Logo Passei Direto
Buscar
Material

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Capítulo Sociedades do Oriente Próximo Cena de uma batalha do filme 300 A Ascensão do Império, dirigido por Noam Murro, 2014. A imagem acima é uma cena do filme 300 A Ascensão do Império, Puxando recriação das guerras greco-pérsicas que ocorreram no século V a.C. No pela memória relato do conflito, feito pelo antigo historiador grego Heródoto, calculava-se Em 1964, o cineasta tamanho do exército persa em mais de dois milhões de pessoas. Estimativas inglês Michael recentes afirmam que os milhões eram, no máximo, algumas centenas de Carreras lançou filme A maldição da milhares de pessoas. Ainda assim era maior exército do mundo naquele múmia, uma produção período. Como rei persa Xerxes teria conseguido mobilizar um exército do gênero terror. Você tão numeroso que, partindo do planalto iraniano, atravessou mar Egeu e sabe que é uma múmia? Sabe dizer chegou à Grécia? por que as múmias Este capítulo vai tratar da formação dos grandes impérios do Oriente foram utilizadas na Próximo (o atual Oriente Médio), que se sucederam no controle da região. literatura e no cinema do Ocidente como Sem esquecer os reinos menos poderosos, porém importantíssimos: dos criaturas apavorantes hebreus, berço do monoteísmo judaico, e dos fenícios, primeiro povo e perigosas? navegador da História Antiga. 28Início da unificação do Antigo Egito pelo faraó Menés. Primeiras cidades Sumérios e acádios povoam a Mesopotâmia. Cronologia deste capítulo Cerca de 3000 a.C. Entre 3000 e 2000 a.C. 1 Sociedades hidráulicas: uma base comum Oriente Próximo foi um dos berços da chamada Revolução Neolítica e, como consequência, cenário de importantes sociedades, formadas a partir de 3000 a.C. Por volta de 7000 a.C., já existiam na região comunidades sedentárias, com subsistência baseada na atividade agrícola, em especial na produção de cereais. arqueólogo norte-americano James Henry Breasted, no início do século XX, denominou de Crescente Fértil a faixa de terra que se estende do nordeste da Áfri- Fique de olho! ca até o golfo Pérsico (ver mapa). É uma vasta área de 500 mil km², muito árida, PINSKY, Jaime. As com algumas extensões desérticas, porém irrigada pelos rios Nilo, Jordão, Tigre e primeiras civiliza- ções. São Paulo: Eufrates. Nesses autênticos oásis, a terra era propícia para a prática da agricultura Contexto, 1994. e para a criação de animais. Essas condições capacitaram as sociedades locais a Este livro aborda produzirem excedentes agrícolas, que podiam ser estocados. surgimento das Dentre as sociedades que se estabeleceram na região, destacaram-se as do Egi- primeiras civili- zações desde to, banhado pelo rio Nilo, e as da Mesopotâmia, banhada pelos rios Tigre e Eu- período Neolítico, frates. Essas sociedades hidráulicas, que dependiam da construção de sistemas de da descoberta da irrigação, diques e barragens, surgiram quase ao mesmo tempo nas duas regiões. agricultura e da invenção da escrita Nelas, as atividades econômicas se diversificaram, com o progressivo uso de me- até a formação das tais e a especialização da produção artesanal. primeiras civiliza- Nesse longo processo de mudanças, formaram-se, primeiramente, as cidades e ções do Ocidente e do Oriente Médio. pequenos Estados em nível local. Mais tarde, apareceram os Estados centralizados, que dominavam vastas regiões. Mas tudo isso esteve relacionado com o controle das águas do Nilo, no Egito, e do Tigre e do Eufrates, na Mesopotâmia. Nesses locais, as cheias traziam peixes mortos e outros materiais orgânicos que fertiliza- vam a terra. A sociedade se hierarquizou, destacando-se uma camada de burocratas e sa- cerdotes que se impôs sobre os camponeses. Ela era responsável pela direção das obras hidráulicas, pelo governo e pelas relações com os deuses, das quais dependia, de acordo com as crenças da época, a sobrevivência de todos. REGIÃO DO CRESCENTE FÉRTIL NA ANTIGUIDADE ANATÓLIA SONIA VAZ Tarso Karkemish Alepo Harran Ninive Chipre Ashur MAR PERSIA Damasco Avaris Jericó Bagdá Rio MAR Babilônia Tigre MORTO Umma EGITO Mêntis Lagash Monte Ur Susas Hermópolis Sinai OCIDENTAL DESERTO Meir Nilo ORIENTAL DESERTO ARÁBIA Abydos Tebas Hermonthis Syene Abou-Simbel Bouhen Toskeh TRÓPICO DE CÂNCER Soleb DESERTO DA NÚBIA Tumbos Fontes: DUBY, Georges. Atlas Historique Mondial. Kerma Kawa Abu Hamed N Paris: Larousse, 2006. p. 4-7; ATLAS da História do Mesopotâmia Mundo. São Paulo: Folha da Manha, 1995. p. 54-59; Crescente Fértil Jebel Barkal OVERY, Richard. A história completa do mundo. Atbara 0 275 km Egito Shendi Rio de Janeiro: Reader's Digest, 2009. p. 59. 29Império Menfita, no Antigo Egito. Início do Primeiro Império Tebano, no Antigo Egito. Entre 2575 e 2134 a.C. Cerca de 2040 a.C. 2 Faraós, pirâmides e camponeses: Egito Heródoto, historiador grego do século V a.C., afirmou que Egito era uma do Nilo", pois suas águas geraram as condições necessárias para a expan- são da agricultura e a formação das primeiras cidades. No início do III milênio a.C., com primeiro Menés, a unificação polí- tica das diversas comunidades às margens do Nilo, chamadas nomos, deu origem ao Antigo Egito. Desde essa época até o ano 300 a.C., houve 31 dinastias, que costumam ser organizadas em três grandes períodos, separados por fases caracterizadas pelo en- fraquecimento do poder central: Antigo Império (entre 3150 a.C. e 2400 a.C.): tempo em que se consolidou a fusão entre os reinos do norte e do sul. poder estava centralizado na cidade de Mênfis, situada ao norte. Por isso, esse período é conhecido como Império Menfita. A partir de 2400 a.C., o poder do faraó se enfraqueceu Fique de olho! devido à ação dos nomarcas, governantes das aldeias. FUNARI, Raquel dos Médio Império (entre 2040 a.C. e 1785 a.C.): nessa época, a unidade entre Santos. 0 Egito dos o norte e o sul foi reforçada com o deslocamento do centro do poder para faraós e sacerdotes. São Paulo: Atual, Tebas. Iniciou-se, ainda, a expansão do império em direção à Núbia, ao sul. 2001. Essa fase, também conhecida como Primeiro Império Tebano, encerrou-se Trata da organiza- com a conquista do Egito pelos hicsos, povo semita vindo do norte que, em ção social e política meado do século XVII a.C., se estabeleceu no delta do Nilo, construiu Ava- do Egito Antigo, do poder exercido pelos ris, cidade fortificada, e impôs tributos a toda a população do Egito. faraós, das ativida- Novo Império (entre 1580 a.C. e 1085 a.C.): período de prosperidade mar- des desenvolvidas cado pela expulsão dos hicsos e pela reunificação do Egito pelo faraó de por coletores de impostos, campone- Tebas, por isso também chamado de Segundo Império Tebano. ses e sacerdotes. As últimas dinastias correspondem à denominada época tardia, encerrada com a conquista dos macedônios em 332 a.C. OUTRA DIMENSÃO LINGUAGENS A escrita foi uma dádiva do Egito Antigo aparecimento da escrita foi tão importante que, durante muito tempo, foi considerado marco inicial da História. Foi a terceira forma de comunicação elaborada pelo ser humano e provocou grande revo- lução em seus usos e costumes. Diferentemente da fala e das pinturas rupestres, a escrita permitiu ao ser humano a comunicação de longo alcance geográfico, a fixação de leis, de regras e penalidades, que viabilizaram a formação de estruturas sociais e políticas estáveis. A escrita hieroglífica é um dos sistemas de escrita mais antigos do mundo e remonta a aproximada- mente 3000 a.C. Apenas os sacerdotes, membros da realeza e os escribas conheciam a arte de e escrever seus sinais. Por isso, eram usados, principalmente, nas paredes dos templos e túmulos, locais habitados por essas pessoas. Os hieróglifos deram origem a uma forma cursiva, chamada hierática, usada em textos literários, jurídicos e administrativos. A escrita hierática influenciou os sistemas de escrita que surgiram posterior- mente, como 0 fenício, hebraico, grego, 0 latino e 0 árabe. Por que domínio da escrita tornou-se um poderoso instrumento de controle? 30Primeiro Império Babilônico, fundado pelos Reinado de Hamurabi, na Babilônia, e redação do Código de Entre 2000 e 1750 a.C. Entre 1792 e 1750 a.C. As pirâmides egípcias Fique de olho! Os antigos egípcios também nos deixaram monumentos que hoje integram FEIJÓ, Martin Cezar. patrimônio de bens culturais do mundo, incluindo as pirâmides, construídas como Antigo Egito. 0 novo tumbas para os faraós. As mais famosas foram as de Guiza (ou Gizé), dos faraós império. São Paulo: Quéops, Quéfren e Miquerinos. Construídas durante Antigo Império, as pirâ- Ática, 1997. mides simbolizavam os raios do Sol brilhando em direção à Terra, razão pela qual 0 leitor poderá conhecer melhor a foram sempre construídas na margem oeste do Nilo, na direção do poente. civilização egípcia A magnitude das pirâmides explica, em parte, o caráter divino que se atribuía acompanhando a aos faraós. Além de serem os principais governantes, chefes do exército, supremos peregrinação de Nekhti, médico da sacerdotes e magistrados, eram considerados deuses ou filhos de deuses. Geral- corte de Ramsés II, mente o faraó era associado ao deus-Sol, que possuía nomes variados, como Rá. até Baixo Egito. CONVERSA DE HISTORIADOR Despotismo oriental 0 processo de formação dos Estados no Orien- a chamada "causa Nessa perspecti- te Próximo apresenta controvérsias. 0 historiador va, as obras hidráulicas seriam consequência de alemão Karl Wittfogel publicou, em 1957, um livro Estados fortes e não a causa deles. Por falta de que se tornou famoso: Despotismo oriental: um es- evidências arqueológicas confiáveis, é impossível tudo comparativo do poder total, dedicado ao estudo precisar com exatidão que veio antes: 0 Estado das civilizações egípcia e mesopotâmica, no Orien- ou as grandes obras. te Próximo, e também à China e à Índia antigas, no Mas 0 certo é que, no Oriente Próximo, surgi- Extremo Oriente. ram Estados capazes de mobilizar enorme massa Segundo esse historiador, surgimento de de trabalhadores para serviços públicos, isto é, derosos Estados agrícolas no Oriente se deveu à não somente para construir canais, cisternas ou realização de obras hidráulicas em grande escala, diques, mas também pirâmides, templos, palácios envolvendo a mobilização dos camponeses sob e tudo mais que marcou a grandeza do Antigo comando dos governantes. 0 resultado foi a cria- Egito e da antiga Babilônia. ção do chamado despotismo oriental, no qual Es- tado era proprietário de todos os bens, permitindo aos camponeses usufruto das terras dedicadas à subsistência, mediante 0 pagamento de tributos em gêneros ou serviços para Estado. BETTMANN/CORBIS/FOTOARENA No século XIX, Karl Marx já havia proposto in- terpretação semelhante, atribuindo à construção e à administração de obras hidráulicas um peso de- cisivo para a formação dos Estados orientais. Ele afirmou que a condição social dos camponeses era de uma "escravidão 0 trabalho do camponês sustentava a grandeza dos faraós. 0 ponto mais polêmico dessa interpretação é 0 Pintura na parede da Tumba de Menna, que viveu durante papel das obras hidráulicas na formação do Esta- a XVIII dinastia, mostra camponeses na lida com 0 trigo, do, pois muitos historiadores puseram em dúvida auxiliados por bois. Museu Egípcio do Cairo, Egito. 1. Por que, para muitos historiadores, a hipótese da "causa hidráulica" não justifica surgimento de Estados do Oriente Próximo? 2. Como você define a expressão "escravidão generalizada" no contexto do sistema de trabalho utilizado nos Estados do Oriente Próximo? 31Restauração faraônica no Antigo Egito com Segundo Império 0 faraó Amenófis IV institui monoteísmo no Antigo Egito, Tebano. centrado no culto de Aton. Cerca de 1550 a.C. Entre 1372 e 1354 a.C. Deuses e faraós Os egípcios eram politeístas, isto é, possuíam inúmeros deuses. Osíris, por exem- INTERFOTO/FOTOARENA plo, era o deus da eternidade, que governava a vida após a morte. Ísis, sua esposa e irmã, fora responsável, segundo a mitologia, pela ressurreição de Osíris, assassinado por seu irmão Set, deus da desordem e da violência. Hórus, filho de Osíris e Ísis, repre- sentava Sol no caminho do zênite e era simbolizado por um falcão ou um homem com cabeça de falcão, coroado com um disco solar. Os faraós eram associados aos deuses e tratados como um deles. Entre os que se destacaram estão Amen-hotep IV e Tutankamon, ambos do século XIV a.C. Amen -hotep IV, mais conhecido como Amenófis IV, tentou reforçar poder faraônico Estátua em granito por meio da religião. Iniciou o culto ao disco solar, Aton, associado ao faraó, em representando a rainha detrimento de Amon, mudando o seu próprio nome para Akhenaton. Seu sucessor, Hashepsut, que reinou no século XV a.C., durante a Tutankamon, reverteu o processo: condenou o culto a Aton e restaurou o culto ao XXVIII dinastia do Egito. deus tebano Amon como religião estatal. Morreu jovem, aos 19 anos, e foi enter- Museu Egípcio do Cairo, rado no vale dos Reis, em Tebas. Cairo, Egito. Outro faraó de destaque foi Ramsés II, que viveu no século XIII a.C., durante a XIX dinastia. Em seu governo, os egípcios enfrentaram os hititas, povo de origem indo-europeia que dominou a região de Anatólia (na atual Turquia), disputando controle das rotas comerciais da região. Ramsés II mandou construir vários tem- plos na Núbia, ao sul do Antigo Egito. Morreu com mais de 90 anos, e seu governo é considerado mais importante da história do Egito. Houve também mulheres que exerceram poder. Em 1505 a.C., uma delas chegou a ser Hashepsut, que se declarou filha do deus Amon para chegar ao poder. Seu governo caracterizou-se por grandes construções e pelo estreitamento das relações comerciais com Ponto Euxino, no mar Negro. Outra mulher de destaque foi Nefertite, primeira esposa do faraó Amenófis IV. 3 Babilônicos e a Mesopotâmia O nome Mesopotâmia vem do grego meso-potamos e significa "entre rios" (no Platô classificação caso, rios Tigre e Eufrates, que desembocam no golfo Pérsico). A região é um de relevo para regiões imenso platô vulcânico extremamente fértil, rodeado por desertos ao sul e por elevadas e planas; montanhas com escassas pastagens ao norte. planalto. Na região da Mesopotâmia, a partir de 3000 a.C., surgiram várias sociedades que dependiam dos recursos hídricos ali existentes, dos quais os mais importantes eram os sumérios e os acádios. Se Antigo Egito era dádiva do Nilo, povos da Mesopotâmia eram a dádiva do Tigre e do Eufrates. Dessa época, datam também primeiros zigurates, tem- DEAN plos compostos de várias plataformas retangulares, ovais ou quadradas. Cada andar possuía uma área menor do que inferior. Buscava-se, assim, a estabilidade do edifício, que podia ter de dois a sete andares. O mais famoso zigurate foi construído na Babilônia, em honra ao deus Marduk. O templo foi chamado de Etemananki, na língua suméria, que significa "fundação do Céu e da Terra". Muitos historiadores afirmam que esse templo era a Torre de Babel citada na Bíblia, uma 0 zigurate de Ur, no atual Iraque, é um exemplo da arquitetura mesopotâmica no III milênio a.C. construção realizada por pessoas ambiciosas, que desejavam alcançar céu. 32Reinado de Ramsés II, último grande faraó do Antigo Egito. Moisés lidera os hebreus em busca da Terra Santa. Entre 1301 e 1225 a.C. Cerca de 1210 a.C. A escrita cuneiforme Desde o tempo dos sumérios, no final do IV milênio a.C., Tabuleta contendo existia na Mesopotâmia uma escrita em forma de pictogramas ou desenhos, que evoluiu para a chamada escrita cuneiforme ERICH escrita cuneiforme, uma das 15 mil tábuas nome derivado das incisões em forma de cunha adotadas dos arquivos reais a.C.), em frente pelos escribas. Com o passar dos séculos, o sistema acabou ao Palácio G, Ebla, Síria, se tornando mais complexo, misturando escrita fonética com escavado em 1975 por ideográfica. Paolo Museu Nacional, Alepo, Síria. Babilônia de Hamurabi Na Mesopotâmia, o Estado hegemônico demorou a se formar. Existiam cidades- -Estado, como Ur e Lagash, que exerciam somente controle local, principalmente sobre as aldeias circunvizinhas. Destacavam-se os sumérios e acádios, que reali- zavam obras para controle das águas e dominavam a metalurgia do bronze. Entre 2000 a.C. e 1750 a.C., formou-se um dos maiores Estados centralizados da Mesopotâmia, organizado pelos amoritas ou antigos babilônios. Foi o chama- do Primeiro Império Babilônico, cujo centro político se situava às margens do rio Eufrates. Seu principal governante, Hamurabi, reinou por mais de 40 anos. Hamurabi, que assumiu poder em 1792 a.C., foi responsável pelo primeiro código de leis escritas conhecido, o Código de Hamurabi. Após a sua morte, o Impé- rio Babilônico sofreu várias invasões, culminando com a dos assírios, povo semita que vivia do pastoreio ao norte da Mesopotâmia, nas proximidades do rio Tigre. OUTRA DIMENSÃO CIDADANIA As leis da Babilônia 0 Código de Hamurabi continha 292 preceitos que foram reunidos para enaltecer a justiça do governante. Foi compilado em escrita cuneiforme e versava sobre os mais variados assuntos. código babilônico continha vá- rios itens relacionados à vida social e ao cotidiano da população. Um deles dividia a população da Babilônia em pessoas livres, subalternas e escravas. Os pagamentos por serviços deviam variar conforme a natureza do trabalho realizado. Os honorários de um médico deviam considerar a condição social do enfermo. Se uma casa desmoronasse matando seu proprietário, arqui- ZEV teto responsável pela construção era condenado à morte. As decisões da justiça podiam ser escritas, admitindo-se apelação ao governante. 0 Código de Hamurabi foi escrito em um monolito preto de 2,5 m de altura, datado de cerca de 1780 a.C. Seus preceitos baseavam- -se no princípio da lei do talião: "olho por olho, dente por com castigo proporcional ao delito cometido. A estela do código exposta no Museu do Louvre, em Paris (França), foi descoberta no atual Irã, em 1901, pelo arqueólogo francês Jacques de Morgan. Nela, deus Shamash dita as leis a Hamurabi, rei da Babilônia. É possível afirmar que a lei do talião ainda vigora no direito penal contemporâneo? Discutam em grupos. 33Inificação do Reino dos hebreus por Saul, da tribo de Benjamim. Salomão sucede a Davi e manda construir 0 templo de Jerusalém. Cerca de 1050 a.C. Cerca de 965 a.C. Expansão assíria Ao longo do I milênio a.C., os assírios se expandiram por toda a Mesopotâmia. Chegaram a impor ainda tributos aos povos próximos, incluindo egípcios. Em 729 a.C., os assírios conquistaram a Babilônia. No rei- nado de Sargão II, eles atacaram hebreus na atual Palestina, deportando milhares deles para trabalhos forçados na Babilô- nia. No século VII a.C., seu sucessor, Senaqueribe, transferiu a capital de Assur para Nínive, também às margens do Tigre. Morreu assassinado por dois de seus filhos. Seu reinado repre- sentou o apogeu do Império Assírio. Assurbanipal foi último a governar o Império Assírio, e seu reinado foi marcado por muitas derrotas militares, que fa- cilitaram a conquista de autonomia pelos antigos egípcios. En- tre seus feitos está a criação de uma biblioteca com tábuas de Judeus exilados carregam provisões. Detalhe do barro em Nínive, conhecida como a Biblioteca de Assurbanipal, contendo textos relevo que ornamenta o em escrita cuneiforme sobre a vida social, política e religiosa do Império Assírio. palácio de Senaqueribe, na cidade de Nínive, na Mesopotâmia (atual Babilônia dos caldeus Iraque). Retrata a conquista de Lachish, cidade fortificada judia, No século VII a.C., os assírios tiveram de se defrontar com o avanço dos cal- pelos assírios. Museu Britânico, Londres, deus, povo originário da península Arábica, que se fixou na margem oriental do Reino Unido. rio Eufrates. Em 625 a.C., caldeus conquistaram a Babilônia; dez anos depois, Assur; e, em 612 a.C., Nínive. O Império Caldeu também é conhecido como Se- Fique de olho! gundo Império Babilônico ou Império Neobabilônico. Nesse período, destacou-se Nabucodonosor II, que reinou sobretudo no sécu- REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São lo VI a.C. No seu reinado ocorreu a conquista do Reino de Judá e a destruição Paulo: Saraiva, 2002. do templo de Jerusalém, em 587 a.C. Milhares de hebreus foram deportados no Breve síntese da chamado cativeiro da Babilônia, que durou 70 Em 539 a.C., os povos da história da Mesopo- tâmia enfatizando as Mesopotâmia foram derrotados pelos persas, comandados por Ciro II, o Grande. heranças deixadas O controle da região mudaria de mãos outra vez. por cada época. IMPÉRIO NEOBABILÔNICO (SÉCULOS VII E VI SIMONE MATIAS ANATÓLIA (TURQUIA) Tarso Karkemish Alepo Harran Chipre Rio Nínive MAR MEDITERRÂNEO Ashur Damasco PÉRSIA (IRÃ) Jericó Bagdá MAR MORTO Babilônia Umma EGITO Lagash ARÁBIA Uruk Susa Ur N Fonte: DUBY, G. Atlas Historique VERMELH MAR Região da Mesopotâmia Paris: Larousse, na Antiguidade 2003. p. 0 235 km 40°LDivisão do reino hebreu entre Judá e Israel. Os fenícios fundam Cartago, na atual Tunísia, em meio à sua expansão marítima. 814 a.C. 4 Império Persa Na região do atual Irã, os persas IMPÉRIO PERSA (SÉCULOS VI E construíram um dos principais impérios da Antiguidade. Originários de povos in- do-europeus do Cáucaso, durante algum SIMONE MATIAS tempo foram dominados pelos medas, MAR NEGRO MAR habitantes do planalto iraniano. LÍDIA Em 700 a.C., os habitantes das cida- Éfeso CAPADÓCIA CORÁSMIA des persas pagavam tributos aos medas. Issos ARMÊNIA Maracanda Em meados do século VI a.C., coube a Chipre MAR Rio Tigre Báctria Ciro II liderar a expansão dos persas, Tiro ÁRIA GANDARA Rio Ecbatana vencendo os medas e, em seguida, con- 30° MÉDIA PÉRSIA Cabura quistando a Babilônia, a Síria, a Palestina Pasárgada EGITO Persépolis GEDRÓSIA e os povos da Ásia Menor. Era início do grande Império Persa da dinastia Aque- ARÁBIA sucessor de Ciro, Cambises II, con- Indo Rio MAKA mênida. INDIA Golfo de Omã quistou o Egito, em 525 a.C. Dario I am- pliou mais ainda império, no início do século V a.C., conquistando a Anatólia MAR e a Trácia. A leste, conquistou parte da Índia. Foi apogeu dos aquemênidas, N Crescente Fértil mais poderoso império até então conhe- Império Persa Golfo de Áden 0 451 km cido nessa parte do mundo. 40°L A administração do império foi cen- tralizada em Susa, mas se baseou nas satrapias, criadas por Dario I, províncias Fonte: KINDER, HILGEMANN, Werner. governadas por funcionários leais ao soberano, sátrapas. comércio foi esti- Atlas Histórico Mundial: mulado pela introdução do dárico, moeda de ouro. Os persas tentaram ainda do- de los orígenes a la Revolución Francesa. Madri: minar a Grécia uma aventura que se mostrou desastrosa para o Império Persa. Ediciones Istmo, 1982. p. 44. monoteísmo dos hebreus A História no seu lugar Os hebreus eram um dos povos semitas que, na tradição bíblica, descendiam de A sinagoga é espaço de culto do judaísmo, Sem, filho primogênito de Noé. O conceito de semita se refere, antes de tudo, a um religião cujos costumes tronco linguístico que inclui hebraico, aramaico e o árabe, entre outras línguas. e preces obedecem povo hebreu tinha como religião o judaísmo, uma das primeiras religiões mo- a duas tradições distintas: a asquenazi, noteístas. O judaísmo tem como elemento fundamental a crença em um único deus oriunda dos judeus que (Yahvé, em hebraico), criador do mundo e de todas as coisas. Os hebreus tinham a emigraram do Oriente crença de serem eles povo eleito, dentre todos os demais, para honrar a Deus. Próximo para a Europa De acordo com o relato bíblico, o patriarca do judaísmo foi Abraão, natural da centro-oriental, e a sefardita ou sefaradita, cidade de Ur, na Mesopotâmia. Ele teria recebido uma revelação divina e se recu- proveniente dos judeus sado a cultuar os ídolos. Fez uma aliança com Yahvé, por meio da circuncisão que que se instalaram no lhe fora exigida aos 86 anos de idade. norte da África e na Espanha. Há alguma Abraão é considerado fundador da linhagem hebreia, migrando da Mesopotâ- sinagoga em sua mia para Canaã, na Palestina, onde seria erguido, muito mais tarde, o reino hebreu. cidade? Que tradição Descendem de Abraão as 12 tribos (unidades patriarcais) fixadas na Palestina, das ela segue? quais as mais importantes e duradouras foram as de Benjamim, Judá e Levi. 35Conquista da Babilônia pelos assírios. Sargão II, rei assírio, deporta hebreus. 729 a.C. No tempo de Moisés REMBRANDT HARMENSZOON VAN QUEBRANDO AS TÁBUAS Os hebreus eram pastores que depois adotaram a agricultu- ra e se dedicaram ao comércio, favorecidos pela proximidade das principais rotas da região. O povo hebreu passou, no entanto, por uma série de perío- dos de fome. Por volta do II milênio a.C., há evidências de uma migração voluntária de hebreus para o delta do Nilo, autoriza- da pelo faraó. Posteriormente, foram submetidos à tributação coletiva, obrigados a trabalhar nas obras do faraó e impedidos de deixar o reino. Essa situação dos hebreus é narrada na Bíblia como o cativeiro do Egito. Mas nem todos os hebreus teriam passado pelo cativeiro egípcio, que durou séculos, pois parte deles permaneceu na Palestina. Foi entre os hebreus que viviam no Egito que surgiu Moi- sés (Moshe, em hebraico). A Bíblia conta que Moisés teria sido o único sobrevivente de um massacre de bebês hebreus do sexo masculino ordenado pelo faraó, identificado por al- Moisés pintura do artista holandês Rembrandt van Rijn, mostra profeta israelita exibindo as tábuas guns como Ramsés II. Colocado em uma cesta nas águas do da lei para seu povo eleito. Museus Nacionais, Berlim, Nilo, acabou descoberto por uma das filhas do faraó e foi Alemanha. criado no palácio. Já adulto, recebeu a revelação divina de que era hebreu e tinha por missão libertar seu povo do cativeiro egípcio e levá -lo de volta à Palestina (a Terra Prometida). A Moisés é atribuído o papel de legislador do judaísmo, incluindo a redação do Pentateuco (os primeiros cinco livros do Antigo Testamento) e os Dez Manda- mentos, as tábuas da lei que, segundo a Bíblia, recebeu diretamente de Deus, no monte Sinai. CONVERSA DE HISTORIADOR A Bíblia e a História Os fatos narrados no Antigo Testamento podem tos, essa hipótese coloca em causa a data dos ser, obviamente, questionados. Muitas vezes, os primeiros assentamentos agrícolas na região. fatos reais são ali narrados de forma alegórica e/ou Ao Antigo Testamento, mais tarde, foram uni- apresentam contradições. dos os textos do Novo Testamento, formando a A descoberta arqueológica da Estela de Mer- Bíblia cristã. Os fatos narrados na Bíblia são con- neptá (c. 1200 a.C.), no túmulo do sucessor de siderados sagrados do ponto de vista da religião Ramsés II, o faraó Merneptá (1213 a.C.-1203 a.C.), judaica (Antigo Testamento) e cristã e Novo cita o povo que habitava Israel como um dos Testamentos). Do ponto de vista histórico, o texto grandes inimigos do Egito, sugerindo que a ocu- bíblico reúne fatos concretos narrados utilizando pação da região já era uma realidade no século uma linguagem sacralizada, típica dos textos reli- XIII e que os israelitas eram vistos com respeito giosos, que realça sobrenatural e o divino como e temor pelos adversários. Questionada por mui- determinantes das ações humanas. Pesquise na Bíblia episódio da migração hebreia para a Palestina sob a liderança de Moisés. Depois discuta com os colegas: 0 que pode ser considerado histórico? 0 que aparece de forma figurada e não pode ser comprovado? 36Os caldeus derrotam os assírios e conquistam a cidade Os caldeus conquistam Nínive, capital assíria, fundando Império de Assur. reino hebreu Fique de olho! A formação do Estado hebreu não foi imediata, pois houve conflitos. Os maio- PINSKY, Jaime. res ocorreram entre as tribos do norte (que formariam posteriormente Reino de 100 textos de História Antiga. São Paulo: Israel) e as do sul (o de Judá). Para muitos historiadores, os hebreus do norte eram Contexto, 1998. mais abertos às influências do politeísmo dos povos vizinhos, enquanto no sul eles Coletânea de do- cumentos escritos eram monoteístas radicais. sobre vários temas No século XI a.C., o Estado hebreu surgiu com as 12 tribos aceitando Saul, do mundo antigo, da tribo de Benjamim, como rei, em decorrência das exortações do juiz Samuel. como: escravismo e justiça social; A falta de união política aumentava o risco de os hebreus serem dominados pelos guerras de povos vizinhos (como os filisteus). O reino hebreu abrangia uma estreita faixa de conquista; sistemas terra, que se estendia desde o sul do atual Líbano até a península do Sinai, e do políticos; governos; educação, mulher, mar Mediterrâneo até o rio Jordão. família; religião etc. No reinado de Saul, destacou-se o jovem guerreiro Davi. Ele ganhou prestí- gio ao vencer vizinhos filisteus, que cobravam impostos dos hebreus do sul. A Bíblia narra esse combate, alegoricamente, ao mostrar a vitória de Davi sobre o Fique de olho! gigante Golias, o líder dos filisteus. Com a morte de Saul (suicídio ou assassinato), Rei Davi. Direção: por volta de 1010 a.C., Davi o sucedeu e conseguiu submeter os filisteus. Bruce Beresford. Assim, o Reino de Israel foi fortalecido, Jerusalém se consolidou como cen- EUA, 1985. Com Richard Gere tro administrativo e um poderoso exército foi formado. Nesse tempo, o reino no papel de Davi, o passou a ser respeitado pelos Estados vizinhos e a controlar rotas comerciais filme conta a história deste segundo importantes. rei dos hebreus, Em decorrência dessa reorganização interna, o reino hebreu pôde expandir incluindo a luta seus domínios, agregando terras a leste do rio Jordão, o sul da Fenícia e parte da contra os filisteus e atual Síria (Colinas de Golã). Davi também reforçou o judaísmo entre os hebreus; Golias, inspirado na enfrentou a conspiração do filho Absalão e tornou Betsabá uma de suas várias narrativa bíblica. concubinas. Dessa união nasceu Salomão, terceiro grande rei de Israel. Salomão ficaria conhecido pelo seu senso de justiça (vem daí a expressão jus- tiça salomônica). Ele assumiu governo por volta de 965 a.C. e ordenou a cons- trução do templo de Jerusalém. Mandou construir um grandioso palácio com os recursos fiscais arrecadados no comércio e na tributação das aldeias. Submeteu, ainda, os hebreus do norte a trabalhos forçados, isentando de impostos os naturais de Judá, ao sul. EDWARD JOHN POYNTER A VISITA DA RAINHA DE SABÁ AO REI Representação do encontro da rainha de Sabá, Makeda, com rei Salomão, em suntuosa cerimônia no grande palácio de Jerusalém. Note que a rainha etíope, embora fosse negra, é apresentada como uma mulher branca padrão adotado em quase todas as representações da rainha no Ocidente. Pintura New de 1890, de Edward John Poynter. Galeria South Wales, Sydney, Austrália. 37Nabucodonosor destrói templo de Jerusalém. Início do Ciro II, Grande, rei dos persas aquemênidas, toma a Babilônia. Cativeiro da Babilônia. Hebreus constroem segundo templo de Jerusalém. 587 a.C. 539 a.C. REINOS HEBREUS DE JUDÁ reino dividido E ISRAEL (SÉCULO VIII Com a morte de Salomão, por volta de 922 a.C., os he- 36°L PORTAL DOS MAPAS breus se dividiram. Reino de Israel, ao norte, não resistiu Tiro Dan aos assírios, em 722 a.C., comandados por Sargão II. O Reino de Judá, ao sul, também enfraquecido, tornou-se tributário do MAR Mte MEDITERRÂNEO Tabor Lago Egito por imposição do faraó Checonq. Em 587 a.C., a cidade 588 sagrada dos hebreus caiu de vez, conquistada pelo rei da Ba- 528 Meggido Ramoth m Ghilead bilônia, Nabucodonosor II. O célebre cativeiro da Babilônia, ISRAEL Siquém Rio Jordão que somente atingiu os hebreus do sul, perdurou até 539 a.C., Silo ano em que a cidade foi tomada pelos persas e os hebreus Jope Rabath Betel Jericó foram autorizados a regressar para suas terras. Ammon Ashdo Ascalon FILISTEUS Belém Hebron MAR MORTO Bersebá MOAB 6 Navegadores do Oriente no Mediterrâneo: fenícios JUDÁ Os fenícios, povo de origem semita, fixaram-se no territó- rio hoje pertencente ao Líbano. A sociedade floresceu ali entre os séculos X e V a.C., destacando-se as cidades de Sidon, Tiro EDOM e Biblos. Eram cidades-Estado autônomas, cada qual com seu governante e com suas leis, ou seja, não havia uma unidade N política. Reino de Israel 0 km Reino de Judá A grande característica dos fenícios foi o comércio maríti- mo no Mediterrâneo, com intensa construção naval. Navios Fontes: KINDER, HILGEMANN, Werner. de cedro, madeira abundante na região, fizeram a glória do Atlas Histórico Mundial: de principal reino marítimo da Antiguidade oriental. los a la Revolución Os fenícios eram politeístas, com destaque para o deus Baal, senhor da chuva, Francesa. Madri: Ediciones Istmo, 1982. 36; DUBY, do trovão e da agricultura. A escrita fenícia possuía um jeito próprio, do tipo Georges. Atlas Historique Mondial. fonético, considerada uma das mais avançadas dentre os sistemas alfabéticos do Paris: Larousse, 2006. p. 8. Oriente Próximo, origem da escrita grega e latina. Diversos entrepostos comerciais foram fundados na bacia do Mediterrâneo. Por isso, desde o século V a.C., os fenícios entraram em conflito com os atenien- ses. A autonomia das cidades fenícias pôde ser parcialmente resguardada graças a uma série de alianças e ao papel de seus mercadores no abastecimento de vários impérios mesopotâmicos e do Egito. Ainda no século X a.C., o governante de Tiro estabeleceu parceria com o rei Salomão, de Israel, organizando uma expedição ao mar Vermelho. Mais tarde, os fenícios firmaram alianças com assírios, babilônios e, sobretudo, persas. Mas suas cidades passaram a pagar tributos aos grandes impérios. A aliança com persas foi mais sólida, porque fenícios e persas tinham os gregos como inimigo comum. O processo de expansão fenícia no Mediterrâneo foi notável. Navegaram na parte ocidental, fundando colônias mercantis no norte da África e na península Ibérica. A mais famosa cidade fenícia no Mediterrâneo ocidental foi Cartago, na atual Tunísia, fundada em 814 a.C. Alguns historiadores chegaram a sugerir que os fenícios teriam navegado pelo Atlântico e chegado até a América, mas não há comprovação dessa hipótese. 38Reinaldo de Dario I. Apogeu do Império Persa Aquemênida. Os hebreus são incorporados ao Império Romano como a província de Entre 521 e 486 a.C. 63 a.C. FENÍCIOS NO MEDITERRÂNEO (SÉCULO IX MAR DO MAR Fenícios NORTE HIROE SASAKI ÁSIA EUROPA OCEANO ATLÂNTICO MAR DE ARAL Córsega MAR NEGRO Sagunto Baleares 40°N Sardenha Gades Nova MAR Sicília Sídon Biblos Rio Tigre ASSÍRIA IMPÉRIO PERSA Cartago Cartago Creta Chipre N Tíngis Babilônia Tiro FENÍCIA ÁFRICA 0 508 km Golfo Pérsico Fontes: KINDER, HILGEMANN, Werner. Atlas Histórico Mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. Madri: Ediciones Istmo, 1982. p. 36; DUBY, Georges. Atlas Historique Mondial. Paris: Larousse, 2006. p.8. IMAGENS CONTAM A HISTÓRIA Livro dos Mortos 0 cuidado excepcional dos egípcios com os restos mortais do falecido era determinado pela preocupa- ção com o destino da alma e pela possibilidade de ressureição. Segundo Livro dos Mortos coletânea de cânticos e preceitos que orientava os ritos funerários -, todo o procedimento era acompanhado por Anúbis, o deus da morte, divindade com cabeça de chacal. Na imagem, Anúbis conduz a alma do morto ao local do seu julgamento. No outro mundo, 0 coração era então depositado em um dos pratos de uma balança, que tinha do outro lado uma pena de avestruz. A pesagem feita por Anúbis era anotada pelo deus Tot, divindade com cabeça de ave, que regia a escrita, a sabedoria e a medição do tempo. Se coração do morto fosse leve como a pena da avestruz, ele teria direito a outra vida; caso fosse mais pesado, concluía-se que havia sido mau em vida. Neste caso, morto era condenado a ser devorado por Amit, um monstro com cabeça de crocodilo. UIG VIA GETTY IMAGES Página do Livro dos Mortos feito para sepultamento de Hunefer, escriba egípcio do século XIII a.C. Museu Britânico, Londres, Reino Unido. Por que se diz que o Livro dos Mortos egípcio contém uma das mais antigas formas de compreensão mo- ral da morte de que se tem notícia? 39Roteiro de Estudos Para organizar 1. Caracterize a importância do Crescente Fértil na 7. Por que podemos considerar antigo Império Persi história antiga do Oriente Próximo. mais expansionista dentre todos os impérios mili taristas do Oriente Próximo? 2. Por que 0 Egito é considerado "uma dádiva do Nilo"? 8. Em qual fonte de origem hebreia estão narrados 3. Caracterize 0 poder dos faraós egípcios. fuga do Egito e 0 cativeiro da Babilônia? 4. Como definir a função política das pirâmides? 9. 0 que distingue povo hebreu dos demais povos d 5. 0 que foi Código de Hamurabi? Antiguidade oriental? 6. Cite algumas obras monumentais do Egito e da Me- 10. 0 que distingue a economia dos fenícios em relaçã sopotâmia na Antiguidade. aos demais reinos da Antiguidade oriental?