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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 51 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com CAPÍTULO 5: PORIFERA 5.1. INTRODUÇÃO O Filo Porifera é constituído pelas esponjas ou espongiários que são animais simples, sésseis, sem órgãos. Podem ser marinhos (maioria em águas rasas) ou dul- cícolas e especializados na alimentação por filtração. O corpo é assimétrico (a mai- oria) ou com simetria radial e o tamanho varia de alguns mm até ± 1 m, sendo o cres- cimento indeterminado sem um limite superior. Muitas possuem coloração viva, devido a pigmentos celulares ou endossimbi- ontes. As formas de crescimento podem ser maciças, eretas, ramificadas ou incrus- tantes, variando de acordo com a espécie. 5.2. FORMA E ESTRUTURA As esponjas são caracterizadas pela presença de muitos poros responsáveis pela entrada de água (óstios) e pela saída de água (os ósculo). Apresentam uma cavidade interna denominada de átrio ou espongiocele, onde circula a água (Figura 1). O esqueleto é constituído de espículas calcárias, silicosas ou de uma rede de es- pongina (proteína semelhante ao colágeno). As calcárias possuem consistência dura e as de espongina moles. As camadas encontradas na estrutura de uma esponja são: A) Pinacoderme: camada externa de células planas (revestimento) Não é epi- télio, e por isto não possui junções intercelulares e lâmina basal. B) Meso-hílo: camada gelatinosa intermediária (equivalente ao tecido conjun- tivo das demais metazoários) e possui uma rede de espongina. C) Coanoderme: camada mais interna; reveste o átrio, formada por células mo- noflageladas com colarinho (coanócitos) e também não é epitélio verdadeiro. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 52 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com Figura 1 - Forma típica de um porífero indicando as suas estruturas. 5.2.1. CÉLULAS DOS PORÍFEROS Os poríferos apresentam uma grande variedade de células que assumem fun- ções desempenhadas pelos tecidos nos metazoários. São elas: A) Coanócitos: fazem a circulação da água (alimentação por filtração; liberação dos gametas); B) Pinacócitos: células poligonais planas (formam a pinacoderme - revesti- mento externo); C) Porócitos: revestem os poros; D) Arqueócitos: células indiferenciadas que originam outros tipos celulares e também atuam na digestão (fagocitose); E) Esclerócitos: originam as espículas; F) Lofócitos: secretam colágeno; E) Espongiócitos: produzem a espongina (presentes somente no grupo das De- mospongiae). Os últimos quatro tipos são agrupados como células ameboides ou amebócitos. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 53 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com 5.2.2. ESTRUTURA CORPORAL: TIPOS ESTRUTURAIS. As esponjas podem apresentar três tipos corporais: asconóide, siconoíde e leu- conóide (Figura 2): Figura 2 - Tipos morfológicos encontradas nas esponjas. Fonte: http://mardoceara.blogspot.com/2015/12/esponjas-do-mar-sao-animais-ou-plantas.html 1) ASCONÓIDE É o tipo mais simples de espoja. A água circula pela espongiocele ou átrio, entrando pelo óstio e saindo pelo ósculo. Os coanócitos revestem apenas a cavidade da espongiocele. Estas esponjas apresentam tamanho reduzido, devido ao fato da espongiocele ser desenvolvida e produzir um grande volume de água circulante, o que faz com a captura dos nutrientes pelos coanócitos não seja muito eficiente. 2) SICONÓIDE Possuem “pregas” internas na parede corporal e ocorre a formação de canais inalantes e câmaras coanocíticas (revestidas internamente pelos coanócitos). Ob- serva-se uma redução do volume da espongiocele. A água entra na esponja junta- mente com os nutrientes pelo óstio, passa pelo canal incorrente, alcança o átrio e sai da esponja por meio do ósculo. http://mardoceara.blogspot.com/2015/12/esponjas-do-mar-sao-animais-ou-plantas.html CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 54 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com 3) LEUCONOIDE Inclui a maioria das espécies e atingem tamanhos maiores. Ocorre a forma- ção de câmaras coanocíticas e canais excorrentes. O átrio bastante é reduzido ou ausente e os coanócitos revestem as câmaras flageladas, podendo haver vários ós- culos. O caminho da água: entrada pelo óstio, segue para o canal incorrente atin- gindo as câmaras flageladas, passando logo após para o canal excorrente, até ser eliminada no ósculo. 5.2.3. ASPECTOS FISIOLÓGICOS A água é quem traz alimento (detritos e plâncton) e oxigênio e leva dejetos (amônia e CO2) e produtos das gônadas (gametas). A digestão é intracelular e ocorre com a participação dos coanócitos e amebócitos (Figura 3). A respiração ocorre por difusão em cada célula, não possuem sistema nervoso e apresentam auto poder de regeneração. Figura 3 - Estrutura do coanócito, principal tipo celular das espon- jas. Fonte: http://aopedavida.blogspot.com/2012/01/conversa-celular.html. http://aopedavida.blogspot.com/2012/01/conversa-celular.html CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 55 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com 5.2.4. REPRODUÇÃO ASSEXUADA E SEXUADA A reprodução assexuada ocorre por fragmentação (causada por fatores ambi- entais), com posterior regeneração ou por brotamento. A gemulação, que é a forma- ção de gêmulas, aglomerados de arqueócitos (células totipotentes) e estruturas de resistência (como esporos) às condições difíceis de temperatura, salinidade e desi- dratação. Quando as condições melhoram, a gêmula “germina”, liberando os arqueó- citos que vão formar uma nova esponja A Maioria é hermafrodita (sem autofecundação), com separação temporal na pro- dução de gametas masculinos e femininos. Gametas surgem a partir de amebócitos (ovócitos) ou coanócitos (espermatozoides). Os espermatozoides são liberados pelos ósculos e levados a outras esponjas, onde penetram pelos óstios; um coanócito cap- tura o espermatozoide e o leva até o ovócito, fertilizando-o e do ovo surge uma larva livre-natante, que sai do adulto e se fixa em outro local, formando um novo indivíduo. São observados dois tipos de larva: a) larva parenquimelar, que possui células ciliadas recobrem toda a superfície externa, exceto o pólo posterior, possuem espícu- las e todos os tipos celulares do adulto, exceto os coanócitos e b) larva anfiblástula, que é oca, com uma região coberta por células flageladas e outra coberta por células não flageladas, por onde a larva se fixa no substrato (Figura 4). Figura 4- Tipos de larva de esponjas.Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcSkkmIrktAw7qpzVeKQWEb- pxxikMf6AAWSmFQ&usqp=CAU CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 56 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com 5.2.5. ASPECTOS ECOLÓGICOS As esponjas raramente são consumidas por outros animais, devido ao esque- leto e odores desagradáveis que produzem. Podem ser o hábitat de muitos outros animais, como vermes, crustáceos, moluscos, os quais vivem na cavidade interna. Podem ser “cultivadas” por caranguejos para promover camuflagem nestes. O gênero Cliona perfura conchas de moluscos e crescem sobre os corais. Muitas espécies de esponjas produzem substâncias tóxicas como forma de defesa e algumas podem ter efeitos farmacológicos benéficos. 5.3. CLASSIFICAÇÃO DOS PORÍFEROS A) Subfilo Symplasma (Classe Hexactinellida) – inclui cerca de 400 espécies que atin- gem até 30 cm, chamadas de “esponjas de vidro”, devido à presença de espículas de silício, triaxônicas. Possuem tecidos sinciciais, solitárias e de águas profundas como na Antártida; B) Classe Calcarea (Calcispongiae) – cerca de 500 espécies, de hábitat marinho com espículas calcárias simples (monoaxônicas); possuem todos os tipos estruturais e são pequenas (em torno de 10 cm). C) Classe Demospongiae - inclui 80-90% das esponjas, habitam águas rasas e pro- fundas, algumas de água doce. Apresentam espículas silicosas, com redes de espon- gina e são todas leuconoides. 5.4. FILO PLACOZOA O Filo Placozoa é constituído por uma única espécie: Trichoplax adhaerens, que é o animal mais simples conhecido. Apresenta hábitat marinho, é um organismo achatado (2 a 3 mm de espessura), microscópico e com forma do corpo inconstante, como uma ameba. Estruturalmente apresenta duas camadas de células epitelióide (dorsal e ventral) e uma camada intermediária (mesênquima = conjuntivo) (Figura 5). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 57 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com FIGURA 5 – Aspecto estrutural do Placozoa. Fonte: Hichman et al. (2001). A locomoção deste animal ocorre rastejamento por meio de “cílios”; que na ver- dade são os flagelos do tecido epiteloide. Alimenta-se de detritos orgânicos e sua digestão é extracelular. Reproduz-se de forma assexuada por fissão e brotamento. Estudos filogenéticos colocam Placozoa como grupo irmão de poríferos e cni- dários, todos considerados metazoários basais. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 58 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com ATIVIDADES DE FIXAÇÃO 1. (UFPI) – Indique as características que tornam os organismos do filo Porifera bem diferentes daqueles de outros filos animais: A) Não podem se reproduzir. B) As formas adultas são sésseis. C) Não respondem a estímulos externos. D) Alimentam-se através de mecanismos de filtração. E) Suas células não são organizadas em tecidos. 2. (FURG/2008) – Assinale a alternativa que apresenta a função dos tipos celulares de Porífera. A) A digestão do alimento é realizada pelos coanócitos, e os nutrientes são distribuí- dos pelos pinacócitos. B) Os coanócitos são responsáveis pela fagocitose das partículas alimentares. C) Os amebócitos são responsáveis somente pela produção das espículas. D) Os porócitos são as células que circundam a abertura do ósculo, por onde entra a água para a espongiocele. 3. (PUC-RS) – Quanto às características anatômicas dos espongiários, é correto afir- mar que: a) as esponjas de estrutura asconóide são as mais complexas e não apresentam co- anócitos na cavidade atrial. b) o esqueleto dos espongiários é formado por microtúbulos silicosos sempre locali- zados no átrio. c) abaixo dos pinacócitos se encontra uma matriz proteica gelatinosa contendo mate- rial esquelético e amebócitos. d) os espongiários do tipo leuconóide são os únicos que não apresentam poros na superfície do corpo. e) O sistema nervoso dos espongiários é pouco desenvolvido, mas já apresenta neu- rônios de vários tipos. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: ZOOLOGIA GERAL NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 59 Professora: Patrícia Santos – patriciasantos234@gmail.com REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRUSCA, Richard C.; BRUSCA, Gary J. Invertebrados. Editora Guanabara Koogan S.A., 2ed. 2007. 968p. FERREIRA JUNIOR, Nelson. Introdução à zoologia. v.2 / Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010. 90p. Disponível em: https://canal.ceci- erj.edu.br/012016/523caddf7421bf5f4a754132a56dda23.pdf. Acesso em 28/09/2020. RUPPERT, Edward E.; BARNER, Robert D. Zoologia dos invertebrados: uma abor- dagem funcional-evolutiva. São Paulo: Roca,7.ed. 2005. 1145p. FIXANDO O CONTEÚDO: CONSTRUÇÃO DO MAPA MENTAL Após a leitura deste capítulo faça o seu mapa mental. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE O MAPA MENTAL DESTE CA- PÍTULO NO ITEM “FIXAÇÃO DE CONTEÚDOS – MAPA MENTAL 6”. https://canal.cecierj.edu.br/012016/523caddf7421bf5f4a754132a56dda23.pdf https://canal.cecierj.edu.br/012016/523caddf7421bf5f4a754132a56dda23.pdf