), resultando em deslocamento anterior e inferior. A 
tuberosidade maxilar cresce posteriormente, e o processo alveolar cresce verticalmente.
Crescimento da Base do Crânio: Ocorre nas sincondroses, influenciando o posicionamento 
da maxila e mandíbula.
 
Dentição
 
A evolução da oclusão passa por diferentes fases:
Dentição Decídua: 20 dentes, com características próprias de tamanho, forma, cor e espaço 
interdental. O plano terminal reto é o mais comum. Funções incluem mastigação, fonação e 
manutenção do espaço para permanentes.
Dentição Mista: Transição entre decíduos e permanentes. Caracterizada pela erupção dos 
primeiros molares e incisivos permanentes, formação das curvas de Spee e Wilson, e 
estabelecimento da ATM. A fase do "patinho feio" é comum. O Leeway Space é crucial para o 
alinhamento dos dentes posteriores.
Dentição Permanente: 32 dentes, com oclusão estabelecida segundo as seis chaves de 
Andrews e características normais de número, tamanho, forma do arco, inclinações, curvas e 
contatos.
 
Classificação das Maloclusões (Angle, Lischer, 
Simon)
Angle: Classifica com base na relação anteroposterior dos molares.
Lischer: Descreve a má posição individual de cada dente.
Simon: Avalia a maloclusão nos três planos do espaço.
 
Mordidas Cruzadas e Mordidas Abertas
Mordida Cruzada: Alteração na relação vestíbulo-lingual dos dentes (anterior, posterior, 
dentária, funcional, esquelética). O tratamento precoce é fundamental.
Mordida Aberta: Trespasse vertical negativo entre dentes antagonistas (anterior, posterior, 
combinada, dentária, esquelética). A etiologia é multifatorial, e o tratamento varia com a 
causa e a idade do paciente.
 
Etiologia das Maloclusões
 
As maloclusões podem ser causadas por fatores intrínsecos (anomalias dentárias, problemas 
de erupção) e extrínsecos (hereditariedade, hábitos viciosos, fatores ambientais). Os hábitos 
viciosos (sucção, deglutição atípica, respiração bucal, bruxismo) são particularmente 
importantes devido ao seu impacto no desenvolvimento dento-facial e na estabilidade do 
tratamento ortodôntico.