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Exemplos a respeito do tempo do empregado à disposição da empresa 1) O empregado que trabalha das 7h às 19h, com intervalo das 12hs às 16hs, determinado pelo empregador, sem acordo de prorrogação de intervalo, tem direito a receber duas horas extras diárias, como tempo à disposição, pois, ultrapassado o limite máximo de duas horas de intervalo e ultrapassada a jornada máxima ajustada (se computadas as duas horas à disposição relativas ao intervalo), ou de 8 horas, art. 71 da CLT c/c Súmula 118 do TST. 2) Motorista de ônibus circular municipal, por força de norma coletiva, tem direito a uma jornada de sete horas, com direito a intervalos de 5 minutos entre cada uma das viagens, sem direito ao intervalo de uma hora previsto no art. 71 da CLT. O empregado terá direito: - Pagamento, como extra, de todos os intervalos não previstos em lei, na forma da súmula 118 do TST. - Pagamento do adicional de hora extra sobre o intervalo não concedido, na forma do art. 71, §4° da CLT. Isto porque nula é a cláusula normativa que desrespeita regra prevista em lei, que, por sua natureza pública, é indisponível, máxime quando se trata de norma de medicina e segurança do trabalho. Em sentido oposto estava o inciso II da OJ n° 342 do TST, que autorizou a supressão do intervalo intrajornada dos empregados em empresas de transporte público rodoviário urbano, em virtude das condições especiais em que o trabalho é desenvolvido e do interesse coletivo, desde que garantida a redução da jornada para no mínimo 7 horas diárias ou quarenta e duas semanais, não prorrogadas e concedidos intervalos menores e fracionados ao final de cada viagem, não descontados na jornada. (Contudo, esse inciso II foi cancelado e o inciso I dessa OJ se tornou parte da Súmula 437 do TST). 3) Preparado para deixar o trabalho, pois encerrada sua jornada, o empregador solicita ao empregado que aguarde ali mesmo na porta, porque ainda iria lhe passar as tarefas do dia seguinte. Após 5º minutos, o empregador retorna e encontra o empregado, ainda na porta aguardando-o, quando, então, resolve liberá-lo. O tempo que o empregado aguardou deve ser considerado como tempo a disposição, logo, remunerado como tal. Por ter ultrapassado a jornada normal, esta remuneração será acrescida de 50%. 4) Empregado chega ao portão principal da empresa às 6 horas e 30 minutos. Percorre, por acesso restrito a pessoas, andando por 30 minutos até o posto de trabalho. Alguns acórdãos consideram que este tempo despendido pelo empregado entre o portão da empresa e o posto de trabalho deve ser computado na jornada, por aplicação analógica do art. 294 da CLT c/c Oj transitória n° 36 da SDI-I do TST, que considera como tempo à disposição o itinerário do trabalhador do portão da empresa até o local de trabalho e 1 vice-versa, como acontece com o mineiro entre a boca da mina e o local de trabalho. 5) Pedro é obrigado, por seu empregador, a fazer um curso de aperfeiçoamento. Ele assiste ao curso sem prejuízo do cumprimento da sua jornada normal. Como sua presença é exigida e o patrão é beneficiado com a qualificação de sua mão de obra, o tempo das aulas deve ser remunerado como extra. Aplicação analógica do Precedente Normativo n° 19 do TST, ora cancelado. O mesmo entendimento deve ser estendido aos tempos vagos do professor que fica à disposição da universidade ou colégio, salvo quando partir do próprio professor o requerimento (Precedente Normativo 31 do TST). As empresas botam cláusulas no contrato de trabalho, quando elas pagam os cursos de aperfeiçoamento, que vincula o empregado ao empregador durante um determinado período. Caso esse curso seja ministrado em outra cidade, o empregado não fará jus ao adicional de transferência. Caso o curso seja aos fins de semana e seja considerado tempo à disposição, o empregado fará jus ao adicional pelo tempo despendido no curso e não por todo o período. Empregado pagando o curso, tem-se duas correntes: 1) não é hora extra; 2) seria hora extra (conforme PN-19 do TST cancelado em 1998). Quando realizados fora do horário normal, os cursos e reuniões obrigatórios terão seu tempo remunerado como trabalho extraordinário (PN-31 do TST). Entretanto, há que entenda que esse tempo gasto no curso de aperfeiçoamento não deva ser pago como extra, uma vez que, o empregado se beneficiou com o enriquecimento de seu currículo. Polêmico também é o tempo destinado à ginástica nos intervalos do expediente, por ordem da empresa. Para uns, não é tempo a disposição porque é benéfico à saúde do empregado. Para outros, defendem o pagamento como hora extra, sob a alegação de que bem estar gerado pelos exercícios físicos refletem na melhoria da produção. No caso das janelas dos professores tem entendido o TST que essas janelas só deverão ser pagas se forem no mesmo turno. Janela corresponde ao tempo vago (ou tempo à disposição que o professor permanece à espera de outra aula, isto é, o período que fica aguardando entre uma e outra aula, em virtude da escala de horários fixada pela instituição de ensino). Ex.: aula das 7h às 9h – janela entre 9h e 10h – aula das 10h às 12h, nesse caso deverá ser paga a janela, não confundir com intervalo intrajornada. Quando não deverá ser paga (entendimento do TST): Aula das 7h às 9h - aula das 9h e 11h – intervalo intrajornada (das 11h às 13h) – aula das 13h às 15h – janela Turno da tarde – aula das 18h às 20h (já turno da noite), portanto, não fica obrigado o empregador a pagar esta janela, pois em turno distinto ela se encontra. 2 Exemplos a respeito do tempo do empregado à disposição da empresa