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PECULATO. Previsto no artigo 312 do CP. Existem diversas modalidades de Peculato. “Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.” A primeira parte do artigo prevê o peculato PRÓPRIO, onde o funcionário se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel de utilidade da qual tenha posse em razão de seu cargo. (Posse é obtida de forma lícita, num primeiro momento.) A segunda parte do artigo prevê o peculato DESVIO, onde o funcionário desvia o bem em benefício próprio ou alheio PECULATO-FURTO – Não é crime! (Nele o sujeito se apropria para fazer uso temporário e devolve) Tipo subjetivo: Dolo e o dolo específico de tornar-se dono da coisa através da inversão do título dominial Tipo objetivo: Apropriar-se ou desviar Consumação: Ocorre no momento em que o autor retira o objeto da disponibilidade da vítima e passa a ter o animus domini sobre ele. Bem jurídico tutelado: Patrimônio público e a probidade administrativa. Sujeito ativo: O funcionário público que comete o crime, o coautor ou partícipe por comunicação de elementar Sujeito passivo: Administração pública de modo primário e, secundariamente, a pessoa que perdeu o objeto. Crime instantâneo: se consuma com o desvio ou apropriação. (Outra corrente, contudo, entende ser crime material, na modalidade desvio, onde deve, necessariamente, causar prejuízo à administração pública) Tentativa: Admite em ambas as modalidades Ação Penal: É pública incondicionada. Ausente a elementar de funcionário público, o crime é desqualificado e torna-se APROPRIAÇÃO INDÉBITA, que é crime contra o patrimônio, que pode ser cometido por qualquer um. PECULATO-FURTO: É o previsto no parágrafo primeiro do artigo 312. É o chamado “peculato próprio”, onde o agente se apropria valendo-se da qualidade de funcionário público. (Ou seja, ele não tem a posse do dinheiro, bem ou valor, mas se apropria por ser funcionário público.) Tipo subjetivo: Dolo e dolo específico de ter a coisa como sua. “§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.” PECULATO-CULPOSO É o previsto nos §§ 2 e 3 do artigo 312 do CP, onde o funcionário público contribui, de modo culposo, para a prática delituosa de alguém, sendo negligente. Vale dizer que de acordo com o § 3, se a reparação do dano ocorrer antes da sentença transitada em julgada, haverá extinção da punibilidade. Se, contudo, o dano for reparado posteriormente, deve-se reduzir a pena pela metade. “§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. § 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.” A reparação, contudo, deve ser completa! O peculato culposo é de competência do juizado especial criminal, tendo em vista sua pena. PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM Aqui o agente entrega algo por puro erro ao funcionário público. Entretanto, se este último o induziu a erro, será PECULATO-ESTELIONATO. Sujeito ativo: funcionário público Sujeito passivo: estado e vítima secundariamente. Conduta: apropriar-se. Artigo 313 A e B são “crimes novos”, denominados de PECULATO-ELETRÔNICO. São crimes que surgiram em razão da informática, caracterizando uma mudança no modus operandi. Artigo 313-A “Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.” Aqui o agente insere ou facilita acesso ao terceiro. O funcionário, neste caso, deve ter vontade livre e consciente para inserir dado falso. O artigo fala em “funcionário autorizado”. Se não estiver autorizado, cometerá o crime do artigo 297 ou 299 do CP. Bem tutelado: Probidade da administração pública Sujeito ativo: funcionário público autorizado Sujeito passivo: Estado Conduta: Inserir, facilitar, alterar ou excluir Tipo subjetivo: dolo Consumação: ocorre com a conduta, independentemente de resultado material ou dano Tentativa: admite-se No artigo 313-B, o funcionário não precisa ter autorização, mas modifica dado. No peculato, a competência será sempre da justiça federal quando for bem da União, autarquias, empresas públicas. Residualmente, será do estado! No peculato-culposo, como vimos, a competência e do Juizado especial criminal. EXTRAVIO, SONEGAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO Previsto no artigo 314 CP. “Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente: Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave.” O documento pode ser pertencente à administração pública ou a um particular. Entretanto, o livro oficial é da administração. Bem tutelado: Administração pública. Sujeito ativo: Funcionário público que possui a guarda em razão do cargo Sujeito passivo: É o estado e, secundariamente, o proprietário do documento confiado à administração pública. Conduta: São várias. Extraviar, desviar, sonegar, inutilizar. Todas elas devem ser feitas pelo funcionário público que tenha como função guardar o livro oficial ou qualquer documento! Elemento subjetivo: Dolo Consumação: Ocorre com a prática da conduta independentemente de prejuízo Tentativa: Extravio e inutilização permitem. No caso de sonegação, não existe tentativa Ação penal: pública incondicionada. EMPREGO IRREGULAR DE VERBAS OU RENDAS PÚBLICAS “Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei: Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.” Bem tutelado: A administração pública e seu patrimônio Sujeito ativo: Crime próprio, só podendo ser cometido pelo funcionário público que tenha poder de disposição de verbas e rendas públicas. Conduta: Dar aplicação diversa; destinar diversamente do previsto em lei Destinação legal: O funcionário público DEVE destinar a verba de acordo com o que está previsto na lei! É uma legalidade estrita. Se for diversamente ao previsto, será crime. Renda pública são aquelas constituídas por dinheiro recebido pela fazenda pública. Verba pública é constituída por dinheiro e destinada à execução de determinado serviço público ou para outra finalidade de interesse público Elemento subjetivo: É o dolo. Consumação: No momento em que há a aplicação indevida da verba pública. Tentativa: Admite-se Ação penal: pública incondicionada. CONCUSSÃO “Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.” Portanto, o funcionário DEVE EXIGIR, de modo que atemoriza a vítima. Conduta: Exigir (em razão do emprego, cargo ou função pública que pratica, mesmo antes de assumi-la.) É um crime funcional impróprio, tendo em vista que se o sujeito ativo não for funcionário público, praticará o crime de extorsão previsto no artigo 158. Sujeito ativo: Funcionário público Sujeito passivo: É o estado e o particular intimidade Bem tutelado: Administração pública e liberdade do particular. A exigência deve ser feita de maneira clara ou implícita. Não é necessário a promessa de infligir um mal determinado, bastando o temor genérico que a autoridade inspira. O agente pode não estar no exercício da função no momento. O status de funcionário público é o suficiente A vantagem pode ter natureza distinta, mas NORMALMENTE é econômica (patrimonial) · · A vantagem DEVE ser indevida! · · · Consumação:É um crime formal. A mera exigência já o consuma, não havendo necessidade que a vítima ceda. Não se admite tentativa (Alguns a reconhecem, contudo – se feita por carta, por exemplo. Para essa corrente, desde que seja possível o fracionamento do iter criminis, poderá haver tentativa.) · Flagrante: Há discussão na doutrina. Alguns entendem que somente no momento em que se exige pode ocorrer o flagrante. · · Ação penal: pública incondicionada. Se for funcionário federal, será de competência federal. · CONCUSSÃO E EXTORSÃO: O primeiro ocorre por decorrência de cargo público. A segunda, contudo, não é decorrente de cargo. · CONCUSSÃO E CORRUPÇÃO PASSIVA: Normalmente, na corrupção há um acordo, não havendo exigência. · · EXCESSO DE EXAÇÃO: · “§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: · Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa · § 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos: · Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.” · É um tipo de concussão. Entretanto, neste caso, o funcionário exige um tributo ou uma contribuição social que sabe ser indevido ou, se devido for, emprega a exigência de modo não autorizado por lei. Quando tratarmos de tributo, então, falaremos em EXCESSO DE EXAÇÃO. · CORRUPÇÃO PASSIVA: · “Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: · Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.” · Ou seja, ocorre quando o funcionário público solicita ou recebe, para si ou para outrem, vantagem indevida. Pode acontecer também quando ele aceita promessa da vantagem. Pode ocorrer fora da função ou antes de assumi-la. · · É uma espécie de acordo entre o funcionário público e um terceiro Conduta: São alternativas (solicitar, receber e aceitar promessa – Nos dois últimos casos, terá corrupção ativa por parte do particular. Crime próprio, somente cometido por servidor público. O sujeito ativo SOMENTE poderá ser funcionário público. Elemento subjetivo: Dolo. Neste crime, há uma exceção à teoria monista, de modo que o particular responde por um Crime e o agente por outro. A bilateralidade (em receber e aceitar promessa) não é essencial, uma vez que o particular pode não aceitar dar a vantagem. Em regra, o delito de corrupção é unilateral, tanto que existem as formas passiva e ativa, conforme a qualidade do agente. Não é porque há corrupção passiva que vai haver corrupção ativa. O ato de ofício do funcionário público DEVE SER IDENTIFICADO! Ou seja, ele recebe a vantagem para fazer o ato de ofício – tal tese, conduto, foi relativizada pelo STF no caso do mensalão, onde poderá haver a PRESUNÇÃO de que recebeu para fazer algo. “§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. – Aqui, neste caso, o sujeito faz um ato de ofício ilícito. É a chamada “corrupção própria”. Há um aumento de pena. § 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: - Aqui temos a figura do “quebra galho”, retardando o que deveria ser feito. É a chamada “corrupção privilegiada”. É a modalidade mais branda e por este motivo tem uma pena reduzida. Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.” Consuma-se o crime de corrupção em 03 momentos distintos: · · Quando solicita a vantagem · · Quando recebe a vantagem sem qualquer solicitação · · Quando aceita a promessa de vantagem. · · É um crime formal, bastando a solicitação, o recebimento ou a aceitação. Não precisa de resultado. · · Tentativa: Não admite, exceto se for escrito! · · Ação penal: Pública incondicionada · · Competência: Federal quando afetar a união. · · Modalidade privilegiada: É de competência do JECRIM. · · Lei 10.763/03 tornou a pena da corrupção maior, equiparando-a ao peculato. O crime de concussão permaneceu com uma pena menor! Há uma grande discussão por este motivo, uma vez que parece ser mais “benéfico” EXIGIR do que solicitar, visto que a pena da concussão é menor. · Está com dúvidas sobre seus direitos · Receba orientações iniciais e entenda o que fazer no seu caso. · Solicitar orientação · FACILITAÇÃO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO: “Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 334): Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.” · Contrabando: O produto é ilegal, não permitido. · · Descaminho: O produto é legal, mas não há o pagamento do imposto · · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: Somente funcionário público, sendo crime próprio. O funcionário, aqui, tem o dever funcional de reprimir ou fiscalizar o contrabando, bem como de cobrar os impostos. · · Sujeito passivo: Estado. · · Conduta: Facilitar, por ação ou omissão. · · Elemento subjetivo: Dolo. Deve haver a consciência e vontade do agente que age violando dever funcional · · Consumação: Independe do resultado, bastando somente a facilitação · · Tentativa: Apenas se a facilitação se der por ação · · Ação penal: Pública incondicionada · · O SUJEITO ATIVO DEVE TER A OBRIGAÇÃO DE FISCALIZAR E REPRIMIR, BEM COMO DE COBRAR OS IMPOSTOS! · PREVARICAÇÃO “Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.” · Bem tutelado: administração pública · · Tipo subjetivo: Dolo, com finalidade específica de satisfazer interesse ou sentimento pessoal · · Conduta: Retardar (procrastinar) – omissiva; Deixar de praticar – omissiva; Praticar – comissiva (deve ser contra a lei) · · Consumação: Ocorre com o retardamento, omissão ou realização do ato. · · Tentativa: Admite apenas na conduta comissiva, de realizar. Retardar ou deixar de praticar, não admite. · “Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.” Trata-se de uma modalidade de crime omissivo, onde o diretor da penitenciária ou o agente público que POSSUI o dever de vedar acesso a aparelho telefônico permite sua utilização. É um crime omissivo próprio (como se comissivo fosse) · Deve haver o dever do agente público ou do diretor da penitenciária de vedar o acesso ao aparelho telefônico! O preso pode se comunicar com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, leitura e outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. · · Bem tutelado: Administração público · · Sujeito ativo: Agente público ou diretor da penitenciária que possui o dever de vedar · · Sujeito passivo: Estado · · Conduta: “deixar”, sendo omissivo · · Tentativa: Não admite · · Consumação: ocorre com a mera omissão · · Ação penal: Pública incondicionada · · Crime formal que independe de resultado naturalístico. · CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA “Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.” Há uma relação hierarquizada aqui. Por exemplo: se o delegado deixa de punir ou responsabilizar o escrivão, há condescendência. Agora, se o escrivão deixa de reportar a infração do seu superior – delegado, no caso - haverá prevaricação (por medo), no máximo. · Bem tutelado: Administração pública.· · Conduta: Deixar de responsabilizar ou não levar fato à autoridade competente. · · Tipo subjetivo: Doloso. Deve haver, também, uma indulgência, isto é, tolerância, deixando de punir ato que deveria ser punido. · · Consumação: É crime omissivo próprio, consumando-se com a omissão · · Sujeito ativo: funcionário público · · Sujeito passivo: Estado · · Tentativa: Não se admite · · Ação penal: pública incondicionada. · “Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário: Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo: Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.” · Bem tutelado: Administração pública · · Conduta: Patrocinar – que significa advogar; proteger; beneficiar; favorecer; defender. O agente usa das facilidades de seu cargo para a prática deste crime. · · Interesse privado: É qualquer vantagem a ser obtida pelo particular, podendo ser legítima oi ilegítima perante à administração pública · · Interesse do próprio funcionário: Não caracteriza crime, no máximo uma falta grave. O interesse a ser satisfeito deve ser de um PARTICULAR. · · Consumação: Ocorre com o patrocínio, independentemente de resultado. Ou seja, ocorre com o favorecimento · · Tentativa: Admite-se. · · É NECESSÁRIO TER UM PÚBLICO E UM PRIVADO NESTE CRIME. · §único trata de uma qualificadora. Ocorre quando a advocacia administrativa visa favorecer interesse ilegítimo. · Admite suspensão condicional do processo, pela lei 9.099/95. · VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA “Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la: Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência.” · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: funcionário público · · Sujeito passivo: Estado e, secundariamente, quem sofre a violência · · Conduta: Praticar violência. – abrangendo as vias de fato – lesão corporal ou homicídio · · A conduta deve ser praticada no exercício da função do agente ou a pretexto de exercer essa função · · Tipo subjetivo: Dolo · · Consumação: Consuma-se com a efetiva prática da violência · · Tentativa: Teoricamente é admissível, visto que tratamos de um ato comissivo e que pode ser fracionado · · Ação penal: pública incondicionada · · Há discussão se foi revogado ou não. Damásio de jesus lidera a corrente que acredita ser. Entretanto, existem julgados em diversos sentidos. · “Abandono de função Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. § 1º - Se do fato resulta prejuízo público: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. § 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: Pena - detenção, de um a três anos, e multa.” · Bem tutelado: Administração pública, no que diz respeito ao serviço que é prestado · · Sujeito ativo: Trata-se de crime próprio, sendo cometido por funcionário público investido no cargo · · Sujeito passivo: Estado · · Conduta: Abandonar – deixar, renunciar, desistir. · · O abandono deve ser total e por tempo relevante. O abandono parcial e por tempo insignificante que não gere dano não constitui o delito · · O abandono não deve ser permitido por lei · · Se o abandono ocorrer por força maior ou estado de necessidade, o fato será atípico. · · Tipo subjetivo: Dolo (devendo o agente ter consciência que não pode deixar o cargo e vontade de abandonar) · · Consumação: Ocorre com o efetivo abandono do cargo público, por tempo juridicamente relevante · · Tentativa: É crime omissivo próprio e, por este motivo, não é admitida. · EXERCÍCIO FUNCIONAL ILEGAL, ANTECIPADO OU PROLONGADO “Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.” · Bem tutelado: administração pública · · Sujeito ativo: Deve ser cometido por funcionário público, exceto na segunda modalidade, onde o autor continua exercendo sem autorização · · Sujeito passivo: O Estado · · Conduta: Entrar no exercício antes de satisfazer as exigências ou continuar a exercer a função sem autorização · · Tipo subjetivo: Dolo · · Consumação: Ocorre com o primeiro ato de ofício indevido · · Tentativa: Admite-se, mas é de difícil configuração · VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL “Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. § 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: I - permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; II - se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. § 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa” · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: Funcionário público que tem ciência do fato em razão do cargo e que este fato deve permanecer em silêncio · · Sujeito passivo: Estado · · Conduta: Revelar – contar; Facilitar descobrimento – tornar fácil · · Deve haver possibilidade de dano para que seja considerado crime. · · Consumação: Consuma-se com o conhecimento do segredo por terceiro · · Tentativa: Admite-se na facilitação e na revelação, desde que esta última não seja oral. · · § 2 traz a figura qualificada, que ocorre quando há dano para a administração pública ou terceiro. · · Se for um segredo particular e não da administração pública, o funcionário pode incidir nos artigos 152, 153 e 154 do CP. · · Admite-se a suspensão condicional do processo pela pena menor que um ano · · Ação penal: pública incondicionada. · VIOLAÇÃO DE SIGILO DE PROPOSTA DE CONCORRÊNCIA · Revogado pelo artigo 94 da lei de licitações. · DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULARES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA “Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública: Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem: Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.” · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: Crime comum, pode ser qualquer pessoa, até mesmo o funcionário público incompetente ou investido em outra função (agente pratica ato de forma ilegítima, pois não tem competência) · · Sujeito passivo: Estado · · Conduta: Usurpar – assumir ou exercer indevidamente. · · Tipo Subjetivo: Dolo. · · Não há modalidade culposa. Desse modo, o agente deve ter consciência e vontade de usurpar a função · · Consumação: Consuma-se com o ato de ofício que o agente não pode fazer. · · Tentativa: Teoricamente é admissível · · Se o agente auferir vantagem para si ou para outrem, qualificará o crime! · · É diferente de estelionato. Neste último, o agente se apresenta como funcionário público para induzir alguém a erro. · · Se o agente não pratica qualquer ato de ofício mas se apresenta como funcionário, recairá em contravenção penal, nos artigos 45 e 46 da LCP · · Ação penal: Pública incondicionada · CRIME DE RESISTÊNCIA “Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: Pena - detenção, de dois meses a dois anos. § 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa: Pena - reclusão, de um a três anos. § 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.” · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: Qualquer pessoa, independentemente de ser funcionário público · · Sujeito passivo: Estado e, secundariamentea pessoa que esteja executando o ato ou prestando auxílio · · Conduta: Opor-se (o ato aqui deve ser legal, tanto formal quando substancialmente), por violência ou ameaça. · · Pressupostos: Legalidade do ato; competência do funcionário para executar e oposição positiva (resistência passiva não configura) · · Tipo subjetivo: Dolo, com o fim específico de evitar a realização do ato. · · Consumação: Consuma-se com a efetiva oposição · · Tentativa: Obviamente admitida. · · Qualifica se o agente consegue, de fato, evitar a realização · · A negativa de acompanhar o policial, a negativa de abrir a porta ou outros atos de indisciplina não caracterizam o delito, podendo caracterizar, no máximo, desacato. · · Se o sujeito praticar um homicídio ou uma lesão, haverá concurso material! · · Ação penal: Pública incondicionada · DESOBEDIÊNCIA “Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.” · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: Qualquer pessoa, sendo crime comum · · Sujeito passivo: Estado. · · Conduta: Desobedecer ordem legal. · · Deve ser uma ORDEM (pedido não caracteriza). A ordem deve ser legal, tanto formal quando substancialmente. · · Tipo subjetivo: Dolo · · Consumação: Consuma-se no momento em que há a ação ou omissão, após o decurso de prazo para cumprir a ordem · · Tentativa: É admitida apenas na modalidade comissiva. · · Quando a lei extrapenal comina sanção civil ou administrativa e não prevê a cumulação com o artigo 330 do CP, não caracteriza o delito. · · Ação penal: pública incondicionada. · DESACATO “Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.” · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: Qualquer pessoa, sendo crime comum · · Sujeito passivo: Estado e funcionário, secundariamente. · · Conduta: Desrespeitar, ofender funcionário público no exercício da função ou em razão dela · · É necessária a presença do ofendido, caso contrário não haverá desacato, e sim injúria qualificada. · · Tipo subjetivo: Dolo, com a finalidade de menosprezar · · O desacato absorve as vias de fato, como a lesão corporal leve, a ameaça, a difamação e a injúria. Se houver crimes mais graves, haverá concurso formal · · Ação penal: Pública incondicionada. · TRAFICO DE INFLUÊNCIA “Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário.” · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: Qualquer pessoa, sendo crime comum. · · Sujeito passivo: É o estado · · Conduta: Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem. · · Mesmo que a pessoa não tenha, de fato, toda a influência que diz ter, cometerá o crime. · · Tipo subjetivo: Dolo, visando influir no ato praticado por funcionário público. · · Consumação: Consuma-se o delito com a mera solicitação, exigência ou cobrança da vantagem ou promessa desta. · · Tentativa: Admite-se, mas é de difícil configuração. · · Há forma qualificada quando é insinuado que a vantagem também se destina ao funcionário público. · CORRUPÇÃO ATIVA “Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.” · Bem tutelado: Administração pública · · Sujeito ativo: Qualquer pessoa, independentemente de sua condição ou qualidade pessoal · · Sujeito passivo: Estado · · Conduta: Oferecer ou prometer vantagem indevida, visando a prática, omissão ou retardo do ato de ofício por parte deste. · · A oferta deve ser feita espontaneamente pelo agente. Se houver exigência por parte do funcionário, será concussão (316 CP) · · Tipo subjetivo: Dolo, com o fim específico da prática, omissão ou retardo do ato de ofício. · · Bilateralidade pode ocorrer, mas não é obrigatória. Isto é, para que ocorra, não é necessário que também ocorra corrupção passiva. · · Consumação: Consuma-se no momento em que o funcionário passa a ter ciência da oferta ou da promessa de vantagem indevida · · Tentativa: Admite-se, mas é de difícil configuração, pois a oferta deve ser escrita, neste caso. · · Forma majorada: Ocorre na hipótese do parágrafo único, quando há realmente a prática ou a omissão do ato. Trata-se de exaurimento do crime. · · Ação penal: Pública incondicionada · · Este crime é uma exceção à teoria monista: O funcionário que aceita a vantagem indevida não pratica crime de corrupção ativa, mas de corrupção passiva. Além disso, se o particular dá o dinheiro solicitado na corrupção passiva, não estará cometendo corrupção ativa, isto pois a oferta, no crime em questão, deve ser espontânea. · · Colocar dinheiro na bolsa que será revistada por funcionário público caracteriza a corrupção ativa, conforme entendimento majoritário, pois trata-se de forma velada de corrupção ativa, entendem que há uma oferta, neste caso. · · É um crime formal, isto é, não precisa do resultado. A simples oferta já é o suficiente. ·