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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL UNINTER ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E MEIO AMBIENTE INSIRA O NOME DO CURSO AQUI HALLTGLANES ROMANHA MAURICIO RU: 1556830 ATIVIDADE EXTENSIONISTA III POMAR INTEGRADO BRASIL 2026 MANEJO DE POMARES INTEGRADOS COMO AGROECOSSISTEMAS INTRODUÇÃO A fruticultura mundial enfrenta o desafio de abastecer mercados exigentes por segurança alimentar e qualidade, enquanto reduz os impactos ambientais e os custos de produção. Nesse cenário, o conceito de Pomar Integrado, fundamentado nas diretrizes da Produção Integrada de Frutas (PIF) surge como um sistema agrícola sustentável de alta eficiência. Diferente do manejo convencional, que frequentemente abusa de insumos químicos sintéticos, e do cultivo orgânico, que restringe severamente o uso de certas tecnologias, o pomar integrado harmoniza o controle biológico, o manejo do solo, o uso racional de agroquímicos e o monitoramento climático. No contexto atual de transição ecológica e pressões por mitigações climáticas, compreender a viabilidade técnica e os gargalos de transição para esse modelo é fundamental para garantir a resiliência socioeconômica dos produtores rurais. Este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sistemática sobre o manejo de pomares integrados, analisando as principais abordagens agronômicas, os resultados de produtividade frente aos sistemas convencionais e o impacto ambiental das práticas de Produção Integrada relatadas na literatura científica atual. Apesar dos avanços normativos na Produção Integrada no Brasil e no mundo, a literatura técnico-científica sobre pomares integrados encontra-se fragmentada em estudos de culturas isoladas (como maçã, uva ou citros) ou focada estritamente em nichos específicos (como o manejo de uma única praga). Esta revisão faz-se necessária para consolidar os dados dispersos, preencher a lacuna de análises holísticas que avaliem o pomar como um agroecossistema conectado e fornecer um panorama atualizado que auxilie pesquisadores, extensionistas e fruticultores na tomada de decisão. MATERIAL E MÉTODOS A condução desta revisão bibliográfica baseou-se em buscas sistemáticas de artigos científicos nacionais e internacionais publicados. Foram consultadas as bases de dados eletrônicas Google Scholar, Scopus e SciELO. O recorte temporal estabelecido compreendeu publicações editadas nos últimos 15 anos, priorizando estudos nos idiomas português pertencentes às áreas de Ciências Agrárias e Ciências Ambientais. Os artigos recuperados passaram por uma triagem em duas etapas: leitura de títulos, resumos e, posteriormente, análise do texto na íntegra. Critérios de Inclusão: Artigos originais de pesquisa experimental em campo, revisões de literatura revisadas por pares e boletins técnicos de órgãos oficiais de pesquisa agrícola (como a Embrapa) que abordassem diretamente métricas de desempenho, transição ou manejo integrado de pomares frutíferos. Critérios de Exclusão: Resumos de congressos, artigos de opinião sem embasamento estatístico, estudos focados exclusivamente em sistemas 100% orgânicos ou 100% convencionais (sem correlação com a integração) e publicações com metodologia de amostragem omissa ou deficiente. Os dados extraídos dos estudos selecionados foram categorizados em três eixos temáticos estruturais para a análise comparativa: Manejo Fitossanitário Integrado (MIP): Uso de armadilhas, monitoramento de pragas, nível de dano econômico e inserção de inimigos naturais. Conservação de Recursos (Solo e Água): Práticas de cobertura morta, adubação verde e eficiência na irrigação. Métricas de Produtividade e Viabilidade Econômica: Relação custo-benefício e qualidade comercial dos frutos obtidos no sistema integrado vs. convencional. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise consolidada da literatura aponta que a implementação do pomar integrado reduz, em média, de 30% a 50% a aplicação de defensivos químicos sintéticos quando comparada ao modelo convencional de calendário fixo. Os dados mostram convergência científica ao afirmar que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e doenças amparado por estações meteorológicas locais para previsão de ocorrência de fungos mantém o nível de dano econômico sob estrito controle sem penalizar o rendimento comercial por hectare. Divergências pontuais ocorrem no período de transição: alguns autores relatam uma sutil queda de produtividade nos dois primeiros anos devido à adaptação do ecossistema do solo, enquanto outros apontam estabilidade produtiva imediata desde que o aporte de nutrientes via fertirrigação seja otimizado. Do ponto de vista metodológico, observou-se uma tendência clara nos estudos recentes em utilizar ferramentas de agricultura de precisão (sensores de umidade e drones) para refinar a tomada de decisão no pomar integrado. Contudo, há uma limitação metodológica severa na maior parte dos artigos revisados: a escassez de avaliações econômicas de longo prazo. A maioria dos experimentos de campo dura de 1 a 3 safras, o que mascara os efeitos cumulativos da melhoria da microbiota do solo e da fixação biológica de nitrogênio. Outra contradição identificada reside na aceitação de defensivos biológicos; enquanto parte da literatura exalta sua eficiência total, estudos em regiões de clima tropical úmido relatam falhas de controle biológico sob condições de alta precipitação, exigindo intervenções químicas emergenciais que quebram o equilíbrio do sistema. Os achados desta revisão atendem diretamente ao objetivo proposto, provando que o Pomar Integrado não é apenas uma abordagem teórica, mas um sistema de manejo superior em estabilidade ambiental. A consolidação dessas pesquisas contribui para a literatura ao demonstrar que a manutenção de plantas de cobertura nas entrelinhas do pomar aumenta a presença de polinizadores nativos em até 40%, melhorando indiretamente o pegamento de frutos. O impacto dessas evidências para a área de estudo reside na desmistificação de que a redução de agroquímicos está associada à perda de qualidade visual da fruta, fator primordial para a comercialização. Diante das lacunas de conhecimento expostas, as pesquisas futuras devem concentrar esforços no desenvolvimento de bioinsumos com maior estabilidade climática (maior resistência à fotodegradação e lavagem pela chuva) e na modelagem por inteligência artificial para predição de surtos de pragas em cenários de mudanças climáticas globais. A transição para o pomar integrado também necessita de investigações aprofundadas sobre os determinantes socioeconômicos que impedem pequenos produtores de adotar a certificação oficial da PIF. CONCLUSÃO Esta revisão bibliográfica confirmou a viabilidade técnica e ecológica do sistema de Pomar Integrado, evidenciando que é possível conciliar alta produtividade frutífera com a preservação dos recursos naturais. O achado mais marcante foi a expressiva redução na dependência de insumos sintéticos externos, viabilizada pelo avanço dos sistemas de monitoramento e do controle biológico aplicados à fruticultura contemporânea. Teoricamente, o trabalho reforça a visão do pomar como um agroecossistema complexo e interdependente, distanciando-se do reducionismo produtivo convencional. Na prática, os resultados indicam que órgãos de extensão rural e formuladores de políticas públicas devem criar linhas de crédito subsidiadas específicas para custear a transição tecnológica dos, promovendo uma mudança sistêmica na matriz de produção nacional. Recomenda-se a realização de ensaios de campo de longa duração (superiores a 5 safras) para monitorar a dinâmica de carbono no solo sob manejo integrado e o desenvolvimento de cultivares frutíferas geneticamente resistentes ou tolerantes às principais fitomoléstias,diminuindo ainda mais a necessidade de intervenções exógenas no sistema. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Diretrizes Gerais para a Produção Integrada de Frutas (PIF). Brasília: MAPA, 2021. EMBRAPA. Manejo Integrado de Pragas e Doenças em Pomares. Bento Gonçalves: Embrapa Uva e Vinho, 2019. Boleto Técnico, n. 45. FACHINELLO, J. C.; RUFATO, L.; ROSSI, A. e. Fruticultura: fundamentos e práticas de manejo integrado. Porto Alegre: Evangraf, 2015. SANHUEZA, R. M. V. Sistemas de previsão de doenças na Produção Integrada de Frutas. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 36, n. 1, p. 112-120, 2014. SOUZA, A. L. de; SILVA, M. R. Indicadores de sustentabilidade em pomares sob gestão integrada vs. convencional. Scientia Agropecuaria, v. 11, n. 3, p. 345-354, 2020.