Prévia do material em texto
Crescimento Craniofacial e Desenvolvimento da Oclusão Introdução ao Crescimento Craniofacial O crescimento e desenvolvimento facial são processos contínuos e multifacetados que ocorrem desde a concepção até a idade adulta. O conhecimento desses mecanismos é fundamental para o diagnóstico, planejamento e tratamento de más oclusões, especialmente as esqueléticas. Conceitos Gerais Crescimento: Aspecto quantitativo do desenvolvimento, caracterizado pelo aumento de tamanho através da divisão celular (ex: aumento de peso e estatura). Desenvolvimento: Aspecto qualitativo do desenvolvimento, englobando o conjunto de eventos biológicos desde a fecundação até a maturidade, visando estágios mais complexos. Maturação: Estabilização do estágio adulto após o crescimento e desenvolvimento. Diferenciação: Mudança de células ou tecidos para formas mais especializadas durante o desenvolvimento. Remodelação: Processo contínuo de aposição e reabsorção óssea seletiva, que promove crescimento diferencial e conformação óssea. Surto de Crescimento Puberal: Período de rápido crescimento em um curto espaço de tempo, ocorrendo em média aos 12 anos e 8 meses em meninos e 10 anos e 4 meses em meninas. Variáveis que Afetam o Crescimento: Hereditariedade, nutrição e enfermidades. Movimentos de Crescimento: Deslizamento: Crescimento real na mesma direção da aposição óssea. Deslocamento: Movimento espacial de uma unidade como um todo (primário ou secundário). Crescimento da Mandíbula A mandíbula é o único osso móvel do crânio, com formato de ferradura, composto por um corpo e ramos ascendentes. Centros e Sítios de Crescimento Principais: Côndilo mandibular Superfície posterior do ramo mandibular Processo coronóide Processo de Crescimento Condilar: Ocorre por ossificação endocondral na cartilagem secundária do côndilo. A proliferação desta cartilagem contribui para o crescimento em altura, largura e comprimento. A aposição ocorre nas superfícies anterior e posterior do colo do côndilo, enquanto a reabsorção ocorre nas superfícies lingual e vestibular. O crescimento condilar para cima e para trás desloca a mandíbula para frente e para baixo. Ramo Mandibular: Tende a se tornar mais verticalizado durante o desenvolvimento. A relocação do ramo cria espaço para a erupção dos molares decíduos e permanentes. Processo Alveolar: Seu desenvolvimento é controlado pela erupção dentária e é reabsorvido na ausência de dentes. Processo Coronóide: A superfície vestibular sofre reabsorção, enquanto a lingual sofre aposição. Corpo Mandibular: Apresenta depósitos ósseos em seu perímetro, com reabsorção na face lingual. O bordo inferior é local de aposição, exceto na incisura antegoniana. Mento (Queixo): Área de aposição óssea na sínfise e reabsorção na área alveolar anterior. É um sítio de crescimento menos ativo. Crescimento Pós-Natal: Ao nascimento, a mandíbula é curta com desenvolvimento condilar mínimo. O ramo é curto e a eminência na cavidade glenóide é mínima. No primeiro ano de vida, a cartilagem da sínfise é substituída por osso, e o crescimento aposicional é ativo em várias áreas. Crescimento da Maxila A maxila atinge 95-98% de sua dimensão final por volta dos 12 anos, com o maior incremento transversal ocorrendo entre 7 e 11 anos. Mecanismos de Crescimento: Aposição nas Suturas: Crescimento aposicional nas suturas faciais (zigomático-maxilar, fronto-maxilar, pterigo-palatina) resulta no deslocamento da maxila para frente e para baixo. Remodelação Superficial: Aposição de osso em algumas superfícies e reabsorção em outras. Sítios de Crescimento: Suturas Faciais: Crescimento aposicional que une a maxila aos ossos vizinhos, deslocando-a. Tuberosidade da Maxila: Deposição na superfície posterior e reabsorção na cortical do seio maxilar, permitindo a erupção dos dentes posteriores. Processo Alveolar: Principal responsável pelo crescimento vertical (40% do aumento em altura da maxila) devido à erupção dentária. Sutura Palatina Mediana: Crescimento aposicional que aumenta a largura do palato. Sutura Palatina Transversa: Pequena deposição que contribui para o crescimento ântero- posterior. Palato: Crescimento aposicional que contribui para os sentidos vertical e lateral, com reabsorção compensatória no soalho da fossa nasal. Crescimento da Base do Crânio A base do crânio cresce principalmente no sentido ântero-posterior, às custas das sincondroses (esfenoccipital, esfenoetimoidal, interesfenoidal e intraoccipital). O fechamento dessas sincondroses ocorre em diferentes idades, sendo a esfenooccipital a última a ossificar (15-18 anos). O crescimento da base do crânio influencia diretamente o posicionamento da maxila e mandíbula, atuando como um gabarito para o desenvolvimento facial. Padrão Facial e Base do Crânio: Braquicéfalos: Base do crânio mais achatada e aberta, dimensão horizontal aumentada, maxila posteriorizada, giro mandibular para cima e para frente. Rosto arredondado. Dolicocéfalos: Base do crânio mais vertical e fechada, complexo maxilar mais protuso, giro mandibular para trás e para baixo. Rosto ovalado. Frequentemente Classe II. Mesocéfalos: Dimensões equilibradas da base do crânio, complexo maxilar e mandíbula em harmonia. Desenvolvimento da Oclusão A oclusão dentária humana está em constante mudança, sendo um processo contínuo. O desenvolvimento da oclusão é dividido em períodos: pré-dental, dentição decídua, dentição mista e dentição permanente. Período Pré-Dental Compreende do nascimento até a erupção dos dentes decíduos. Ausência de dentes visíveis. Processos alveolares cobertos por abaulamentos gengivais. Arcos com formas distintas: superior arredondada, inferior retangular com região anterior pontiaguda e inclinação lingual. A sucção é a função primordial, estimulando o crescimento mandibular. Período de Dentição Decídua Início: Aproximadamente 6-8 meses de idade. Completa: Com a erupção e oclusão dos 2ºs molares decíduos (24-30 meses). Término: Aproximadamente 6 anos, com a erupção dos 1ºs molares permanentes. Características: Número de dentes: 20. Anatomia: Ausência de cúspides e vertentes definidas, constrição no colo. Cor: Branco-leitosa. Forma dos Arcos: Predominantemente trapezoidal (65%). Relação entre dentes: Contato com 4 dentes (exceto incisivos centrais inferiores e 2ºs molares inferiores/superiores). Inclinações Axiais: Verticais nas bases ósseas. Plano Oclusal: Horizontal, sem curvas de Spee e Wilson. ATM próxima ao plano oclusal. Espaços Interdentais: Presença de espaços primatas (superior: entre canino e incisivo lateral; inferior: entre canino e 1º molar) e espaços de Baume Tipo I e II. Sobremordida (Overbite): Exagerada no início, diminuindo para cerca de 1/3 dos incisivos inferiores ou 2-3mm no final. Sobressaliência (Overjet): Topo a 2-3mm. ATM: Profundidade da fossa glenóide aumenta. Plano Terminal: Relação das superfícies distais dos 2ºs molares decíduos. Pode ser reto (mais comum), mesial ou distal. Relação Canino: A ponta da cúspide do canino superior deve ocluir na ameia entre o canino e 1º molar inferior (Classe I). Funções: Mastigação, deglutição, fonação, estética, manutenção do processo alveolar e espaço para dentes permanentes, guia de erupção. Período de Dentição Mista Início: Erupção do 1º molar permanente (geralmente inferior). Término: Esfoliação do último dente decíduo. Desenvolvimento da Oclusão: Sequência de Erupção (Superior): 1ºs Molares, Incisivos Centrais, Incisivos Laterais, Pré- Molares, Caninos, 2ºs Pré-Molares, 2ºs Molares. Idealmente, pré-molares erupcionam antes dos caninos. Sequência de Erupção (Inferior): 1ºs Molares, Incisivos Centrais, Incisivos Laterais, Caninos, 1ºs Pré-Molares, 2ºs Pré-Molares, 2ºs Molares. Desejável erupção do canino inferior antes dos pré-molares. Cronologia do Desenvolvimento Dental (Permanente): Tabela detalhando o início da calcificação, coroa completa, erupção e raiz completa para cada dente. Cronologia de Erupção: 1ºs MolaresPermanentes (± 6-7 anos): Início da formação das curvas de Spee e Wilson, desenvolvimento da ATM. Guiados pela relação terminal dos 2ºs molares decíduos. Incisivos Inferiores Permanentes (Centrais ± 6-7 anos, Laterais ± 7-8 anos): Desenvolvem-se lingualmente aos decíduos. A língua os movimenta labialmente. Incisivos Superiores Permanentes (Centrais ± 7-8 anos, Laterais 8-9 anos): Desenvolvem-se labialmente aos decíduos. Coroas com inclinação distal e diastemas interincisais. O espaço para erupção é proveniente dos espaços primatas, fisiológicos e inclinação labial. Fase do Patinho Feio: Caracterizada por inclinação labial exagerada e distal dos incisivos permanentes superiores, diastemas interincisais e sobremordida exagerada. Geralmente se autocorrige com a erupção dos caninos e dentes posteriores. Caninos e Pré-Molares Permanentes: Desenvolvimento favorável depende da sequência de erupção, relação tamanho dentário/ espaço disponível, e relação molar. Cronologia de erupção: Caninos Inferiores (± 9-10 anos), 1ºs Pré-Molares Inferiores (± 10-12 anos), 1ºs Pré-Molares Superiores (± 10-11 anos), 2ºs Pré-Molares Inferiores (± 11-12 anos), 2ºs Pré-Molares Superiores (± 10-12 anos), Caninos Superiores (± 11-12 anos). Últimos dentes a irromper: Caninos Superiores e 2ºs Pré-Molares Inferiores. Estabelecimento da Oclusão: Curva de Spee: Formada pela inclinação axial mesial dos dentes permanentes. Completa- se com a erupção dos 2ºs molares. Curva de Wilson: Inclinação lingual dos molares inferiores e vestibular dos molares superiores. ATM: Remodelamento significativo, com aumento da profundidade da fossa glenóide. Sobremordida (Overbite): Muda de exagerada na dentição mista para normal (1/3 dos incisivos inferiores ou 2-3mm) com a erupção dos dentes posteriores. Sobressaliência (Overjet): Muda de acentuada para normal (1-2mm) com o maior crescimento mandibular em relação ao maxilar. Chave de Oclusão de Angle: Relação molar de Classe I (cúspide mésio-vestibular do 1º molar superior ocluindo no sulco mésio-vestibular do 1º molar inferior). Ajustes ocorrem pelo fechamento do espaço primata, crescimento mandibular e aproveitamento do Leeway Space (espaço maior nos dentes decíduos inferiores). Leeway Space: Superior: 1.8mm (0.9mm/hemiarco); Inferior: 3.4mm (1.7mm/ hemiarco). Período de Dentição Permanente Erupção dos 2ºs Molares Permanentes: Inferiores (± 11-13 anos), Superiores (± 12-13 anos). Erupção dos 3ºs Molares: ± 17-21 anos. Características Normais: Número de dentes: 32. Tamanho dos dentes: Variável, podendo causar apinhamento ou diástemas em discrepâncias com o tamanho ósseo. Curvas de Spee e Wilson: Presentes. Sobremordida (Overbite): Normal (até 1/3 da coroa dos incisivos inferiores). Sobressaliência (Overjet): Normal (1-3mm). Forma dos Arcos: Varia com o tipo facial (parabólico em mesocéfalos, quadrático em braquicéfalos, elíptico em dolicocéfalos). Seis Chaves de Oclusão de Andrews: Relação molar (Classe I).1. Angulação das coroas (mesio-distal): Cérvix distal à porção oclusal.2. Inclinação das coroas (vestíbulo-lingual): Aumenta progressivamente para posterior.3. Rotações: Ausentes.4. Contatos interproximais: Ausentes espaços.5. Curva de Spee: Plana ou suave (profundidade ≤ 1.5mm).6. Etiologia das Maloclusões As maloclusões podem ter origem intrínseca (local) ou extrínseca (geral). Fatores Intrínsecos (Locais) Anomalias de Número: Dentes Supranumerários: Podem ser causados por hereditariedade, trauma ou alterações embriológicas. Consequências incluem diastemas, rotações, apinhamento, atraso na erupção e impacção. Agenesias (Hipodontia, Oligodontia, Anodontia): Causadas por fatores genéticos ou ambientais (trauma, infecção, radiação, etc.). Os dentes mais afetados são os 3ºs molares, 2ºs pré-molares e incisivos laterais. Consequências: perda de espaço, diastemas, extrusão do antagonista, perda de contato oclusal/proximal. Anomalias de Tamanho Dentário: Macrodontia: Dentes maiores que o normal. Microdontia: Dentes menores que o normal. Podem ser generalizadas ou localizadas, causando discrepâncias de tamanho dentário/ ósseo, levando a apinhamento ou diástemas. Anomalias de Forma Dentária: Dentes Conóides: Dentes reduzidos em forma cônica, causadores de diastemas e redução do perímetro do arco. Geminação: Tentativa de um germe dentário se dividir, resultando em uma coroa bífida com uma raiz e um canal. Fusão: União de dois germes dentários, resultando em uma coroa com dobro do tamanho ou coroa bífida com canais distintos. Cúspide Acessória/Glóbulo de Esmalte: Pode levar à não erupção completa, deslocamento dental e exposição pulpar. Cúspide em Garra: Projeta-se lingualmente dos incisivos superiores, podendo causar rotações e aumento do overjet. Outras: Concrescência, dilaceração, dens in dente, taurodontia, raízes supranumerárias. Fatores Relacionados à Erupção: Retenção Prolongada de Dentes Decíduos: Pode ser causada por agenesia do sucessor ou falta de sincronia entre reabsorção e erupção. Requer diagnóstico radiográfico e, possivelmente, exodontia do decíduo. Erupção Tardia de Dentes Permanentes: Causada por supranumerários, fragmentos de raiz, cistos, gengiva fibrosa, fatores endócrinos ou genéticos. Requer diagnóstico radiográfico e remoção cirúrgica de obstáculos. Via de Erupção Anormal: Causada por bloqueios físicos (supranumerários, cistos), trauma em decíduos, fatores genéticos ou endócrinos. O tratamento depende do grau de transposição e integridade dos dentes. Anquilose: União direta raiz-osso alveolar, sem ligamento periodontal. Causa infra- oclusão, extrusão do antagonista, inclinação de adjacentes e perda de perímetro do arco. O tratamento precoce é crucial. Fatores Ambientais (Ocorrência Local): Perda Precoce de Dentes Decíduos: Causa perda de espaço, alteração na sequência de erupção, desvio/impacção de permanentes, extrusão de antagonistas e desenvolvimento de hábitos atípicos. A reconstrução dos contatos oclusais e uso de mantenedores de espaço são importantes. Cárie Dentária: Pode levar à perda precoce de elementos, perda de perímetro do arco, extrusão de antagonista e migração de adjacentes. Restauração anatômica imediata é essencial. Restaurações Dentárias Inadequadas: Excesso ou deficiência de material podem causar problemas dimensionais, rotações, apinhamento, impacção, perda de perímetro do arco, contatos prematuros e mordidas cruzadas funcionais. Fatores Extrínsecos (Gerais) Hereditariedade: Influencia o tipo facial, número, tamanho e forma dos dentes. Anomalias Congênitas: Síndrome de Down, fissuras lábio-palatinas. Meio Ambiente Pré e Pós-Natal: Mal posicionamento fetal. Fatores Sistêmicos: Alterações endócrinas. Fatores Dietéticos: Nutrição inadequada. Acidentes e Traumatismos: Podem afetar o desenvolvimento dental e ósseo. Hábitos de Pressões Anormais (Hábitos Viciosos): Causam desequilíbrio muscular e podem levar a alterações oclusais significativas. A gravidade depende da duração, frequência, intensidade e idade de término do hábito. Amamentação Artificial: Uso de mamadeiras com bicos convencionais não exercita a musculatura bucofacial como a amamentação natural. Sucção de Chupeta e Dedo: Pode causar aumento do overjet, labioversão dos incisivos superiores, linguoversão dos inferiores, mordida aberta localizada, palato profundo e estreito, e hipotonicidade do lábio superior. A remoção do hábito e, se necessário, tratamento ortodôntico e fonoaudiológico são indicados. Sucção ou Interposição Labial: Pode levar a labioversão dos incisivos superiores, linguoversão dos inferiores, aumento do overjet e overbite, e alterações na tonicidade labial. Onicofagia (Roer Unha): Pode causar pequenas giroversões nos dentes envolvidos. Deglutição Atípica: Pode ser causada por interposição de língua/lábio, amigdalites/ faringites crônicas, ou persistência da deglutição infantil. Resulta em mordida aberta, projeção de incisivos e alterações funcionais. O tratamentoenvolve ortodontia e fonoaudiologia. Respiração Bucal: Causada por obstrução das vias aéreas (adenóides, cornetos, etc.) ou por hábito. Caracteriza-se pela síndrome da face longa, palato estreito, mordida cruzada posterior e mordida aberta anterior. O tratamento envolve avaliação otorrinolaringológica, fonoaudiológica e ortodôntica. Bruxismo: Cerrar ou ranger os dentes, com fatores locais e psicológicos. Causa desgastes oclusais, dores na ATM, hipertrofia muscular. O tratamento inclui ajuste oclusal, placa interoclusal, psicoterapia e medicação. Classificação das Maloclusões Classificação de Angle Baseia-se na relação mésio-distal do primeiro molar permanente e do corpo da mandíbula em relação à maxila. Classe I: Relação molar correta (cúspide mésio-vestibular do 1º molar superior oclui no sulco vestibular do 1º molar inferior). As discrepâncias podem ser apinhamento, diástemas, mordida aberta, sobremordida exagerada, cruzamentos ou biprotrusões dentárias. O perfil facial é geralmente reto. Classe II: O corpo da mandíbula e a arcada inferior estão em relação distal em relação à maxila. 1ª Divisão: Incisivos centrais e laterais superiores com inclinação vestibular exagerada. Perfil facial convexo. 2ª Divisão: Incisivos centrais superiores com inclinação vertical ou lingual. Tendência à sobremordida excessiva. Perfil facial reto a levemente convexo. Subdivisão: Maloclusão Classe II ocorre apenas em um dos lados. Classe III: O corpo da mandíbula e a arcada inferior estão em relação mesial em relação à maxila. Perfil facial predominantemente côncavo. Subdivisão: Maloclusão Classe III ocorre apenas em um dos lados. Vantagens: Simples, facilita a comunicação e orienta o tratamento. Desvantagens: Puramente dentária, não considera a relação esquelética tridimensional, considera o 1º molar superior como ponto fixo. Classificação de Lischer Foca nas más posições individuais dos dentes, utilizando o sufixo "-versão" para indicar a direção do movimento. Tipos de Más Posições: Mesioversão, Distoversão, Lábioversão, Linguoversão, Perversão, Infraversão, Supraversão, Axiversão, Torciversão, Transversão. Vantagens: Detalha a posição de cada dente. Desvantagens: Puramente dentária, não relaciona com a oclusão geral ou esqueleto. Classificação de Simon Avalia a maloclusão em três planos do espaço, utilizando planos de referência cranianos. Plano Orbital: Avalia relações ântero-posteriores (Protração, Retração). Plano Sagital Médio: Avalia relações médio-laterais (Contração, Distração). Plano de Frankfurt: Avalia relações verticais (Atração, Abstração). Vantagens: Avalia a maloclusão de forma tridimensional. Desvantagens: Confusa, pouco difundida, dificuldade de comunicação. Mordidas Cruzadas Alteração na relação normal vestíbulo-lingual dos dentes. Pode ser anterior, posterior ou combinada, e ter etiologia dentária, esquelética ou funcional. Mordida Cruzada Anterior Dentária: Inclinação incorreta dos dentes envolvidos, sem envolvimento basal. Incisivos superiores palatinizados e inferiores vestibularizados. Funcional: Mandíbula em posição avançada por interferência oclusal. Tratada com ajuste oclusal para eliminar contato prematuro. Esquelética: Displasia óssea craniofacial. Em pacientes em crescimento, o tratamento precoce com máscara facial pode ser indicado. Em adultos, camuflagem ortodôntica ou cirurgia ortognática. Mordida Cruzada Posterior Dentária: Inclinação incorreta dos dentes posteriores. Tratada com elásticos intermaxilares, placas expansoras, aparelhos como Quadri-hélice. Funcional: Adaptação funcional a interferências oclusais, com desvio da linha média. Tratada com desgaste dentário ou aparelhos de correção. Esquelética: Discrepância óssea entre maxila e mandíbula (ex: atresia de maxila). Tratada com disjunção palatal (em crescimento) ou expansão palatal cirurgicamente assistida/ osteotomia Le Fort I (sem crescimento). Mordida Aberta Relação oclusal com trespasse vertical negativo entre dentes antagonistas. Posterior: Uni ou bilateral, pode estar relacionada a hábitos ou anquilose. Combinada: Trespasse vertical negativo anterior e posterior. Anterior: Dentária: Envolvimento apenas de dentes e processo alveolar, causada por hábitos (sucção, interposição lingual), erupção anômala ou deglutição atípica. Esquelética: Displasia craniofacial com envolvimento ósseo basal. Etiologia: Multifatorial, incluindo hábitos deletérios, função/tamanho da língua, respiração bucal, patologias congênitas/adquiridas. Incidência: Diminui naturalmente da dentição decídua para a permanente. Tratamento: Varia com a etiologia e a fase de desenvolvimento. Inclui interrupção de hábitos, uso de grades palatinas, aparelhos extrusores, tratamento ortodôntico compensatório, orto- cirúrgico e terapia fonoaudiológica. O prognóstico é melhor para casos dento-alveolares tratados precocemente. Crescimento Ósseo e Dentição Crescimento Ósseo O crescimento ósseo da face é resultado de processos de aposição e reabsorção (remodelação), além do crescimento em suturas e cartilagens. Crescimento da Mandíbula: O côndilo cresce por ossificação endocondral, direcionando a mandíbula para baixo e para frente. A remodelação nas superfícies do corpo e ramo acompanha esse deslocamento. Crescimento da Maxila: Ocorre primariamente nas suturas faciais (fronto-maxilar, zigomático-maxilar, pterigo-palatina), resultando em deslocamento anterior e inferior. A tuberosidade maxilar cresce posteriormente, e o processo alveolar cresce verticalmente. Crescimento da Base do Crânio: Ocorre nas sincondroses, influenciando o posicionamento da maxila e mandíbula. Dentição A evolução da oclusão passa por diferentes fases: Dentição Decídua: 20 dentes, com características próprias de tamanho, forma, cor e espaço interdental. O plano terminal reto é o mais comum. Funções incluem mastigação, fonação e manutenção do espaço para permanentes. Dentição Mista: Transição entre decíduos e permanentes. Caracterizada pela erupção dos primeiros molares e incisivos permanentes, formação das curvas de Spee e Wilson, e estabelecimento da ATM. A fase do "patinho feio" é comum. O Leeway Space é crucial para o alinhamento dos dentes posteriores. Dentição Permanente: 32 dentes, com oclusão estabelecida segundo as seis chaves de Andrews e características normais de número, tamanho, forma do arco, inclinações, curvas e contatos. Classificação das Maloclusões (Angle, Lischer, Simon) Angle: Classifica com base na relação anteroposterior dos molares. Lischer: Descreve a má posição individual de cada dente. Simon: Avalia a maloclusão nos três planos do espaço. Mordidas Cruzadas e Mordidas Abertas Mordida Cruzada: Alteração na relação vestíbulo-lingual dos dentes (anterior, posterior, dentária, funcional, esquelética). O tratamento precoce é fundamental. Mordida Aberta: Trespasse vertical negativo entre dentes antagonistas (anterior, posterior, combinada, dentária, esquelética). A etiologia é multifatorial, e o tratamento varia com a causa e a idade do paciente. Etiologia das Maloclusões As maloclusões podem ser causadas por fatores intrínsecos (anomalias dentárias, problemas de erupção) e extrínsecos (hereditariedade, hábitos viciosos, fatores ambientais). Os hábitos viciosos (sucção, deglutição atípica, respiração bucal, bruxismo) são particularmente importantes devido ao seu impacto no desenvolvimento dento-facial e na estabilidade do tratamento ortodôntico.