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Direito Penal – Teoria do Crime Teoria Geral do Delito Andressa Tanferri Sentone Curso de Direito Unopar Catuaí Londrina-PR Conceitos Teoria Finalista Tripartite do Delito CONCEITO ANALÍTICO DE CRIME TEORIA FINALISTA BIPARTITE: É o fato típico e ilícito, sendo a culpabilidade pressuposto de aplicação da pena (MINORITÁRIA). TEORIA FINALISTA TRIPARTITE: Crime é o fato típico, ilícito e culpável (MAJORITÁRIA). CRIME TIPICIDADE ILICITUDE CULPABILIDADE SISTEMA TRIPARTITE FATO TÍPICO ILICITUDE/ ANTIJURIDICIDADE CULPABILIDADE • CONDUTA • RESULTADO • NEXO CAUSAL • TIPICIDADE FATO CONTRÁRIO AO ORDENAMENTO JURÍDICO • IMPUTABILIDADE • POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE • EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA Interação Fato Típico FATO TÍPICO É o fato humano que se enquadra com perfeição aos elementos descritos no tipo penal. FATO ATÍPICO: conduta que não encontra correspondência em nenhum tipo penal. ELEMENTOS DO FATO TÍPICO CONDUTA RESULTADO NATURALÍSTICO RELAÇÃO DE CAUSALIDADE (NEXO CAUSAL) TIPICIDADE FATO TÍPICO NOS CRIMES MATERIAIS CONSUMADOS FATO TÍPICO NOS DEMAIS CRIMES (TENTADOS, FORMAIS E DE MERA CONDUTA) CONDUTA TIPICIDADE RESULTADO RELAÇÃO DE CAUSALIDADE CONDUTA TIPICIDADE CRIME MATERIAL, FORMAL E DE MERA CONDUTA Relação entre conduta e resultado, modificação no mundo exterior MATERIAIS: o crime descreve um resultado, que é necessário para a sua consumação. Exemplos: art. 121; art. 155 do CP. FORMAIS (Consumação antecipada ou resultado cortado): o crime descreve um resultado, mas ele é dispensável para a consumação do delito. Exemplos: art. 159; art. 333 do CP. DE MERA CONDUTA (Simples atividade): o crime descreve apenas a conduta, não há resultado previsto. Exemplos: art. 233 do CP; art. 12 e 14 da Lei 10.826/03. Interação Conduta 1) CONDUTA TEORIA FINALISTA DA AÇÃO: Conduta é a ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dirigida a um fim. ELEMENTOS DA CONDUTA: exteriorização do pensamento + consciência + voluntariedade + finalidade. ATENÇÃO: não há crime sem conduta. CAUSAS DE EXCLUSÃO DA CONDUTA Atos ou movimentos reflexos *Não confundir com ações em curto-circuito Sonambulismo ou hipnose Coação física irresistível *Não confundir com coação moral COAÇÃO FÍSICA x COAÇÃO MORAL COAÇÃO IRRESISTÍVEL FÍSICA (vis absoluta) MORAL (vis compulsiva) EXCLUI A CONDUTA EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE VONTADE EXCLUI A TIPICIDADE INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA (apesar de existir vontade) EXCLUI A CULPABILIDADE CONDUTA OMISSIVA E CONDUTA COMISSIVA CRIMES COMISSIVOS: o verbo descreve um fazer. Exemplo: art. 121. CRIMES OMISSIVOS: o verbo descreve um não fazer. Exemplo: art. 135. ESPÉCIES DE CONDUTA DOLO CULPA A conduta é dolosa quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. A conduta é culposa quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. ESPÉCIES DE DOLO VONTADE RESULTADO DESEJADO DOLO DIRETO DOLO EVENTUAL ASSUME O RISCO RESULTADO NÃO DESEJADO, MAS PREVISTO ESPÉCIES DE CULPA RESULTADO NÃO DESEJADO, MAS PREVISÍVEL RESULTADO CAUSADO POR NEGLIGÊNCIA, IMPRUDÊNCIA OU IMPERÍCIA RESULTADO NÃO DESEJADO, MAS PREVISTO E O AGENTE IMAGINAVA QUE ERA EVITÁVEL INCONSCIENTE CONSCIENTE RESULTADO CAUSADO POR NEGLIGÊNCIA, IMPRUDÊNCIA OU IMPERÍCIA ATENÇÃO: PREVISIBILIDADE ≠ PREVISÃO DOLO EVENTUAL X CULPA CONSCIENTE Tanto na culpa consciente, quanto no dolo eventual, o sujeito não quer produzir o resultado, mas prevê a possibilidade de sua ocorrência, porém, o que os diferencia, é que na culpa consciente o sujeito acredita que pode evitá-lo, enquanto no dolo eventual o sujeito assume o risco de produzi- lo. RESUMINDO CONSCIÊNCIA VONTADE DOLO DIRETO PREVÊ QUER O RESULTADO DOLO EVENTUAL PREVÊ ASSUME O RISCO DE PRODUZIR O RESULTADO CULPA CONSCIENTE PREVÊ ACREDITA PODER EVITAR O RESULTADO CULPA INCONSCIENTE NÃO PREVÊ, MAS O RESULTADO ERA PREVISÍVEL NÃO QUER E NÃO ACEITA O RESULTADO Interação Resultado 2) RESULTADO É a consequência provocada pela conduta do agente. RESULTADO JURÍDICO: presente em todos os crimes. É a lesão ou o perigo de lesão causada ao bem jurídico. RESULTADO NATURALÍSTICO: não está presente em todos os crimes. É a modificação que a conduta do sujeito causa no mundo exterior. Interação Nexo Causal 3) RELAÇÃO DE CAUSALIDADE OU NEXO CAUSAL É a ligação existente entre a conduta e o resultado. É por meio dela que se conclui se o resultado foi ou não provocado pela conduta. Está presente apenas nos crimes em que há resultado naturalístico TEORIAS DO NEXO CAUSAL EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS (CONDITIO SINE QUA NON) – Art. 13, caput, do CP. CAUSALIDADE ADEQUADA – Art. 13, §1º, do CP. TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS Teoria adotada como REGRA Causa é todo fato humano sem o qual o resultado não teria ocorrido, quando ocorreu e como ocorreu. MÉTODO HIPOTÉTICO DE ELIMINAÇÃO: suprimindo mentalmente o antecedente, se o resultado final for alterado, significa que trata-se de uma causa do crime. LIMITAÇÃO: dolo ou culpa. TEORIA DA CAUSALIDADE ADEQUADA Teoria adotada como EXCEÇÃO A causa superveniente relativamente independente que produz por si só o resultado rompe o nexo de causalidade, assim, exclui a imputação do resultado ao agente, que responderá apenas pelos fatos anteriores praticados. TEORIA DA CAUSALIDADE ADEQUADA Exemplo: Tício, visando matar Caio, desfere uma facada em seu abdômen, porém, Caio é socorrido e, no caminho do hospital, a ambulância em que se encontra sofre um acidente que mata todos os seus ocupantes, inclusive Caio. O acidente é uma causa superveniente relativamente independente que produziu por si só o resultado morte, portanto, Tício responderá apenas pela tentativa de homicídio. FIGURA DO GARANTIDOR (Art. 13, §2º) Omissão penalmente relevante. A pessoa não causa diretamente o resultado, mas se omite quando tinha o dever/obrigação de agir, permitindo que ele ocorra. Hipóteses a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância. Ex. Médico, bombeiro, pais. b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado. Ex. Babá. c) Com o seu comportamento anterior criou uma situação de perigo. Ex. jogar uma criança em uma piscina funda. Atenção: o agente responderá pelo resultado em razão de sua omissão crimes omissivos impróprios. Interação Tipicidade 4) TIPICIDADE TIPICIDADE FORMAL: é a subsunção do fato à normal penal. TIPICIDADE MATERIAL: relevância da lesão ou do perigo de lesão ao bem jurídico. Para que haja tipicidade é necessário a presença da TIPICIDADE FORMAL + TIPICIDADE MATERIAL. Exemplo: Tício subtrai uma caneta de uma livraria. Formalmente este fato se adequa ao art. 155 do Código Penal, porém, materialmente não há lesão significativa ao patrimônio (Princípio da Insignificância). Assim, o fato será considerado atípico. Interação Ilicitude ILICITUDE Conceito: É a contrariedade do fato com o ordenamento jurídico. CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE (art. 23) Legais: ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO Supralegal: CONSENTIMENTO DO OFENDIDO 1. ESTADO DE NECESSIDADE Art. 24 - “Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.” CONCEITO: É uma situação de perigo que produz um conflito entre dois ou mais bens juridicamente tutelados, de forma que um deles só poderá ser salvo com o sacrifício do outro. ESTADO DE NECESSIDADE - EXEMPLOS Tábua de salvação; O marido para salvar a esposa furta um veículo para levá-la aohospital; Furto famélico; Pedestre que se joga na frente do motorista que, para evitar o choque, desvia e colide com um veículo estacionado; Intervenção médica, sem consentimento, quando justificada por iminente perigo de vida. REQUISITOS DO ESTADO DE NECESSIDADE Perigo atual Ameaça a direito próprio ou alheio Situação não causada voluntariamente pelo sujeito Inexistência de dever legal de enfrentar o perigo Inevitabilidade da prática do fato lesivo Razoabilidade 2. LEGÍTIMA DEFESA Art. 25 - “Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.” REQUISITOS DA LEGÍTIMA DEFESA Agressão atual ou iminente e injusta; Defesa de direito próprio ou alheio; Uso moderado dos meios necessários para repelir a agressão (proporcionalidade); Consciência de que age em legítima defesa; Atenção: O sujeito que age com excesso na legítima defesa será responsabilizado pelo excesso, seja doloso ou culposo. ESPÉCIES DE LEGÍTIMA DEFESA Legítima defesa sucessiva: reação imediata ao excesso. Legítima defesa putativa: autor imagina estar em estado de legítima defesa ao se defender de agressão inexistente (só existe na sua cabeça). 3) ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL Art. 23, III, 1ª parte. Prática de um fato típico, em razão de cumprir o agente público uma obrigação imposta por lei. Dentro de limites aceitáveis, esta intervenção que agride bens jurídicos é justificada pelo estrito cumprimento do dever legal. Exemplos: Policial quando realiza uma prisão em flagrante, quando cumpre um mandado de busca e apreensão; oficial de justiça quando realiza uma penhora. 4) EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO Art. 23, III, parte final. Se o agente pratica a conduta em exercício a um direito (penal ou extrapenal) não há de se falar que essa situação é ilícita. O que é permitido, não pode, ao mesmo tempo, ser proibido. Exemplos: Lesões em atividades esportivas Intervenções médicas ou cirúrgicas Ofendículos CAUSA SUPRALEGAL DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE CONSENTIMENTO DO OFENDIDO Requisitos: Bem jurídico disponível Bem próprio Capacidade jurídica para dispor do bem Consentimento dado antes ou durante a execução Interação Culpabilidade CULPABILIDADE Conceito: é o juízo de reprovação/censura que recai sobre a conduta do agente. É o indivíduo que podendo optar pela via da legalidade acaba por praticar uma infração penal ELEMENTOS DA CULPABILIDADE IMPUTABILIDADE POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA Atenção: Se algum dos elementos não estiver presentes, estamos diante de uma causa de exclusão da culpabilidade. 1) IMPUTABILIDADE Conceito: Possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal CRITÉRIOS: CAPACIDADE DE ENTENDIMENTO DO CARÁTER ILÍCITO DO FATO E DE AUTODETERMINAÇÃO POSSUIR 18 ANOS OU MAIS CAUSAS DE EXCLUSÃO DA IMPUTABILIDADE A) MENORIDADE Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. Critério BIOLÓGICO: menor de 18 anos presunção absoluta de inimputabilidade Responde pelo ECA: não pratica crime e sim ato infracional CAUSAS DE EXCLUSÃO DA IMPUTABILIDADE B) DOENÇA MENTAL ou DESENVOLVIMENTO MENTAL INCOMPLETO ou RETARDADO Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Critério BIOPSICOLÓGICO: além de ser portador de doença mental, deve ser inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento Necessidade de PROVA PERICIAL (obrigatória) CAUSAS DE EXCLUSÃO DA IMPUTABILIDADE SEMI-IMPUTÁVEL (Art. 26, parágrafo único) Em razão de perturbação da saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto o agente não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento CULPABILIDADE SENTENÇA SANÇÃO PENAL INIMPUTÁVEL EXCLUÍDA ABSOLVIÇÃO IMPRÓPRIA MEDIDA DE SEGURANÇA SEMI-IMPUTÁVEL NÃO EXCLUÍDA CONDENATÓRIA PENA (reduzida de um a dois terços ou substituída por medida de segurança) INIMPUTABILIDADE x SEMI-IMPUTABILIDADE CAUSAS DE EXCLUSÃO DA IMPUTABILIDADE C) EMBRIAGUEZ COMPLETA PROVENIENTE DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR Art. 28, §1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Atenção: Não exclui a imputabilidade a “embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos (art. 28, II, do CP). CAUSAS DE EXCLUSÃO DA IMPUTABILIDADE ESPÉCIES DE EMBRIAGUEZ: Acidental: decorrente de caso fortuito ou força maior (exclui a imputabilidade). Não acidental: quando o agente ingere voluntariamente bebida alcoólica (não exclui a imputabilidade). Patológica: doentia (pode ser equiparada à doença mental). Preordenada: ingere bebida alcoólica com a finalidade de praticar um crime (agravante do art. 61, II, ‘l’, do CP). TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA Para aferir-se a imputabilidade no caso da embriaguez voluntária, despreza-se o tempo em que o crime foi praticado e considera-se como marco da imputabilidade penal o período anterior à embriaguez, em que o agente espontaneamente decidiu consumir bebida alcoólica ou substância de efeitos análogos. Ainda que no momento da conduta esteja embriagado, o sujeito responderá pelo crime praticado, pois no momento da ingestão era livre para decidir beber ou não. EMOÇÃO E PAIXÃO Art. 28, I: não excluem a imputabilidade penal. Podem servir como circunstâncias atenuantes da pena (art. 65, III, ‘c’ – influência de violenta emoção) ou como causa de diminuição de pena (art. 121, §1º - domínio de violenta emoção). 2) POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE Conceito: Para ser imputada a pena é necessário que o agente tenha praticado o fato sabendo, ou tendo a possibilidade de saber, que sua conduta é proibida. CAUSA DE EXCLUSÃO DA POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE ERRO DE PROIBIÇÃO/ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO (Art. 21): o agente conhece a realidade fática, mas não compreende o caráter ilícito da sua conduta. Sabe o que faz, mas não sabe que viola a lei. Atenção: análise cultural do sujeito. Exemplos: Holandês que vem para o Brasil portando droga na mochila; sujeito que furta um bem acreditando ser este um meio legítimo para pagamento de uma dívida. INEVITÁVEL: exclui a culpabilidade EVITÁVEL: diminui a pena de 1/6 a 1/3 3) EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA Conceito: É necessário que o crime tenha sido cometido em circunstâncias normais, isto é, o agente podia comportar-se em conformidade com o Direito, mas preferiu violar a lei penal. CAUSA DE EXCLUSÃO DA EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL: sujeito que pratica um ato ilícito sob o emprego de violência ou grave ameaça. B) OBENDIÊNCIA HIERÁRQUICA: sujeito que pratica um ato ilícito sob estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de seu superior hierárquico. EFEITO: só será punível o coator ou autor da ordem.