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aula 3 Discipulado e evangelização

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AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DISCIPULADO E 
EVANGELIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Merlise dos Santos 
 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Nesta etapa, vamos conhecer algumas histórias de missionários cristãos 
que não só influenciaram os sistemas educacionais, mas também as crenças, os 
comportamentos, as estruturas econômicas, o modo de vida das pessoas e 
comunidades com que tiveram contato. As histórias missionárias cristãs 
causaram, assim, um enorme impacto na geração da nossa cultura, por meio da 
oração e da introdução de princípios bíblicos. As vidas e o legado desses 
missionários continuam a ser uma fonte de inspiração para outros missionários e 
cristãos ao redor do mundo, lembrando-nos do poder transformador do evangelho 
e do chamado de Deus para levar sua mensagem a todas as nações. 
TEMA 1 – WILLIAM CAREY, PIONEIRO NA ÍNDIA E PAI DAS MISSÕES 
MODERNAS 
William Carey (1761-1834) é frequentemente considerado o pai das 
missões modernas. Nascido na Inglaterra, Carey foi um destacado missionário, 
linguista, botânico e ministro batista cujo impacto de atuação transcendeu as 
fronteiras geográficas e culturais de sua época. Sua vida é um testemunho 
inspirador de dedicação, paixão e visão para levar o evangelho a lugares distantes 
(Carey, 1987, p. 286). 
1.1 Carey antes de se tornar um missionário 
Antes de se tornar um missionário, Carey levou uma vida normal e simples. 
Trabalhou como sapateiro e exerceu essa profissão dos 16 aos 28 anos de idade. 
Seu pai era um tecelão e, durante a infância, não podendo mexer com flores por 
problemas alérgicos, iniciou o aprendizado de sapateiro. Converteu-se aos 18 
anos e ingressou na Igreja Batista, onde desenvolveu o hábito de estudar a Bíblia, 
nas suas horas livres. Aos 19 anos, casou-se com Dorothy. Ela era cinco anos 
mais velha que ele, não sabia ler e logo desenvolveu um temperamento difícil. 
Além de problemas no casamento, Carey também tinha problemas econômicos: 
com a morte do seu patrão, ficou responsável pela mulher dele e suas quatro 
crianças (Carey, 1987, p. 286). 
 
 
 
3 
1.2 Pastor e sapateiro 
Como mencionado, William Carey atuou desde cedo como sapateiro, além 
de suas funções como pastor e professor, na sua pequena aldeia. Mas, só em 
1785 ele foi convidado para ser pastor de uma pequena igreja batista, passando 
depois para uma igreja maior, em Leicester, mas mantendo sempre as outras 
profissões ativas, para sustentar a família (George, 1997, p. 21). Seu interesse 
por idiomas e missões o impulsionou a estudar intensivamente outras línguas: ele 
aprendeu hebraico, grego, latim, sânscrito, bengali e hindi. Esse domínio 
linguístico tornou-se uma ferramenta crucial em seus esforços missionários 
(Carey, 1997, p. 286-288). 
1.3 Coração missionário 
O coração missionário de Carey foi despertado durante uma reunião em 
que ouviu um sermão que proclamava a responsabilidade dos cristãos de levar o 
evangelho a todas as nações. Seu famoso lema “Espero que você tenha chamas 
nos pés” reflete seu zelo ardente para compartilhar a mensagem de Cristo com 
aqueles que nunca a tinham ouvido (Carey, 1987, p. 286-288). 
Em 1792, Carey fundou a Sociedade Missionária Batista, uma organização 
dedicada ao avanço das missões globais. Seu primeiro destino missionário foi o 
interior da Índia, onde enfrentou desafios significativos, incluindo a perda de seus 
filhos e os obstáculos linguísticos. Logo depois, foi para Malda, onde se dedicou 
a aprender a língua bengali e se aventurou na tradução do Novo Testamento para 
essa língua, no que, de início, não logrou êxito. As adversidades e o fracasso na 
tradução, porém, não foram impedimentos para que ele desanimasse, pelo 
contrário: ele refez a tradução até que ela pudesse ser compreendida pelo povo 
bengalês. Carey permaneceu firme em sua convicção de que o evangelho deveria 
ser proclamado em todas as culturas. 
O trabalho de Carey na Índia foi multifacetado. Além de seu envolvimento 
direto na pregação e plantação de igrejas, ele também foi pioneiro em iniciativas 
educacionais e trabalhos sociais. Contribuiu significativamente para o 
desenvolvimento da língua bengali, traduzindo a Bíblia e outros textos sagrados 
para tornar as Escrituras acessíveis aos locais. Carey deixou Malda no ano de 
1800 e foi para Serampore, território dinamarquês, perto de Calcutá, onde 
 
 
4 
permaneceu até o fim da vida. Ruth Tucker (1996, p. 125) escreve sobre esse 
tempo do missionário em Serampore: 
A evangelização era também uma parte importante do trabalho em 
Serampore e um ano após o estabelecimento da missão os missionários 
se alegraram com o primeiro convertido. No ano seguinte houve mais 
convertidos, mas de modo geral a evangelização progrediu lentamente. 
Cerca do ano 1818, depois de 25 anos de missões batistas na Índia, 
havia mais ou menos 600 convertidos batizados e mais alguns milhares 
que compareciam às aulas e cultos. 
O legado de Carey transcende suas atividades missionárias imediatas. Seu 
exemplo influenciou gerações posteriores de missionários e inspirou movimentos 
missionários mais amplos. Sua ênfase na responsabilidade cristã de se envolver 
na obra missionária e seu compromisso com a aprendizagem e respeito pelas 
culturas estrangeiras deixaram uma marca duradoura. 
1.4 Impacto 
William Carey faleceu em 1834, mas o impacto de sua obra missionária 
continua a ressoar. Sua vida é um chamado à coragem, persistência e dedicação 
na busca do avanço do evangelho. A influência de Carey transcendeu fronteiras 
geográficas, estabelecendo um padrão elevado para o que significa ser um 
verdadeiro missionário, comprometido não apenas com a disseminação da fé, 
mas também com o amor e a prestação de um serviço prático aos necessitados. 
Ele foi o primeiro missionário na Índia e o primeiro pregador batista a acreditar que 
a grande comissão encontrada em Mateus (Bíblia, Mt. 28, vers. 18-20) era um 
comando vinculativo de todas as gerações de cristãos. Ele é conhecido por 
traduzir toda a Bíblia para o bengali e transformar a cultura local, por meio dos 
negócios e da educação. 
TEMA 2 – ADONIRAM E ANN JUDSON, PIONEIROS DE MISSÕES NO 
EXTERIOR 
Adoniram e Ann Judson foram os primeiros missionários americanos 
enviados para o exterior para servir no campo missionário na Índia e na Birmânia 
(agora conhecida como Myanmar). Adoniram, então, estava com 25 anos e Ann, 
com 23 e eles levaram quatro meses viajando de navio da América do Norte até 
a Índia, onde ficaram até conseguirem a autorização necessária para viajarem até 
 
 
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a Birmânia, em que se hospedaram na missão batista liderada por Guilherme 
Carey. 
Tanto Adoniram quanto Ann trabalharam na tradução da Bíblia para o 
birmanês até que Adoniram foi jogado na prisão quando acusado de ser um 
espião, durante a Primeira Guerra Anglo-Birmanesa. Ann, conhecida como a mãe 
das missões modernas, lutou para tirar o marido da prisão indo a todos os 
tribunais do governo, aumentando a conscientização e escrevendo livros sobre 
ser missionária em um país estrangeiro. Suas histórias refletem que é Deus quem 
planta a semente e a faz crescer. 
2.1 Chamado missionário e serviço no Sudeste Asiático 
Adoniram e Ann Judson foram enviados como missionários batistas para a 
Birmânia (atual Myanmar) em 1813. Eles enfrentaram uma série de desafios, 
incluindo o bebê que Ann esperava ter nascido morto, ocasião em que ela não 
recebeu ajuda nem de um médico, nem de uma enfermeira – apenas Adoniram 
esteve ao lado da esposa (Yates, 2001, p. 9). Isso sem contar com toda a 
hostilidade cultural, as dificuldades linguísticas e a perseguição religiosa. No 
entanto, perseveraram em seu chamado, trabalhando incansavelmente para 
traduzir as Escrituras para o birmanês e estabelecer igrejas locais. 
Os birmaneses eram budistas. Eles eram missionários cristãos e 
encontraram muitas dificuldades de serem aceitos,principalmente por causa da 
língua. Adoniram sabia que outros cristãos já haviam sofrido com duras 
perseguições e até mesmo torturas, na Birmânia (Yates, 2001, p. 9). 
2.2 O estudo da língua 
O casal Judson ficou hospedado com Félix Carey, morando na Casa da 
Missão. Logo, Adoniram foi procurar um professor que concordasse em ensinar-
lhes o birmanês, conforme Yates (2001, p. 10), para quem: 
a maior dificuldade foi fazer com que concordasse em ensinar a Ana. As 
mulheres não eram muito consideradas naquele país, e ele precisou 
vencer o preconceito para aceitar a presença de Ana nas aulas. 
Que dificuldade! O professor não falava uma palavra sequer em inglês. 
Eles não falavam birmanês. Só começaram a se entender quando 
Adoniram teve a ideia de apontar os objetos que estavam à sua volta, 
para que o professor falasse os seus nomes. Adoniram e Ana repetiam 
os sons, procurando gravá-los. Foi assim que aprenderam o nome das 
coisas mais comuns à sua volta, tais como alimentos, árvores, plantas, 
etc. Dessa maneira, começaram a descobrir formas de se comunicar. 
 
 
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Depois de reconhecerem os sons de algumas palavras, o casal começou o 
estudo da parte escrita e descobriram que a língua era fácil de escrever e difícil 
de ler. Então, resolveu criar um dicionário e iniciou os estudos para a tradução do 
livro de Mateus (Yates, 2001, p. 12). 
Um dos legados mais duradouros dos Judsons é sua tradução da Bíblia 
para o birmanês. Eles investiram décadas nesse trabalho monumental, superando 
obstáculos significativos para tornar as Escrituras acessíveis ao povo birmanês. 
Sua tradução da Bíblia desempenhou um papel crucial na disseminação do 
evangelho na região e teve um impacto duradouro, também, na língua birmanesa. 
2.3 Tentativas de evangelismo 
Os dias foram passando e as tentativas de evangelização ficando cada vez 
mais frustrantes: além de elas não produzirem nenhum resultado, o povo não 
queria abandonar a sua própria religião. Ann fazia tentativas de falar de Jesus 
para as mulheres, que não respondiam a isso positivamente, como cita Yates 
(2001, p. 12): “A sua religião é boa para você; a nossa é boa para nós”, 
argumentavam as birmanesas. Já Adoniram fazia suas investidas de evangelismo 
no seu novo professor, um ex-sacerdote budista, de nome U Aung Min. Adoniram, 
em certa ocasião, iniciou uma conversa sobre a fé em Jesus Cristo. A resposta do 
professor, depois de uns minutos de introspecção foi: “Eu nunca vou crer nisso 
que me diz, Sr. Judson!” (Yates, 2001, p. 12). 
Mas, nenhuma decepção impediu o casal de continuar tentando e, depois 
de quatro anos, veio o primeiro fruto do seu trabalho missionário: Adoniram levara 
9 anos para batizar 18 birmaneses. Contudo, depois do primeiro ano da guerra, 
foram batizados 242 birmaneses e 113 estrangeiros ali residentes (Yates, 2001, 
p. 38). 
2.4 Influência e legado 
O trabalho dos Judsons teve um impacto profundo na história missionária 
global. Como parte dessa história, contam-se perda de filhos, enfermidades, morte 
de Ann, intolerância religiosa e prisão; mas suas experiências na Birmânia 
inspiraram muitos outros missionários a se dedicarem ao trabalho transcultural, e 
seu exemplo de sacrifício e compromisso tornou-se um modelo para gerações 
futuras de missionários, em todo o mundo. 
 
 
7 
O legado dos Judsons continua a ser celebrado e honrado até hoje. Eles 
são amplamente reconhecidos como heróis missionários, cujo trabalho pioneiro 
abriu caminho para a disseminação do evangelho no Sudeste Asiático. Seu 
legado vive não apenas nas igrejas e comunidades que foram estabelecidas como 
resultado de seu ministério, mas também na memória e na inspiração que 
deixaram para todos os que ouvem sua história. 
TEMA 3 – HUDSON TAYLOR, FUNDADOR DA MISSÃO PARA O INTERIOR DA 
CHINA 
James Hudson Taylor foi o primeiro missionário cristão na China e passou 
51 anos trabalhando para levar o evangelho para aqueles que nunca ouviram o 
nome de Jesus em sua própria língua. Em 1865, Hudson fundou a China Inland 
Mission (CIM) porque sabia que havia milhões de pessoas que precisavam ouvir 
a mensagem de Jesus Cristo. Seu legado inspirou inúmeros missionários cristãos 
a irem para os lugares mais difíceis e sombrios do mundo. 
Nascido em 21 de maio de 1832, em Barnsley, na Inglaterra, seus pais 
eram de berço metodista: Taylor se converteu ao cristianismo em 1849, aos 17 
anos, fruto das orações de sua mãe. E, em setembro de 1853, partiu para a China 
a convite da Sociedade Chinesa de Evangelização (CES). Taylor rapidamente 
aprendeu a língua chinesa e se dedicou a fazer incursões evangelísticas para o 
interior da China. Passados 5 anos de sua chegada, casou-se com Maria Dyer, 
com quem permaneceu por 12 anos em uma união que gerou 8 filhos. Alguns 
morreram ao nascer e outros morreram na infância; os que sobreviveram até a 
idade adulta viraram missionários, a exemplo de seus pais. 
Maria morreu com apenas 33 anos, de cólera, em julho de 1870 (Piper, 
2018). Mas seu legado e contribuição para a evangelização da China foi 
incalculável, pois 
ela auxiliava nas correspondências da missão, foi professora de 
mandarim para os missionários (pois havia nascido na China, onde seus 
pais também eram missionários), alfabetizou os chineses que eram 
evangelizados, cuidava dos filhos, era uma fiel intercessora de seu 
marido e filhos e uma grande incentivadora da missão na China, que foi 
a missão que mais aceitou mulheres, tanto casadas como solteiras como 
missionárias. (Tucker, 1996, p. 195) 
 
 
 
 
8 
3.1 China e a guerra 
A Guerra do Ópio, que ocorreu na China entre 1839 e 1842, foi um conflito 
significativo que teve sérias consequências políticas, sociais e econômicas para o 
país. Esse conflito foi resultado das tensões crescentes entre a China e as 
potências ocidentais, especialmente a Grã-Bretanha, em relação ao comércio de 
ópio. Em 1839, as tensões entre a China e a Grã-Bretanha atingiram um ponto de 
ruptura quando o governo chinês apreendeu e destruiu uma grande quantidade 
de ópio britânico em Cantão (atual Guangzhou). Em retaliação, a Grã-Bretanha 
declarou guerra à China, marcando o início da Guerra do Ópio. 
A guerra foi marcada por uma série de confrontos militares e batalhas 
navais, ao longo da costa chinesa. A tecnologia militar superior da Grã-Bretanha, 
incluindo sua poderosa marinha, deu-lhe uma vantagem significativa sobre as 
forças chinesas. Além disso, a Grã-Bretanha recebeu apoio de outras potências 
ocidentais, como a França, que também estavam interessadas em proteger seus 
interesses comerciais na China. Assim, em 1842, a China foi forçada a assinar o 
Tratado de Nanquim, que encerrou formalmente a guerra. Os termos do tratado 
foram extremamente desfavoráveis para a China, exigindo a abertura de vários 
portos para o comércio internacional, o pagamento de indenizações à Grã-
Bretanha e a cessão da ilha de Hong Kong à Grã-Bretanha. Além disso, a China 
foi forçada a conceder privilégios comerciais especiais à Grã-Bretanha e outras 
potências ocidentais (Sampaio, 2015, p. 3). 
A Guerra do Ópio teve um impacto devastador na China. Além das perdas 
econômicas e territoriais, o conflito enfraqueceu ainda mais a autoridade do 
governo Qing e aumentou o sentimento antiestrangeiros entre a população 
chinesa. A guerra também marcou o início de uma era de agressão imperialista à 
China, na medida em que as potências ocidentais buscavam expandir seus 
interesses e influências no país. 
3.2 Desafios 
Durante o século XIX, várias potências ocidentais estavam envolvidas em 
atividades missionárias na China, aproveitando-se do enfraquecimento do Império 
Qing. As missões cristãs buscavam difundir o evangelho entre os chineses, 
estabelecendo escolas, hospitais e igrejas em várias partes do país. No entanto, 
esses esforços missionários frequentemente esbarravam em barreiras culturais e 
 
 
9 
hostilidades locais.Um dos eventos mais significativos desse período foi a 
fundação da CIM, por Hudson Taylor, em 1865. Taylor, um missionário britânico, 
estava determinado a levar o evangelho ao interior da China, onde o acesso ao 
cristianismo era limitado. 
3.3 Identificação cultural 
A missão da CIM adotou uma abordagem inovadora em seu ministério, 
enfatizando a identificação cultural e a confiança na provisão divina, e 
rapidamente estabeleceu uma presença significativa em muitas partes do país. 
Um dos aspectos mais marcantes do ministério de Taylor foi sua identificação 
cultural com o povo chinês. Ele adotou o hábito de vestir-se como um chinês e 
adotou costumes locais sempre que possível, a fim de se aproximar das pessoas 
e ministrar a elas de maneira mais eficaz. Essa abordagem inovadora ajudou a 
CIM a ganhar aceitação entre os chineses e a estabelecer um ministério 
duradouro. 
3.4 Novo olhar 
Em 1871, Taylor retornou para a Inglaterra, para visitar os filhos, e, agora 
viúvo, reencontrou uma amiga de infância que também era missionária na China, 
chamada Jennie Faulding. No ano seguinte, eles se casaram na Inglaterra. Entre 
os anos de 1876 e 1878, outros missionários foram agregados à missão, vindos 
de muitas partes do mundo. Hudson Taylor esteve doente, por algum tempo, por 
problemas na coluna que o paralisaram; mas, mesmo sem poder andar, ele enviou 
18 novos missionários para o interior da China e, depois de algum tempo, foi 
milagrosamente curado. 
Segue uma pequena linha de tempo: 
• Em 1882, Taylor orou por 70 missionários e Deus os bem proveu. 
• Em 1886, pede por 100 missionários e recebe 600 candidatos para a obra. 
• Em 1887, escolhe 100 missionários e parte para a China, numa expansão 
de seu trabalho por todo o interior do país. 
• Em 1888, depois de ter visitado Estados Unidos e Canadá, ele parte com 
14 missionários selecionados, em direção à China. 
• Em abril de 1905, já com 73 anos de idade, Hudson Taylor faz sua última 
viagem à China, agora sem a esposa Jennie, que havia morrido. Chegando 
 
 
10 
lá, visita o túmulo de sua primeira esposa e seus filhos e, numa tarde do 
mesmo ano, também morre (Endres et al., 2020, p. 80). 
Taylor passou mais de 50 anos na China, e esse lugar nunca mais foi o 
mesmo: o seu ministério teve um impacto profundo na história missionária global. 
A CIM cresceu rapidamente sob sua liderança, estabelecendo centenas de 
estações missionárias e levando milhares de chineses a Cristo. Seu exemplo de 
fé, sacrifício e dedicação continua a inspirar missionários em todo o mundo, 
desafiando-os a se comprometerem com a missão de Deus com paixão e zelo 
semelhantes aos dele. 
TEMA 4 – JIM E ELISABETH ELLIOT: UM GRANDE PROPÓSITO 
Jim e Elisabeth Elliot se conheceram como estudantes no Wheaton 
College, em Illinois, onde cursavam um programa de grego e já tinham em mente 
a atuação como linguistas, entre os não alcançados. Jim era um jovem cujo 
coração estava pegando fogo para que Deus fosse conhecido entre os não 
alcançados, no que foi inspirado por vários missionários, como David Brainerd, 
William Carey e Amy Carmichael. Ele convenceu quatro amigos (Roger, Ed, Peter 
e Nate) a se juntarem a ele como missionários para alcançarem os índios da 
nação Aucas, ao longo do Rio Curray, no Equador. 
4.1 Convicção do chamado 
Elliot tinha convicção de seu chamado: quando ainda estava na faculdade, 
pregara para uma tribo indígena (Elliot, 2013, p. 19). Durante um acampamento 
para tradutores da Bíblia em 1950, conhecera um missionário que lhe apontou a 
necessidade da pregação do evangelho entre os índios do Equador, chamados 
de aucas. Elliot orou e recebeu uma carta pelo correio e, dentro dela, havia 20 
dólares e uma mensagem dizendo que esse valor era uma ajuda para a sua ida 
ao Equador. 
4.2 O convite 
Elliot reencontrou então um amigo de infância, chamado Pete Fleming, que 
também tinha sonhos com relação ao chamado missionário e não sabia para onde 
Deus o direcionaria depois do término do mestrado. Com isso, os dois começaram 
a sonhar juntos com a missão no Equador (Benge; Benge, 2019, p. 19). 
 
 
11 
Primeiramente, os planos de Jim eram ir para a missão solteiro, mas uma moça 
rondava seus pensamentos: seu nome era Elizabeth. Ela também havia estudado 
na escola de tradução da Bíblia e tinha um chamado para trabalhar no Equador. 
4.3 A missão 
Os primeiros a chegarem a Shandia, o posto missionário da tribo dos 
quechuas, foram Jim e Pete, em 1950. Os quechuas praticavam a agricultura e 
caçavam e eram considerados uma tribo gentil, em comparação com a tribo dos 
jivaros e dos aucas (Elliot, 2013, p. 35). Os dois amigos ficaram um tempo em 
Shandia, para aprender o idioma, e reativaram a escola missionária (Elliot, 2013, 
p. 53). 
Três anos mais tarde, chegaram para auxiliar no trabalho Ed McCully, sua 
esposa Marilou e seu filho Stevie. Ao mesmo tempo que ficaram alegres com a 
chegada de mais pessoas para o trabalho, foram surpreendidos por uma enchente 
que destruiu o posto missionário. Elliot pegou malária e enviou uma carta para 
Elisabeth, que imediatamente foi até ele. Nisso, ele a pediu em casamento, que 
aconteceu em outubro de 1953, em Quito. Logo depois de casados, ambos 
iniciaram um trabalho novo em Puyupungu, onde havia necessidade de uma 
escola. Enquanto isso, a família McCully já estava instalada em Shandia e Pete 
Fleming retornava para os Estados Unidos para se casar com a namorada Olive. 
Do casamento de Elliot e Elizabeth nasceu Valerie, em 1955. Quando os 
McCullys tiveram seu segundo filho, Pete retornou com a esposa para a missão e 
eles estudaram a abertura de mais um campo missionário em Arajuno, que ficava 
perto da tribo dos aucas, conhecida por ser extremamente violenta (Benge; 
Benge, 2019, p. 110-115). Durante meses, o piloto de avião Nate sobrevoou a 
tribo dos Aucas, jogando presentes com mensagens de amizade e frases gritadas 
em um alto-falante, na língua dos aucas, que ele havia aprendido com uma índia 
auca. 
4.4 Morte 
Em 1956, depois de vários sobrevoos, eles decidiram descer e tentar uma 
aproximação pessoalmente. Primeiramente, foram recebidos por um jovem auca, 
de quem logo em seguida se aproximou uma mulher e mais tarde outros aucas. 
Eles fizeram um almoço e passaram o dia com a tribo (Benge; Benge, 2019, p. 
 
 
12 
171-178). No dia seguinte, Nate Saint, Ed McCully e Roger Youderian foram 
cercados pelos aucas e brutalmente assassinados. Em seguida, os aucas 
mataram também Jim Elliot e Pete Fleming (Benge; Benge, 2019, p. 178-180), 
cujas esposas aguardavam notícias da interação de seus maridos com os índios. 
E, como elas não chegavam, elas pediram que um amigo de Nate sobrevoasse a 
região e ele encontrou o avião destruído, mas sem sinal dos missionários. O 
resgate foi acionado e depois de alguns dias encontrou os corpos dos 
missionários. 
O que é impressionante, na história, é o fato de as esposas terem decidido 
continuar a missão. Em 1957, Elisabeth Elliot, Dayuma (que havia abandonado a 
tribo) e Rachel, uma das viúvas, foram visitar outras mulheres aucas. Elas foram 
recebidas gentilmente pelos aucas e receberam uma explicação do porquê de 
matarem os missionários: eles teriam matado “[...] os missionários pois acharam 
que eram canibais e que consideraram a ação dos missionários como um erro” 
(Elliot, 2013, p. 295-296). Porém, o assassino de Jim Elliot foi evangelizado e se 
converteu à fé cristã junto com alguns dos homens que participaram da morte dos 
missionários. Ele virou líder da igreja na aldeia e batizou a filha de Jim e Elizabeth 
Elliot no mesmo rio onde seu pai havia sido brutalmente assassinado (Elliot, 2013, 
p. 295-296). 
TEMA 5 – OUTROS MISSIONÁRIOS QUE VALE A PENA CONHECER 
O trabalho missionário desempenha um papel fundamental na educação, 
na cultura e nas crenças das comunidades ao redor do mundo. Sua importância 
vai além da mera transmissãode uma mensagem religiosa. Ele influenciou e 
moldou aspectos fundamentais da vida das pessoas, enriquecendo suas 
experiências e expandindo suas perspectivas. 
A seguir, trataremos da história de mais alguns missionários que vale a 
pena conhecer. 
5.1 David Livingstone 
David Livingstone (1813-1873) foi um missionário, explorador e médico 
escocês. Sua vida é marcada por uma dedicação incansável ao serviço 
missionário, uma paixão pela descoberta e um compromisso com o fim do 
comércio de escravos. Nascido em Blantyre, na Escócia, em uma família pobre, 
 
 
13 
Livingstone começou a trabalhar na fábrica de algodão local aos 10 anos de idade. 
No entanto, ele se dedicou à educação e tornou-se médico, decidindo usar suas 
habilidades para o serviço missionário na África (Carvalho, 2017, p. 178). 
Em 1840, Livingstone partiu para a África como missionário da Sociedade 
Missionária de Londres. Ele passou os próximos 30 anos explorando vastas 
regiões do continente, estabelecendo contatos com tribos locais e pregando o 
evangelho em áreas onde nunca antes ele chegara. Sua abordagem para o 
trabalho missionário era única, combinando evangelização com esforços para 
promover o comércio legítimo e acabar com o comércio de escravos (Carvalho, 
2017, p. 178-179). 
Livingstone ficou famoso por suas explorações na África, que incluíram 
viagens pelo interior do continente, a descoberta das Cataratas Vitória, em 1855, 
e a determinação da localização geográfica do Rio Nilo, em 1862. Suas 
descobertas despertaram o interesse internacional e aumentaram a consciência 
sobre a África entre os europeus (Carvalho, 2017, p. 194). Além de seu trabalho 
missionário e explorações, Livingstone também era um crítico feroz do comércio 
de escravos, que estava em ascensão na África, na época. Ele dedicou muitos de 
seus esforços para investigar e expor os horrores do comércio de escravos, e sua 
influência foi crucial para a abolição dessa prática em muitas partes da África. 
A vida e o legado de David Livingstone continuam a inspirar pessoas ao 
redor do mundo, até hoje. Sua dedicação ao serviço missionário, sua coragem 
como explorador e sua luta pela justiça social deixaram uma marca indelével na 
história da África e no movimento missionário global. Ele é lembrado como um 
herói e um visionário cujo trabalho ajudou a moldar o mundo moderno. 
5.2 Mary Slessor 
Mary Slessor (1848-1915) foi uma missionária escocesa que deixou um 
legado duradouro de coragem, compaixão e serviço entre os povos indígenas da 
Nigéria. Sua vida é uma história notável de superação de adversidades e 
dedicação ao serviço missionário em meio a condições desafiadoras. Nascida em 
uma família pobre, Mary Slessor cresceu em um ambiente marcado pela pobreza 
e dificuldades. No entanto, desde cedo, ela demonstrou uma forte determinação 
de fazer a diferença na vida das pessoas ao seu redor. Inspirada pelo exemplo de 
outros missionários, ela sentiu o chamado de Deus para levar o evangelho a terras 
distantes (Modes, [S.d.], p. 13). 
 
 
14 
Em 1876, Mary Slessor chegou à Nigéria como missionária da Igreja 
Presbiteriana Escocesa. Ela foi inicialmente enviada para Calabar, uma região 
remota e selvagem, habitada por várias tribos indígenas. Lá, ela enfrentou uma 
série de desafios, incluindo hostilidade das tribos locais, doenças tropicais e 
condições de vida precárias. No entanto, sua determinação em compartilhar o 
amor de Cristo a impulsionou a superar todas essas dificuldades. 
Uma das características mais marcantes do ministério de Mary Slessor foi 
sua abordagem inovadora sobre o trabalho missionário: em vez de impor sua 
própria cultura e costumes aos nativos, ela procurou compreender e respeitar 
suas tradições, ganhando assim a confiança e o respeito das comunidades locais. 
Ela aprendeu os dialetos locais, envolveu-se nas questões sociais e culturais das 
tribos e trabalhou incansavelmente para promover a paz e a harmonia entre elas 
(Modes, [S.d.], p. 13-15). 
Mary Slessor também desempenhou um papel crucial na promoção dos 
direitos das mulheres e crianças na Nigéria. Ela lutou contra práticas prejudiciais, 
como o infanticídio de gêmeos, que era comum entre algumas tribos, e defendeu 
a educação e o empoderamento das mulheres. Ao longo de sua vida, Mary 
Slessor testemunhou a transformação espiritual de muitos nativos, que 
abandonaram práticas pagãs e se converteram ao cristianismo. Seu ministério 
teve um impacto duradouro na região, estabelecendo igrejas, escolas e clínicas 
médicas que continuaram a servir às comunidades mesmo após sua morte. Mary 
Slessor faleceu em 1915, deixando para trás um legado de amor, serviço e 
sacrifício que continua a inspirar missionários e cristãos ao redor do mundo. Sua 
vida é um testemunho poderoso do poder transformador do evangelho e do 
chamado de Deus para levar sua mensagem de esperança e redenção a todos os 
povos e nações (Modes, [S.d.], p. 13-15). 
5.3 Amy Carmichael 
Amy Carmichael (1867-1951) foi uma missionária e escritora cristã 
irlandesa cuja vida e obra deixaram um impacto duradouro no mundo missionário. 
Em 1895, Amy partiu para a Índia como missionária, inicialmente associada à 
Sociedade Missionária de Keswick. Lá, ela logo se deparou com uma prática local 
cruel: as meninas eram dedicadas aos deuses e frequentemente sujeitas a abusos 
e exploração. Sua compaixão pelas crianças presas nesse sistema a levou a 
iniciar um ministério de resgate e cuidado (Boardman, 2019, p. 41). 
 
 
15 
Amy estabeleceu uma missão em Dohnavur, no Sul da Índia, chamada de 
Dohnavur Fellowship, em 1901. Lá, acolheu ex-prostitutas infantis. Ela dedicou 
sua vida ao cuidado e educação dessas crianças, fornecendo-lhes um lar seguro, 
amoroso e cristão. Seu trabalho foi pioneiro na Índia e inspirou muitos outros a se 
juntarem à causa do resgate e cuidado de crianças em situações de 
vulnerabilidade. Ela ficou conhecida como Amma, que é uma espécie de mãe 
(Boardman, 2019, p. 41). 
5.3.1 As dificuldades 
Os sacerdotes hindus causaram muitas dificuldades ao trabalho de Amy. 
Assim que sabiam que as meninas estavam se tornando cristãs, muitas vezes 
falavam com as famílias das meninas ou usavam as mulheres do templo para 
exigirem as meninas de volta. Amy não tinha o apoio dos demais missionários da 
época, que pensavam que ela estava exagerando ao salvar as meninas da 
prostituição abrigando-as no templo. Para fazer as pessoas entenderem a 
gravidade da situação, ela fingia ser uma indiana e passou a visitar os templos. 
Ela pintava e manchava a sua pele de marrom-claro com saquinhos de café ou 
chá, e a cor dos olhos castanhos ajudava no disfarce. Ela usava um sari de cor 
azul-claro, que estava associada à cor da casta mais baixa (Boardman, 2019, p. 
41). 
5.3.2 Ajuda 
Segue uma breve linha do tempo: 
• Em 1912, a Rainha Maria reconheceu seu trabalho e ajudou a financiar um 
hospital em Dohnavur. 
• Em 1913, a Dohnavur Fellowship abrigava 130 meninas e mais de 30 
mulheres cristãs indianas voluntárias, no ministério. 
• Em 1918, Amy inaugurou um lar para meninos, que foram ensinados a 
amar e temer a Deus. 
• Em 1931, Amy Carmichael sofreu um acidente em que quebrou a perna e 
o tornozelo, teve o quadril e as costas gravemente feridos e depois do qual 
não conseguiu mais andar: as consequências do acidente, associadas com 
sua neuralgia, tornaram-na acamada pelo resto da vida. Os últimos 20 anos 
do gerenciamento da missão Dohnavur Fellowship foram feitos de seu leito. 
 
 
16 
• Em 1948, Amy pôde se alegrar com a proibição da prostituição nos templos 
da Índia. 
• Em 18 de janeiro de 1951, Amy Carmichael morreu, então com 83 anos 
(Boardman, 2019, p. 41). 
Amy estava com seus movimentos limitados, mas seu ministério crescia e 
ela passou, então, a responsabilidade do resgate das crianças para o Starry 
Cluster, movimento de mulheres cristãs indianas que viajavam pelasaldeias do 
extremo sul da Índia para atender aos necessitados (Boardman, 2019, p. 41). 
Amy escreveu vários livros sobre vida espiritual, missões e serviço cristão. 
O legado de Amy Carmichael continua a ressoar através das décadas. Sua 
dedicação à causa do resgate e cuidado de crianças em situações vulneráveis 
continua a impactar vidas na Índia. 
FINALIZANDO 
Chegamos ao final desta etapa, em que tivemos a oportunidade de 
conhecer a história de pessoas incríveis, que mudaram o rumo da história de 
muitas outras. Suas vidas de sacrifício, compaixão e amor deixaram marcas na 
história missionária e continuam a inspirar milhares de pessoas a se dedicarem 
ao serviço de evangelização. 
 
 
 
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2019. Disponível em: 
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