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Guia de Atividades: Relações Étnico-Raciais e Literatura Infantil (Edição 
Expandida) 
Este guia propõe atividades lúdicas e reflexivas para trabalhar a diversidade, a 
ancestralidade e o respeito às diferenças através de livros infantis. O objetivo é ir além 
da "data comemorativa" e integrar essas conversas no cotidiano. 
1. O Laboratório de Cores da Pele 
Livro Sugerido: A Cor de Coraline (Alexandre Rampazo) ou Da Minha Janela (Otávio 
Júnior). 
Faixa Etária: 4 a 8 anos. 
Conceito: 
Muitas crianças aprendem erroneamente que existe um único lápis "cor de pele" (o rosa-
claro). Esta atividade visa desconstruir isso e mostrar a beleza da pluralidade de tons. 
 
Atividade: 
1. Leitura: Após a leitura, discuta como somos todos de cores diferentes e como isso 
é interessante. 
2. A Mistura: Leve tintas guache (marrom, preto, branco, amarelo, vermelho e laranja). 
3. Exploração: Convide as crianças a misturarem as tintas para tentar chegar 
exatamente ao tom da sua própria pele. 
4. Nomeação Poética: Peça para que elas deem nomes criativos aos tons que 
criaram, fugindo do óbvio. Exemplos: "Cor de mel", "Cor de terra molhada", "Cor de 
noite estrelada", "Cor de doce de leite". 
5. Mural: Crie um mural "Nossas Cores" com as mãos carimbadas de cada criança e 
o nome poético da cor ao lado. 
2. Esculturas Capilares: "Meu Cabelo é de Rainha/Rei" 
Livro Sugerido: O Cabelo de Lelê (Valéria Belém) ou Meu Crespo é de Rainha (bell 
hooks). 
Faixa Etária: 5 a 10 anos. 
Conceito: 
Valorizar a estética negra e a diversidade de texturas capilares, trabalhando a autoestima 
e a identidade. 
 
Atividade: 
1. Roda de Conversa: Converse sobre o que o cabelo representa no livro (história, 
memória, beleza). 
2. Materiais: Disponibilize materiais diversos que não sejam apenas lápis de cor: lãs 
de várias cores e espessuras, retalhos de tecido, barbante, fitas, argila. 
3. Criação: Em uma folha com apenas o contorno de um rosto (ou usando pratos de 
papelão), as crianças devem criar "cabelos" tridimensionais. 
4. Desafio: Incentive que criem penteados que viram no livro ou em seus familiares 
(tranças, black power, coques, turbantes). 
5. Exposição: "Galeria da Beleza Real", onde cada criança apresenta sua obra. 
 
3. O Pote da Ancestralidade (Oficina de Abayomi) 
Livro Sugerido: Amoras (Emicida) ou livros que falem sobre a África e travessias. 
Faixa Etária: 6 anos em diante. 
Conceito: 
Resgatar a história e o afeto através da confecção das bonecas Abayomi (bonecas de 
pano feitas com nós, sem costura, que simbolizam resistência e felicidade). 
 
Atividade: 
1. Contextualização: Conte a história das Abayomi (do iorubá: "encontro precioso"). 
Explique que elas são amuletos de proteção e carinho. 
2. Confecção: 
○ Use retalhos de malha preta (preferencialmente) e tecidos coloridos 
estampados. 
○ Ensine a técnica dos nós (um nó para a cabeça, nós para mãos e pés) não se 
usa cola nem costura. 
○ Use os tecidos coloridos para fazer as roupas (turbantes, saias, capas). 
3. Troca de Afeto: Ao final, peça que cada criança dê um nome à sua boneca e, se 
possível, presenteie um colega ou alguém da família como um gesto de "oferecer o 
melhor de si". 
4. Dicionário Indígena Ilustrado 
Livro Sugerido: Kabá Darebu (Daniel Munduruku) ou O Tupi que Você Fala (Cláudio 
Fragata). 
Faixa Etária: 6 a 9 anos. 
Conceito: 
Mostrar como a cultura indígena está viva e presente no nosso dia a dia, contrariando a 
ideia de que indígenas são figuras apenas do passado. 
Atividade: 
1. Caça-Palavras Oral: Pergunte às crianças quais palavras elas acham que são de 
origem indígena. 
2. Leitura e Descoberta: Leia o livro e destaque palavras como: pipoca, abacaxi, 
peteca, siri, caju, mingau. 
3. Ilustração: Divida a turma em grupos. Cada grupo fica responsável por uma 
palavra. 
4. Produção: Eles devem desenhar o objeto/fruta/animal e escrever a palavra bem 
grande. 
5. Montagem: Junte todas as páginas para criar o "Nosso Primeiro Dicionário Tupi", 
que ficará na biblioteca da sala. 
 
5. Recontando Histórias Clássicas (Intervenção Literária) 
Livro Sugerido: Contos de fadas clássicos (Branca de Neve, Cinderela) em contraste 
com As Lendas de Dandara (Jarid Arraes) ou Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes. 
Faixa Etária: 8 a 12 anos. 
Conceito: 
Desenvolver o pensamento crítico sobre representatividade e protagonismo. Quem 
costuma ser o herói? Quem é o vilão? 
 
Atividade: 
1. Análise: Analise um conto clássico. Como as princesas são descritas? 
2. O Desafio Criativo: Proponha a reescrita ou a recriação dos personagens 
principais. 
○ "E se a Rapunzel tivesse tranças nagô?" 
○ "E se o rei fosse um cacique sábio da Amazônia?" 
3. Produção: As crianças podem escrever uma nova cena ou desenhar a capa deste 
"novo livro". 
4. Debate: Por que é importante vermos heróis e heroínas parecidos com a gente nas 
histórias? 
6. Estamparia Adinkra: Símbolos que Falam 
Livro Sugerido: Bruna e a Galinha d'Angola (Gercilga de Almeida). 
Faixa Etária: 5 a 10 anos. 
Conceito: 
Apresentar os Adinkras, símbolos ideográficos do povo Akan (Gana), que representam 
conceitos e aforismos. No livro, a avó de Bruna pinta o tecido com uma galinha, 
remetendo a essa tradição. 
 
Atividade: 
1. Investigação: Apresente alguns símbolos Adinkra (ex: Sankofa - o pássaro que olha 
para trás, significando "aprender com o passado"). 
2. Criação de Carimbos: Utilize batatas cortadas ao meio, pedaços de E.V.A. colados 
em tampinhas de garrafa ou isopor (bandejas de frios) para criar os carimbos com 
os símbolos. 
3. Estamparia: Estenda um tecido grande (um lençol velho ou TNT) ou camisetas 
brancas e deixe as crianças estamparem seus padrões, criando um "Manto de 
Histórias". 
4. Significado: Cada criança escolhe um símbolo que represente algo que ela deseja 
para a turma (amor, sabedoria, força) e carimba com essa intenção. 
 
7. Culinária com História: A Lenda da Mandioca 
Livro Sugerido: A Lenda da Mandioca (várias adaptações) ou livros de culinária afro-
brasileira para crianças. 
Faixa Etária: 4 a 10 anos (com supervisão). 
Conceito: 
 
A comida é um dos principais vetores de cultura. A mandioca é um alimento base da 
cultura indígena e foi incorporada profundamente na culinária brasileira. 
 
Atividade: 
1. Contação: Conte a lenda de Mani (lenda indígena sobre a mandioca). 
2. Mão na Massa: Prepare uma receita simples à base de mandioca, como tapioca, 
beiju ou bolo de aipim. 
3. Roda dos Sabores: Enquanto comem, conversem sobre outros alimentos que 
herdamos (milho, feijão preto, azeite de dendê) e como eles contam a história do 
Brasil. 
4. Pesquisa em Casa: Peça para as crianças perguntarem aos avós ou pais qual é a 
receita mais antiga da família. 
8. Sons da Natureza e Instrumentos 
Livro Sugerido: Livros que envolvam festas populares, como Bumba-meu-boi, ou O 
Tambor de Crioula. 
Faixa Etária: 3 a 8 anos. 
Conceito: 
Explorar a sonoridade afro-indígena, diferenciando-a da música clássica europeia e 
valorizando o ritmo e a percussão. 
 
Atividade: 
1. Escuta Atenta: Coloque músicas com instrumentos tradicionais (berimbau, 
atabaque, chocalho, flauta de bambu). Pergunte: "Que som é esse? Parece chuva? 
Parece trovão?". 
2. Luthieria da Floresta: Construa instrumentos com material reciclável. 
○ Pau de Chuva: Tubo de papelão com arroz/feijão dentro e pregos/alfinetes 
(cuidado com as pontas) ou papel alumínio amassado dentro. 
○ Chocalhos: Garrafas pet com sementes diferentes para sons agudos e graves. 
3. A Grande Orquestra: Façam uma roda de música onde o regente aponta para o 
grupo que deve tocar (o grupo do "trovão", o grupo da "chuva fina"). 
 
9. Griots da Família (Entrevista com os Mais Velhos) 
Livro Sugerido: Bisa Bia, Bisa Bel (Ana Maria Machado) ou Tayó em Quadrinhos 
(Kiusam de Oliveira). 
Faixa Etária: 8 a 12 anos. 
Conceito: 
Na cultura africana, o Griot é o guardião da palavra e da memória.Esta atividade valoriza 
a história oral e a sabedoria dos mais velhos. 
Atividade: 
1. Conceito de Griot: Explique que antes dos livros existirem, a história era guardada 
na cabeça dos mais velhos. 
2. Roteiro de Entrevista: Ajude as crianças a criarem perguntas para um avô, avó ou 
vizinho mais velho. 
○ "Do que você brincava?" 
○ "Qual história seus pais te contavam?" 
○ "O que você aprendeu que a escola não ensina?" 
3. Registro: A criança pode gravar um áudio, vídeo ou escrever a história que ouviu. 
4. Partilha: Em sala, cada um conta uma sabedoria que aprendeu com seu "Griot" 
particular. 
 
 
10. O Mapa do Meu Nome 
Livro Sugerido: O Pequeno Príncipe Preto (Rodrigo França) ou livros que falem sobre 
nomes e origens. 
Faixa Etária: 7 a 12 anos. 
Conceito: 
Muitos nomes e sobrenomes carregam histórias de apagamento ou de resistência. Esta 
atividade busca ressignificar a identidade. 
 
Atividade: 
1. Origem do Nome: Peça para as crianças investigarem quem escolheu o nome 
delas e por quê. 
2. Geografia Afetiva: Se a criança tiver um sobrenome ou origem que remeta a um 
lugar específico (ex: sobrenomes que são nomes de árvores, locais de Portugal, ou 
nomes africanos), tente localizar num mapa. 
3. Auto-batismo Literário: Inspirado nos reis e rainhas africanos ou nos nomes 
indígenas (frequentemente ligados à natureza), peça para a criança criar um 
"segundo nome" que represente sua personalidade. Ex: "Pedro, o Veloz", "Mariana 
Flor de Cactus". 
4. Crachá de Poder: Confeccionar um crachá criativo com esse novo nome para usar 
durante o dia da atividade. 
Dicas Finais para o Educador/Mediador 
● Evite o "Folclore": Não trate a cultura negra ou indígena apenas como mitos 
exóticos ou fantasias de carnaval. Trate com o mesmo respeito histórico dado às 
culturas europeias. 
● Olhar Atento: Esteja preparado para intervir caso surjam comentários 
preconceituosos durante as atividades. Use-os como momento pedagógico, não 
apenas punitivo. Pergunte: "Por que você acha isso feio/estranho? Onde você 
aprendeu isso?". 
● Acervo: Garanta que os livros com protagonistas negros e indígenas estejam 
disponíveis o ano todo, não apenas em Novembro (Consciência Negra) ou Abril (Dia 
dos Povos Indígenas).

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