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ROTEIRO DA APA PARA O ALUNO PRÁTICA FLEXÍVEL: ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA INDICES CORPORAIS E TÉCNICAS DE INJETAVEIS Professora Simone do Carmo Ropelatto Abreu 2 ROTEIRO DA APA PARA O DISCENTE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA 1. Todos os campos do Formulário Padrão deverão ser devidamente preenchidos. 2. Esta é uma atividade individual. Caso seja identificado plágio, inclusive de colegas, a atividade será zerada. 3. Cópias de terceiros como livros e internet, sem citar a fonte caracterizam-se como plágio, sendo o trabalho zerado. 4. Ao utilizar autores para fundamentar seu Projeto Integrador, os mesmos devem ser referenciados conforme as normas da ABNT. 5. Ao realizar sua atividade, renomeie o arquivo, salve em seu computador, anexe no campo indicado, clique em responder e finalize a atividade. 6. Procure argumentar de forma clara e objetiva, de acordo com o conteúdo da disciplina. Formatação exigida: documento Word, Fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12. ORIENTAÇÕES GERAIS 3 POR QUE PRECISO APRENDER ISSO ? 1. Conhecer e aplicar as práticas relacionadas à teoria aprendida. 2. Capacitar o aluno para a realização correta das práticas rotineiras do serviço de assis- tência farmacêutica. 3. Compreender os conceitos teóricos a respeito dos índices corporais. A assistência farmacêutica realiza serviços básicos de atendimento ao paciente nas mais diversas áreas de atuação profissional. Portanto, se faz necessário a compreensão do aluno para a correta execução dos seguintes temas abordados ao longo deste material: Pressão arterial, verificação de temperatura, índices corporais, técnica de injetáveis. ÍNDICES CORPORAIS 4 AMBIENTE NA PRÁTICA Caro aluno (a) Você realizará a aula prática no conforto de sua residência. Para isso, escolha um espaço adequado, como a sala de sua casa, que ofereça segurança e comodidade para a execução da atividade. Será necessário contar com a participação de uma pessoa que atuará como paciente fictício, auxiliando na prática. 5 EMBASAMENTO TEÓRICO O uso de indicadores antropométricos na avaliação do estado nutricional de indivíduo é adequada e viável para ser adotada em serviços de saúde, considerando as suas vantagens como: baixo custo, a simplicidade de realização, sua facilidade de aplicação e padronização, amplitude dos aspectos analisados, além de não ser invasiva. A avaliação antropométrica é um método de investigação em nutrição baseado na medição das variações físicas de alguns segmentos ou da composição corporal global. É aplicável em todas as fases do curso da vida e permite a classificação de indivíduos e grupos segundo o seu estado nutricional. Outra vantagem da utilização de indicadores antropométricos é a grande quantidade de ferramentas e recursos metodológicos e técnicos disponíveis para a análise da situação nutricio- nal de indivíduos ou populações. Todavia, o método antropométrico estimula o agrupamento dos diagnósticos individuais e permite traçar o perfil nutricional dos grupos de situação nutricional mais vulnerável em faixas etárias, regiões ou em nível nacional. Por serem de uso corrente em todo o mundo, os indicadores antropométricos permitem que se façam comparações internacio- nais da situação nutricional de grupos vulneráveis e o amplo estudo de seus determinantes em plano regional, nacional ou internacional (Brasil, 2011). A organização mundial da saúde (OMS) recomenda a adoção de índices antropométricos e parâmetros específicos que devem ser adotados de acordo com cada fase da vida como mostrado no Quadro 1. QUADRO 1 - ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS E DEMAIS PARÂMETROS ADOTADOS PARA A VIGILÂNCIA NUTRICIONAL Fonte: Ministério da Saúde (Brasil, 2011). FASES DA VIDA ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS E PARÂMETROS Crianças Peso por idade (P/I) Estatura por idade Peso por estatura (P/E) IMC por idade Adolescentes IMC por idade Estatura por idade Adultos IMC Circunferência da Cintura Idosos IMC Gestantes IMC por semana gestacional Ganho de peso gestacional 6 Os índices antropométricos são utilizados como o principal critério para o acompanhamento sistemático do crescimento e do desenvolvimento infantil promovendo o monitoramento das con- dições de saúde e nutrição da criança assistida, desde quadros de desnutrição até o sobrepeso e a obesidade. Os índices antropométricos mais amplamente usados, recomendados pela OMS e adota- dos pelo Ministério da Saúde para a avaliação do estado nutricional de crianças, são: • Peso-para-idade (P/I): expressa a relação entre a massa corporal e a idade cronológica da criança. É o índice utilizado para a avaliação do estado nutricional, presente na Caderneta de Saúde da Criança, principalmente para avaliação do baixo peso. Essa avaliação é muito adequa- da para o acompanhamento do ganho de peso e reflete a situação global da criança; porém, não diferencia o comprometimento nutricional atual ou agudo dos pregressos ou crônicos. Por isso, é importante complementar a avaliação com outro índice antropométrico. • Peso-para-estatura (P/E): este índice não considera a informação referente a idade; expressa a harmonia entre as dimensões de massa corporal e estatura. É utilizado tanto para identificar o emagrecimento da criança, como o excesso de peso. • Índice de Massa Corporal (IMC) para-idade: expressa a relação entre o peso da criança e o quadrado da estatura. É utilizado para identificar o excesso de peso entre crianças e tem a vantagem de ser um índice que será utilizado em outras fases do curso da vida. • Estatura-para-idade (E/I): expressa o crescimento linear da criança. É o índice que melhor indica o efeito cumulativo de situações adversas sobre o crescimento da criança. É considerado o indicador mais sensível para aferir a qualidade de vida de uma população. Trata-se de um índice incluído recentemente na Caderneta de Saúde da Criança. Para o diagnóstico nutricional de adultos a recomendação é utilizar o IMC e o parâmetro de circunferência abdominal, a utilização deste método apresentam as seguintes vantagens: a) facilidade de obtenção e padronização das medidas de peso e altura; b) dispensa a informação da idade para o cálculo; c) possui alta correlação com a massa corporal e indicadores de com- posição corporal e d) não necessita de comparação com curvas de referência. Todavia, a análise dos índices corporais é importante para prevenção e tratamento da obesidade, sendo primordial realizar a avaliação antropométrica com medição da massa corporal, estatura, cálculo do índice de massa corporal (IMC), além das circunferências corporais (Brasil, 2011). • Massa Corporal: é caracterizada pela quantidade de matéria que compõem o corpo humano, representada pelo peso do indivíduo obtido através da pesagem do indivíduo com quantidade mínima de roupas realizada em balança. 7 • Estatura: é a medida entre o ponto mais alto (topo da cabeça) e a planta dos pés, para realizar a medida o indivíduo deve estar descalço. A medida da estatura é feita por régua antro- pométrica acoplada na balança. • Índice de Massa Corporal (IMC): é a relação entre a massa corporal e a estatura, sendo utilizada para estimar o sobrepeso. Este índice é referente a divisão da massa corporal (peso) pelo quadrado da estatura (altura). O IMC É CALCULADO PELA SEGUINTE FÓRMULA: • Circunferências corporais: são as medidas obtidas no sentido transversal aferidas utili- zando uma fita antropométrica. As medidas de circunferências corporais apresentam finalidades distintas dependendo do local analisado, circunferências de membros superiores e inferiores tem o objetivo de acompanhar o tamanho destas regiões e comparar os tamanhos entre lados direito e esquerdo, por exemplo, para indivíduo que realiza a prática de musculação o acompanhamento da circunferência dos braços, coxa e perna servirá como parâmetro para analisar a hipertrofia muscular (aumento do volume muscular). No entanto, as medidasde circunferências da região abdominal estão associadas à gordura visceral sendo utilizadas como indicadores de saúde para diagnóstico e acompanhamento das condições de saúde do indivíduo (Wassmansdorf, 2020). De acordo com a I Diretriz Brasileira de Diagnóstico de Tratamento da Síndrome Metabóli- ca, a obesidade abdominal é detectada por meio da circunferência abdominal com valores entre 94-102cm para homens e 80-88cm para mulheres, auxiliando na monitorização dos fatores de risco para doenças coronarianas (Sociedade Brasileira De Cardiologia, 2005). A medida da circunferência da cintura auxilia no melhor prognostico de doenças crônicas não transmissíveis que vêm apresentando índices crescentes. Dentre estas doenças crônicas não transmissíveis destaca-se o diabetes que é uma doença de grande prevalência. Os critérios para diagnóstico de diabetes compreendem a presença de poliúria (volume exagerado de urina por dia), polidipsia (ingestão excessiva de água por dia) e glicemia casual igual ou superior a 200 mg/dl, ou glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl ou, ainda, superior a 200 mg/dl, 2 horas pós-sobrecarga com 75 g de glicose. Após o diagnóstico, a avaliação periódica, antropométrica e de dados bioquímicos é fundamental no planejamento de um tratamento mais adequado (Pereira; Silva, 2017). 8 O sobrepeso, a obesidade ou o aumento do percentual de gordura corporal são comuns em pacientes diabéticos tipo 2, elevando o risco de desenvolvimento de outras doenças crônicas não transmissíveis ou agravamento do diabetes. É de conhecimento cientifico que o aumento da circunferência abdominal, é caracterizado pelo acúmulo de gordura abdominal que tem sido relatada como fator indutor de diversas alterações metabólicas, como intolerância à glicose ou diabetes mellitus, hipertensão arterial e alterações nas concentrações plasmáticas de lipopro- teínas. Podendo ser um fator responsável por descompensação da glicemia ou contribuindo para o surgimento da doença (Pereira; Silva, 2017). É importante o monitoramento dos índices corporais para acompanhamento do estado nutricional dos pacientes e para controle prognóstico de condições patológicas auxiliando no diagnóstico precoce e tratamento. Vídeo Teórica e Prática https://www.youtube.com/playlist?list=PLMygX6qaUk9JM0e4yBMDb-GIGv_zNLsWm https://www.youtube.com/playlist?list=PLMygX6qaUk9JM0e4yBMDb-GIGv_zNLsWm https://www.youtube.com/playlist?list=PLMygX6qaUk9JM0e4yBMDb-GIGv_zNLsWm https://www.youtube.com/playlist?list=PLMygX6qaUk9JM0e4yBMDb-GIGv_zNLsWm 9 RECURSOS UTILIZADOS Materiais de consumo: Descrição Observação Jaleco Material a ser fornecido pelo aluno. Balança digital corporal; Fita métrica de 1,5 metro. Álcool 70º Algodão Papel toalha Materiais a serem fornecidos pelo aluno. ATENÇÃO: SAÚDE E SEGURANÇA Caros alunos (as), Este projeto integrador visa lhes proporcionar a experiência prática de técnicas básicas executadas na rotina da farmácia. Todavia, para que sua segurança e integridade física seja mantida é indispensável a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s). a) Uso obrigatório de jaleco: longo, branco, de tecido; b) Vestuário adequado e obrigatório: uso de calça comprida e sapatos fechados, além de cabelos presos. c) As mãos devem ser lavadas com sabão antes de realizar o procedimento e logo o término do procedimento. 10 O QUE PRECISO FAZER NESSA ATIVIDADE PRÁTICA PROCEDIMENTO 1: MENSURAÇÃO DA MASSA CORPÓREA 1. Solicitar que o paciente retire agasalhos pesadas, objetos e sapatos; 2. Verifique se a balança está em uma superfície plana e firme. 3. Ligue a balança. 4. Solicitar que o mesmo suba na balança, permanecendo ereto e imóvel. Certifique-se de estar ereto, com o peso distribuído em ambos os pés 5. Posicione-o no centro da balança. 6. Espere o peso estabilizar. 7. Anotar a medida verificada; Na sequência realize a mensuração da estatura. PROCEDIMENTO 2: MENSURAÇÃO DA ESTATURA 1. Após verificar o peso, peça para o paciente descer da balança e posicionar-se de costas para uma parede lisa e reta. 2. O paciente deve permanecer em pé, com a postura ereta, olhando para frente, sem inclinar a cabeça para cima ou para baixo. Os pés devem estar juntos e encostados na parede. Coloque um livro de capa dura ou qualquer objeto reto sobre a cabeça do paciente, de forma que ele fique nivelado com o topo da cabeça. 3. Empurre o livro levemente contra a parede para garantir o alinhamento. Sem mover o livro, faça uma pequena marca na parede com um lápis na base do livro. 4. Com a ajuda de uma fita métrica, meça a distância entre a marca feita na parede e o chão. 5. Registre o valor obtido para acompanhamento. PROCEDIMENTO 3: MENSURAÇÃO DA CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL 1. Pedir que o paciente fique ereto e posicione a fita métrica no ponto médio entre as duas últimas costelas (cintura). Se você não sabe onde ele se localiza, basta passar a fita na altura do umbigo, envolvendo todo o diâmetro do corpo sem apertar muito a fita. 2. Anote a medida. 11 RELATÓRIO Caro aluno (a), Você deverá entregar o Relatório tipo Apresentação Simples (Power point). Para isso, faça o download do template, disponibilizado junto a este roteiro, e siga as instruções contidas no mesmo. 12 MATERIAISMATERIAIS COMPLEMENTARES COMPLEMENTARES • Calculadora para o IMC do site da Biblioteca Virtual em Saúde e tabela de valores de referência para o IMC. Disponível em: https://aps.bvs.br/apps/calculadoras/?page=6 • Vídeo aferição de peso de adultos em balança mecânica. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=U7dfPfUz3fQ • Vídeo mensuração da circunferência abdominal. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=4_Vfys6mEvc https://aps.bvs.br/apps/calculadoras/?page=6 https://www.youtube.com/watch?v=U7dfPfUz3fQ https://www.youtube.com/watch?v=U7dfPfUz3fQ https://www.youtube.com/watch?v=4_Vfys6mEvc https://www.youtube.com/watch?v=4_Vfys6mEvc 13 POR QUE PRECISO APRENDER ISSO ? TÉCNICA DE INJETÁVEIS 1. Conhecer e aplicar as práticas relacionadas à teoria aprendida. 2. Capacitar o aluno para a realização correta das práticas rotineiras do serviço de assis- tência farmacêutica. 3. Compreender os conceitos teóricos a respeito da aplicação de injetáveis que servirão de base para a execução correta da técnica de aferição da pressão arterial. A assistência farmacêutica realiza serviços básicos de atendimento ao paciente nas mais diversas áreas de atuação profissional. Portanto, se faz necessário a compreensão do aluno para a correta execução dos seguintes temas abordados ao longo deste material: Pressão arterial, verificação de temperatura, índices corporais, técnica de injetáveis. AMBIENTE NA PRÁTICA Caro aluno (a) Você realizará a aula prática no conforto de sua residência. Para isso, escolha um espaço adequado, como a sala de sua casa, que ofereça segurança e comodidade para a execução da atividade. Será necessário contar com a participação de uma pessoa que atuará como paciente fictício, auxiliando na prática. 14 O farmacêutico tem atribuição e autonomia para atuar em diversas áreas, executando os serviços farmacêuticos que lhe são atribuídos pela legislação. A Lei no 5.991, publicada em 1973, permitiu a aplicação de medicamentos injetáveis em farmácias no Brasil, sendo este um serviço prestado rotineiramente em farmácias e drogarias. Conforme previsto na RDC nº 44/09 da Anvisa que regulamenta a realização deste serviço farmacêutico somente mediante sua presença na licença de funcionamento assim como, os demais serviços previstos na normativa. A aplicação de medicamentos injetáveis deve ser realizada na sala de serviços farmacêuti- cos, pelo profissional farmacêutico devidamente capacitado. De acordo com a RDC nº 44/09 da Anvisa, atribuí a administração de medicamentos em farmácias e drogarias no contexto do acompanhamento farmacoterapêutico e detalha as seguin- tes normas: ● Fica proibidoa administração de medicamentos de uso exclusivo hospitalar; ● Para a administração, será exigida a receita médica para avaliação do farmacêutico; ● Em caso de qualquer problema ou dúvidas com relação à prescrição, o farmacêutico deverá entrar em contato com o médico; ● É de competência do farmacêutico entrar em contato com o profissional prescritor para esclarecer eventuais problemas ou dúvidas que tenha detectado no momento da avaliação da receita; ● Os medicamentos de múltiplas doses devem ser entregues ao usuário em caso de so- bra, sendo o usuário orientado quanto o armazenamento para a preservação do produto; A administração de medicamentos injetáveis por via parenteral acontece através de 4 vias: intradérmina, subcutânea, intramuscular e endovenosa. 1. VIA INTRADÉRMICA Consiste na administração de medicamentos na derme, sendo indicada para aplicação da vacina BCG, região deltóide do braço direito. E para a realização de testes diagnósticos e de hipersensibilidade, o local mais utilizado é a região escapular e a face interna do antebraço. O volume da administração não deve ultrapassar 0,5ml, por ser um tecido de pequena expansibi- lidade, sendo utilizada seringa de 1ml e agulha 10x5 e 13x4,5 e a administração deve ser feita com a agulha no ângulo de 15°. Após a aplicação correta, identifica-se a formação de pápula, caracterizada por pequena elevação da pele no local onde o medicamento foi introduzido. EMBASAMENTO TEÓRICO 15 2. VIA SUBCUTÂNEA Essa via de administração é caracterizada pela absorção mais lenta do que a da via intra- muscular. No entanto, é uma via que comporta pequenos volume de administração, entre 0,5 ml a 1 ml. Indica-se a utilização de via para administração de vacinas, insulina e anticoagulantes. O ângulo da administração depende da agulha utilizada, se a agulha for de 10x5 aplicar no ângulo de 90° e para agulha de 25x7, aplicar no ângulo de 45°. Os locais de aplicação é a face externa do braço, face anterior e externa da coxa, região periumbilical, região glútea, escapular e flanco direito ou esquerdo. 3. VIA ENDOVENOSA Essa via proporciona a ação rápida do medicamento quando comparada com as demais vias, exige atenção e cuidado pois pode ocasionar sérias complicações ao paciente caso as recomendações, soluções administradas por essa via devem ser cristalinas, não-oleosas e sem flocos em suspensão. É imprescindível a retirada de bolhas de ar na seringa para evitar a ocor- rência de embolia no paciente. Para a administração de pequenas quantidades de medicamentos recomenda-se a aplica- ção de medicamentos nas veias periféricas de grande calibre: região cubital (dobra do cotovelo), dorso da mão e antebraço. 4. VIA INTRAMUSCULAR A administração de medicamentos via intramuscular (IM) é considerada um procedimento cotidiano por ser uma prática de qualidade e mais segura ao paciente. Diversas decisões re- lacionadas ao volume a ser injetado, medicação a ser administrada, técnica de administração, seleção do local dispositivos devem ser consideradas a respeito da idade do paciente, constitui- ção corpórea e condições pré-existentes tais como, distúrbios de coagulação. Desta forma, sua consecução requer que o profissional possua conhecimentos técnicos específicos (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). É utilizada para administrar medicamentos irritantes, por ser menos dolorosa devido ao menor número de terminações nervosas no tecido muscular profundo. A absorção é mais rápida do que no caso da aplicação subcutânea. Todavia, o volume a ser administrado deve ser compa- tível com a massa muscular, que varia de acordo com a idade, localização e estado nutricional (Brasil, 2003). A seleção do local de injeção é importante, pois a escolha incorreta pode causar dano a nervos, vasos sanguíneos ou ao próprio tecido muscular, recomenda-se optar pela escolha de um músculo saudável, sem lesões ou ferimentos visíveis e que não tenha recebido injeções 16 recentes (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). Trataremos a seguir sobre alguns aspectos importantes que devem ser considerados a respeito da técnica de aplicação de injetáveis IM: 4.1) Locais de administração IM Conhecer a Anatomia humana é fundamental pois permite a identificação dos grupos mus- culares para a escolha da administração IM. Inicialmente, após a escolha do local selecionado, o mesmo deve ser avaliado quanto aos sinais de inflamação, edema, infecção, lesões cutâneas caso o local apresente estas características o mesmo deve ser evitado. Para preservação do local, é de extrema importância a realização de rodizio dos locais para todos os pacientes que necessitam de administração intramuscular frequente. Esta alternância de locais é feita para evitar a repetição de locais de administração, e assim, preservar a integridade da área utilizada. Contudo, existem 4 locais utilizados habitualmente para a administração de medicamentos via intramuscular e são eles: 4.2) Músculo Deltóide O deltóide é local de escolha para administração de pequenos volumes de medicamentos e administração de imunizantes. O local da aplicação é determinado através do traçado de uma linha imaginária através da axila e outra ao nível da borda inferior do acrômio, entre três e sete centímetros do acrômio. As bordas laterais do retângulo são linhas verticais paralelas localizadas entre o terço anterior e o médio e entre o terço posterior e o médio da face lateral do braço. Para adultos com peso normal, o volume adequado de medicamento em aplicação no deltóide é de aproximadamente 2ml (Brasil, 2003). Artigos mostram casos de complicações locais pós-injeções intramusculares via deltóide em adultos, sendo identificando casos de contratura muscular do deltóide, necrose muscular e lesões de graus variáveis do nervo axilar, pois se localiza a cinco centímetros da borda lateral do acrômio. A lesão nervosa pode ocorrer por três mecanismos: irritação química por ação tóxica do medicamento, neurite progressiva e inflamatória relacionada à administração de vacinas, ou por lesão mecânica direta do nervo pela agulha. Em virtude da variação anatômica do nervo axilar e levando-se em consideração o potencial de sequela causada pela lesão neural, o músculo deltóide não deve ser o local de primeira escolha para injeção intramuscular (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). 17 4.3) Músculo Vasto Lateral Esse músculo está localizado na região antero-lateral da coxa, como mostrado na imagem abaixo. É o local de escolha para aplicar injeções IM nos lactentes, já que representa a maior massa muscular nessa faixa etária, sendo também um ótimo local para a injeção nos adultos saudáveis. A administração de medicamentos nessa via deve ser feita com o paciente sentado com a perna dobrada ou em decúbito dorsal e a perna distendida (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). 4.4) Músculo Reto Femoral O músculo reto femoral está localizado medialmente ao músculo vasto lateral. Este local para administração de medicamentos pode ser utilizado tanto em crianças quanto em adultos quando os outros locais não são adequados. A vantagem na utilização desse músculo para apli- cação de medicações é que pode ser usado facilmente pelos pacientes para autoadministração. Enquanto isso, a desvantagem é que sua borda medial fica bem próxima do nervo ciático e de vasos sanguíneos importantes. Caso o músculo não seja bem desenvolvido, as injeções nesse local também podem causar um desconforto considerável (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). O paciente deve estar posicionado em decúbito dorsal a perna relaxada. O volume máximo de líquido recomendado para ser injetado neste músculo é de 4-5 ml para adultos. 4.5) Região Glútea A região glútea é um local comumente utilizado para a administração de injeções. Esta região pode ser dividida em dois locais distintos: área ventroglútea e área dorsoglútea.Para adultos com peso normal, o volume adequado de medicamento em aplicação na região glútea é de aproximadamente 4 ml (Brasil, 2003). A região ventroglútea é um local de fácil acesso, o paciente deve estar em decúbito ventral, dorsal ou lateral. A localização da região é feita colocando-se a palma da mão na porção lateral do glúteo e o dedo médio estendendo-se até a crista ilíaca, injeção é aplicada no centro do V formado pelos dedos indicador e médio, direcionando-se a agulha discretamente para cima, na direção da crista ilíaca. Esta área tem sido considerada a opção mais segura para injeção na região glútea, sendo recomendada como local de primeira escolha para injeções IM, uma vez que evita a punção acidental de vasos sanguíneos e nervos, havendo poucos relatos de complicações associadas (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). 18 Todavia, a outra região glútea amplamente utilizada é a dorsoglútea, o paciente pode estar em decúbito ventral em uma superfície plana ou em pé. Para a administração de medicamentos na região dorsoglútea, recomenda-se que a aplicação seja realizada no quadrante superior ex- terno, evitando assim o risco de lesão do nervo ciático durante a aplicação. Para determinar este local, trace uma linha imaginária da espinha ilíaca póstero-superior ao trocanter maior do fêmur (Brasil, 2003). Esta região é contraindicada em crianças até pelo menos um ano. Deve-se advertir que esta área não tem sido mais recomendada para administração de medicamentos IM em diversas localidades do mundo, uma vez que tem sido associada a graves complicações como lesão do nervo ciático e da artéria glútea superior (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). 4.5.1 Volume da medicação, tamanho da seringa e comprimento da agulha O volume máximo de administração IM é baseado no tamanho do músculo, sendo que músculos maiores tolerariam volumes maiores. Existe controvérsia na literatura quanto ao volume máximo estabelecido para cada administração de medicamento por via IM que varia de acordo com os músculos selecionados como possíveis locais de administração. Os cinco músculos geralmente selecionados como possíveis locais de administração, são: deltóide, dorsoglúteo, ventroglúteo, vasto lateral e reto lateral. Estes músculos possuem irrigação sanguínea e são inervados, embora somente o sítio de injeção no dorsoglúteo possua maior proximidade com importante vaso sanguíneo e nervo. A tolerância do paciente ao volume injetado não se deve somente a capacidade muscular, mas também a fatores associados ao medicamento, como: a composição, oleosidade e pH da substância. Para a escolha do local e volume de injeção deve-se considerar a idade do paciente, conforme descrito no quadro abaixo. Vídeo Teórica e Prática https://www.youtube.com/playlist?list=PLMygX6qaUk9JM0e4yBMDb-GIGv_zNLsWm https://www.youtube.com/playlist?list=PLMygX6qaUk9JM0e4yBMDb-GIGv_zNLsWm https://www.youtube.com/playlist?list=PLMygX6qaUk9JM0e4yBMDb-GIGv_zNLsWm https://www.youtube.com/playlist?list=PLMygX6qaUk9JM0e4yBMDb-GIGv_zNLsWm 19 QUADRO 2 - SELEÇÃO DO LOCAL DE APLICAÇÃO DE IM E VOLUME MÁXIMO A SER ADMINISTRADO, SEGUNDO FAIXA ETÁRIA Fonte: Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo (2010). A escolha do tamanho da seringa a ser utilizada deve ser compatível com o volume do medicamento a ser administrado. Assim como, o comprimento da agulha a ser utilizada, pois medicamentos injetáveis por via IM devem obrigatoriamente ser administrados nesta camada de tecido e para que isso ocorra a escolha do tamanho da agulha é essencial para garantir que a agulha penetre os tecidos e atinja o músculo selecionado reduzindo complicações como abscessos, nódulos e dor. Cada paciente deve ser avaliado para selecionar o comprimento da agulha que garanta a transposição do tecido subcutâneo garantindo que o medicamento possa ser depositado no tecido muscular. Alguns pesquisadores recomendam o cálculo do índice de massa corpórea do paciente para auxiliar na avaliação do tecido adiposo e escolha da agulha adequada. Além disso, é necessário considerar o tipo de medicamento, o volume de solução e o músculo selecionado (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). 20 QUADRO 3 - SELEÇÃO DO LOCAL DE APLICAÇÃO DE IM E CALIBRE DA AGULHA, SEGUNDO AS CARACTERÍSTICAS DO PACIENTE Fonte: Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo (2010). 4.5.2 Técnica em Z A técnica Z para administração de medicamentos IM foi inicialmente introduzida para fárma- cos irritantes para a pele. Atualmente, tem sido recomendada para o uso em todas as injeções IM, por ajuda a reduzir a dor e o escape da medicação no local da entrada da agulha. A técnica consiste em esticar a pele para baixo ou para o lado do local onde se pretende aplicar a injeção, até o final da administração do medicamento esta ação move os tecidos cutâ- neo e subcutâneo por aproximadamente 1 a 2 cm. Após a retirada da agulha a pele é liberada de modo que volte a posição inicial, cobrindo o orifício de entrada da agulha e impedindo a saída do líquido injetado (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). 4.5.3 Características relacionadas a técnica de administração Alguns cuidados relacionados a técnica devem ser observados para garantir a correta administração e proporcionar segurança ao paciente. Ao selecionar o local para a aplicação em pacientes que possuem menor massa muscular o ideal é realizar a prega na pele, pinçando o músculo. A realização deste procedimento expõe melhor o músculo para a administração da injeção auxiliando na execução do procedimento em pacientes idosos, por exemplo, por apresentar pouca massa muscular. Outro aspecto importante que deve ser observado na administração de medicamentos IM é o ângulo para a aplicação que contribui para a dor relacionada ao procedimento. O ângulo 21 correto para as aplicações é de 90º por garantir que a agulha atinja o músculo e reduza a dor da aplicação. Contudo, outro aspecto importante que deve ser realizado na prática de aplicações IM como medida de segurança é a aspiração antes da administração do fármaco. Após a introdução da agulha no músculo, a realização da aspiração permite verificar o possível retorno venoso, em casos de introdução errônea da agulha posicionada em um vaso sanguíneo, o medicamento pode ser administrado pela via intravenosa podendo causar um êmbolo como resultado dos componentes químicos do fármaco injetado. Neste caso de retorno venoso a seringa deve ser descartada e o medicamento deve ser preparado novamente. A velocidade de administração da injeção do medicamento deve ser feita a 1ml a cada dez segundos. Essa velocidade de administração proporciona tempo para às fibras musculares se expandir e absorver a solução injetada. Recomenda-se a espera de dez segundos antes de retirar a agulha do músculo para que o medicamento se disperse no local antes da agulha ser removida (Conselho Regional De Enfermagem De São Paulo, 2010). 22 RECURSOS UTILIZADOS ATENÇÃO: SAÚDE E SEGURANÇA Caros alunos (as), Este projeto integrador visa lhes proporcionar a experiência prática de técnicas básicas executadas na rotina da farmácia. Todavia, para que sua segurança e integridade física seja mantida é indispensável a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s). a) Uso obrigatório de jaleco: longo, branco, de tecido; b) Uso obrigatório de luvas de procedimentos; c) Vestuário adequado e obrigatório: uso de calça comprida e sapatos fechados, além de cabelos presos. d) As mãos devem ser lavadas com sabão antes de calçar as luvas e iniciar o procedimento, bem como imediatamente após a retirada das luvas, ao término do procedimento. Materiais de consumo: Descrição Observação • Luvas de procedimento e jaleco Material a ser fornecido pelo aluno. • Algodão; • Álcool a 70%; • Seringas descartáveis de 3 ml; • Agulha 25x7 ou 30x7; • Água •Uma laranja (representará o músculo huma- no). • Caneta de escrita permanente Materiais a serem fornecidos pelo alu- no. 23 O QUE PRECISO FAZER NESSA PRÁTICA? PROCEDIMENTOS: 1) Realizar higienização das mãos; 2) Calçar luvas de procedimento; 3) Forre uma superfície com papel toalha ou utilize uma bandeja para preparo da injeção; 4) Abra a embalagem da seringa de 3 ml e acople a agulha; 5) Aspirar 1ml de água 6) Remova bolhas de ar, pressionando levemente o êmbolo até que o líquido comece a sair pela ponta da agulha. 7) Pegue a caneta de escrita permanente e faça uma marcação na laranja, a dividindo em quatro quadrantes. 8) Escolha o quadrante superior externo, que é o local adequado para a simulação da aplicação intramuscular. 9) Use um algodão embebido em álcool para limpar a área, do centro para fora. 10) Segure a seringa como faria em uma aplicação real, utilizando a mão dominante e posicionando-a entre o polegar e o dedo indicador, como se fosse uma caneta. Com a outra mão, mantenha a laranja firme e insira a agulha em um ângulo de 90º graus em relação à sua superfície. Certifique-se de que o bisel da agulha esteja lateralizado e perpendicular à pele, formando um ângulo de 90°. O bisel, que é a parte afiada da agulha com um orifício por onde o medicamento flui. 11) Pressione a agulha contra a casca da laranja de forma delicada, até que ela a perfure. 12) Empurre o êmbolo devagar para injetar o líquido simulado no interior da laranja. 24 13) Retire a agulha da laranja em um movimento reto. 14)Use outro algodão para pressionar levemente a área simulada, como faria em um pa- ciente. 15) Para o descarte adequado, o algodão, a seringa e as luvas podem ser descartados no lixo comum, pois não estão contaminados, já que é apenas uma simulação. Já a agulha utilizada deve ser encaminhada a uma farmácia ou UBS que possua uma caixa para materiais perfurocor- tantes, garantindo o descarte correto. É fundamental seguir as boas práticas de biossegurança durante todo o processo. 16) Realizar higienização das mãos. 25 RELATÓRIO Caro aluno (a), Você deverá entregar o Relatório tipo Apresentação Simples (Power point). Para isso, faça o download do template, disponibilizado junto a este roteiro, e siga as instruções contidas no mesmo. MATERIAISMATERIAIS COMPLEMENTARES COMPLEMENTARES • Vídeo sobre técnica de administração intramuscular em Z. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=M3c-itxeI3M https://www.youtube.com/watch?v=M3c-itxeI3M https://www.youtube.com/watch?v=M3c-itxeI3M 26 REFERÊNCIASREFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Saúde Brasil 2011: uma análise da situação de saúde e a vigilância da saúde da mulher / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise de Situação de Saúde. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://svs. aids.gov.br/daent/centrais-de-conteudos/publicacoes/saude-brasil/saude-brasil-2011-uma-anali- se-da-situacao-de-saude-e-a-vigilancia-da-saude-da-mulher.pdf Acesso em: 10 jan. 2025. WASSMANSDORF. R. Medidas e avaliação. São Paulo: Contentus, 2020, 84 p.