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2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 1 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 2 2ª FASE OAB | TRIBUTÁRIO | 46º EXAME Direito Tributário Sumário 1. Espécies Tributárias................................................................................................................ 3 2. Legislação, Integração, Vigência e Validade da Norma Tributária................................... 35 3.Obrigações Tributárias........................................................................................................... 54 4.Responsabilidade Tributária.................................................................................................. 57 5.Constituição do crédito e suspensão da exigibilidade......................................................... 64 6.Extinção do Crédito Tributário................................................................................................ 79 7.Exclusão do Crédito Tributário............................................................................................... 94 8.Garantias e Preferências do Crédito Tributário…………………………………………... 99 9.Administração Tributária e Certidões.................................................................................... 102 Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para a 2ª Fase do 46º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente. Bons estudos, Equipe Ceisc. Atualizado em abril de 2026. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 3 1. Espécies Tributárias Imposto • Fato Gerador; • Art. 145, I, CF + Art. 16, CTN; • Tributo não- vinculado/Contributivo; • Normas Gerais definidas em Lei Complementar (Art. 146, III, a, CF); • Bases de Cálculos e Contribuintes. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. ITCMD. BENS LOCALIZADOS NO EXTERIOR. ARTIGO 155, § 1º, III, LETRAS A E B, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI COMPLEMENTAR. NORMAS GERAIS. COMPETÊNCIA PARA INSTITUIÇÃO. É de se definir, nas hipóteses previstas no art. 155, § 1º, III, letras a e b, da Constituição, se, ante a omissão do legislador nacional em estabelecer as normas gerais pertinentes à competência para instituir imposto sobre transmissão causa mortis ou doação de quaisquer bens ou direitos (ITCMD), os Estados-membros podem fazer uso de sua competência legislativa plena com fulcro no art. 24, § 3º, da Constituição e no art. 34, § 3º, do ADCT. (STF - RE: 851108 SP, Relator: DIAS TOFFOLI, Data de Julgamento: 25/06/2015, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 20/08/2015). AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRIBUTÁRIO. INCS. I E II, PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 115 DA LEI COMPLEMENTAR N. 19/1997 DO AMAZONAS. IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO - ITCMD. HIPÓTESES DE TER O DOADOR DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA NO EXTERIOR (INC. III DO § 1º DO ART. 155, DA CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA). NECESSIDADE DE PRÉVIA REGULAMENTAÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR. AÇÃO DIRETA JULGADA PROCEDENTE. MODULAÇÃO DE EFEITOS. 1. É vedado aos Estados e ao Distrito Federal instituir o ITCMD nas hipóteses mencionadas no inc. III do § 1º do art. 155 da Constituição da República sem a edição da lei complementar exigida pelo dispositivo constitucional. Precedentes. 2. Os Estados e o Distrito Federal não dispõem de competência legislativa em matéria tributária para suprir a ausência dessa lei complementar, pois trata-se de diploma necessário à fixação nacional da exata competência dos Estados. Precedentes. 3. Atribuição de eficácia ex nunc a este julgamento, a contar da publicação do acórdão do Recurso Extraordinário n. 851.108 (20.4.2021), ressalvando 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 4 Território Federal (administrado pela União) as ações judiciais pendentes de conclusão até esse marco temporal, nas quais se discuta: a) a qual Estado o contribuinte deve efetuar o pagamento do ITCMD, considerando a ocorrência de bitributação; b) a validade da cobrança desse imposto, não tendo sido pago anteriormente. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar inconstitucionais os incs. I e II, parágrafo único do art. 115 da Lei Complementar n. 19/1997, do Amazonas. (STF - ADI: 6836 AM 0053134-18.2021.1.00.0000, Relator: CÁRMEN LÚCIA, Data de Julgamento: 21/02/2022, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 11/03/2022). Competência União Estados Municípios II IPVA IPTU IE ICMS ITBI IPI ITCMD ISS IOF Distrito Federal IR ITR IGF Impostos no Território Federal *Para todos verem: esquema. Dividido em Municípios: União cobra seus impostos federais e também os estaduais. Os Municípios cobram seus impostos municipais. Não dividido em Municípios: União cobra todos os impostos dentro dela (federais, estaduais e municipais) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 5 Impostos Residuais Exclusivo da União F.G e B.C Inéditos 20% da arrecadação vai para os Estados e o DF. Não cumulativo Lei Complementar Impostos Residuais *Para todos verem: esquema. Impostos Extraordinários de Guerra • Fato Gerador & Base de Cálculo; • Ausência de Limites de Competência; • Exceção Anterioridades; • Prazo máximo de 5 anos para supressão (Art. 76, CTN); • Atenção: IEG X Empréstimos Compulsórios. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 6 Questões Gabaritando o XII Exame de Ordem / 4ª Questão O Presidente da República editou Medida Provisória estabelecendo normas gerais sobre o imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA), relativamente ao seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes. Partindo da premissa de que estão preenchidos os requisitos de relevância e urgência, responda aos itens a seguir, de forma fundamentada, indicando os dispositivos legais pertinentes. A) Pode uma Medida Provisória do Presidente da República estabelecer normas gerais sobre o imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA), tal como a acima referida? (Valor: 0,70) B) Inexistindo normas gerais relativas ao imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA), podem os legisladores estaduais definir, no âmbito de suas competências, e observados os limites impostos pela Constituição Federal, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes desse imposto? (Valor: 0,55) Gabarito Comentado A) Não. De acordo com o Art. 146, inciso III, alínea “a”, da Constituição da República, cabe à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, definindo, inclusive em relação ao IPVA, os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. Como o Art. 62, § 1º, inciso III, da Constituição da República, veda a edição de Medidas Provisórias em relação a matéria reservada à Lei Complementar, conclui-se que uma Medida Provisória não pode veicular normas gerais sobre o IPVA. B) Sim. Inexistindo normas gerais relativas ao imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA), o legislador estadual, no contexto da competência concorrente, exerce competência plena sobre a matéria, nos termos do Art. 24, § 3º, da Constituição da República e Art. 34,201, ambos do CTN. B) Não. Deve ser aplicada ao contribuinte a penalidade da lei mais benéfica, no percentual de 15%, na forma do Art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Não. A impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário (0,55), na forma do Art. 151, inciso III, OU do Art. 201, ambos do CTN (0,10). 0,00/0,55/0,65 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 46 B) Não. Deve ser aplicada a penalidade da lei mais benéfica (0,50), na forma do Art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN OU Art. 5º, inciso XL da CRFB/88 (0,10). 0,00/0,50/0,60 Gabaritando o XV Exame de Ordem / 1ª Questão Determinado Estado da Federação brasileira publicou, em 19/12/2013, a Lei Estadual nº 5.678, a qual introduziu algumas alterações na Lei Estadual nº 1.234, que dispõe sobre a cobrança do imposto sobre transmissão causa mortis e doação – ITCMD no âmbito daquele Estado. A nova Lei Estadual nº 5.678 passou a vigorar na data da sua publicação, conforme expressamente previsto em um dos seus artigos. Dentre as alterações introduzidas pelo novo diploma legal, houve (i) o aumento da alíquota do imposto; e (ii) a redução da penalidade incidente para o caso de atraso no pagamento. João, dono de vários veículos, doou um veículo a Pedro em 02/12/2013, mas, na qualidade de contribuinte, deixou de efetuar o pagamento do imposto no prazo legal, que venceu em 17/12/2013, antes do advento da Lei Estadual nº 5.678. Posteriormente, em 03/01/2014, João doou outro veículo a Tiago. Tendo em vista o exposto, responda aos itens a seguir. A) João faz jus à penalidade reduzida, introduzida pela Lei Estadual nº 5.678, para o pagamento do crédito tributário inadimplido incidente sobre a doação efetuada a Pedro? (Valor: 0,60) B) Na doação efetuada a Tiago, incide a alíquota do imposto majorada pela Lei Estadual nº 5.678? (Valor: 0,65) Gabarito Comentado A) João faz jus à penalidade reduzida introduzida pela Lei Estadual nº 5678, mesmo considerando que o prazo de pagamento do imposto devido pela doação a Pedro venceu antes da publicação da referida Lei. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 47 Isso porque, de acordo com o Art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, que trata da retroatividade benigna, a lei tributária aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. B) Na doação efetuada a Tiago, não incide a alíquota do imposto majorada pela Lei Estadual nº 5678. De acordo com o Art. 150, inciso III, da Constituição da República, é vedada a cobrança do tributo com a alíquota majorada: (i) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que o aumentou (alínea b); (ii) antes de decorridos 90 (noventa) dias da data em que haja sido publicada a lei que o aumentou. No caso, embora a Lei nº 5678 tenha sido publicada no exercício anterior àquele em que ocorreu o fato gerador (“doação”), em observância à anterioridade prevista no Art. 150, inciso III, alínea b, da Constituição da República, entre a data da publicação e a realização do fato gerador não transcorreram os 90 (noventa) dias previstos no Art. 150, inciso III, alínea c, da Constituição da República. Dessa forma, em razão da necessidade de observância do referido dispositivo, a alíquota do imposto, majorada pela Lei Estadual nº 5.678, somente incidirá sobre fatos geradores ocorridos após 90 (noventa) dias da data de sua publicação. Espelho de pontuação Item Pontuação A) Sim, por força da retroatividade benigna da lei tributária, que deve ser aplicada a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (0,50) conforme disposto no Art. 106, inciso II, c, do Código Tributário Nacional. (0,10) 0,00/0,50/0,60 B) Não, pela vedação à incidência da alíquota majorada antes de decorridos 90 (noventa) dias da data em que haja sido publicada a lei que a majorou (anterioridade nonagesimal) (0,55), na forma do disposto no Art. 150, inciso III, alínea c, da Constituição da República (0,10). 0,00/0,55/0,65 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 48 Gabaritando o XIII Exame de Ordem / 4ª Questão Uma pessoa jurídica, contribuinte do ICMS do Estado X, foi autuada por não recolhimento do ICMS devidamente escriturado, mas não informado em GIA-ICMS, dos meses de janeiro a julho de 2011. Foi exigida multa de 80% do valor não recolhido. No mês de maio de 2012, foi ajuizada a execução fiscal para cobrança do crédito tributário. Devidamente citada, a sociedade ofereceu um caminhão em garantia, que foi aceito pelo exequente e penhorado. A pessoa jurídica apresentou embargos à execução, sendo os mesmos desprovidos. Recorreu para o Tribunal de Justiça, que, por sua vez, não proveu a apelação. Protocolou recurso especial, estando este sujeito ao exame de admissibilidade. Fazenda Estadual requereu o leilão do veículo, o que foi deferido em agosto de 2013. O leilão foi marcado para 16 de dezembro de 2013. No dia 6 de dezembro foi publicada lei estabelecendo o percentual da multa para a mesma infração em 50%. Diante da hipótese, qual é o percentual de multa que deve prevalecer? (Valor: 1,25). Gabarito Comentado Deve ser considerado o percentual estabelecido na nova lei (50%), sendo aplicável a lei mais benéfica de forma retroativa por força do disposto no artigo 106, II, “c”, do CTN. Isso por tratar-se de ato ainda não definitivamente julgado, assim entendida a execução fiscal não definitivamente encerrada, ou seja, aquela em que não foram ultimados os atos executivos destinados à satisfação da prestação. Espelho de Pontuação Item Pontuação Deve ser aplicada a lei mais recente (multa de 50%), por ser mais benéfica (0,65), pois não foram ultimados os atos executivos destinados à satisfação da prestação (Admitindo-se 0,00/0,40/0,60/0,85/ 1,05/1,25 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 49 o argumento de que estão pendentes de julgamento definitivo embargos à execução) (0,40). Aplicável o artigo 106, II, “c”, do CTN (0,20) Gabaritando o II Exame de Ordem / 3ª Questão Determinada Lei Estadual, publicada em 10/01/2010, estabeleceu a redução das alíquotas e das multas aplicáveis, respectivamente, aos fatos jurídicos tributáveis e ilícitos fiscais previstos na legislação do ICMS daquele Estado. Considerando que certo contribuinte tenha sido autuado pela fiscalização local em 15/12/2009, em razão de falta de pagamento do ICMS relativo aos meses de fevereiro/2009 a novembro/2009, poderia ser aplicada a nova lei aos fatos geradores e infrações fiscais ocorridas em 2009, uma vez que este contribuinte ofereceu impugnação em tempo hábil, estando ainda pendente de julgamento na esfera administrativa? Responda, com base na legislação aplicável à espécie. Gabarito comentado O art. 144 do Código Tributário Nacional - CTN determina que o lançamento reporta-se à data do fato gerador do tributo, não se aplicando, desse modo, as alíquotas da lei nova aos fatos geradores ocorridos no ano de 2009, portanto, anteriores à sua entrada em vigor e à sua eficácia. Todavia, quanto às multas, aplica-se o art. 106, III, letra c, do CTN, isto é, a lei nova poderá retroagir em benefício do contribuinte apenas quanto aos ilícitos ocorridos em 2009, em se tratando de ato ou fato não definitivamente julgado. Desse modo, mediante aditamento à impugnação fiscal oposta contra o lançamentotributário, ainda pendente de julgamento, poderia o contribuinte apenas ser beneficiado com a redução da multa fiscal. Espelho de Pontuação Item Pontuação 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 50 Mantida alíquota da lei do fato gerador. Art. 144 CTN artigo (0,20); princípio tempus regit actum (0,30) 0,00/0,20/0,30/0,50 Redução das multas Retroatividade benéfica Art. 106, II, c, artigo (0,20); Retroatividade benéfica (0,30) 0,00/0,20/0,30/0,50 Interpretação e Integração “Costuma-se dizer que interpretar é buscar o sentido dos atos normativos, encontrando as normas jurídicas nele vinculadas. Integrar, ao contrário, é, na falta de uma norma aplicável a determinada situação concreta, buscar-se meios para suprir a lacuna, criando-se uma norma para o caso concreto”. Hugo de Brito Machado Segundo. Interpretação e Integração da Legislação Tributária A) Previsão Tributária (Art. 107, CTN) B) Integração da Legislação (Art. 108, CTN) Sequência: I - a analogia; II - os princípios gerais de direito tributário; III - os princípios gerais de direito público; V - a equidade. Utilização dos Institutos do Direito Privado (Arts. 109 e 110, CTN) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 51 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Interpretação Literal (Art. 111, CTN) Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Jurisprudência TRIBUTÁRIO – IMUNIDADE – IPTU – ENTIDADE EDUCACIONAL ESTRANGEIRA. 1. O artigo 150, VI, c, da CF deve ser interpretado em combinação com o art. 14 do CTN, expressamente recepcionado no ADCT (art. 34 § 5º). 2. A imunidade, como espécie de não incidência, por supressão constitucional, segundo a doutrina, deve ser interpretada de forma ampla, diferentemente da isenção, cuja interpretação é restrita, por imposição do próprio CTN (art. 111). 3. Ensino é forma de transmissão de conhecimentos, de informações e de esclarecimentos, entendendo-se educacional a entidade que desenvolve atividade para o preparo, desenvolvimento e qualificação para o trabalho (art. 205 CF). 4. A cobrança de mensalidades não descaracteriza a entidade imune senão há distribuição de rendas, lucro ou participação nos resultados empresariais. 5. Entidade que, gozando da imunidade há mais de quarenta anos, não está obrigada a recadastrar-se, ano a ano, para fazer jus ao benefício constitucional. 6. Recurso ordinário improvido. (STJ Recurso Ordinário nº 1.243.586, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 06/05/2004, T2 - SEGUNDA TURMA). Dúvida na Interpretação (Art. 112, CTN) Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 52 III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Gabaritando o XII Exame de Ordem Felipe das Neves, 20 anos, portador de grave deficiência mental, vem procurá-lo, juntamente com seu pai e responsável, eis que pretendeu adquirir um carro, para ser dirigido por terceiro, a fim de facilitar sua locomoção, inclusive para tratamentos a que se submete semanalmente. Entretanto, o Delegado da Delegacia Regional Tributária negou-lhe o benefício que buscava usufruir, para não pagar ICMS e IPVA. Este benefício está previsto na Lei WWW/00, a qual dispõe: “os portadores de deficiência poderão adquirir veículo automotivo com isenção integral de ICMS e IPVA, sendo os carros de produção nacional, com adaptação e características especiais indispensáveis ao uso exclusivo do adquirente portador de paraplegia, impossibilitado de usar os modelos comuns.” Foi impetrado Mandado de Segurança, com pedido de liminar, para que Felipe obtivesse o benefício pretendido. Entretanto, o Juízo negou a liminar, referindo que não se vislumbra a presença de fumaça do bom direito em que se arrime o pleito liminar referido pelo Impetrante. O fundamento foi o de que a norma isentiva tem caráter excepcional e se aplica apenas aos portadores de deficiência física e não aos portadores de deficiência mental. Além disso, segundo a decisão, a norma pressupõe que o beneficiário da isenção esteja apto a dirigir, tanto que é concedido para contrabalançar as despesas na adaptação do carro. Trata-se, primeiramente, de opção legislativa que não cabe ao intérprete superar. Igualmente, não demonstrado qualquer perigo na demora da solução do caso, afirmou a decisão. Na qualidade de advogado de Felipe, e ciente de que já vencido o prazo para a interposição de eventuais Embargos de Declaração, mas não superado 10 (dez) dias da data da publicação da decisão, elabore o recurso cabível da decisão que negou a liminar, apresentando todos os fundamentos necessários à melhor defesa do interesse de Felipe, tanto no que pertine ao direito a ser aplicado, quanto à sua interpretação. (Valor: 5,0) Razões do Recurso Da Violação ao Princípio da Isonomia Tributária. O veículo a ser adquirido por deficiente mental, ainda que seja para ser dirigido por terceiro, porque a sua deficiência o impede de dirigir, deve receber a benesse pretendida, qual seja, a de isenção do tributo estadual, sob pena de se dar tratamento manifestamente desigual a tais deficientes. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 53 A negativa de tal benefício e a aplicação da regra da forma sustentada pela Fazenda implica tratamento diferenciado (mais gravoso) a pessoa que apresenta deficiência incapacitante análoga à física. O que, é manifestamente vedado pelo princípio da isonomia tributária, estampado no artigo 150, II da Constituição Federal. Além do mais, no caso em tela, a isenção deve ser interpretada de forma e teleológica, aplicando o que preceitua o Art. 111, II, do CTN, de forma harmônica com o texto constitucional, que propugna a integração social do deficiente e a eliminação de todas as formas de discriminação (Art. 227, §1º, II, CR/88). Espelho de Pontuação Item Pontuação Princípio da isonomia tributária, já que não se pode estabelecer diferença entre o deficiente físico e o mental (0,80), com fundamento no Art. 150, II da CRFB (0,20) 0,00/0,80/1,00 O objetivo da Constituição é permitir maior mobilidade e integração social ao deficiente (0,30), nos termos do Art. 227, §1º, II, da CF. (0,20) 0,00/0,20/0,30/0,50 Interpretação da regra do Art. 111, I e/ou II, do CTN (0,50), e utilização do método teleológico e sistemático de modo a permitir a concessão do benefício ao seu cliente (0,50) 0,00/0,50/1,00 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais54 3. Obrigações Tributárias Características (Art. 113, CTN): • Principal (Tributo + Multa) – Previsão em Lei (Art. 114, CTN) • Acessória (Deveres Instrumentais) – Previsão em Legislação (Art. 115, CTN) • Relativa Independência • Conversão da Obrigação Acessória (Art. 113,§3º, CTN) Jurisprudência TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISSQN. EMPRESA NÃO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE EXIBIÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS. INEXISTÊNCIA. ART. 113, § 2º, DO CTN. I - A discussão dos autos cinge-se à necessidade, ou não, de a empresa recorrida, pelo fato de não ser contribuinte do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN, ainda assim ser obrigada a exibir seus livros fiscais ao Município de São Paulo. II - Restou incontroverso o fato de que a empresa Recorrida não recolhe ISSQN aos cofres do Município de São Paulo. III - Nesse contexto, verifica-se que, mesmo que haja o Poder Estatal, ex vi legis, de impor o cumprimento de certas obrigações acessórias, a Administração Tributária deve seguir o parâmetro fixado no § 2º do art. 113 do CTN, isto é, a exigibilidade dessas obrigações deve necessariamente decorrer do interesse na arrecadação. IV - In casu, não se verifica o aludido interesse, porquanto a própria Municipalidade reconhece que a Recorrida não consta do Cadastro de Contribuintes do ISSQN. V - Mesmo que o ordenamento jurídico tributário considere certo grau de independência entre a obrigação principal e a acessória, notadamente quanto ao cumprimento desta última, não há como se admitir o funcionamento da máquina estatal, nos casos em que não há interesse direto na arrecadação tributária. VI - Se inexiste tributo a ser recolhido, não há motivo/interesse para se impor uma obrigação acessória, exatamente porque não haverá prestação posterior correspondente. Exatamente por isso, o legislador incluiu no aludido § 2º do art. 113 do CTN a expressão "no interesse da arrecadação". VII - Recurso Especial improvido. (STJ - REsp nº 539.084/SP , Relator: Ministro FRANCISCO FALCÃO, Data de Julgamento: 18/10/2005, T1 - PRIMEIRA TURMA). Elemento Temporal (Art. 116, CTN): 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 55 • Situação de Fato (Inciso I); • Situação de Direito (Inciso II). Negócios Jurídicos Condicionais (Art. 121, CC + Art. 117, CTN): • Suspensiva (Inciso I) • Resolutória (Inciso II) Elisão Fiscal ≠ Evasão Fiscal ≠ Elusão Fiscal Regra Antielisão/Elusão Fiscal: CTN, Art. 116, § Único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Interpretação do Fato Gerador: Art. 118, CTN A) Abstração da validade dos atos e natureza do objeto (Inciso I) B) Abstração dos Efeitos (Inciso II) Natureza Econômica & “pecunia non olet” Jurisprudência TRIBUTÁRIO. ISS. TERRAPLENAGEM. OS SERVIÇOS DE TERRAPLENAGEM SE INCLUEM NO AMBITO DA CONSTRUÇÃO CIVIL, SUJEITANDO AO IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS A EMPRESA QUE OS EXPLORE, AINDA QUE NÃO QUALIFICADA TECNICAMENTE PARA ESSE EFEITO (CTN, ART. 118); LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO, NESSE CASO, E AQUELE ONDE SE EFETUAR A PRESTAÇÃO (DEL 406/1968, ART. 12, B). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. (STJ – REsp nº 73.692/ES, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 20/11/1997, T2 - SEGUNDA TURMA). Gabaritando o IV Exame de Ordem / 3ª questão 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 56 Caio e Tício pretendem celebrar contrato de compra e venda de bem imóvel. Contudo, para consumarem o negócio, constituem previamente a pessoa jurídica Provisória Ltda. formada por eles apenas, tendo por fito única e exclusivamente não fazer incidir o ITBI sobre a operação, com amparo no art.156, §2º, I, da CRFB, que prevê hipótese de imunidade da referida exação sobre o imóvel utilizado na integralização do capital social. Nesse sentido, Caio, originalmente proprietário alienante do bem, integraliza suas quotas na forma do imóvel, e Tício completa o capital social da empresa depositando o montante correspondente ao valor do bem objeto da alienação. Após pouco mais de duas semanas, Caio e Tício dissolvem a sociedade e, como consequência, Caio recebe sua parcela do capital em dinheiro, ao passo que Tício recebe o seu quinhão na forma do imóvel. Analise a conduta adotada pelos particulares e responda se, e como, poderia a Fazenda Municipal satisfazer seu crédito com relação à situação apresentada, uma vez descoberta a real intenção dos dois agentes. (Valor: 1,25) Gabarito Comentado A conduta é abusiva e não terá eficácia em face do Fisco. Representa hipótese de elusão fiscal (ou elisão ineficaz), em que o comportamento do contribuinte não é, a rigor, ilícito, mas adota um formato artificioso, atípico para o ato que está sendo praticado, para obter redução de carga tributária. Caio e Tício constituíram a sociedade com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do ITBI, com o escopo de escapar artificiosamente da tributação. Caso o Fisco venha a perceber a manobra artificiosa adotada, poderia lançar o tributo devido, com a aplicação do artigo 116, parágrafo único, do CTN. O Fisco poderá, nesta hipótese, requalificar juridicamente os fatos, para fazer incidir o tributo devido. Espelho de Pontuação Item Pontuação Hipótese de elusão fiscal (ou elisão ineficaz) 0,00/0,25 Abuso de forma 0,00/0,20 O Fisco municipal pode lançar o ITBI, descoberta a conduta abusiva 0,00/0,40 Aplicação da norma geral de antielisão fiscal – art. 116, parágrafo único, do CTN 0,00/0,40 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 57 Responsabilidade Por substituição Por transferência 4. Responsabilidade Tributária Considerações Iniciais Previsão Legal: Art. 121, §único, II, 128 e seguintes do CTN Substituição Tributária Fundamento: Art. 121, II, CTN + Art. 150, §7º, CF Espécies: Regressiva Progressiva 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 58 CF/88, Art. 150, §7º. A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. STF: Cobrança ≠ Pagamento Cautelar Complementação OU Restituição (ADI 2.675/PE & 2.777/SP) Responsabilidade por Sucessão Momento de aplicação: CTN, Art. 129. O disposto nesta Seção aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Marco Temporal: Fato Gerador Aquisição Imobiliária (Art. 130, CTN) Exceções: Prova da Quitação & Hasta Pública Aquisição e Remição de Bens Móveis (Art. 131, I, CTN) Remissão X Remição (Art. 876, CPC) Responsabilidade Seguradora sobre tributos de Veículos Furtados (REsp 692.619) Aplicação Análoga da Arrematação em Hasta Pública (REsp 807.455/RS – 2ª T & REsp 905.208/SP – 3º T) Sucessão Causa Mortis (Art. 131, II e III, CTN) • Inversão natural na sequência dos Incisos • Responsabilidade pelo Crédito Tributário: Tributo + Multa (REsp 499.147/PR -1ª T) (REsp 86.149/RS – 2ª T)2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 59 Sucessão Empresarial Responsabilidade pela Fusão, Transformação e Incorporação: Art. 132, CTN. A) Cisão parcial ou total (Art. 233, Lei nº 6.404/76) B) Exploração por Sócio remanescente C) Exploração pelo Espólio Responsabilidade por Aquisição: Art. 133, CTN • Requisitos & Espécies; • Exceções na Falência e Recuperação de Empresas (§1º); • Exceção da Exceção (§2º). Responsabilidade de Terceiro Dever legal: Art. 134, CTN - Responsabilidade tecnicamente Subsidiária - Requisitos: I. Impossibilidade de exigência do Contribuinte. II. Ação ou Omissão Imputada a Terceiro Adquirente Muda atividade Não haverá responsabilidade Mesma atividade Responde Integralmente Se o alienante cessar a exploração de atividade econômica (art. 133, I, do CTN) Respondo Subsidiariamente Se o alienante continuar a exploração de atividade econômica ou retomá -la em 6 meses (art. 133, II, do CTN) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 60 Responsabilidade Pessoal do terceiro: Art. 135, CTN. Atuação excessiva e infracional Súmula nº 430, STJ. O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Súmula nº 435, STJ. Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente. Responsabilidade por Infração Responsabilidade OBJETIVA: Art. 136, CTN. Possibilidade de responsabilização Subjetiva. Responsabilidade Pessoal: Art. 137, CTN I. Cometer Infração tipificada como Crime ou Contravenção. II. Quando o Dolo específico seja elementar do Tipo Penal III. Quando o Sujeito utiliza de Dolo Específico Denúncia Espontânea: Art. 138, CTN - Multa punitiva e moratória (REsp nº 1.232.357/SP) Obrigação Acessória (AREsp nº 534.943/RS) Parcelamento (REsp nº 284.189/SP) Súmula nº 208, TFR. A simples confissão da dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea. Súmula nº 360, STJ. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Gabaritando o III Exame de Ordem /3º questão 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 61 Determinada pessoa física adquiriu de outra uma papelaria, estipulando-se, no contrato de compra e venda do estabelecimento, que o vendedor assumia plena responsabilidade por eventuais débitos fiscais anteriores à operação, ainda que apurados posteriormente. Três anos depois da operação, a Fiscalização Tributária Estadual lavrou auto de infração contra o adquirente do estabelecimento, por débitos do ICMS relativos à venda de mercadorias efetuadas em anos anteriores à aquisição da papelaria. Defendeu-se o autuado, dizendo não ser responsável pelo imposto reclamado, visto que o vendedor, antigo dono, assumira tal responsabilidade. Sabendo-se que o antigo proprietário, à época, aposentou-se cessando sua atividade empresarial, analise se há responsabilidade tributária do adquirente da papelaria, bem como os efeitos do contrato firmado entre o vendedor e o comprador do negócio. Justifique de forma cabal, com base na legislação. (1,00). Gabarito Comentado O examinando deverá citar o art. 133, I, do CTN. O novo proprietário responderá integralmente pelos tributos devidos relativos ao comércio adquirido, por força da responsabilidade por sucessão prevista no CTN. O examinando deverá mencionar que o art. 123 do CTN determina que quaisquer contratos ou convenções particulares não podem ser opostos perante a Fazenda Pública, para modificar a sujeição passiva tributária prevista no CTN. Espelho de Pontuação Item Pontuação Aquisição do fundo de comércio e responsabilidade pelo pagamento de tributos. 0,25 Citar o art. 133, inciso I, do CTN. 0,25 Ineficácia dos negócios entre particulares perante o fisco. 0,25 Citar o artigo 123. 0,25 Gabaritando o XII Exame de Ordem / 1ª questão João, de apenas 3 anos de idade, recebeu por herança apartamento que foi devidamente registrado em seu nome. Ao receber a primeira notificação para o pagamento de imposto predial e territorial urbano (IPTU) do referido imóvel no início de 2013, os pais de João deixam de efetuar o recolhimento do tributo por entender que a cobrança seria improcedente, em razão da incapacidade civil do proprietário do imóvel. Diante deste caso, responda de forma fundamentada: 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 62 A) O entendimento dos pais de João está correto? (Valor 0,60) B) O Fisco poderia cobrar o tributo diretamente dos pais de João? (Valor 0,65) Gabarito Comentado A) O entendimento dos pais de João não está correto, tendo em vista que a condição de contribuinte independe da capacidade civil, na forma do artigo 126, I, do Código Tributário Nacional. B) Além disso, cabe ao candidato afirmar que o Fisco poderia cobrar o tributo dos pais de João, tendo em vista a responsabilidade dos pais em relação aos tributos devidos por seus filhos menores, determinada pelo Art. 134, I, do Código Tributário Nacional. Espelho de Correção Item Pontuação A) O entendimento dos pais de João não está correto, tendo em vista que a condição de contribuinte independe da capacidade civil (0,40), na forma do Art. 126, I, do Código Tributário Nacional (0,20). 0,00/0,40/0,60 B) O Fisco poderia cobrar o tributo dos pais de João em razão da responsabilidade destes em relação aos tributos devidos por seus filhos menores (0,45) determinada pelo Art. 134, |, do Código Tributário Nacional (0,20). Obs.: Será considerada correta uma resposta negativa, desde que o examinando utilize como premissa o fundamento de que não demonstrada a impossibilidade de exigência de obrigação principal pelo contribuinte (João) (0,45) determinada pelo Art. 134, |, do Código Tributário Nacional (0,20). 0,00/0,45/0,65 Gabaritando o XIX Exame de Ordem / 3ª questão 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 63 Em janeiro de 2014, a pessoa jurídica Beta adquiriu o estabelecimento comercial da pessoa jurídica Delta e continuou a explorar a atividade sob outra razão social. Ao adquirir o estabelecimento, a pessoa jurídica Beta não elegeu domicílio tributário. Três meses após a alienação, a pessoa jurídica Delta iniciou nova atividade no mesmo ramo de comércio. Em janeiro de 2015, a pessoa jurídica Beta foi notificada pelo Estado de Minas Gerais para pagamento de créditos de ICMS relativos ao estabelecimento adquirido e referentes ao ano de 2013, uma vez que, de acordo com o Estado de Minas Gerais para pagamento de créditos de ICMS relativos ao estabelecimento adquirido e referentes ao ano de 2013, uma vez que, de acordo com o Estado de Minas Gerais, a responsabilidade da pessoa jurídica Beta quanto a tais créditos seria integral. Diante disso, responda aos itens a seguir. A) É correto o entendimento do Estado de Minas Gerais no sentido de que a responsabilidade da pessoa jurídica Beta é integral? (Valor: 0,75) B) Diante da falta de eleição de domicílio tributário pela pessoa jurídica Beta, qual(is) local(is) deve(m) ser indicado(s) pela administração tributária para a notificação? (Valor: 0,50) Gabarito Comentado A) O entendimento do Estado de Minas Gerais não está correto, uma vez que, de acordo com o Art. 133, II, do Código TributárioNacional, a pessoa jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, estabelecimento comercial e continuar a respectiva exploração sob outra razão social responde pelos tributos relativos ao estabelecimento adquirido devidos até a data do ato, subsidiariamente com o alienante, se este iniciar, dentro de seis meses, a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ramo de comércio. B) Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal, quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento, conforme o Art. 127, II, do Código Tributário Nacional. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Não, porque, nesse caso, a responsabilidade da pessoa jurídica Beta é subsidiária (0,65), nos termos do Art. 133, Il, do Código Tributário Nacional (0,10). 0,00/0,65/0,75 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 64 HI Hipótese de incidência: Norma Abstrata prevista na "LEI" FG Fato Gerador: Sujeito Passivo realiza no mundo (fato da "VIDA"), surgindo a Obrigação Tributária LÇ Lançamento Tributário: Procedimento Administrativo que declara a anterior Obrigação Tributária e constitui o Crédito Tributário. CT OT B) O lugar da sua sede (0,25) ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento (0,15), conforme o Art. 127, II, do Código Tributário Nacional (0,10). 00/0,15/0,25/0,35/ 0,40/0,50 5. C onstituição do crédito e suspensão da exigibilidade Crédito Tributário Considerações Iniciais “O crédito tributário nada mais é do que a própria obrigação tributária principal formalizada pelo lançamento, ou seja, tornada líquida e certa pelo lançamento”. Kiyoshi Harada Ato constitutivo Ato declaratório 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 65 • Natureza e independência do Crédito Tributário (Arts. 139 e 140, CTN); • Hipóteses de modificação, suspensão, extinção e exclusão no CTN (Art. 141, CTN); • Origem: Lançamento Tributário. Características (Art. 142, CTN): • Ato/Procedimento: “Fase consultiva & litigiosa” • Competência Privativa/Exclusiva • Atividade Vinculada: Art. 142, §Único, CTN • Relativa Presunção de Legitimidade Lançamento Tributário Súmula Vinculante nº 24. Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Súmula 436, STJ. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Aplicação Temporal da Legislação no lançamento: A) Tributo: Arts. 105 & 144, CTN B) Penalidade: Art. 106, II, c, & Art. 144, CTN C) Retroação da legislação formal: Art. 144, §1º, CTN D) Impostos Lançados por períodos certos: Art. 144, §2º, CTN E) Taxa de Câmbio: Art. 143, CTN Modificação do Lançamento: A) Antes da notificação: Em todos os casos. B) Após a notificação (Art. 145, CTN): I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos relacionados ao lançamento de ofício. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 66 HI Hipótese de incidência FG Fato Gerador LÇ Lançamento de ofício: todo Procedimento Administrativo será realizado pela própria Fazenda Pública CT Modificação do Entendimento: Art. 146, CTN Erro de Direito X Erro de Fato Súmula 227, TRF: A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento. Modalidades de Lançamento Lançamento de Ofício “Lançamento de ofício é aquele que pode ser efetuado pela autoridade independentemente de provocação e da colaboração do sujeito passivo. Em alguns casos, pode ser a modalidade normal de lançamento do tributo, sendo também a modalidade pela qual pode ser feita a revisão de qualquer outra forma de lançamento anteriormente efetuada” Hugo de Brito Machado Segundo Modalidade Previsão Legal Ofício Art. 149 do CTN Declaração Art. 147 do CTN Homologação Art. 150 do CTN Arbitramento Art. 148 do CTN 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 67 HI Hipótese de incidência FG Fato Gerador LÇ Lançamento por declaração: o Procedimento Administrativo será realizado de forma mista entre o sujeito passivo que CT Declaração do Sujeito Passivo CTN, Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; lançamento anterior; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Lançamento por Declaração “No lançamento por declaração ou misto, aparece, de forma bastante relevante, a colaboração do sujeito passivo – ou terceiro – com a atividade privativa da autoridade administrativa. Há, portanto, um misto de atuação (administração e sujeito passivo ou terceiro) na realização do procedimento.” Ricardo Alexandre 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 68 CTN, Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lançamento por Arbitramento “Não se trata de punição, mas apenas do dever legal da autoridade administrativa em realizar busca da verdade real no direito tributário, procedendo com critérios de fiscalização parase chegar no correto valor da exação. Os valores serão arbitrados sem serem arbitrários, devendo o agente do fisco tomar as necessárias prudências nessa atividade.” Rafael Novais CTN, Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO FISCAL. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO E ONUS DA PROVA. O LANÇAMENTO FISCAL, ESPECIE DE ATO ADMINISTRATIVO, GOZADA PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE; ESSA CIRCUNSTANCIA, TODAVIA, NÃO DISPENSA A FAZENDA PÚBLICA DE DEMONSTRAR, NO CORRESPONDENTE AUTO DE INFRAÇÃO, A METODOLOGIA SEGUIDA PARA O ARBITRAMENTO DO IMPOSTO - EXIGENCIA QUE NADA TEM A VER COM A INVERSÃO DO ONUS DA PROVA, RESULTANDO DA NATUREZA DO 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 69 HI Hipótese de incidência FG Fato Gerador LÇ Lançamento por Homologação:o próprio sujeito passivo realizará a declaração e o pagamento antecipado, cabendo ao fisco homologá -lo expressamente no prazo de 5 anos contados do FG, sob pena de homologação tácito. CT Declaração e Pagamento Antecipado LANÇAMENTO FISCAL, QUE DEVE SER MOTIVADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (STJ – REsp nº 48.516/SP, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 23/09/1997, T2 - SEGUNDA TURMA). Lançamento por Homologação “O lançamento por homologação – impropriamente chamado de autolançamento – ocorre quando a lei atribui ao sujeito passivo a incumbência de todo o preparo material e técnico do ato, destarte, se reduz a uma simples homologação. O lançamento persiste sendo ato privativo do fiscal. O contribuinte é mero preparador. O lançamento, propriamente dito, no caso, consiste na homologação.” Geraldo Ataliba CTN, Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 5 ANOS 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 70 §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Prazo Decadencial (Art. 146, III, b, CF/88) Gabaritando o II Exame de Ordem / 3ª questão Determinada Lei Estadual, publicada em 10/01/2010, estabeleceu a redução das alíquotas e das multas aplicáveis, respectivamente, aos fatos jurídicos tributáveis e ilícitos fiscais previstos na legislação do ICMS daquele Estado. Considerando que certo contribuinte tenha sido autuado pela fiscalização local em 15/12/2009, em razão de falta de pagamento do ICMS relativo aos meses de fevereiro/2009 a novembro/2009, poderia ser aplicada a nova lei aos fatos geradores e infrações fiscais ocorridas em 2009, uma vez que este contribuinte ofereceu impugnação em tempo hábil, estando ainda pendente de julgamento na esfera administrativa? Responda, com base na legislação aplicável à espécie (1,00). Gabarito Comentado O art. 144 do Código Tributário Nacional - CTN determina que o lançamento reporta-se à data do fato gerador do tributo, não se aplicando, desse modo, as alíquotas da lei nova aos fatos geradores ocorridos no ano de 2009, portanto, anteriores à sua entrada em vigor e à sua eficácia. Todavia, quanto às multas, aplica-se o art. 106, III, letra c, do CTN, isto é, a lei nova poderá retroagir em benefício do contribuinte apenas quanto aos ilícitos ocorridos em 2009, em se tratando de ato ou fato não definitivamente julgado. Desse modo, mediante aditamento à impugnação fiscal oposta contra o lançamento tributário, ainda pendente de julgamento, poderia o contribuinte apenas ser beneficiado com a redução da multa fiscal. Espelho de Pontuação Item Pontuação Mantida a alíquota da lei do fato gerador Art. 144 do CTN artigo (0,20); princípio tempus regit actum (0,30) 0,00/0,20/0,30/0,50 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 71 Redução das multas ; Retroatividade Benéfica; Art. 106, II, c do CTN; Artigo (0,20); retroatividade benéfica (0,30). 0,00/0,20/0,30/0,50 Gabaritando o XXXI Exame de Ordem / 2ª questão A sociedade empresária ABC Ltda. realizou, em 10/01/2014, fato gerador de um tributo sujeito a lançamento por homologação. O prazo final para entrega da declaração e pagamento era 10/02/2014, mas a empresa nem entregou a declaração, nem pagou o tributo devido. Em razão disso, o Fisco, em 05/02/2019, realizou lançamento de ofício do tributo devido, notificando a contribuinte, em 15/02/2019, para impugnar ou pagar o débito em 30 dias. A sociedade empresária, no entanto, nem pagou, nem impugnou administrativamente tal lançamento. O débito é inscrito em dívida ativa e, em 10/06/2019, é ajuizada ação de execução fiscal contra ela, com despacho do juiz ordenando a citação, em 30/06/2019. A sociedade empresária, ao fazer sua defesa em embargos à execução fiscal, alega que o direito de lançar aquele crédito tributário já havia sido alcançado pela decadência, pois, nos termos do Art. 150, § 4º, do CTN, aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, já havia transcorrido mais de cinco anos entre a data do fato gerador e o lançamento efetuado pelo Fisco. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir. A) Tem razão a sociedade empresária em sua alegação? (Valor: 0,55) B) Caso a sociedade empresária houvesse declarado corretamente o tributo devido em 10/02/2014, mas não tivesse efetuado o seu recolhimento, seria possível ajuizar a execução fiscal em 10/06/2019? (Valor: 0,70) Gabarito Comentado A) A sociedade empresária não tem razão. Como não houve sequer declaração do tributo devido, o Fisco teve de efetuar um lançamento de ofício, cujo início do prazo decadencial, nos termos do Art. 173, inciso I, do CTN, não se vincula ao fato gerador, mas sim ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado. Portanto, não se trata de caso de aplicação do Art. 150, § 4º, do CTN, de acordo com a própria orientação da Súmula 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 72 555 do STJ: “Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do Art. 173, inciso I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamentosem prévio exame da autoridade administrativa”. É inequívoco que o prazo decadencial de cinco anos não se consumara em 05/02/2019, pois deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte, e não do fato gerador, ocorrido em 10/01/2014. B) Não seria mais possível. Caso a sociedade empresária houvesse declarado corretamente ao Fisco o valor devido em 10/02/2014, nos termos da Súmula 436 do STJ, a simples entrega da declaração correta já constitui o crédito tributário, contando-se o prazo prescricional de 5 anos para a propositura da ação de execução fiscal, a partir daí. Portanto, já teria ocorrido a prescrição quando do ajuizamento da execução fiscal. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Não. Como não houve declaração do tributo devido, o Fisco efetuou um lançamento de ofício, cujo prazo de início de contagem não se vincula ao fato gerador, mas sim ao primeiro dia do exercício deguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (0,45), cf. Art. 173, inciso I, do CTN OU Súmula 555 do STJ (0,10). 0,00/0,45/0,55 B) Não. Caso a sociedade empresária houvesse declarado corretamente ao Fisco, a simples entrega da declaração correta já constitui o crédito tributário (0,60), cf. Súmula 436 do STJ OU o Art. 174 do CTN (0,10). 0,00/0,60/0,70 Suspensão do Crédito Tributário 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 73 “A suspensão da exigibilidade do crédito tributário é sempre de natureza temporária. A suspensão não importa na desconstituição do crédito tributário, que continua intacto desde sua constituição definitiva pelo lançamento, notificado ao sujeito passivo." Kiyoshi Harada. CTN, Art. 151. Suspendem a exigibilidade o crédito tributário: I – moratória; II – o depósito do seu montante integral; III – as reclamações e os recursos, nos termos das lei reguladoras do processo tributário administrativo; IV – a concessão de medida liminar em mandado de segurança; V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. • Medida Temporária • Lista Exclusiva: Art. 141 & 111, I, CTN • AgRg 14.946/RJ • Relativização prática • Suspensão Prévia ou Posterior ao Lançamento • Não obsta a constituição - ERE 572.603/PR • Suspende Prescrição • Respeito as obrigações acessórias TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (STJ EDREsp nº 75.075 RJ , Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 08/06/2005, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO). 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 74 Depósito do Montante Integral: Art. 151, II, CTN • Direito Subjetivo (REsp 196.235/RJ) • Desnecessidade para discussão: Súmula Vinculante nº 28. • Integral em Dinheiro: • Súmula 112, STJ. O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. • Fiança Bancária (REsp 873.067/SP) • Precatório (REsp 1.196.655/PR) • Depósito sem desconto (AgRg Ag 1.307.925/SP) • Ausência de Autorização Judicial (AgRg RESP 976.148/SP) • Depósito & Execução: Antes ou Depois • Reclamações e Recursos no PAT: Art. 151, III, CTN • Garantia Constitucional: direito de petição, ampla defesa e contraditório administrativo (Art. 5º, XXXIV, a, & LV, CF/88) • Equiparação do Pedido de Compensação (AgRg no RMS nº 40.787/PR) • Desnecessidade de depósito no PAT (RE 388.359/PE & ADI 1976/DF) Súmula Vinculante 21. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Súmula nº 373, STJ. É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo. • Liminar em MS: Art. 151, IV, CTN • Art. 7º, III, Lei nº 12.016/09 • “fumus boni juris” & “periculum in mora” • Compensação & Liberação de Mercadorias do exterior • Cassação da Liminar: Atualização, Juros e Multa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO - MANDADO DE SEGURANÇA - CONCESSÃO DE LIMINAR CONDICIONADA A DEPÓSITO PARA FINS DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Existentes os pressupostos para concessão de liminar em mandado de segurança, deve a mesma ser concedida para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, IV do CTN, independentemente de depósito no montante integral. Precedentes desta Corte. 2. Recurso especial provido (STJ – REsp nº 222.838/SP, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 13/11/2001, T2 - SEGUNDA TURMA). 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 75 Moratória Geral Autônoma Heterônoma Individual • Moratória: Art. 151, I, 152, 153, 154, 155, CTN A) Conceito & formas B) Designação da Região, Classe ou Categorias dos Sujeitos Passivos: Art. 152, PÚ, CTN C) Requisitos: Art. 153, CTN D) Elemento temporal - Lançamento: Art. 154, CTN E) Dolo, fraude ou simulação: Art. 154, PÚ, CTN F) Revogação: Art. 155, CTN • Parcelamento: Art. 151, VI, 155-A, CTN A) Incluído por meio da LC 104/01 B) Inclusão dos Juros e Multa: Art. 155-A, §1º, CTN C) Aplicação subsidiária: Art. 155-A, §2ª, CTN D) Parcelamento em Recuperação Judicial: Art. 155-A, §3º, §4º, CTN Gabaritando o XVI Exame de Ordem / 4ª Questão O Município "M" notificou a pessoa jurídica "Z", fabricante de peças automotivas, para que efetuasse o pagamento do Imposto sobre a Transmissão inter vivos de Bens Imóveis (ITBI), incidente sobre a transmissão de bens decorrentes de processo de incorporação de outra pessoa jurídica. Inconformada com a cobrança, a pessoa jurídica "Z" decide apresentar impugnação. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 76 Verificando a inexistência de outros débitos, após a regular apresentação da impugnação, a pessoa jurídica "Z" requer a emissão da certidão de regularidade fiscal (no caso, Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa) que lhe é negada, sob o argumento de que, para a sua emissão, seria necessário o depósito do montante integral do crédito cobrado. Diante desta situação, responda aos itens a seguir. A) Está correto o lançamento do imposto pelo Município "M"? (Valor: 0,60) B) A pessoa jurídica "Z" tem direito à certidão de regularidade fiscal? (Valor: 0,65) Gabarito Comentado A) Não está correto o lançamento do imposto, uma vez que o ITBI não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, nos termos do Art. 156, § 2º, I, da Constituição. B) A resposta é afirmativa, uma vez que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo,suspendem a exigibilidade do crédito tributário, conforme Art. 151, III, do CTN, assegurando ao contribuinte a emissão da certidão de regularidade fiscal. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Não, uma vez que o ITBI não incide sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de incorporação de pessoa jurídica (0,55), nos termos do Art. 156, § 2º, I, da Constituição Federal e/ou do Art. 36, II, do CTN (0,10). 0,00/0,55/0,65 B) Sim, tendo em vista que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito (0,30), conforme Art. 151, III, do CTN (0,10), o que assegura o direito à certidão regularidade fiscal (0,20). 0,00/0,60/0,70 Gabaritando o XXII Exame de Ordem / 2ª Questão Em 2015, devido a uma grande enchente que assolou o município X, foi aprovada uma lei que reabria, por um ano, o prazo de pagamento do IPTU já vencido dos contribuintes proprietários de imóveis localizados nas áreas atingidas pela enchente. Com base nessa situação, responda aos itens a seguir. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 77 A) Qual o nome do instituto tributário utilizado para ajudar os contribuintes das áreas mais atingidas pela enchente? Aponte o seu dispositivo legal. (Valor: 0,70) B) A lei poderia ter delimitado a aplicação desse instituto a apenas um conjunto de sujeitos passivos, como fez neste caso, aplicando-o somente aos contribuintes das áreas mais atingidas? (Valor: 0,55) Gabarito Comentado A) O instituto é o da moratória, que é uma das modalidades de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Caracteriza-se por ser uma prorrogação do prazo de pagamento de tributo pelo ente competente para instituí-lo. Está previsto no Art. 151, inciso I, e nos artigos 152 a 155, todos do CTN. B) Sim, a lei que institui a moratória pode delimitar os sujeitos passivos que dela se beneficiarão, na forma do Art. 152, parágrafo único, do CTN. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) O instituto é o da Moratória (0,60), conforme o Art. 151, I OU 152 a 155, todos do CTN (0,10). 0,00/0,60/0,70 B) Sim, a lei que institui a moratória pode delimitar os sujeitos passivos que serão por ela beneficiados (0,45), conforme o Art. 152, parágrafo único, do CTN (0,10). 0,00/0,45/0,55 Gabaritando o XXIII Exame de Ordem / 4ª Questão A sociedade empresária “X” foi autuada pelo Estado “Z” em 35% do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e de Serviços (ICMS) devido, em razão do preenchimento incorreto de determinado documento fiscal. Observadas diversas inconsistências no auto de infração, os advogados da sociedade impugnaram administrativamente a autuação. No curso do processo, nova lei foi publicada, estabelecendo nova penalidade para os casos de preenchimento incorreto de documentos fiscais, agora no percentual de 15% do valor do imposto. Ocorre que, embora pendente a decisão da impugnação, o fisco inscreveu a sociedade em dívida ativa, assinalando, no termo de inscrição, a penalidade anterior, de 35%. Com base nessas informações e de acordo com o disposto no CTN, responda aos itens a seguir. A) O fisco poderia ter inscrito o contribuinte em dívida ativa naquele momento? Justifique. (Valor: 0,65) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 78 B) O percentual da multa assinalado no ato de inscrição está correto? Fundamente. (Valor: 0,60) Gabarito Comentado A) Não. A impugnação administrativa é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, impedindo que o fisco inscreva o crédito tributário em dívida ativa, na forma do Art. 151, inciso III, c/c o Art. 201, ambos do CTN. B) Não. Deve ser aplicada ao contribuinte a penalidade da lei mais benéfica, no percentual de 15%, na forma do Art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Não. A impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário (0,55), na forma do Art. 151, III, OU do Art. 201, ambos do CTN (0,10). 0,00/0,55/0,65 B) Não. Deve ser aplicada a penalidade da lei mais benéfica (0,50), na forma do Art. 106, II, alínea “c”, do CTN OU Art. 5º, XL da CRFB/88 (0,10). 0,00/0,50/0,60 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 79 6. Extinção do Crédito Tributário Extinção do Crédito Tributário “O Código Tributário Nacional ocupa-se do assunto nos arts. 156 a 174, sob a rubrica “Extinção do Crédito Tributário”. Como por vezes mencionado, o crédito tributário não pode ser extinto sem que o seja o próprio vínculo obrigacional, vale dizer, sendo extinta a obrigação tributária principal, extintos estarão os respectivos crédito e débito.” Regina Helena Costa CTN, Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 80 Lista Exclusiva: Art. 141 & 111, I, CTN “O rol do art. 156 não é taxativo. Se a lei pode o mais (que vai até o perdão da dívida tributária)pode também o menos, que é regular outros modos de extinção do dever de pagar tributo.” Luciano Amaro Jurisprudência TRIBUTÁRIO. IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO. ESBULHO POSSESSORIO PRATICADO PELO PROPRIO MUNICIPIO QUE EXIGE OTRIBUTO. OS LITIGIOS POSSESSORIOS ENTRE PARTICULARES NÃOAFETAM A OBRIGAÇÃO DE PAGAR O IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO, RESOLVENDO-SE ENTRE ELES A INDENIZAÇÃO ACASO DEVIDA A ESSE TITULO; JA QUEM, SENDO CONTRIBUINTE NA SO CONDIÇÃO DE POSSUIDOR, E ESBULHADO DA POSSE PELO PROPRIO MUNICIPIO, NÃO ESTA OBRIGADO A RECOLHER O TRIBUTO ATE NELA SER REINTEGRADOPOR SENTENÇA JUDICIAL, A MINGUA DO FATO GERADOR PREVISTO NOART. 32/CTN, CONFUNDINDO-SE NESSE CASO O SUJEITO ATIVO E O SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. (STJ - AgRg no Ag: 117895 MG 1996/0044328-9, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 10/10/1996, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 29/10/1996 p. 41639). • Pagamento: Art. 156, I, 157 ao 164, CTN A) Pagamento cumulativo: Art. 157, CTN B) Desvinculação de presunções: Art. 158, CTN C) Local de Pagamento: Art. 159, CTN D) Prazo para Pagamento: Art. 160, CTN - Legislação Tributária & Desconto E) Aplicação dos Juros e Penalidades: Art. 161, CTN - Atualização Monetária - Índice de Juros de Mora: 1% a.m. - SELIC (REsp 1.205.811/CE) - Pendência de Consulta F) Meios de Pagamentos: Art. 162, CTN G) Imputação de Pagamento: Art. 163, CTN H) Consignação em Pagamento: Art. 164, CTN I) Repetição do Indébito: Art. 165, CTN - Tributos Indiretos (Art. 166, CTN) De Fato X De Direito 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 81 Súmula 546, STF. Cabe a restituição do tributo pago indevidamente,quando reconhecido por decisão, que o contribuinte "de jure" não recuperou do contribuinte "de facto" o "quantum" respectivo. (Superando a Súmula 71, STF). Juros, Penalidade & Correção (Art. 167, CTN) Súmula 162, STJ. Na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido. Súmula 188, STJ. Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. Obs.: Tributos Federais: SELIC (art. 39, §4º, Lei nº 9.250/95) Prazo para Repetição (Art. 168, CTN): 1º) 5 Anos da Extinção (“Teoria dos 5 + 5”) 2º) 5 Anos da Modificação - Prazo para Ação Anulatória de Denegação Administrativa: 2 Anos (Art. 169, CTN). Súmula 625, STJ. O pedido administrativo de compensação ou de restituição não interrompe o prazo prescricional para a ação de repetição de indébito tributário de que trata o art. 168 do CTN nem o da execução de título judicial contra a Fazenda Pública. Compensação: Arts. 156, II, 170, 170-A, CTN + Arts. 368 e 369, CC. A) Prestações Vencidas ou Vincendas B) Desconto na Antecipação: Art. 170, PÚ, CTN C) Necessidade de Trânsito em Julgado: Art. 170-A, CTN D) Qualquer Crédito Tributário (REsp 798.263/PR) E) Compensação “ex officio” (REsp 1.213.082/PR) Súmulas Súmula 212, STJ. A compensação de créditos tributários não pode ser deferida por medida liminar. Súmula 213, STJ. O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária. Súmula 460, STJ. É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 82 Súmula 461, STJ. O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. Transação: Art. 156, III, 171, CTN A) Conceito: Art. 840, CC B) Apenas na modalidade terminativa C) Necessidade de Lei autorizadora D) Existência combinada com outras formas E) Judicial & Extrajudicial Jurisprudência RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. O PARCELAMENTO DA DÍVIDA TRIBUTÁRIA NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO NÃO IMPLICA A EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO MAS A SUA SUSPENSÃO. 1. O parcelamento do débito na execução fiscal implica, tão-somente, a suspensão do processo, conservando-se perene a Certidão da Dívida Ativa a sustentar a execução até que se extinga a dívida, podendo operar-se a continuidade da execução fiscal pelo saldo remanescente, se o parcelamento não restar cumprido integralmente pelo sujeito passivo. 2. A figura do parcelamento não se confunde com a transação extintiva do crédito. A autocomposição bilateral ou transação é forma de extinção do crédito tributário, consoante determina o art. 156, III do CTN, implicando no término do direito da Fazenda Pública de cobrar a obrigação tributária. 3. Considerando que a transação é a forma pela qual as partes previnem ou terminam litígios mediante concessões mútuas, enquanto que o parcelamento é a mera dilação de prazo para o devedor honrar sua dívida, não há que falar em naturezas semelhantes. Ao revés, no parcelamento, a dívida ativa não se desnatura pelo fato de ser objeto de acordo de parcelamento, posto que não honrado o compromisso, retoma ela o os seus privilégios, incidindo a multa e demais encargos na cobrança via execução fiscal. 4. É novel regra assente no Código Tributário Nacional que o parcelamento do débito é meramente suspensivo. 5. Recurso especial provido (STJ - REsp: 514.351 PR 2003/0023163-7, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 20/11/2003, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 19.12.2003 p. 347). Remissão: Arts. 156, IV, 172, CTN + Arts. 385 ao 388, CC A) Medida Excepcional; B) Necessidade de Lei Específica: Art. 150, §6º, CF; C) Aplicação ao Crédito Tributário; D) Diferenciação perante Anistia; E) Aplicação do Art. 155, CTN 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 83 HI Hipótese de incidência FG Fato Gerador LÇ Lançamento Tributário CT Crédito Tributário EF Execução Fiscal Conversão depósito em renda: Art. 156, VI, CTN; Consequência da suspensão (Art. 151, II, CTN); Pagamento Antecipado e Lançamento por Homologação: Art. 156, VII, Art. 150, CTN; Consignação em Pagamento julgada procedente: Art. 156, VIII, Art. 164, CTN. Decisão Administrativa: Art. 156, IX, CTN; Decisão Judicial: Art. 156, X, CTN; Dação em Pagamento de Bens Imóveis: Art. 156, XI, CTN. Decadência x Prescrição Decadência: Art. 156, V, 173, 150, CTN A) Aplicação Temporal: Lançamento Tributário B) Regra de Extinção/Exclusão C) Espécies - Regra Geral (Art. 173, I, CTN); - Antecipação (Art. 173, PÚ, CTN); - Anulação Vício Formal (Art. 173, II, CTN). D) Prazo no Lançamento por Homologação: Posição adotada pelo STJ - Pagamento (Art. 150, §4º, CTN); - Não ocorreu pagamento, não ocorreu declaração (Art. 173, I, CTN + Súmula nº 555, STJ); 5 ANOS Decadência 5 ANOS Prescrição 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 84 - Não ocorreu pagamento, mas apresentou declaração (Súmula nº 436, STJ). Prescrição: Art. 156, V, 174, CTN A) Aplicação Temporal: Constituição Definitiva B) Casos de Interrupção( Art. 174, PÚ, CTN) Súmula 106, STJ. Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência. Súmula 622, STJ. A notificação do auto de infração faz cessar a contagem da decadência para a constituição do crédito tributário; exaurida a instância administrativa com o decurso do prazo para a impugnação ou com a notificação de seu julgamento definitivo e esgotado o prazo concedido pela Administração para o pagamento voluntário, inicia-se o prazo prescricional para a cobrança judicial. Prescrição Intercorrente: Art. 40, LEF - Momento Súmula 314, STJ. Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende- se o processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição quinquenal intercorrente. Gabaritando o XIV Exame de Ordem /1ª Questão Ocorre o fato gerador do imposto sobre transmissão causa mortis e doação (ITCMD) em 15.01.2001. Como não houve o recolhimento do imposto devido nem declaração por parte do contribuinte, em 17.07.2006 a Fazenda Estadual realiza o lançamento de ofício do imposto, dando ciência ao contribuinte. Após a interposição tempestiva de impugnação administrativa pelo contribuinte contra o lançamento e trâmite regular do processo administrativo tributário, o crédito foi constituído definitivamente em 10.06.2007, sendo o sujeito passivo notificado, pessoalmente, na mesma data. Em razão de o valor do crédito tributário estar abaixo do limite de ajuizamento previsto na legislação estadual para a sua cobrança judicial, a Fazenda Estadual não ajuizou a respectiva Execução Fiscal. Em 24.07.2012, a fim de regularizar sua situação junto ao Fisco, o contribuinte realiza o pagamento da dívida. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 85 A) Na data em que foi realizado o pagamento, o crédito tributário estava decaído? (Valor: 0,40) B) Na data em que foi realizado o pagamento, o crédito tributário estava prescrito? (Valor: 0,40) C) Caso efetue o pagamento de um crédito prescrito, pode o contribuinte pleitear a restituição da quantia que foi paga? (Valor: 0,45) Gabarito Comentado A) No caso em tela, não se pode falarem decadência. Com efeito, nos termos do Art. 173, inciso I, do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 05 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Como o lançamento poderia ser realizado no exercício de 2001, já que o fato gerador foi praticado 15/01/2001, o prazo de 05 anos iniciou-se no primeiro dia útil do exercício seguinte, ou seja, 01/01/2002. Dessa forma, como o lançamento foi realizado em 17/07/2006, não transcorreram os 05 anos previstos no CTN para a extinção do direito da Fazenda Pública constituir o crédito. B) No que concerne à prescrição, o artigo 174, do CTN, estabelece que a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 05 anos contados da data da sua constituição definitiva. O crédito em questão foi definitivamente constituído em 10/06/2007. Portanto, em 24/07/2012, quando foi efetuado o pagamento, a dívida já estava prescrita. C) Nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN, a prescrição extingue o crédito tributário. Assim, se na data do pagamento o crédito tributário já estava extinto, pode-se afirmar que o pagamento é indevido. Em sendo indevido, o contribuinte pode pleitear a restituição da quantia paga nos termos do Art. 165 do CTN. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) No caso em tela, não se pode falar em decadência. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 05 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Como o lançamento poderia ser realizado no exercício de 2001, já que o fato gerador foi praticado15/01/2001, o prazo de 05 anos iniciou-se no primeiro dia útil do exercício seguinte, ou seja, 01/01/2002. Dessa forma, como o lançamento foi realizado em 17/07/2006, não transcorreram os 05 anos previstos no CTN para à extinção do direito da Fazenda Pública constituir o crédito. (0,30), nos termos do Art. 173, inciso |, do CTN. (0,10) 0,00/0,30/0,40 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 86 B) No que concerne à prescrição, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 05 anos contados da data da sua constituição definitiva. O crédito em questão foi definitivamente constituído em 10/06/2007. Portanto, em 24/07/2012, quando foi efetuado o pagamento, a dívida já estava prescrita (0,30), nos termos do artigo 174 do CTN (0,10). 0,00/0,30/0,40 C1) A prescrição extingue o crédito tributário. Assim, se na data do pagamento o crédito tributário já estava extinto, pode-se afirmar que o pagamento é indevido (0,25), nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN (0,05). 0,00/0,25/0,30 C2) Em sendo indevido, o contribuinte pode pleitear a restituição da quantia paga (0,10), nos termos do Art. 165 do CTN. (0,05). 0,00/0,10/0,15 Gabaritando o X Exame de Ordem / 4ª Questão A Empresa JLMS Ltda. possui crédito no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), em face da unidade federativa XYZ onde mantém a sede de seu estabelecimento comercial, sendo tal crédito oriundo de um precatório judicial resultante de ação por desapropriação. Todavia, a empresa aqui cuidada encontra-se em débito com o Estado XYZ, em razão do não pagamento de ICMS no montante de 450.000,00. Até o presente momento, a legislação estadual aplicável ao contribuinte em pauta somente prevê como forma de extinção do crédito de ICMS o pagamento em dinheiro conforme prazo e condições. À vista disso, responda, justificadamente, utilizando todos os fundamentos jurídicos aplicáveis à espécie. A) Qual a forma de extinção do crédito tributário que se amolda a liquidação do aludido débito do ICMS com a utilização do crédito oriundo do referido precatório judicial? (Valor: 0,70) B) Com base na resposta contida na letra A, a referida empresa poderia liquidar o seu débito do ICMS fundado no crédito contido no aludido precatório judicial. (Valor: 0,55) Gabarito Comentado A) A modalidade de extinção do crédito tributário referida na questão é a compensação tributária prevista no art. 156, II e art. 170 todos do CTN, em outras palavras, os valores 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 87 decorrentes do precatório judicial a que faz jus o contribuinte poderiam ser compensados com o valor resultante do débito do ICMS que mantém perante o Estado ao mesmo tempo devedor e credor da empresa em relação às respectivas obrigações; B) Não poderia ser efetuada a compensação tributária nesse caso, pois não se amolda à previsão do art. 170 do CTN. Somente seria possível se houvesse previsão expressa, o que não ocorre à luz do caso em tela. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Trata-se de compensação tributária (0,40) prevista no Art. 156, Il e/ou art. 170 todos do CTN (0,30). 0,00/0,30/ 0,40/0,70 B) Não poderia ser efetuada a compensação tributária nesse caso, pois não se amolda à previsão do art. 170 do CTN (0,30). Somente seria possível se houvesse previsão expressa, o que não ocorre à luz do caso em tela. (0,25) 0,00/0,25/0,30/ 0,55 Gabaritando o II Exame de Ordem / 1ª Questão MÁRIO ROBERTO possui terreno limítrofe entre as zonas urbana e rural do município de Pedra Grande. No ano de 2009, ele recebeu o carnê do IPTU, emitido pela Secretaria de Fazenda de Pedra Grande, e também foi surpreendido com a cobrança do ITR sobre a mesma parcela do imóvel. Como advogado de MÁRIO ROBERTO discorra sobre a ação judicial mais adequada para a defesa de seu interesse. Aponte quem deve figurar no polo passivo da ação e de quem é a competência para o julgamento. Gabarito Comentado A) Nos termos do art. 164, III do CTN, a ação de consignação em pagamento é a via mais adequada para garantir que este seja efetuado ao ente competente; B) a União e o Município de Pedra Grande devem figurar no pólo passivo da consignatória em litisconsórcio passivo obrigatório; 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 88 C) a competência será da Justiça Federal, por força do disposto na CF art. 109, I. O candidato que informar a competência da Justiça Estadual somente deve receber a pontuação se justificar a prorrogação de competência ante a possível ausência de vara federal no município. Espelho de Pontuação Item Pontuação Ação de Consignação em Pagamento Art. 164, III CTN 0/0,3/0,5 Litisconsórcio passivo necessário 0/0,2 Competência Federal; Competência Estadual se ausente vara federal (0,30) com o artigo - 109,I DA CF - ponto cheio,sem o artigo tirar (0,10) só considerar a segunda opção de competência (justiça estadual) se justificar a prorrogação 0/0,2/0,3 Gabaritando o XXVII Exame de Ordem / 3ª Questão Uma fábrica montadora de automóveis recolheu, em lugar de uma concessionária de automóveis, o ICMS devido na venda dos veículos ao consumidor final, incluindo o valor total do ICMS recolhido na nota fiscal emitida para a concessionária, sendo tais valores repassados ao consumidor no preço final. Posteriormente, verificou-se que a base de cálculo sobre a qual incidiu o ICMS estava equivocada, tendo a montadora recolhido valor a maior ao fisco. Diante desse quadro, responda aos itens a seguir. A) Que tipo de responsável tributário é essa montadora em relação à concessionária? Indique o fundamento legal. (Valor: 0,50) B) A montadora, que recolheu sozinha o tributo, possui legitimidade para pleitear a repetição de indébito tributário? Justifique. (Valor: 0,75) Gabarito Comentado A) A montadora é responsável tributária na modalidade de "substituta"§ 3º, do ADCT. Espelho de Pontuação 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 7 Item Pontuação A1. Não. Cabe a Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, definido, inclusive em relação ao IPVA, os receptivos fatos geradores, bases de cálculos e contribuintes (0,25), de acordo com o art. 146, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal da República (0,10). 0,00/0,25/0,35 A2. Uma medida provisória não pode veicular normas gerais sobre o IPVA, por se tratar de matéria reservado à Lei Complementar (0,25), nos termos do art. 62, § 1º, inciso III da CF/88 (0,10) 0,00/0,25/0,35 B. Sim. Inexistindo normas gerais relativas ao imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA), o legislador estadual, no contexto da competência plena sobre a matéria (0,30), nos termos do artigo 24, § 3º, da Constituição da República (0,15) e art 34, § 2º do ADCT (0,10). 0,00/0,30/0,40/0,45/0,55 Gabaritando o VIII Exame de Ordem / 3ª Questão Lei Estadual publicada em 12/05/2011 estabeleceu, entre outras providências, novo critério para apuração da base de cálculo do ICMS, no sentido de que o valor correspondente aos descontos incondicionais nas operações mercantis deve ser integrado à respectiva base de cálculo do ICMS. À vista disso, alguns jornais especializados em economia noticiaram que a aludida lei seria inconstitucional, visto que lei ordinária não poderia tratar de base de cálculo do ICMS, sendo 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 8 matéria reservada à lei complementar. Nesse caso, a notícia divulgada está correta? Justifique, com o apontamento de todos os dispositivos legais pertinentes. (Valor: 1,25) Gabarito Comentado Inicialmente o gabarito destaca o artigo 146, III A da CRFB, eis que neste dispositivo há expressa referência à lei complementar como a ferramenta legislativa própria para fixar base de cálculo dos impostos. Nesse caso, a Lei Complementar que disciplina matéria relativa ao ICMS é a Lei Complementar n. 87/96, dispondo em seu art. 13, parágrafo 1º, inciso II, letra “a”, que o valor correspondente à base de cálculo do ICMS inclui “seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição”. Em outras palavras, os descontos incondicionais não deverão ser incluídos na base de cálculo do referido imposto, já dispondo o STJ da Súmula n. 457 que veda a inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do referido imposto. Conclui-se, portanto, que a referida lei é inconstitucional. Espelho de Pontuação Item Pontuação Art. 146, inciso III, letra “A” da CRFB. 0,00/0,25/0,35 Art. 13, parágrafo 1º, inciso II, letra a, Lei Complementar nº 87/96. 0,00/0,50 Súmula nº 457/STJ. 0,00/0,50 Taxas • Fato Geradores • Art. 145, II, CF + Art. 77, CTN. • Tributo vinculado/contraprestacional. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 9 Taxas Serviço Público Efetivamente utilizado Art. 79, I, "a", do CTN. Potencialmente disponível Art. 79, I, "b", do CTN Poder de Polícia Art. 78 do CTN Competência CTN, Art. 80. Para efeito de instituição e cobrança de taxas, consideram-se compreendidas no âmbito das atribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, aquelas que, segundo a Constituição Federal, as Constituições dos Estados, as Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios e a legislação com elas compatível, competem a cada uma dessas pessoas de direito público. Espécies *Para todos verem: esquema. Taxa de Poder de Polícia • Conceito de Poder de Polícia (Art. 78, CTN) • Limitações de Liberdades individuais em prol do interesse da coletividade. • Regularidade (Art. 78, PÚ, CTN) • Potencial X Presumida Constitucional. Tributário. Taxa de localização e funcionamento. Hipótese de incidência. Efetivo exercício de poder de polícia. Ausência eventual de fiscalização presencial. Irrelevância. Processual civil. Agravo regimental. 1. A incidência de taxa pelo exercício de poder de polícia pressupõe ao menos (1) competência para fiscalizar a atividade e (2) a existência de órgão ou 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 10 Taxa de Serviços Públicos Específico e Divisível Efetivamente Prestado Potencialmente Disponível aparato aptos a exercer a fiscalização. 2. O exercício do poder de polícia não é necessariamente presencial, pois pode ocorrer a partir de local remoto, com o auxílio de instrumentos e técnicas que permitam à administração examinar a conduta do agente fiscalizado (cf., por semelhança, o RE 416.601, rel. min. Carlos Velloso, Pleno, DJ de 30.09.2005). Matéria debatida no RE 588.332- RG (rel. min. Gilmar Mendes, Pleno, julgado em 16.06.2010. Cf. Informativo STF 591/STF). 3. Dizer que a incidência do tributo prescinde de “fiscalização porta a porta” (in loco) não implica reconhecer que o Estado pode permanecer inerte no seu dever de adequar a atividade pública e a privada às balizas estabelecidas pelo sistema jurídico. Pelo contrário, apenas reforça sua responsabilidade e a de seus agentes. 4. Peculiaridades do caso. Necessidade de abertura de instrução probatória. Súmula 279/STF. Agravo regimental ao qual se nega provimento (RE 361.009 AgR, 2ª Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 31.08.2010, DJe 217, divulg. 11.11.2010, public. 12.11.2010, Ement. vol-02430-01, p. 87). Taxa de Serviços Públicos *Para todos verem: esquema. Base de Cálculo Art. 145, §2º, CF/88 X Art.77, P. Ú., CTN Súmula Vinculante 29. É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 11 Súmula nº 595, STF. É inconstitucional a taxa municipal de conservação de estradas de rodagem cuja base de cálculo seja idêntica à do imposto territorial rural. Entendimento Sumulado Taxa de Limpeza Pública: Súmula Vinculante nº 19. A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal. Taxa de Iluminação Pública: Súmula Vinculante nº 41. O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa (Súmula 670, STF) • Taxa de Matrícula em Universidades Públicas • Súmula Vinculante nº 12. A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto no art. 206, IV, da Constituição Federal. • Taxa de Segurança Pública • (Art. 144, V, CF) • (ADIn 1.942/PA) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 12 Taxa de Segurança Pública O São Paulo ganhou uma ação na Justiça contra a Taxa de Fiscalização e Serviços Diversos (TFSD) cobrada pela Polícia Militar, referente aos efetivos utilizados para garantir a segurança no estádio em dias de jogos. Por meio de seu departamento jurídico, o Tricolor deu entrada no caso em novembro de 2017 e pediu o ressarcimento dos valores pagos até então. A previsão é de que o clube receba cerca de R$ 7 milhões de compensação pelos últimos cinco anos. "Garantir a segurança ao cidadão é dever do estado, e o policiamento nos estádios(substituição tributária), nos termos do Art. 128 do CTN: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 89 lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação“. B) Em regra, a montadora não possui legitimidade para pleitear a repetição de indébito tributário, pois transferiu o encargo financeiro a terceiros, salvo se destes terceiros obtiver a autorização para pedir a restituição do tributo, como estabelece o Art. 166 do CTN. No caso, o ICMS é um tributo indireto que comporta tal transferência por previsão legal. A montadora inseriu na Nota Fiscal o valor do ICMS recolhido, transferindo-o para terceiros. Somente se tivesse a autorização dos terceiros ela teria legitimidade. Assim também a Súmula 546 do STF: "Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo". Espelho de Pontuação Item Pontuação A) A montadora é responsável tributária na modalidade de "substituta" (substituição tributária) (0,40), nos termos do Art. 128 do CTN OU Art. 150, $ 7º, da CRFB/88 OU Art. 6º. da LC 87/96 (0,10) 0,00/0,40/0,50 B) A montadora poderá pleitear a repetição de indébito apenas se obtiver a autorização daqueles para quem transferiu o encargo financeiro do tributo (0,65), como estabelece o Art. 166 do CTN OU Súmula 546 do STF (0,10) 0,00/0,65/0,75 Gabaritando o XX Exame de Ordem / 1ª Questão Em 2015, a pessoa jurídica "X" verificou a existência de débito de Imposto sobre a Renda (IRPJ) não declarado, referente ao ano calendário de 2012. Antes do início de procedimento administrativo ou medida de fiscalização, realizou o pagamento do tributo devido, acrescido dos juros de mora. Ao constatar o pagamento, a União notificou a contribuinte para que pagasse multa sancionatória incidente sobre o tributo pago extemporaneamente. Adicionalmente, efetuou o lançamento do IRPJ referente ao ano calendário 2008, que também não havia sido declarado nem pago pela contribuinte. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 90 Diante disso, responda aos itens a seguir. A) Está correta a cobrança da multa? (Valor: 0,60) B) É correta a cobrança do IRPJ referente ao ano calendário 2008? (Valor: 0,65) Gabarito Comentado A) Não está correta a cobrança da multa, uma vez que, de acordo com o Art. 138 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Nesse sentido o julgamento, pelo STJ, sob o rito dos Repetitivos, do Resp nº 1.149.022-SP. B) Não está correta a cobrança do IRPJ referente ao ano calendário de 2008, uma vez que se trata de crédito tributário atingido pela decadência, na forma do Art. 173, inciso I, do CTN. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Não, pois a multa é afastada pela denúncia espontânea (0,55), conforme o Art. 138 do CTN (0,10). 0,00/0,55/0,65 B) Não, pois se trata de crédito tributário atingido pela decadência (0,50), na forma do Art. 173, inciso |, do CTN OU Sumula 555 do STJ (0,10). 0,00/0,50/0,60 Gabaritando o XII Exame de Ordem /2ª Questão A empresa XYZ deixou de declarar e pagar imposto sobre a renda, devido no ano calendário 2006. No início de 2013, a empresa decidiu incluir todos os valores não declarados e não pagos em um parcelamento previsto em lei federal assinando, para tanto, termo de confissão de dívida. Após quitação integral do parcelamento, a empresa XYZ percebeu que, antes mesmo da inclusão dos valores no referido programa, os débitos já tinham sido atingidos pela decadência, tendo em vista que em nenhum momento houve a constituição do crédito através do lançamento. Diante disso, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 91 A) Considerando o instrumento de confissão de dívida assinado pelo contribuinte, bem como a quitação integral do tributo, é possível que o contribuinte pleiteie a restituição dos valores que foram atingidos pela decadência? (Valor 0,80) B) Tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação não pago e não declarado, que dispositivo do Código Tributário Nacional é aplicável para regular a contagem do prazo para o Fisco realizar o lançamento? (Valor 0,45) Gabarito Comentado A) O examinando deve afirmar que a decadência é forma de extinção do crédito tributário, incidindo, neste caso, o disposto no Art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Nesse contexto, o instrumento de confissão de dívida assinado pelo contribuinte não tem o condão de restabelecer o crédito tributário, havendo inclusive entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo Sendo assim, é possível que a pessoa jurídica “XYZ” pleiteie a restituição dos valores que foram atingidos pela decadência. B) O prazo é regido pelo Art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Conforme assentado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta- se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) É possível pleitear a restituição dos valores, pois a decadência é forma de extinção do crédito tributário (0,30), conforme disposto no Art. 173, |, ou Art. 156, V do Código Tributário Nacional (0,20) e o instrumento de confissão de dívida assinado pelo contribuinte não é 0,00/0,30/0,50/ 0,60/0,80 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 92 capaz de constituir o crédito tributário nem de restabelecer à sua exigibilidade (0,30). B) O prazo é regido pelo Art. 173, |, do Código Tributário Nacional, havendo inclusive posicionamento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. (0,45) 0,00/0,45 Gabaritando o VII Exame de Ordem / 1ª Questão Em 20/05/95, a Receita Federal, em decorrência de fiscalização realizada na sede da empresa ABC, constatou que a empresa não havia declarado, e consequentemente recolhido, a COFINS referente a todos os meses do exercício de 1990. Notificada a empresa, esta impugnou, sem sucesso, o auto de infração e, depois, recorreu administrativamente ao Conselho de Contribuintes. Em 20/07/04, adveio a decisão definitiva, confirmando o ato da autoridade tributária, sendo a empresa notificada da referida decisão na própria data. A União Federal ajuizou execução fiscal relativa ao crédito em 20/06/2009, sendo que o despacho de citação foi exarado em 20/08/10, entretanto, não encontrada de pronto a executada, a exequente não mais movimentou o processo. Examine as questões envolvidas e responda aos itens a seguir, utilizando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. A) Analise a constituição do crédito tributário pelo Fisco, referindo se ocorreu de forma regularou não, bem como se adveio dentro do prazo legal. (valor: 0,30) B) Houve, na hipótese, interrupção ou suspensão do prazo de cobrança do crédito fiscal? (valor: 0,50) C) A propositura da execução em 20/06/2009 e o despacho de citação em 20/08/2010 resguardarão o direito da Fazenda Pública? (valor: 0,45) Gabarito Comentado A) A constituição do crédito tributário ocorreu de forma regular pelo Fisco, pois como a empresa não havia declarado qualquer valor a recolher a título de COFINS, deve ser aplicada a regra prevista no artigo 173, I do CTN, que estipula que o prazo decadencial somente se inicia no primeiro dia útil do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Assim, não se verificou a decadência do direito de lançar o tributo. B) Houve, inicialmente, suspensão do prazo de cobrança com a apresentação de impugnação administrativa que conforme previsto no artigo 151, III do CTN, suspende a 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 93 exigibilidade do crédito tributário, o qual somente retoma a sua plena exigibilidade após a sua constituição definitiva, ocorrido após o término do processo administrativo. Portanto, conforme previsto no artigo 174 do CTN, a execução fiscal deve ser ajuizada no prazo de 5 (cinco) anos a contar do encerramento do processo administrativo, sob pena de restar caracterizada a ocorrência de prescrição. No presente caso, o primeiro ato que interrompeu a fluência do prazo prescricional ocorreu com a determinação de citação do devedor. Como a executada não foi encontrada, o processo deve ser suspenso na forma do artigo 40 da LEF Lei n. 6830/80. C) Como a execução fiscal foi ajuizada antes do prazo prescricional, o crédito tributário exigido através da presente execução não se encontra prescrito, já que a demora na citação decorreu de motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, na forma da Súmula 106 do STJ. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Constituição regular do crédito (0,15); Contagem do prazo decadencial ou Art.173, I, do CTN (0,15) 0,00/0,15/0,30 B) Suspensão do prazo prescricional. OU Artigo 151, III do CTN (0,20); Prescrição interrompida pelo despacho do Juiz que ordena a citação OU Artigo 174, | do CTN com a redação LC 118/05 (0,20); Art. 40 da LEF Lei nº 6830/80 (0,10) 0,00/0,10/0,20/0,30/ 0,40/0,50 C) Resguardado o direito da Fazendo (0,20) e Súmula 106 do STJ (0,25). 0,00/0,20/0,25/ 0,45 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 94 7. Exclusão do Crédito Tributário Exclusão do Crédito Tributário “Exclusão do crédito tributário significa hipótese em que a Fazenda, por força de lei, está impedida de promover o lançamento e a consequente exigência tributária. É dizer, em virtude da inexigibilidade da dívida, prevista em lei, impede-se que a Fazenda formalize o crédito, que por isso se diz excluído. Casos de exclusão do crédito tributário seriam, pois, hipóteses em que não se pode formalizar o crédito por meio do lançamento.” João Marcelo Rocha CTN, Art. 175. Excluem o crédito tributário: I - a isenção; II - a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. • Lista Exclusiva: Art. 141 & 111, I & II, CTN; • Interpretação Literal: REsp 1.031.259/DF; • Necessidade de Lei Específica: Art. 150, §6º, CF; • Obrigações Acessórias: Art. 175, §Único, CTN. Isenção: Art. 175, I, 176, 177, 178, 179, CTN 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 95 “A isenção é um instrumento de política fiscal por meio do qual o Estado desonera a tributação sobre determinadas situações, bens ou pessoas. Dessa forma, a decisão de instituir ou não a isenção é um ato discricionário da Administração.” Rodrigo Moreira Lopes A) Necessidade de Lei, condições & requisitos (Art. 176, CTN) - Conselho de Política Fiscal (REsp 19.386/SP); B) Restritiva de Região (Art. 176, §Único, CTN) - Aplicação à União (Art. 151, I, CF); C) Aplicação aos Impostos, Taxas & Contribuições de Melhoria (Art. 177, I, CTN); D) Aplicação aos Tributos futuros (Art. 177, II, CTN); E) Atuação do Poder Judiciário: Princínpio da Isonomia. Isenção Onerosa (Art. 178, CTN): - Requisitos Cumulativos - Revogação da Lei - Aplicação da Revogação Súmula nº 544, STF. Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. Geral & Individual (Art. 179, CTN) - Diferenças; - Aplicação aos Tributos lançados por período certo de tempo (§1º); - Ausência de Direito Adquirido (§2º). Jurisprudência TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISENÇÃO. ENTIDADE FILANTRÓPICA. DECRETO PRESIDENCIAL DE RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA. EFEITOS EX TUNC. INEXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. O ato declaratório de utilidade pública, indispensável à isenção das contribuições previdenciárias, tem efeito retroativo à data em que a entidade reunia os pressupostos legais para o reconhecimento desta qualidade. 2. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ - REsp: 763435 RS 2005/0107640-0, Relator: Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Data de Julgamento: 23/08/2005, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 05/09/2005 p. 322). Súmula 627, STJ. O contribuinte faz jus à concessão ou à manutenção da isenção do imposto de renda, não se lhe exigindo a demonstração da contemporaneidade dos sintomas da doença nem da recidiva da enfermidade. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 96 Anistia: Art. 175, II, 180, 181, 182, CTN “Anistia é o perdão de infrações, do que decorre a inaplicabilidade da sanção. Não é a sanção que é anistiada; o que se perdoa é o ilícito; perdoado este, deixa de ter lugar a sanção; o perdão, portanto, toma o lugar da sanção, obstando a que esta seja aplicada.” Luciano Amaro A) Aplicação à infrações Anteriores (Art. 180, CTN) - Instituto diferente da Remissão B) Vedações (Incisos I & II): I. Crime ou Contravenção; II. Dolo, Fraude ou simulação; III. Conluio C) Anistia Geral ou Limitada (Art. 181, CTN) D) Procedimento (Art. 182, CTN) E) Revogação (Art. 182, PÚ, CTN) - Necessidade de PAT (AgRg Ag 431.059/PR) Jurisprudência AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. REVOGAÇÃO DE ANISTIA FISCAL POR OCORRÊNCIA DE FRAUDE. NECESSIDADE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO PARA APURAR SE HOUVE QUALQUER DAS RESSALVAS DO ART. 180, DO CTN. PRECEDENTES DO STJ. 1) A jurisprudência da Primeira Seção sedimentou entendimento de que somente deve ser repudiada por ilegalidade a revogação da anistia se não engendrado o procedimento administrativo com obediência ao contraditório e ao devido processo legal. Lícito é a revogação da anistia. Se inocorridas, in casu, comprovação do desatendimento das garantias pétreas- constitucionais obedecido o contraditório. 2) Manifesta-se a falta do interesse recursal no agravo que pretende fazer ascender à Corte recurso especial cuja pretensão de reforma afronta jurisprudência predominante. 3) Agravo regimental desprovido. (STJ - AgRg no Ag: 431.059/PR, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 13/08/2002, T1 - PRIMEIRA TURMA). Gabaritando o XXIX Exame de Ordem / 4ª Questão José da Silva, aposentado, foi acometido de neoplasia maligna (câncer), doença prevista em lei como moléstia grave e que autoriza a concessão de isenção de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física sobre os proventos de aposentadoria. Ele apresentou seus exames e laudos de seus médicos particulares, requerendo à Receita Federal doBrasil que a isenção fosse reconhecida. O Fisco federal, contudo, negou o pedido, exigindo que fosse apresentado laudo médico oficial, e não de médicos privados. Diante da negativa, José da Silva buscou a declaração do seu direito à isenção pela via judicial. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 97 Diante desse quadro, responda aos itens a seguir. A) A apresentação de laudo médico oficial é imprescindível para o reconhecimento judicial da isenção? (Valor: 0,55) B) Se, após o tratamento adequado, José da Silva não apresentar mais sintomas da enfermidade, a isenção deverá ser revogada por ele não cumprir mais o requisito de ser portador de moléstia grave, nos termos do Art. 179, § 2º, do CTN? (Valor: 0,70) Gabarito Comentado A) Não, a apresentação de laudo médico oficial não é o único meio de prova habilitado à comprovação da existência de moléstia grave para fins de isenção de imposto, não sendo imprescindível para o reconhecimento judicial da isenção, de acordo com a Súmula 598 do STJ: “É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto sobre a Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova.” B) Não, apesar da previsão do Art. 179, § 2º, do CTN, a isenção não deverá ser revogada, em razão da gravidade da doença (que sempre inspira acompanhamento constante ou cuidados médicos ou medicamentosos posteriores), mesmo que a pessoa não apresente mais os sintomas do câncer após o tratamento, nos termos da Súmula 627 do STJ: “O contribuinte faz jus à concessão ou à manutenção da isenção do imposto sobre a renda, não se lhe exigindo a demonstração da contemporaneidade dos sintomas da doença nem da recidiva da enfermidade”. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Não, a apresentação de laudo médico oficial não é único meio de prova habilitado à comprovação da existência de moléstia grave para fins de isenção de imposto (0,45), cf. Súmula 598 do STJ (0,10) 0,00/0,45/0,55 B) A isenção não deve ser revogada, mesmo que a pessoa não apresente mais os sintomas da doença pós tratamento (0,60), cf. Súmula 627 do STJ (0,10) 0,00/0,60/0,70 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 98 Gabaritando o III Exame de Ordem / 4ª Questão O Estado de São Paulo, em razão da necessidade emergencial de conseguir novos recursos para pagar o 13º salário do funcionalismo público, decide extinguir benefícios fiscais outrora concedidos e que acarretam diminuição da arrecadação. Dessa forma, é aprovada a Lei 2.000, publicada em 30 de março de 2007, que determina a imediata revogação de isenção do ICMS concedida aos comerciantes de leite e seus derivados, passando a ser aplicada a alíquota de 18% sobre a venda dos produtos em geral, conforme já previsto no ordenamento jurídico estadual. A empresa Longa Vida Laticínios Ltda. não recolhe o tributo e é autuada pelo Fisco Estadual em janeiro de 2008, que exigiu o ICMS de abril até dezembro do ano anterior. Com base nesse cenário, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso, discorra sobre a legalidade da exigência do ICMS para a empresa Longa Vida Laticínios Ltda. Gabarito Comentado Primeira Possibilidade de resposta: A revogação de uma isenção equivale à instituição de um novo tributo, de forma que se deve respeitar o princípio da anterioridade. Segunda Possibilidade de resposta: Funda-se na posição do Supremo Tribunal Federal segundo o qual, com base no artigo 178, a isenção, salvo a concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo, observando o disposto no inciso III do artigo 104 do CTN. Espelho de Pontuação Item Pontuação Obrigatoriedade de celebração de convênios. (0,25) Art. 155, § 2º, XII, “g”, da CRFB, OU LC 24/75. (0,25) Princípio da Anterioridade (0,25). Art. 150, III, b, da CRFB OU art. 104, III, do CTN; 178 do CTN (0,25) 0,00/0,25/0,50/ 0,75/1,00 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 99 8. Garantias e Preferências do Crédito Tributário Garantias & Preferências “Nesse momento, estudaremos normatizações no Código Tributário Nacional que objetivam facilitar a atividade de cobrança do crédito tributário pelas respectivas Fazendas Públicas, elegendo garantias e privilégios.” Rafael Novais • Rol não taxativo e abstração da natureza jurídica: Art. 183, CTN • Privilégios sobre os Bens e Rendas do Sujeito Passivo: Art. 184, CTN. Exceções: I. Bens e Rendas Absolutamente Impenhoráveis (Art. 833, CPC) II. Créditos com Garantia Real na Falência (Art. 186, §Único, I, CTN) Jurisprudência RECURSO ESPECIAL. LOCAÇÃO. IMPENHORABILIDADE DE CRÉDITO RELATIVO À RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR PROVENIENTE DE SALÁRIO. NATUREZA ALIMENTAR DA VERBA AFERIDA NO TRIBUNAL LOCAL. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. É impenhorável o valor depositado em conta bancária proveniente de restituição do imposto de renda, cuja origem advém das receitas compreendidas no art. 649, IV, do CPC. 2. Havendo o acórdão estadual consignado que a fonte de incidência do imposto de renda era salarial, o acolhimento da pretensão recursal demandaria a alteração das premissas fático-probatórias estabelecidas pelo acórdão recorrido, com o revolvimento das provas carreadas aos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos do enunciado da Súmula 7 do STJ. 3. Recurso especial a que se nega seguimento. (STJ 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 100 REsp 1.150.738/MG, Relator: Ministro ADILSON VIEIRA MACABU (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RJ), Data de Julgamento: 21/06/2011, T5 - QUINTA TURMA) • Presunção de Fraude: Art. 185, CTN - Modificação LC 118/05 - Desnecessária Má-Fé (REsp 1.141.990/PR) - Exceção de Reserva de Bens (§Único) • Penhora On-Line: Art. 185-A, CTN - Desnecessidade de exaurimento de outras formas (ARE 693.288/MG) • Regras para Falência e Recuperação Judicial: Arts. 191, 191-A, CTN - Modificação LC 118/05 - Suspensão na Recuperação • Regra para Sentença de Partilha e Adjudicação: Art. 192, CTN • Licitação e Contratos: Art. 193, CTN - Arts. 27 e 29, Lei nº 8.666/93 • Preferência do Crédito Tributário: Art. 186, CTN 1º) Legislação/Acidente Trabalho 2º) Créditos Tributários • Preferência na Falência: Art. 186, PÚ, CTN + Lei nº 11.101/05 1º) Créditos Extraconcursais (Art. 84, Lei) 2º) Importâncias Restituíveis (Art. 85, Lei) 3º) Legislação/Acidente Trabalho até 150 SM (Art. 83, I, Lei) 4º) Créditos com garantia real - limite do bem (Art. 83, II, Lei) 5º) Crédito Tributário, exceção multas (Art. 83, VII, Lei) • Créditos Tributários Extraconcursais: Art. 188, CTN 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 101 • Inventario e Arrolamento: Art. 189, CTN • Liquidação Judicial ou Voluntária: Art. 190, CTN • Autonomia Execução Fiscal: Art. 187, CTN Jurisprudência PROCESSUAL - EXECUÇÃO FISCAL - MASSA FALIDA - BENS PENHORADOS - DINHEIRO OBTIDO COM A ARREMATAÇÃO - ENTREGA AO JUÍZO UNIVERSAL - CREDORES PRIVILEGIADOS. I - A decretação da falência não paralisa o processo de execução fiscal, nem desconstitui a penhora. A execução continuará a se desenvolver, até à alienação dos bens penhorados. II - Os créditos fiscais não estão sujeitos a habilitação no juízo falimentar, mas não se livram de classificação, para disputade preferência com créditos trabalhistas (Dl. 7.661/45, Art. 126) III - Na execução fiscal contra falido, o dinheiro resultante da alienação de bens penhorados deve ser entregue ao juízo da falência, para que se incorpore ao monte e seja distribuído, observadas as preferências e as forças da massa (STJ - REsp: 188148 RS 1998/0067254-0, Relator: Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS, Data de Julgamento: 19/12/2001, CE - CORTE ESPECIAL, Data de Publicação: DJ 27.05.2002) Concurso entre Sujeitos Ativos: Art. 187, PÚ, CTN + Art. 29, PÚ, LEF - Sequência Súmula nº 497, STJ. Os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da Fazenda estadual desde que coexistam penhoras sobre o mesmo bem. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 102 9. Administração Tributária e Certidões “O Código Tributário Nacional, na sua parte final, determina um conjunto de medidas administrativas, objetivando efetivação na atividade de fiscalização (arts. 194 ao 200, CTN), inscrição em dívida ativa (arts. 201 ao 204, CTN) e emissão de certidões (arts. 205 ao 208, CTN).” Rafael Novais Fiscalização CTN, Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica-se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. CTN, Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Dever de Exibição dos Livros Obrigatórios e Opcionais Análise quanto aos aspectos da investigação. Súmula nº 439, STF. Estão sujeitos a fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação. Investigação com vinculação na competência territorial (REsp nº 73.086/SP) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 103 Jurisprudência TRIBUTÁRIO. FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL. APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. ESTABELECIMENTOS SITUADOS EM OUTROS MUNICÍPIOS. 1. A fiscalização municipal deve restringir-se à sua área de competência e jurisdição. 2. Ao permitir que o Município de São Paulo exija a apresentação de livros fiscais e documentos de estabelecimentos situados em outros municípios, estar-se-ia concedendo poderes à municipalidade de fiscalizar fatos ocorridos no território de outros entes federados, inviabilizando, inclusive, que estes exerçam o seu direito de examinar referida documentação de seus próprios contribuintes. 3. Recurso parcialmente conhecido e não provido. (STJ - REsp: 73.086 SP 1995/0043366-4, Relator: Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Data de Julgamento: 17/06/2003, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 30/06/2003 p. 160) CTN, Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. Necessidade de lavratura do TIF Utilidade na Antecipação do Prazo Decadencial (Art. 173, §Único, CTN); Afasta espontaneidade da Denúncia Espontânea (Art. 138, §Único, CTN) CTN, Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III - as empresas de administração de bens; IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V - os inventariantes; VI - os síndicos, comissários e liquidatários; 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 104 VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Sigilo Bancário (RE 601314/SP) CTN, Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. § 1o Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. § 2o O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo. § 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: I – representações fiscais para fins penais; II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública; III – parcelamento ou moratória. CTN, Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestar-se-ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 105 CTN, Art. 200. As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública federal, estadual ou municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando necessário à efetivação dê medida prevista na legislação tributária, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção. Dívida Ativa • Conceito: Art. 201, CTN - Necessidade de vencimento - Inscrição realizada pelas Procuradorias • Elementos da Dívida Ativa: Art. 202, CTN +Art. 2º, §5º, LEF • Presunção de certeza e liquidez: Art. 204, CTN+ Art. 3º, LEF. - Presunção Juris Tantum (PÚ) • Nulidade & Substituição de CDA: Art. 203, CTN Súmula 392, STJ. A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução. • Certidão Negativa: Art. 205, CTN • Positiva com Efeitos de Negativa: Art. 206, CTN • Dispensa da Certidão: Art. 207, CTN • Responsabilidade na Expedição: Art. 208, CTN Súmulas Súmula nº 29, TFR. Os certificados de Quitação e de Regularidade não podem ser negados, enquanto pendente de decisão, na via administrativa, o débito levantado. Súmula nº 38, TFR. Os Certificados de Quitação e de Regularidade de Situação não podem ser negados, se o débito estiver garantido por penhora regular (CTN, art. 206). Súmula nº 446, STJ. Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa. Gabaritando o XV Exame de Ordem /2ª Questão 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 106 Em 2001, Caio Silva comprou um imóvel de Tício Santos. Em 2002, a Fazenda Nacional inscreveu em dívida ativa créditos decorrentes do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, que em 2000 haviam sido objeto de constituição definitiva contra Tício. Em 2007, a Fazenda Nacional ajuizou execução fiscal visando à cobrança dos créditos de IRPF. Após Tício ser citado sem garantir o Juízo, a Fazenda Nacional requereu a penhora do imóvel vendido a Caio, visto que a alienação foi realizada quando o fato gerador do IRPF já tinha ocorrido o que a tornaria, segundo a Fazenda Nacional, fraudulenta. A) Está correto o entendimento da Fazenda Nacional de que a alienação foi fraudulenta? (Valor: 0,65) B) Qual o argumento que Tício, contribuinte do IRPF, poderia alegar em sua defesa, em eventual oposição de embargos à execução? (Valor: 0,60) Gabarito Comentado A) Na hipótese analisada, a alienação do imóvel ocorreu antes da inscrição em dívida ativa. Sendo assim, tendo em vista o disposto no Art. 185, do CTN (“Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa”), não há de se falar em presunção de fraude. Portanto, o entendimento da Fazenda Nacional não está correto: a alienação não foi fraudulenta. B) Tício poderá alegar que os créditos cobrados na execução fiscal foram alcançados pela prescrição. Isso porque, conforme destacado no enunciado, os créditos foram constituídos em 2000. Sendo assim, a Fazenda teria até o ano de 2005, conforme previsto no Art. 174, do CTN, para cobrar os créditos tributários. No entanto, a execução fiscal somente foi ajuizada em 2007, quando os créditos já estavam prescritos. Súmula Recente Súmula 622, STJ. A notificação do auto de infração faz cessar a contagem da decadência para a constituição do crédito tributário; exaurida a instância administrativa com o decurso do prazo para a impugnação ou com a notificação de seu julgamento definitivo e esgotado o prazo concedido pela Administração para o pagamento voluntário, inicia-se o prazo prescricional para a cobrança judicial. Espelho de Pontuação Item Pontuação 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 107 A) Não. A alienação ocorreu antes da inscrição em dívida ativa e, sendo assim, não há que se falar em presunção de fraude (0,55), na forma do Art. 185, do CTN (0,10). 0,00/0,55/0,65 B) Tício deve alegar que os créditos estão prescritos desde 2005 (0,50), conforme previsto no Art. 174, do CTN (0,10). 0,00/0,50/0,60 Gabaritando o XVIII Exame de Ordem 4ª Questão Em dezembro de 2014, a pessoa jurídica W teve a falência decretada durante o seu processo de recuperação judicial, iniciado no mesmo ano, em virtude da não apresentação do plano de recuperação judicial no prazo previsto em lei. Considerando a ordem a ser observada na classificação dos créditos na falência, a União alegou que os créditos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devidos pela contribuinte, relativos aos exercícios de 2011 e 2012, deveriam ser pagos antes dos créditos extraconcursais. Diante disso, responda aos itens a seguir. A) Está correto o argumento da União? (Valor: 0,60) B) Após a decretação da falência, a cobrança judicial do crédito tributário pode prosseguir por meio de execução fiscal? (Valor: 0,65) Gabarito Comentado A) Não está correto o argumento da União, tendo em vista que, na falência, o crédito tributário não prefere aos créditos extraconcursais ou às importâncias passíveis de restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos créditos com garantia real, no limite do valor do bem gravado, conforme o Art. 186, parágrafo único, I, do CTN ou Art. 84, da Lei de Falências (Lei n. 11.101/05). B) Sim, a cobrança judicial do crédito tributário pode prosseguir por meio de execução fiscal, já que esta não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento, nos termos do Art. 187 do CTN. Ademais, de acordo com o Art. 5º da Lei nº 6.830/80 E/OU Art. 76, da Lei de Falências (Lei n. 11.101/05), a competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro juízo, inclusive o da falência. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 108 Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Não, pois, na falência, o crédito tributário não prefere aos créditos extraconcursais (0,50), nos termos do Art. 186, parágrafo único, |, do CTN OU Art. 84, da Lei de Falências (Lei n. 11.101/05) (0,10) 0,00/0,50/0,60 B1) Sim, pois a cobrança judicial tributária não está sujeita a habilitação em falência (0,25), nos termos do Art. 187 do CTN (0,10). 0,00/0,25/0,35 B2) A competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a do juízo da falência (0,20), conforme o Art. 5º da Lei nº 6.830/80 E/OU Art. 76, da Lei de Falências (Lei n. 11.101/05) (0,10). 0,00/0,20/0,30 Gabaritando o XV Exame de Ordem /3ª Questão O Município Z ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica X para cobrança de valores de Imposto sobre Prestação de Serviços (ISS), referentes ao ano-calendário 2013, recolhidos a menor. Verificando a improcedência de referida cobrança, o contribuinte apresenta embargos à execução, nos quais se insurge contra a pretensão da Fazenda e requer que lhe seja garantida a obtenção de certidão negativa de débitos. Em garantia da execução, o contribuinte realiza o depósito do montante integral do tributo cobrado. Os embargos à execução são julgados procedentes em primeira instância e, em face da sentença, a Fazenda interpõe apelação, que aguarda julgamento pelo Tribunal. Diante do caso apresentado, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. A) O contribuinte tem direito à certidão negativa de débitos (ou à certidão positiva com efeitos de negativa) antes da sentença de primeira instância que lhe foi favorável? (Valor: 0,80) B) O contribuinte, durante o curso da apelação interposta pela Fazenda, tem direito à mesma certidão?(Valor: 0,45) Gabarito Comentado 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 109 A) A certidão positiva com efeitos de negativa é cabível por força do depósito integral do montante exigido pela Fazenda na Execução Fiscal. Já a certidão negativa não é cabível, umavez que o crédito tributário já está constituído. Isso é fruto da conjugação dos artigos 205 e 206, do Código Tributário Nacional (CTN), combinados com o Art. 151, inciso II, do mesmo Código. B) Como o fundamento do direito do contribuinte à certidão positiva com efeitos de negativa é o depósito do montante integral do débito discutido (que não é alterado pela superveniente interposição da apelação por parte da Fazenda), o contribuinte continua tendo direito à certidão em questão. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) No caso, o contribuinte terá direito à Certidão Positiva com Efeitos de Negativa desde o momento em que efetuou o depósito do montante integral do tributo cobrado (0,30). Não cabe a Certidão Negativa, pois o crédito tributário já está constituído (0,20). Conforme Art. 151, II, do CTN, o depósito integral suspende a exigibilidade do crédito tributário (0,10). E os artigos 205 (0,10) e 206 (0,10) do CTN asseguram, no caso, a certidão positiva com efeitos de negativa às hipóteses em que a exigibilidade do crédito esteja suspensa. 0,00 /0,20/0,30/ 0,40/0,50/0,60/ 0,70/0,80 B) O contribuinte terá direito à certidão positiva com efeitos de negativa também durante o curso da apelação da Fazenda (0,35), já que permanece inalterado o depósito integral do montante devido (0,10). 0,00/0,10/0,35/ 0,45 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 110em dias de jogos está contemplado dentro disso. O policial militar que trabalha nos estádios não é remunerado especificamente por isso, mas sim pelo dever diário de garantir segurança ao cidadão. Por isso o São Paulo entende, e a Justiça corroborou, que a cobrança da taxa extra de policiamento em eventos esportivos é ilegal", disse Leonardo Serafim, diretor executivo jurídico do clube. O cálculo era feito de acordo com o número de policiais deslocados e, consequentemente, a importância da partida. Disponível em: https://www.bol.uol.com.br/esporte/2018/06/20/sao paulo-ganha-acao-na-justica-e-policia- militar-deve-pagar-quase-r-7 mi.htm https://www.bol.uol.com.br/esporte/2018/06/20/sao%20paulo-ganha-acao-na-justica-e-policia-militar-deve-pagar-quase-r-7%20mi.htm https://www.bol.uol.com.br/esporte/2018/06/20/sao%20paulo-ganha-acao-na-justica-e-policia-militar-deve-pagar-quase-r-7%20mi.htm 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 13 Entendimento Sumulado Taxa de Pavimentação Inconstitucional (RE nº 89.749/GO) Taxas X Preços Públicos Súmula 545, STF. Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e tem sua cobrança condicionada a prévia autorização orçamentária, em relação a lei que as instituiu. Custas Judiciais Súmula 667, STF. Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa. Taxa de Fiscalização da CVM Súmula 665, STF. É constitucional a taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários instituída pela Lei nº 7.940/89. Gabaritando o 35º Exame de Ordem / 1ª Questão Resolução do Presidente do Tribunal de Justiça do Estado X, datada de 01/06/2020, estabeleceu a elevação da alíquota máxima de preparo recursal para interposição de apelação de 2% para 4% sobre o valor da causa (mas sem estabelecer limite máximo de valor a ser recolhido), a entrar em vigor a partir de 01/01/2021. Em razão disso, a concessionária de telecomunicações Ligação 1000 S.A., em fevereiro de 2021, ao interpor apelação em um processo cujo valor da causa era de 200 milhões de reais, insurgiu-se contra a exigência de preparo de 8 milhões de reais (4%) feita pelo Tribunal, por reputá-lo excessivo e confiscatório. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir. A) Está presente algum vício formal nesta elevação de alíquota? Justifique. (Valor: 0,60) B) Tem razão a concessionária de telecomunicações Ligação 1000 S.A. em sua alegação de que o valor cobrado deste preparo é excessivo e confiscatório? Justifique. (Valor: 0,65) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 14 Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. Gabaritando Comentado A) Sim. Sendo o preparo recursal uma espécie de custas judiciais, às quais ostentam natureza jurídica de tributo, a elevação das alíquotas de tributo deve ser veiculada por lei, e não por ato normativo infralegal, de acordo com o princípio da legalidade tributária previsto no Art. 150, inciso I, da CRFB/88 e no Art. 145, inciso II, da CRFB/88 ou no Art. 77 do CTN ou no Art. 97, inciso II, do CTN. B) Sim. A concessionária tem razão. A cobrança de custas judiciais necessita do estabelecimento, para além da alíquota máxima razoável, de um teto ou limite máximo de valor a ser recolhido, nos termos da Súmula 667 do STF: “viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa”. Ou, ainda, a ausência de um teto ou limite máximo de valor pode tornar confiscatório o tributo, conforme o Art. 150, inciso IV, da CRFB/88. Espelho de Pontuação Item Pontuação A. Sim. Sendo o preparo recurso uma espécie de custas judiciais, as quais ostentam natureza jurídica de taxa, a elevação das alíquotas de tributo deve ser veiculada por lei (0,40), conforme princípio da legalidade tributária previsto no art. 150, inciso I, da CRFB/88 (0,10) e no art. 145, inciso II, da CRBF/88 ou no art. 77 do CTN ou art. 97, inciso II, do CTN (0,10). 0,00/0,40/0,50/0,60 B. Sim. A cobrança de custas judiciais necessita do estabelecimento, para além da alíquota máxima razoável, de um teto ou limite máximo de valor a ser recolhido (0,55), nos termos da Súmula 667 do STF (0,10) ou Sim. A ausência de um teto de valor a ser recolhido pode tornar 0,00/0,55/0,65 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 15 confiscatório o tributo (0,55), violando o art. 150, inciso IV, da CRFB/88 (0,10). Gabaritando o XVII Exame de Ordem / 3ª Questão O Estado X instituiu, em 2010, por meio de lei, taxa pelo serviço de prevenção e extinção de incêndio prestado ou colocado à disposição do contribuinte. A referida lei definiu o contribuinte como o proprietário de unidade imobiliária, residencial ou não residencial, à qual o serviço estaria dirigido, bem como determinou que o valor da taxa seria calculado com base no tamanho da unidade imobiliária. Nada se dispôs na lei sobre eventuais responsáveis tributários pelo pagamento da taxa. João, na qualidade de proprietário, aluga, desde 2011, seu imóvel, situado no referido Estado X, para Pedro. No contrato de locação celebrado entre as partes, o qual foi devidamente registrado no Registro de Imóveis, estabeleceu-se, em uma das cláusulas, que a responsabilidade pelo pagamento da taxa de prevenção e extinção de incêndio seria exclusivamente de Pedro, isentando João de qualquer obrigação sobre ela. Tendo em vista o exposto, responda aos itens a seguir. A) É constitucional o cálculo do valor da taxa de prevenção e extinção de incêndio tendo como parâmetro um dos elementos que compõem a base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana– IPTU? (Valor: 0,65) B) Considerando que nem João nem Pedro recolheram a taxa de prevenção e extinção de incêndio relativas aos exercícios de 2012 e 2013, bem como o que consta no contrato de locação celebrado entre eles e registrado no Registro de Imóveis, em face de quem o Estado X deve efetuar a cobrança dos exercícios não pagos? (Valor: 0,60) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 16 Gabarito Comentado A) Sim, é constitucional o cálculo do valor da taxa de prevenção e extinção de incêndio tendo como parâmetro um dos elementos que compõem a base de cálculo do imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana – IPTU. Embora o Art. 145, § 2º, da Constituição da República e o Art. 77, parágrafo único, do CTN, estabeleçam que as taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos, o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 29, já consolidou o entendimento de que não viola os referidos dispositivos a adoção, no cálculo do valor da taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra. B) O Estado X deve efetuar a cobrança da taxa de prevenção e extinção de incêndio, relativa aos exercícios de 2012 e de 2013, diretamente de João, proprietário do imóvel, por ser ele o contribuinte do tributo, conforme disposto na lei estadual. No caso, é irrelevante para a Fazenda Estadual a cláusula constante no contrato de locação celebrado entre as partes, que atribui a responsabilidade pelo pagamento da taxa de prevenção e extinção de incêndio exclusivamente a Pedro, ainda que o referido contrato tenha sido registrado no Registro de Imóveis, tendo em vista que, nos termos do Art. 123 do CTN, salvo disposiçãode lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Espelho de Pontuação Item Pontuação A. Sim, é constitucional pois o Supremos Tribunal Federal já consolidou o entendimento de que não viola a Constituição a adoção, no cálculo do valor da taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entra uma base e outra (0,55), conforme entendimento consolidado na Súmula Vinculante nº 29 (0,10). 0,00/0,55/0,65 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 17 B. O Estado “X” deve efetuar a cobrança da taxa de João, proprietário do imóvel, por ser ele o contribuinte do tributo, conforme disposto na lei estadual (0,30), pois, salvo disposição legal em contrário, as convenções particulares, relativas á responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública (0,20), nos termos do art. 123 do CTN (0,10). 0,00/0,20/0,30/0,40/0,50/0,60 Gabaritando o XXIII Exame de Ordem / 2ª Questão O Município Beta instituiu, por meio de lei municipal, uma taxa de limpeza cujo fato gerador é, exclusivamente, o serviço público de coleta, remoção e tratamento de lixo domiciliar de imóveis no município. A lei também determinou a utilização da área do imóvel como base de cálculo da taxa. Diante desse quadro fático, responda aos itens a seguir. A) O fato gerador da taxa determinado pela lei municipal violou a Constituição da República? (Valor: 0,65) B) A base de cálculo adotada pelo Município Beta violou a regra constitucional de que taxas não podem ter base de cálculo própria de impostos? (Valor: 0,60) Gabarito Comentado A) Não. A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo proveniente de imóveis não viola o Art. 145, inciso II, da CRFB/88, por possuírem tais serviços caráter específico e divisível, conforme a Súmula Vinculante 19 do STF. B) Não. É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra, conforme a Súmula Vinculante 29 do STF. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 18 Espelho de Pontuação Item Pontuação A. Não, pois a taxa tem como fato gerador serviços específicos e divisíveis (0,55), conforme o art. 145, inciso II, da CRFB ou Súmula Vinculante nº 19 do STF (0,10). 0,00/0,55/0,65 B. Não. A adoção de um ou mais elementos da base de cálculo própria de impostos na composição da base de cálculo de taxa é constitucional, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra (0,50), conforme a Súmula Vinculante nº 29 do STF (0,10). 0,00/0,50/0,60 Gabaritando o XXXI Exame de Ordem / 4ª Questão A autarquia municipal responsável pelo serviço de coleta de lixo envia a Marcos Silva, possuidor em vias de usucapir imóvel situado no Município X, carnê de cobrança da taxa de coleta de lixo proveniente de imóveis, por força de delegação feita regularmente pelo referido ente municipal. Marcos insurge-se contra a cobrança, alegando que somente o Município, na qualidade de ente federado, poderia cobrar tributos, bem como o fato de que não seria contribuinte dessa taxa, por ser mero possuidor do imóvel, devendo a cobrança ser feita diretamente ao proprietário. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir. A) A autarquia municipal pode realizar a cobrança dessa taxa? Justifique. (Valor: 0,65) B) O mero possuidor pode ser contribuinte dessa taxa? Justifique. (Valor: 0,60) Gabarito Comentado A) Sim, a autarquia municipal pode cobrar essa taxa, desde que por meio da chamada delegação de “capacidade tributária ativa”, isto é, a delegação de “funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 19 tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra”, conforme previsto no Art. 7º, caput, do CTN. Portanto, tendo a autarquia municipal recebido a delegação da capacidade tributária ativa do Município, poderá realizar a cobrança. B) Sim. É possível cobrar taxas pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição, conforme o Art. 145, inciso II, da CRFB, OU o Art. 77 do CTN. Portanto, sendo Marcos Silva o possuidor do imóvel, em vias de usucapi-lo (com animus domini), é também ele que se beneficia do serviço público específico e divisível de coleta do lixo proveniente do imóvel por ele ocupado, podendo também ser classificado como contribuinte do mesmo. De fato, as leis municipais que instituem essa taxa indicam como seus contribuintes não apenas os proprietários e titulares do domínio útil, mas também os possuidores. Espelho de Pontuação Item Pontuação A. Sim, desde que tenha recebido do Município a delegação de “capacidade tributária ativa”, isto é, o poder de arrecadar ou fiscalizar tributos (0,55), CF, Art. 7º, caput do CTN. (0,10) 0,00/0,55/0,65 B. Sim. Sendo Marcos Silva o possuidor do imóvel é beneficiário do serviço público específico e divisível de coleta de lixo proveniente do imóvel por ele ocupado, podendo também ser classificado como contribuinte do mesmo (0,50), CF, o Art. 145, inciso II, da CRBF OU o Art. 77 do CTN. (0,10). 0,00/0,50/0,60 Contribuição de Melhoria • Fato gerador; • Art. 145, III, CF + Art. 81 do CTN; • Tributo vinculado/Contraprestacional • Competência Comum 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 20 Características: V= valorização I = imobiliária P = decorrente de obra Pública Base de cálculo TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA. EDITAL. BASE DE CÁLCULO. VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA. D.L. 195/67, ART. 5º - LEI 5.172/66, ART. 82 EC 01/69, ART. 18, § 1º - PRECEDENTES STF E STJ. “- O D.L 195, de 24 de fevereiro de 1967 teve o condão de revogar o art. 82 CTN que, à época não possuía a força de lei complementar, o que só ocorreu após a promulgação da EC nº 01, de 1969 (art. 18, § 1º). “- A partir do D. L. 195/67, a publicação do edital é necessária para cobrança da contribuição de melhoria, mas não para realização da obra pública. “- A base de cálculo da contribuição de melhoria é a valorização imobiliária, ou seja, a diferença entre o valor do imóvel antes do início da obra e o valor do mesmo após a conclusão da obra. “- Não havendo aumento do valor do imóvel, impossível a cobrança do tributo. “Violação de lei federal e divergência jurisprudencial não configuradas. “- Recurso não conhecido” (recurso especial 143.996/ SP) TOTAL • O valor total gasto para realizar a obra INDIVIDUAL • Valorização proporcional de cada imóvel individualmente 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 21 • Edital prévio (Art. 82, I, CTN + Art. 5º, Dec. Lei nº 195/67). • Aplicação prévia em relação à cobrança; • Impugnação e Processo Administrativo; • (Art. 82, II e III, CTN + Arts. 6º e 7º, Dec. Lei nº 195/67); • Momento da Exigência (Art. 9ª, Dec. Lei nº 195/67); • Jurisprudências: IPTU e Asfaltamento. Gabaritando o XVI Exame de Ordem / 1ª Questão O Município XYZ resolveu instituir, por meio de leiespecífica, um tributo que tem como fato gerador a valorização imobiliária decorrente de obra realizada pelo Estado Alfa em seu território, sendo o contribuinte o proprietário do imóvel valorizado e a base de cálculo, independentemente da valorização experimentada por cada imóvel, o custo da obra estatal. Sobre a hipótese descrita, responda aos itens a seguir. A) Qual seria a espécie tributária que o Município XYZ pretendeu instituir? Aponte o dispositivo constitucional aplicável. (Valor: 0,45) B) Na hipótese descrita, o Município XYZ é competente para instituir tal tributo? (Valor: 0,40) C) A base de cálculo do tributo está correta? (Valor: 0,40) Gabarito Comentado A) A espécie tributária que o Município XYZ pretendeu instituir foi a contribuição de melhoria, tributo que tem como fato gerador a valorização de imóvel decorrente de obra pública, conforme previsto no Art. 145, III, da CF/88. B) Não. Apesar de a Constituição Federal outorgar a todos os entes federativos a competência para a instituição da contribuição de melhoria, tal tributo só pode ser instituído pelo ente que realizou a obra pública, no caso o Estado Alfa. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 22 C) Não. A base de cálculo da contribuição de melhoria deve considerar a valorização do imóvel beneficiado pela obra pública e não os custos da obra, conforme previsto no Art. 81 do CTN e/ou Art. 3º do Decreto Lei nº 195/67. O valor da obra serve apenas como o limite a ser arrecadado pelo ente tributante com a contribuição de melhoria. Item Pontuação A. Trata-se de contribuição de melhoria (0,35), prevista no Art. 145, III, da CF/88 (0,10). 0,00/0,35/0,45 B. Não. A contribuição de melhoria deve ser instituída pelo ente que realizou a obra pública (0,30), conforme previsto no Art. 145, III, da CF/88 e/ou no Art. 3º do Decreto Lei nº 195/67 (0,10). 0,00/0,30/0,40 C. Não, a base de cálculo da contribuição de melhoria é a efetiva valorização do imóvel e não os custos da obra (0,30), conforme previsto no Art. 81, do CTN, e/ou no Art. 3º do Decreto Lei nº 195/67 (0,10) 0,00/0,30/0,40 Gabaritando o III Exame de Ordem / 2ª Questão Município situado na região XYZ do Brasil realizou serviços e obras de rede de água potável e esgoto de certo bairro, durante o primeiro semestre de 2010, o que resultou na valorização de 100 (cem) imóveis da região. O custo total da obra correspondeu a R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais). Com isso, o Município editou Decreto, em 02/09/2010, a fim de disciplinar a instituição e cobrança de contribuição de melhoria incidente sobre os imóveis alcançados pela valorização imobiliária em questão. A municipalidade, para efetuar a respectiva cobrança, considerou somente a diferença entre o valor venal dos referidos imóveis antes da realização das obras e seu valor venal ao término das obras públicas, com base no cadastro do IPTU local. Em 10/10/2010, os contribuintes foram notificados, mediante recebimento de cobrança, para, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, efetuarem o pagamento da referida exação fiscal. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 23 Com base nesse cenário, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. Discuta a correção da cobrança da exação, como realizada pela municipalidade, justificando com base na legislação e sua interpretação. (Valor: 0,50) A) Na hipótese descrita, o Município XYZ é competente para instituir tal tributo? (Valor: 0,50) B) Analise o cálculo feito pela municipalidade para encontrar o valor devido pelos contribuintes, esclarecendo se é compatível com a legislação em vigor. (Valor: 0,50) Gabarito Comentado A) A questão envolve a aplicação do princípio da legalidade previsto no art. 150, I, da CRFB/88, bem como o princípio da anterioridade tributária, constante no art. 150, III, “b” e “c”, da CRFB/88. Nessa linha, o candidato deverá identificar que a lei seria o veículo adequado para instituição e cobrança da contribuição de melhoria (art. 97, I, do CTN), o que restou não observado pelo Poder Executivo ao instituí-la mediante simples edição de decreto, violando, frontalmente, os princípios da legalidade e da anterioridade tributária. Ademais, o candidato deverá mencionar os arts. 81 e 82 do CTN, visto que tais dispositivos legais impõem determinados requisitos prévios para a instituição e cobrança da referida exação fiscal que não foram observados pelo Poder Executivo local. B) Não. O candidato deverá identificar que o fato gerador da contribuição de melhoria é a valorização imobiliária decorrente da obra pública, o que ocorreu, no caso descrito, em relação aos 100 (cem) imóveis em questão, porém o art. 81 do CTN estabelece dois limites para a cobrança: um individual e outro local. O limite individual deverá se ater à valorização individual de cada imóvel, e o limite total refere-se ao custo total das obras, isto é, a somatória das contribuições cobradas de cada proprietário não poderá exceder o limite total do custo da obra correspondente a R$ 3.500.000,00. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 24 Desse modo, o candidato deverá identificar que o custo total da obra sequer foi levado em consideração pelo Poder Executivo local, infringindo, portanto, o disposto previsto no art. 81 do CTN. Item Pontuação Violação do princípio da legalidade (art. 150, I, da CRFB OU art. 97 do CTN. 0,25 Violação do princípio da anterioridade tributária (art. 150, III, “b”, e “c”, da CRFB/88 0,25 Violação do artigo 81 do CTN 0,25 Violação do artigo 82 do CTN OU do Decreto 195/97 0,25 Empréstimos Compulsórios • Art. 15, CTN + Art. 148, CF; • Competência Exclusiva União; • Matéria de Lei Complementar; • Fato Gerador e Base de Cálculo; • Destino Arrecadação (Art. 148, PÚ, CF); • Restituição em Dinheiro (RE 175.385/SC); • Prazo (Art. 15, P.Ú, CTN) EMPRESTIMO COMPULSORIO - AQUISIÇÃO DE COMBUSTIVEIS. O empréstimo compulsório alusivo a aquisição de combustíveis - Decreto-Lei n. 2.288/86 mostra-se inconstitucional tendo em conta a forma de devolução - quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento - ao inves de operar-se na mesma espécie em que recolhido - Precedente: recurso extraordinário n. 121.336- CE. (STF - RE: 175385 SC, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 01/12/1994, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 24-02-1995 PP-03687 EMENT VOL-01776-04 PP- 00004) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 25 Atenção: Art. 15, III, CTN Relação com os Princípios da Não Surpresa . Vamos Cantar? “Empréstimos Compulsórios da União, é competência exclusiva e outro não pode criar não não... A forma de devolução é em dinheiro, matéria de LC que não cabe MP... Guerra, calamidade como exceção das anterioridades, e não respeitam data não.” Debaixo dos Caracóis – Roberto Carlos Natureza Jurídica • Pentapartição X Tripartição (Art. 4º, CTN) • Direito Financeiro: não é Receita Pública, Não é tributo! • Lei nº 4.320/64. Art. 9º. Tributo é a receita derivada instituída pelas entidades de direito público, compreendendo os impostos, as taxas e contribuições nos termos da constituição e das leis vigentes em matéria financeira, destinando-se o seu produto ao custeio de atividades gerais ou especificas exercidas por essas entidades. • Inicial Posição do Supremo Tribunal Federal: • Contrato de Direito Público OU Empréstimo Coativo; • Súmula 418, STF (1964): O empréstimo compulsórionão é tributo, e sua arrecadação não está sujeita a exigência constitucional da prévia autorização orçamentária. • Atual entendimento do Supremo Tribunal Federal: • Tributo finalístico; GUERRA OU CALAMIDADE INVESTIMENTO PÚBLICO 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 26 • Inserido no Sistema Tributário Nacional da CF/88; • Submissão Parcial ao Princípio da anterioridade Tributária (RE 111.954/1988-PR). Gabaritando o XXI Exame de Ordem / 1ª Questão Em 01 de novembro de 2016, a União, por meio de lei ordinária, instituiu empréstimo compulsório para custear despesas advindas de uma forte tempestade que assolou a Região Sul do Brasil. Naquele diploma legal, ficou previsto que o empréstimo compulsório passaria a ser exigido já no mês de dezembro de 2016. Diante de tal quadro, responda aos itens a seguir. A) No caso em exame, o empréstimo compulsório poderia ter sido instituído por lei ordinária? (Valor: 0,60) B) Empréstimo compulsório, instituído para o custeio de despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública, pode ser exigido já no mês seguinte à sua instituição? (Valor: 0,65) Gabarito Comentado A) Não. O empréstimo compulsório só pode ser instituído por meio de lei complementar, conforme o Art. 148, caput, da CRFB/88. B) Sim. Ao empréstimo compulsório instituído por força de calamidade pública não se aplica a vedação inerente ao princípio da anterioridade do exercício financeiro nonagesimal, conforme Art. 150, § 1º, da CRFB/88. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 27 Espelho de Pontuação Item Pontuação A. Não, pois o empréstimo compulsório só pode ser instituído por meio de lei complementar (0,50), conforme Art. 148, caput, da CRFB/88. (0,10) 0,00/0,50/0,60 B. Sim, pois ao empréstimo compulsório instituído por força de calamidade pública não se aplica a vedação inerente ao princípio da anterioridade do exercício financeiro E nonagesimal (0,55), conforme Art. 150, §1º, da CRFB/88 (0,10). 0,00/0,55/0,65 Gabaritando o XI Exame de Ordem / 3ª Questão Baseado em uma efetiva hipótese de calamidade pública, o Presidente da República edita, em março de determinado ano, Medida Provisória instituindo empréstimo compulsório que passará a incidir a partir do mês subsequente. Indaga-se: A) Pode o empréstimo compulsório pode ser instituído por Medida Provisória? (Valor: 0,65) B) Qualquer que seja a resposta à questão anterior, deve o empréstimo compulsório observar o princípio da anterioridade? (Valor: 0,60). Gabarito Comentado A) Não. A Constituição da República veda, expressamente, a edição de Medida Provisória para dispor sobre matéria reservada à lei complementar (Art. 62, § 1º, inciso III). E os empréstimos compulsórios só podem ser instituídos por meio de lei complementar (CRFB, Art. 148). 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 28 Contribuições Especiais Contribuições de competência da União Sociais - Art. 149 da CF Seugirdade Social - Art. 195 da CF Seguridade Social Residual - Art. 195, §4º da CF Sociais Genéricas - Art. 212, §5º da CF CIDE - Art. 149 da CF Corporativas - Art. 149 da CF Contribuição de competência comum Contribuição da Seguridade Social - Previdência do Servidor Público (art. 149, §1º, CF) Contribuição de competência dos Municípios e do D.F COSIP - Art. 149 -A da CF B) Não. A observância ao princípio da anterioridade é expressamente excepcionada com relação aos empréstimos compulsórios instituídos por força de calamidade pública (CRFB, Art. 150, § 1º, conjugado com Art. 148, inciso I). Contribuições Especiais • Dispositivos • Art. 149, CF + Art. 149-A, CF; • Competência da União, com ressalvas; • Espécie afetada ou tributo finalístico; • Receita Vinculada Contribuições Sociais • Aplicação direcionada a área social • CF/88, Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 29 • CF/88, Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. - Art. 195, CF/88 - Lei nº 8.212/91 B) Seguridade Social Residual: - Art. 195, §4º, CF/88 Atenção! Exceção anterioridade anual – 195, §6, CF C) Sociais Gerais: - Art. 240, CF/88 - Art. 212, §5º, CF/88 Entendimento Sumulado • COFINS sobre Receita de Locação: Súmula 423, STJ. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis. • Constitucionalidade do Salário educação (RE 272.872/01) Sumula 732, STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. • Sujeição das empresas prestadoras de serviços às contribuições sociais incidentes sobre o comércio (STJ. Resp 895.878): Súmula 499, STJ. As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 30 CIDE • Competência: Exclusiva da União (Art. 149, CF/88). • Natureza Jurídica: Controle Fiscalizatório E/OU Fomento de atividade. Regras Constitucionais: Art. 149, §2º, I, II, III, CF/88. CIDE Combustíveis • Origem: EC nº 33/01. • Modificação do Art. 155, §3º, CF + Acréscimo do Art. 177, §4º, CF; • Regras atinentes às Alíquotas: Art. 177, §4º, I, CF; • Destinação do produto da arrecadação: Art. 177, §4º, II, CF; • Repasse Constitucional: Art. 177, §4º, II, c, CF + Art. 159, III e §4º, CF. Corporativas Competência: Exclusiva da União (Art. 149, CF/88) “Elas são instituídas por lei federal em favor das entidades que representam categorias profissionais (trabalhadores) ou econômicas (empregadores). Os recursos são utilizados no custeio das atividades representativas e sindicais das respectivas entidades”. João Marcelo Rocha. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 31 Decisão Recente STF declara constitucionalidade do fim da contribuição sindical obrigatória Decisão foi tomada na análise de 20 ações que discutiam dispositivo da Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) que acabou com a obrigatoriedade da contribuição. 29/06/2018 Por 6 votos a 3, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na manhã desta sexta-feira (29), declarar a constitucionalidade do ponto da Reforma Trabalhista que extinguiu a obrigatoriedade da contribuição sindical. O dispositivo foi questionado na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5794, em outras 18 ADIs ajuizadas contra a nova regra e na Ação Declaratória de constitucionalidade (ADC) 55, que buscava o reconhecimento da validade da mudança na legislação. Como as ações tramitaram de forma conjunta, a decisão de hoje aplica-se a todos os processos. Prevaleceu o entendimento do ministro Luiz Fux, apresentado ontem (28), quando o julgamento foi iniciado. Entre os argumentos expostos por ele e pelos ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso,Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Cármen Lúcia, está o de não se poder admitir que a contribuição sindical seja imposta a trabalhadores e empregadores quando a Constituição determina que ninguém é obrigado a se filiar ou a se manter filiado a uma entidade sindical. Além disso, eles concordaram que o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical não ofende a Constituição. Entendimento Sumulado • Contribuição Confederativa • Súmula Vinculante nº 40. A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo (Súmula 666, STF) • Anuidade da OAB: Autarquia Sui Generis 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 32 • Adin 3.026/DF (Desnecessidade de Concurso para contratação) COSIP Competência: Municípios e DF (Art. 149-A, CF/88) Origem: EC nº 39, 19/12/2002 Inconstitucionalidade da TIP Súmula Vinculante nº 41. O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa (Súmula 670, STF). Gabaritando o XX Exame de Ordem / 3ª Questão Em dezembro de 2014, o Município “M” publicou lei ordinária por meio da qual instituiu contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. A referida lei, que entrou em vigor na data de sua publicação, fixou os respectivos contribuintes e a base de cálculo aplicável. Ao receber a cobrança da nova contribuição, João decide impugná-la sob o argumento de que a cobrança é inconstitucional, já que (i) compete exclusivamente à União instituir contribuições e (ii) cabe à lei complementar estabelecer as bases de cálculo e os contribuintes dos tributos. Diante disso, responda: A) Está correto o argumento de João quanto à competência para a instituição da contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública? (Valor: 0,60) B) Está correto o argumento de João quanto à necessidade de lei complementar para o estabelecimento da base de cálculo e dos contribuintes desta espécie de contribuição? (Valor: 0,65) Gabarito Comentado A) Não está correto o argumento de João, já que a Constituição Federal prevê, em seu Art. 149-A, que os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 33 B) Não está correto o argumento, pois a reserva de lei complementar para a definição da base de cálculo e dos contribuintes não se estende às contribuições. De acordo com o Art. 146, inciso III, alínea a, da CRFB/88, cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados na Constituição da República, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. Tratando- se de contribuição, como é o caso, é possível que a base de cálculo e o contribuinte sejam estabelecidos por lei ordinária. Distribuição dos pontos Item Pontuação A. Não, pois os Municípios poderão instituir contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública (0,50), nos termos do Art. 149-A da CRFB/88 (0,10). 0,00/0,50/0,60 B. Não, pois a reserva de lei complementar para a definição da base de cálculo e dos contribuintes não se estende às contribuições (0,55), conforme Art. 146, inciso III, alínea a, ou art. 149-A da CRFB/88 (0,10). 0,00/0,55/0,65 Gabaritando o XVIII Exame de Ordem /1ª Questão O Estado Alfa instituiu duas contribuições mensais compulsórias devidas por todos os seus servidores. A primeira, com alíquota de 10% sobre a remuneração mensal de cada servidor, destina-se ao custeio do regime previdenciário próprio, mantido pelo Estado Alfa. A segunda, no valor equivalente a 1/60 (um sessenta avos) da remuneração mensal de cada servidor, destina- se ao custeio da assistência à saúde do funcionalismo público daquele Estado. Sobre a situação apresentada, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. A) É válida a contribuição compulsória instituída pelo Estado Alfa para o custeio do regime previdenciário próprio de seus servidores? (Valor 0,65) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 34 B) É válida a contribuição compulsória instituída pelo Estado Alfa para a assistência à saúde de seus servidores? (Valor 0,60) Gabarito Comentado A) Sim, é válida a contribuição. Os Estados podem instituir contribuição para o custeio do regime previdenciário de seus servidores, conforme o Art. 149, § 1º, da CRFB/88. B) É inconstitucional qualquer outra contribuição compulsória instituída pelos Estados, além daquela exclusivamente voltada ao custeio do regime previdenciário de seus servidores. Portanto, não é válida a contribuição que, no caso proposto, foi instituída pelo Estado Alfa. Distribuição dos pontos Item Pontuação A. Os Estador podem instituir contribuição para o custeio do regime previdenciário de seus servidores (0,55) conforme o Art. 149, §1º, da CRFB/88 (0,10). OU Os Estados podem instituir contribuição para o custeio do regime previdenciário de seus servidores, entretanto a alíquota não pode ser inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (0,55), conforme o Art. 149, §1º, da CRFB/88 (0,10). 0,00/0,55/0,65 B. É inconstitucional qualquer outra contribuição compulsória instituída pelos Estados, além daquela exclusivamente voltada ao custeio do regime previdenciário de seus servidores. Portanto, não é válida a contribuição que, no caso proposto, foi instituída pelo Estado Alfa (0,50), conforme o Art. 149, da CRFB/88 (0,10). 0,00/0,50/0,60 “Não julgue cada dia pelo que você colhe, mas pelas sementes que planta.” Robert Louis Stevenson 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 35 Legislação Tributária Leis (art. 97 do CTN) Tratados e Convenções Internacionais (art. 98 do CTN Decretos (art. 99 do CTN) Normas Complementares (art. 100 do CTN) 2. Legislação, Integração, Vigência e Validade da Norma Tributária • Características (Art. 97 CTN): Princípio da Legalidade (Art. 150, I, CF) Matérias Reservadas: I – Instituição e Extinção de Tributos II – Majoração e Redução de Tributos III – Definição do Fato Gerador e Sujeito Passivo IV – Fixação da Alíquota e Base de Cálculo dos tributos V – Penalidades ou Infrações VI – Exclusão, Suspensão e Extinção do Crédito Tributário e dispensa ou redução de penalidades. • Prazo para pagamento e modificação (Art. 160, CTN) • Exceção da Atualização (Art. 97, §2º, CTN + Súmula 160, STJ) 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 36 Exceções ao Princípio da Legalidade Alíquotas II, IE, IPI, IOF (Extrafiscais ) Ato do Executivo/Decreto CIDE Combustíveis Redução e Restabelecimento Ato do Executivo/Decreto ICMS Combustíveis Definição Convênio CONFAZ Definição de prazo e obrigação acessória - Legislação Tributária Atualização monetária Ato do Executivo/Decreto Exceções Matérias reservadas a Lei Complementar (Art. 146, CF): • Conflitos de Competência (Inciso I) • Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar (Inciso II) • Normas Gerais em Matéria Tributária (Inciso III) Tratados e Convenções Internacionais Etapas para criação e validade no ordenamento: 1º) Negociação e assinatura (Art. 84, VII & VIII, CF) 2º) Referendo ou Aprovação (Arts. 49, I & 84, VIII, CF) 3º) Ratificação (troca ou depósito)4º) Promulgação & Publicação Art. 98 do CTN • Revogam ou modificam legislação com ele incompatível; • Serão observadas pela legislação que lhe sobrevenha; 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 37 Isenção Heterônoma nos Tratados Internacionais (Art. 151, III, da CF): Súmula 575, STF. A mercadoria importada de país signatário do GATT, ou membro da ALALC, estende-se a isenção do imposto sobre circulação de mercadorias concedida a similar nacional. Súmula 20, STJ. A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM, quando contemplado com esse favor o similar nacional. Súmula 71, STJ. O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM. Decretos Características: CTN, Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. • Limite na Própria Lei (Art. 84, IV, CF) Jurisprudência RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DO ANO-BASE DE 1990. CORREÇÃO MONETÁRIA AFASTAMENTO DAS LIMITAÇÕES PREVISTAS NO DECRETO Nº 332/91. Os decretos, entendidos como forma de exercício do poder regulamentar, devem ser considerados norma tributária, nos termos do artigo 96 do Código Tributário Nacional. Menos não é verdade, contudo, que, de acordo com o sistema administrativo-constitucional brasileiro, o poder regulamentar deve se pautar, sempre, nas disposições legais. (STJ - REsp: 258217 SP 2000/0043936-3, Relator: Ministro FRANCIULLI NETTO, Data de Julgamento: 07/03/2002, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 24/06/2002 p. 240) Normas Complementares • Características (Art. 100, CTN): • Espécies: 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 38 I - Atos Administrativos II - Decisões Administrativas Normativas III - Práticas Reiteradas IV - Convênio CTN, Art. 100, § Único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. TRIBUTÁRIO. PRATICAS ADMINISTRATIVAS. SE O CONTRIBUINTE RECOLHEU O TRIBUTO A BASE DE PRATICA ADMINISTRATIVA ADOTADA PELO FISCO, EVENTUAIS DIFERENÇAS DEVIDAS SO PODEM SER EXIGIDAS SEM JUROS DE MORA E SEM ATUALIZAÇÃO DO VALOR MONETARIO DA RESPECTIVA BASE DE CALCULO (CTN, ART. 100, III C/C PAR. ÚNICO). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO, EM PARTE. (STJ – REsp nº 98703/SP, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 18/06/1998, T2 - SEGUNDA TURMA). Gabaritando o XXXI Exame de Ordem / 1ª Questão Determinado Prefeito Municipal editou o Decreto nº X, publicado em 20/09/2011, a fim de modificar os critérios relativos à apuração da base de cálculo do IPTU, tornando-o mais oneroso para os contribuintes da respectiva municipalidade. Sabe-se que as mudanças inseridas no aludido Decreto só entrariam em vigor a partir do dia 01/01/2012. Nesse caso, o referido ato normativo compatibiliza-se com o ordenamento jurídico tributário em vigor? Justifique, com o apontamento dos dispositivos legais pertinentes. (Valor: 1,25) Gabarito Comentado O Decreto nº X é inconstitucional, visto que contraria o Art. 150, I, da CRFB/88 e o Art. 97, § 1º, do CTN. Nessa linha, o referido Decreto fere o princípio da legalidade tributária, pois somente a lei poderá criar novos critérios relativos à base de cálculo do IPTU, uma vez que a alteração da 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 39 base de cálculo de modo a torná-lo mais oneroso, como ocorreu na hipótese aqui cuidada, equipara-se à majoração de tributo. Espelho de pontuação: Item Pontuação O Decreto nº X é inconstitucional (0,50) de acordo com o Art. 150, I, da CRFB. (0,25) 0,00/0,50/0,75 O referido Decreto fere o princípio da legalidade tributária (0,30) de acordo com o Art. 97, §1º, do CTN (0,20) 0,00/0,30/0,50 Gabaritando o XXXI Exame de Ordem / 3ª Questão O Brasil firmou com um país escandinavo, signatário do GATT (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio), um tratado, concedendo isenção de ICMS na importação de alguns produtos deste país estrangeiro, e garantindo reciprocidade aos similares nacionais, quando importados pelo país estrangeiro. Um Estado-membro da Federação brasileira, já tendo sido o tratado internacional internalizado, não concordou com a perda de receita que começou a sofrer como resultado de sua aplicação. Por isso, promulgou uma lei estadual revogando a isenção concedida. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir.: A) Tal isenção de ICMS pode ser concedida mediante tratado em que os Estados-membros da Federação não são parte? (Valor: 0,65) B) Sendo o ICMS um tributo de competência estadual, lei estadual superveniente pode revogar a isenção concedida por um tratado internacional? (Valor: 0,60) Gabarito Comentado A) Sim, o tratado internacional pode conceder tal isenção. Na verdade, não está presente a vedação de isenção heterônoma prevista no Art. 151, inciso III, da CRFB, pois não é a União, enquanto ente federado interno, que está a conceder a isenção de tributo estadual, mas sim a República Federativa do Brasil, que está a se obrigar no plano internacional. A respeito dessa mesma situação, o STF sedimentou seu entendimento por meio da Súmula 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 40 575: à mercadoria importada de país signatário do GATT, ou membro da ALALC, estende- se a isenção do imposto sobre circulação de mercadorias concedida a similar nacional. B) A lei estadual não pode revogar tal isenção, porque o Estado-membro não pode representar a República no plano internacional, desobrigando-a de tratado por ela firmado, bem como o Art. 98 do CTN estabelece que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha, de modo que a lei estadual superveniente terá de observar o tratado. Espelho de Pontuação Item Pontuação A) Sim. Ausente a vedação de isenção heterônoma do Art. 151, inciso III, da CRFB, já que não é a União, enquanto ente federado interno, que está a conceder a isenção de tributo estadual, mas sim a República, que está a se obrigar no plano internacional (0,55), conforme Súmula 575 do STF (0,10). 0,00/0,55/0,65 B) Não. Lei do Estado não pode revogar tratado internacional celebrado pela República OU o Estado-membro não pode representar a República no plano internacional, desobrigando- a de tratado de tratado por ela firmado (0,50), por força do Art. 98 do CTN OU Art. 84, VIII da CRFB (0,10). 0,00/0,50/0,60 Vigência da Legislação Tributária “O Art. 101 do CTN consagra o princípio da especialidade, ao estatuir que a ‘vigência, no espaço e no tempo, da legislação tributária rege-se pelas disposições legais aplicáveis às normas jurídicas em geral, ressalvado o previsto neste capítulo”. Bruno de Medeiros Arcoverde. A) No Espaço: Art. 102, CTN. • Princípio da Territorialidade • Redação das exceções: Extraterritorialidade 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 41 B) No Tempo: Art. 1º, LINDB (Dec. Lei nº 4.657/42) • Normas Complementares (Art. 103, CTN) • Impostos sobre Patrimônio & Renda (Art. 104, CTN) Jurisprudência CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO: REVOGAÇÃO. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. I. - Revogada a isenção, o tributo torna-se imediatamente exigível. Em caso assim, nãohá que se observar o princípio da anterioridade, dado que o tributo já é existente. II. - Precedentes do Supremo Tribunal Federal. III. - R.E. conhecido e provido. O exame da causa em que interposto o apelo extremo em questão evidencia que o acórdão impugnado ajusta-se à diretriz jurisprudencial que esta Suprema Corte firmou na matéria em referência. Sendo assim, e considerando as razões expostas, conheço do presente recurso extraordinário, para negar-lhe provimento. Publique-se. Brasília, 1º de março de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (STF – RE nº 492.781/MG, Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 01/03/2010). RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. MAJORAÇÃO. ANTERIORIDADE. PRECEDENTE. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. 1. O Estado da Bahia insurge-se contra acórdão por meio do qual o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul afastou a aplicação dos Decretos estaduais nº 39.596 e nº 39.697, ambos de 1999, que promoveram a majoração da base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. ICMS devido por prestadores de serviços de televisão por assinatura, para o ano de publicação, assentada a possibilidade de surtirem efeitos, em razão do princípio da anterioridade tributária, apenas a partir de 1º de janeiro de 2000. A decisão impugnada não merece reparos. Os atos infralegais implicaram aumento indireto do imposto, porquanto revelaram redução de benefício fiscal vigente, devendo ser observado, também nesses casos, o princípio da anterioridade. Essa foi a óptica adotada pelo Supremo no julgamento da Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.325/DF, de minha relatoria, envolvida lei complementar que postergou a utilização de créditos tributários então permitidos. 2. Ante o exposto, nego seguimento ao 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 42 recurso. 3. Publiquem. Brasília, 4 de dezembro de 2013. Ministro MARCO AURÉLIO. Relator (STF – RE nº 564.225/RS, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 04/12/2013). Gabaritando o III Exame de Ordem / 4ª Questão O Estado de São Paulo, em razão da necessidade emergencial de conseguir novos recursos para pagar o 13º salário do funcionalismo público, decide extinguir benefícios fiscais outrora concedidos e que acarretam diminuição da arrecadação. Dessa forma, é aprovada a Lei 2.000, publicada em 30 de março de 2007, que determina a imediata revogação de isenção do ICMS concedida aos comerciantes de leite e seus derivados, passando a ser aplicada a alíquota de 18% sobre a venda dos produtos em geral, conforme já previsto no ordenamento jurídico estadual. A empresa Longa Vida Laticínios Ltda. não recolhe o tributo e é autuada pelo Fisco Estadual em janeiro de 2008, que exigiu o ICMS de abril até dezembro do ano anterior. Com base nesse cenário, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso, discorra sobre a legalidade da exigência do ICMS para a empresa Longa Vida Laticínios Ltda. Gabarito Comentado Primeira Possibilidade de resposta: A revogação de uma isenção equivale à instituição de um novo tributo, de forma que se deve respeitar o princípio da anterioridade. Segunda Possibilidade de resposta: Funda-se na posição do Supremo Tribunal Federal segundo o qual, com base no artigo 178, a isenção, salvo a concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo, observando o disposto no inciso III do artigo 104 do CTN. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 43 Art. 106 do CTN (Exceções) Em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa Tratando -se de ato não definitivamente julgado Quando deixe de defini -lo como infração Quando deixe de tratá -lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão Quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Espelho de Pontuação Item Pontuação Obrigatoriedade de celebração de convênios. (0,25) Art. 155, §2º, XII, “g”, da CRFB OU LC 24/75. (0,25) Princípio da Anterioridade (0,25). Art. 150, III, b, da CRFB OU art. 104, III, do CTN; 178 do CTN (0,25). 0,00/0,25/0,50/0,25/1,00 Aplicação da Legislação Tributária Regra: Irretroatividade CTN, Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 44 Exceções: Art. 144, §1º, CTN §1º: Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Jurisprudência TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 106, estabelece que a lei nova mais benéfica ao contribuinte aplica-se ao fato pretérito, razão por que correta a redução da multa nos casos como os da espécie, em que a execução fiscal não foi definitivamente julgada. O referido artigo não especifica a esfera de incidência da retroatividade da lei mais benigna, o que enseja a aplicação do mesmo, tanto no âmbito administrativo como no judicial. Recurso especial provido. (STJ – REsp nº 295.762/RS, Relator: Ministro FRANCIULLI NETTO, Data de Julgamento: 05/08/2004, T2 - SEGUNDA TURMA). TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. LEI QUE PREVÊ REDUÇÃO DE MULTA. APLICAÇÃO RETROATIVA AOS FATOS NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADOS, QUER NA ESFERA ADMINISTRATIVA, QUER NA JUDICIAL (CTN, ART. 106, II, C). INOVAÇÃO NO PEDIDO FORMULADO NA INICIAL. INOCORRÊNCIA. FATO NOVO, QUE PODE SER CONHECIDO DE OFÍCIO PELO JUIZ (CPC, ART. 462). RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (STJ – REsp nº 488.326/RS, Relator: Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Data de Julgamento: 03/02/2005, T1 - PRIMEIRA TURMA) Gabaritando o XXIII Exame de Ordem / 4ª Questão 2ª Fase de Tributário | 46º Exame de Ordem Direito Tributário I Prof. Rafael Novais 45 A sociedade empresária “X” foi autuada pelo Estado “Z” em 35% do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e de Serviços (ICMS) devido, em razão do preenchimento incorreto de determinado documento fiscal. Observadas diversas inconsistências no auto de infração, os advogados da sociedade impugnaram administrativamente a autuação. No curso do processo, nova lei foi publicada, estabelecendo nova penalidade para os casos de preenchimento incorreto de documentos fiscais, agora no percentual de 15% do valor do imposto. Ocorre que, embora pendente a decisão da impugnação, o fisco inscreveu a sociedade em dívida ativa, assinalando, no termo de inscrição, a penalidade anterior, de 35%. Com base nessas informações e de acordo com o disposto no CTN, responda aos itens a seguir. A) O fisco poderia ter inscrito o contribuinte em dívida ativa naquele momento? Justifique. (Valor: 0,65) B) O percentual da multa assinalado no ato de inscrição está correto? Fundamente. (Valor: 0,60) Gabarito Comentado A) Não. A impugnação administrativa é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, impedindo que o fisco inscreva o crédito tributário em dívida ativa, na forma do Art. 151, inciso III, c/c o Art.