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DIREITO CIVIL LUCIANO FIGUEIREDO ROBERTO FIGUEIREDO Obrigações e Responsabilidade Civil 6 a edição coleção SINOPSES para concursos
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## Resumo sobre Direito das Obrigações: Conceito, Função Social e Relações PatrimoniaisO direito das obrigações ocupa posição central no Direito Privado, sendo considerado um dos institutos jurídicos mais importantes do Direito Civil, conforme destaca Flávio Tartuce. As obrigações são a base das relações civis, especialmente nas relações econômicas, refletindo a autonomia privada. Etimologicamente, a palavra obrigação deriva do latim *ob + ligatio*, significando uma ligação ou vínculo. Inicialmente associada a uma norma de submissão, a obrigação hoje é entendida como um ato de vontade baseado na cooperação entre as partes. Juridicamente, o termo é plurissignificativo: pode indicar tanto a relação jurídica em sentido amplo quanto o objeto do pagamento, ou débito, em sentido estrito. Orlando Gomes define obrigação, em sentido estrito, como direito de crédito, embora na prática se enfatize mais o dever do que o direito, focando no aspecto passivo da relação jurídica.A relação jurídica obrigacional deve ser compreendida como um processo dinâmico e relacional, que envolve uma série de atos encadeados visando o adimplemento, ou seja, o cumprimento da obrigação. Judith Martins-Costa reforça que o direito das obrigações é construído dentro de um processo contínuo de cooperação, envolvendo deveres principais e acessórios, que perduram mesmo após o pagamento, como os deveres de boa-fé, informar, cooperar, cuidar e zelar. Assim, as obrigações não devem ser analisadas apenas sob o prisma econômico, mas também considerando os deveres não patrimoniais e a função social, que transcende o individual e alcança dimensões coletivas e difusas. Lenio Streck destaca que os problemas jurídicos atuais envolvem coletividades e comunidades, como em casos de falência de bancos ou contratos massificados, o que reforça a visão da obrigação como um processo complexo e cooperativo, sem antagonismo entre credor e devedor.O processo obrigacional é marcado por autonomia privada, boa-fé e função social, e compreende duas etapas principais: o nascimento e desenvolvimento dos deveres e o adimplemento. Embora em alguns casos o cumprimento seja instantâneo, a obrigação deve ser vista como um processo que visa a satisfação dos interesses do credor, ultrapassando a fase liberal napoleônica do Direito Civil e promovendo a despatrimonialização do direito. O adimplemento é o eixo central das obrigações, pois as pessoas contratam para cumprir suas obrigações. O campo de incidência do direito obrigacional é restrito às obrigações juridicamente exigíveis, ou perfeitas, excluindo obrigações religiosas ou domésticas. Clóvis Beviláqua define os direitos obrigacionais como um complexo de normas que regem relações jurídicas patrimoniais, envolvendo prestações de um sujeito em benefício de outro. Maria Helena Diniz destaca que esses direitos são relativos, dirigidos a pessoas determinadas, e podem envolver prestações positivas ou negativas. Washington de Barros Monteiro complementa que a obrigação é uma relação jurídica transitória entre devedor e credor, cujo objeto é uma prestação pessoal econômica, garantida pelo patrimônio do devedor.No caso de inadimplemento, a responsabilidade do devedor é patrimonial, mas limitada ao seu patrimônio penhorável, respeitando o mínimo existencial e a dignidade humana, conforme Luiz Edson Fachin. O Código de Processo Civil e a Lei 8.009/90 estabelecem bens impenhoráveis, como o bem de família, e o Supremo Tribunal Federal proíbe a prisão civil do depositário infiel, exceto para devedores de alimentos, onde a prisão funciona como meio coercitivo, não substitutivo do pagamento. A solução para o inadimplemento está na aplicação da teoria da responsabilidade civil negocial, prevista nos artigos 389 e 391 do Código Civil, diferenciando-se da responsabilidade extracontratual, que não deve ser utilizada para embasar postulações em concursos públicos.### Relações Patrimoniais: Direitos Reais e ObrigacionaisA distinção entre direitos reais e obrigacionais é fundamental no Direito Civil, embora ambos compartilhem traços patrimoniais. Os direitos obrigacionais envolvem relações pessoais entre credor e devedor, caracterizando uma relação intersubjetiva, enquanto os direitos reais conferem um poder jurídico direto e imediato sobre uma coisa, com eficácia contra todos (erga omnes). Assim, os direitos reais são jus in rem (direito sobre coisa), e os obrigacionais são jus ad rem (direito contra pessoa). Maria Helena Diniz explica que os direitos pessoais têm dualidade de sujeitos (ativo e passivo), enquanto os direitos reais têm apenas um sujeito, disciplinando a relação entre pessoa e coisa. A violação dos direitos pessoais gera ação pessoal contra o sujeito passivo, enquanto a violação dos direitos reais confere ação real contra qualquer detentor da coisa.Apesar dessa distinção, ambos os direitos formam as relações patrimoniais, e há uma corrente doutrinária, representada por Pietro Perlingieri, que defende a unificação normativa desses direitos sob a teoria monista ou unitária. Contudo, o Código Civil brasileiro adota a teoria dualista, tratando os direitos reais e obrigacionais separadamente, com regras próprias. Uma das principais diferenças é que os direitos reais são taxativos (numerus clausus), previstos expressamente no artigo 1.225 do Código Civil, enquanto os direitos obrigacionais são exemplificativos (numerus apertus), podendo surgir da criatividade humana e da autonomia privada, como contratos atípicos, desde que respeitada a teoria geral dos contratos.Embora a maioria da doutrina defenda a taxatividade dos direitos reais, há uma posição minoritária que admite a criação de novas modalidades de direitos reais, fundamentada na autonomia privada e no princípio da operabilidade. Exemplos dessa flexibilização incluem o direito de retenção (art. 516 do CC), a retrovenda (arts. 505 e seguintes), e contratos modernos como a multipropriedade, que conferem direitos reais atípicos. Flávio Tartuce ressalta que a taxatividade não é absoluta, e o Código Civil brasileiro não proíbe expressamente a criação de novos direitos reais, diferentemente do direito argentino e português.Outra diferença crucial é o caráter absoluto dos direitos reais, que possuem eficácia erga omnes, enquanto os direitos obrigacionais são relativos, vinculando apenas as partes envolvidas. O direito real, como o da propriedade, deve ser respeitado por todos, mas seu exercício é ponderado para promover o ser humano, conforme Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald. Já os direitos obrigacionais, embora em regra sejam inter partes, podem, em certos casos, adquirir eficácia erga omnes, especialmente quando se considera a função social dos contratos, como exemplificado pelo artigo 608 do Código Civil e pela Súmula 308 do Superior Tribunal de Justiça, que tratam da inoponibilidade de certas cláusulas contratuais a terceiros.A terceira diferença reside no direito de sequela, exclusivo dos direitos reais, que permite ao titular seguir a coisa onde quer que ela esteja, reivindicando-a contra qualquer detentor. O artigo 1.228 do Código Civil assegura ao proprietário o direito de reaver a coisa injustamente detida, ilustrando o jus persequendi. Orlando Gomes compara esse direito à lepra que adere ao corpo, e Flávio Tartuce explica que os direitos reais aderem à coisa, conferindo ao titular uma relação de domínio independente de sujeitos passivos. Em contraste, os direitos obrigacionais não conferem direito de sequela, mas apenas responsabilidade patrimonial do devedor, que responde com seu patrimônio pelo inadimplemento. Por exemplo, se Caio não cumpre a obrigação de pintar um quadro para Maria, esta poderá pleitear perdas e danos, mas não reivindicar o objeto da obrigação.Por fim, os direitos reais geram preferência na satisfação do crédito, enquanto os direitos obrigacionais conferem, no máximo, privilégios. A preferência dos direitos reais decorre do registro, garantindo prioridade na execução sobre o bem específico, como ocorre com hipotecas. Se um imóvel está hipotecado
para garantir um credor, este terá preferência sobre outros credores quirografários (comuns). Já os direitos obrigacionais não conferem preferência real, mas podem gerar privilégios legais, como na recuperação judicial de empresas, onde certos créditos (fiscais, trabalhistas) têm prioridade sobre outros, conforme a Lei 11.101/2005 e a Súmula 219 do STJ. Esses privilégios, contudo, incidem sobre o patrimônio geral do devedor, não sobre bens específicos, distinguindo-se da preferência dos direitos reais.---### Destaques- A obrigação é um instituto central do Direito Civil, entendido como uma relação jurídica dinâmica e cooperativa, com função social e baseada na boa-fé.- O direito obrigacional envolve deveres principais e acessórios, que perduram mesmo após o pagamento, e deve ser analisado além do aspecto econômico, considerando também deveres não patrimoniais.- Direitos reais e obrigacionais diferem quanto à natureza da relação jurídica: os primeiros são direitos sobre coisas (erga omnes), os segundos são direitos contra pessoas (inter partes).- Direitos reais são taxativos, absolutos, conferem direito de sequela e preferência na satisfação do crédito; direitos obrigacionais são exemplificativos, relativos, não conferem sequela e geram privilégios, não preferência.- A responsabilidade do devedor inadimplente é patrimonial, limitada ao patrimônio penhorável, respeitando o mínimo existencial e a dignidade humana, e a prisão civil é restrita a devedores de alimentos como meio coercitivo.

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