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O Cuidado Multiprofissional e Compartilhado DISCIPLINA 05 Caderno de Bordo Neste caderno de bordo, propomos reflexões e atividades práticas relacionadas a cinco temáticas que estão sendo estudadas na Disciplina 5. Para realizar as atividades, você pode utilizar um caderno à parte (ou folhas de papel avulsas), que lhe permitirá mais liberdade e criatividade no desenvolvimento de suas ideias. Vamos começar! 01 Atividade da Temática 01 A Rede de Atenção à Saúde como percurso vivo SU M Á R IO 02 03 Atividade da Temática 05 A potência da equipe multiprofissional no cuidado colaborativo 04 09 17 Atividade da Temática 04 A APS como coordenadora do cuidado 04 Atividade da Temática 06 Ferramentas vivas do cuidado SU M Á R IO 05 Atividade da Temática 09 Integração entre APS, VS, AAE e Atenção Hospitalar 24 31 01 Atividade da Temática 01 A Rede de Atenção à Saúde como percurso vivo Você conhece os fluxos da Rede de Atenção à Saúde em que está inserido? Se sim, descreva esses fluxos de maneira resumida: Nesta atividade, você irá refletir sobre o seu dia a dia profissional, para começar a compreender a realidade atual do seu território. Leia e responda, apenas, as questões referentes a esta temática. 1 Atividade: Reflexões sobre seu território 05 Você já mapeou o caminho que uma pessoa percorre, em seu território, quando busca cuidado? Se sim, descreva esse caminho de maneira resumida: 2 06 Descreva quais rupturas você tem testemunhado em seu cotidiano: Explique como você acredita que essas rupturas impactam os desfechos clínicos: 3 4 07 08 O que você acredita que pode ser feito para melhorar a integração entre APS e AAE em seu território?5 Agora, retorne ao e-book e siga com seus estudos. Ao final da temática 4, você terá uma nova proposta de atividade neste Caderno de bordo. 02 Atividade da Temática 04 A APS como coordenadora do cuidado Nesta atividade, você vai exercitar o olhar territorial e o raciocínio clínico-populacional, que sustentam a Coordenação do Cuidado na APS, a partir da análise do caso de Maria. Leia o caso, e, na sequência, responda às questões: Maria tem 57 anos, vive com o marido e dois netos, e trabalha como costureira informal. ● Possui hipertensão e diabetes, há mais de 10 anos, com controle irregular. Mora em uma área com acesso limitado a transporte público e condições precárias de saneamento. ● Nos últimos quatro meses ela procurou, duas vezes, a UPA com queixa de cefaleia intensa e tonturas. ● Além disso, é importante saber que Maria faltou a duas consultas agendadas na UBS, por dificuldade de transporte, e retirou medicamentos de forma irregular. ● Foi encaminhada para cardiologia, mas, após a consulta, não recebeu orientações sobre retorno para a APS. ● Durante os atendimentos, ela relatou cansaço constante, sobrecarga familiar e sintomas de ansiedade. Atividade: Mapeando o território vivo Caso para análise: Maria 10 Reconstrua o “mapa vivo” da Maria Para isso, considere as seguintes informações sobre ela: ● moradia; ● trabalho; ● deslocamento; ● acesso aos serviços; ● rede familiar; ● vulnerabilidades; ● pontos de apoio. 1 11 Identifique os elementos da estratificação de risco Para isso, você precisa fazer estas perguntas: ● Qual é o risco clínico da Maria? ● Quais fatores sociais agravam ou diminuem esse risco? ● O que precisa ser monitorado com maior frequência? 2 12 Analise a trajetória de cuidado já percorrida Reflita sobre os tópicos e anote: ● pontos de ruptura (faltas, atendimentos isolados, sem contrarreferência ou cuidado compartilhado na RAS); ● repetições desnecessárias; ● informações perdidas; ● ausência de coordenação. 3 13 4 Crie um microplano de coordenação Indique: ● responsabilidades da APS; ● papel da AAE; ● frequência de acompanhamento; ● pactuações necessárias; ● como garantir retorno e continuidade. 14 5 a) Como o território influencia, diretamente, o risco e o cuidado de Maria? Reflita e responda: b) Quais mudanças simples, na organização da equipe, já ajudariam a reduzir rupturas no percurso dela? 15 c) O que essa atividade revela sobre a importância da APS como coordenadora da Rede? Retorne ao e-book e siga com seus estudos. Ao final da temática 5, haverá uma nova proposta de atividade neste Caderno de Bordo. 16 03 Atividade da Temática 05 A potência da equipe multiprofissional no cuidado colaborativo Essa atividade ajuda a reconhecer os núcleos profissionais, identificar lacunas e sobreposições, e, a partir disso, construir um fluxo mínimo integrado para o cuidado de pessoas com condições crônicas complexas. Ela pode ser feita individualmente ou em equipe. 1 Quem somos e o que cada um realmente faz? Em uma folha de papel, faça colunas com a quantidade de membros de seu núcleo. Atividade: Mapa de competências Escreva, em cada coluna, três informações fundamentais desse profissionais. Veja alguns exemplos a seguir. 18 2 Quem está presente? Quem está ausente? Com o mapa visível, analise a composição real do cuidado. Em seguida, anote: ● quais núcleos estão de fato representados; ● quais deveriam estar, mas, hoje, não aparecem (por exemplo, Saúde Mental, Serviço Social, Fisioterapia, Vigilância em Saúde); ● onde existem sobreposições desnecessárias; ● onde há lacunas – tarefas que ninguém executa ou que são realizadas de forma improvisada; ➔ Enfermeiro(a) com estratificação de risco, gestão de caso e educação estruturada; ➔ ACS, com vigilância domiciliar e identificação de vulnerabilidades; ➔ Nutricionista com diagnóstico e prescrição nutricional individualizada; ➔ Profissionais da Vigilância em Saúde com a análise dos dados territoriais, identificação de grupos de risco, monitoramento de agravos, articulação com ações coletivas; ➔ AAE com ajuste terapêutico em casos complexos ou instáveis. 19 3 Alguns exemplos de possíveis pontos críticos: ● encaminhamentos e contrarreferências que não fluem; ● registros incompletos ou inconsistentes; ● comunicação frágil entre APS e AAE; ● dificuldade em priorizar casos complexos; ● uso limitado das informações da Vigilância em Saúde para estratificar, planejar, reconhecer fragilidades na assistência, planejar e definir prioridades; Falha Causa provável O que pode ser feito para corrigir Onde o processo de cuidado falha? Divida outra folha em 3 colunas (“falha”, “causa provável” e “o que pode ser feito para corrigir”) e anote as falhas (pontos críticos) do processo: 20 11 ● desconhecimento sobre os serviços disponíveis na APS, em cada município; ● seguimento frágil, após atendimento especializado. 4 Onde o cuidado funciona bem? Também é importante reconhecer e registrar os acertos, para que possam ser reforçados: ● discussões de caso estruturadas; ● protocolos compartilhados; ● atendimentos programados; ● contato direto APS–AAE; ● atenção domiciliar articulada; ● integração entre vigilância, clínica e território na identificação de riscos, e acompanhamento de grupos prioritários; ● ações interprofissionais consistentes. Esses pontos fortes se tornam referência para qualificar o fluxo. 21 5 Construção do Fluxo Mínimo Integrado para o Caso Complexo Com base nas etapas anteriores, responda a essas perguntas objetivas: a) Quem inicia o cuidado? Geralmente, é a APS, com acolhimento, estratificação, apoio das informações da Vigilância em Saúde e plano inicial. b) Quem entra quando o caso se torna mais complexo? AAE, equipes de apoio (e-Multi), vigilância, família e demais atores do território. c) Como garantir que o usuário percorra seu caminho na Rede de forma segura? Organize um checklist básico contendo: ● envio de resumo clínico da AAE para a APS; ● registro padronizado; ● data de retorno agendada; ● comunicação direta entre profissionais; ● uso compartilhado deinformações da vigilância, para monitoramento e avaliação do risco; ● revisão do Plano Terapêutico com o usuário. 22 11 6 Reflexão Para finalizar, reflita e responda às questões: a) Quais competências da equipe estão subutilizadas? b) O que a AAE pode oferecer como apoio, sem substituir papéis próprios da APS? c) Quais ruídos podem ser eliminados já no dia seguinte, com pequenas mudanças? d) O fluxo mínimo produzido hoje dialoga com os princípios do MACC? O objetivo é que você (ou a equipe) saia não apenas com um diagnóstico, mas com compromissos concretos de melhoria – pactos vivos, possíveis e sustentáveis no cotidiano do cuidado. 23 04 Atividade da Temática 06 Ferramentas vivas do cuidado Escolha uma necessidade real do seu território Use dados formais (SIAPS, e-SUS, prontuário, estratificação de risco, registros da equipe) ou elementos do cotidiano (conversas, padrões percebidos, demandas recorrentes). 1 Atividade: Criando um grupo vivo no território O objetivo da atividade é transformar uma necessidade identificada no território ou no processo de trabalho em um grupo real, desenhado com intencionalidade clínica, pedagógica e comunitária. Essa atividade pode ser feita individualmente ou em equipe. Passo a passo 25 2 Descreva a necessidade com profundidade clínica e territorial Aqui, você conecta o diagnóstico local ao cuidado multiprofissional: ● Quem são essas pessoas? ● Onde vivem? ● Quais riscos estão associados? ● Quais profissionais já se relacionam com elas? ● Que fatores sociais estão envolvidos? ● Que rupturas da Rede aparecem? ● O que elas expressam sobre suas próprias dificuldades? Esta etapa ajuda a construir o raciocínio e o olhar territorial. 26 3 Veja alguns exemplos de propósitos bem construídos: ● Aumentar autonomia no manejo da hipertensão, conhecimento sobre os medicamentos em uso e autopercepção da condição crônica. ● Reduzir medos e inseguranças no autocuidado de gestantes. ● Melhorar capacidade funcional de idosos frágeis (conforme Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional – 20 (IVCF-20). ● Criar redes de apoio entre adolescentes. ● Incentivar a prática de atividade física em uma comunidade específica. O propósito orienta todas as decisões seguintes. Crie o propósito do grupo O propósito é a alma do grupo. Ele responde à pergunta: O que queremos transformar, juntos, nas nossas vidas? 27 4 Defina a estrutura mínima do grupo, de forma simples, sem burocracia Estruture apenas o essencial: 1. Quem coordena? 2. Quem facilita? 3. Quem participa? (grupo-alvo definido) 4. Como será a frequência? (semanal, quinzenal, mensal) 5. Onde acontecerá? (UBS, escola, praça, associação, espaço comunitário) 6. Como será o convite? (busca ativa? indicação? espontânea?) 7. Que tipo de ações de comunicação podemos fazer sobre o grupo? (cartaz na UBS, divulgação nas redes sociais, divulgação por profissionais, grupo de WhatsApp etc.). 8. Como será o fluxo de acesso ao grupo? 9. Como divulgar o grupo entre os profissionais com quem trabalho? 10. Como cada encontro se integra ao plano de cuidado individual? 11. Que recursos são necessários? 12. Como faremos o registro e a avaliação do grupo? 4 28 97 5 Planeje o primeiro encontro de forma simples e significativa No primeiro encontro, o objetivo não é ensinar, mas construir vínculo e corresponsabilidade. Sugestão de roteiro: ● Roda de acolhimento. ● Escuta sobre expectativas e dificuldades. ● Identificação das metas possíveis. ● Pactuação sobre como o grupo quer funcionar. ● Registro qualificado coletivo e individual. ● A depender da intencionalidade do grupo, proponha pequena tarefa entre encontros (leve, realizável). 29 Conclua, criando uma mini ficha do grupo 1. Nome provisório do grupo: 2. Necessidade identificada: 3. População participante: 4. Propósito: 5. Equipe facilitadora: 6. Local, frequência e duração: 7. Primeiro encontro planejado: 8. Relação com planos de cuidado individuais: 9. Indicadores simples para acompanhar: (ex.: presença, melhora percebida, adesão ao plano) Essa ficha será a base para implementação real e registro no serviço. 6 Reflita: Por que essa atividade é importante? Os grupos não devem nascer “porque o serviço sempre fez assim” ou “porque todo mundo faz assim”. Eles precisam nascer da vida real, das pessoas reais, dos territórios reais e suas necessidades. Os grupos têm o potencial de transformar o cuidado em comunidade. Retorne ao e-book e siga com seus estudos. Ao final da temática 9, haverá nova uma proposta de atividade neste Caderno de Bordo. 30 05 Atividade da Temática 09 Integração entre APS, VS, AAE e Atenção Hospitalar Atividade: Mapeando os nós de sustentação da Rede Vamos identificar e analisar os principais “nós” que sustentam a integração entre APS, AAE e Atenção Hospitalar no seu território, para uma compreensão prática de continuidade, corresponsabilização e cuidado compartilhado. Para isso, você fará um exercício de mapeamento visual da Rede, transformando sua experiência cotidiana em uma representação gráfica, para evidenciar como a Rede funciona, de fato, e não apenas nos fluxos escritos. Siga o passo a passo: Passo a passo 1 Escolha um caso real do seu território Escolha uma pessoa cujo percurso tenha passado por, no mínimo, dois níveis de atenção (diferentes profissionais da APS; APS + AAE; AAE + Hospital; APS + Hospital; ou todos eles). Pode ser uma pessoa com diabetes descompensada, uma pessoa com condição respiratória que alterna APS, UPA e Hospital, um idoso com múltiplas internações, um adolescente com sofrimento psíquico, uma gestante de alto risco. 32 APS Atenção Hospitalar AAE Em uma folha de papel, desenhe três círculos, representando APS, AAE e Atenção Hospitalar. Depois, posicione o caso no centro: o nome fictício da pessoa, seu principal problema de saúde e um resumo de sua trajetória recente. Veja o exemplo: 2 Informações do paciente Em seguida, olhando para a figura desenhada no papel, você irá refletir sobre alguns pontos sugeridos e desenhar linhas entre os pontos de atenção, conforme orientado. 2 33 Nós fortes Desenhe linhas cheias entre os pontos de atenção para cada nó que sustentou o cuidado. Esses nós podem ser: ● conversas entre profissionais; ● ligações para confirmar condutas; ● mensagens ou notas no prontuário que ajudaram; ● acordos informais que fizeram diferença; ● encontros inesperados que salvaram o cuidado. 3 Nós fracos Desenhe linhas pontilhadas azuis entre os pontos de atenção para cada nó fraco, que indica pontos de fragilidade da Rede. Esses nós podem ser: ● encaminhamentos feitos sem justificativa clara; ● contrarreferências incompletas, tardias ou ausentes; ● retornos que não chegaram à APS; ● internações sem orientação pós-alta; ● falta de comunicação entre a equipe. 4 34 Linhas rompidas Desenhe linhas interrompidas vermelhas entre os pontos de atenção, para os momentos em que o percurso do cuidado realmente se perdeu. Esses momentos podem ser: ● perda de seguimento; ● repetição desnecessária de exames; ● abandono do acompanhamento; ● falha grave de comunicação; ● cuidados duplicados ou contraditórios. 5 6 Agora, faça a pergunta essencial: O que permitiu que alguns nós se mantivessem firmes, e o que fez com que outros se rompessem? Isso permite observar: ● a micropolítica do cuidado (Merhy); ● a cogestão ou sua ausência (Campos); ● a integralidade viva ou perdida (Cecilio). 35 7 Conclua a atividade com um compromisso realista. Para isso, responda: Qual nó posso fortalecer, amanhã, na minha prática, com uma ação simples, possível e dentro do meu campo de atuação? Alguns exemplos que podem surgir: ● Vou revisar a contrarreferência junto com a equipe. ● Vou ligar para a AAE antes de compartilhar um caso complexo. ● Vou alinhar coma UPA um fluxo comum para descompensações. ● Vou conversar com o hospital para promover algum tipo de relacionamento e comunicação. ● Vou registrar melhor os acordos feitos em equipe. Esse compromisso individual transforma o exercício em mudança prática. 36