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Casos Clínicos Caso clínico nº 01 Foram atendidos de novembro de 2000 a abril de 2017 no pronto socorro do Hospital de Gotham City nove pessoas com quadros agudos cianose após exposição ocupacional, sendo que o paciente 03 chegou inconsciente. Devido ao quadro de cianose e o padrão de trabalho dos pacientes, os médicos diagnosticaram os pacientes como quadros de metemoglobinemia. Todos os casos foram tratados com azul-de-metileno na dose de 1 a 2 mg/kg de peso em infusão endovenosa lenta. Todos os pacientes referiram estar usando algum tipo de equipamento de proteção individual como máscaras (não informado o tipo), luvas e botas de borracha e roupas grossas. O agricultor sinalizou a presença de vazamento na bomba de aspersão com contato direto com a região dorsal, durante os três dias de aspersão. A tabela 1 abaixo resume os quadros clínicos apresentados: Caso Idade Ocupação Substância Tempo de exposição Sinais e sintomas MeHb% entrada MeHb% tratado (12h) 01 31 Agricultor Herbicida (anilida) 3 dias Náuseas Vômitos Dispneia Cianose 44,2 5,1 02 32 Industria química Paracloro- anilina 15 dias Cefaleia Fraqueza Cianose 26,5 1,6 03 25 Industria química Paracloro- anilina 2h 30min Tontura Dispneia Cianose 79,3 25,8 04 21 Industria química Anilina e nitrofenóis 2 h Cianose 11,2 1,2 05 28 Industria química Paracloro- anilina 6 h Tontura Dispneia Cianose 61,0 2,8 06 19 Industria química Anilina e nitrofenóis 2 h Tontura Cefaleia Dispenia Cianose 47,9 2,8 07 21 Industria química Anilina e nitrofenóis 1 h Tontura Cefaleia Dispneia Cianose 21,4 1,0 08 20 Industria química Anilina e nitrofenóis 1 h Tontura Cefaleia Dispneia Cianose 35,0 1,2 09 33 Industria química Anilina 1 h Tontura Cefaleia Cianose 40,0 1,9 De acordo com seus estudos, responda: a) Os médicos acertaram no diagnóstico dos pacientes? Se sim, qual foi o principal sintoma sinalizador desse diagnóstico? b) Como acontece o processo de formação de metemoglobinemia nesses pacientes? c) Qual o mecanismo de ação da substância usada no tratamento para reverter o quadro? d) Como todos afirmaram usar equipamentos de proteção individual, qual a sua explicação para a intoxicação desses funcionários? e) Antes do tratamento medicamentoso com o azul-de-metileno, quais procedimentos básicos devem ser realizados nos pacientes intoxicados com quadros de metemoglobinemia? Caso clínico 02 Paciente masculino, branco, 29 anos, motorista, natural e residente em Teresópolis (RJ). Há uma semana iniciou quadro de dor precordial opressiva, com irradiação para membro superior esquerdo, intermitente. Os episódios tiveram duração superior a 40 minutos. A dor não foi respiratório-dependente e se iniciou em repouso, sem alívio com mudança postural. Procurou serviço de emergência cerca de uma semana depois com piora da intensidade da dor. Negou quaisquer sintomas associados, bem como história prévia de hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia ou antecedentes familiares de doenças cardiovasculares. Negou tabagismo, etilismo ou uso de drogas ilícitas, bem como de suplementos alimentares ou anabolizantes. O paciente relatou uso de cloridrato de anfepramona por 15 dias há dois meses, e por mais 15 dias há um mês para tratamento de obesidade. Antes do uso do medicamento, apresentava IMC de 35,9 kg/m2 e depois de emagrecer 16 kg passou para 30,4 kg/m2. Ao exame físico apresentou PA de 120 mmHg x 80 mmHg, FC de 74 bpm, com sistemas cardiovascular e pulmonar sem alterações evidentes. Realizou ECG com padrão de infarto subagudo do miocárdio em parede anterosseptal. A creatinofosfoquinase (CPK) na admissão foi 434 e sua fração MB (CKMB) foi 49. Na avaliação seriada, quatro horas após a admissão, sofreram incremento para 867 e 104, respectivamente. Colesterol total foi 139 mg/dL, HDL 25 mg/dL, LDL 91 mg/dL e triglicerídeos 112 mg/dL. Devido à persistência da dor realizou cineangiocoronariografia que revelou oclusão em terço médio da artéria descendente anterior com acinesia ântero-médio-apical e inferoapical. Foi então submetido à intervenção percutânea com colocação de dois stents convencionais na artéria descendente anterior. Responda: a) Por que o paciente não fez o tratamento por 30 dias seguidos ao invés de 15 dias num mês e 15 dias no outro mês? b) O uso do cloridrato de anfepramona foi satisfatório tendo em vista o IMC do paciente? c) O uso do cloridrato de anfepramona tem alguma relação com o infarto subagudo do miocárdio que o paciente sofreu? Se sim, como essa relação acontece? d) Como o cloridrato de anfepramona atua no tratamento da obesidade? (mecanismo de ação para obesidade). e) Algum exame poderia ser feito antes da administração do cloridrato de anfepramona que mostraria algum comprometimento cardíaco? Caso clínico 03 Paciente de 35 anos, do sexo feminino, com histórico de depressão em uso de risperidona e amitriptilina, com relato de rebaixamento do nível de consciência, mantendo-se em Glasgow 3, após tentativa de autoextermínio com administração de cerca de 160 comprimidos de fenobarbital, encaminhada para um centro de referência sem que tivesse sido realizada lavagem gástrica e sem proteção de vias aéreas por cerca de 24 horas, até a chegada do serviço de atendimento móvel de urgência. Na admissão encontrava-se estável hemodinamicamente, em ventilação mecânica invasiva por tubo orotraqueal, pupilas isofotorreagentes, sem uso de drogas vasoativas. Foi realizada tomografia computadoriza de crânio sem alterações. Paciente evolui com coma barbitúrico, pneumonia brocoaspirativa, confirmada com radiografia de tórax com infiltrado difuso à direita, e IRA. Ao exame físico paciente encontrava-se confortável, pupilas mióticas bradirreagentes, instável hemodinamicamente e febril. Foi administrado noradrenalina e clavulin D3. Na avaliação da função renal, exames laboratoriais mostraram creatinina inicial de 1,0 mg/dL e ureia 53 mg/dL que evoluíram respectivamente para 7,1 mg/dL e 143 mg/dL, com indicação de terapia de substituição renal. Entretanto, mesmo após instituição dos tratamentos, paciente mantém quadro de IRA. Responda os itens a seguir: a) O fenobarbital é um fármaco ansiolítico que pertence à classe dos depressores do SNC. Qual o mecanismo de toxicidade desse fármaco que desencadeou o quadro da paciente? b) Quais os sintomas apresentados pela paciente é consequência da administração do fenobarbital? c) O fenobarbital tem algo relacionado com o desencadeamento do quadro febril e a pneumonia broncoaspirativa apresentada pela paciente? Se sim, explique como. d) Com relação à função renal, por que houve essa piora no quadro? e) Visto que a intoxicação por barbitúricos não tem antídoto, qual a função da noradrenalina administrada no caso? Caso clínico 04 Paciente J.D.M., 33 anos de idade, sexo feminino, foi admitida no hospital com histórico de depressão e tentativas de suicídio prévias. Ao dar entrada no setor de emergência, a paciente encontrava-se desacordada, irresponsiva a estímulos verbais e nociceptivos, taquicárdica (137bpm), a presentava pupilas puntiformes, saturação de oxigênio (SatO2) 91% em ar ambiente e pressão arterial (PA) 91x54 mmHg. A conduta clínica inicial consistiu em hidratação venosa, terapia antidotal, monitoração cardíaca, realização de exames laboratoriais. Após esquema terapêutico inicial, a paciente recobrou a consciência, porém seguiu com taquicardia e redução da SatO2. Durante a sua permanência na unidade hospitalar, o seu quadro clínico apresentou instabilidade da frequência cardíaca, com picos entre 83 e 153 bmp e SatO2 entre 54 e 100%, necessitando de suporte ventilatório por intubação orotraqueal (IOT) e sedoanalgesia (fentanile midazolam) após procedimento de reanimação. O resultado dos exames laboratoriais revelou o desenvolvimento de processo infeccioso, com leucocitose 18.330 μL; rabdomiólise, com CPK 5.740 U/L; e acidose respiratória, compressão parcial de dióxido de carbono (pCO2) em 63,8 mmHg. Durante a intubação, foi constatada a presença de secreção purulenta, o que justificou a adição de antibióticos (ceftriaxona e clindamicina) na farmacoterapia. Após 48 horas de internação hospitalar, quadro clínico se estabilizou, houve, portanto, manutenção de conduta clínica. Ao terceiro dia, houve a interrupção da sedoanalgesia, remoção de IOT, porém desenvolveu o pico máximo de taquicardia, com 156 bpm. Ao quarto dia, quando recebeu alta do setor de toxicologia, a paciente permaneceu sob terapia antibiótica, dieta pastosa, recobrando a consciência e evoluindo sem sinais de intoxicação, recebeu alta do CIATOX. a) Qual a(s) possível(eis) droga(s) utilizada(s) para tentativa de suicídio? b) Quais sintomas clássicos indicam a(s) possível(eis) droga(s) usada(s) no suicídio? c) Qual foi a droga antidotal utilizada pelo hospital? d) Considerando que o medicamento que foi utilizado para a tentativa de suicídio é um agonista com ação longa, poderia haver alguma espécie de interação com a administração do fentanil? e) O medicamento administrado para o suicídio explica os problemas cardíacos e/ou respiratórios apresentados pela paciente? Explique os mecanismos. f) Há alguma ligação entre o medicamento autoadministrado e o desenvolvimento do processo infeccioso? Caso clínico 05 J.B., um homem de 25 anos com história de uso pesado de heroína, é levado ao pronto- socorro de um hospital na periferia de Phoenix com quadro progressivo de náusea, vômito, diarreia, dor muscular e ansiedade há 8 horas. O Sr. B explica que está tentando “deixar o vício” e que “usou” a droga pela última vez há cerca de 24 horas. Ele mostra necessidade irresistível de consumir heroína, está muito agitado e desconfortável. O exame físico mostra temperatura de 39,5°C, pupilas aumentadas, pressão arterial de 170/95 mmHg e frequência cardíaca de 108 batimentos por minuto. Apresenta irritabilidade e grande sensibilidade ao toque; as respostas a estímulos dolorosos, como a espetada de um alfinete, são desproporcionais à intensidade do estímulo. O Sr. B é medicado com 20 mg de metadona, um opioide de ação prolongada. Então, sente-se um pouco mais confortável e recebe uma segunda dose de 20 mg, que o deixa bem mais tranquilo e alivia os sintomas. Em seguida, o Sr. B é internado em um centro de desintoxicação, onde passa por um programa de tratamento durante 28 dias. Durante a semana subsequente, a dose de metadona é reduzida em cerca de 20% ao dia. O Sr. B é inscrito no programa dos Narcóticos Anônimos (NA), onde conta sua história de dependência. O início foi lento, com uso apenas algumas vezes ao mês, “em ocasiões especiais”, como ele contou. Com o tempo, porém, ele constatou que o efeito não era tão intenso quanto no início, e passou a usar (por injeção intravenosa) quantidades maiores e com maior frequência. Por fim, ele estava usando a droga duas vezes ao dia e sentia-se “aprisionado”. Embora o Sr. B considere úteis as sessões dos NA, comparece esporadicamente. Durante as semanas subsequentes ele apresenta alterações cíclicas do peso, períodos alternados de insônia e ansiedade, e “fissura” por heroína, apesar dos exames de urina negativos para opioides. Dois meses depois, tem uma recaída e volta a usar heroína. a) Qual a causa dos sinais e sintomas físicos do Sr. B (isto é, náusea, vômito, febre, aumento das pupilas e hipertensão) quando procurou o pronto-socorro? b) Por que a abstinência de heroína foi tratada com outro opioide (metadona)? c) Por que o Sr. B notou que, com o tempo, o efeito da heroína tornou-se menos intenso do que no início? d) Por que o Sr. B apresentou “fissura” pela heroína após cessarem os sintomas fisiológicos? e) Como os programas do tipo Narcóticos Anônimos podem ajudar no tratamento da dependência? E por que esses programas nem sempre têm êxito? Caso clínico 06 Paciente do sexo masculino, 26 anos, negro, engenheiro, procedente e residente de Salvador, Bahia, foi trazido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU – ao setor de emergência do hospital, depois que testemunhas presenciaram queda da vítima do topo de um escorregador de um parque infantil, altura aproximada de 1,20 m, após a saída de uma festa. Amigos da vítima relataram que o mesmo ingeriu elevada quantidade de bebida alcoólica durante as seis horas de duração da festa, na saída decidiu subir no escorregador, perdendo o equilíbrio e caindo do topo, e que por reflexo utilizou as mãos para diminuir o impacto da queda, não impedindo o choque da face esquerda contra o final do escorregador. Ao exame físico, o paciente encontrava-se em estado geral ruim, confuso e desorientado em tempo e espaço, afebril (36,5ºC), acianótico, anictérico, desidratado, eupneico (frequência respiratória = 19 irp), normocárdico (frequência cardíaca = 72 bpm) e normotenso (110×80 mmHg). Apresentava-se torporoso, com incoordenação motora, queixando-se de náuseas e dor nos punhos, presença de lesão corto-contusa em supercílio esquerdo, escoriações em membros superiores, nos segmentos: punhos, antebraço e cotovelos. Aparelho respiratório com murmúrio vesicular presente, e ruídos adventícios ausentes. Aparelho cardiovascular bulhas normofonéticas, em dois tempos e ausência de bulhas extras. Abdome semi-globoso, às custas de pandículo adiposo, flácido, ruídos hidroaéreos presentes, fígado e baço não palpáveis e indolor à palpação superficial e profunda. Foram solicitados exames laboratoriais: hemograma; eletrólitos, incluindo cálcio e magnésio; gasometria; função hepática e renal e eletrocardiograma, para avaliar o risco de arritmias. Também solicitaram uma tomografia de crânio e uma radiografia dos membros superiores. Os exames laboratoriais revelaram hipoglicemia (54 mg/dL), a radiografia revelou uma fratura de Colles em extremidade distal do rádio do membro superior esquerdo, enquanto a tomografia de crânio descartou lesão neurológica provocada pela queda. a) Quais condutas iniciais devem ser adotadas em caso de intoxicação aguda por álcool? b) Como deve ser corrigida a hipoglicemia do paciente? c) Qual a importância da profilaxia com tiamina? d) Quais os outros agentes intoxicantes devem ser pesquisados dentro do contexto do caso apresentado? Caso Clínico 7 M.L.S, 26 anos, sexo masculino, admitido no Pronto Socorro com queixa de náuseas há 1 hora. Durante a consulta o paciente apresentava-se diaforeico e com comportamento repetitivo e estado de euforia. Antes de realizar o HPMA, paciente apresentou um episódio de convulsão seguido por diminuição do nível de consciência, sendo necessário seu encaminhamento para a Unidade de Terapia Intensiva. Na UTI foi realizado o exame físico com os seguintes achados: PA 150/92 mmHg, FC 120 bpm, Arritmia e Midríase. Foi, ainda, solicitado RM com o achado de edema cerebral. Evolução: Paciente evoluiu com hipertermia, rabdomiólise e insuficiência renal aguda. a) Qual a Hipótese Diagnóstica? b) Como proceder? Caso Clínico 8 Adolescente, 15 anos, do sexo masculino deu entrada no departamento de emergência com seus pais às 19h30min após ele ter sido encontrado fazendo “huffing” com tinta em spray na garagem dos pais. Os pais do paciente pareciam zangados e preocupados, sendo que o adolescente negou queixas, mas admitiu ter comprado nas últimas semanas tinta em spray nas lojas de ferragens para ficar “chapado”. O paciente nega uso de medicamentos prévios, nega uso de álcool e de drogas ilícitas. Ocasionalmente fuma cigarros. Ao exame físico apresentou temperatura de 36,7 ºC, 85 bpm, 14 respirações por minuto, pressão arterial de 122/64mmHg. Sem evidência de trauma, pupilas 3 mm bilateralmente e igualmente reativas à luz. Marcas de tinta azul na área perioral e também no nariz. a) Quais efeitos clínicos podem resultar do abuso de inalantes? b) Há necessidade de algum pedido de exame laboratorial para diagnosticar a intoxicação? c) Qual é a diferença entre huffing e sniffing? d) O que é síndrome de morte súbita? e) Esse paciente encontra-se em dependência do uso da substância utilizada? Se sim, quais os sintomas que ele apresentaria com a interrupção abrupta do uso? f) Quais os sintomas de intoxicação por essa substância?