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Elementos que compõem o processo legislativo As regras procedimentais que estruturam o processo legislativo envolvem três aspectos principais: 1. Iniciativa legislativa A iniciativa legislativa corresponde ao poder de propor a criação de uma norma jurídica, ou seja, quem tem legitimidade para apresentar projetos de lei ou propostas normativas. A Constituição estabelece essas regras no artigo 61 da CF/88. A iniciativa pode ser: Iniciativa comum: Pode ser exercida por: • qualquer deputado federal • qualquer senador • o Presidente da República • o Supremo Tribunal Federal • os Tribunais Superiores • o Procurador-Geral da República • cidadãos (iniciativa popular) Iniciativa privativa: Em determinados casos, apenas um órgão ou autoridade pode propor o projeto de lei. Um exemplo é a iniciativa do Presidente da República para leis que tratem da organização da administração pública federal. Quando ocorre violação dessas regras de iniciativa, configura-se inconstitucionalidade formal subjetiva. 2. Competência federativa Outro aspecto relevante do processo legislativo diz respeito à competência legislativa dos entes federativos. A Constituição distribui o poder de legislar entre: • União • Estados • Distrito Federal • Municípios Essas competências estão previstas principalmente nos artigos 21 a 30 da Constituição Federal. Por exemplo: • a União possui competências legislativas exclusivas e privativas • os Estados possuem competências remanescentes • os Municípios possuem competência para legislar sobre assuntos de interesse local Caso um ente federativo legisle sobre matéria que não lhe compete, haverá inconstitucionalidade formal por vício de competência. 3. Trâmite legislativo O trâmite legislativo corresponde ao conjunto de etapas que devem ser seguidas para que uma norma seja aprovada e passe a produzir efeitos jurídicos. Entre essas etapas estão: • discussão e votação no Congresso Nacional • observância dos quóruns necessários • sanção ou veto do Presidente da República • promulgação • publicação Essas etapas também estão previstas nos artigos 59 a 69 da Constituição Federal. O desrespeito a qualquer dessas fases pode gerar inconstitucionalidade formal por vício procedimental. Atos Normativos No âmbito do processo legislativo surgem os chamados atos normativos, que são as normas jurídicas produzidas pelo Estado com força obrigatória. Esses atos podem ser classificados em duas grandes categorias: atos normativos primários atos normativos secundários Atos normativos primários Os atos normativos primários são aqueles que possuem capacidade de inovar diretamente no ordenamento jurídico. Isso significa que eles podem: • criar direitos • modificar regras existentes • extinguir direitos ou obrigações Esses atos retiram sua validade diretamente da Constituição Federal, não dependendo de outra norma para existirem. No âmbito federal, o artigo 59 da Constituição enumera os principais atos normativos primários: I – emendas à Constituição II – leis complementares III – leis ordinárias IV – leis delegadas V – medidas provisórias VI – decretos legislativos VII – resoluções Esses atos possuem força normativa própria, sendo justamente os mais frequentemente analisados no controle de constitucionalidade. Atos normativos secundários Os atos normativos secundários são aqueles que não possuem capacidade de inovar no ordenamento jurídico. Eles apenas regulamentam, detalham ou executam aquilo que já foi estabelecido por um ato normativo primário, especialmente pela lei. Esses atos são utilizados para explicar como a lei será aplicada na prática, sem criar novos direitos ou obrigações. Entre os exemplos de atos normativos secundários estão: • decretos regulamentares • portarias • instruções normativas • regulamentos administrativos Esses atos retiram sua validade da lei que regulamentam, e não diretamente da Constituição. Se um ato secundário ultrapassar essa função e passar a criar normas novas, ele poderá ser considerado ilegal ou inconstitucional. Exemplos de relação entre Constituição, Lei e Decreto A relação entre atos normativos pode ser compreendida a partir de uma estrutura hierárquica. Primeiro exemplo A Constituição Federal estabelece um direito fundamental: Artigo 5º, XIII da Constituição garante a liberdade de locomoção no território nacional. A Constituição afirma que determinados aspectos desse direito serão regulamentados nos termos da lei. Posteriormente, a Lei nº 13.979/2020 estabeleceu regras relacionadas às medidas sanitárias durante a pandemia. Essa lei autorizou que o Presidente da República definisse, por meio de decreto, quais seriam os serviços essenciais. Assim surgiu o Decreto nº 10.282/2020, que detalhou quais atividades seriam consideradas essenciais, como: • assistência à saúde • assistência social • segurança pública • defesa civil Nesse caso: • Constituição → estabelece o direito • Lei → regulamenta o direito • Decreto → detalha a aplicação da lei Segundo exemplo A Constituição estabelece no artigo 5º, XXXII que o Estado deve promover a defesa do consumidor. Posteriormente foi editada a Lei nº 14.181/2021, que alterou o Código de Defesa do Consumidor e introduziu regras sobre o superendividamento. A lei determinou a preservação do chamado mínimo existencial, mas previu que esse valor seria definido por regulamentação. Assim surgiu o Decreto nº 11.150/2022, que estabeleceu critérios para definir esse mínimo existencial. Nesse exemplo, novamente observamos: Constituição → cria o direito Lei → regulamenta o direito Decreto → detalha a execução da lei Leis ordinárias e leis complementares Tanto a lei ordinária quanto a lei complementar são atos normativos primários utilizados para regulamentar normas constitucionais. Ambas possuem conteúdo geral e abstrato, aplicando-se a situações indeterminadas e a um número indeterminado de pessoas. Contudo, existem diferenças importantes entre elas. Diferença material entre lei ordinária e lei complementar A diferença material diz respeito à matéria que cada tipo de lei pode tratar. A lei complementar é utilizada apenas quando a própria Constituição determina expressamente que determinada matéria deve ser regulamentada por esse tipo de lei. Essas matérias estão previstas de forma taxativa na Constituição. Por exemplo: • art. 7º, I • art. 18, §2º • art. 21, IV Já a lei ordinária possui caráter residual. Isso significa que todas as matérias que não forem reservadas à lei complementar podem ser reguladas por lei ordinária. Exemplos: • art. 37, VII • art. 199, §4º Diferença formal entre lei ordinária e lei complementar A diferença formal refere-se ao quórum necessário para aprovação da norma no Congresso Nacional. A lei complementar exige maioria absoluta, conforme estabelece o artigo 69 da Constituição Federal. Maioria absoluta significa mais da metade do total de membros da Casa Legislativa. Já a lei ordinária é aprovada por maioria simples ou relativa, conforme previsto no artigo 47 da Constituição Federal. Nesse caso, basta que haja mais votos favoráveis do que contrários entre os parlamentares presentes, desde que esteja presente a maioria absoluta dos membros para iniciar a votação. As maiorias no Congresso Nacional No processo legislativo existem diferentes tipos de maioria. Maioria simples (ou relativa) é a maioria dos votos entre os parlamentares presentes na sessão. Maioria absoluta corresponde à maioria do total de membros da Casa Legislativa. Maioria qualificada exige um número maior de votos, como dois terços ou três quintos, dependendo da hipótese constitucional. Quórum de instalação e quórum de votação Outro ponto importante é a diferença entre quórum de instalaçãoe quórum de votação. O quórum de instalação corresponde ao número mínimo de parlamentares que devem estar presentes para que a sessão possa ocorrer. De acordo com o artigo 47 da Constituição, as deliberações do Congresso Nacional ocorrem com maioria dos votos, presente a maioria absoluta dos membros. Isso significa que, para iniciar a votação, deve estar presente a maioria absoluta dos parlamentares, tanto para leis ordinárias quanto para leis complementares. Hierarquia entre lei ordinária e lei complementar Existe divergência na doutrina sobre a existência de hierarquia entre essas duas espécies normativas. Uma corrente minoritária sustenta que existe hierarquia, pois a lei complementar exige um procedimento mais rigoroso. Contudo, a posição majoritária da doutrina e do Supremo Tribunal Federal é de que não existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar. A diferença entre elas é apenas material, ou seja, cada uma possui um campo específico de atuação definido pela Constituição. Por isso, uma lei ordinária não pode tratar de matéria reservada à lei complementar. Entretanto, se uma lei complementar tratar de matéria que não exige lei complementar, ela será considerada materialmente ordinária, podendo inclusive ser modificada por lei ordinária. Medidas Provisórias (MP) – explicação completa e bem “de prova” A Medida Provisória é um ato normativo primário, editado pelo Presidente da República, com força de lei e eficácia imediata, mas que nasce com um caráter provisório: ela só se estabiliza se for convertida em lei pelo Congresso Nacional. No seu material, ela aparece como substituta do antigo decreto-lei e como ato “com força de lei” que depende de requisitos constitucionais. 1) Natureza jurídica e por que ela é “primária” A MP é “primária” porque inova no ordenamento: cria direitos, deveres, proibições, permissões, etc., exatamente como uma lei ordinária faria. A diferença não é de “força” (porque ela já tem força de lei), mas de origem (Executivo) e de condicionamento constitucional (urgência/relevância + controle pelo Congresso). 2) Requisitos constitucionais: relevância e urgência (art. 62) A Constituição permite a MP somente “em caso de relevância e urgência”. Esses conceitos são deliberadamente abertos: “relevância” tem relação com a importância do tema para a ordem pública/administrativa/econômica; “urgência” tem relação com o risco de dano ou prejuízo caso se espere o rito legislativo ordinário. O ponto importante para prova é: apesar de serem conceitos com margem de discricionariedade, não são uma carta branca. O Congresso faz um controle político e o STF pode fazer um controle jurídico em situações de abuso evidente. 3) Tramitação e controle: Congresso primeiro, STF também pode A MP deve ser submetida de imediato ao Congresso. E o próprio texto constitucional prevê um filtro: a deliberação depende de juízo prévio sobre o atendimento dos pressupostos (relevância e urgência). Ou seja: o Congresso não “finge” que não existe requisito; ele precisa enfrentar isso. Quanto ao STF: ele pode controlar tanto a compatibilidade material (conteúdo contra a Constituição) quanto vícios formais ligados à MP (por exemplo, desrespeito a vedações constitucionais ou manipulação do procedimento). 4) Eficácia imediata, mas com prazo e efeitos A MP começa a valer na hora (na data da edição/publicação). Mas ela perde eficácia se: 1. for rejeitada pelo Congresso; ou 2. não for convertida em lei dentro do prazo de 60 dias, prorrogável uma vez por igual período (total possível: 120 dias). A consequência é relevante: quando perde eficácia por decurso de prazo, a Constituição diz que ela perde eficácia desde a edição (efeito “ex tunc”), e o Congresso deve disciplinar por decreto legislativo as relações jurídicas criadas no período. Na prática de prova, o que importa é você saber que existe um regime próprio para “efeitos no tempo”. 5) Vedação de reedição na mesma sessão legislativa Se a MP foi rejeitada ou perdeu eficácia por prazo, não pode ser reeditada na mesma sessão legislativa. Isso existe para evitar “reedição infinita” como forma de o Executivo legislar permanentemente sem o Congresso. 6) Vedações materiais (art. 62, §1º) – o que não pode por MP Além dos requisitos (urgência/relevância), existem matérias que a Constituição proíbe que sejam tratadas por MP. Isso é muito cobrado: se cair uma questão dizendo “MP sobre X”, você checa se X está nas vedações constitucionais (ex.: certos temas penais/processuais, organização do Judiciário/MP, matéria reservada a LC em certas hipóteses, etc., conforme o art. 62). Decretos Legislativos – o que são e por que não têm sanção/veto O decreto legislativo é um ato normativo primário produzido pelo Congresso Nacional para materializar suas competências exclusivas previstas no art. 49 da CF. Ele tem rito “mais simples” porque não passa pelo Presidente: não existe sanção nem veto. O fundamento é lógico: se a competência é exclusiva do Congresso, não faria sentido submeter o ato ao crivo do Executivo. Quando ele aparece na prática (e em prova) Em geral, ele surge quando o Congresso precisa produzir efeitos jurídicos em temas em que a Constituição deu a palavra final ao Legislativo federal, como alguns controles políticos e decisões institucionais do art. 49. A lembrança de prova é: decreto legislativo = competência exclusiva do Congresso + sem sanção/veto. Um ponto que sempre cai junto: decreto legislativo x decreto do Presidente Aqui é onde muita gente confunde: decreto legislativo (congresso) não é “decreto” do Executivo. O nome engana. Decreto legislativo é espécie normativa do art. 59 (primário). Já decretos do Executivo normalmente são secundários (regulamentares) ou, excepcionalmente, podem ser autônomos (e aí viram um “quase primário” por causa do fundamento direto na Constituição). Decreto regulamentar x decreto autônomo (diferença bem clara) 1) Decreto regulamentar (regra) O decreto regulamentar é o decreto “normal”: ele é ato normativo secundário, cuja função é regulamentar a lei, isto é, detalhar o modo de execução do que a lei já definiu. Ele não pode criar obrigações novas “do nada”, nem contrariar a lei. Ele depende de uma lei anterior que ele vai “explicar/operacionalizar”. Se o decreto regulamentar ultrapassa a lei (cria proibições, direitos ou exigências não previstas), ele incorre em ilegalidade e pode até gerar um debate constitucional, mas a chave é: ele extrapolou o poder regulamentar. Os exemplos do seu material ilustram bem essa lógica: a Constituição aponta “nos termos da lei”, a lei trata do tema e autoriza que um decreto detalhe elementos práticos (serviços essenciais; mínimo existencial). 2) Decreto autônomo (exceção) O decreto autônomo é exceção constitucional: ele não é “para regulamentar lei”, mas para tratar diretamente de certas matérias delimitadas pela própria Constituição (em regra, ligadas à organização/funcionamento da administração federal, sem criar despesa e sem criar/extinguir órgãos, dentro dos limites do texto constitucional). Por isso ele é chamado “autônomo”: ele não depende de lei anterior específica para existir naquele tema. Ele retira fundamento diretamente da Constituição. E aí aparece o detalhe que você mencionou antes nas suas anotações: quando o decreto sai da função de regulamentar e passa a “andar sozinho” fora do permitido, ele deixa de ser simples regulamento e vira problema sério (porque ou ele é um decreto autônomo dentro das hipóteses constitucionais, ou ele é ato inválido por extrapolação). Resumo de prova: • Decreto regulamentar: secundário, “executa a lei”, não inova. • Decreto autônomo: excepcional, fundamento direto na CF, só nas hipóteses constitucionais, com limites rígidos. Resoluções – o que são e por que também não têm sanção/veto As resoluções também são atosnormativos primários (art. 59), usados para matérias de competência privativa da Câmara dos Deputados (art. 51) ou do Senado Federal (art. 52), e em alguns casos para competências do Congresso. Assim como o decreto legislativo, a resolução costuma ter trâmite mais simples e não passa por sanção/veto do Presidente, porque não faz sentido o Executivo participar de deliberações internas/privativas do Legislativo. A diferença prática, em uma frase, é: • decreto legislativo: costuma materializar competência do Congresso como órgão (bicameral) e do art. 49; • resolução: costuma materializar competência privativa de uma das Casas (Câmara ou Senado) e matérias internas/organizacionais ou competências específicas. Status constitucional e “escada” normativa (constitucional, supralegal, legal, infralegal) Quando você fala em status constitucional, você está falando de posição hierárquica da norma no ordenamento e, principalmente, do que pode servir como parâmetro de controle. 1) Status constitucional Está no topo. Inclui, em primeiro lugar, a Constituição Federal (texto + ADCT) e, na lógica do controle, tudo que compõe o chamado bloco de constitucionalidade (dependendo do recorte que você está usando na aula). Em prova, o essencial é: norma constitucional é parâmetro máximo; nenhuma norma infraconstitucional pode contrariá- la. Aqui entra um tema clássico: tratados internacionais de direitos humanos podem ter status constitucional se aprovados com o procedimento qualificado do art. 5º, §3º (quórum de emenda). Quando isso acontece, eles ficam no mesmo patamar constitucional. 2) Status supralegal É um patamar intermediário: acima das leis, abaixo da Constituição. No Brasil, costuma- se colocar aqui os tratados internacionais de direitos humanos que não passaram pelo rito do art. 5º, §3º (ou seja, não viraram equivalentes a emenda), mas receberam tratamento especial: eles prevalecem sobre a legislação infraconstitucional que conflite com eles. 3) Status legal (infraconstitucional) Aqui ficam as leis em geral e os atos normativos primários infraconstitucionais (lei ordinária, lei complementar, medida provisória convertida, etc.). Eles precisam respeitar a Constituição e, quando for o caso, respeitar também normas supralegais. 4) Status infralegal Aqui ficam os atos normativos secundários, como decretos regulamentares, portarias e instruções normativas. Eles precisam respeitar a lei e a Constituição. O ponto-chave é: ato infralegal não “manda” na lei; ele é subordinado. Jurisdição Constitucional A jurisdição constitucional pode ser definida como a atividade exercida por juízes e tribunais de interpretar, aplicar e proteger a Constituição dentro do sistema jurídico. Em outras palavras, sempre que o Poder Judiciário utiliza a Constituição para resolver um conflito ou interpretar normas jurídicas, está exercendo jurisdição constitucional. Isso ocorre porque, no Estado constitucional moderno, a Constituição não é apenas um documento político, mas sim uma norma jurídica superior, que orienta todo o ordenamento jurídico. Dessa forma, todas as leis, atos administrativos e decisões estatais devem respeitar a Constituição. Assim, a jurisdição constitucional tem como função principal garantir a supremacia da Constituição e proteger os direitos fundamentais previstos nela. Jurisdição constitucional não é a mesma coisa que controle de constitucionalidade Um ponto muito importante — e que costuma gerar confusão — é que jurisdição constitucional não é sinônimo de controle de constitucionalidade. A jurisdição constitucional é um conceito mais amplo. Ela engloba todas as situações em que a Constituição é aplicada pelos tribunais. Já o controle de constitucionalidade é apenas uma das formas de exercício da jurisdição constitucional, voltada especificamente para verificar se uma lei ou ato normativo é compatível com a Constituição. Exemplos para entender melhor Exemplo 1 Um juiz decide um caso de liberdade de expressão aplicando diretamente o artigo 5º da Constituição. Nesse caso, houve jurisdição constitucional, mas não houve controle de constitucionalidade. Exemplo 2 O Supremo Tribunal Federal analisa uma lei e conclui que ela viola a Constituição. Aqui ocorre controle de constitucionalidade, que é uma forma específica de jurisdição constitucional. Controles de validade das normas Dentro da jurisdição constitucional existem mecanismos que verificam se uma norma jurídica é válida dentro do ordenamento. Ou seja, são mecanismos de verificação das normas jurídicas com aquelas que lhe são superiores Esses mecanismos são chamados de controles de validade. Os principais são: • controle de constitucionalidade • controle de convencionalidade • controle de legalidade Cada um desses controles utiliza uma norma superior como parâmetro de comparação. Norma-parâmetro e norma-objeto Para entender esses controles, é essencial compreender dois conceitos importantes. Norma-parâmetro É a norma jurídica utilizada como critério de comparação (modelo, referência) para avaliar a validade de outra norma inferior a ela, e se essa outra norma a fere ou não. Ela funciona como uma espécie de referência. Norma-objeto É a norma cuja validade está sendo analisada. Ou seja, é a norma que pode ou não estar em conformidade com a norma-parâmetro. Controle de Constitucionalidade O controle de constitucionalidade é o mecanismo que verifica se uma lei ou ato normativo está de acordo com a Constituição. Nesse caso: • norma-parâmetro: Constituição • norma-objeto: lei ou ato normativo inferior Esse controle existe porque a Constituição ocupa o nível mais alto da hierarquia normativa, devendo ser respeitada por todas as demais normas. Se uma lei contrariar a Constituição, ela será considerada inconstitucional. O objetivo desse controle é preservar a supremacia constitucional e a unidade do ordenamento jurídico, evitando que normas inferiores violem o texto constitucional. Controle de Convencionalidade O controle de convencionalidade consiste na verificação da compatibilidade entre normas internas do Estado e tratados internacionais de direitos humanos. Nesse caso: • norma-parâmetro: tratado internacional de direitos humanos • norma-objeto: lei ou ato normativo interno Esse tipo de controle ganhou destaque principalmente após o fortalecimento do sistema internacional de proteção dos direitos humanos, especialmente no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ele pode ocorrer de duas formas: Controle interno Realizado pelos próprios juízes e tribunais nacionais, que devem interpretar e aplicar as normas internas de forma compatível com os tratados internacionais. Controle internacional Realizado por tribunais internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos, quando o Estado viola obrigações internacionais. Controle de Legalidade O controle de legalidade verifica se um ato inferior respeita a lei. Nesse caso: • norma-parâmetro: lei • norma-objeto: ato administrativo ou norma infralegal Exemplo clássico: um decreto regulamentar deve respeitar a lei que ele regulamenta. Se ele ultrapassar os limites da lei, será considerado ilegal. Bloco de Constitucionalidade Outro conceito importante para compreender o controle de constitucionalidade é o chamado bloco de constitucionalidade. O bloco de constitucionalidade corresponde ao conjunto de normas que possuem valor constitucional e que podem servir como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Isso significa que o parâmetro do controle não é apenas o texto literal da Constituição. Dependendo da interpretação adotada, podem integrar o bloco de constitucionalidade: • a própria Constituição Federal • o ADCT • tratados internacionais de direitos humanos com status constitucional • princípios constitucionais implícitosAssim, ao analisar se uma lei é constitucional, não se verifica apenas se ela está de acordo com o texto da Constituição, mas também se respeita todo esse conjunto de normas e princípios constitucionais. Fundamentos do Controle de Constitucionalidade O controle de constitucionalidade se baseia principalmente em dois fundamentos teóricos. Constitucionalismo O constitucionalismo é um movimento político e jurídico que surgiu com o objetivo de limitar o poder do Estado e proteger os direitos fundamentais. A ideia central é que o poder estatal deve estar submetido a uma Constituição que estabeleça regras, limites e garantias. Assim, a Constituição funciona como um instrumento de organização do Estado e proteção das liberdades individuais. Supremacia da Constituição O segundo fundamento é o princípio da supremacia da Constituição. Esse princípio estabelece que a Constituição ocupa o nível mais alto da hierarquia normativa, sendo a base de validade de todas as demais normas do ordenamento jurídico. Isso significa que: • leis devem respeitar a Constituição • decretos devem respeitar a Constituição e a lei • atos administrativos devem respeitar todas essas normas Quando uma norma viola a Constituição, ela é considerada inválida. Quem deve ser o guardião da Constituição? A teoria constitucional apresenta diferentes modelos sobre quem deve exercer a função de proteção da Constituição. Poder Legislativo No modelo francês tradicional, defendia-se que o Parlamento deveria exercer essa função, pois possui legitimidade democrática direta. Poder Executivo O jurista Carl Schmitt defendia que o chefe do Executivo deveria ser o guardião da Constituição, pois teria legitimidade democrática e capacidade de agir rapidamente em situações de crise. Poder Judiciário No modelo norte-americano, atribui-se ao Poder Judiciário a função de guardião da Constituição. Esse modelo se consolidou com o famoso caso Marbury vs. Madison (1803), que estabeleceu o poder dos tribunais de declarar leis inconstitucionais. Corte Constitucional O jurista Hans Kelsen desenvolveu o modelo de Tribunal Constitucional, criado inicialmente na Áustria em 1920. Nesse sistema, um tribunal especializado exerce o controle de constitucionalidade das leis. O modelo brasileiro No Brasil, embora todos os poderes devam respeitar e aplicar a Constituição, a própria Constituição estabelece que o Supremo Tribunal Federal é o guardião principal da Constituição. Artigo 102 da Constituição Federal: “Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição.” Isso significa que o STF exerce a função central de proteger a Constituição e garantir que as demais normas do sistema jurídico sejam compatíveis com ela. FORMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade pode acontecer de duas formas principais: Controle difuso Controle concentrado Isso significa que existem dois “caminhos” diferentes para analisar se uma norma é ou não compatível com a Constituição. Esses dois modelos convivem no Brasil, formando um sistema misto. 2. CONTROLE DIFUSO (OU INCIDENTAL) O QUE É O controle difuso é aquele que pode ser exercido por qualquer juiz ou tribunal, em qualquer processo. Ele não depende de uma ação específica de controle. Ele surge dentro de um caso concreto. COMO FUNCIONA NA PRÁTICA Imagine: Uma pessoa entra com uma ação comum (ex: cobrança, indenização, etc.), e durante o processo surge uma questão: “Essa lei que está sendo aplicada é constitucional?” O juiz então analisa essa questão dentro do próprio processo. PONTO ESSENCIAL No controle difuso: A constitucionalidade é uma questão incidental Não é o objeto principal da ação Ou seja, o objetivo da ação não é “declarar a lei inconstitucional”, mas resolver um conflito — e, no meio disso, surge a discussão constitucional. QUEM PODE FAZER Juiz de 1ª instância Tribunal STF (em recurso) Todos podem exercer controle difuso. CAMINHO ATÉ O STF Você mencionou algo MUITO importante: “A ação pode começar com qualquer juiz, mas terminar no STF” ✔ Isso está certíssimo. O controle começa na base (juiz comum), mas pode chegar ao STF por meio de recurso (ex: Recurso Extraordinário). REPERCUSSÃO GERAL (IMPORTANTE!) O STF não julga tudo. Ele só analisa o recurso se houver repercussão geral. Significa: A questão precisa ter relevância econômica, social, política ou jurídica que ultrapasse o caso das partes. Se não tiver → o STF nem analisa. EFEITOS DO CONTROLE DIFUSO: ✔ 1. Efeito inter partes A decisão vale apenas para: As partes do processo Ou seja: A lei continua existindo para outras pessoas. ✔ 2. Regra: efeito ex tunc A decisão retroage Significa: A lei é considerada inválida desde o início. EXCEÇÃO IMPORTANTE O STF pode modular efeitos (em alguns casos), mas a regra é ex tunc. 3. CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (IMPORTANTÍSSIMO) Art. 97 da CF: Tribunal só pode declarar inconstitucionalidade com maioria absoluta do plenário. Ou seja: Órgão fracionário (turma) NÃO pode sozinho declarar inconstitucionalidade SÚMULA VINCULANTE 10 (relacionada) Proíbe “declaração indireta” de inconstitucionalidade sem respeitar essa regra. 3. CONTROLE CONCENTRADO (OU ABSTRATO) O QUE É O controle concentrado é aquele realizado por um órgão específico, principalmente o STF. Aqui, a discussão da constitucionalidade é o objetivo principal da ação. DIFERENÇA CENTRAL Difuso → questão incidental Concentrado → questão principal QUEM FAZ STF → Constituição Federal TJ → Constituição Estadual PRINCIPAIS AÇÕES (ESSENCIAL) Você citou corretamente: ✔ ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) Declara que a norma é inconstitucional ✔ ADC (Ação Declaratória de Constitucionalidade) Confirma que a norma é constitucional ✔ ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) Protege princípios fundamentais IMPORTANTE Essas ações não tratam de um caso concreto. Elas analisam a norma “em si”. EFEITOS DO CONTROLE CONCENTRAD ✔ 1. Efeito erga omnes Vale para todos A decisão não se limita às partes. ✔ 2. Efeito vinculante Obriga: Juízes Tribunais Administração pública ✔ 3. Efeito temporal Pode ser: Ex tunc → retroativo Ex nunc → só para frente Depende da decisão do STF (modulação de efeitos) MODULAÇÃO DE EFEITOS O STF pode decidir: “Essa decisão só vale a partir de agora” Isso acontece por razões como: Segurança jurídica Interesse social Tipos de controle de constitucionalidade: Controle político-preventivo: antes da lei entrar em vigor. (art. 66, §1, 58, §2 e 62, §5) Hipóteses: · Veto presidencial jurídico: quando o presidente entende que aquele projeto de lei não deve ir para frente e o impede. Existem diversos tipos de veto (definidos no §1° do art. 66 da CF), o total e o parcial, além do: · Veto jurídico: veto feito com base em razões constitucionais. Ex: veto porque o projeto de lei viola o art. 5° da Constituição. · Veto político: veto presidencial feito por razões de conveniência e oportunidade presidencial, ou seja, ele veta pois acha que tem que vetar. Obs: esse tipo de veto não está no hall do controle político-preventivo, visto que não tem nenhuma base constitucional, portanto não é controle de constitucionalidade. Ex: projeto de lei que permitiria todo e qualquer cidadão a propor ADPF. Foi vetado com a justificativa de que o Supremo ficaria sobrecarregado com a quantidade de coisas. Como não tem base jurídica para esse argumento (o que não tira sua validade), ele é um veto político. Obs:O veto presidencial é superável por voto da maioria absoluta do Congresso Nacional (art. 66, §4° da CF) · A maioria absoluta é o primeiro número inteiro após a metade de todo o quantitativo do Congresso, ou seja, todos os deputados e senadores. A maioria simples, por sua vez, é o primeiro número inteiro após a metade dos presentes no Congresso no dia da votação do veto. Obs2: O veto presidencial é sindicável ou controlável judicialmente? Historicamente o Supremo nunca admitiu controlar veto presidencial, visto que o veto é um ato exclusivo do presidente. Alguns autores defendem que o Supremo pode controlar o veto por ADPF (o veto presidencial é um ato político), mas apenas o veto jurídico, já que quem fala por último o que é ou não constitucional é o Supremo. → Portanto, a decisão do STF é que se o veto descumprir o rito constitucional, é possível controlar o mesmo (através de ADPF). Isso ocorreu quando o Bolsonaro vetou parcialmente um projeto de lei (sobre máscara na pandemia), e após a parte sancionada ir para o diário oficial para ser publicado, ele fez um veto superveniente sobre alguns dos artigos sancionados. O STF julgou inconstitucional o veto do presidente (somente esse segundo) pois ele ocorreu com o procedimento diverso do que manda a Constituição. · Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): O Congresso Nacional possui diversas comissões, sendo algumas delas permanentes (CCJ) e outras temporárias (CPI). Portanto, a CCJ é uma comissão permanente do Congresso que faz análise de diversos temas, principalmente de matéria constitucional. A CCJ se manifesta se um PL é constitucional ou não através de um parecer. · O parecer da CCJ é superável, pois o plenário da casa pode escolher segui-lo ou não (analogia ao modelo francês de controle). · Medidas Provisórias: é uma função atípica do poder Executivo, pois está atuando tipicamente como o legislativo. Além disso, ela tem força de lei ordinária e pressupõe razões de relevância e urgência (art. 62, caput da CF). · A medida provisória tem vigência de 60 dias, prorrogáveis para mais 60 (no total, 120 dias), sem contar os recessos do Congresso - art. 62, §3°. · Para que uma medida provisória seja aprovada, o art. 62, §5° da CF exige a análise dos seus pressupostos constitucionais. Se ela for aprovada pelo Congresso, virará lei. Obs: essa hipótese pode ser vista como controle político preventivo ou repressivo, depende da ótica de análise. Se a análise do controle for feita durante o momento da aprovação como lei, por exemplo, ele será repressivo, a doutrina possui autores que defendem as duas visões. → Desdobramentos da Medida Provisória: · Ela pode ser aprovada e virar lei; · Pode ser rejeitada pelo Congresso; · Decair por decurso de prazo, ou seja, acabar o prazo constitucional (de 120 dias) sem o parecer do Congresso. Nesse caso, o Congresso Nacional deve editar um decreto legislativo para regulamentar as situações jurídicas que ocorreram no período de vigência da MP. Se não tiver esse decreto, a situação se mantém como regulada pela medida provisória, segundo o art. 62, §11 da CF. Obs: até 2001 as medidas provisórias não tinham prazo, com a Emenda 32 o prazo de 120 dias foi definido. Entretanto, as medidas que já estavam editadas se mantiveram em vigor até que o Congresso as analisasse. Na prática o Congresso não analisou praticamente nada, e a grande maioria está em vigor até hoje. 18/03 4. Rejeição sumária pelo presidente do Senado Federal de medidas provisórias encaminhadas com vício de inconstitucionalidade: · Art. 48, XI do Regimento Interno do Senado. · O presidente do Senado (que também é o presidente do Congresso) devolve a MP, a rejeita sumariamente, a declarando inconstitucional sem a análise constitucional adequada. · Ocorreu no governo Bolsonaro, e mesmo que a MP fosse de fato inconstitucional, não cabia ao presidente do Senado declarar isso. ⇒ Controle político repressivo - controle feito por um órgão que não é o judiciário e a norma já está em vigor. (art. 49, V e 68 da CF) (347 STF) · Art. 49, V da CF - ato normativo do Executivo do poder regulamentar → Decreto. Em caso do ato normativo (decreto) exorbitar esse poder regulamentar, o Congresso pode sustar o mesmo. Cabe ADPF e ADI contra decreto presidencial. · Lei delegada - é uma modalidade do poder legislativo em que o presidente previamente solicita ao congresso nacional o poder para a criação da mesma. Em linhas gerais seria como se fosse uma medida provisória ao contrário. · Art. 68, §2 da CF - a delegação será especificada em conteúdo e em termos de seu exercício. Portanto, se o Presidente exceder o conteúdo ou os termos estipulados, será utilizado o artigo 49, V da Constituição e o Congresso poderá sustar a lei delegada. Obs: na prática, a lei delegada não é utilizada no Brasil, e sim a Medida provisória. 3. Súmula 347 do STF - O tribunal de contas pode fazer controle de constitucionalidade. · O tribunal de contas, segundo o art. 71 da CF é órgão auxiliar do Legislativo, portanto não é um órgão do judiciário, logo ele faz um controle político. ⇒ Controle jurídico preventivo - feito por um órgão do judiciário e antes da norma entrar em vigor. 1. Mandado de segurança - impetrado no Supremo por parlamentar sobre a alegação de vício procedimental ou de violação à cláusula pétrea. O STF entende que o parlamentar tem direitos subjetivos à obediência ao procedimento legislativo constitucional. Ex: É criada um PEC sobre pena de morte – não pode se PEC for proposta e tramitar – pode impetrar MS no STF para paralisar o processo legislativo. ⇒Controle Jurídico Repressivo: · Controle Difuso – controle comandado por qualquer órgão do poder judiciário brasileiro. Em regra, se inicia no juízo de primeiro grau, mas pode começar do segundo. A discussão em regra inicia no primeiro grau de jurisdição no juízo singular. Porém em algumas circunstâncias a matéria pode ser iniciada nos tribunais de segunda instância, pois existe uma competência originária no tribunal para discutir a questão. Nesse caso não se declara a inconstitucionalidade, mas se declara um direito a partir da inconstitucionalidade de uma norma, o juízo do fundamento afasta a norma inconstitucional incidentalmente e declara o direito. O juízo de primeiro grau não declara inconstitucionalidade. Não há no dispositivo uma declaração de inconstitucionalidade, o que existe, portanto, é a afirmação de um direito. OBS: A constituição veda tributo com efeito confiscatório (lei que fala que tributo vai incidir sobre 90% do salário), lei que fale de tributo excessivo é inconstitucional. No segundo grau o controle difuso repressivo muda de figura. Ao apelar para o tribunal de segundo grau, irá ser direcionado para o órgão fracionário, que seria uma fração do todo. Seria uma turma que rege sobre determinado tema. Órgão Fracionário ou Fracionado: quando você interpõe um recurso ele vaiara um órgão fracionado, ou seja, um órgão que compõe parte do tribunal como um todo. Ex: turma tributária, composta por três desembargadores, se a turma tributária recebe a matéria e percebe que é uma discussão de fundo constitucional, é obrigada a direcionar a matéria para o plenário. Ao perceber uma matéria constitucional numa questão que chegou ao órgão fracionado, o mesmo encaminha a questão e discussão ao plenário, que todo do tribunal. Quando o plenário julga a matéria, julga a sua constitucionalidade. Ele declara a constitucionalidade de uma lei (matéria), e se declara a lei inconstitucional ele devolve a lei para o órgão fracionário para julgar o caso. O órgão fracionado pela sua vez, fica vinculado a decisão do plenário devendo seguir ela, sendo obrigado a conceder o direito pleiteadoinicialmente na ação. (artigo 150, IV, CF) Nesse caso, seria como se parte da decisão do plenário fosse o fundamento da decisão do órgão fracionário. O procedimento da chamada arguição de inconstitucionalidade nos tribunais irá seguir o rito dos artigos 948 e seguintes do CPC. Assim, o recurso interposto da primeira instância, chegará inicialmente no tribunal pelo chamado órgão fracionário, que nada mais é do que uma parcela da totalidade do tribunal. Ex - Turma, câmara, sessão. Se o órgão fracionado perceber inconstitucionalidade de determinada norma, e obrigado a encaminhar a matéria para o plenário do tribunal, que congrega a totalidade dos seus membros. OBS: se uma lei de uma mesma ação for proposta em plenários de diferentes estados, cada plenário de cada tribunal (estado) poderá julgar, vai valer em todos os estados, a matéria não precisará ser enviada para o plenário de cada estado novamente. Arguição ou incidente de constitucionalidade, sempre que houver discussão constitucional no tribunal deve ser seguido o exposto com a manifestação do plenário sobre o tema constitucional. Súmula Vinculante 25. Esse rito apenas vale para tribunal e não para outros orgaos colegiados jurisdicionais. Existe uma cisão funcional, ou seja, separação de funções. Cabendo ao órgão fracionado analisar o direito em causa e ao plenário ou órgão especial a constitucionalidade da norma. Sempre que o plenário se manifestar, existe uma vinculação aos casos subsequentes, não devendo o órgão fracionado encaminhar novamente no plenário. A mesma lógica ocorre quando o plenário do supremo declara a norma inconstitucional, com a vinculação dos órgãos fracionados de todos os órgãos brasileiros (art 949 CPC) Controle difuso no STF: tipos de competência Recursal Originária – (art 102, I, CF) Recursal Ordinária – (at. 102 II, CF) ROC Recursal Extraordinária – (at. 102, III, CF) · Admissibilidade do Recurso extraordinário – se tem RE que sofre de dupla admissibilidade, pois primeiro o TJ, o tribunal a quo (de primeira instancia) vai analisar se os pressupostos do RE estão presentes. Se o tribunal a quo negar recuso, poderá recorrer perante o STF. · Primeiro pressuposto específico do RE – matéria constitucional. · Segundo pressuposto específico do RE – súmula 279 STF. · Matéria de fato – não cabe delação probatória. · Pedro foi sequestrado em hospital, e quinze anos depois uma vizinha vê um adolescente andando na rua muito parecido com o pai da criança, e vê uma mulher com ele, e vê ele com a enfermeira do hospital. Ela é levada a polícia, e por meio do cigarro que ela fumou descobrem que ela não é mãe dele. Pode discutir essa prova no Supremo? Sim, pode se discutir se a obtenção de prova é inconstitucional. · Antes de interpor RE deve interpor embargos de declaração pois tem o dever de sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, e para cumprir o disposto na súmula 281 e 282 do STF. · Esgotante (súmula 281 STF) apenas se interpõe RE cm o exaurimento da instancia ordinária. · Prequestionamento (Súmula 282 e 356 do STF) apenas opõe embargos sobre pontos omissos, e não pontos aleatórios, mas na prática todos embargam. · Objeto de Direito (art. 1033 CPC e súmula 633 STF) essa súmula foi reproduzida pelo atual CPC e ambos afirmam que só pode interpor RE quando houver violação direta e frontal a Constituição. · Repercussão geral (art. 102, sS 3º CF/ art. 1035, sS 1º CPC/art. 1036 CPC) pressuposto recursal específico do RE, não se pode interpor RE se não provar repercussão geral. Para se ter repercussão geral deve ultrapassar as partes, e deve possuir relevância social, econômica, política ou jurídica, transcendendo os limites subjetivos da causa. Ainda que haja repercussão geral o controle difuso não é erga omines. · Quórum (art. 97 CF/ 143 e 176 RF STF) quorum regimental de presença para declarar lei inconstitucional. · Obs – quando a decisão do Supremo transitar em julgado, ele tem uma obrigação constitucional de encaminhar a matéria para o senado, e o senado pode suspender a eficácia da norma, art. 52, inciso 10, CF. Quando o senado se manifesta a norma é ineficaz com efeito erga omines. Novas tendências do controle difuso: 1) Common Lawrização -o modelo de common law norte americana é baseada no precedente, (o precedente em si seria o princípio e direito que se extrai do caso, ex: aborto e o princípio do direito de vida) como leis e costumes, e o atual CPC nos artigos 926 e 927 produziram a tendencia do common law no brasil, em que os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência mantendo-as estáveis, íntegras e coerentes com o Supremo. 2) Teoria da Transcendência dos motivos determinantes: cria efeito vinculante para o controle difuso, dessa forma se o juiz de baixo não segue determinação do STF cabe controle. Art. 102, I -L, Cf. Se criou uma mutação constitucional, dizendo que o art. 52, CF, não valeria mais. 3) Teoria da Abstrativização do Controle Difuso: o controle difuso em si, possui um processo subjetivo (com sujeitos, partes e interesse próprio) tem a finalidade de satisfazer direito pessoal. Já o objetivo seria aquele sem partes, sem interessados busca estabilizar o sistema normativo como um todo. Dessa forma a teoria, traria uma aproximação entre o controle difuso que seria subjetivo e o controle concentrado que seria objetivo, dando efeitos do controle concentrado para o difuso, sendo um deles o efeito erga omnes. 1. O QUE É INCONSTITUCIONALIDADE (explicação completa) A inconstitucionalidade é a desconformidade de uma norma jurídica em relação à Constituição. Mas isso aqui precisa ser entendido de forma mais profunda: A Constituição ocupa o topo da hierarquia normativa, ou seja: ela é o fundamento de validade de todas as demais normas Isso significa que: • leis ordinárias • leis complementares • medidas provisórias • decretos • qualquer ato do poder público todos precisam ser compatíveis com a Constituição Se não forem → são inconstitucionais Por que isso existe? Porque o sistema jurídico brasileiro é baseado em dois pilares: Supremacia da Constituição A Constituição está acima de todas as outras normas Rigidez constitucional A Constituição é mais difícil de ser alterada (ex: emenda constitucional exige procedimento especial) Isso garante que normas inferiores não possam contrariá-la 2. RELAÇÃO COM O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE A inconstitucionalidade é o problema O controle de constitucionalidade é o mecanismo que resolve esse problema Ou seja: • quando uma norma viola a Constituição → surge a inconstitucionalidade • o Judiciário (especialmente o STF) vai analisar isso Estrutura lógica do controle Sempre existem dois elementos: • Parâmetro → Constituição (ou bloco de constitucionalidade) • Objeto → norma que está sendo analisada 3. O QUE ACONTECE COM UMA NORMA INCONSTITUCIONAL? Aqui entra um dos pontos mais importantes da matéria: Quando uma norma é considerada inconstitucional, o que acontece com ela Ela pode ser: • nula • anulável E isso depende do modelo adotado 4. MODELOS TEÓRICOS DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.1 MODELO AMERICANO — TEORIA DA NULIDADE Esse é o modelo adotado pelo Brasil. Ideia central (muito importante) A norma inconstitucional é nula desde o nascimento Ou seja: ela já nasce inválida nunca deveria ter produzido efeitos Lógica por trás disso Se a Constituição é superior, então: uma lei contrária a ela não pode ser válida em nenhum momento Características ✔ Nulidade absoluta ✔ Vício de origem ✔ A decisão judicial é declaratória ✔ Efeitos ex tunc O que significa “decisão declaratória”? Significa que o Judiciário não criaa nulidade ele apenas reconhece que a lei já era inválida O que significa “ex tunc”? efeitos retroativos Ou seja: A norma é considerada inválida desde a sua criação Exemplo prático Imagina uma lei que viole o princípio da igualdade Quando o STF declara essa lei inconstitucional: • ela é considerada inválida desde o início • como se nunca tivesse existido juridicamente IMPORTANTE (nível prova) Esse é o modelo adotado no Brasil Base no material: 🇦🇹 4.2 MODELO AUSTRÍACO — TESE DA ANULABILIDAD Ideia central A lei inconstitucional é válida até ser anulada ou seja: ela produz efeitos normalmente até a decisão judicial Lógica por trás disso Aqui o raciocínio é diferente: a lei nasce válida só perde validade quando o Judiciário decide Características ✔ A norma é anulável (não nula) ✔ A decisão judicial é constitutiva negativa ✔ Efeitos ex nunc O que significa “decisão constitutiva negativa”? Significa que: o Judiciário retira a validade da norma Ou seja: antes da decisão, ela era válida O que significa “ex nunc”? efeitos a partir da decisão Ou seja: A lei deixa de produzir efeitos daquele momento em diante Exemplo prático Uma lei é aplicada durante anos depois o tribunal declara inconstitucional Resultado: ✔ os efeitos passados são mantidos ✔ a lei deixa de valer dali pra frente 5. COMPARAÇÃO COMPLETA (pra memorizar de verdade) Critério Modelo Americano (Brasil) Modelo Austríaco Situação da norma Nula desde a origem Válida até decisão Tipo de decisão Declaratória Constitutiva negativa Efeito Ex tunc (retroativo) Ex nunc (não retroativo) Validade anterior Nunca teve validade Teve validade até a decisão 6. COMO ISSO CAI NA PROVA (MUUUUITO IMPORTANTE) No Brasil: Regra geral → teoria da nulidade (modelo americano) MAS… O STF pode flexibilizar isso Ele pode fazer modulação de efeitos isso significa que o STF pode decidir: • aplicar efeitos ex nunc • limitar efeitos no tempo • preservar situações já consolidadas Por que isso acontece? Por razões de: ✔ segurança jurídica ✔ interesse social Exemplo clássico Uma lei é aplicada por anos e envolve milhares de pessoas o STF pode decidir: “ok, é inconstitucional, mas os efeitos passados serão mantidos” 7. CONEXÃO COM A PRÓXIMA PARTE Agora que você entendeu: ✔ o que é inconstitucionalidade ✔ como a norma se comporta (nula ou anulável) ✔ os efeitos das decisões na Parte 2 você vai ver as espécies de inconstitucionalidade, que é onde a prova mais cobra: • formal x material • ação x omissão • originária x superveniente (essa é pegadinha de prova!) • total x parcial • direta x indireta Perfeito — vou te mandar só a PARTE 2, bem mais aprofundada, explicando de verdade, com lógica, exemplos e pontos de prova. PARTE 2 — INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL x MATERIAL + POR AÇÃO x POR OMISSÃO (VERSÃO COMPLETA E APROFUNDADA) 1. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL x MATERIAL Essa é uma das classificações mais importantes porque responde: onde está o problema da norma? • na forma de criação? → formal • no conteúdo? → material 1.1 INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL (EXPLICAÇÃO PROFUNDA) A inconstitucionalidade formal ocorre quando há violação às regras do processo legislativo ou da competência constitucional. Ou seja: a norma pode até ter um conteúdo “ok”, mas foi criada de forma errada COMO PENSAR (lógica simples) Antes de analisar o conteúdo da lei, você pergunta: “Essa lei foi feita do jeito que a Constituição manda?” Se a resposta for não → formal TIPOS DE VÍCIO FORMAL (IMPORTANTE PRA PROVA) A doutrina costuma dividir em três: ✔ 1. VÍCIO DE INICIATIVA Cada tipo de matéria tem um autor legitimado para propor o projeto de lei. Se a pessoa errada propõe → inconstitucionalidade formal Exemplo clássico: • leis sobre organização do Judiciário iniciativa do próprio Judiciário (art. 96 CF) Se o Legislativo propõe → errado Outros exemplos importantes: • leis sobre servidores do Executivo → iniciativa do chefe do Executivo • leis orçamentárias → iniciativa do Executivo PEGADINHA Mesmo que o conteúdo da lei seja perfeito: ela será inconstitucional se a iniciativa estiver errada ✔ 2. VÍCIO DE COMPETÊNCIA Aqui o problema não é quem propôs, mas quem legislou cada ente (União, Estado, Município) tem suas competências Base constitucional: • art. 21 e 22 → competência da União • art. 23 e 24 → competências comuns e concorrentes Exemplo do material: • Estado legisla sobre telecomunicações errado → competência privativa da União (art. 22, I CF) Outros exemplos importantes: • Município legislar sobre direito penal → inválido • Estado legislar sobre moeda → inválido Lógica Mesmo que a lei seja “boa” se foi feita pelo ente errado → inconstitucional ✔ 3. VÍCIO DE PROCEDIMENTO (OU RITO) Aqui o problema é como a lei foi aprovada não seguiu o procedimento constitucional Exemplos do material: • Lei complementar aprovada por maioria simples errado (art. 69 CF exige maioria absoluta) • PEC promulgada pelo Presidente errado (quem promulga é o Congresso – art. 60 §3º CF) Outros exemplos importantes: • falta de sanção quando exigida • ausência de votação em dois turnos (no caso de PEC) • quebra de quórum CONCLUSÃO SOBRE FORMAL Sempre que houver erro em: • iniciativa • competência • procedimento teremos inconstitucionalidade formal 1.2 INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL (EXPLICAÇÃO PROFUNDA) Agora muda completamente: aqui a lei foi criada corretamente mas o conteúdo viola a Constituição COMO PENSAR Você pergunta: “Essa lei respeita os valores e direitos da Constituição?” Se não → material O QUE PODE SER VIOLADO? A inconstitucionalidade material ocorre quando a norma contraria: • direitos fundamentais (art. 5º) • princípios constitucionais • valores estruturais (dignidade, igualdade, liberdade etc.) Exemplos do material: • lei que paga menos para mulheres viola igualdade (art. 5º, I) • ato que viola princípios da administração pública art. 37 caput Exemplos clássicos de prova: • lei que censura imprensa • lei que restringe liberdade religiosa • lei que cria discriminação injustificada • lei que viola dignidade da pessoa humana IMPORTANTE (nível mais profundo) A inconstitucionalidade material pode ser: ✔ direta quando a lei viola expressamente a Constituição ✔ indireta por conteúdo quando viola princípios implícitos PEGADINHA Mesmo que a lei tenha sido criada perfeitamente: ela será inválida se o conteúdo for inconstitucional DIFERENÇA ENTRE FORMAL E MATERIAL (RESUMO FORTE) Tipo Problema Formal Como a lei foi feita Material O que a lei diz 2. INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO x POR OMISSÃO Essa classificação responde: o Estado agiu errado ou deixou de agir? 2.1 INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO (EXPLICAÇÃO COMPLETA) O Estado pratica um ato que viola a Constituição ✔ cria uma lei ✔ edita um ato normativo ✔ toma uma decisão e esse ato é incompatível com a Constituição Exemplo do material: • Estado cria lei sobre telecomunicações invadiu competência da União Outros exemplos importantes: • lei que viola direitos fundamentais • decreto que extrapola a lei • medida provisória com conteúdo proibido Lógica A Constituiçãoestabelece limites Se o Estado ultrapassa → inconstitucionalidade por ação 2.2 INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (EXPLICAÇÃO COMPLETA) Aqui está um dos pontos mais importantes e mais cobrados. O Estado não faz algo que deveria fazer COMO ENTENDER A Constituição não é só negativa (proibições) ela também é positiva (obrigações) Quando existe omissão? Quando a Constituição diz: • “a lei disporá sobre…” • “será regulamentado…” • “nos termos da lei…” e essa lei não é criada Exemplo do material: • ausência de regulamentação da aposentadoria especial Outros exemplos importantes: • falta de regulamentação de direitos sociais • ausência de lei exigida pela Constituição • demora injustificada do legislador TIPOS DE OMISSÃO (NÍVEL PROVA) ✔ omissão total nenhuma norma foi criada ✔ omissão parcial norma existe, mas é insuficiente Exemplo de omissão parcial: lei existe, mas não garante plenamente o direito previsto na Constituição CONSEQUÊNCIA (IMPORTANTE) a omissão também viola a Constituiçã ✔ porque impede a efetividade dos direitos INSTRUMENTOS (só pra você já ir avançando) Quando há omissão, podem ser usadas: • ADO (ação direta de inconstitucionalidade por omissão) • Mandado de injunção RESUMO FINAL (FIXAÇÃO) Formal = erro na criação Material = erro no conteúdo Ação = Estado faz algo inconstitucional Omissão = Estado não faz o que deveria 1. INCONSTITUCIONALIDADE ORIGINÁRIA x SUPERVENIENTE Essa classificação responde: quando surge a inconstitucionalidade? 1.1 INCONSTITUCIONALIDADE ORIGINÁRIA (EXPLICAÇÃO COMPLETA) A norma já nasce inconstitucional ✔ desde o momento em que foi criada ✔ nunca foi compatível com a Constituição COMO PENSAR Você pergunta: “Quando essa lei surgiu, ela já contrariava a Constituição?” Se sim → originária Exemplos: • lei que já nasce violando direito fundamental • lei criada com conteúdo incompatível com a Constituição vigente RELAÇÃO COM O MODELO BRASILEIRO isso combina com a teoria da nulidade ✔ vício desde a origem ✔ efeitos ex tunc IMPORTANTE A maioria das inconstitucionalidades no Brasil é originária 1.2 INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE (EXPLICAÇÃO COMPLETA) A norma nasce constitucional mas se torna inconstitucional depois COMO PENSAR “Essa lei era válida quando foi criada, mas deixou de ser?” Se sim → superveniente FORMAS DE OCORRER ✔ 1. MUDANÇA DO PARÂMETRO CONSTITUCIONAL o parâmetro muda Pode acontecer por: • nova Constituição • emenda constitucional Exemplo: Uma lei antiga passa a ser incompatível com uma nova Constituiçã ✔ 2. MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) o STF muda a forma de interpretar a Constituição Exemplo clássico: mudança de entendimento sobre políticas públicas ou direitos fundamentais AGORA A PEGADINHA MAIS IMPORTANTE DA MATÉRIA O STF NÃO admite inconstitucionalidade superveniente por mudança de parâmetro O que acontece nesses casos? Não é chamada de inconstitucionalidade é chamada de NÃO RECEPÇÃO EXPLICAÇÃO SIMPLES Quando surge uma nova Constituição: • as leis antigas não são “inconstitucionais” elas simplesmente deixam de ser recepcionadas Exemplo clássico: Lei anterior à CF/88 incompatível com ela não é inconstitucional → é não recepcionada O QUE O STF ADMITE? apenas a superveniente por mudança hermenêutica RESUMO (CAI MUITO) Situação Classificação Lei já nasce incompatível Originária Mudança de Constituição Não recepção Mudança de interpretação Superveniente 2. INCONSTITUCIONALIDADE TOTAL x PARCIAL Essa classificação responde: quanto da norma é inválido? 2.1 INCONSTITUCIONALIDADE TOTAL Toda a norma é inválida ✔ não dá pra aproveitar nada Quando acontece? Quando: • o vício atinge toda a lei • não é possível separar partes válidas Exemplo: lei inteira viola princípio constitucional 2.2 INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL Apenas parte da norma é inválida ✔ o restante continua váldo COMO FUNCIONA O STF tenta: preservar ao máximo a lei ✔ princípio da conservação das normas Exemplo do material: • lei que suspende taxas → só parte pode ser inválida TÉCNICAS IMPORTANTES (NÍVEL PROVA MAIS AVANÇADO) O STF pode usar: ✔ declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto o texto continua, mas recebe interpretação conforme ✔ interpretação conforme a Constituição o STF escolhe a interpretação compatível RESUMO Tipo Situação Total Lei inteira inválida Parcial Só parte inválida 3. INCONSTITUCIONALIDADE DIRETA x INDIRETA Essa classificação responde: como ocorre a violação da Constituição? 3.1 INCONSTITUCIONALIDADE DIRETA Violação direta da Constituição ✔ não precisa de norma intermediária Exemplo: • lei que viola igualdade diretamente • lei que restringe liberdade sem base constitucional LÓGICA Constituição → lei a lei bate direto na Constituição 3.2 INCONSTITUCIONALIDADE INDIRETA (OU REFLEXA) Violação indireta ✔ depende de outra norma LÓGICA Constituição → lei → ato o problema não está direto na Constituição está na norma intermediária Exemplo: um ato administrativo viola uma lei e essa lei, por sua vez, se relaciona com a Constituição SUPER IMPORTANTE (NÍVEL PROVA) O STF, em regra, NÃO analisa inconstitucionalidade indireta em controle direto DIFERENÇA Tipo Violação Direta Direto na Constituição Indireta Precisa de norma intermediária ESQUEMA FINAL (PERFEITO PRA MEMORIZAR) Nasce errada → originária Fica errada depois → superveniente Mudou a Constituição → não recepção Tudo inválido → total Só parte → parcial Direto → direta Indireto → indireta Elementos que compõem o processo legislativo 1. Iniciativa legislativa 2. Competência federativa 3. Trâmite legislativo Atos Normativos Atos normativos primários Atos normativos secundários Exemplos de relação entre Constituição, Lei e Decreto Primeiro exemplo Segundo exemplo Leis ordinárias e leis complementares Diferença material entre lei ordinária e lei complementar Diferença formal entre lei ordinária e lei complementar As maiorias no Congresso Nacional Quórum de instalação e quórum de votação Hierarquia entre lei ordinária e lei complementar Medidas Provisórias (MP) – explicação completa e bem “de prova” 1) Natureza jurídica e por que ela é “primária” 2) Requisitos constitucionais: relevância e urgência (art. 62) 3) Tramitação e controle: Congresso primeiro, STF também pode 4) Eficácia imediata, mas com prazo e efeitos 5) Vedação de reedição na mesma sessão legislativa 6) Vedações materiais (art. 62, §1º) – o que não pode por MP Decretos Legislativos – o que são e por que não têm sanção/veto Quando ele aparece na prática (e em prova) Um ponto que sempre cai junto: decreto legislativo x decreto do Presidente Decreto regulamentar x decreto autônomo (diferença bem clara) 1) Decreto regulamentar (regra) 2) Decreto autônomo (exceção) Resoluções – o que são e por que também não têm sanção/veto Status constitucional e “escada” normativa (constitucional, supralegal, legal, infralegal) 1) Status constitucional 2) Status supralegal 3) Status legal (infraconstitucional) 4) Status infralegal Jurisdição Constitucional Jurisdição constitucional não é a mesma coisa que controle de constitucionalidade Exemplos para entender melhor Controles de validade das normas Norma-parâmetroe norma-objeto Norma-parâmetro Norma-objeto Controle de Constitucionalidade Controle de Convencionalidade Controle de Legalidade Bloco de Constitucionalidade Fundamentos do Controle de Constitucionalidade Constitucionalismo Supremacia da Constituição Quem deve ser o guardião da Constituição? Poder Legislativo Poder Executivo Poder Judiciário Corte Constitucional O modelo brasileiro 📌 1. O QUE É INCONSTITUCIONALIDADE (explicação completa) ⚖️ Por que isso existe? 🔹 Supremacia da Constituição 🔹 Rigidez constitucional 📌 2. RELAÇÃO COM O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ⚠️ Estrutura lógica do controle 📌 3. O QUE ACONTECE COM UMA NORMA INCONSTITUCIONAL? ⚖️ 4. MODELOS TEÓRICOS DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.1 MODELO AMERICANO — TEORIA DA NULIDADE 📌 Ideia central (muito importante) 🧠 Lógica por trás disso ⚙️ Características 📌 O que significa “decisão declaratória”? 📌 O que significa “ex tunc”? 📌 Exemplo prático ⚠️ IMPORTANTE (nível prova) 🇦🇹 4.2 MODELO AUSTRÍACO — TESE DA ANULABILIDAD 📌 Ideia central 🧠 Lógica por trás disso ⚙️ Características 📌 O que significa “decisão constitutiva negativa”? 📌 O que significa “ex nunc”? 📌 Exemplo prático ⚖️ 5. COMPARAÇÃO COMPLETA (pra memorizar de verdade) ⚠️ 6. COMO ISSO CAI NA PROVA (MUUUUITO IMPORTANTE) ⚠️ O STF pode flexibilizar isso 📌 Por que isso acontece? 📌 Exemplo clássico 📌 7. CONEXÃO COM A PRÓXIMA PARTE 📚 PARTE 2 — INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL x MATERIAL + POR AÇÃO x POR OMISSÃO (VERSÃO COMPLETA E APROFUNDADA) ⚖️ 1. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL x MATERIAL 🔹 1.1 INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL (EXPLICAÇÃO PROFUNDA) 🧠 COMO PENSAR (lógica simples) 📌 TIPOS DE VÍCIO FORMAL (IMPORTANTE PRA PROVA) ✔ 1. VÍCIO DE INICIATIVA 📌 Exemplo clássico: 📌 Outros exemplos importantes: ⚠️ PEGADINHA ✔ 2. VÍCIO DE COMPETÊNCIA 📌 Base constitucional: 📌 Exemplo do material: 📌 Outros exemplos importantes: 🧠 Lógica ✔ 3. VÍCIO DE PROCEDIMENTO (OU RITO) 📌 Exemplos do material: 📌 Outros exemplos importantes: ⚠️ CONCLUSÃO SOBRE FORMAL 🔹 1.2 INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL (EXPLICAÇÃO PROFUNDA) 🧠 COMO PENSAR 📌 O QUE PODE SER VIOLADO? 📌 Exemplos do material: 📌 Exemplos clássicos de prova: 🧠 IMPORTANTE (nível mais profundo) ✔ direta ✔ indireta por conteúdo ⚠️ PEGADINHA ⚖️ DIFERENÇA ENTRE FORMAL E MATERIAL (RESUMO FORTE) ⚖️ 2. INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO x POR OMISSÃO 🔹 2.1 INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO (EXPLICAÇÃO COMPLETA) 📌 Exemplo do material: 📌 Outros exemplos importantes: 🧠 Lógica 🔹 2.2 INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (EXPLICAÇÃO COMPLETA) 🧠 COMO ENTENDER 📌 Quando existe omissão? 📌 Exemplo do material: 📌 Outros exemplos importantes: ⚠️ TIPOS DE OMISSÃO (NÍVEL PROVA) ✔ omissão total ✔ omissão parcial 📌 Exemplo de omissão parcial: 🧠 CONSEQUÊNCIA (IMPORTANTE) ⚠️ INSTRUMENTOS (só pra você já ir avançando) 🎯 RESUMO FINAL (FIXAÇÃO) ⚖️ 1. INCONSTITUCIONALIDADE ORIGINÁRIA x SUPERVENIENTE 🔹 1.1 INCONSTITUCIONALIDADE ORIGINÁRIA (EXPLICAÇÃO COMPLETA) 🧠 COMO PENSAR 📌 Exemplos: 🧠 RELAÇÃO COM O MODELO BRASILEIRO ⚠️ IMPORTANTE 🔹 1.2 INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE (EXPLICAÇÃO COMPLETA) 🧠 COMO PENSAR 📌 FORMAS DE OCORRER ✔ 1. MUDANÇA DO PARÂMETRO CONSTITUCIONAL 📌 Exemplo: ✔ 2. MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO (HERMENÊUTICA) 🚨 AGORA A PEGADINHA MAIS IMPORTANTE DA MATÉRIA 📌 O que acontece nesses casos? 🧠 EXPLICAÇÃO SIMPLES 📌 Exemplo clássico: ⚠️ O QUE O STF ADMITE? 🎯 RESUMO (CAI MUITO) ⚖️ 2. INCONSTITUCIONALIDADE TOTAL x PARCIAL 🔹 2.1 INCONSTITUCIONALIDADE TOTAL 📌 Quando acontece? 📌 Exemplo: 🔹 2.2 INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL 🧠 COMO FUNCIONA 📌 Exemplo do material: ⚠️ TÉCNICAS IMPORTANTES (NÍVEL PROVA MAIS AVANÇADO) ✔ interpretação conforme a Constituição 🎯 RESUMO ⚖️ 3. INCONSTITUCIONALIDADE DIRETA x INDIRETA 🔹 3.1 INCONSTITUCIONALIDADE DIRETA 📌 Exemplo: 🧠 LÓGICA 🔹 3.2 INCONSTITUCIONALIDADE INDIRETA (OU REFLEXA) 🧠 LÓGICA 📌 Exemplo: ⚠️ SUPER IMPORTANTE (NÍVEL PROVA) 🎯 DIFERENÇA 🚨 ESQUEMA FINAL (PERFEITO PRA MEMORIZAR)