Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Direito Internacional Privado
Livro Jacob Dolinger, Direito Internacional Privado: parte geral.
Coletânea de Direito Internacional.
Lei de Introdução às normas do direito brasileiro. 
Art. 7º, Caput: A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família. 
A lei do país que a pessoa rege irá determinar as regras que se segue. 
Ex: Milionário do Irã, tinha diversos imóveis e morreu os filhos fizera ação de partilha, sendo que um deles era filho ilegítimo. Na lei brasileira, não se tem diferença entre os filhos, já no Irã sim, o filho ilegítimo apenas conseguiria parte da herança, se o pai fosse a público e por meio da legitimação, legitimasse o filho na sociedade. Irritado o filho ilegítimo, decidiu se mudar para o Brasil na esperança de conseguir participar da herança, devido a lei brasileira. 
Art. 10, Caput. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. 
Dessa maneira, no caso do exemplo, seria aplicada a lei iraniana, já que independentemente de o filho morar no Brasil, o pai faleceu no Irã. 
Plataforma continental: território terrestre embaixo d´água. 
No ano passado, o Brasil conseguiu mais territórios de plataformas continentais. 
Objeto do direito internacional Privado: 
1. Nacionalidade: 
1.1 Do Nacional
1.2 Do Estrangeiro
Conflito de leis
Conflito de Legislações
 2. Relações com outros Ramos: De todos os demais ramos do direito, se comunica mais com Direito Internacional Público, justamente por também tratar de matérias do direito público, como perda da nacionalidade, etc. Direito Constitucional também comunica.
Nacionalidade: Art. 12, CF.
 3. Métodos:
· Harmonização: se tem várias leis nacionais, que se tem elementos que façam parte da jurisdição de um outro país.
· Uniformização:
Nacionalidade: Vínculo de pertencimento de uma pessoa a um país, pessoa natural ou pessoa jurídica. 
Cidadania: Nacionalidade + direitos políticos, de poder votar e ser votado. 
1. Critérios: 
 1.1 Originária: ex tunc pois retroage com o tempo, ou seja, após se conseguir a nacionalidade os efeitos se transferem também para antes da aquisição. Art. 12, I, A. 
· Jus Solis: Nacional pois nasce no território terrestre (navios e aeronaves), marítimo (linha de base até doze milhas náuticas) e aéreo espaço aéreo, não se tem diferenciação do espaço aéreo por altitude. Navio tem nacionalidade. 
· Jus Sanguinis: Nacional pois é filho de pais que são do território.
 1.2 Derivada: ex nunc pois os efeitos são a partir do momento e que se consegue a nacionalidade em diante.
· Jus Domicili: morando há muitos anos no mesmo país
· Jus Laboris: pessoa que trabalha para um país, pode ser regular (privado), público ou extraordinário.
· Jus Matrimonii: pessoa se casa com nacional do país. 
· Naturalização do Chefe de família
· Legitimação
Nacionalidade é ato personalíssimo.
Mudança de nacionalidade: nacionalidade não é um direito, mas sim uma fonte de direitos, em que se divide em direito de mudar e de não mudar:
· Direito de mudar
A) Direito de renunciar: ninguém é obrigado a ter uma nacionalidade que não quer, ou seja, pode se tornar apátrida. 
B) Direito de adquirir: 
· Direito de não mudar
A) Direito de não adquirir:
B) Direito de não perder:
Condição Jurídica do Estrangeiro – Saída Compulsória do País
(Lei de Migração – Lei 13.445/2017)
A Lei de Migração prevê formas de retirada obrigatória do estrangeiro do território nacional. Essas medidas são chamadas de retirada compulsória e são:
· Impedimento de entrada (com repatriação)
· Deportação
· Expulsão
· Extradição (não é exatamente retirada administrativa, é cooperação penal internacional)
Cada uma tem natureza jurídica diferente, e isso é muito cobrado em prova.
1. Impedimento à entrada
O impedimento à entrada ocorre quando o estrangeiro tenta entrar no Brasil, mas não pode entrar.
Isso acontece, por exemplo:
· Falta de documentação;
· Visto irregular;
· Fraude;
· Risco à segurança pública;
· Pessoa anteriormente expulsa.
Esse impedimento:
· Deve ser individualizado (não pode ser genérico);
· Deve ser fundamentado (o Estado deve explicar o motivo).
Ou seja, o estrangeiro tem direito ao devido processo legal mínimo.
1.1 Repatriação
A repatriação acontece quando o estrangeiro é impedido de entrar e é mandado de volta para o país de origem ou de procedência.
Exemplo:
· Chega no aeroporto sem visto → não entra → volta para o país.
A Lei de Migração determina que a repatriação, deportação e expulsão serão feitas para o país de nacionalidade, de procedência ou outro que aceite receber o estrangeiro.  
Princípio do Non-Refoulement
Esse princípio é MUITO IMPORTANTE.
Ele significa:
O estrangeiro não pode ser devolvido para um país onde sua vida, liberdade ou integridade estejam em risco.
Exemplos:
· Perseguição política;
· Guerra;
· Perseguição religiosa;
· Risco de morte;
· Tortura.
Esse princípio vem do Direito Internacional dos Refugiados e protege principalmente refugiados e asilados.
Ou seja, mesmo que a pessoa esteja irregular, ela não pode ser devolvida para um lugar onde corre risco de vida.
2. Deportação
A deportação ocorre quando o estrangeiro entra legalmente, mas passa a ficar irregular, ou entra irregularmente.
Exemplo:
· Visto venceu;
· Entrou ilegalmente;
· Ficou no Brasil sem autorização.
A deportação:
· Depende de processo administrativo;
· O estrangeiro é notificado para regularizar a situação ou sair voluntariamente;
· Se não regularizar → é deportado;
· Não impede o reingresso no Brasil depois (se regularizar a situação).
Ou seja, a deportação não é punição, é apenas uma medida administrativa para corrigir situação migratória irregular.
Resumo:
· Deportação = irregularidade migratória
· Não é pena
· Pode voltar depois
3. Expulsão
A expulsão é a medida mais grave.
Ela acontece quando o estrangeiro comete crime no Brasil.
A Lei de Migração define que a expulsão é:
Medida administrativa de retirada compulsória do estrangeiro do território nacional com impedimento de reingresso por prazo determinado.  
Ela ocorre quando há:
· Condenação criminal com sentença transitada em julgado;
· Crime grave ou crime doloso com pena privativa de liberdade.  
Então:
· A pessoa cumpre a pena;
· Depois pode ser expulsa;
· E fica proibida de voltar ao Brasil por um tempo ou definitivamente.
A expulsão tem natureza punitiva.
Resumo:
· Expulsão = crime
· Tem sentença penal
· Impede retorno
4. Vedação à expulsão (Art. 55 da Lei de Migração)
A lei brasileira proíbe a expulsão em algumas situações, principalmente para proteger a família e a dignidade humana.
A Lei diz que não será expulso o estrangeiro quando:
1. Se a expulsão for, na verdade, uma extradição disfarçada (o Brasil não pode expulsar para burlar a lei de extradição);
2. Se o estrangeiro:
· Tiver filho brasileiro sob sua guarda ou dependência econômica ou socioafetiva;
· Tiver cônjuge ou companheiro brasileiro residente no Brasil;
· Tiver entrado no Brasil antes dos 12 anos e vivido aqui desde então;
· Tiver mais de 70 anos e morar no Brasil há mais de 10 anos.  
Isso existe porque o Direito brasileiro protege:
· A família;
· A criança;
· O idoso;
· A dignidade da pessoa humana.
Inclusive, o STJ entende que se o estrangeiro tiver filho brasileiro dependente, ele não pode ser expulso.  
Isso cai MUITO em prova.
5. Processo de expulsão (importante)
A expulsão ocorre em duas fases:
1ª fase – Processo penal
Primeiro, o estrangeiro responde ao processo criminal normalmente.
Só depois da condenação definitiva (trânsito em julgado) é que pode começar a expulsão.
2ª fase – Processo administrativo
Depois da condenação, o Ministério da Justiça abre processo administrativo de expulsão para decidir se o estrangeiro será expulso ou não.
Ou seja:
· A expulsão não é automática;
· Depende de decisão administrativa;
· Deve garantir contraditório e defesa.
As medidasde retirada compulsória do estrangeiro são:
· Repatriação
· Deportação
· Expulsão
Todas são formas de retirada obrigatória do estrangeiro do território nacional.  
1. REPATRIAÇÃO
A repatriação ocorre quando o estrangeiro é impedido de entrar no Brasil e é devolvido ao país de origem ou de procedência.  
Exemplo: estrangeiro sem visto ou com documento irregular no aeroporto.
Importante:
A repatriação não pode ocorrer quando:
· Houver risco à vida;
· Houver perseguição política;
· Houver risco à liberdade ou integridade.
Isso ocorre por causa do Princípio do Non-Refoulement, que proíbe devolver a pessoa para lugar onde ela possa sofrer perseguição.
Também não pode haver:
· Repatriação coletiva;
· Repatriação que coloque a vida em risco.  
2. DEPORTAÇÃO
A deportação ocorre quando o estrangeiro:
· Entrou irregularmente; ou
· Permaneceu irregularmente (visto vencido).
A deportação:
· É medida administrativa;
· Depende de processo administrativo;
· O estrangeiro é notificado para regularizar a situação;
· Se não regularizar, ele é deportado;
· Não impede o retorno ao Brasil depois.  
Ou seja:
➡️ Deportação não é punição
➡️ É apenas irregularidade migratória
3. EXPULSÃO
A expulsão é a medida mais grave.
Ela ocorre quando o estrangeiro comete crime no Brasil.
A lei define a expulsão como:
Medida administrativa de retirada compulsória com impedimento de reingresso por prazo determinado.  
Ou seja:
· Ele é retirado;
· E não pode voltar por um tempo.
Crimes que podem gerar expulsão:
· Crime comum doloso grave;
· Genocídio;
· Crime contra a humanidade;
· Crime de guerra.  
4. PROCESSO DE EXPULSÃO (MUITO IMPORTANTE)
A expulsão tem duas fases:
1ª Fase – Processo penal
Primeiro ocorre:
· Investigação;
· Processo criminal;
· Sentença penal condenatória;
· Trânsito em julgado.
2ª Fase – Processo administrativo
Depois da condenação:
· Inicia-se processo administrativo de expulsão;
· O estrangeiro tem contraditório e ampla defesa;
· A Defensoria Pública pode atuar;
· Ao final, o Ministro da Justiça decide sobre a expulsão.
Ou seja:
Sem condenação penal transitada em julgado → não pode expulsar.
5. VEDAÇÃO À EXPULSÃO (ARTS. 54 E 55)
A lei protege situações humanitárias e familiares.
Não se admite expulsão quando o estrangeiro:
· Tem filho brasileiro sob sua guarda ou dependência econômica ou socioafetiva;
· Tem cônjuge ou companheiro brasileiro;
· Entrou no Brasil antes dos 12 anos e mora aqui desde então;
· Tem mais de 70 anos e mora no Brasil há mais de 10 anos;
· Quando a expulsão configurar extradição inadmitida pela lei brasileira.  
Essas hipóteses existem para proteger:
· A família;
· A dignidade da pessoa humana;
· O melhor interesse da criança;
· Direitos humanos.
6. EXTRADIÇÃO
A extradição é:
A entrega de uma pessoa para outro país para ser julgada ou para cumprir pena.  
Não confundir:
· Deportação → irregularidade migratória
· Expulsão → crime no Brasil
· Extradição → crime em outro país
Tipos:
· Extradição ativa → Brasil pede;
· Extradição passiva → Brasil recebe pedido.
7. REQUISITOS PARA EXTRADIÇÃO (TEORIA DA EXTRADIÇÃO)
Para que a extradição seja concedida, normalmente exige-se:
1. Dupla tipicidade → o fato deve ser crime nos dois países;
2. Princípio da especialidade → só pode julgar pelo crime pedido;
3. Crime comum → não pode ser crime político;
4. Pena mínima relevante (geralmente acima de 2 anos);
5. Não pode haver prescrição;
6. Não pode ter sido julgado pelo mesmo fato;
7. O país deve se comprometer a:
· Não aplicar pena de morte;
· Não aplicar prisão perpétua;
· Não aplicar tribunal de exceção.  
8. PROMESSA DE RECIPROCIDADE
Quando não existe tratado de extradição, o país pode prometer:
“Se você entregar essa pessoa, eu entregarei quando você pedir.”
Isso se chama:
➡️ Promessa de reciprocidade
O Brasil aceita extradição com base nisso.
9. MODELO BELGA DE EXTRADIÇÃO (MUUUITO IMPORTANTE)
O Brasil adota o modelo belga, que tem duas fases:
Fase 1 – Judicial
Quem analisa: STF
O STF verifica:
· Legalidade;
· Requisitos;
· Direitos humanos;
· Se é crime político;
· Se há dupla tipicidade.
O STF autoriza ou não a extradição.
Fase 2 – Política/Administrativa
Quem decide: Presidente da República
Mesmo que o STF autorize, o Presidente:
· Pode extraditar;
· Pode não extraditar.
Ou seja:
➡️ STF autoriza
➡️ Presidente decide
Isso já foi decidido várias vezes pelo STF.  
10. COOPERAÇÃO JURISDICIONAL INTERNACIONAL EM MATÉRIA PENAL
É a ajuda entre países para investigação e processo criminal.  
Exemplos:
· Extradição;
· Transferência de presos;
· Transferência de execução da pena;
· Carta rogatória;
· Auxílio direto;
· Compartilhamento de provas;
· Bloqueio de bens;
· Interrogatório por videoconferência;
· Homologação de sentença estrangeira.
Isso existe porque muitos crimes hoje são internacionais:
· Lavagem de dinheiro
· Tráfico
· Corrupção
· Crimes financeiros
· Crimes pela internet
REFÚGIO X EXTRADIÇÃO
1. Pedido de refúgio suspende a extradição
Isso está na Lei 9.474/1997 (Lei do Refúgio).
Regra:
Se a pessoa pedir refúgio, o processo de extradição fica suspenso até a decisão final sobre o refúgio.  
Ou seja:
· Pode já existir pedido de extradição;
· Mas se o estrangeiro pedir refúgio → a extradição para;
· Só continua depois que decidirem o refúgio.
Isso ocorre porque a extradição pode ser uma forma de perseguição política disfarçada, então primeiro se analisa se a pessoa é refugiada.
Base legal:
· Art. 34 da Lei 9.474/97 → pedido de refúgio suspende a extradição.  
2. Se o refúgio for concedido → não pode extraditar
Regra:
Se a pessoa for reconhecida como refugiada, a extradição não pode acontecer pelos mesmos fatos que geraram o refúgio.  
Porque isso violaria o:
· Princípio do non-refoulement (não devolução);
· Proteção internacional dos refugiados.
3. Quem decide o refúgio? (CONARE)
O órgão que analisa pedido de refúgio no Brasil é o:
CONARE – Comitê Nacional para os Refugiados
Ele pertence ao:
· Ministério da Justiça.
O CONARE:
· Analisa o pedido;
· Pode ouvir o ACNUR (ONU);
· Decide se a pessoa é refugiada ou não.  
4. O que acontece com a extradição dependendo do refúgio
	Situação
	O que acontece com a extradição
	Pedido de refúgio
	Extradição fica suspensa
	Refúgio concedido
	Extradição não pode ocorrer
	Refúgio negado
	Extradição volta a correr
O STF já decidiu isso várias vezes.
Ou seja, a ordem é:
1. Pedido de extradição;
2. Pessoa pede refúgio;
3. Extradição suspende;
4. CONARE decide;
5. Se negar → volta extradição;
6. Se conceder → extradição não pode acontecer.
5. Importante: refúgio não impede prisão para extradição
Mesmo com pedido de refúgio:
· A pessoa pode ficar presa preventivamente para fins de extradição;
· O que suspende é o processo, não necessariamente a prisão.
Isso já foi decidido pelo STF.  
6. Processo de extradição pode “cancelar” o asilo político?
Aqui tem uma diferença MUITO importante:
	Refúgio
	Asilo político
	Humanitário
	Político
	CONARE decide
	Presidente decide
	Lei 9.474/97
	Direito Internacional
	Suspende extradição
	Pode impedir extradição
O que acontece na prática:
· Às vezes a pessoa pede refúgio só para evitar extradição;
· Então o CONARE analisa se existe perseguição política real;
· Se o CONARE negar o refúgio → o processo de extradição continua normalmente.
Ou seja:
➡️ O processo de extradição não cancela automaticamente o refúgio,
mas se o refúgio for negado → a extradição continua.
Isso aconteceu em vários casos no STF.
7. Caso famoso: Cesare Battisti
Esse caso é muito cobrado em prova.
Resumo:
· Itália pediu extradição;
· Battisti pediu refúgio;
· O Ministro da Justiça concedeu refúgio;
· O STF autorizou extradição;
· O Presidente decidiu não extraditar;
· Anos depois, o STF autorizou novamente e ele foi extraditado.
Esse caso mostra:
· Modelo belga;
· Refúgio;
· Decisão política final;
· Conflito entre STF e Executivo.
8. Esquema mental (muito importante)
Guarda isso:
Pedido de extradição
 ↓
Pedido de refúgio
 ↓
Extradição suspensa↓
CONARE decide
 ↓ ↓
Refúgio Refúgio
concedido negado
 ↓ ↓
Não pode Extradição
extraditar continua
9. Frases prontas para prova
Essas frases são muito usadas em prova discursiva:
· A solicitação de refúgio suspende o processo de extradição até decisão final do CONARE.
· O reconhecimento da condição de refugiado impede a extradição pelos mesmos fatos.
· O Brasil adota o modelo belga de extradição: STF autoriza e o Presidente decide.
· O CONARE é o órgão responsável por analisar pedidos de refúgio no Brasil.
· O refúgio é medida de proteção internacional baseada no princípio do non-refoulement.
1. O que é a entrega ao Tribunal Penal Internacional (TPI)
A entrega é quando o Brasil entrega uma pessoa para ser julgada pelo Tribunal Penal Internacional, que fica em Haia. O TPI julga pessoas por crimes internacionais gravíssimos, como genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crime de agressão.  
Ou seja:
· A pessoa não é entregue para um país;
· Ela é entregue para um tribunal internacional.
Isso é muito importante porque cai em prova:
Entrega ≠ Extradição
2. Diferença entre entrega e extradição
Essa é uma das perguntas mais clássicas de prova.
	Extradição
	Entrega ao TPI
	De um Estado para outro Estado
	De um Estado para tribunal internacional
	Julgamento por lei nacional
	Julgamento por direito internacional
	Depende de tratado ou reciprocidade
	Depende do Estatuto de Roma
	STF + Presidente (modelo belga)
	Cooperação com o TPI
	Brasil não extradita brasileiro nato
	Brasileiro pode ser entregue ao TPI
A diferença principal é:
Na extradição o pedido vem de um Estado.
Na entrega o pedido vem do Tribunal Penal Internacional.  
3. Brasileiro pode ser entregue ao TPI?
Sim, e isso é MUITO importante.
A Constituição proíbe:
· Extradição de brasileiro nato.
Mas não proíbe a entrega ao TPI, porque:
· O TPI não é um país;
· É um tribunal internacional do qual o Brasil faz parte;
· O Brasil aceitou isso ao assinar o Estatuto de Roma.
Por isso, a doutrina entende que:
A entrega ao TPI não viola a Constituição, porque não é extradição.  
Base constitucional:
· Art. 5º, §4º da CF → Brasil se submete ao Tribunal Penal Internacional.
4. Princípio da complementaridade (muito importante)
O TPI só julga quando:
· O país não quer julgar, ou
· O país não consegue julgar.
Ou seja:
O TPI é complementar à jurisdição nacional.  
Exemplo:
Se o Brasil investigar e julgar → o TPI não atua.
Se o Brasil não fizer nada → o TPI pode pedir a entrega.
5. Crimes julgados pelo TPI
O TPI julga apenas crimes internacionais graves:
	Crime
	Genocídio
	Crimes contra a humanidade
	Crimes de guerra
	Crime de agressão
São crimes que afetam a comunidade internacional inteira.
6. Procedimento de entrega ao TPI
Funciona assim:
1. O TPI pede a prisão da pessoa;
2. O Brasil prende;
3. O Brasil entrega a pessoa ao TPI;
4. A pessoa é julgada em Haia.
O Brasil tem obrigação de cooperar com o TPI porque assinou o Estatuto de Roma.  
Se o Brasil não cooperar, pode sofrer sanções internacionais.
7. Resumo geral (essa tabela vale ouro pra prova)
	Instituto
	Para quem a pessoa é enviada
	Deportação
	País de origem
	Expulsão
	País de origem
	Extradição
	Outro país
	Entrega
	Tribunal Penal Internacional
8. Esquema geral da matéria inteira
Olha como essas matérias se conectam:
	Situação
	Instituto
	Estrangeiro irregular
	Deportação
	Estrangeiro comete crime no Brasil
	Expulsão
	Crime em outro país
	Extradição
	Crime internacional grave
	Entrega ao TPI
	Perseguição política
	Refúgio
	Cooperação entre países
	Cooperação penal
9. Frase pronta de prova
Guarda essa:
A entrega ao Tribunal Penal Internacional não se confunde com a extradição, pois esta ocorre entre Estados soberanos, enquanto a entrega ocorre entre um Estado e um tribunal internacional, nos termos do Estatuto de Roma, sendo admitida inclusive a entrega de nacionais.

Mais conteúdos dessa disciplina