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FUNINBER: FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA DISCIPLINA: FP103-FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL: PROCESSOS DE ATENÇÃO À DIVERSIDADE. TÍTULO: Proposta de Estudo de Caso e uma Projeção do processo de Treinamento para a intervenção educativa de alunos com necessidades especiais que frequenta a educação geral, no Colégio Comandante Cow-Boy, em Ondjiva, Angola. Estudantes: Adilson Luciano Intja - AOFPMME6054135 – adilsonintja1@outlook.com Lúcia Helena Ferreira Lima - BRFPMME2963818 – irmacelena01@gmail.com Preciosa Arlete de Freitas – AOFPMME6261234 – preciosadefreita@gmail.com Veríssimo Gabriel Ipupo - AOFPMME5631274 – verissimoipupo@gmail.com Código: FP103 Grupo: fp_mme_2025-06_pt Curso: Mestrado em Educação Equipe: Nº 11 Data: 24-05-2026 Professor: Profª Drª Elsie Alejandrina Pérez Serrano Índice Introdução 3 ATIVIDADE 1: SELEÇÃO DO CASO 3 ATIVIDADE 2: ESTRATÉGIA DO ESTUDO DE CASO. 3 2.1- Objetivo geral do estudo de caso 3 2.1.1- Objetivos específicos (com indicadores): 3 2.2- Informantes e contextos de recolha de dados 4 2.3- Instrumentos de pesquisa (criação e adaptação) 4 2.4- Aplicação dos instrumentos: acesso ao campo e recolha de dados 5 2.5- Modo de recolhida dos dados (procedimentos): 5 2.6- Delimitação do contexto físico, social e interpessoal: 5 2.7- Decisões para controle posterior (qualidade e ética): 5 2.8- Compilação dos resultados baseados em instrumentos aplicados (síntese) 6 2.9- Diagnóstico educativo integrado das informações obtidas no caso (argumentação) 7 2.10- Argumentação da preparação dos agentes educacionais para aprimorar o seu desenvolvimento. 7 ATIVIDADE 3: INTRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO 8 3.1- Projeção do Processo de Treinamento e Metodologia utilizada para professores, família e comunidade (alunos tutores) 10 3.1.1- Estrutura geral do processo de formação 10 3.2- Descrição do desenrolar das atividades praticas e metodologia. 10 Conclusão 12 Referências Bibliográficas ANEXOS Introdução O presente trabalho apresenta uma proposta de Estudo de Caso e uma Projeção do processo de Treinamento para a intervenção educativa de um aluno com necessidades especiais que frequenta a educação geral. A consolidação da educação inclusiva exige reestruturar os sistemas de ensino para valorizar a diversidade, superando o mero acesso físico. Historicamente, Angola enfrentou a escassez de recursos especializados e infraestruturas adaptadas, conforme o Decreto Presidencial nº 187/17. Contudo, a última década registou progressos significativos no atendimento a pessoas com deficiência, convergindo com o marco legal do Brasil (LDB de 1996), que prioriza a escolarização na rede regular para assegurar a participação plena. Sob essa ótica comparativa e baseando-se em Aguiar et al. (2025), o estudo investiga o caso de José Mandele, um aluno de 12 anos do 6º ano com barreiras motoras funcionais, desafios na escrita, organização e regulação da ansiedade. Diante deste diagnóstico, propõe-se uma Projeção de Treinamento de 12 semanas para capacitar docentes, familiares e alunos-tutores. A estratégia utiliza metodologias ativas e tecnologias assistivas para transformar a cultura escolar num ambiente equitativo. ATIVIDADE 1: SELEÇÃO DO CASO Tipo escolhido: Crianças, adolescentes e jovens que frequentam instituições de educação geral. Caso selecionado (hipotético, para fins de estudo): · Nome: José Mandele (12 anos) · Ano escolar: 6.º ano do ensino básico · Queixa principal: Dificuldades motoras finas e grossas associadas a limitação de mobilidade; linguagem funcional preservada; participação reduzida em atividades de grupo e dificuldades em escrita e organização de tarefas. Frequenta turma regular com apoio parcial do professor de apoio. ATIVIDADE 2: ESTRATÉGIA DO ESTUDO DE CASO. 2.1- Objetivo geral do estudo de caso Produzir um diagnóstico educativo integrado de José Mandele e elaborar um Plano de Formação para a escola e família que favoreça seu desenvolvimento motor, cognitivo e socioemocional, bem como sua participação escolar. 2.1.1- Objetivos específicos (com indicadores): 1- Avaliar o desenvolvimento somático (prénatal → atual): Indicadores: histórico prénatal: complicações, prematuridade; marco do desenvolvimento motor: idade de sentar, engatinhar, andar; presença de comorbidades médicas; avaliação atual do estado motor: capacidade de locomoção, uso de próteses/auxílios. 2- Determinar as condições da educação familiar: Indicadores: nível de escolaridade dos cuidadores; rotinas de estudo em casa; expectativas sobre escolarização; disponibilidade para participar de intervenções; recursos materiais em casa. 3- Determinar características do desenvolvimento psicológico: Indicadores: regulação emocional; atenção e concentração; linguagem receptiva/expressiva; autoestima; relações com pares. 4- Determinar particularidades da aprendizagem: Indicadores: desempenho em leitura/escrita/matemática; velocidade e precisão na escrita; uso de estratégias compensatórias; autonomia nas tarefas; necessidade de adaptações curriculares. 5- Caracterizar a educação recebida: Indicadores: tipo e frequência de apoio escolar; adaptações físicas e pedagógicas na escola; comunicação entre escola e família; participação em atividades extracurriculares. 2.2- Informantes e contextos de recolha de dados Como informantes selecionou-se os seguintes: · Aluno (José Mandele): realizar observação direta e entrevista adaptada. · Pais/cuidador principal: aplicar entrevista semiestruturada. · Professor titular da turma: entrevista e registos de desempenho. · Professor de apoio / terapeuta escolar: entrevista e relatórios. · Colegas próximos: observação de interações em sala e recreio. · Profissional de saúde (se disponível): relatório médico/terapêutico (com consentimento). Contextos: na sala de aula, pátio (no momento de recreio), casa do aluno (visita domiciliar), sala de apoio/terapia. 2.3- Instrumentos de pesquisa (criação e adaptação) Optouse por adaptar instrumentos existentes e criação de instrumentos específicos para o contexto. Abaixo estão alistados os instrumentos e um exemplo de cada (conforme os anexos). Instrumentos escolhidos / adaptados: 1. Ficha de história de desenvolvimento somático (formulário estruturado para pais). 2. Guião de entrevista semiestruturada para família (expectativas, rotinas, recursos). 3. Checklist de observação em sala (participação, mobilidade, interação, estratégias de aprendizagem). 4. Protocolo de avaliação das aprendizagens escolares (tarefas de leitura, escrita e matemática adaptadas). 5. Escala de registo de comportamento socioemocional (observacional, para professores). 6. Consentimento informado para participação e recolha de dados. 2.4- Aplicação dos instrumentos: acesso ao campo e recolha de dados Argumento de acesso ao campo: contato formal com a direção da escola e com os pais, apresentação do projeto, assinatura de termo de consentimento e garantia de confidencialidade. Acesso autorizado para observações em horários previamente combinados (aulas, recreio, sala de apoio) e visita domiciliar agendada. 2.5- Modo de recolhida dos dados (procedimentos): Fase I (Documental): realizar a recolha de relatórios médicos/terapêuticos e históricos escolares. Fase II (Entrevistas): aplicar guião de entrevista semiestruturado com pais (45 a 60 minutos) e com professores (30 a 45 minutos). Gravação áudio com consentimento e transcrição posterior. Fase III (Observação direta): três sessões de observação em sala (45 minutos cada), uma no recreio e uma na sala de apoio. Uso do checklist e notas de campo. Fase IV (Avaliação das aprendizagens): aplicação de tarefas adaptadas em duas sessões (30 a 40 minutos cada) para avaliar leitura, escrita e matemática. Fase V (Triangulação): cruzamento de dados de entrevistas, observações e documentos. 2.6- Delimitação do contexto físico, social e interpessoal: Contexto físico – delimitou-se a sala regular com acesso parcial adaptado (rampa); mesa adaptada; sala de apoio equipada com materiais. Contexto social – delimitou-se a turma de 24 alunos; presençade um professor titular e um professor de apoio em horários determinados. Contexto interpessoal – relações com dois colegas próximos; participação limitada em jogos coletivos. 2.7- Decisões para controle posterior (qualidade e ética): Garantir anonimato nos relatórios; codificação dos dados (ex.: Aluno J. M. 12) – quer dizer que qualquer pessoa que venha ler o documento final (sejam outros professores, a direção da escola, ou o publico em geral) não conseguirá descobrir quem forneceu as informações. Triangulação (entrevistas, observações e documentos) de fontes para reduzir viés – permitindo validar os resultados da pesquisa e garantir que as conclusões finais sejam rigorosas, imparciais e reflitam a verdadeira realidade do estudo. Revisão por pares (equipa docente) das transcrições e interpretações – significa dizer que outros professores analisam os dados que se recolheu e vê-se se chegam a mesma conclusão. Isso evita a visão pessoal ou a espectativa sobre a pesquisa influencie os resultados. Armazenamento seguro dos dados (físico e digital) com acesso restrito – permite garantir medidas de segurança práticas e tecnológicas adotadas para proteger todas as informações recolhidas durante a investigação, evitando perdas, alterações ou fuga de informações. O armazenamento seguro é o que garante o cumprimento da ética nesta investigação. De nada serve usar códigos “Aluno J. M. 12” no relatório final se a folha de papel que liga esse código ao nome verdadeiro do aluno ficar esquecido numa fotocopiadora. 2.8- Compilação dos resultados baseados em instrumentos aplicados (síntese) Desenvolvimento somático: histórico de parto a termo com leve hipotonia neonatal; atraso motor inicial (andar aos 20 meses); atualmente mobilidade independente com leve claudicação; fisioterapia intermitente. Educação familiar: pais com escolaridade secundária; rotina de estudo irregular; alta motivação para apoiar; limitações de recursos materiais (ausência de computador em casa). Desenvolvimento psicológico: linguagem expressiva adequada; atenção sustentada por curtos períodos; ansiedade em situações de avaliação; boa relação com professores, tímido com pares. Aprendizagem: leitura compreensiva adequada; escrita lenta e com dificuldades de caligrafia; dificuldades em organização de tarefas e planejamento; desempenho em matemática dentro da média quando usa material manipulável. Educação recebida: apoio parcial (2 horas/semana) do professor de apoio; adaptações físicas básicas; pouca formação específica dos professores sobre estratégias motoras e adaptações de escrita. Mãe (trecho da entrevista): "Quando ele chega a casa, se cansa rápido de escrever. Eu tento ajudar, mas não sei como ensinar sem brigar. Ele fica triste quando não consegue acompanhar os colegas." 2.9- Diagnóstico educativo integrado das informações obtidas no caso (argumentação) A partir da integração dos dados, concluise que José Mandele apresenta limitação motora com impacto funcional nas atividades escolares (especialmente escrita e participação em atividades práticas), associada a ansiedade de avaliação e dificuldades de organização executiva. A linguagem e a compreensão estão preservadas, o que permite o uso de estratégias compensatórias (teclado, ditado, material manipulável). A família é motivada, mas carece de orientação prática. A escola oferece apoio parcial, porém sem formação específica para intervenções motoras e adaptações pedagógicas. Implicações educativas: necessidade de adaptações curriculares e ambientais, estratégias de ensino diferenciadas, formação dos professores em práticas inclusivas e trabalho colaborativo com a família e serviços de reabilitação. 2.10- Argumentação da preparação dos agentes educacionais para aprimorar o seu desenvolvimento. Segundo Aguiar et al (2025 parr.1) afirma que “o preparo docente é um dos pilares fundamentais para garantir que todos os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade, respeitando suas singularidades e potencializando suas aprendizagens”. Nessa perspetiva, entende-se que no século hodierno, em toda ou qualquer sociedade os sistemas de educação exigem formações especificas para os docentes, isto visa a atender as diversas necessidades especiais dos alunos. Ademais, Aguiar et al (2025 parr.3) vai alem argumentando: Além da formação inicial, a formação continuada se mostra essencial para que os docentes desenvolvam competências específicas para a inclusão. Cursos de atualização, oficinas, palestras e especializações podem proporcionar conhecimentos teóricos e práticos que favorecem uma atuação mais assertiva em sala de aula. A troca de experiências entre professores, o contato com especialistas da área e o acesso a metodologias inovadoras são estratégias que auxiliam no aprimoramento profissional e na superação dos desafios cotidianos da inclusão escolar. Na linha de pensamento dos autores, de salientar que a formação continuada é essencial para a inclusão escolar, permitindo a superação de insuficiências diagnosticadas no decurso das práticas pedagógicas e garantido uma atuação assertiva. “Entre os principais desafios enfrentados pelos professores, destaca-se a necessidade de adaptar o currículo e as práticas pedagógicas para atender à diversidade de alunos” Aguiar et al (2025 parr.4). Com base neste argumento, é essencial adaptação curricular e das práticas pedagógicas de modo garantir a inclusão, respeitando os diferentes ritmos e estilos de aprendizagem na busca por equidade. Aguiar et al (2025), apresenta algumas estratégias para as boas práticas pedagógicas: Estratégias como o uso de materiais didáticos acessíveis, recursos tecnológicos assistivos, metodologias ativas e avaliações diferenciadas são fundamentais para garantir que todos os estudantes possam desenvolver suas habilidades de forma equitativa. Além disso, é indispensável o apoio de uma equipe multidisciplinar, composta por psicopedagogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, que possam contribuir com orientações especializadas e oferecer suporte ao trabalho docente (Aguiar et al 2025 parr.4). Com base neste raciocínio, é valido dizer que a inclusão escolar exige materiais acessíveis, tecnologia assistiva, metodologias ativas e apoio multidisciplinar, garantindo que a diferenciação pedagógica promova a aprendizagem equitativa de todos os estudantes. Ainda segundo Aguiar et al (2025), existe um fator para que a educação seja efetiva é a “mudança na cultura escolar”. Para que a inclusão seja realmente eficaz, é necessário que toda a comunidade escolar – gestores, professores, alunos e familiares – esteja engajada nesse processo. A promoção de um ambiente acolhedor, que valorize a diversidade e combata preconceitos, contribui significativamente para o desenvolvimento acadêmico e social dos alunos com necessidades educacionais especiais. Assim, a sensibilização e a conscientização da equipe pedagógica são etapas fundamentais para consolidar práticas inclusivas (Aguiar et al 2025 parr.5). Nessa perspetiva entende-se que a sensibilização da equipe pedagógica, o engajamento familiar e comunitário consolidam práticas inclusivas, proporcionando um ambiente colhedor essencial ao desenvolvimento acadêmico e integral de alunos especiais. Segundo Aguiar et al (2025), é necessário que os docentes tenham habilidades em uso das tecnologias digitais e não só: Outro aspeto relevante é a capacitação para o uso de tecnologias assistivas e metodologias diferenciadas. Recursos como softwares de leitura para deficientes visuais, jogos educativos adaptados, comunicação alternativa para alunos com dificuldades na fala e ambientes virtuais interativos são ferramentas que podem tornar a aprendizagem mais acessível e envolvente (Aguiar et al 2025 parr.11). De salientar que a capacitação em tecnologias assistivas é um elemento essencial para a promoção da educação inclusiva, pois permite que professores escolhem os recursos mais adequados para cada aluno que facilitam o processo de ensino-aprendizagem. ATIVIDADE 3: INTRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTOO conceito de inclusão escolar vai além da simples presença física de alunos com deficiência nas salas de aula; ele envolve a criação de um ambiente que respeite, valorize e acolha as diferenças (Stoffel et al 2024, p. 2839). Segundo a UNESCO (2020), citado por Stoffel et al (2024, p. 2840) salienta que “a inclusão é mais do que colocar alunos com deficiência nas salas de aula; é uma maneira de transformar sistemas educacionais em ambientes acessíveis para todos os alunos.” Nestas linhas de pensamento os professores precisam desenvolver habilidades práticas e atitudes que favoreçam a construção de um ambiente escolar acolhedor e equitativo. Segundo o Decreto Presidencial nº 187/17 de 16 de Agosto, narra: Nos primórdios da implementação da educação formal, a sociedade humana não atendia as pessoas com deficiências físicas, visuais, auditivas, intelectuais, socio-afetivas porque as escolas não disponham de recursos humanos, meios de ensino e infraestruturas adequadas e adaptadas para a educação e formação destas pessoas, este quadro inadequado da educação, viveu-se, também, em Angola durante muitos anos (Decreto Presidencial nº 187/17 de 16 de Agosto). Com base no exposto, historicamente, Angola reproduziu a exclusão escolar global de pessoas com deficiência por falta de recursos humanos especializados, materiais adaptados e infraestruturas acessíveis nos primórdios da educação formal privou essas populações do direito fundamental ao desenvolvimento académico e social. Ademais, o Decreto Presidencial esmiúça que “[…] na última década, apesar das dificuldades económicas e das consequências resultantes do longo conflito armado, o País foi dando passos firmes no sentido de melhorar o atendimento educativo das pessoas com deficiência.” Segundo Stoffel et al (2024, p. 2842), “no Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996 foi um marco, pois estabeleceu que a educação deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para alunos com necessidades especiais.” Segundo o Ministério da Educação (MEC), citado por Stoffel et al (2024, pp. 2842-2843) afirma “a escola deve assegurar aos alunos com deficiência o acesso ao conhecimento e à participação plena nas atividades escolares (MEC, 2008)”. De salientar que os excertos evidenciam que tanto Angola quanto o Brasil partilham o compromisso político de universalizar a educação inclusiva. Enquanto o decreto angolano destaca avanços históricos pós-conflito, a legislação brasileira materializa essa transição ao priorizar o ensino regular, convergindo na premissa de assegurar o acesso pleno ao conhecimento e à cidadania. Stoffel et al (2024), nos seus estudos afirma que, O papel do professor é essencial para a inclusão escolar, pois ele é o responsável por adaptar o currículo, implementar estratégias pedagógicas e utilizar recursos que possibilitem o aprendizado de todos os alunos. Contudo, para que isso seja viável, é necessário que ele esteja bem preparado e tenha acesso a uma formação continuada de qualidade (Stoffel et al 2024, p. 2841). Nesta perspetiva, a formação continuada docente é o pilar da inclusão escolar; sem esse preparo técnico, a adaptação curricular e a aplicação de estratégias pedagógicas tornam-se inviáveis, comprometendo a democratização do aprendizado. 3.1- Projeção do Processo de Treinamento e Metodologia utilizada para professores, família e comunidade (alunos tutores) Objetivo do plano: Capacitar professores, família e agentes comunitários para promover a autonomia, participação e aprendizagem de José Mandele. 3.1.1- Estrutura geral do processo de formação Duração: 12 semanas (6 encontros presenciais + 3 sessões de acompanhamento prático + materiais de apoio). Públicoalvo: professor titular, professor de apoio, coordenador pedagógico, pais, dois colegas tutores (alunos). Formato: oficinas práticas, sessões teóricas curtas, observação em sala com feedback, materiais digitais e guias impressos. 3.2- Descrição do desenrolar das atividades praticas e metodologia. Oficina 1 — Compreender a deficiência motora e suas implicações na aprendizagem (3 horas): semana 1ª Conteúdo: conceitos básicos, impacto nas atividades escolares, direitos e inclusão. Atividade prática: análise de vídeos (situações reais) e discussão de adaptações Metodologia: o professor explica que o objetivo não é julgar a postura de quem está no vídeo, mas identificar barreiras e potencialidades do aluno. Fazendo por exemplo as questões: O que está impedindo a participação efetiva do aluno nessa cena? Como essa situação impacta o aprendizado e o emocional do aluno? Como flexibilizar o conteúdo, o tempo, os materiais ou a forma de avaliação desse caso? Oficina 2 — Estratégias pedagógicas para escrita e organização (3 horas): semana 2ª Conteúdo: uso de tecnologia assistiva (ditado, teclado), adaptações de tarefas, rubricas simplificadas. Atividade prática: criação de planos de aula adaptados; treino de uso de teclado e softwares simples Metodologia: Antes de planear, o professor deve experimentar o papel do aluno através de três desafios empáticos: Primeiro, redige um parágrafo usando apenas a digitação por voz (Win + H); segundo, navega por um site ou ficheiro sem usar o rato, recorrendo apenas às teclas (Tab, Setas e Enter). Esta vivência gera empatia imediata com alunos que possuem limitações motoras severas. Terceiro, adapta a avaliação (como o caso de José Mandele), substituindo o critério "Ortografia e Caligrafia" por "Clareza na argumentação" e "Vocabulário técnico". Por fim, recorda-se que a tecnologia assistiva remove barreiras de acesso sem realizar a tarefa pelo aluno. Oficina 3 — Gestão da ansiedade e promoção da participação socioemocional (3 horas): semana 3ª Conteúdo: técnicas de regulação emocional, rotinas de avaliação adaptadas, reforço positivo. Atividade prática: roleplay de situações de avaliação; elaboração de um contrato de avaliação adaptada. Metodologia: os participantes serão divididos em trios, cada (7) sete minutos, os papeis se alternam: um será o Aluno com crise/ansiedade, outro será o Professor aplicador e o terceiro será o Observador analítico. Exemplo fictício: “Cenário A – o aluno recebe a prova, olha o tamanho do texto, começa a respirar de forma ofegante, chora e diz que «não sabe nada», guardando a lápis”. “Cenário B – o aluno tem TDAH e, apos 15 minutos de prova começa a bater-se na cadeira, a riscar a mesa e a distorcer o foco de toda a sala.” O professor aplica imediatamente uma técnica de regulação emocional (ex.: validação do sentimento, dar uma pausa para beber água ou a técnica de respiração guiada 4-4-4) e usar o reforço positivo focado no esforço (“Você estudou para isso, vamos fazer apenas a primeira questão juntos primeiro?”). O contrato de avaliação é assinado entre o professor e aluno (e as vezes a família) contendo o detalhe como o dia da prova vai acontecer para remover o fator surpresa. Sessões práticas na sala (3 encontros de 1 hora cada): semana 4ª a 6ª Atividade prática: Observação com feedback imediato; implementação de adaptações; monitorização do progresso. Metodologia: O professor apresente um modelo de Folha de Registro de Frequência de Comportamento (um Checklist) simples onde o professor marca um traço toda vez que o aluno consegue realizar uma tarefa com autonomia ou precisa de ajuda. Feedback imediato – ex.: O professor percebeu a frustração ou barreira do aluno rapidamente ou demorou a agir? Sessão para família — Rotinas e apoio em casa (2 horas): semana 7ª a 10ª Conteúdo: estratégias para organizar tarefas, reforço positivo, uso de recursos comunitários. Atividade: elaboração conjunta de um plano de estudo semanal adaptado. Metodologia: Organização de tarefas – os docentes treinam o chunking (fatiando) grandes metas em micro-tarefas de até 20 minutos. Um exemplo prático é o estudo de História: primeiro, leem-se títulos e imagens (5 minutos); segundo, leem-se duas páginas grifando palavras-chave (15 minutos); terceiro, descansa-se por 5 minutos. Com base nisso, professores e paismontam um plano semanal adaptado de segunda a sexta. Esse cronograma integra o tempo escolar, as micro-tarefas domésticas e recursos comunitários. O plano inclui janelas de descanso claras e gatilhos de reforço positivo, como o aluno escolher o filme da família na sexta-feira se cumprir as metas anteriores. Envolvimento da comunidade /trabalho com colegas tutores: semana 11ª a 12ª Conteúdo: Formação breve para colegas sobre como apoiar sem estigmatizar; criação de pares de estudo. Atividade prática: Oficina de Design de Mentoria entre Pares (Peer Instruction), estruturada como um laboratório de criação de dinâmicas de empatia. Metodologia: Na primeira fase (20 minutos), os docentes realizam o Mapeamento Qualitativo de Pares, cruzando três critérios para identificar os tutores ideais: maturidade socioemocional, escuta ativa e paciência. Na segunda fase (30 minutos), criam o Roteiro de Formação Breve para os tutores, baseando-se em três regras de ouro não estigmatizantes: Postura – o tutor não faz a tarefa nem dá respostas; lê a pergunta, questiona a compreensão e oferece pistas. Linguagem – Elimina frases de inferioridade, substituindo-as por empatia e caminhos alternativos. Espaço – a tutoria ocorre em atividades grupais regulares ou mesas redondas, evitando o isolamento social da dupla Conclusão Todavia, o estudo de caso de José Mandele evidencia que a inclusão escolar efetiva exige transpor a barreira da integração física em direção a uma resposta educativa sistémica e integrada. O diagnóstico revelou que as competências cognitivas e linguísticas do aluno estão preservadas, mas o seu progresso é condicionado por limitações motoras e pela ansiedade avaliativa. Frente a isto, o plano de capacitação de doze semanas surge como uma resposta estratégica indispensável, ao articular a formação técnico-pedagógica dos docentes, a estruturação de rotinas funcionais no ambiente familiar e a implementação da mentoria por pares na comunidade escolar. Conclui-se que o sucesso da educação inclusiva não depende de ações isoladas, mas sim do fortalecimento de uma rede colaborativa que transforme práticas, adapte recursos e promova a equidade e autonomia do estudante. 4 Referências Bibliográficas Aguiar, L. X.; Almeida, M. W. S.; Almeida, M. S.; Peixoto, V. V. & Oliveira, R. L. (2025). A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: NECESSIDADES E ESTRATÉGIAS. Revista ft. Educação, v(29). https://revistaft.com.br/a-formacao-de-professores-para-a-educacao-inclusiva-necessidades-e-estrategias/?utm_source=copilot.com Decreto Presidencial Nº 187/17 de 16 de agosto. Política Nacional de Educação Especial orientada para a Inclusão Escolar. Diário da República, Órgão Oficial da República de Angola. I. Serie nº 140. https://files.lex.ao/presidente-da-republica/2017/decreto-presidencial-n-o-187-17-de-16-de-agosto/download/decreto-presidencial-n-o-187-17-de-16-de-agosto_presidente-da-republica_lex-ao.pdf Stoffel, H. T. R.; Bastos, A. B.; Silva, A. L.; Ramos, A. O.; Oliveira, A. Z.; Valgas, B. P. S.; Nunes, E. C.; Botega, E. L. D.; Correia, G. S.; Oliveira, J. C.; Sacani, K.; Albino, M. A.; Silva, N. E.; Fernandes, S. C. C.; Hashitani, V. C. B. (2024). Formação docente e práticas inclusivas: Impactos e Necessidades das adaptações curriculares para a construção de um ambiente escolar acessível. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. São Paulo, v.10, n.11. file:///C:/Users/CELMIRA%20INTJA/Documents/FUNIBER/MATERI~1/FP103-~1/_206_-~1.PDF ANEXOS ANEXO I: Checklist de Observação em sala de aula Nome do Aluno: José Mandele Data da Observação: _____ /____/202__ Turma/Ano: _________ Professor/Observador: _____________________________________ 1. Interação Social e Autonomia Pedagógica Critério: O aluno participa em atividades de grupo de forma autônoma? [ ] Sim, totalmente autônomo. [ ] Parcialmente (necessita de mediação pontual do professor ou de colegas). [ ] Não (apresenta isolamento ou necessita de apoio integral). Notas e Observações de Campo: ___________________________________________ 2. Mobilidade e Acessibilidade Física Critério: O aluno utiliza algum auxílio de mobilidade para locomoção e posicionamento dentro da sala de aula? [ ] Não utiliza. [ ] Sim. Se sim, identifique o tipo de recurso utilizado: [ ] Cadeira de rodas [ ] Moletas / Andador [ ] Apoio físico de terceiros [ ] Outro / Adaptação na própria cadeira escolar: ___________________________ 3. Desempenho e Gestão de Tempo em Tarefas Escritas Critério: Tempo médio que o aluno leva para concluir uma atividade escrita padrão (em comparação com o tempo estimado para o restante da turma). Tempo cronometrado do aluno: _______ minutos. Tempo estimado para a turma: _______ minutos. Aparência do comportamento durante a execução: [ ] Demonstra ritmo constante, sem fadiga aparente. [ ] Apresenta pausas frequentes por cansaço físico ou perda de foco. [ ] Não conseguiu concluir a tarefa no tempo delimitado. 4. Recursos e Tecnologias Assistivas Ativadas Critério: Quais estratégias ou ferramentas de acessibilidade foram mobilizadas pelo aluno durante a realização das atividades propostas? (Marque todas as que se aplicam no dia) [ ] Ditado por voz / Software de áudio-texto: (Alívio para escrita manual). [ ] Teclado digital / Computador: (Uso de digitação no lugar da caligrafia). [ ] Escrita manual com adaptador: (Uso de engrossadores de lápis, pranchas de escrita, etc.). [ ] Nenhum recurso: (Realizou a escrita de forma convencional manuscrita). Análise do impacto do recurso: O uso da ferramenta selecionada reduziu o tempo de execução ou diminuiu a frustração do aluno? Explique de forma breve:_____________________________________________________________________________________________________________________________________ ANEXO II— Ficha de história de desenvolvimento (estruturado para pais) I. Dados Identificativos do Aluno Nome Completo: José Mandele Data de Nascimento:__/___/20___ Encarregado de Educação / Responsável: ________________________ Contacto de Emergência: __________; Ano/Turma: ________/_________ II. História Pré-Natal e Perinatal Intercorrências na Gravidez: [ ] Não [ ] Sim: (Especificar se houve hipertensão, infeções, estresse severo ou uso de medicações restritas)___________________. Idade Gestacional do Parto: [ ] Termo (37 a 42 semanas) [ ] Pré-termo (Prematuro) [ ] Pós-termoCondições do Parto: [ ] Sem intercorrências [ ] Com intercorrências: (Especificar se houve falta de oxigénio, uso de fórceps, icterícia neonatal, etc.)________________________________________________ III. Marcos do Desenvolvimento Motor e da Linguagem (Marque o status e insira a idade aproximada em que o marco foi atingido, se disponível) Sustentou a cabeça: [ ] No tempo esperado [ ] Atraso (Idade: ____ ) Sentou-se sozinho: [ ] No tempo esperado [ ] Atraso (Idade: ____ ) Gatinhou / Engatinhou: [ ] No tempo esperado [ ] Atraso (Idade: ____ ) Andou sozinho: [ ] No tempo esperado [ ] Atraso (Idade: ____ ) Primeiras palavras com sentido: [ ] No tempo esperado [ ] Atraso (Idade: ____ ) IV. Condições Médicas, Alergias e Cuidados de Saúde, Atenção Pedagógica (Esta seção contém informações críticas para a segurança e integridade física do aluno José Mandele durante o período de permanência na escola.) Alergias: [ ] Não possui [ ] Sim: (Especificar detalhadamente a que o aluno é alérgico: alimentar, medicamentosa, poeira, picada de insetos, etc.)___________ Sintomas em caso de crise: _________________________________________ Uso de Medicação Contínua: [ ] Não [ ] Sim Nome do Medicamento: ______________________________________________ Horário / Dosagem na Escola: __________________________________________ Restrições Físicas ou Alimentares: ______________________________________ V. Histórico de Intervenções Terapêuticas (Marque os serviços que o aluno já frequenta ou frequentou no passado) Especialidade Clínica Status AtualFrequência /Local de Atendimento Psicopedagogia / Psicologia [ ] Ativo [ ] Passado [ ] Nunca Terapia da Fala [ ] Ativo [ ] Passado [ ] Nunca Fisioterapia / Psicomotricidade [ ] Ativo [ ] Passado [ ] Nunca Acompanhamento Médico (Neurologia/Pediatria) [ ] Ativo [ ] Passado [ ] Nunca VI. Observações Adicionais do Docente (Espaço reservado para o professor anotar observações iniciais coletadas na entrevista com os responsáveis ou impressões das primeiras semanas de aula) Data de preenchimento:_____/______/20____ Assinatura dos pais __________________________________________ Assinatura do Docente ______________________________________________________ FUNINBER: FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA DISCIPLINA: FP103-FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL: PROCESSOS DE ATENÇÃO À DIVERSIDADE. TÍTULO: Proposta de Estudo de Caso e uma Projeção do processo de Treinamento para a intervenção educativa de alunos com necessidades especiais que frequenta a educação geral, no Colégio Comandante Cow-Boy, em Ondjiva, Angola. Estudantes: Adilson Luciano Intja - AOFPMME6054135 – adilsonintja1@outlook.com Lúcia Helena Ferreira Lima - BRFPMME2963818 – irmacelena01@gmail.com Preciosa Arlete de Freitas – AOFPMME6261234 – preciosadefreita@gmail.com Veríssimo Gabriel Ipupo - AOFPMME5631274 – verissimoipupo@gmail.com Código: FP103 Grupo: fp_mme_2025-06_pt Curso: Mestrado em Educação Equipe: Nº 11 Data: 24-05-2026 Professor: Profª Drª Elsie Alejandrina Pérez Serrano