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DIREITO CONSTITUCIONAL 28/03 Poder executivo Eleição: sistema majoritário de 2 turnos 1º turno: 1º domingo de outubro maioria absoluta dos votos válidos 2º turno: último domingo de outubro mais votado Posse: Pres. 05/01 Gov. 06/01 Pref. 01/01 PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE COMPARECE COMPARECE POSSE FALTA FALTA DUPLA VACÂNCIA COMPARECE FALTA POSSE PARA PR FALTA COMPARECE Sucessão PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE PRESIDENTE CÂMARA DOS DEPUTADOS PRESIDENTE SENADO FEDERAL PRESIDENTE SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 2 primeiros anos de mandato 2 últimos anos do mandato Novas eleições diretas Novas eleições pelo CN (forma da lei) Mandato: diferença Mandato: diferença Prazo: 90 dias Prazo: 30 dias OBS: Crime comum conexo com a função – responde na vigência do mandato (STF) Crime comum sem conexão com a função – responde após o final do mandato (1º grau) CRIME COMUM (FUNCIONAL) Denúncia Procurador Geral da República Autorização Câmara dos Deputados (2/3) 2/3 de 513 = 342 Foro STF (Art. 102, inciso I, alínea “b” + Art. 86, CF) Recebimento da denúncia no STF Presidente da República é imediatamente suspenso por 180 dias Não conclusão do processo em 180 dias Presidente da República retorna ao cargo Penas Penas do tipo CRIME DE RESPONSABILIDADE Denúncia Qualquer Cidadão Autorização Câmara dos Deputados (2/3) 2/3 de 513 = 342 Foro Senado Federal, presidido pelo Presidente do STF (Art. 52, inciso I + Art. 86 + Art. 52, parágrafo único, CF) Recebimento da denúncia no Senado Presidente é suspenso por 180 dias Não conclusão do processo em 180 dias Presidente da República retorna ao cargo Penas Perda do Cargo + Inabilitação para função pública por 8 anos (2/3) 29/03 Decisão do impeachment se dá por resolução pelo Senado Federal Conselho Nacional da República Conselho de Defesa Nacional Função ED/ES/IF Estabilidade democrática ED/ES/IF Guerra/paz Segurança Composição VPR PCD PSF Min. Justiça Líderes maioria e da minoria CD/SF 6 brasileiros natos VPR PCD PSF Min. Justiça Min. Defesa Min. Rel. Estrangeiras Min. Planejamento Comandantes Marinha, Exército e Aeronáutica Todos os participantes dos Conselhos devem ter, pelo menos, 35 anos, 3 anos de mandato, vedada a recondução. O conselho não é vinculante, é meramente informativo. PER CURIAM SERIATIM A corte se reúne e profere apenas uma decisão. Cada ministro julga de uma maneira diferente, somam-se os votos. (série) Não existe incompatibilidade entre normas constitucionais originárias. Câmara dos Deputados (Art. 45, CF) • Representantes do povo nos Estados, no DF e nos Territórios. • Composição: proporcional ao número de povo. Mínimo de 8 e máximo de 70 Definição por Lei Complementar (513) Exceção: Territórios (4 DF) • Mandato: 4 anos (1 Legislatura) • Idade mínima: 21 anos • Sistema eleitoral: proporcional Senado Federal (Art. 46) • Representantes dos Estados e do Distrito Federal • Composição fixa: cada Estado e o DF elegerão 3 senadores com 2 suplentes cada (Total = 81 Sen.). • Mandato: 8 anos (2 Legislaturas) Eleições de 4 em 4 anos (renovação na proporção 1/3 – 2/3) • Idade mínima: 35 anos • Sistema eleitoral: majoritário 25/04 Processo Legislativo Ordinário • Origina a lei ordinária e a lei complementar. A nomenclatura é utilizada para diferenciá-lo do processo legislativo sumário. • Diferenças entre a lei ordinária e a lei complementar: ➢ Lei Ordinária: ✓ Aprovação por maioria simples/relativa: mais da metade dos presentes. ✓ Ex.: Senado Federal 81/60 60 ÷ 2 = 30 Mais da metade de 30 = 31. ✓ Art. 22, CF. ➢ Lei Complementar: ✓ Aprovação por maioria absoluta: mais da metade do total. ✓ Ex.: Senado Federal 81/60 81 ÷ 2 = 40,5 Mais da metade de 40,5 = 41 ✓ Matérias específicas. ✓ Art. 14, §9º, CF. ✓ Art. 22, CF. • Fases do Processo Legislativo: ➢ Iniciativa → Fase constitutiva → Fase complementar. ➢ Iniciativa: ✓ A Constituição enumera de forma objetiva quem pode apresentar os projetos de lei ordinária e complementar. ✓ Geral (Art. 61, CF): A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. PROPONENTE CASA INICIAL Deputado Federal ou Comissão da Câmara dos Deputados Câmara dos Deputados Senador ou Comissão do Senado Senado Federal Comissão do Congresso Nacional Alternada Presidente da República Câmara dos Deputados PGR ------------------ Supremo Tribunal Federal Câmara dos Deputados Tribunais Superiores Câmara dos Deputados Cidadãos Câmara dos Deputados ✓ Iniciativa popular: está presente em todos os níveis da Federação brasileira. ▪ Art. 61, § 2º: A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. ▪ Art. 29, XIII, CF: iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado; ▪ Art. 27, § 4º: A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual. ✓ Iniciativa do Supremo Tribunal Federal (Art. 93, CF). ➢ Fase Constitutiva: ✓ Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. ▪ Regra: Rejeitado um projeto de lei por uma Casa do Congresso, o projeto somente pode ser reapresentado na próxima sessão legislativa! ▪ Exceção: O projeto rejeitado por qualquer uma das Casas do Congresso pode ser reapresentado na mesma sessão legislativa se for representado com a assinatura da maioria absoluta dos membros! ✓ Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros. ▪ Para começar a votação de um projeto de lei numa determinada Casa do Congresso Nacional, é necessário ter um número mínimo de parlamentares presentes! ✓ Veto: ▪ Relativo. ▪ Fundamentado: → Inconstitucionalidade ou contrariedade ao interesse público. ▪ Total ou parcial: → Exceção: palavras. ▪ Irretratável. ✓ Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só turno de discussão e votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivado, se o rejeitar. Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora. ✓ Art. 66: A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará. • Processo Legislativo Sumário: ➢ Igual ao processo legislativo ordinário, mas agora há prazos fixados. ➢ Quem solicita a urgência é o Presidente da República em projetos de sua iniciativa. ➢ Solicitada a urgência, a Câmara dos Deputados (Casa Inicial) tem prazo de 45 dias para se manifestar. Igual prazo incide para o Senado Federal (Casa Revisora). Emendas devem ser apreciada em 10 dias. ➢ Art. 64, CF. 25/04 Sanção presidencial não supre vício de iniciativa. Cada Estado pode criar seu modelo, não é norma de reproduçãoj. em 23/02/2016). ➢ Decisão: ▪ Irrecorrível: ✓ A decisão de mérito é irrecorrível, salvo embargos de declaração ✓ Não há prazo em dobro para a oposição desses embargos (AgRg ADI 2130, AgRg ADI 1797) ✓ Amicus Curiae não tem legitimidade para recorrer (EDcl ADI 2359) ▪ Repercussão da decisão no controle difuso: ✓ O simples ajuizamento da ADI não paralisa as ações particulares que disponham sobre o mesmo objeto, salvo se for concedida alguma medida cautelar na ADI. ✓ Caso o julgamento da ADI saia antes, deverão os demais juízes e tribunais aplicar o entendimento proferido nesta em razão dos efeitos vinculantes. ✓ Se a ação particular tiver transitado em julgado, cabe ação rescisória (coisa julgada inconstitucional) se ainda estiver no prazo (o termo inicial é o trânsito em julgado da decisão do STF). → “(...) 4. Afirma-se, portanto, como tese de repercussão geral que a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495). (RE 730462) ✓ Não há prazo em dobro para a oposição desses embargos (AgRg ADI 2130, AgRg ADI 1797). ✓ Amicus Curiae não tem legitimidade para recorrer (EDcl ADI 2359). • Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade: ➢ A cautelar é sempre dada por maioria absoluta (Seis Ministros) na presença de 2/3 (Oito Ministros). ➢ Exceção: durante o recesso a cautela pode ser dada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal. ➢ Os requisitos para a concessão são os tradicionais fumus boni juris e periculum in mora, podendo este ser substituído pelo critério da conveniência quando a lei estiver produzindo efeitos há anos (“é possível, como se entendeu em precedentes desta Corte, utilizar-se do critério da conveniência, em lugar do periculum in mora, para a concessão de medida liminar, ainda quando o dispositivo impugnado já esteja em vigor há anos” ADIMC 2314). ➢ A cautelar em regra é dada após a oitiva dos órgãos dos quais emanou a lei ou o ato normativo. Estes devem se manifestar em 5 dias! ➢ Contudo, quando há urgência excepcional o Tribunal pode deferir a medida sem a oitiva de tais órgãos! ➢ Se o Relator quiser também pode determinar a manifestação do PGR e do AGU em 3 dias! ➢ Art. 10. ➢ Os efeitos da cautelar são: ▪ Erga omnes; ▪ Ex nunc; ▪ Repristinatórios; ▪ Vinculantes (este não aparece de forma expresso na lei)! ▪ OBS: Quando o Supremo Tribunal Federal indefere a cautelar não há efeitos vinculantes (AgRg Rcl 3424). 06/06 Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF • A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental foi criada com o propósito de aperfeiçoar o sistema de controle de constitucionalidade concentrado, permitido que o Supremo Tribunal Federal anulasse leis ou atos normativos até então insuscetíveis de controle (como normas municipais ou normas anteriores ao texto constitucional). “A arguição de descumprimento de preceito fundamental foi concebida pela Lei 9.882/1999 para servir como um instrumento de integração entre os modelos difuso e concentrado de controle de constitucionalidade, viabilizando que atos estatais antes insuscetíveis de apreciação direta pelo STF, tais como normas pré-constitucionais ou mesmo decisões judiciais atentatórias a cláusulas fundamentais da ordem constitucional, viessem a figurar como objeto de controle em processo objetivo. A despeito da maior extensão alcançada pela vertente objetiva da jurisdição constitucional com a criação da nova espécie de ação constitucional, a Lei 9.882/1999 exigiu que os atos impugnáveis por meio dela encerrassem um tipo de lesão constitucional qualificada, simultaneamente, pela sua (a) relevância (porque em contravenção direta com paradigma constitucional de importância fundamental) e (b) difícil reversibilidade (porque ausente técnica processual subsidiária capaz de fazer cessar a alegada lesão com igual eficácia) [ADPF 127]. • Previsão constitucional: art. 102, §1º, CF. • Foro: Supremo Tribunal Federal. • Previsão Legal: Lei n.º 9.882/99. • Objeto: ➢ Ato do poder público que viola preceito fundamental. ➢ Princípio da subsidiariedade: ▪ O objeto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental pode ser identificado a partir do princípio da subsidiariedade previsto no artigo 4º, parágrafo 1º, da Lei 9882/1999. ▪ Art. 4º, §1º. ▪ Disso decorre que só cabe ADPF quando não cabe ADI, ADC ou ADO. ➢ A questão dos atos secundários: ▪ Se o ato secundário apenas ofende de forma indireta a Constituição, não cabe Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 93) ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL. DISPOSITIVOS DO DECRETO PRESIDENCIAL 5.597, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2005, QUE REGULAMENTA O ACESSO DE CONSUMIDORES LIVRES ÀS REDES DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA(...) APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE. AUSÊNCIA DE POTENCIALIDADE LESIVA. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO (...) A jurisprudência desta Suprema Corte, não reconhece a possibilidade de controle concentrado de atos que consubstanciam mera ofensa reflexa à Constituição, tais como o ato regulamentar consubstanciado no Decreto presidencial ora impugnado. VI – Agravo regimental improvido. (ADPF 93). ➢ Conjunto de decisões judiciais: Constitucionalidade de atos normativos proibitivos da importação de pneus usados. (...) Adequação da arguição pela correta indicação de preceitos fundamentais atingidos, a saber, o direito à saúde, direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (arts. 196 e 225 da Constituição Brasileira) e a busca de desenvolvimento econômico sustentável: princípios constitucionais da livre iniciativa e da liberdade de comércio interpretados e aplicados em harmonia com o do desenvolvimento social saudável. Multiplicidade de ações judiciais, nos diversos graus de jurisdição, nas quais se têm interpretações e decisões divergentes sobre a matéria: situação de insegurança jurídica acrescida da ausência de outro meio processual hábil para solucionar a polêmica pendente: observância do princípio da subsidiariedade. Cabimento da presente ação. [ADPF 101, rel. min. Cármen Lúcia, j. 24-6-2009, P, DJE de 4-6-2012.] ➢ Hipótese de (des)cabimento – exceções à subsidiariedade: ▪ Embora a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental seja regida pelo princípio da subsidiariedade, ainda assim há atos que não se sujeitam a controle judicial. ✓ Atos normativos secundários que ofendam a Constituição de forma reflexa, apenas (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 93). ✓ Súmulas Vinculantes. “A arguição de descumprimento de preceito fundamental não é a via adequada para se obter a interpretação, a revisão ou o cancelamento de súmula vinculante (ADPF 147) ▪ Leis ou atos normativos revogados (em que pese o Supremo Tribunal Federal já ter se posicionado em relação ao cabimento – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 33 –, mas recentemente decidiu pela impossibilidade de controle via Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental). ▪ ADPF. Impugnação a normas jurídicas pós-constitucionais já revogadas. Pretensão insuscetível de conhecimento. Inadmissibilidade do exame dos efeitos residuais concretos resultantes dos atos revogados. Descabimento da análise de situações individuais e/ou de relações jurídicas concretas em sede de controle normativo abstrato. Precedentes. ADPF de que não se conhece. [ADPF 211] ▪ Proposta de Emenda Constitucional: ✓ “A proposta de emenda à constituição não se insere na condição de ato do poder público prontoe acabado, porque ainda não ultimado o seu ciclo de formação. Ademais, o STF tem sinalizado no sentido de que a arguição de descumprimento de preceito fundamental veio a completar o sistema de controle objetivo de constitucionalidade. Assim, a impugnação de ato com tramitação ainda em aberto possui nítida feição de controle preventivo e abstrato de constitucionalidade, o qual não encontra suporte em norma constitucional-positiva. [ADPF 43]. ▪ Veto? ✓ A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 1 afirmou a impossibilidade contra veto. No entanto, anos mais tarde o Supremo Tribunal Federal declarou na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 45 o cabimento. • Parâmetro na ADPF: ➢ Preceitos fundamentais: apesar de não haver hierarquia entre as normas constitucionais, o parâmetro para julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental são os preceitos fundamentais, aqui compreendidos como os artigos dotados de especial relevância para a Constituição Brasileira de 1988. ➢ Ou seja, não são todas as normas constitucionais que funcionam como parâmetro para o controle de constitucionalidade via Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. ➢ Uma tentativa de sistematização dos preceitos fundamentais está na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 1. “Parece-nos, porém, que desde logo, podem ser indicados, porque, pelo próprio texto, não objeto de emenda, deliberação e, menos ainda, abolição: a forma federativa do Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos poderes, os direitos e garantias individuais. Desta forma, tudo o que diga respeito a essas questões vitais para o regime podem ser tido como preceitos fundamentais. Além disso, admita-se: os princípios do Estado democrático, vale dizer, soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho, livre iniciativa, pluralismo político; os direitos fundamentais individuais e coletivos; os direitos sociais; os direitos políticos, a prevalência das normas relativas à organização político administrativa; a distribuição de competências entre União, Estados, Distrito Federal, territórios e Municípios; entre Legislativo, Executivo e Judiciário; a discriminação de rendas; as garantias da ordem econômica e financeira, nos princípios básicos; enfim, todos os preceitos que, assegurando a estabilidade econômica e financeira e a continuidade da ordem jurídica democrática, devam ser cumpridos.” (ADPF 1-RJ). ➢ Direitos e garantias individuais, cláusulas pétreas, princípios sensíveis, princípios fundamentais (ADPF 33 MC). ➢ Direito à saúde, direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (arts. 196 e 225, CF/88) e busca de desenvolvimento econômico sustentável (ADPF 101). ➢ A autonomia administrativa e financeira da Defensoria Pública (art. 134, § 2º, da CF/88) (ADPF 307 MC). • Legitimados para a ADPF: ➢ Os legitimados para ajuizamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental são os mesmos legitimados para ajuizamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade. Art. 2º Podem propor arguição de descumprimento de preceito fundamental: I - os legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade; Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: - o Presidente da República; - a Mesa do Senado Federal; - a Mesa da Câmara dos Deputados; a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; o Governador de Estado ou do Distrito Federal; - o Procurador-Geral da República; - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional ➢ Apesar de leis municipais serem suscetíveis de controle, os Prefeitos não podem ajuizar ADPF. ➢ Legitimidade. Ativa. Inexistência. Ação por descumprimento de preceito fundamental (ADPF). Prefeito municipal. Autor não legitimado para ação direta de inconstitucionalidade. Ilegitimidade reconhecida. Negativa de seguimento ao pedido. Recurso, ademais, impertinente. Agravo improvido. Aplicação do art. 2º, I, da Lei federal 9.882/1999. Precedentes. Quem não tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade não a tem para ação de descumprimento de preceito fundamental [ADPF]. • Procedimento na ADPF: ➢ Petição Inicial: ▪ Requisitos: ✓ Os requisitos da petição inicial estão indicados no artigo 3º da Lei 9868/1999. Art. 3º A petição inicial deverá conter: I - a indicação do preceito fundamental que se considera violado; II - a indicação do ato questionado; III - a prova da violação do preceito fundamental; IV - o pedido, com suas especificações; V -se for o caso, a comprovação da existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação do preceito fundamental que se considera violado. ➢ Processamento: ▪ Notificação do órgão/autoridade responsável pelo ato: ✓ Distribuída a ação, sem prejuízo da cautelar, notifica-se o órgão/autoridade responsável pelo ato para prestar informações no prazo de 10 dias. Art. 6º O relator pedirá informações aos órgãos ou às autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado. Parágrafo único. As informações serão prestadas no prazo de trinta dias contado do recebimento do pedido. ▪ Citação do AGU para defender o ato impugnado: ✓ A lei 9882/1999 não traz a necessidade de citar o AGU para defender a constitucionalidade do ato normativo questionado. ▪ Intimação do PGR para se manifestar: ✓ No curso do processo o PGR também será chamado para se manifestar no processo. Art. 7º, Parágrafo único. O Ministério Público, nas arguições que não houver formulado, terá vista do processo, por cinco dias, após o decurso do prazo para informações. • Decisão na ADPF: ➢ Efeitos da decisão: ➢ Decisão: ▪ Nada impede que da decisão também decorra o efeito repristinatório em relação, por exemplo, às leis municipais. Caso o Supremo Tribunal Federal anule com efeito ex tunc uma lei municipal que revogou outra, esta pode retomar a sua validade. ▪ É cabível a modulação dos efeitos na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Art. 11 - Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. • Liminar na ADPF: ➢ A liminar pode ser concedida por manifestação favorável da maioria absoluta dos membros do Supremo Tribunal Federal (Seis Ministros). ➢ Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda em período de recesso, o Supremo Tribunal Federal pode determinar a liminar na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental de forma monocrática, ad referendum do Plenário. ➢ A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento de processos ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada Art. 5º O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na arguição de descumprimento de preceito fundamental. § 1o Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de recesso, poderá o relator conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno. § 2o O relator poderá ouvir os órgãos ou autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem como o Advogado-Geral da União ou o Procurador-Geral da República, no prazo comum de cinco dias.§ 3o A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento de processos ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada. Conselho Nacional de Justiça • Natureza jurídica do Conselho Nacional de Justiça: ➢ O CNJ é um órgão de controle interno do Poder Judiciário responsável pela fiscalização de sua atuação administrativa e financeira. ➢ OBS: não é um órgão de controle externo! É interno porque pertence ao Poder Judiciário! ➢ O CNJ vai, portanto, fiscalizar todo o Poder Judiciário, menos o Supremo Tribunal Federal, que é o responsável por verificar a validade das suas decisões. • Composição do Conselho Nacional de Justiça: Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo: I - o Presidente do Supremo Tribunal Federal; II um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado pelo respectivo tribunal; III um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, indicado pelo respectivo tribunal; IV um desembargador de Tribunal de Justiça, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; V um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; VI um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; VII um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; VIII um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho; IX um juiz do trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho; X um membro do Ministério Público da União, indicado pelo Procurador-Geral da República; XI um membro do Ministério Público estadual, escolhido pelo Procurador-Geral da República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual XII dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; XIII dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. • Poder Judiciário: • Conselho Nacional de Justiça: • Atribuições do Conselho Nacional de Justiça: § 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe, além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura: I - zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências; II - zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder Judiciário, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União; III - receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar processos disciplinares em curso, determinar a remoção ou a disponibilidade e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; (alterado pela Emenda Constitucional 103/2019). IV representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública ou de abuso de autoridade; V rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de um ano; VI elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolatadas, por unidade da Federação, nos diferentes órgãos do Poder Judiciário; VII elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias, sobre a situação do Poder Judiciário no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar mensagem do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da abertura da sessão legislativa. ➢ OBS: essas resoluções que o CNJ faz são consideradas atos normativos primários. Dessa forma, podem ser controladas por Ação Direta de Inconstitucionalidade. ➢ OBS: A Emenda Constitucional 103/2019 acabou com a aposentadoria com proventos integrais! ➢ OBS 2: a competência correicional do CNJ é concorrente, e não subsidiária. Isso significa que uma reclamação pode ser levada tanto a ele quanto à corregedoria local (STF, MS n. 28.620). ➢ O CNJ não pode declarar lei inconstitucional (STF AC 2.390-MC-Ref), mas pode afastar as leis que entenda conter inconstitucionalidade. § 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de Ministro Corregedor e ficará excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo- he, além das atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as seguintes: I receber as reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos magistrados e aos serviços judiciários; II exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e de correição geral; • Competências do STF e do STJ: • Supremo Tribunal Federal – Competências: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República; ➢ É importante lembra que o, nos crimes de responsabilidade, o Presidente da República é julgado pelo Senado Federal (art. 52, inciso I, da Constituição Brasileira de 1988). ➢ O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça entendem que os agentes políticos podem responder tanto por crimes de responsabilidade quanto por improbidade administrativa previstos na LIA (STF, AC n. 3.585). c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente; c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente; c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente; c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente; c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente;d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o habeas data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal. 20/06 Competência STF e STJ • Supremo Tribunal Federal: e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território; f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta; ➢ Em regra, as ações populares sempre tramitam em primeiro grau, haja vista não ter o Supremo Tribunal Federal competência originária expressa para julgá-las, bem como haver a necessidade de produção de provas que, em regra, não tem condições de serem produzidas no âmbito deste Tribunal. Contudo, dado o conflito federativo, algumas ações populares já foram encaminhadas para julgamento no STF. É o caso das Ações Populares que discutiram a demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol (STF, PET n. 3.388) ou a transposição do Rio São Francisco (STF, ACO n. 684). g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro. ➢ O Caso Cesare Battisti: num primeiro momento, o Ministério da Justiça concedeu asilo político ao italiano. Tal fato impediria a extradição. Contudo, entendendo que a concessão de asilo político é um ato vinculado, e que na ocasião não estavam presentes os requisitos, o Supremo Tribunal Federal caçou o asilo e a extradição foi pautada. No julgamento, o Tribunal entendeu que o Presidente da República não possui discricionariedade na decisão de extradição, devendo atentar, portanto, para eventuais tratados ou acordos de extradição (STF, EXT n. 1.085). Ainda assim, alegando tratar-se o caso de “crime complexo” (um misto de crime comum e de crime político), o então Presidente Lula houve por bem não extraditar o italiano. A Itália reclamou contra essa decisão, mas o Tribunal entendeu que a Itália não poderia questionar um ato do Presidente da República, soberano para decidir (STF, RCL n. 11.243). Anos mais tarde, contudo, o então Presidente da República Michel Temer optou por extraditar o italiano. A decisão foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal que entendeu que um Presidente não estava vinculado a decisão de outro (STF, RCL n. 29.066). ➢ Súmula 421 do Supremo Tribunal Federal: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. h) (Revogado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância; j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados; l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais; n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados; o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal; p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade; q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal; r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) ▪ Nos termos do art. 102, I, “r”, da Constituição Federal, é competência exclusiva do STF processar e julgar, originariamente, todas as ações ajuizadas contra decisões do Conselho CNJ e do CNMP proferidas no exercício de suas competências constitucionais, respectivamente, previstas nos arts. 103-B, § 4º, e 130-A, § 2º, da CF/88 (STF. Plenário. Pet 4770 AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/11/2020 - Info 1000). • Superior Tribunal de Justiça: Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; ➢ Não há mais necessidade de autorização por parte das Assembleias Legislativas para processamento de Governadores: até 2017 o STF entendia que os Governadores somente podiam ser julgados se as respectivas Assembleias Legislativas autorizassem. Contudo, a partir de então o Tribunal mudou de entendimento e passou a deixar de exigir tal autorização. Logo, atualmente não há mais necessidade de autorização das Assembleias Legislativas (ou Câmara Legislativa do Distrito Federal) para a abertura de processo contra Governadores (STF, ADI n. 5.540). Eventuais Constituições Estaduais que estabeleçam a necessidade de autorização serão inconstitucionais nesse particular (STF, ADI n. 4.797). ➢ Vice não é julgado pelo Superior Tribunal de Justiça: É importante deixar claro que o Supremo Tribunal Federal tem competência para julgar nos crimes comuns o Presidente da República e o Vice.Contudo, o Superior Tribunal de Justiça tem competência para julgar nos crimes comuns apenas o Governador. O Vice normalmente é julgado no âmbito do Tribunal de Justiça ainda que o crime tenha sido cometido quando interinamente exercia o cargo de Governador (STJ, RCL n. 980). ➢ O Vice somente será julgado no âmbito do Supremo Tribunal Federal ou Superior Tribunal de Justiça se praticou o crime com alguma autoridade com prerrogativa de foro (lembrando que hoje em dia a tendência é a do desmembramento dos crimes). ➢ Governadores de Estado são julgados nos crimes de responsabilidade por um Tribunal Misto, e não necessariamente pela Assembleia Legislativa: essa previsão está no 78, § 3º, da Lei n. 1.079/1950. ➢ Considerando o entendimento jurisprudencial que permite a responsabilização de agentes políticos por improbidade administrativa, um governador pode responder por (i) crimes comuns perante o STJ, (ii) por crime de responsabilidade junto ao Tribunal Especial previsto na Lei n. 1.079/1950 e (iii) por ação de improbidade administrativa no primeiro grau (STJ, AgRg na RCL n. 12.514). Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999). ➢ OBS: se o MS é impetrado contra órgão presidido por Ministro de Estado (por exemplo, COAF), a competência não é do Superior Tribunal de Justiça, mas sim do primeiro grau ➢ Súmula 177 do STJ: O Superior Tribunal de Justiça é incompetente para processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão colegiado presidido por Ministro de Estado. c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos; e) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados; f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; g) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da União; h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal; i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) ➢ OBS: é importante lembra que a execução da carta rogatória ou atos decorrentes da homologação da sentença estrangeira é da Justiça Federal de primeiro grau (Art. 109, inciso X, da Constituição Brasileira de 1988). • Competências Recursais Ordinárias: • Competências Recursais Extraordinárias e Especiais: Art. 102, § 1.º A arguição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). § 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. § 1º O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal. § 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias. § 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado. Art. 105, Parágrafo único. Funcionarão junto ao Superior Tribunal de Justiça: I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira; II - o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes correicionais, cujas decisões terão caráter vinculante. Direitos Políticos Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular. • Capacidade Eleitoral Ativa: ➢ Também chamada de condições de alistabilidade, a capacidade eleitoral ativa cuida das condições para o alistamento eleitoral (ato de tirar o título de eleitor) e o voto. ➢ Segundo a Constituição Federal, o alistamento eleitoral e o voto podem ser obrigatórios, facultativos ou proibidos. Art. 14, § 1º - O alistamento eleitoral e o voto são: I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; II - facultativos para: a) os analfabetos; b) os maiores de setenta anos; c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. Art. 14, § 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. • Capacidade Eleitoral Passiva:➢ Também chamada de condições de elegibilidade, a capacidade eleitoral passiva analisa os requisitos necessários para a disputa de cargos em eleições. Art. 14, § 3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei: I - a nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos Direitos Políticos; III - o alistamento eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária; VI - a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para Vereador. • Inelegibilidades Absolutas: ➢ As inelegibilidades absolutas estabelecem as hipóteses nas quais as pessoas não podem concorrer a nenhum cargo. ➢ Decorrem sempre e apenas da Constituição Federal. Art. 14, § 4º - São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. ➢ Analfabetos: aqueles que não têm qualquer domínio da língua portuguesa! ➢ Inalistáveis: estrangeiros e os conscritos! • Inelegibilidades Relativas: ➢ As inelegibilidades relativas restringem a participação no processo eleitoral para determinadas pessoas em determinadas circunstâncias, apenas. ➢ Decorrem da Constituição Federal e da Lei Complementar. ➢ Proibição de três mandatos consecutivos para os Chefes do Poder Executivo! Art. 14, § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente. ➢ Chefes do Poder Executivo! Não atinge, portanto, os membros do Poder Legislativo (Vereadores, Deputados, Senadores). ➢ Necessidade de renúncia dos Chefes do Poder Executivo para concorrerem a outros cargos! Art. 14, § 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. ➢ Pleito = eleição! ➢ Desincompatibilização. 27/06 Direitos Políticos • Inelegibilidades Relativas: ➢ Proibição de concurso, no mesmo território, para cônjuges e parentes em até segundo grau dos Chefes do Poder Executivo. Art. 14, § 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. ➢ Cônjuge: ▪ Casamento; ▪ União estável; ▪ União homoafetiva. ➢ Por afinidade ao cônjuge: ▪ Cunhados/cunhadas; ▪ Sogro/sogra; ▪ Genro/nora. ➢ Súmula Vinculante 18: “A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal no curso do mandato não afasta a inelegibilidade prevista no § 7, do artigo 14, da CF”. ➢ Inelegibilidade do militar! Art. 14, § 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. ➢ Outras inelegibilidades decorrentes de lei complementar! Art. 14, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. • Ação de impugnação ao mandato eletivo: Art. 14, § 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. Art. 14, § 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé. • Consultas plebiscitárias: § 12. Serão realizadas concomitantemente às eleições municipais as consultas populares sobre questões locais aprovadas pelas Câmaras Municipais e encaminhadas à Justiça Eleitoral até 90 (noventa) dias antes da data das eleições, observados os limites operacionais relativos ao número de quesitos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021) § 13. As manifestações favoráveis e contrárias às questões submetidas às consultas populares nos termos do § 12 ocorrerão durante as campanhas eleitorais, sem a utilização de propaganda gratuita no rádio e na televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021) • Perda e suspensão de direitos políticos: Art. 15. É vedada a cassação de Direitos Políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; II - incapacidade civil absoluta; III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. Art. 15. É vedada a cassação de Direitos Políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado – Perda. II - incapacidade civil absoluta – Suspensão. III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos – Suspensão. IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII – Suspensão. V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º - Suspensão – Perda. • Anterioridade da Lei Eleitoral: Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. Nacionalidade • Nacionalidade é um vínculo que une pessoas a Estados. Esse vínculo pode ser originário ou secundário/derivado. • Nacionalidade Originária: ➢ Independe, via de regra, da vontade do indivíduo. Adquirida de forma involuntária, portanto. Pode ser adquirida através de dois critérios: ➢ Jus soli: a criança adquire a nacionalidade do local de nascimento, sendo indiferente a nacionalidade dos pais. ➢ Jus sanguini: a criança tem a nacionalidade dos pais, pouco importando o local do nascimento. ➢ No Brasil, a regra é o jus soli! ➢ Essa nacionalidade define quem é o brasileiro nato. • Nacionalidade Secundária (adquirida, derivada): ➢ Depende da vontade do indivíduo. Logo, é adquirida de maneira voluntária! ➢ No Brasil, define quem é o brasileiro naturalizado. • Brasileiros natos: Art. 12. São brasileiros: I - natos: a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; ➢ Critério: Regra → jus soli! ➢ Para não incidir a nacionalidade brasileira: dois devem ser estrangeiros + ao menos um deve estar a serviço do país de origem! b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil; ➢ Critério: jus sanguinis + critério funcional! ➢ Pai brasileiro ou mãe brasileira!!! c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira; ➢ Pai brasileiro ou a mãe brasileira não estavam aserviço do Brasil (férias, trabalhando por conta)! ➢ Se for feito o registro, não precisa fazer mais nada! Agora se não foi feito o registro, aplica-se a segunda parte do dispositivo! • Brasileiros naturalizados: Art. 12. São brasileiros: II - naturalizados: a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. • Português equiparado ao brasileiro: Art. 12, § 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. ➢ Tratamento exclusivo para português! ➢ Residência permanente! ➢ Reciprocidade! ➢ Equiparado ao brasileiro naturalizado (“... os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição). • Tratamento diferenciado: ➢ Regra: não diferenciar. Art. 12, § 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição. ➢ Primeiro tratamento diferenciado: Cargos privativos de brasileiros natos (artigo 12, parágrafo 3, CF). Art. 12, § 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos: I - de Presidente e Vice-Presidente da República; II - de Presidente da Câmara dos Deputados; III - de Presidente do Senado Federal; IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VI - de oficial das Forças Armadas. VII - de Ministro de Estado da Defesa. ➢ Segundo tratamento diferenciado: Proibição de extradição do brasileiro nato e permissão de extradição (excepcional) do brasileiro naturalizado (art. 5, inciso LI, CF): Art. 5, inciso LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; ➢ Brasileiro nato jamais pode ser extraditado! ➢ Brasileiro naturalizado pode ser extraditado em duas ocasiões! ➢ Terceiro tratamento diferenciado: propriedade de empresas jornalísticas e de radiodifusão de sons ou de sons e imagens são privativas de brasileiros natos ou naturalizados há mais de 10 anos (art. 222, CF) Art. 222: A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País. ➢ Quarto tratamento diferenciado: função privativa de brasileiro nato (Art. 89, inciso VII, CF). Art. 89, VII: “O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam: 6 cidadãos brasileiros natos, com mais de 35 anos de idade, sendo 2 nomeados pelo Presidente da República, 2 eleitos pelo Senado Federal e 2 eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de 3 anos, vedada a recondução”. ➢ Quinto tratamento diferenciado: somente o brasileiro naturalizado perde a nacionalidade por sentença judicial reconhecendo a prática de atividade nociva ao interesse nacional. O nato não: Art. 12, parágrafo 4, inciso I, CF. • Perda da nacionalidade: (Nova redação constitucional): Art. 12, § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada ao processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira competente, ressalvadas as situações que acarretem apatridia. 28/06 Direitos e Deveres Individuais e Coletivos • Proibição de tortura – caráter absoluto. • Proibição de escravidão – caráter absoluto. • Extradição de brasileiro nato – caráter absoluto. • Livre a manifestação de pensamento – vedado o anonimato. ➢ Garantia do direito de resposta. ➢ Direito de expressão – intelectual, artístico, científico, comunicação. • Direito ao esquecimento – não há previsão expressa e implícita na Constituição. • Crença ≠ consciência ≠ culto – art. 5º, VI. Competência dos Municípios Art. 30. Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local; • Súmula Vinculante 38: É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial. • Súmula 19 do Superior Tribunal de Justiça: a fixação do horário bancário, para atendimento ao público, e da competência da união. • Tempo máximo de permanência em filas: de bancos e cartórios (Supremo Tribunal Federal, REXT 362820). • UBER: não podem os Municípios proibir serviços de transporte por aplicativo em razão da livre iniciativa (STF, Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 449). II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; • Município e leis ambientais: o Supremo Tribunal Federal entende que os Municípios podem legislar sobre temáticas ambientais, ainda de que forma mais restritiva, em decorrência da competência suplementar do artigo 30, inciso II (STF, ARE n. 748.206)! III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei; IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; • Se o transporte é intermunicipal, a competência é dos Estados. Se o transporte é interestadual, a competência é da União (STF, ADI n. 2.349). VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população; VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano; • Os Municípios devem aprovar planos diretores quando contarem com mais de 20 mil habitantes (Art. 182, parágrafo 1º, da Constituição Brasileira de 1988). • Súmula Vinculante 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área. • Distância entre postos de combustíveis: neste caso, são constitucionais as leis municipais que estabeleçam distância mínima entre os postos (STF, RE n. 566.836). • Apesar de competir a União legislar sobre telecomunicações, cabe ao Município dispor sobre o local de instalação de torres (STF, RE n. 632.006). • Apesar de o Município não poder proibir mais de um estabelecimento comercial na mesma rua, ele pode determinar uma distância mínima entre postos de combustível. • Lei municipal que limita a instalação de equipamento de telecomunicação e competência legislativa - ADPF 732/SP: É inconstitucional lei municipal que estabeleça limitações à instalação de sistemas transmissores de telecomunicações por afronta à competência privativa da União para legislar sobre telecomunicações, nos termos dos arts. 21, XI (1), e 22, IV (2), da Constituição Federal (CF). (...) No caso, a norma municipal impugnada prevê que os sistemas transmissores de telefonia não poderão ser instalados em áreas localizadas até 100 metros de residências, praças, parques, jardins, imóveis integrantes do patrimônio histórico cultural, áreas de preservaçãopermanente, áreas verdes ou áreas destinadas à implantação de sistema de lazer. IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. Competências Comuns • A competência comum estabelece tudo aquilo que pode e/ou deve ser feito por todos os entes da Federação, ou seja, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. • A natureza da competência é administrativa, ou seja, trata-se de algo que está no campo do Poder Executivo. Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público; II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência; • Via de regra demandas de medicamentos podem ser direcionadas contra todos os entes • O tratamento médico adequado aos necessitados se insere no rol dos deveres do Estado, porquanto responsabilidade solidária dos entes federados. O polo passivo pode ser composto por qualquer um deles, isoladamente ou conjuntamente. [RE 855.178 RG, rel. min. Luiz Fux, j. 5-3-2015, P, DJE de 16-3-2015, Tema 793.]. • O Supremo Tribunal Federal definiu critérios para a concessão de medicamentos não regulamentados pela ANVISA no RE n. 657.718: “1. O Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos experimentais. 2. A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impede, como regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial. 3. É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso de mora irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido (prazo superior ao previsto na Lei n. 13.411/2016), quando preenchidos três requisitos: (i) a existência de pedido de registro do medicamento no Brasil (salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras); (ii) a existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior; e (iii) a inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil. 4. As ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa deverão necessariamente ser propostas contra a União” – REXT 657.718. (...) (A) a vacinação compulsória não significa vacinação forçada, por exigir sempre o consentimento do usuário, podendo, contudo, ser implementada por meio de medidas indiretas, as quais compreendem, dentre outras, a restrição ao exercício de certas atividades ou à frequência de determinados lugares, desde que previstas em lei, ou dela decorrentes, e (i) tenham como base evidências científicas e análises estratégicas pertinentes, (ii) venham acompanhadas de ampla informação sobre a eficácia, segurança e contraindicações dos imunizantes, (iii) respeitem a dignidade humana e os direitos fundamentais das pessoas; (iv) atendam aos critérios de razoabilidade e proporcionalidade, e (v) sejam as vacinas distribuídas universal e gratuitamente; e (B) tais medidas, com as limitações expostas, podem ser implementadas tanto pela União como pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, respeitadas as respectivas esferas de competência. [ADI 6.586 e ADI 6.587, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 17-12-2020, P, DJE de 7-4-2021.] III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar; IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos; • Lei 735/1983 e Lei Complementar 106/1999 do município de Diadema/SP. Assistência judiciária gratuita à população carente. Competência comum dos entes federados para combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização e para promover a integração social dos setores desfavorecidos. Inc. X do art. 23 da Constituição da República. Competência do município para serviços públicos de interesse local. [ADPF 279, rel. min. Cármen Lúcia, j. 3- 11-2021, P, DJE de 14-2- 2022.]. XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios; XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito. Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006). Competências Concorrentes • As competências concorrentes estabelecem matérias/assuntos que podem ser legisladas por mais de um, no caso, pela União, Estados e Distrito Federal. • Os Municípios não detém competências concorrente. • Contudo, como visto, os Municípios podem suplementar a legislação federal e estadual no que couber (cuidado com a temática ambiental). § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. • A norma estadual ou distrital não pode contrariar a norma geral editada pela União. O Supremo Tribunal Federal decidiu que lei estadual que determinava o envio por carta registrada com aviso de recebimento de contrato de consumidores de telefonia contrariava lei federal que permitia o envio eletrônico, apenas (STF, Ação Direta de Inconstitucionalidade 5568). § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; • Esta Corte, em oportunidades anteriores, firmou o entendimento de que, embora os Estados membros sejam incompetentes para fixar índices de correção monetária superiores aos fixados pela União para o mesmo fim, podem defini-los em patamares inferiores – incentivo fiscal [ADI 442, rel. min. Eros Grau, j. 14-4-2010, P, DJE de 28- 5-2010.]. • Esta Corte, em oportunidades anteriores, firmou o entendimento de que, embora os Estados membros sejam incompetentes para fixar índices de correção monetária superiores aos fixados pela União para o mesmo fim, podem defini-los em patamares inferiores – incentivo fiscal. [ADI 442, rel. min. Eros Grau, j. 14-4-2010, P, DJE de 28- 5-2010.] II - orçamento; III - juntas comerciais; IV - custas dos serviços forenses V - produção e consumo; • Leis sobre prestação de serviços de internet e telefonia tendem a se aproximar mais da competência concorrente, e não necessariamente da competência privativa da União para legislar sobre telecomunicações (Supremo Tribunal Federal, Ação Direta de Inconstitucionalidade 5572). Por exemplo, o Tribunal reconheceu em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade a constitucionalidade de lei do Rio de Janeiro que impunha tempo limite de permanência de pessoas em lojas de telefonia (ADI 5833). • Da mesmaforma, o STF reconheceu a constitucionalidade de lei que impunha o dever de empresas prestadoras de serviço de TV a cabo a indicarem previamente os dados de quem prestaria o serviço de instalação e manutenção (ADI 5745). • Não podem leis estaduais autorizar corte de água e luz em véspera de fim de semana e feriados (ADI 5961). • Os Estados também podem legislar sobre divisórias em bancos entre os caixas e os consumidores que esperam atendimento (biombos) – ADI 4633. • De outro lado, são inconstitucionais leis estaduais que imponham o dever de concessionárias entregarem carro reserva para clientes cujos carros fiquem parados por mais de 15 dias na oficina em razão de ausência de peças durante o período de garantia. Para o Tribunal a lei ofendia a livre iniciativa e a livre concorrência (ADI 5158). • São constitucionais leis estaduais que proíbem corte de energia elétrica em momento de pandemia (Ação Direta de Inconstitucionalidade 6432). VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; • A Lei 289/2015 do Estado do Amazonas, ao proibir a utilização de animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos cosméticos, de higiene pessoal, perfumes e seus componentes, não invade a competência da União para legislar sobre normas gerais em relação à proteção da fauna. Competência legislativa concorrente dos Estados (art. 24, VI, da CF). A sobreposição de opções políticas por graus variáveis de proteção ambiental constitui circunstância própria do estabelecimento de competência concorrente sobre a matéria. Em linha de princípio, admite-se que os Estados editem normas mais protetivas ao meio ambiente, com fundamento em suas peculiaridades regionais e na preponderância de seu interesse, conforme o caso. [ADI 5.996, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 15-4-2020, P, DJE de 30-4-2020.]. VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; • O Supremo Tribunal Federal entende pela constitucionalidade lei estadual fixando o número máximo de alunos por sala (ADI 4060) pois existem particularidades que escapam de uma regulamentação genérica da União. X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI - procedimentos em matéria processual; • Processo ≠ Procedimento. • O Supremo Tribunal Federal entende que cada Estado pode dispor sobre inquéritos policiais ou cíveis, já que isso não é processo, e sim procedimento (Supremo Tribunal Federal, Ação Direta de Inconstitucionalidade 1285). XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; • Obrigatoriedade de as empresas prestadoras de serviços e concessionárias de telefone e internet inserirem, nas faturas de consumo, mensagem de incentivo à doação de sangue. Alegação de inconstitucionalidade formal por usurpação da competência material da união. Improcedência. Competência própria dos estados para legislar sobre proteção à saúde. [ADI 6.088, rel. min. Edson Fachin, j. 29-8-2022, P, DJE de 26-9-2022.] XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; • A Lei Estadual 17.142/2017, ao estabelecer que estabelecimentos públicos e privados com grande circulação de pessoas tenham um telefone de atendimento ao público adaptado à comunicação das pessoas com deficiência visual, auditiva ou de fala, não tratou diretamente de telecomunicações, senão buscou uma maior integração e convívio social de pessoas com alguma condição especial, pretendendo, ao mesmo tempo, diminuir as barreiras as quais possam impedir que elas tenham uma plena condição de vida comum em sociedade. Trata-se, portanto, de norma sobre proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência que admite regulamentação concorrente pelos Estados-Membros, nos termos do art. 24, XIV, da Constituição Federal, e em resposta ao chamado constitucional por ações afirmativas em relação ao tratamento dispensado às pessoas portadoras de deficiência. [ADI 5.873, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 23-8-2019, P, DJE de 16-10-2019.] XV - proteção à infância e à juventude; • A Lei Estadual 8.008/2018 do Rio de Janeiro, que impõe a obrigatoriedade de que as crianças e adolescentes do sexo feminino vítimas de estupro sejam examinadas por perito legista mulher, não padece do vício de inconstitucionalidade formal, porque a regra concerne à competência concorrente prevista no art. 24, inciso XV, da CFRB, ‘proteção à infância e à juventude’. [ADI 6.039-MC, rel. min. Edson Fachin, j. 13-3- 2019, P, DJE de 1º-8-2019.] XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.obrigatória. 03/05 Estatuto dos Congressistas • É um conjunto de regras que estabelecem vantagens e impedimentos para os parlamentares. Aquelas garantem a independência dos membros, estas a imparcialidade. • Incidem no exercício do mandato (por isso suplentes não têm) • São irrenunciáveis. • Prerrogativa de Foro: ➢ Após a expedição do diploma, os Deputados Federais e Senadores serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal - Art. 53, §1º. ➢ Causas criminais (Art. 102, Inciso I, alínea “b”, CF): o que envolve crimes comuns, contravenções penais e crimes eleitorais. ➢ Atenção: a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal mudou a partir de 2018. Desde então, o Supremo Tribunal Federal julga os Parlamentares Federais nos crimes praticados após a diplomação e que tenham alguma conexão com a função parlamentar (Ação Penal 937). Logo: ▪ Crimes Comuns praticados por Deputados Federais ou Senadores após a diplomação e que guardem conexão com a função: Supremo Tribunal Federal ▪ Crimes Comuns praticados por Deputados Federais ou Senadores após a diplomação, mas que não guardam conexão com a função: 1º grau. ▪ Crimes Comuns praticados por Deputados Federais ou Senadores antes da diplomação: 1º grau. ➢ E quando a prerrogativa de foro por exercício de função colide com a competência do Tribunal do Júri para julgar crimes dolosos contra a vida (art. 5º, inciso, XXXVIII, da Constituição Brasileira de 1988), qual prevalece? ▪ Segundo o Supremo Tribunal Federal, prevalece a competência do Supremo Tribunal Federal. ▪ Atenção: se a competência por Prerrogativa de Foro estiver definida em Constituição Estadual, então prevalece a competência do Tribunal do Júri (definido na Constituição Federal). Exemplo: Deputados Estaduais que pratiquem crimes dolosos contra a vida são julgados pelo Tribunal do Júri. ▪ Súmula Vinculante nº 45: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual. ➢ A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal entende que qualquer fato modificativo na condição do parlamentar federal após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais não muda a competência. Por exemplo, se o Parlamentar renunciar após essa fase do processo, este continua a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. ➢ Se durante a tramitação de um processo criminal em primeiro grau constata-se o envolvimento de um Parlamentar Federal a competência passa a ser do Supremo Tribunal Federal. ➢ Se o juiz de primeiro grau continuar com o processo ocorre a usurpação de competência, ocasião na qual cabe Reclamação para o Supremo Tribunal Federal. ➢ Se ao constatar o envolvimento do Parlamentar o juiz de primeiro grau enviar o processo ao Supremo Tribunal Federal todas as provas produzidas continuaram validades (STF, INQ n. 3.732) ➢ Ainda, se o crime for praticado por Parlamentar Federal em associação com pessoa que não tenha prerrogativa de foro por exercício de função ocorre o desmembramento. Contudo, quem decide se deve haver o desmembramento é o STF. Por exemplo, um juiz de primeiro grau, ao conduzir um processo criminal contra um cidadão comum, descobre que há um Parlamentar Federal associado. O processo deve ser imediatamente remetido ao Supremo Tribunal Federal para que ele decida se é caso de desmembrar (STF, INQ n. 3.983). • Imunidades Formais: ➢ São duas as Imunidades Formais: ▪ Prisão (Art. 53, § 2º): ✓ Impedem prisões, a não ser em casos graves! ✓ A única possibilidade de prisão do parlamentar federal é aquela decorrente de flagrante delito de crime inafiançável! E mesmo preso, os autos são enviados com urgência para a Casa a que pertence, a qual irá deliberar sobre a manutenção do parlamentar na prisão! ✓ É importante lembrar que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou no sentido de que a comunicação à Casa deve ocorrer não apenas nos casos de prisão, mas também nos casos de restrição relacionado ao exercício do mandato. É o caso do Senador Aécio Neves que sofreu algumas medidas cautelares substitutivas da prisão do artigo 319 do Código de Processo Penal (recolhimento domiciliar, por exemplo). ▪ Processo (Art. 53, § § 3º ao 5º): ✓ Impede o processamento dos parlamentares federais no curso do mandato, desde que a Casa suste o andamento da ação penal respectiva! ➢ As Imunidades Formais beneficiam: ▪ Deputados Federais e Senadores ▪ Deputados Estaduais, Deputados Distritais e Deputados Territoriais ▪ Vereadores não estão beneficiados (prisão ou processo)! • Imunidade Material: ➢ Os parlamentares federais são invioláveis civil e penalmente por suas opiniões, palavras e votos. ➢ Art. 53, caput. ➢ STF, INQ n. 3.932: Bolsonaro e Maria do Rosário – “não te estupro porque você não merece”. Nesse caso o Supremo Tribunal Federal autorizou o processamento porque, em que pese o fato ter acontecido no âmbito de um Gabinete do Congresso Nacional, tratava-se de um contexto filmado pela mídia para apresentação externa e não havia qualquer relação com o mandato. ➢ STF, PET 5.705: nesse caso um Parlamentar recortou a fala de um colega e viralizou, fora do contexto, numa página de Facebook para fins de constrangê-lo. O Supremo Tribunal Federal entendeu que a responsabilização era devida porque “a imunidade parlamentar material, estabelecida para fins de proteção republicana ao livre exercício do mandato, não confere aos parlamentares o direito de empregar expediente fraudulento, artificioso ou ardiloso, voltado a alterar a verdade da informação, com o fim de desqualificar ou imputar fato desonroso à reputação de terceiros”. ➢ As imunidades materiais beneficiam: ▪ Deputados Federais e Senadores. ▪ Deputados Estaduais, Deputados Distritais e Deputados Territoriais. ▪ Vereadores, no exercício do mandato e no limite do Município! • Desobrigação do dever de testemunhar: ➢ Art. 53, §6º, CF. • Incorporação às forças armadas: ➢ Art. 53, §7º, CF. • Imunidades e Estado de Sítio: ➢ Art. 53, §8º, CF. • Impedimentos: ➢ Os Paramentares têm impedimentos que incidem após a expedição do diploma ou após a posse. Esses impedimentos buscam garantir a imparcialidade dos Parlamentares ➢ Expedição do diploma – art. 54, I, CF. ➢ Posse – art. 54, II, CF. • Perda do cargo: ➢ Os parlamentares podem perder o cargo na forma do artigo 55. ➢ Há hipóteses de perda automática e não automática. ▪ Automática (declaração): Incisos III, IV e V. ▪ Não automática (decisão): Incisos I, II e VI. ➢ Há uma aparente contradição entre os incisos IV e VI, pois a condenação criminal transitada em julgado (inciso VI) representa uma hipótese de suspensão de direitos políticos (IV). E para uma mesma realidade a Constituição dá respostas diferentes: declaração automática de perda do mandato para o inciso IV e decisão da Casa quanto à perda do mandato para o inciso VI. ▪ AP 470 – Mensalão: o Supremo Tribunal Federal decidiu que a perda do mandato seria automática, como consequência do trânsito em julgado da condenação. ▪ AP 565 – Senador Ivo Cassol – o Supremo Tribunal Federal mudou de entendimento e passou a entender que a perda do mandato deve ser decidida pela Casa, mesmo em caso de condenação definitiva. ➢ OBS: Atenção! A regra segundo a qual a perda deve ser deliberada pela Casa pode ser afastada quando se tratar de condenação a pena em regime fechado que inviabilize a presença dos Parlamentares em no mínimo 1/3 das sessões ordinárias da Casa Legislativa da qual faça parte. Nesse cenário a consequência é a perda automática do mandato, por impossibilidade de exercê-lo (STF, AP 694). ➢ Não perderá o mandato o Deputado ou Senador - Art. 56, CF. Art. 21 Art. 22 Administrativas Legislativas Executivo Legislativo IndelegáveisDelegáveis Exclusivas Privativas 08/05 ORDEM ECONÔMICA • FUNDAMENTOS DA ATIVIDADE ECONÔMICA (ART. 170 DA CRFB) ➢ Valorização do trabalho humano ➢ Livre iniciativa: assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei • PRINCÍPIOS DA ORDEM ECONÔMICA ➢ soberania nacional ➢ propriedade privada ➢ função social da propriedade ➢ livre concorrência ➢ defesa do consumidor ➢ defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação ➢ redução das desigualdades regionais e sociais ➢ busca do pleno emprego; ➢ tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Abrange: simplificação, eliminação ou redução das obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias (art. 179 da CRFB). • ATIVIDADES ECONÔMICAS E SERVIÇOS PÚBLICOS ➢ Atividade econômica em sentido amplo e estrito ➢ Serviços públicos ➢ Prestação dos serviços públicos (art. 175 da CRFB) • INTERVENÇÃO DO ESTADO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – ATUAÇÃO DIRETA ➢ Ressalvados os casos previstos na Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei (art. 173 da CRFB). ➢ A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: § 1º [...] II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários. [...] § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. ➢ RE 220.906, VOTO DO REL. MIN. MAURÍCIO CORRÊA, J. 16-11-2000, P, DJ DE 14-11-2002: O § 1º do art. 173 da Constituição do Brasil não se aplica às empresas públicas, sociedades de economia mista e entidades (estatais) que prestam serviço público. ➢ TEMA DE REPERCUSSÃO GERAL 1140 DO STF: As empresas públicas e as sociedades de economia mista delegatárias de serviços públicos essenciais, que não distribuam lucros a acionistas privados nem ofereçam risco ao equilíbrio concorrencial, são beneficiárias da imunidade tributária recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal, independentemente de cobrança de tarifa como contraprestação do serviço. • INTERVENÇÃO DO ESTADO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – ATUAÇÃO INDIRETA ➢ Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. (art. 174 da CRFB) ➢ A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros (art. 173, § 4º da CRFB). • RECURSOS MINERAIS E POTENCIAIS DE ENERGIA HIDRÁULICA (Art. 176 DA CRFB) ➢ A pesquisa e lavra de recursos minerais e o aproveitamento de potenciais de energia hidráulica somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País; ➢ É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da lavra; ➢ A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado, e as autorizações e concessões não poderão ser cedidas ou transferidas, total ou parcialmente, sem prévia anuência do poder concedente. ➢ Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do potencial de energia renovável de capacidade reduzida. • ATIVIDADE GARIMPEIRA (ART. 174 §§ 3º E 4º DA CRFB) ➢ O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros. ➢ Tais cooperativas terão prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e naquelas fixadas pela União. • TRANSPORTES AÉREO, AQUÁTICO E TERRESTRE (ART. 178 DA CRFB) ➢ A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade. ➢ Na ordenação do transporte aquático, a lei estabelecerá as condições em que o transporte de mercadorias na cabotagem e a navegação interior poderão ser feitos por embarcações estrangeiras. • MONOPÓLIO DA UNIÃO (ART. 177 DA CRFB) ➢ pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos; ➢ refinação do petróleo nacional ou estrangeiro; ➢ importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores; ➢ transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem; ➢ OBS: podem ser contratadas com empresas estatais ou privadas ➢ pesquisa, lavra, enriquecimento, reprocessamento, industrialização e comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão. • POLÍTICA URBANA (ARTS. 182 A 183 DA CRFB) ➢ Objetivo: ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. ➢ Plano diretor: aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes. ➢ Usucapião especial urbana: posse de área de até 250m2 quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família. Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. • POLÍTICA AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA E DA REFORMA AGRÁRIA (ARTS. 184 A 191 DA CRFB) ➢ Deve levar em conta: I - os instrumentos creditícios e fiscais; II - os preços compatíveis com os custos de produção e a garantia de comercialização; III – o incentivo à pesquisa e à tecnologia; IV - a assistência técnica e extensão rural; V – o seguro agrícola; VI – o cooperativismo; VII - a eletrificação rural e irrigação; VIII – a habitação para o trabalhador rural. ➢ Usucapião especial urbana: única propriedade, posse por 5 anos ininterruptos, sem oposição, área não superior a 50 hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia. • SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (ART. 192 DA CRFB) ➢ estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram. 09/05 Comissão Parlamentar de Inquérito • Comissões do Congresso Nacional: ➢ Comissão temática ou em razão da matéria: se reúnem, como o nome sugere, por alguma afinidade relacionada à matéria. Por exemplo, Comissão de Direito Tributário, Comissão de Criança e Adolescente, etc. Essas comissões podem realizar audiências, convocar Ministros para prestarem depoimentos (sob pena de responsabilidade) e, inclusive, votar e projetos de lei que dispensam a competência do Plenário. Estão previstas no artigo 58, parágrafo2º, da Constituição Brasileira de 1988. ➢ Comissões Representativas: funcionam durante o período do recesso parlamentar (Art. 58, parágrafo 3º - § 4º Durante o recesso, haverá uma Comissão representativa do Congresso Nacional, eleita por suas Casas na última sessão ordinária do período legislativo, com atribuições definidas no regimento comum, cuja composição reproduzirá, quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária). ➢ Comissão Especial ou Temporária: são criadas para uma finalidade específica e se extinguem ao fim da legislatura (ou após a entrega do trabalho para a qual foi convocada). Por exemplo, “Comissão de Contenção de Crise Econômica Decorrente do COVID”, “Comissão para os Jogos Olímpicos”, etc. Também são especiais ou temporárias as Comissões Parlamentares de Inquérito. ➢ As Comissões Parlamentares de Inquérito estão previstas no artigo 58, parágrafo 3º, da Constituição Brasileira de 1988. • Criação das CPIs ➢ As CPIs são criadas por manifestação favorável de 1/3 dos membros de cada Casa, em conjunto ou separadamente. Logo: ▪ Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara de Deputados: 171 Deputados ▪ Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal: 27 Senadores ▪ Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional: 171 Deputados Federais + 27 Senadores. ➢ As assinaturas não podem ser retiradas quando protocolado o pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito. ➢ A abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito não pode ser condicionada à manifestação favorável dos membros de cada Casa, por exemplo (MS 26.441). ➢ Quando as lideranças partidárias não indicam os membros que irão compor a Comissão Parlamentar de Inquérito a atribuição passa para o Presidente da Casa, a fim de que as lideranças deixem de nomear os membros para fins de travar o andamento dos trabalhos (MS 24.849). ➢ A existência de procedimento penal investigatório não elide a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito, eis que são objetos com campos de abrangência distintos (Supremo Tribunal Federal, HC 100.341) • Objeto: ➢ O objeto das Comissões Parlamentares de Inquérito sempre deve recair sobre fato determinado, o que não elide a investigação de fatos conexos. • Prazo: ➢ O prazo da Comissão Parlamentar de Inquérito é certo, razão pela qual não pode ser aberta – e assim permanecer – por tempo indeterminado. ➢ É possível que haja a prorrogação das CPIs, desde que por manifestação de igual quórum para abertura, ou seja, 1/3 dos membros de qualquer uma das Casas. ➢ A Lei n. 1.579/1952 (regula as Comissões Parlamentares de Inquérito) prevê que a duração dos trabalhos não pode ultrapassar o final da legislatura em que ela foi constituída. Esse posicionamento já foi acatado pelo Supremo Tribunal Federal (HC 71.261). • Conclusões: ➢ As conclusões serão enviadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao Ministério Público para que este promova, se for o caso, a responsabilização civil e penal dos envolvidos. ➢ Poderes ➢ As CPIs têm “poderes de investigação próprio das autoridades judiciais”. A amplitude dessa expressão – e o seu potencial equívoco – motivaram uma série de decisões judiciais proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. Para fins de sistematizar, segue um quadro. • Poderes x Limites: ➢ Poderes: ▪ Quebra de sigilo de dados bancários, fiscais e telefônicos, independentemente de autorização judicial (desde que a decisão seja fundamentada – STF – MS 24.749). ▪ Ainda, a decisão deve obedecer a colegialidade, ou seja, deve ter aprovação da maioria dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito, e não apenas autorização pelo Presidente, por exemplo. ▪ CPIs Municipais não podem quebrar os sigilos! ▪ Pode determinar a busca e apreensão de bens e objetos (por exemplo, computadores) que estejam em alguma repartição pública. ▪ Prisão em flagrante (STF – MS 23.652). Caso de falso testemunho, por exemplo. ▪ OBS: o investigado pode permanecer em silêncio no depoimento, pois o compromisso de dizer a verdade apenas se aplica para as testemunhas. Ou seja, o investigado não é obrigado a se auto incriminar (STF – HC 100.200). ▪ Produzir provas, ouvindo testemunhas (respeitando o direito ao silêncio). ▪ Pode convocar Ministros de Estado. ▪ Pode solicitar ao TCU a abertura de inspeções e auditorias. ▪ Pode requisitas informações a órgãos públicos e até mesmo emprestar provas do Poder Judiciário, inclusive utilizando-se de documentos oriundos de inquéritos sigilosos. ➢ Limites: ▪ Interceptação telefônica. ▪ Não pode determinar a busca e apreensão de bens e objetos (por exemplo, computadores) que estejam em residência, sob pena de ofensa à inviolabilidade domiciliar. ▪ Ordem de prisão (temporária e preventiva). ▪ Não pode proibir que o advogado esteja ao lado do cliente. ▪ Não pode convocar Presidente da República sob pena de violação à separação de poderes. ▪ Não tem poder geral de cautela, isto é, não pode, por exemplo, decretar indisponibilidade de bens, sequestro, arresto, penhora, ressarcimento ao erário, retenção de passaporte, etc. Classificações do Controle de Constitucionalidade • Quanto ao momento de controle: ➢ A classificação quanto ao momento de controle leva em consideração a conclusão da lei ou do ato normativo. A partir dessa classificação o controle pode ser classificado em preventivo ou em repressivo. a) Controle Preventivo: feito na constância do processo legislativo/antes da conclusão do ato normativo. → Esse tipo de controle, em regra, é exercido na França por um Conselho Constitucional que analisa a compatibilidade dos projetos de lei com a Constituição. Se os projetos não estiverem de acordo com a Constituição, não entram no ordenamento jurídico e, portanto, não produzem nenhum tipo de efeito. Contudo, estando tais projetos de acordo com o texto constitucional, o projeto vira a lei e ingressa no ordenamento jurídico (contudo, a partir de então não cabem mais questionamentos). b) Controle Repressivo: feito após a conclusão do processo legislativo. Ou seja, feito depois de a lei ou do ato normativo já ter sido criado! → No Brasil a regra é o controle repressivo! • Quanto ao órgão de controle: ➢ A classificação quanto ao órgão de controle leva em consideração se o controle é feito no âmbito judicial ou político, ou seja, se é feito no âmbito do Poder Judiciário ou fora dele a) Controle judicial: é aquele controle feito dentro do Poder Judiciário, seja por apenas um órgão, seja por qualquer um deles. → No Brasil a regra é o controle repressivo e judicial. b) Controle político: feito fora do âmbito do Poder Judiciário, seja por um órgão destacado dos demais poderes – como o próprio Conselho Constitucional Francês – seja pelo Poder Executivo ou pelo Poder Legislativo (como acontece no Brasil de forma excepcional). • Quanto ao órgão judicial de controle: ➢ A classificação quanto ao órgão judicial de controle leva em consideração a concentração do controle, ou seja, se é feito por apenas um órgão ou por mais de um órgão judicial. A partir dessa classificação o controle pode ser divido em difuso e concentrado. a) Controle difuso: feito por qualquer juiz ou tribunal. → Tem origem no precedente Marbury X Madison (EUA – 1803) – Caso julgado pelo Chefe de Justiça Marshall. → A Constituição Americana não trazia previsão autorizando o controle de constitucionalidade. → Contribuição dos Federalistas – ames Madison, Alexander Hamilton e John Jay (“Publius”). → Na ocasião fixou-se a tese de que a inconstitucionalidade está no plano da validade da norma (e não da eficácia). Disso decorre que a lei inconstitucional é nula, ou seja, incide com efeito retroativo (ex tunc) e inter partes. b) Controle concentrado: feito por apenas um órgão ou Tribunal na defesa de uma Constituição: → Sua origem está no Tribunal Constitucional Austríacoidealizado por Hans Kelsen em 1920 (tudo foi influenciado pela Teoria Pura do Direito). → Para Kelsen, a lei inconstitucional seria anulável, de modo que a decisão operaria com efeito não retroativo e erga o omnes. • Controle de constitucionalidade no Brasil: ➢ No Brasil, a regra é o controle repressivo judicial misto, ou seja, no Brasil o controle é: ▪ Feito após a conclusão do ato normativo. ▪ Feito pelo Poder Judiciário. ▪ De forma difusa e concentrada. ▪ Há, contudo, exceções: a) Controle preventivo feito pelo Poder Legislativo: ✓ Apreciação do projeto de lei pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo. b) Controle preventivo feito pelo Poder Executivo: ✓ Veto presidencial a projeto de lei por motivo de inconstitucionalidade. c) Controle preventivo feito pelo Poder Judiciário: Mandado de Segurança impetrado por Parlamentar para tutelar direito líquido e certo de participar de processo legislativo hígido (ou de não participar de processo legislativo viciado). Admite-se esse tipo de controle em: ✓ Proposta de emenda constitucional tramitando com vício formal ou material, como na abolição a uma cláusula pétrea (MS 20257; MS 24667 AgR). ✓ Projeto de lei que esteja tramitando em desconformidade com as regras constitucionais que estabelecem o seu procedimento. Ou seja, apenas cabe quando há vício formal no processo (MS 32033). ✓ Não cabe quando ocorre violação à regra procedimental estabelecida em Regimento Interno de qualquer uma das Casa, mas apenas quando há violação à Constituição Brasileira de 1988 (MS 22503). ✓ A legitimidade ativa é apenas de Parlamentares, e nunca de terceiros. A jurisprudência do STF firmou-se no sentido de recusar, a terceiros que não ostentem a condição de parlamentar, qualquer legitimidade que lhes atribua a prerrogativa de questionar, incidenter tantum, em sede mandamental, a validade jurídico- constitucional de proposta de emenda à Constituição, ainda em tramitação no Congresso Nacional. (...) Terceiros, ainda que invocando a sua potencial condição de destinatários da futura lei ou emenda à Constituição, não dispõem do direito público subjetivo de supervisionar a elaboração dos atos legislativos, sob pena de indevida transformação, em controle preventivo de constitucionalidade em abstrato – inexistente no sistema constitucional brasileiro –, do processo de mandado de segurança, que, instaurado por mero particular, converter-se ia em um inadmissível sucedâneo da ação direta de inconstitucionalidade. [MS 23.565]. ✓ Se o parlamentar perder o cargo no curso do Mandado de Segurança, este é extinto! Controle jurisdicional do processo legislativo. Utilização, para tanto, do mandado de segurança. Possibilidade. Reconhecimento, para esse efeito, de legitimação para agir atribuída, com exclusividade, a membro do Congresso Nacional. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Perda superveniente, pelo impetrante, de sua condição político-jurídica de parlamentar. Impossibilidade de prosseguimento da ação mandamental. Legitimação ativa ad causam que deve estar presente, juntamente com as demais condições da ação, no momento da resolução do litígio (...). Relação de contemporaneidade não mais existente. Extinção anômala do processo mandamental. [MS 27.971, rel. min. Celso de Mello, j. 1º-7-2011, decisão monocrática, DJE de 9-8- 2011.]. d) Controle repressivo feito pelo Legislativo: rejeição de Medida Provisória sob pretexto de inconstitucionalidade ou cassação da parcela exorbitante ao poder regulamentar do Presidente (Art. 49, inciso V). e) Controle repressivo feito pelo Executivo: pode o Chefe do Poder Executivo determinar o descumprimento de leis ou atos normativos inconstitucionais. ✓ Questão polêmica! Esse entendimento originou-se no Supremo Tribunal Federal na década de 1960 quando o Presidente da República não detinha poderes para ajuizar ADI (STF, RMS 14136/ES, Rel. Min. Antônio Villas Boas, Segunda Turma, j. em 14/06/1966). Hoje, contudo, o Presidente da República pode ajuizar, por isso há quem diga que ele não poderia determinar o descumprimento de uma lei tida por inconstitucional porque lhe compete, sob pena de crime de responsabilidade, cumprir as leis e as decisões judiciais! ✓ No entanto, há decisão do Supremo Tribunal Federal posterior a Constituição Brasileira de 1988 afirmando essa possibilidade: “Os poderes executivo e legislativo, por sua chefia – e isso mesmo tem sido questionado com o alargamento da legitimação ativa na ação direta de inconstitucionalidade –, podem tão-só determinar aos seus órgãos subordinados que deixem de aplicar administrativamente as leis ou atos com força de lei que considerem inconstitucionais.” (STF, ADI-MC 221-DF, 29/03/1990, DJ 22/10/1993, voto do Ministro Moreira Alves)”. ✓ Também há decisão do Superior Tribunal de Justiça posterior a Constituição Brasileira de 1988 afirmando essa possibilidade: “LEI INCONSTITUCIONAL - PODER EXECUTIVO - NEGATIVA DE EFICACIA. O Poder Executivo deve negar execução a ato normativo que lhe pareça inconstitucional.” (STJ, Primeira Turma, RESP 23.121/GO, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, j. em 06/10/1993). f) Controle feito pelo Tribunal de Contas: de acordo com a Súmula 347 do STF, podem os Tribunais de Contas declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos no exercício de suas atribuições. OBS: atualmente o entendimento acima está comprometido É inconcebível, portanto, a hipótese do Tribunal de Contas da União, órgão sem qualquer função jurisdicional, permanecer a exercer controle difuso de constitucionalidade nos julgamentos de seus processos, sob o pretenso argumento de que lhe seja permitido em virtude do conteúdo da Súmula 347 do STF, editada em 1963, cuja subsistência, obviamente, ficou comprometida pela promulgação da Constituição Federal de 1988” (MS – 35.410 Supremo Tribunal Federal – Relatoria Alexandre de Moraes - 15 de dezembro de 2017). 16/05 Direito Constitucional Espécies de Inconstitucionalidade • Não há uma única forma de inconstitucionalidade. De acordo com a doutrina esta pode ser classificada de diversos modos. Para fins do presente curso, adotaremos a classificação adiante: • Natureza do vício: ➢ A classificação quanto a natureza do vício analisa se a inconstitucionalidade decorre de um ato comissivo ou omissivo! ▪ Inconstitucionalidade por ação: aqui existe um “fazer” que viola a Constituição. Ao agir alguém pode ofender a Constituição a partir de um ponto de vista material (ou substancial) ou formal (procedimental): ✓ Vício Material: o problema está no conteúdo, na substância, no mérito, do ato normativo - Inconstitucionalidade nomoestática. ✓ Vício Formal: o problema está na forma de exteriorização do ato normativo, ou seja, no processo que deu origem ao ato normativo. Esta espécie de inconstitucionalidade pode ser dividida em mais três (Inconstitucionalidade nomodinâmica): → Inconstitucionalidade Orgânica: a inconstitucionalidade decorre da criação de ato normativo por quem não tem competência para tanto (Municípios criando Constituições Municiais). → Inconstitucionalidade Formal Propriamente Dita: o Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: o vício está na iniciativa (por exemplo, projeto de lei de iniciativa parlamentar criando Ministérios ou modificando o efetivo das forças armadas – art. 61, parágrafo I, da CF). o Inconstitucionalidade Formal Objetiva: o vício acontece na etapa de aprovação do ato normativo (aprovação de uma lei complementar por maioria simples) → Inconstitucionalidade por violação à pressuposto objetivo do ato: o Medidas Provisórias anuladas por irrelevância ou não urgência ▪ Inconstitucionalidade por omissão: ocorre quando o Poder Público deixa de dar efetividade a alguma norma constitucional, normalmente por falta de uma regulamentação. ✓ No Brasil, o controledas omissões inconstitucionais surge com a Constituição Brasileira de 1988 • Extensão do vício: ➢ A classificação quanto a extensão do vício analisa se a inconstitucionalidade compromete a lei ou ato normativo inteiro ou apenas uma parte dele! ▪ Inconstitucionalidade total: a integralidade da lei ou do ato normativo é declarada inconstitucional. ▪ Inconstitucionalidade parcial: apenas uma parte da lei ou do ato normativo é declarado inconstitucional. ➢ É importante lembrar que jamais ocorre inconstitucionalidade formal parcial. A inconstitucionalidade formal é sempre total. • Momento do vício: ➢ A classificação quanto ao momento do vício analisa se a inconstitucionalidade surge com a criação da lei ou após! ▪ Inconstitucionalidade originária: a lei é inconstitucional desde o início, pois nasce com um vício material e/ou formal que compromete a sua permanência no ordenamento jurídico. ▪ Inconstitucionalidade superveniente: a lei nasce constitucional, mas, em razão da mudança posterior do parâmetro (ou seja, da Constituição), torna-se inconstitucional. Em regra, essa possibilidade é rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal que, reiteradamente, tem decidido no sentido de não haver inconstitucionalidade superveniente. ➢ Exceção: inconstitucionalidade por alteração da realidade fática: por um tempo o Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade de leis que autorizavam o uso de amianto. Contudo, mais recentemente o Tribunal passou a declarar a inconstitucionalidade dessas leis autorizadoras a pretexto de que hoje tem-se uma compreensão mais profunda a respeito dos malefícios do amianto que não existia antes (ADI 3937 Rel. Min. Marco Aurélio, Pleno, j. em 24/08/2017). Controle Difuso de Constitucionalidade • Origens: ➢ Marbury vs Madison (1803): decisão pelo Chefe de Justiça Marshall. ➢ No Brasil é o modelo de controle que primeiro se manifesta. Historicamente é possível identificar autorizador para controle difuso nos seguintes atos normativos: ▪ Decreto nº 510, de 22 de junho de 1890, que veiculou uma Constituição Provisória prévia à de 1891. ▪ Decreto nº 848, de 11 de outubro de 1890, que organizou a Justiça Federal. ▪ Constituição de 1891. ▪ Lei nº 221, de 20 de novembro de 1894, que dispôs sobre a Justiça Federal. • Características: ➢ Titularidade: Feito por qualquer Juiz ou Tribunal. ➢ Legitimidade: qualquer um pode provocar o Poder Judiciário diante de uma inconstitucionalidade! ➢ Modo de exercício: Feito de maneira incidental a um caso concreto. Isso significa que o que se pede na ação não é a inconstitucionalidade, necessariamente, mas um bem da vida qualquer que somente poderá ser dado caso o Poder Judiciário afaste a incidência da lei no caso concreto! Por isso esse controle também é chamado de controle incidental ou controle concreto (ou controle por via de defesa)! ➢ Não há ação específica para seu exercício: logo, o controle pode ser feito em ação pelo procedimento comum, mandado de segurança, habeas corpus, etc. ➢ Ação Civil Pública e controle difuso de constitucionalidade: a Ação Civil Pública não pode trazer como pedido principal a declaração de inconstitucionalidade de algum ato normativo sob pena de ser transformada numa verdadeira Ação Direta de Inconstitucionalidade. Só pode a Ação Civil Pública pretender a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo como questão prejudicial ao mérito. ▪ “(…) O STF tem reconhecido a legitimidade da utilização da ação civil pública como instrumento idôneo de fiscalização incidental de constitucionalidade, pela via difusa, de quaisquer leis ou atos do Poder Público, mesmo quando contestados em face da Constituição da República, desde que, nesse processo coletivo, a controvérsia constitucional, longe de identificar-se como objeto único da demanda, qualifique-se como simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal (...)” (RCL 1898). • Parâmetro para controle na via difusa: ➢ Parâmetro: é o que se protege. ➢ Posição Tradicional: Constituição Federal atual, exceto o preâmbulo. ▪ Parte dispositiva – Arts. 1 – 250. ▪ ADCT – Arts. 1 – 114. ▪ O preâmbulo (...) não se situa no âmbito do direito, mas no domínio da política, refletindo posição ideológica do constituinte. É claro que uma constituição que consagra princípios democráticos, liberais, não poderia conter preâmbulo que proclamasse princípios diversos. Não contém o preâmbulo, portanto, relevância jurídica. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição, de reprodução obrigatória na constituição do Estado-membro. O que acontece é que o preâmbulo contém, de regra, proclamação ou exortação no sentido dos princípios inscritos na Carta: princípio do Estado Democrático de Direito, princípio republicano, princípio dos direitos e garantias, etc. Esses princípios, sim, inscritos na Constituição, constituem normas centrais de reprodução obrigatória, ou que não pode a constituição do Estado- membro dispor de forma contrária, dado que, reproduzidos, ou não, na constituição estadual, incidirão na ordem local. [ADI 2.076]. ➢ Bloco de Constitucionalidade: ▪ Posição contemporânea: o parâmetro é o bloco de constitucionalidade. ✓ O texto vigente da Constituição Brasileira de 1988 (incluindo-se as suas emendas). ✓ As emendas constitucionais autônomas, ou seja, aquelas não incorporadas ao seu texto. ✓ Os tratados internacionais de direitos humanos incorporados com o procedimento do artigo 5º, parágrafo 3º, da Constituição Brasileira de 1988. ✓ Os direitos fundamentais implícitos que porventura decorrerem do artigo 5º, parágrafo 2º, da Constituição Brasileira de 1988. ✓ O espírito e os valores da Constituição Brasileira de 1988. • Objeto de controle na via difusa: ➢ Objeto: ▪ Qualquer lei ou ato normativo, de qualquer nível da Federação Brasileiras (União, Estados, Distrito Federal ou Municípios) podem ser controlados. ▪ E controle de atos pré-constitucionais? ✓ Na via difusa podem ser controlados atos pré-constitucionais utilizando como parâmetro a Constituição antiga (respeitados eventuais prazos prescricionais que o direito estabelecer). • A decisão de inconstitucionalidade na via difusa: ➢ A decisão na via difusa: ▪ Efeito subjetivo da decisão: inter partes (o que significa fizer que no controle difuso no Poder Judiciário não anula a lei, mas apenas e tão somente afasta a sua incidência no caso concreto). ▪ Efeito temporal da decisão: e ex tunc (ou seja, a decisão retroage)! ▪ OBS: A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem admitido a modulação dos efeitos temporais da decisão proferida em sede de controle difuso desde que por decisão de 2/3 dos Ministros + razões de segurança jurídica ou excepcional interesse social! ✓ “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MUNICÍPIOS. CÂMARA DE VEREADORES. COMPOSIÇÃO. (...) INCONSTITUCIONALIDADE, INCIDENTER TANTUM, DA NORMA MUNICIPAL. EFEITOS PARA O FUTURO. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. (...) 8. Efeitos. Princípio da segurança jurídica. Situação excepcional em que a declaração de nulidade, com seus normais efeitos ex tunc, resultaria grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente. Prevalência do interesse público para assegurar, em caráter de exceção, efeitos pro futuro à declaração incidental de inconstitucionalidade.” (STF, RE 197917, Rel. Min. Maurício Corrêa, Pleno, j. em 24/03/2004). • O papel do Senado Federal no controle difuso: ➢ Art. 52, X, CF. ➢ A Resolução do Senado Federal pode fazer com que lei revogada volte a produzir efeitos (efeitos repristinatório): ▪ “(...) A Resolução do Senado Federal 49/95, que conferiu efeitos erga omnes à decisão proferida no RE 148.754/RJ, redator para o acórdão Min. Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ 04.03.1994, fez exsurgir a LC 07/70, numa espécie de efeito repristinatório, de forma que tal norma voltasse a produzir seus efeitos. Precedente.(...)” (AI 677191 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, j. em 08/06/2010). ➢ Abstrativização ou objetivação do controle difuso: de acordo com o atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal, a resolução do Senado Federal apenas e tão somente dá publicidade à decisão do Tribunal. Esse posicionamento foi consolidado na Ação Direta de Inconstitucionalidade 3937. Na ocasião, havia uma lei federal proibindo o uso do amianto, salvo na forma da crisólita (Lei 9055/1995). Contudo, uma Lei Estadual posterior proibiu o uso do Amianto no Estado de São Paulo em qualquer forma. O Supremo Tribunal Federal fez prevalecer a lei estadual e, com isso, proibiu o uso do amianto em qualquer uma de suas formas! • Cláusula de reserva de plenário (Full Bench): ➢ A cláusula de reserva de plenário (também chamada de Full Bench) reserva a declaração de inconstitucionalidade no âmbito de Tribunais para um grupo de julgadores (Plenário ou Órgão especial), impedindo, via de regra, a decisão de inconstitucionalidade por órgãos fracionários. Para compreender, é necessário lembrar que: ▪ Tribunal Pleno ou Plenário: órgão composto por todos os julgadores do Tribunal. ▪ Órgão Especial: órgão de criação facultativa em Tribunais com mais de 25 membros. Uma vez criado, pode ter entre 11 e 25 membros (art. 93, inciso XI, da Constituição Brasileira de 1988). ▪ Órgãos Fracionários: Seções, Câmaras, Turmas, etc. ➢ Art. 949, Parágrafo único, CPC. Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão. ➢ Súmula Vinculante n. 10: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. ➢ A Cláusula de Reserva de Plenário não se aplica à julgamento feito por Turma Recursal: ▪ “(...) PRINCÍPIO DA RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CF/88. SÚMULA VINCULANTE 10. JUIZADOS DE PEQUENAS CAUSAS E ESPECIAIS. INAPLICABILIDADE. 1. O art. 97 da Constituição (...) está se dirigindo aos Tribunais indicados no art. 92 e aos respectivos órgãos especiais de que trata o art. 93, XI. A referência, portanto, não atinge juizados de pequenas causas (art. 24, X) e juizados especiais (art. 98, I) (...)” (STF, RE com Agravo 792562 AgR, Rel. Min. Teori Zavascki, Segunda Turma, j. em 18/03/2014). ➢ A Cláusula de Reserva de Plenário não se aplica à julgamento de Recurso Extraordinário: ▪ “(...) O STF exerce, por excelência, o controle difuso de constitucionalidade quando do julgamento do recurso extraordinário, tendo os seus colegiados fracionários competência regimental para fazê-lo sem ofensa ao art. 97 da Constituição Federal. (...)” (RE 361829 ED, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, j. em 02/03/2010)”. ➢ A Cláusula de Reserva de Plenário não se aplica quando o Supremo Tribunal Federal mantém acórdão recorrido que declarou a inconstitucionalidade de norma local em processo de controle por via de representação de inconstitucionalidade: ▪ “No entanto, tal entendimento [no sentido da necessidade de observância do art. 97 da CF/88] não é aplicável na hipótese, uma vez que, ao se manter o acórdão recorrido, a inconstitucionalidade da lei não estará sendo declarada pela primeira vez por este órgão fracionário. Com efeito, a cláusula da reserva de plenário não é exigida quando o Supremo Tribunal Federal, na sua competência recursal, mantém acórdão recorrido que declarou a inconstitucionalidade de norma local em processo de controle por ação direta estadual. Nesses casos, assenta-se tão-somente a conformidade do decisum recorrido com o entendimento desta Corte, órgão incumbido do papel de intérprete máximo da Constituição. Hipótese diversa é aquela em que, afastada a inconstitucionalidade pelo Tribunal de origem, esta Corte dá provimento ao recurso extraordinário para extinguir do ordenamento jurídico a norma impugnada. Em tais condições, em observância ao disposto no art. 97 da Constituição Federal, deve ser o julgamento do feito afetado ao Plenário desta Corte. (...) É que eu acho que, quando o Tribunal de Justiça, ele próprio declara a inconstitucionalidade, o artigo 97 foi observado, porque lá houve reserva de Plenário. Como nós estamos apenas confirmando, eu penso que não teríamos o dever de mandar ao Plenário. Mas, se fosse a hipótese inversa, ou seja, o Tribunal de origem não declarou a inconstitucionalidade, e nós estivéssemos dando provimento ao extraordinário para declarar a inconstitucionalidade, aí teríamos reserva de Plenário.” (trechos do Voto do Min. Luís Roberto Barroso no ARE 661288, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, j. em 06/05/2014). ➢ A cláusula de reserva de plenário aplica-se apenas e tão somente nas leis posteriores à Constituição Brasileira de 1988: ▪ A cláusula de reserva de plenário (full bench) é aplicável somente aos textos normativos erigidos sob a égide da atual Constituição. [ARE 705.316-AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 12-3- 2013, 1ª T, DJE de 17-4-2013.]. ➢ Controle de Constitucionalidade em sede de Recurso Especial: a jurisprudência aponta para a impossibilidade de exercício de controle difuso de constitucionalidade em sede de RESP. ▪ “(...) ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. (...) é entendimento pacífico, no STJ, que o ‘recurso especial não se presta à alegação, pela parte recorrente, de inconstitucionalidade de lei, matéria própria de recurso extraordinário, de competência do STF’ (STJ, AgRg no AREsp 16.747/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, DJe de 14/2/2012). (...)” (REsp 1440298/RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, 2ª Turma, j. em 07/10/2014). 23/05 Legitimados para Ação Direta de Inconstitucionalidade • Art. 103, CF. • A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal divide os legitimados do art. 103 em legitimados universais e especiais. Estes somente podem ajuizar a ADI caso demonstrem a pertinência temática, aqui compreendida como a demonstração de um “interesse especial” na questão, ao passo que aqueles não precisam demonstrar nada. ➢ “nexo de afinidade entre os objetivos institucionais da entidade que ajuíza a ação direta e o conteúdo material da norma por ela impugnada nessa sede processual” (ADI-MC 1096, 16/03/1995). • Legitimados Universais: ➢ Presidente da República. ➢ Mesa do Senado Federal. ➢ Mesa da Câmara dos Deputados. ➢ Procurador Geral da República. ➢ Conselho Federal da OAB. ➢ Partido Político com representação no Congresso Nacional. • Legitimados especiais – pertinência temática: ➢ Mesa da ALE ou DF. ➢ Governador do Estado ou DF. ➢ Confederação Sindical ou Entidade de Classe Nacional. • Capacidade postulatória: ➢ Todos os legitimados do art. 103 da CF possuem capacidade postulatória, exceto: ▪ Partidos Políticos com Representação no Congresso Nacional: ✓ ADI somente pode ser ajuizada pelo Diretório Nacional do Partido Político com representação no Congresso Nacional, e nunca pelo Diretório Estadual (ADI 1096, 610 e 779) ✓ Se o Partido Político perder a representatividade no Congresso Nacional a ADI continua tramitando regularmente. → Ação direta inconstitucionalidade. Partido político. Legitimidade ativa. Aferição no momento da sua propositura. Perda superveniente de representação parlamentar. Não desqualificação para permanecer no polo ativo da relação processual. Objetividade e indisponibilidade da ação [ADI 2.159]”. ▪ Confederações Sindicais: ✓ Federações sindicais são associações que reúnem ao menos cinco sindicatos representativos ou de atividades ou profissões idênticas, similares ou conexas. Cada ramo de sindicato pode formar uma federaçãosindical. ✓ Confederações sindicais são organizações sindicais que reúnem no mínimo três federações sindicais de uma mesma categoria econômica ou profissional. ✓ Centrais sindicais reúnem sindicatos de diversas categorias. A CUT (Centra Única dos Trabalhadores) é uma central sindical, da qual o Sindisaúde faz parte. ✓ Conselhos de classe não são legitimados para ajuizamento de ADI (salvo o Conselho Federal da OAB, pois há uma legitimação explícita, conforme artigo 103 da Constituição Brasileira de 1988). Logo, Conselho Federal de Medicina, Conselho Federal de Arquitetura, dentre outros, não podem ajuizar ADI (ADI 641-MC). ▪ Entidades de Classe no Âmbito Nacional: ✓ São aquelas que: → Representam toda a categoria (ADI 4473 e 4967). → Estão presentes em ao menos 9 Estados (ADI 3917). ✓ Associações de associações podem ajuizar a ADI, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal! → “Ação direta de inconstitucionalidade: legitimação ativa: ‘entidade de classe de âmbito nacional’ (...) revisão da jurisprudência do Supremo Tribunal. (...) 3. Nesse sentido, altera o Supremo Tribunal sua jurisprudência, de modo a admitir a legitimação das ‘associações de associações de classe’, de âmbito nacional, para a ação direta de inconstitucionalidade.” (ADI 3153 AgR, Pleno, j. em 12/08/2004). ➢ Presidente da República: ▪ Mesmo que o Presidente da República tenha sancionada a lei pode ajuizar a Ação Direta de Inconstitucionalidade ▪ Ademais, a sanção não supre vício de inconstitucionalidade segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. ✓ “A sanção do projeto de lei não convalida o vício de inconstitucionalidade resultante da usurpação do poder de iniciativa. A ulterior aquiescência do Chefe do Poder Executivo, mediante sanção do projeto de lei, ainda quando dele seja a prerrogativa usurpada, não tem o condão de sanar o vício radical da inconstitucionalidade. Insubsistência da Súmula nº 5/STF. [ADI 2.867, rel. min. Celso de Mello, j. 3-12-2003, P, DJ de 9-2-2007.]. • Procedimento da Ação Direta de Inconstitucionalidade: ➢ Petição inicial: ▪ Os requisitos da petição inicial estão indicados no art. 3º da Lei n.º 9.868/99. ▪ O Supremo Tribunal Federal está adstrito ao pedido (pedidos): ✓ O pedido é fechado! Ou seja, o Supremo Tribunal Federal está vinculado ao princípio da adstrição ao pedido – ou congruência –, o que significa dizer que o Supremo Tribunal Federal somente pode declarar a inconstitucionalidade do pedido indicado na inicial! ✓ Exceção: inconstitucionalidade por arrastamento, reflexa, por reverberação normativa ou por atração ▪ Causa de pedir: ✓ O Supremo Tribunal Federal não está adstrito à causa de pedir. ✓ A causa de pedir é aberta! Ou seja, o Supremo Tribunal Federal pode declarar a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo por fundamento diverso do apontado na petição inicial. ✓ OBS: na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é possível encontrar uma exceção à essa regra. → “ação direta de inconstitucionalidade. 1. questão de ordem: pedido único de declaração de inconstitucionalidade formal de lei. impossibilidade de examinar a constitucionalidade material. (ADI 2182). ➢ Processamento: ▪ Notificação do órgão/autoridade responsável pelo ato: ✓ Distribuída a ação, sem prejuízo da cautelar, notifica-se o órgão/autoridade responsável pelo ato para prestar informações no prazo de 30 dias. ✓ Art. 6º. ▪ Citação do AGU para defender o ato impugnado: ✓ Após as informações, o AGU será citado para defender o ato impugnado. ✓ Art. 8º. ✓ Art. 103, §3º. ✓ O AGU, enquanto curador da constitucionalidade do ato normativo impugnado, em regra deve se manifestar. → Sua participação é dispensada quando o STF já tiver declarado a inconstitucionalidade do ato normativo em outro processo, inclusive em Recurso Extraordinário (ADI 1616) → Ainda que o ato impugnado seja estadual, quem o defende é o AGU, e não o PGE. Na ADI 4013, que discutia ato normativo estadual, se oportunizou a oitiva do PGE, mas a defesa do ato formalmente foi feita pelo AGU (citado no processo). ▪ Intimação do PGR para se manifestar: ✓ No curso do processo o PGR também será chamado para se manifestar no processo. ✓ Art. 8º. ✓ Art. 103, §1º. ▪ Intervenção de terceiros: ✓ Não cabe intervenção de terceiros na ADI. Logo, não cabe oposição, nomeação à autoria, denunciação à lide, etc. ✓ Art. 7º. ▪ Amicus Curiae: ✓ Cabe, contudo, a figura do Amicus Curiae (amigo da corte). ✓ Art. 7º, §2º, Lei 9868/1999. ✓ A participação do Amicus Curiae é uma faculdade do Relator. ✓ O pedido de admissão pode ser feito até a inclusão do processo em pauta (ADI 4071). ▪ Produção de provas na ADI: ✓ O fato de ADI ser um processo objetivo não impede que sejam produzidas algumas provas. Nesse sentido, têm-se o artigo 9, parágrafo 1º, da Lei 9868/1999. ▪ Amicus Curiae – pertinência temática: ✓ “O art. 7º, § 2º, da Lei federal 9.868/1999 autoriza a admissão da manifestação de órgãos ou entidades investidas de representatividade adequada nos processos de controle abstrato de constitucionalidade que versem sobre matérias de grande relevância. (...). (...) o telos precípuo da intervenção do amicus curiae consiste na pluralização do debate constitucional, com vistas a municiar a Suprema Corte dos elementos informativos necessários ou mesmo trazer novos argumentos para o deslinde da controvérsia. Assim, a habilitação de entidades representativas se legitima sempre que restar efetivamente demonstrado o nexo de pertinência entre as finalidades institucionais da entidade e o objeto da ação direta. [ADI 5.875]”. ▪ Amicus Curiae – Irrecorribilidade: ✓ “(...) intervenção é concedida como privilégio, e não como uma questão de direito. O privilégio acaba quando a sugestão é feita. Ressaltou, ainda, os possíveis prejuízos ao andamento dos trabalhos da Corte decorrentes da admissibilidade do recurso, sobretudo em processos em que há um grande número de requerimentos de participação como amicus curiae. [RE 602.584]. ▪ Alteração do Parâmetro: ✓ O que acontece se durante o procedimento da ADI o dispositivo constitucional (parâmetro) é revogado ou alterado? → Nesse caso a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal entende que a ADI fica prejudicada e, portanto, deve ser arquivada: → “(...) necessidade da vigência atual, em sede de controle abstrato, do paradigma constitucional alegadamente violado – superveniente modificação/supressão do parâmetro de confronto e do texto da norma estatal impugnada – hipótese de prejudicialidade (...).” (ADI 2971 AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno, j. em 06/11/2014). ✓ Há uma exceção, contudo: → Se ocorre uma alteração no parâmetro que confere legitimidade ao dispositivo impugnado o Supremo Tribunal Federal entende que a ADI pode continuar, sob pena de se autorizar uma constitucionalização superveniente do objeto impugnado! ✓ “Ação Direta de Inconstitucionalidade. (...) Substancial alteração do parâmetro de controle. Não ocorrência de prejuízo. Superação da jurisprudência da Corte acerca da matéria. (...) A Lei estadual (...), por ser inconstitucional ao tempo de sua edição, não poderia ser convalidada pela Emenda Constitucional nº 41/03. E, se a norma não foi convalidada, isso significa que a sua inconstitucionalidade persiste e é atual, ainda que se refira a dispositivos da Constituição Federal que não se encontram mais em vigor, alterados que foram pela Emenda Constitucional nº 41/03. Superada a preliminar de prejudicialidade da ação, fixando o entendimento de, analisada a situação concreta, não se assentar o prejuízo das ações em curso, para evitar situações em que uma lei que nasceu claramente inconstitucional volte a produzir, em tese, seus efeitos (...)” (ADIs 2189 e 2158). ▪ Alteração do objeto: ✓ E se no curso da ADI ocorre a revogação da lei ou do ato normativo impugnado?→ Novamente a ADI é arquiva por perda do objeto. ✓ E novamente há exceções: → Se o Supremo Tribunal Federal identificar que a revogação é uma tentativa de fraude a jurisdição da Corte, pode determinar o prosseguimento da ADI. “CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVOGAÇÃO DA NORMA OBJETO DA AÇÃO DIRETA. COMUNICAÇÃO APÓS O JULGAMENTO DO MÉRITO. DESPROVIMENTO. 1. Há jurisprudência consolidada no STF no sentido de que a revogação da norma cuja constitucionalidade é questionada por meio de ação direta enseja a perda superveniente do objeto da ação. Nesse sentido: ADI 709 (...). Excepcionam-se desse entendimento os casos em que há indícios de fraude à jurisdição da Corte, como, a título de ilustração, quando a norma é revogada com o propósito de evitar a declaração da sua inconstitucionalidade. (ADI 951)”. → Quando o conteúdo da lei é repetido em outra “(...) A Corte destacou, de início, que não teria havido a perda de objeto da ação, relativamente ao parágrafo único do art. 741 do CPC/1973, revogado pela Lei 13.105/2015, que estatui um novo Código. A matéria disciplinada no referido dispositivo teria recebido tratamento normativo semelhante, embora não igual, nos §§ 5º a 8º do art. 535 e nos §§ 12 a 15 do art. 525 do novo CPC. As alterações sofridas pela norma em questão — que cuidaram apenas de adjetivar o instituto da inexigibilidade por atentado às decisões do STF — não teriam comprometido aquilo que ela teria de mais substancial, ou seja, a capacidade de interferir na coercitividade de títulos judiciais. Este seria, de fato, o aspecto objeto de impugnação pelo autor da ação direta, para quem o instituto frustraria a garantia constitucional da coisa julgada. Portanto, não havendo desatualização significativa no conteúdo do instituto, não haveria obstáculo para o conhecimento da ação (ADI 2.501). ▪ Inexistência de desistência: ✓ Não cabe desistência na ADI. ✓ Art. 5º. • A decisão da Ação Direta de Inconstitucionalidade: ➢ Decisão de mérito: ▪ Quórum para iniciar o julgamento: 8 (2/3) ▪ Quórum para decidir: 6 (maioria absoluta) ▪ Se estiver faltando um Ministro para declarar a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade o julgamento deve ser suspenso. Por exemplo, na presença de Oito Ministros, cinco declararam a inconstitucionalidade e três a constitucionalidade! ▪ Procedência dos pedidos: declaração de inconstitucionalidade. ▪ Improcedência dos pedidos: declaração de constitucionalidade. ▪ Ambivalência ou caráter dúplice entre a ADI e a ADC. ▪ Concomitância de pedidos na ADI: ✓“EMENTA: MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 88/2015. CUMULAÇÃO DE AÇÕES EM PROCESSO OBJETIVO. POSSIBILIDADE. ART. 292 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. (...) 6. A cumulação simples de pedidos típicos de ADI e de ADC é processualmente cabível em uma única demanda de controle concentrado de constitucionalidade, desde que satisfeitos os requisitos previstos na legislação processual civil (CPC, art. 292). 7. Pedido cautelar deferido.” (ADI 5316). ➢ Efeitos da decisão: ▪ Erga Omnes: a decisão vale para todos. ▪ Ex tunc, ou seja, retroativo. ▪ Vinculantes em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública. ▪ O efeito vinculante: Reclamação: ✓ Desrespeitado o efeito vinculante cabe Reclamação direto para o Supremo Tribunal Federal (Art. 102, inciso I, alínea “l”, da Constituição Brasileira de 1988. ✓ Julgado procedente o pedido da Reclamação o Supremo Tribunal Federal anula a decisão que desacatou seu precedente vinculante! ✓ Ao julgar a Reclamação o Supremo Tribunal Federal pode reapreciar e redefinir o sentido e o alcance da própria decisão reclamada, superando-a se entender que deve, em virtude de uma interpretação que leve em consideração as particularidades do caso (Rcl 4374). ▪ O efeito vinculante: atividade legislativa: ✓ O efeito vinculante não vincula a atividade legislativa típica do Poder Legislativo ou atípica dos demais poderes. Isso significa que: ✓ O Poder Legislativo pode aprovar uma lei em sentido contrário ao precedente vinculante ✓ O Poder Executivo pode aprovar atos normativos em sentido contrário ao precedente vinculante. Ex: o Presidente da República pode editar uma Medida Provisória contrariando o precedente vinculante. ▪ O efeito vinculante e o STF: ✓ O efeito vinculante não vincula o Supremo Tribunal Federal. ✓ O Supremo Tribunal Federal entendeu que as cotas raciais e econômicas são constitucionais. No entanto já ressalvou na decisão a reanálise da decisão no futuro. ✓ Se o Supremo Tribunal Federal anular uma determinada lei, caso o Poder Legislativo a reedite ele não é obrigado a novamente declará-la inconstitucional. ▪ O efeito repristinatório na ADI: ✓ Quando o Supremo Tribunal Federal anula com efeito retroativo (ex tunc) uma lei revogadora, todos os seus efeitos desaparecem. Inclusive o seu efeito revogador. Logo a lei revogada retorna ao ordenamento jurídico naquilo que é chamado de efeito repristinatório. ✓ E quando a lei revogada for também inconstitucional? Faz sentido anular uma lei revogador com efeito ex tunc e, com base nisso, trazer para o mundo uma lei também inconstitucional? Com certeza não! Portanto, a jurisprudência do STF entende que nesse caso o autor da ADI deve também impugnar a lei revogada – ou, toda a cadeia normativa inconstitucional – sob pena de não conhecimento (ADI 3148). ✓ É uma exceção à impugnação de leis não revogadas. ✓ Uma possibilidade de driblar o efeito repristinatório é modular os efeitos da decisão que anula a lei revogadora (isso foi sugerido na ADI 3660). ➢ Modulação dos efeitos da decisão: ▪ O Supremo Tribunal Federal pode mudar os efeitos da decisão proferida na ADI. ▪ Art. 27. ▪ O Supremo Tribunal Federal admite que essa modulação seja feita também a partir de Embargos de Declaração: ✓ “1. O art. 27 da Lei nº 9.868/99 tem fundamento na própria Carta Magna e em princípios constitucionais, de modo que sua efetiva aplicação, quando presentes os seus requisitos, garante a supremacia da Lei Maior. Presentes as condições necessárias à modulação dos efeitos da decisão que proclama a inconstitucionalidade de determinado ato normativo, esta Suprema Corte tem o dever constitucional de, independentemente de pedido das partes, aplicar o art. 27 da Lei nº 9.868/99. 2. Continua a dominar no Brasil a doutrina do princípio da nulidade da lei inconstitucional. Caso o Tribunal não faça nenhuma ressalva na decisão, reputa-se aplicado o efeito retroativo. Entretanto, podem as partes trazer o tema em sede de embargos de declaração (ADI 3601)” ➢ Transcendência dos motivos determinantes: ▪ O efeito vinculante atinge apenas o dispositivo da decisão. Logo, se o Supremo Tribunal Federal anulou a lei 123/2020, apenas lei 123/2020 deverá ser anulada pelos demais órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública. ▪ A teoria da transcendência dos motivos determinantes sustenta que não apenas o dispositivo da decisão vincula, mas que também os próprios fundamentos da decisão são de observância obrigatória para os demais órgãos do Poder Judiciário e para a Administração Pública. ▪ Exemplo: caso seja ajuizada uma ADI contra uma lei estadual que dispõe sobre X e o STF venha a declará-la inconstitucional, idênticas leis de outros Estados também deverão ser anuladas. ▪ Apesar de alguns precedentes do Supremo Tribunal Federal autorizando, atualmente essa teoria não é aceita pelo STF (por isso, inclusive, o Poder Legislativo pode criar uma lei em sentido contrário a uma declaração de inconstitucionalidade). ✓ “(...) 2. A jurisprudência majoritária do Supremo Tribunal Federal não reconhece a possibilidade do manejo de reclamação fundada na transcendência dos motivos determinantes. (...)” (Rcl 21756 AgR, Rel. Min. EDSON FACHIN, 1ª Turma,