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3 MARLUCIA ANDRADE MOURÃO INTRODUÇÃO Segundo dados do IBGE (2018) imigração japonesa é um dos fatos que mais contribuíram para o desenvolvimento do Brasil no século XX, abrigamos a maior população de origem Japonesas fora do Japão, com cerca de16.250 milhões de pessoas. Para Dezem (2005), os antecedentes para que esse fato ocorresse foi que em 1868 é realizada no Japão a Restauração Meiji, que colocou fim ao Xogunato Tokugawa, que era uma ditadura feudal, que havia durado mais de 200 anos. O período Meiji iniciou no Japão uma época de crescimento industrial e de expansão territorial. Era chamado de Império Japonês, ou Império do Sol Nascente, que durou de 1868 a 1945, mas a população mais carente estava passando por grande miséria, com a forte concentração de renda nas mãos de pessoas ricas, que mantinham o controle das terras férteis. Para Hall (1989) o final do período Imperial Brasileiro (1822-1889), foi de muita transformação, e com a aprovação da Lei Eusébio de Queirós ou lei nº 581, de 4 de setembro de 1850, que foi promulgada no Segundo Reinado, a proibição da entrada de africanos escravos no Brasil, criminalizando quem a infringisse, conforme o seu artigo 3º. De acordo com Porto (1996) um dos principais motivos de sua promulgação foi a pressão da Inglaterra, materializada pela aplicação unilateral, por aquele país, do chamado Bill Aberdeen, ato do Parlamento Britânico, promulgado em 9 de agosto de 1845, que autorizava os britânicos a prender qualquer navio suspeito de transportar escravos no oceano Atlântico. A continuidade da escravatura no Brasil foi ficando insustentável com o passar do tempo, colocando o país entre as nações vistas como "não civilizadas". A pressão inglesa foi tanta, que dois meses antes da aprovação dessa lei, a esquadra britânica atacou à costa brasileira belicamente. O Partido Conservador, a partir de aproximadamente 1831, passou a defender no Poder Legislativo, o fim do tráfico negreiro. À frente dessa defesa esteve Eusébio de Queirós, Ministro da Justiça, que já havia exercido o cargo de chefe de polícia da Corte. Ele insistiu na razão do país tomar por si só a decisão de colocar fim ao tráfico, preservando a imagem de nação soberana. Medidas mais árduas contra o comércio de pessoas pelo Atlântico foram escritas. A partir desta medida os gastos excedentes passaram a ser utilizadas em infraestrutura. Assim foram construídas as primeiras linhas telegráficas e de navegação, as primeiras estradas de ferro. A iluminação a gás chegou às cidades, e o número de colégios passou a se expandir. O decreto nº 731 de 1854 (conhecido como 'Lei Nabuco de Araújo') mais tarde intensificaria a repressão ao tráfico, ao atribuir à Marinha a função de processar e julgar aqueles que violassem a Lei Eusébio de Queiroz. Cerca de 20 anos depois, filhos de escravizadas nascidos a partir de 28 de fevereiro de 1871 estariam livres pela Lei do Ventre Livre. Em 1885, já quase sem mais conseguir sustentar as pressões externas e internas pela abolição, o governo brasileiro aprovou a 'Lei dos Sexagenários. De acordo com Handa (1987) incidentalmente, outros japoneses estiveram de passagem pelo país, mas a primeira visita oficial para se buscar um acordo diplomático e comercial ocorreu em 1880. No dia 16 de novembro daquele ano, o vice-almirante Artur Silveira da Mota, mais tarde Barão de Jaceguai, iniciou, em Tóquio, as conversações para o estabelecimento de um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países. Durante a República da Espada (1889-1894), imigrantes africanos e asiáticos foram proibidos de entrarem no Brasil, pois passava por um processo político conturbado, além da influência imperialista, com o Darwinismo Social e a ideia de “branqueamento de raças”. Porém passado esse tempo e com o crescimento da lavoura cafeeira e a expansão agrícola e industrial na cidade de São Paulo, o governo do Presidente do Estado Jorge Tibiriçá Piratininga, firmou um acordo de imigração com Ryu Mizuno, presidente da Kokoku Kaisha (Companhia Imperial de Imigração). Handa (1987) diz ainda que os esforços nesse sentido prosseguiram em 1882, com o ministro plenipotenciário Eduardo Calado, mas o acordo só seria concretizado 13 anos mais tarde. No dia 5 de novembro de 1895, em Paris, Brasil e Japão assinaram o Tratado da Amizade, Comércio e Navegação. No ano de 1908, para Rodrigues (1949), assim saindo de Kobe, na Baía de Osaka, parte para o Brasil o navio Kasato-Maru, contendo 781 imigrantes que desembarcaram no porto de Santos. Estava então iniciada oficialmente a imigração japonesa no Brasil. Grande parte dos imigrantes japoneses durante as décadas que seguiram passaram a residir em São Paulo, na capital e no interior, e nos estados do Paraná, Minas Gerais e Pará, trabalhando com a agricultura e com a indústria. De acordo com Mendonça (2006) entre 1908 e 1923 entraram no Brasil 32 mil japoneses, muitos dos quais incentivados pelo contrato firmado entre o governo paulista e a Companhia Imperial de Imigração, sediada em Tóquio. Iniciativa isolada que, apesar de não ter longevidade, prestou-se para tornar “visível” o perigo amarelo e para quantificar a pequena cota reservada aos asiáticos a partir de 1934. Em 18 de junho de 1908 aportou em Santos um grupo de 781 imigrantes japoneses contratados para trabalhar na lavoura cafeeira, além de 12 avulsos. Para Carneiro (2010) a Era Vargas (1930-1945) e a busca pela construção de identidade nacional brasileira, foi promulgada a Constituição de 1934, que estabeleceu fortes restrições à migração de forma geral. A nova Lei limitava uma cota de 2% para imigrantes de cada nacionalidade, utilizando como parâmetro o número de imigrantes dos últimos 50 anos. durantes esse período, o Brasil havia recebido 142.457 japoneses, o permitido por ano de passou para 2.849 imigrantes advindos do Japão. O BAIRRO DA LIBERDADE E A IMIGRAÇÃO JAPONESA Segundo Carneiro (2010) o bairro da Liberdade cresceu sobre o eixo vertical do Pelourinho do Campo da Força e Casa da Pólvora, que chegaram a se construir em marcos demarcatórios da região. A região antiga era constituída pelas terras do Cacique Caiubi, dentre outras dos bravos colonizadores do antigo distrito Sul da Sé. A primeira ocupação do local, portanto, foi de aldeamentos indígenas, seguidos, pela aldeia de colonização do Colégio Jesuíta, constituída por portugueses e mestiços. Segundo Dezem (2005) no início do século 17 foram implantados o pelourinho, junto ao Paço de São Gonçalo (atual Praça João Mendes) ficava a forca da cidade, no local em que hoje está a Praça da Liberdade. Junto à forca, em 1775, foi construída a Capela dos Aflitos, onde eram enterrados os indigentes, os escravizados que não pertenciam à Irmandade do Rosário e os criminosos. “Esses instrumentos de tortura e morte foram implantados nesses lugares para não ‘incomodarem’, pois esse pedaço da cidade era percebido como os ‘fundos’”, segundo a professora Ana Barone “A ‘frente’ da cidade se voltava para os rios Tietê e Tamanduateí, chegada dos caminhos que vinham do Rio de Janeiro.” (BARRONE, 2003. p. 05) A mudança de nome do bairro veio em 1821, após o enforcamento do soldado negro Chaguinhas, que liderou uma revolta contra os atrasos de salários da categoria dos soldados de polícia, a condenação do soldado, provocou o clamor popular por liberdade, após tentarem enforca-lo por 3 vezes e acabram por tirar-lhe a vida a golpes de machado. Segundo Takeuchi (2016) parte nova da cidade construída pelas Freguesias de Santa Efigênia, Santa Cecilia, Consolação (Ibirapuera), separava-se da parte velha ou central, pela Ponte do Cisqueiro. A ladeira do Carmo e o Largo de São Bento, em 1840, começavam o arrabalde para o lado norte, enquanto que, para a direção Sul, a Casa da Pólvora indicava igual panorama, sendo que, até 1861, o Largo da Liberdade possuía uma torneira pública que fornecia água para todo o bairro da Pólvora. Aliás, essa região da cidade possuía vários tanques e torneiras de uso popular conforme registrosnas Atas da Câmara Municipal, sempre carentes de algum reparo. Em 1834, o "chafariz da Liberdade" teve arrancados seus canos ou bicas. Segundo Croci (2010) esse “esfumaçamento” da memória do bairro está ligado a um processo maior invisibilização das memórias da escravidão. Logo após a Proclamação da República, em 1889, houve, em 1890, a polêmica queima dos arquivos sobre o período escravocrata, promovida por Rui Barbosa. Foram também apagados os aparatos de tortura do sistema colonial, como o pelourinho, a forca e o cemitério, antes localizados em praça pública. Barone (2017) identifica, no acréscimo da palavra Japão ao nome da praça e da estação do bairro da Liberdade, três tendências presentes na vida pública da cidade. A primeira, mais recente, é “a criação de notícias e fatos jornalísticos com apelo midiático, mas que em nada contribuem para a vida pública da cidade”, nesse caso, assim como em outros exemplos atuais, busca-se associar lugares da cidade à suposta concentração de imigrantes de determinada origem, para dar ares pretensamente cosmopolitas à cidade, disse a professora. A segunda tendência é o apagamento da memória negra da cidade, sobretudo a partir da Proclamação da República, ocorrida um ano após a abolição da escravidão, E a terceira é a varredura do passado colonial do país, assim como das estruturas e equipamentos que faziam parte do modo de vida colonial. Essa tendência se fundamenta no propósito de construção do Brasil como uma nação moderna, sobretudo a partir da década de 1930. “Todas as três materializam uma atitude política que nega uma parte da história do país e favorece outra”. POPULAÇÃO ORIENTAL NO BAIRRO DA LIBERDADE de 1939 até 2020 De acordo com Bocci (2008) os imigrantes japoneses constituíram no bairro da Liberdade primeiro núcleo colonial nipônico do município de São Paulo. As dificuldades de adaptação e consequentemente de fixação dos imigrantes japoneses na lavoura cafeeira paulista foram mais intensas nos primeiros anos de imigração, pois a maioria destes não eram agricultores. A estrutura familiar, em muitos casos, foi submetida às exigências contratuais, assim a presença de agregados nas famílias era algo comum e acarretavam problemas, pois em muitos casos, os agregados abandonavam suas famílias originais em função de suas dívidas; desilusão com a ideia do rápido enriquecimento tendo em vista, as reais condições de trabalho; e além disso, dificuldades culturais como por exemplo, língua e culinária, assim os imigrantes que voltavam das fazendas em direção a Capital ou aqueles que permaneciam na cidade de São Paulo quando desembarcavam na Hospedaria dos Imigrantes passaram, em sua maior parte, a residir no bairro da Liberdade. Para Guimarães (1968) a concentração de japoneses no bairro da Liberdade, entre os anos de 1908-1942, pode ser justificada devido ao custo das moradias, relativamente de baixo custo, quando comparado ao das moradias de outras localidades da capital paulista. Além disso, havia a possibilidade de sublocação das casas para terceiros, o que barateava os gastos e ainda, a localização do bairro também favorecia o acesso rápido a toda região central, representando possibilidades de emprego e, além disso, meios de transporte para locomoção às regiões mais afastadas do centro. Segundo os autores Bocci (2008) Takeuchi (2008) e Araújo (1940), a ocupação nipônica concentrou-se nas porções, central e norte do bairro, principalmente nas ruas: Conde de Sarzedas, Galvão Bueno, Tabatinguera, Conde de Pinhal, Tomás de Lima (2 quarteirões), Conselheiro Furtado (2 quarteirões), Irmã Simpliciana, Estudantes, Glória, Carolina Augusta, Oliveira Monteiro, João Carvalho e São Paulo. Dentre as ruas citadas acima, a Conde de Sarzedas destaca-se devido ao tipo de moradia, que possuíam porões independentes do resto da casa, assim: [...] foram nesses porões que surgiram as primeiras barbearias e as primeiras casas de comida japonesa, pois as grandes pensões só com o tempo é que foram surgindo, ou mais precisamente, por volta de 1914 que começaram a aparecer ali as primeiras pensões e armazéns japoneses. (apud NOGUEIRA, 1973, p. 134). Para Takeuchi (2008) a Segunda Guerra Mundial teve um fator crucial que influenciou em diversas mudanças na vida dos imigrantes japoneses. O rompimento das relações entre Brasil e Japão na era Vargas (1930-1945) acarretou em inúmeras restrições para a colônia japonesa e foi aplicada com grande severidade, localizados no bairro da Liberdade: a evacuação, encerrou a ocupação nipônica contínua de aproximadamente 32 anos, iniciada em 1910 e interrompida em 1942. Para Handa (1987) a Imigração Japonesa no Brasil reúne a comunidade nipo-brasileira, com enredar das duas culturas. O bairro da Liberdade com decorrer dos anos tornou-se o maior refúgio da colônia nipônica fora do Japão. Com o final da segunda Guerra Mundial em maio/1945, a situação das restrições para toda a colônia japonesa e evacuações ocorridas no bairro foram normalizada. Os nipônicos, no que se refere àqueles que deixaram a Liberdade, em parte, regressaram, onde reabriram seus comércios ou simplesmente voltaram a residir. Segundo Bocci (2008) devido às más condições econômicas do Japão no pós-guerra e a certa estabilidade financeira e social conseguidas no Brasil, os japoneses decidiram ficar no Brasil e melhorar os investimentos na educação dos seus descendentes e em negócios próprios, tivemos dois grandes momentos de saída de japoneses do bairro, o primeiro refere-se à evacuação, mesmo tendo sido imposta. Já o segundo, se deu após a década de 1950 devido, em geral, à ascensão social e econômica. Este segundo momento de saída dos japoneses do bairro da Liberdade foi a chegada, gradual, de chineses e coreanos, e principalmente após a década de 1970, igualmente ao caminho desenhado pelos imigrantes, algumas décadas antes, parte dos japoneses reside e fundamentalmente exerce alguma profissão no bairro como, por exemplo, cozinheiro, copeiro, faxineiro, vendedor, e muitos, atualmente, são proprietários de lojas e restaurantes típicos Para Takeuchi (2008) o bairro da Liberdade virou um dos principais pontos turísticos de visita da cidade. O turista mais atento pode perceber que imigrantes de outros países do oriente também são encontrados com frequência na região. Mas o bairro ainda concentra manifestações culturais nipônicas, muitos falam o idioma materno e várias fachadas são escritas com ideogramas japoneses. a arquitetura peculiar buscou a caracterização oriental do bairro por iniciativa de Tsuyoshi Mizumoto primeiro presidente da Associação dos Lojistas da Liberdade, com a instalação de lanternas Suzurantõ, tradicionais lanternas japonesas que enfeitam a maior parte das ruas da região e os grandes pórticos (tóri) situados na Rua Galvão Bueno, Essa tradição está preservada e perpetuada até hoje pelo atual presidente da Associação Cultural e Assistencial da Liberdade Hirofumi Ikesaki. O Templo Busshinji representante da comunidade zen-budista de tradição Soto Shu, que fica na Rua São Joaquim próximo à Praça Liberdade. A Feira Oriental passou a ser organizada nas tardes de domingo, com barracas de comida típica e de artesanato, na praça da Liberdade e, no dia 18 de junho de 1978, por ocasião da comemoração dos 70 anos da imigração japonesa no Brasil, iniciou-se a prática do Radio Taissô, onde dezenas de pessoas fazem um sessão diária de ginástica. De acordo com Bocci (2008) a chegada de imigrantes japoneses para o Brasil foi motivada por interesses dos dois países, autorizada pelo Decreto Lei 97, de 5 de outubro de 1892 e em 1895, os dois países assinaram os Tratado da Amizade, Comércio e Navegação em Paris. Por decisão dos governos do Japão e do Estado de São Paulo levaram adiante esse processo em 1906. Assim, no dia 28 de abril de 1908, o navio Kasato Maru deixa o Japão com os primeiros imigrantes, rumo ao Brasil, e os 793 japoneses recém-chegados foram distribuídos em seis fazendas paulistas. O Bairro da Liberdade passou a abrigar os imigrantes japoneses,já no início do século passado, quando em 1909 Eitaro Ikeda, um dos tripulantes do navio Kasato Maru e posteriormente vários outros passaram a residir na rua Conde de Sarzedas, ladeira íngreme, onde na parte baixa havia um riacho e uma área de mangue, onde nasceu em 1910 um dos primeiros nisseis registrados com prenome em português Raul Hiroshi Ikeda, prática posteriormente adotada por várias gerações. Para aqueles imigrantes, aquele cantinho da cidade de São Paulo, no Bairro da Liberdade, significava esperança por dias melhores. Por ser um bairro central, de lá poderiam se locomover facilmente para os locais de trabalho. Para Bosi (1992) em 1914 foi fundado o Hotel Ueji, pioneiro dos hotéis japoneses em São Paulo, em 1915 foi fundada a Taisho Shogakko (Escola Primária Taisho), que ajudou na educação dos filhos de japoneses, então em número aproximado de 300 pessoas e no o dia 14 de julho de 1915, foi criado o Consulado Geral do Império do Japão em São Paulo, no n°. 297 da Rua Augusta. Por volta de 1916, na parte baixa da rua, resolveram formar um clube para iniciar a prática do yakyu. Em 1918, inauguraram-se a Casa Mikado e a Casa Tokyo, que vendiam móveis de fabricação própria. Eram os primeiros estabelecimentos comerciais de imigrantes japoneses, abertos para o público em geral. Câmara Municipal de São Paulo Justificativa - PL 0357/2017 Secretaria de Documentação Página 2 de 3 Disponibilizado pela Equipe de Documentação do Legislativo. Já nessa época começaram a surgir as atividades comerciais: uma hospedaria, um empório, uma casa que fabricava tofu (queijo de soja), outra que fabricava manju (doce japonês) e também firmas agenciadoras de empregos, formando assim a "rua dos japoneses". As profissões e as atividades dos japoneses imigrantes passaram a variar cada vez mais. Trabalhavam no ramo de comércio exterior, lojas de produtos alimentícios, móveis, na área da construção civil, motoristas, médicos, educadores, farmacêuticos, fotógrafos, montaram barbearias e tinturarias. De acordo com Carneiro(2010) em dezembro de 1927 o surgimento do que veio a se tornar a maior cooperativa agrícola da América Latina, a Cooperativa Agrícola de Cotia alavancou a economia e a produção agrícola no país, muito contribuiu com pesquisas e desenvolvimento de modelo de negócio para alavancar o agronegócio e a exportação de "commodities" principais produtos de exportação, fonte de divisas e riquezas ao país, dita a maior cooperativa agrícola que já existiu em São Paulo. Em 1932 eram cerca de 2 mil os japoneses em São Paulo. Eles vinham diretamente do Japão e também do interior, após encerrarem o contrato de trabalho na lavoura. Todos vinham em busca de uma oportunidade na cidade. Cerca de 600 japoneses moravam na rua Conde de Sarzedas, outros moravam nas ruas Irmã Simpliciana, Tabatinguera, Conde do Pinhal, Conselheiro Furtado, Tomás de Lima hoje Mituto Mizumoto e dos Estudantes. Na década de 30, o Brasil já abrigava a maior população japonesa fora do Japão. Em 12 de outubro de 1946 foi fundado o jornal São Paulo Shimbun, o primeiro no pós-guerra entre os nikkeis. Em 1º de janeiro de 1947 foi a vez do Jornal Paulista. No mesmo ano foi inaugurada a Livraria Sol (Taiyodo), ainda hoje presente no bairro da Liberdade, A agência de viagens Tunibra, inicia as atividades no mesmo ano. Uma orquestra formada pelo professor Masahiko Maruyama faz o primeiro concerto do pós-guerra em março de 1947, no auditório do Centro do Professorado Paulista, na Avenida Liberdade. Em 23 de julho de 1953, para Yoshikazu Tanaka inaugurou na rua Galvão Bueno um prédio de 5 andares, com salão, restaurante, hotel e uma grande sala de projeção no andar térreo, para 1.500 espectadores, batizado de Cine Niterói. Eram exibidos semanalmente filmes diferentes produzidos no Japão, para o entretenimento dos japoneses de São Paulo. A rua Galvão Bueno passa a ser o Centro do Bairro Japonês, crescendo ao redor do Cine Niterói, tendo recebido parte dos comerciantes expulsos da rua Conde de Sarzedas. Era ali que os japoneses podiam encontrar um cantinho do Japão e matar saudades da terra natal. Na sua época áurea, funcionavam na região os cines Niterói, Nippon (na rua Santa Luzia - atual sede da Associação Aichi Kenjin kai), Jóia, na praça Carlos Gomes e Tokyo na rua São Joaquim, no Bairro da Liberdade. Em 1948, Yukishige Tamura é eleito vereador em São Paulo, tornando-se o primeiro nikkey a ocupar um cargo eletivo em uma capital. Nas eleições majoritárias de 1962, já se pôde observar a plena integração social e política dos brasileiros descendentes de japoneses, quando seis nisseis são escolhidos por meio das urnas: três para a Câmara Federal (Miyamoto, do Paraná; Hirata e Tamura de São Paulo) e três para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Yoshifumi Uchiyama, Antônio Morimoto e Diogo Nomura. Para Carneiro (2010) os anos 60 foram marcados, em muitos aspectos, pela integração dos nikkeis à sociedade brasileira. Além da participação ativa na vida política por meio de seus representantes nas casas legislativas, eles começaram a despontar nas áreas culturais, notadamente na grande imprensa " onde o pioneiro foi Hideo Onaga, na Folha de S. Paulo ", e nas artes plásticas, com destaque para Manabu Mabe. Neste mesmo período, durante o governo Costa e Silva, também é nomeado o primeiro ministro descendente de japoneses, o empresário Fábio Yassuda, que assumiu o cargo de Ministro da Indústria e Comércio e posteriormente dois outros seriam chamados a assumir cargos equivalentes: Shigeaki Ueki, como ministro de Minas e Energia do governo Geisel, e Seigo Tsuzuki, como ministro da Saúde do governo Sarney. Ainda na década de 60, mais propriamente em abril de 1964 foi inaugurado o prédio da Associação Cultural Japonesa de São Paulo (Bunkyô) na esquina das ruas São Joaquim e Galvão Bueno, posteriormente Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo), em cujo prédio foi inaugurado em 1978 o Museu da Imigração Japonesa no Brasil. A vida cotidiana nas ruas da Liberdade, em São Paulo, um bairro de classe média com arquitetura e decoração que remetem às de qualquer cidade japonesa, com suas ruas repletas de letreiros comerciais em português e japonês, e iluminado com lanternas vermelhas, e Tooris vermelhos, é um bairro alegre e cheio de visitantes em busca de gastronomia japonesa, culinária muito rica e saudável, uma das diversas marcas que a cultura japonesa deixou no Brasil e especialmente em São Paulo, cujo Bairro da Liberdade é reconhecido como Bairro Oriental requereu a aprovação dos nobres para a denominação de Praça da Liberdade Japão, centro turístico gastronômico, comercial e reconhecidamente um pedacinho do Japão no Brasil. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ATAS DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO - 1890 - pg. 22. AZEVEDO, Celia Marinho. Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites, século XIX. São Paulo, Paz e Terra, 1987. BARONE, LUÍS A. M. 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