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INFORMÁTICA FORENSE 2 1. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 3 INFORMÁTICA FORENSE ...................................................................................................................... 4 CRIMINALÍSTICA ..................................................................................................................................... 4 Metodologia da Investigação Criminal ................................................................................................... 6 Elementos comuns a todos os tipos de crime ...................................................................................... 8 PROVA ..................................................................................................................................................... 10 Classificação Prova ................................................................................................................................ 10 COMPUTAÇÃO FORENSE ..................................................................................................................... 11 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE A INVESTIGAÇÃO FORENSE COMPUTACIONAL ................. 15 Atuação dos invasores .......................................................................................................................... 16 ETAPAS DA PERÍCIA COMPUTACIONAL ............................................................................................ 18 ELABORAÇÃO DO LAUDO ................................................................................................................... 21 TÉCNICAS ANTI FORENSE .................................................................................................................. 22 MATERIAL DE APOIO ............................................................................................................................ 28 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 29 3 2. INTRODUÇÃO Caros alunos(as), A evolução da sociedade foi acompanhada pelo avanço tecnológico que cada vez mais atinge as diferentes camadas da sociedade. Os crimes crescem a cada dia e para que um indivíduo seja condenado é necessário que todo o rito processual seja cumprido. Com a evolução das tecnologias e o uso cada vez maior da informática na sociedade, os crimes também atualmente fazem uso desta tecnologia. A cada dia torna- se mais primordial a análise de computadores pela perícia forense computacional, já que muitos criminosos utilizam recursos de criptografia como métodos anti forenses visando assim retardar e até mesmo impedir a investigação de um equipamento. A perícia forense computacional preza muito pela integridade e preservação dos dados, ou seja, nada pode ser alterado e neste caso o uso do conteúdo da memória seria invalidado já que o mesmo deixa de existir assim que o equipamento é desligado. O objetivo deste trabalho é demonstrar a possibilidade ou não de se obter o conteúdo da memória do equipamento no momento da apreensão baseado em metodologias de perícia convencional como a balística forense e a papiloscopia forense onde as provas são manuseadas para se obter a veracidade dos fatos, ou seja, tal fato só é permitido devido à metodologia poder ser comprovada e aceita perante um tribunal. No caso da perícia forense computacional o conteúdo da memória deixando de existir assim que o equipamento for desligado é necessário que algo possa validar esta investigação já que no conteúdo da memória podem existir arquivos descriptografados. Isso também ocorre na coleta de digitais que estão presentes na cena do crime de forma latente, onde só é possível a coleta através do uso de elementos químicos, os quais são utilizados para perpetuar a prova, mas não comprometendo a análise ou danificando-a. Bons estudos! 4 3. INFORMÁTICA FORENSE 3.1. CRIMINALÍSTICA Considera-se a criminalística uma matéria nascida da Medicina Legal, esta quase tão antiga quanto a própria humanidade. Isto porque nas épocas passadas o médico era pessoa de grande saber sendo, portanto sempre consultado, mas com os avanços dos diversos ramos das ciências, como a Química, a Biologia e a Física, houve a necessidade de especialização, o que fez com que outros profissionais passassem a ser consultados. Conjunto de conhecimentos que estuda o crime e as circunstâncias por ele produzido, tendo por finalidade produzir a prova material. "É a disciplina que tem por objetivo o reconhecimento e interpretação dos indícios materiais extrínsecos, relativos ao crime ou à identidade do criminoso" (I Congresso Nacional de Polícia Técnica, realizando em 1961). “Conjunto de conhecimentos que, reunindo as contribuições das várias ciências, indica os meios para descobrir crimes, identificar os seus autores e encontrá‐los, utilizando‐se de subsídios da química, da antropologia, da psicologia, da medicina legal, da psiquiatria, da datiloscopia, etc., que são consideradas ciências auxiliares do Direito penal”. (ENCICLOPÉDIA SARAIVA DE DIREITO, v. 21, 1997:486). Afirma-se que a criminalística nasceu com HANS GROSS, o qual é considerado o pai, já que foi ele quem cunhou este termo, juiz de instrução e professor de direito penal austríaco, autor da obra “System Der Kriminalistik”, em 1893. Considerada um manual de instruções dos juízes de direito, a qual definia a criminalística como “O estudo da fenomenologia do crime e dos métodos práticos de sua investigação”. Atualmente, os automóveis mais recentes geram e armazenam dados digitais e metadados que criam um registro detalhado da localização, velocidade e condição 5 operacional de cada veículo a qualquer momento. Esses dados transformam os veículos modernos em ferramentas forenses poderosas adicionais, permitindo que os investigadores reconstruam eventos que antecederam, ocorreram durante e sucederam a um acidente; esses dados podem até mesmo ajudar a determinar quem foi responsável pelo acidente, mesmo na ausência de evidências físicas ou testemunhas oculares tradicionais. Criminalística é definida como disciplina cujo objetivo é o reconhecimento e interpretação dos indícios materiais que não fazem parte do corpo humano ou à identidade das pessoas envolvidas no delito. Englobando conhecimentos estruturados em várias outras disciplinas como a Matemática, Química, Tecnologia, a criminalística tem como objetivo principal, a ampliação do conhecimento e desenvolvimento de novas técnicas para o aperfeiçoamento da evidência, fornecendo assim a justiça provas objetivas. A criminalística pode ser dividida em duas fases, sendo a primeira aquela em que se buscava a verdade através de métodos primitivos, mágicos ou através da tortura, considerando que na maioria das vezes não se conseguia obter uma confissão do acusado de forma espontânea. A segunda fase procurava a verdade através de métodos racionais, surgindo assim os fundamentos científicos da criminalística deixando de lado as crenças nos milagres e mágicas. Paralelamente verificou-se que através das ciências naturais é possível interpretar os vestígios do delito através da análise das evidências do fato e sua autoria. Desde o seu surgimento a criminalística visa estudar o crime de forma a não distorcer os fatos, zelando pela integridade e sempre perseguindo a evidência de forma a oferecer a justiça, um meio de obter os argumentos decisórios para a prolação da sentença (ZARZUELA, 1996). Legislação aplicada à perícia (artigos 155 a 184 do código de processo penal); da prova capítulo i disposições gerais Art. 155.O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida 6 em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. § 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. § 2o Considera‐se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. § 3o Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente. 3.1.1 Metodologia da Investigação Criminal A Criminalística é um sistema multidisciplinar, mantém inter-relação com 7 diversas ciências tais como a física, química, biologia, medicina, odontologia, matemática, antropologia e outras, como subsídio na elucidação dos delitos. O objetivo da investigação é a descoberta dos crimes e dos seus agentes; Quando a autoridade policial toma conhecimento de um fato delituoso, é dever dessa autoridade verificar se esse fato integra alguma infração penal, para de imediato instaurar o competente inquérito; Quando o fato denunciado não constituir infração penal, a investigação não pode e nem deve prosseguir. Constatado que o fato é delituoso, a investigação prossegue até o esgotamento legal; A investigação deve procurar e esgotar todas as circunstâncias inerentes ao fato delituoso, objeto do crime; É sabido que cada crime tem uma investigação adequada, ao proceder ao recolhimento dos vestígios e indícios da atividade criminosa, deve ser feito com o caráter particular de cada crime, o delito impõe normas especifica de investigação. O crime é um ato humano de natureza voluntária O objeto do crime é a pessoa ou coisa sobre a qual incide a ação criminosa. Através do objeto do crime é que dá origem as perícias, que tem como objetivo determinar os efeitos que a atividade criminosa produziu. A ação criminosa do agente é produzida em certa data e em determinado lugar, que dependem de uma série de circunstâncias decisivas para averiguação total e poder levar a elucidação. O exame do local do crime revela vestígios deixados pela própria identidade do criminoso, além de fornecer outras informações úteis a sua elucidação; O efeito do crime, também chamado de resultado, é determinado pericialmente; Metodologia da Investigação Criminal Pelos exames dos instrumentos do crime e dos vestígios pode-se determinar a identidade do criminoso; 8 O “modus operandi”, ou seja, a maneira e a espécie como foi praticado o delito, são pormenores que não devem ser esquecidos para determinar o perfil do criminoso. Elementos comuns a todos os tipos de crime O agente ativo A vontade do agente ativo O agente passivo ou vítimas O objeto da incidência do crime O tempo do crime O lugar do crime O resultado do crime O instrumento do crime O motivo determinante do crime O fim do crime Agentes ativos: autores e coautores Conforme nossa legislação penal, só o homem, pessoa física, pode ser criminoso; A responsabilidade criminal recai única e exclusivamente sobre o agente do crime. 3.1.2 Elementos comuns a todos os tipos de crime Vontade Concepção 9 Deliberação Decisão Execução Consumação. Vontade: ato voluntário do agente do crime praticar o delito; Concepção: quando o criminoso tem uma ideia que julga possível realizar; Deliberaração: consiste em submeter os motivos a uma valorização por pesagem de vantagens; Elementos comuns a todos os tipos de crime Decisão: acaba o conflito de tendências psíquicas, aí o individuo toma a decisão de delinquir; Execução: quando a vontade salta do foro íntimo para o exterior, inicia-se a execução do crime, que só termina com a consumação; Consumação: o motivo e o fim consubstanciam o resultado desejado pelo delinquente. Objeto do Crime: É a pessoa ou coisa sobre a qual incide a ação criminosa; Através do objeto do crime é que surgem as PERÍCIAS, cuja função é determinar todos os efeitos que a ação criminosa produziu. Base Legal da Prova Material: A prova material, portanto, assume real importância, como se observa nos artigos que prescrevem a sua aplicação no direito subjetivo (Código de Processo Penal, art. 386): O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: I. estar provada a inexistência do fato; II. não haver prova da existência do fato; 10 III. não constituir o fato infração penal; IV. não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal [...] 3.2 PROVA É a busca da verdade, ou o meio utilizado para a percepção de uma verdade, ou seja, tudo que pode conduzir a uma certeza. Prova Material: É todo vestígio que ofereça a oportunidade de constatação, sujeitos ou não a realização de exames periciais, dependendo de análises especificas. Prova Pericial: Pode ser entendida como os elementos materiais diretamente relacionados à ação delituosa e que, após processados pericialmente, obtenha a certeza científica, ou não, da sua relação com o crime ou com seu autor. Prova Documental: É consubstanciada em um papel escrito ou registro por meio eletrônico, demonstrado um fato, onde a sua produção pode estar ou não vinculada à ação criminosa, ou ter algum tipo de relação, servindo para demonstrar fato alegado na investigação. A prova para ser legítima e valorizada depende dos vestígios, e da maneira como são coletados no local do delito, levando-se em conta os cuidados necessários, do acondicionamento adequado e do transporte para o órgão responsável pelo exame (IC, Laboratório). A Prova Pericial é dependente da qualidade das amostras, e dos cuidados a ela inerente. 3.2.1 Classificação Prova Diretas - São aquelas que mostram de maneira precisa, o que se procura esclarecer, permite conclusões, com o objetivo de constatar a existência do crime. (objetivas, materiais, periciais). 11 Indiretas ou subjetivas - São chamadas indiciarias ou circunstanciais, as que dão a entender alguma coisa relacionada com um crime, também denominada informativa. Complementares ou mistas: Possuem parcela de subjetividade: reprodução simulada, retrato falado, investigação da vida pregressa do acusado. Base Legal CPP (Código de Processo Penal): Art.6 - Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade deverá: dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos. apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos. Prova Art.158 - quando a infração deixar vestígiosserá indispensável o exame do corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. Art.169 - para efeito do exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir os seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas. Parágrafo único: os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos. Art.175 - serão sujeitos a exames os instrumentos empregados para a prática da infração, a fim de verificar a natureza e eficiência. Art.182 - o juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeita-lo, no todo ou em parte. Elementos encontrados em Locais de Crime - Princípio da Troca de Locard: Intercomunicabilidade. 3.3 COMPUTAÇÃO FORENSE 12 A cada dia, pesquisadores dos diversos ramos da ciência apresentam ao mundo novas tecnologias, cujo intuito é auxiliar-nos na busca pelas soluções para vários de nossos problemas. O advento da internet foi um dos avanços que mais nos beneficiou, e isso ainda vem ocorrendo, devido às suas constantes evoluções, pois, irrefutavelmente, o acesso à informação é o primeiro passo para encontrarmos a solução procurada. Atualmente, através de meios eletrônicos, é possível disponibilizar e consultar todo tipo de informação sempre que desejarmos e em qualquer lugar, pois dispomos de meios velozes e de fácil uso e acesso. Contamos também com o crescimento constantes dos serviços disponíveis pela internet, além da ampliação e otimização de sua infraestrutura. No entanto, com isso temos cada vez mais softwares com finalidades ilícitas, que podem ser utilizados e acessados facilmente, trazendo o significativo crescimento de invasões de computadores. (MELO, 2009, p. 2) E é exatamente por este motivo, que a internet pode ser utilizada universalmente, por pessoas com objetivos variados, do aprendizado ao entretenimento, inclusive para a prática de crimes. Não podemos negar que o uso de meios eletrônicos para o cometimento de crimes e consequente obtenção de provas dos mesmos, são fatores muito recentes, que ainda carecem de estudo, técnicas aperfeiçoadas e regulamentação legal. Com o objetivo de auxiliar e esclarecer tais investigações, é que surgiu a disciplina da computação forense. Para melhor elucidar o tema, vejamos a seguir algumas definições feitas por profissionais da área tecnológica e jurídica. O professor Sandro Melo (2009, p. 13) faz uma definição ramificada de computação forense, conforme segue: A Computação Forense pode ser definida como uma área da Ciência da Computação que se desenvolve gradualmente para atender à 13 demanda oriunda da Criminalística, e também como uma parte da Criminalística que se apropria de fundamentos da Ciência da Computação. Para ilustrar esta definição, a Figura 1 nos mostra a relação entre Ciência da Computação, Criminalística e a área de conhecimento comum entre elas, denominada Computação Forense. Figura 1: Relação Ciência da Computação, Criminalística e Computação Forense (In: MELO, 2009, p. 2) Apesar de não reconhecer a computação forense como uma disciplina científica formal, a organização governamental norte americana US-CERT a define, de um ponto de vista técnico, como: A disciplina que combina elementos de direito e ciência da computação para coletar e analisar dados de sistemas computacionais, redes, comunicações sem fio e dispositivos de armazenamento, de forma se preserve a integridade da evidência coletada, para que esta possa ser utilizada efetivamente em juízo. 14 Já a analista forense, Erin Kenneally, na publicação; login: explica que o termo se refere às “ferramentas e técnicas para recuperar, preservar e examinar dados armazenados ou transmitidos em forma binária”. O delegado de polícia, José Mariano de Araújo, através seu site, define computação forense como a área que estuda a extração ou supressa de arquivos e informações a partir dos discos rígidos de um computador. Basicamente, esta nova disciplina consiste em investigar e reconstituir fatos ilícitos através da identificação, coleta e análise de evidências ou informações magneticamente armazenadas ou codificadas. (MERCURI, 2005). Para a US-CERT, a prática da computação forense auxilia na garantia da integridade e sobrevivência de uma infraestrutura de rede. Entender aspectos legais e técnicos dessa área é fundamental para que informações vitais sejam obtidas, caso uma rede seja comprometida. A computação forense tem como objeto os crimes eletrônicos. Em uma definição ampla, crimes eletrônicos são aqueles que envolvem quebra de segurança digital, uso de computadores no cometimento de atos ilícitos, prática de atividades ilícitas cujo alvo é um computador, ou coleta e armazenamento de informações referentes a outro crime. (MERCURI, 2005). É importante lembrar que grande parte dos negócios tem conquistado espaço na Internet, ambiente no qual o dinheiro também é digital. Isso constitui um grande atrativo para que criminosos passem a atuar em tal esfera. Mas à computação forense também competem, por exemplo, casos de validação de provas em ações trabalhistas ou cíveis ou em crimes de calúnia, injúria, difamação e pedofilia. De acordo com Araújo (2010), elementos obtidos por profissionais da área de computação forense podem ser usados em várias circunstâncias diferentes. Além de evidências criminais, alguns exemplos são a comprovação de fraude, casos de assédio e discriminação no trabalho, e até mesmo a prova de adultério para fins de divórcio. 15 Tais delitos, quando praticados, deixam pistas, que devem ser investigadas pela autoridade policial competente. Entretanto, um investigador não é capaz de analisar cada informação contida em um computador para identificar quais são relevantes para a elucidação do fato e quais devem ser ignoradas. Cabe mencionar também quais os tipos mais usuais de ameaças digitais e explicar sobre seus impactos nas redes de computadores. De acordo com Sandro Melo (2009, p. 10): Malware pode ser definido como Malicious Software, ou software malicioso, ou seja, é um termo genérico que engloba todos os tipos de programas especificamente desenvolvidos para executar ações maliciosas em um computador. O malware contém ameaças reais de vários tipos e propósitos. 3.4 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE A INVESTIGAÇÃO FORENSE COMPUTACIONAL Antes de iniciarmos o estudo sobre perícias digitais propriamente ditas, é relevante fazer algumas observações sobre o tema da investigação forense computacional, do ponto de vista jurídico. Araújo (2010), esclarece que as provas colhidas durante um inquérito devem ser preservadas, visando o seu aproveitamento no processo judicial. Isso significa que, durante uma investigação forense computacional, algumas regras devem ser observadas. Primeiramente, o sistema investigado deve ser protegido de qualquer tipo de manipulação durante a operação. Se possível, recomenda-se possuir uma cópia do disco rígido, bem como realizar a identificação e recuperação de todos os arquivos e aplicativos instalados, inclusive aqueles que haviam sido excluídos. É necessário que se faça uma avaliação do sistema como um todo, incluindo sua estrutura. Deve-se identificar os acessos ou cópias ocultas ou protegidas, e 16 arquivos temporários. O monitoramento de fatores gerais relativos à atividade dos usuários também é importante. Por fim, recomenda-se que seja feito um relatório detalhado, além de se manter um registro completo de todas as atividades realizadas no decurso do inquérito policial. 3.4.1 Atuação dos invasoresQuando se conhece as técnicas e ferramentas utilizadas por um invasor, é mais simples desenvolver formas para reagir aos ataques de forma efetiva. Portanto, para que o tema das perícias digitais seja melhor compreendido, é importante introduzi-lo com um breve estudo sobre a atuação e perfil dos invasores. Uma vez conhecidas as técnicas utilizadas por esses agentes, é possível obtermos uma visão dos principais pontos do processo de invasão a um sistema e, dessa forma, antecipar onde, potencialmente, serão gerados dados para uma perícia forense computacional. O delegado de polícia José Mariano de Araújo, em seu site, explica que os casos mais comuns de crimes digitais são a divulgação não autorizada de informações corporativas, furto de dados de clientes, espionagem industrial, danos maliciosos, além de crimes contra a honra e ameaças. Sendo o objetivo de a perícia forense computacional reconstruir os passos dos invasores, é importante obter informações dos ativos de rede, como, por exemplo, IDS4, firewalls e servidores de registro. Em regra, uma invasão ocorre conforme ilustra a Figura 2. Primeiramente, de acordo com Sandro Melo (2009, p. 22), é necessário que o invasor possa identificar, pelo menos, uma vulnerabilidade, para conseguir ter acesso ao sistema que pretende invadir. Esta vulnerabilidade pode ser uma falha em uma aplicação, ou na configuração de um ativo de rede. 17 Figura 2: Modus operandi de um invasor. (In: MELO, 2009, p. 21) Uma invasão pode ocorrer de forma clássica, começando por um levantamento de informações básicas, técnica denominada footprinting. Através dessa técnica, o invasor busca informações de contato e DNS disponíveis em registros do protocolo WHOIS, capturando pacotes montados pela pilha TCP/IP e analisando-os, por meio de scanners de fingerprint. Em seguida, o invasor utiliza port scanners para testar portas lógicas e identificar as que estão abertas. Caso existam meios de detecção de varreduras, isso pode disparar alertas em IDS ou no servidor alvo. Entretanto, ainda de acordo com Sandro Melo, pode ser quase impossível realizar tal detecção, se o invasor, em cada ação, evitar as técnicas de varredura que possam chamar atenção. Se, por exemplo, a invasão ocorrer somente na porta 80 de um servidor, uma única vez, torna-se improvável identificá-la, caso a comunicação seja cancelada; salvo se a porta não estiver ativa no servidor e exista um sistema de detecção de intrusos que registre a solicitação da conexão indevida. 18 Na obra Direito Digital, a Autora Patrícia Peck Pinheiro, define a computação forense como: “Disciplina autônoma, integrada pelos diferentes ramos do conhecimento técnico-científico, auxiliar e informativa das atividades policiais e judiciárias de investigação criminal, tendo por objeto o estudo dos vestígios materiais extrínsecos à pessoa física, no que tiver de útil à elucidação e à prova das infrações penais e, ainda, à identificação dos autores respectivos.” Ainda à luz do que preceitua Patrícia Peck Pinheiro, a ciência forense é “a aplicação de princípios das ciências físicas ao Direito na busca da verdade em questões cíveis, criminais e de comportamento social para que não se cometam injustiças contra qualquer membro da sociedade.” Em outras palavras, pode-se afirmar que a forense computacional é um conjunto de técnicas e metodologias que visam investigar e registrar evidências que sejam capazes de elucidar se houve e como ocorreu um crime no mundo digital. A forense computacional utiliza como base nas investigações, equipamentos de processamento de dados, tais como, mas não limitado a: computadores pessoais, laptops, servidores, estações de trabalho, entre muitas outras mídias eletrônicas. 3.5 ETAPAS DA PERÍCIA COMPUTACIONAL Ato contínuo a apreensão dos dispositivos informáticos utilizados para a prática de crimes cibernéticos, encaminha-se o material coletado para um laboratório de informática capacitado, com o fito de realizar os exames forenses necessários, ou seja, uma perícia digital. Para saber mais sobre a importância da perícia digital, dá uma olhada no artigo sobre “ A importância da Perícia Digital”. Outrossim, ao receber um dispositivo computacional para análise dos vestígios de um crime cibernético, independentemente se for um disco rígido, DVD, pen drive, https://academiadeforensedigital.com.br/a-importancia-da-pericia-digital/ 19 cartão de memória ou outra mídia, o perito digital deve seguir algumas etapas formais, para periciar os referidos apreendidos e transformar os vestígios dos crimes em evidências digitais. As etapas são estabelecidas pela ISO 27037, que é uma norma da ABNT que fornece diretrizes para atividades específicas no manuseio de evidências digitais, sendo elas: Preservação: Ao contrário do que ocorre durante a busca e apreensão de dispositivos informáticos, essa etapa inicial objetiva garantir que os dados e informações alocadas nos equipamentos apreendidos e em análise, não sofram adulterações e extravios durante toda a investigação. Coleta de dados: Essa etapa vida recuperar e catalogar todas as informações armazenadas no dispositivo computacional periciado, sejam ocultos ou explícitos. É somente após realizar devidamente a coleta dos dados e informações, que é possível proceder a buscas efetivas por palavras-chaves no conteúdo armazenado no dispositivo invadido ou usado para o ataque de determinado crime virtual. Análise: A análise das informações coletas, consiste no exame das informações extraídas do material periciado no decorrer da etapa acima descrita, objetivando identificar evidências digitais que tenham relação com o crime cibernético investigado. Formalização: Essa é a etapa final de uma perícia digital, sendo composta pela elaboração do laudo pelo perito, onde o perito digital reduz a termo o seu parecer, pormenorizando os resultados obtidos nas fases anteriores, e apresentando as evidências digitais encontradas nos materiais examinados, que servirão como provas cabais para a resolução de crimes praticados no mundo virtual. Dentre esses fatores que um profissional em computação forense deve ser especialista, podemos citar como exemplos: https://academiadeforensedigital.com.br/o-que-e-pericia-digital-e-como-ser-um-perito/ https://academiadeforensedigital.com.br/iso-27037-identificacao-coleta-aquisicao-e-preservacao-de-evidencia/ 20 1. A capacidade de identificar a origem do incidente, se foi interna ou externa à rede; 2. A aptidão de verificar a motivação e o objetivo do atacante, como, por exemplo, se o ataque visou violar a integridade de certas informações, e se provocou danos a hardware ou software; 3. Conhecer a dominar a tecnologia utilizada, como, por exemplo, o tipo de malware que foi aplicado no sistema para promover a invasão; e 4. Identificar com exatidão os danos causados e sua extensão. Além do mais, é mister esclarecer que as evidências digitais obtidas pelos profissionais da área de computação forense, podem ser utilizadas em variadas circunstâncias distintas, tendo em vista que à computação forense também compete casos de validação de provas em ações trabalhistas ou cíveis ou em crimes de calúnia, injúria, difamação e pedofilia. Em outras palavras, o profissional em computação forense deve ser bem qualificado, de forma que deve dominar, em todos os casos, as técnicas e tecnologias mais utilizadas pela sociedade como um todo. Existem quatro etapas principais na computação forense. Identificação de dispositivo A primeira etapa é identificar os dispositivos ou mídia de armazenamento que podem conter dados, metadados ou outros artefatos digitais relevantes para a investigação. Esses dispositivos são coletados e colocados em um laboratório forenseou em outra instalação segura para seguir o protocolo e ajudar a garantir a recuperação adequada dos dados. Preservação de dados 21 Especialistas forenses criam uma imagem, ou cópia bit a bit dos dados a serem preservados. Em seguida, armazenam com segurança a imagem e o original para protegê-los de serem alterados ou destruídos. Especialistas coletam dois tipos de dados: dados persistentes armazenados no disco rígido local de um dispositivo e dados voláteis localizados na memória ou em trânsito (por exemplo, registros, cache e memória de acesso aleatório (RAM). Os dados voláteis devem ser manuseados com atenção, pois são efêmeros e podem ser perdidos se o dispositivo desligar ou perder energia. Análise forense Em seguida, os investigadores forenses analisam a imagem para identificar evidências digitais relevantes. Isso pode incluir arquivos excluídos intencionalmente ou não, histórico de navegação na internet, e-mails e muito mais. Para descobrir dados "ocultos" ou metadados que outros podem perder, os investigadores usam técnicas especializadas, incluindo análise em tempo real, que avalia sistemas ainda em execução em busca de dados voláteis, e esteganografia reversa, que expõe dados ocultos usando esteganografia, uma técnica para ocultar informações confidenciais em mensagens comuns. Relatórios Como etapa final, os especialistas forenses criam um relatório formal que detalha sua análise e comunicam os resultados da investigação, incluindo quaisquer conclusões ou recomendações. Embora os relatórios variem de caso para caso, eles são frequentemente utilizados para apresentar evidências digitais em um tribunal de justiça. 3.6 ELABORAÇÃO DO LAUDO Por fim, o laudo é a etapa final dos exames forenses. Este deve apresentar os resultados de todo o processo, detalhando e explicando informações importantes dos 22 exames, coleta e análise dos dados. O laudo deve ser encarado como uma forma de traduzir e formalizar as impressões captadas pelo perito a respeito do fato litigioso. Embora no direito penal brasileiro o juíz não esteja auxiliado somente pelo laudo, este é um forte meio de prova utilizado pelo mesmo para conferir a sentença. No final, o juíz pode optar por aceitá-lo ou não o aceitar integral ou em partes. Existe também o Parecer Técnico, que é apenas uma resposta técnica a uma consulta feita por ambas as partes a um especialista, chamado comumente de assistente técnico. Um laudo pode ser contestado por ambas as partes, portanto, deve ser sempre bem fundamentado e escrito, de forma que descreva todos os processos realizados, inclusive a forma como foi feita a preservação das evidências. Caso seja contestada a forma como foi realizada a preservação das evidências, mesmo que o laudo esteja íntegro em todo o restante do seu conteúdo, é muito provável que seja descartado como prova do juíz. Nesse momento, após a preservação das evidências durante todas as etapas da investigação, é importante que as peças examinadas sejam conservadas até que o processo seja finalizado, pois, eventualmente podem ser questionadas novamente. 3.7 TÉCNICAS ANTI FORENSE Muitos desafios podem ser encontrados durante as etapas de um processo investigatório. Desafios estes, comumente conhecidos pelo termo Anti Forense computacional. A anti forense pode ser aplicada através de métodos de ocultação, codificação ou exclusão de evidências, tendo como objetivo interferir nos resultados da investigação forense computacional. A utilização de criptografia, esteganografia, sanitização de discos e utilização de propriedades não utilizadas comumente por diferentes sistemas de arquivos são algumas formas de aplicação desse tipo de prática. 23 Além das complicações diretas, existem também as indiretas, que surgem com o passar do tempo, como os avanços tecnológicos. Devido ao surgimento diário de novidades tecnológicas computacionais e eletrônicas, as expectativas são de que a área passe por diversos desafios, visto que técnicas de coleta e análise de dados devem ser sempre inovadas para que possam acompanhar a evolução tecnológica. Como um exemplo desse tipo de desafio, temos o aumento da quantidade de arquivo. Além dos avanços tecnológicos, como se não bastassem, existem ainda os entraves impostos pela falta de tipificação da legislação brasileira. A inexistência de leis eficientes que tipifiquem os crimes digitais faz com que os crimes virtuais permaneçam sem a devida punição, além do fato de que não há uma reparação concisa dos danos às vítimas. A seguir, serão explicados os tópicos citados neste capítulo. Criptografia A Criptografia é uma área da criptologia que tem por objetivo esconder o significado original de algo. Para que um texto seja criptografado, são necessários os seguintes elementos: • Mensagem: mensagem original que se deseja transmitir; • Cifra: chave utilizada na conversão da mensagem original em código; • Código: resultado da conversão da mensagem original utilizando a cifra. Muito usada quando se deseja garantir a privacidade dos dados, a criptografia atualmente utiliza algoritmos matemáticos complexos para transformar a mensagem em código. 24 Esta difere do cálculo de código hash por possuir dois sentidos, ou seja, pode- se obter o conteúdo original da mensagem a partir do código final gerado. Existe uma área da criptologia chamada criptoanálise que trata do estudo de técnicas e metodologias para se obter a mensagem original a partir do código criptográfico gerado mesmo sem ter a cifra (chave) usada na criptografia. Rainbow Tables são muito utilizadas por peritos para lidar com a segurança por criptografia. Esta consiste em comparar diversos códigos pré compilados armazenados em tabelas com as combinações de caracteres do código criptográfico, levando então a encontrar a mensagem original. No entanto, é muito importante que o perito realize buscas no computador questionado por possíveis softwares que apliquem criptografia em arquivos ou textos, pois, assim pode ser obtido o algoritmo utilizado na criptografia, facilitando assim, a tentativa em se descriptografar o texto ou arquivo. Esteganografia A esteganografia é o estudo de técnicas que possam ser utilizadas para esconder uma mensagem ou o seu verdadeiro conteúdo. Esta difere da criptografia, pois, a criptografia torna ilegível o conteúdo da mensagem enquanto a esteganografia esconde este verdadeiro conteúdo em meio a outro. Estas duas técnicas quando combinadas podem levar o perito despreparado a concluir erroneamente o seu laudo, afetando assim o curso da investigação. A vantagem da esteganografia perante a criptografia é que o conteúdo real da mensagem pode estar dentro de outro tipo de arquivo, no entanto o perito que está analisando o artefato pode não dedicar esforço e tempo na busca pela real mensagem caso não perceba algo de diferente no arquivo. Existem atualmente diversas técnicas utilizadas na esteganografia, algumas mais complexas que as outras. Um arquivo com uma mensagem esteganografia pode ser descoberto utilizando algumas das seguintes técnicas: 25 - Busca por palavras chaves: Caso a mensagem esteja gravada sequencialmente dentro do arquivo, poderá ser obtido resultado através dessa técnica; - Valor hash do arquivo: Caso sejam comparados os valores hash atual do arquivo e o original do fabricante, pode ser identificado que existem diferenças entre o conteúdo dos mesmos; - Tamanho de arquivo: Caso um arquivo esteja muito maior do que comumente seria, por exemplo, se a imagem do plano de fundo de tela do Sistema Operacional estiver com 100MB, existe um forte indício de que existem mais informações no conteúdo deste arquivo que não são originais da imagem; - Arquivos instalados:Analisando os arquivos instalados no computador questionado, pode ser encontrado o software utilizado na esteganografia. Dessa forma, o perito pode obter informações do tipo de técnica utilizada para então focar esforços na tentativa de descobrir a mensagem original. A esteganografia é também comumente utilizada por empresas que desejam preservar o seu direito autoral ou rastrear a distribuição de arquivos. Com a evolução tecnológica, diversos desafios têm surgido à computação forense, tais como: • Dispositivos móveis com diversas funcionalidades e recursos permitem que um usuário portando esses dispositivos se conecte a o que ele quiser e puder estando em qualquer lugar; • A virtualização exige ainda mais que as diligências sejam feitas sem que o suspeito saiba, pois, a facilidade de excluir um dispositivo virtual faz com que o possível suspeito elimine evidências rapidamente; • Grandes volumes de dados dificultam a perícia, pois, impactam diretamente na investigação devido ao tempo de conclusão das mesmas; 26 • Cloud computing é um dos maiores desafios para a forense, pois, exige que o perito tenha acesso a todos os dispositivos responsáveis por armazenar as informações, porém, algumas vezes as barreiras de jurisdição impedem este acesso; • Inteligência artificial pode prover a automatização de delitos; Utilização de outras tecnologias de armazenamento, como o SSD (solid state drive). Este permite o acesso rápido às informações armazenadas. Alguns Sistemas Operacionais fazem uso deste avanço tecnológico para reutilizar mais rapidamente as áreas anteriormente utilizadas para armazenagem de arquivos, resultando em um tipo de wipe dinâmico e controlado pelo Sistema Operacional. A preservação das evidências deve sempre ser considerada durante todas as etapas de um caso forense. A má condução de um artefato ou mesmo da própria evidência pode fazer com que a parte contrária questione os métodos e procedimentos realizados para a preservação das mesmas e, por mais apuradas que sejam as técnicas computacionais realizadas e mais relevantes que sejam as evidências encontradas, elas podem ser invalidadas caso não tenha sido realizada a cadeia de custódia e a correta preservação das mesmas. As etapas para a realização da perícia forense computacional, área esta que envolve a análise e a coleta de vestígios e evidências digitais em equipamentos computacionais envolvidos em procedimentos ilícitos ou crimes de qualquer natureza, foram descritas no presente trabalho, chamando a atenção para a importância da preservação das evidências durante todas as etapas do processo que são realizadas pelo perito, principalmente durante as etapas de coleta e análise que, por agregar confiabilidade às provas, faz-se necessária que seja feita de forma muito cautelosa. O profissional da computação forense se difere dos demais profissionais da área da informática por, além de precisar dominar as antigas e as novas tecnologias, ou ao menos ter o poder de compreendê-las rapidamente, precisar, durante todo o 27 processo investigativo, utilizar técnicas que não comprometam o estado das evidências encontradas, pois, uma vez comprometidas, todo o restante do trabalho pode ser invalidado. Diante deste tema, o presente trabalho apresentou as principais técnicas e conceitos necessários para se preservar evidências durante todas as etapas de uma investigação forense: exame, coleta, análise e pós laudo. Além disso, nos exemplos dispostos, foi utilizada uma peça real que estava sendo comercializada em um grande centro de comércio da cidade de São Paulo, para mostrar a importância da realização correta da sanitização de discos e os riscos que a sociedade atual vive diante da evolução tecnológica desorganizada. Pode-se concluir que a computação forense deve estar preparada para assumir a responsabilidade de identificar e preservar possíveis vestígios digitais deixados durante a realização de qualquer crime envolvendo tecnologia computacional e eletrônica, relatando a materialidade, a dinâmica e a autoria dos delitos, além de sempre considerar a legislação vigente ao manipular, preservar e analisar os artefatos. 28 4. MATERIAL DE APOIO 29 5. REFERÊNCIAS ELEUTÉRIO, Pedro Monteiro da Silva; ACHADO, Marcio Pereira. Desvendando a Computação Forense. São Paulo: 2011. Disponível em: . Acesso em: 25 de março de 2023. PINHEIRO, Patrícia Peck. Direito digital. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2021, p. 224. Disponível em: . Acesso em: 25 de março de 2023. ELEUTÉRIO, Pedro Monteiro da Silva; ACHADO, Marcio Pereira. Desvendando a Computação Forense. São Paulo: 2011. Disponível em: . Acesso em: 25 de março de 2023. HASSAN, Nihad A. Digital Forensics Basics: a practical guide using windows. 2019. Disponível em: . Acesso em: 25 de março de 2023. BRASIL. Código de Processo Penal. Disponível em: . Acesso em 27 de março de 2023. QUEIROZ, C.; VARGAS, R. Investigação e perícia forense computacional: certificações, leis processuais e estudos de caso. Rio de Janeiro: Brasport, 2010. Disponível em: . Acesso em: 25 de março de 2023. PEREIRA, Evandro. FAGUNDES, Leonardo L.; NEUKAMP, Paulo; LUDWIG, Glauco KONRATH, Marlon. Forense computacional: fundamentos, tecnologias e desafios atuais. In: Forense Computacional: fundamentos, tecnologias e desafios atuais. 2007. Disponível em:. 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