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USUCAPIÃO EXTRAJUDICIAL Tal modalidade de reconhecimento de usucapião é processada diretamente perante o cartório de registro de imóveis competente, de acordo com a localização do bem. O interessado deverá estar representado por advogado, com procuração simples, mas específica e expressa, e deverá apresentar em cartório um requerimento com exposição, de forma sucinta, dos seus argumentos que embasam o pedido de reconhecimento da aquisição pela usucapião, conforme a respectiva modalidade (extraordinária, ordinária, especial rural ou urbana e familiar), sem necessidade de reconhecimento da firma, instruído com: I - ata notarial lavrada pelo tabelião de notas, atestando o tempo de posse do requerente e seus antecessores, conforme o caso e suas circunstâncias (atenção: esse documento deverá ser lavrado em um tabelionato de notas, não é feito no cartório de registro de imóveis); II - planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional, e pelos titulares de direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes, com as firmas reconhecidas. Tratando-se de usucapião de imóvel sem origem registrária, nos termos do subitem 423.6.1, Capítulo XX, Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo, a planta do imóvel deve conter, no mínimo, três pontos georreferenciados para possibilitar a fixação territorial e o controle seguro da especialidade objetiva; III - certidões negativas dos distribuidores da comarca do imóvel e do domicílio do requerente, se diverso, da Justiça Federal e da Estadual (original, cópia autenticada ou que possa ser confirmada pela internet no site do tribunal); IV - justo título ou quaisquer outros documentos que demonstrem a origem, a continuidade, a natureza e o tempo da posse, tais como o pagamento dos impostos e das taxas que incidirem sobre o imóvel; V - último carnê de IPTU ou certidão municipal atualizada do valor do imóvel usucapiendo. Observação 1: O pedido será autuado pelo RI, prorrogando-se o prazo da prenotação até o acolhimento ou a rejeição do pedido; Observação 2: Se a planta não contiver a assinatura de qualquer um dos titulares de direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo (usufruto, servidão, hipoteca, caução, penhora, etc) e na matrícula dos imóveis confinantes, esse será notificado pelo registrador, pessoalmente ou pelo correio com aviso de recebimento, para manifestar seu consentimento expresso em 15 (quinze) dias, interpretado o seu silêncio como concordância; Observação 2-A: Caso não seja encontrado o notificando ou caso ele esteja em incerto ou não sabido, tal fato será certificado pelo registrador, promovendo-se a notificação por edital mediante publicação, por duas vezes, em jornal local de grande circulação, pelo prazo de 15 dias, interpretando-se o silêncio do notificando como concordância; Observação 2-B: Se o imóvel for unidade autônoma de condomínio edilício, fica dispensada a anuência dos titulares de direitos dos imóveis confinantes e bastará, quanto aos demais titulares das unidades do próprio condomínio, a notificação do síndico; Observação 2-C: Se o imóvel confinante contiver um condomínio edilício, bastará a notificação do síndico; Observação 3: Também serão intimados a se manifestar a União, o Estado e o Município, no prazo de 15 (quinze) dias, presumindo-se a inexistência de oposição, caso não se manifestem; Observação 4: Será publicado edital em jornal de grande circulação local, para a ciência de terceiros eventualmente interessados, que poderão se manifestar em 15 (quinze) dias, podendo o Oficial ou preposto por ele autorizado realizar diligências para esclarecer dúvidas; Observação 5: Transcorrido o prazo sem qualquer impugnação, o registro será realizado, cobrando-se um registro de valor declarado, tomando-se por base aquele atribuído ao bem pelo requerente ou o venal, o que for maior; Observação 6: Se a documentação não estiver em ordem, o pedido será rejeitado e os documentos devolvidos ao interessado, podendo este solicitar que o caso seja encaminhado ao Juízo Corregedor Permanente, como procedimento de dúvida registral (artigo 198 da Lei de Registros Públicos); Observação 7: Se houver impugnação de alguma das pessoas ou entes públicos elencados, e não for bem sucedida tentativa de conciliação a ser realizada pelo Oficial, os autos serão encaminhados ao Cartório Distribuidor da comarca, para distribuição a uma das Varas Cíveis competentes, cabendo ao interessado emendar o requerimento inicial para adequá-lo ao procedimento comum; Observação 8: Se for imóvel rural deverá apresentar: a) Descrição georreferenciada nas hipóteses previstas na Lei n. 10.267, de 28 de agosto de 2001, e nos decretos regulamentadores; b) Recibo de inscrição do imóvel rural no Cadastro Ambiental Rural – CAR, de que trata o art. 29 da Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012, emitido por órgão ambiental competente, esteja ou não a reserva legal averbada na matrícula imobiliária; c) Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR mais recente, emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, devidamente quitado; d) Certificação do Incra que ateste que o poligonal objeto do memorial descritivo não se sobrepõe a nenhum outro constante do seu cadastro georreferenciado e que o memorial atende às exigências técnicas, conforme as áreas e os prazos previstos na Lei n. 10.267/2001 e nos decretos regulamentadores. Observação 9: No caso de inexistência ou insuficiência dos documentos comprobatórios da posse (item IV acima), poderá o interessado fazer tal prova mediante procedimento de justificação administrativa perante a serventia extrajudicial (Tabelionato de Notas ou Registro de Imóveis da localização do imóvel), nos termos dos artigos 381, §5º, 382 e 383 do CPC, no que couber.