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Mitocôndrias , Lisossomos e Peroxissomos Prof. Dr. Emerson Fioretto Mitocôndrias Organelas semiautônomas com funções que vão muito além da simples produção de energia. Regulam : Apoptose (morte celular programada ) Metabolismo do cálcio Membrana Externa Lisa e permeável Porinas — proteínas de canal que permitem passagem de moléculas de até 5.000 Daltons . Espaço Intermembranoso Alta concentração de prótons ( H^+). Contém o Citocromo c : se liberado ao citosol, deflagra a apoptose. Membrana Interna Altamente seletiva. Forma as cristas mitocondriais para maximizar a área de síntese de ATP. Abriga os Complexos I, II, III e IV da cadeia respiratória. Matriz Mitocondrial O ambiente interno rico em enzimas do Ciclo de Krebs , ribossomos 70S (tipo bacteriano) e o DNA mitocondrial circular. DNA Mitocondrial Características Únicas O DNA_mt é circular , sem histonas e com pouquíssimos íntrons — muito semelhante ao DNA bacteriano. Codifica 13 proteínas essenciais da cadeia respiratória, além de tRNAs e rRNAs necessários para a tradução dentro da própria mitocôndria. Herança Exclusivamente Materna O DNA mitocondrial é transmitido apenas pela mãe . Durante a fertilização, as mitocôndrias do espermatozoide são eliminadas. Isso significa que se uma mãe carrega uma mutação mitocondrial, todos os seus filhos — machos e fêmeas — a herdarão. O pai nunca transmite seu DNA mitocondrial à prole. A cadeia de transporte de elétrons é uma série de complexos proteicos integrados na membrana mitocondrial. Elétrons capturados de moléculas doadoras são transferidos através desses complexos. Acoplada a essa transferência está a bomba de íons de hidrogênio. Esse bombeamento gera o gradiente usado pelo complexo da ATP sintase para sintetizar ATP. A cadeia de transporte de elétrons inclui: a) NADH Desidrogenase b) Citocromo b -c₁ c) Citocromo Oxidase d) ATP Sintase Existem também transportadores móveis nesta cadeia: e) Ubiquinona f) Citocromo c a b c de f Outras moléculas que participam neste processo são: g) NADH + Elétrons h) Íons de Hidrogênio i) Oxigênio Molecular (O₂) j) Água (H₂O) k) ADP l) Pi (Fosfato Inorgânico) m) ATP g i k lh j m O processo começa com o NADH. Essa molécula liberta os seus elétrons para o complexo NADH desidrogenase. Juntamente com essa transferência de elétrons, íons de hidrogênio são bombeados através da membrana, da matriz para o espaço intermembranar . Os elétrons são então transferidos para a ubiquinona , o primeiro transportador móvel. A ubiquinona move -se através da membrana e transfere os elétrons para o complexo citocromo b -c₁. Novamente, essa transferência de elétrons está acoplada ao bombeamento de íons de hidrogênio através da membrana. Do complexo citocromo b -c₁, os elétrons são transferidos para o citocromo c, o segundo transportador móvel. O citocromo c interage com o complexo citocromo oxidase e transfere os elétrons para esse complexo final. À medida que os elétrons passam pelo complexo citocromo oxidase, íons de hidrogênio adicionais são bombeados através da membrana. O citocromo oxidase transfere os elétrons para o aceitador final de elétrons > o oxigênio molecular. Este processo precisa de 4 elétrons, íons hidrogênio e oxigênio. O oxigênio interage com os íons de hidrogênio circundantes na matriz e com os elétrons para formar 2 moléculas de água. Os íons de hidrogênio excedentes são transportados para fora. Esta série de bombeamento contínuo de íons de hidrogênio através da membrana cria o gradiente de íons de hidrogênio. O aumento da concentração desses íons no espaço intermembranar impulsiona a síntese de ATP. A ATP Sintase funciona como um verdadeiro motor molecular Fluxo de retorno dos prótons ( H^+) gira a enzima mecanicamente, forçando a ligação de ADP com fosfato inorgânico (Pi) e gerando ATP. Cada molécula de glicose pode render até 30–32 moléculas de ATP por essa via. Produção de ATP: Fosforilação Oxidativa Oxidação NADH e FADH2 doam elétrons à cadeia Síntese H+ retorna pela ATP sintase gerando ATP Gradiente Elétrons impulsionam bombeamento de H+ Lisossomos Organelas membranosas de origem no Complexo de Golgi . Seu interior ácido (pH ≈ 5,0) é mantido por uma bomba de prótons ( H+ -ATPase) que consome ATP para concentrar íons H+ no interior da organela. Esse ambiente ácido é indispensável para a atividade das enzimas digestivas. Enzimas e Vias de Digestão Intracelular Enzimas Hidrolíticas Os lisossomos abrigam cerca de 40 tipos de hidrolases ácidas : proteases, nucleases, glicosidases e lipases . Todas funcionam de forma otimizada em pH ≈ 5,0. Se ocorrer ruptura do lisossomo, o pH neutro do citosol inativa essas enzimas, protegendo a célula de uma autodigestão acidental . Vias de Digestão • Fagocitose: Englobamento de partículas grandes como bactérias e restos celulares — fundamental para a defesa imunológica. • Pinocitose : Captação de fluidos e pequenas moléculas dissolvidas do ambiente extracelular. • Autofagia: A célula envolve suas próprias organelas danificadas em uma membrana dupla, formando o autofagossomo , que se funde ao lisossomo para digestão. Autofagia Reconhecimento Organela danificada (ex: mitocôndria velha) é sinalizada para degradação Sequestro Uma membrana dupla (fagóforo) envolve a organela, formando o autofagossomo Fusão O autofagossomo se funde ao lisossomo, expondo o conteúdo às hidrolases ácidas Reciclagem Aminoácidos, lipídeos e nucleotídeos liberados retornam ao citosol para reutilização A autofagia é um processo essencial de controle de qualidade celular. Sua falha está associada a doenças neurodegenerativas e envelhecimento celular acelerado em diversas espécies. Peroxissomos Ação da Catalase A catalase decompõe o H2O2 gerado pela oxidação: Uma das enzimas mais rápidas conhecidas — protege a célula de danos oxidativos graves. β-Oxidação de Ácidos Graxos Quebra de ácidos graxos de cadeia muito longa (>22 carbonos), que as mitocôndrias sozinhas não conseguem processar. Os fragmentos são transferidos para a mitocôndria para geração de ATP. Síntese de Plasmalogênios Produzem fosfolipídeos essenciais chamados plasmalogênios, fundamentais para a formação e integridade da bainha de mielina dos neurônios. A deficiência desse processo tem consequências neurológicas graves. CORRELAÇÃO CLÍNICA Mitocôndria e Choque Séptico Sepse > toxinas bacterianas e citocinas inflamatórias causam disfunção direta nos complexos da cadeia respiratória (I– IV). A mitocôndria perde a capacidade de realizar a fosforilação oxidativa mesmo com oxigênio disponível — fenômeno chamado de Hipóxia Citotóxica . 1 Queda drástica de ATP Sem energia Bombas iônicas falham 2 Edema celular Entrada de Na⁺ e água sem controle causa inchaço e ruptura 3 Choque e Morte Tecidual Falência multiorgânica e colapso circulatório sistêmico Lisossomos e Gangliosidose: Doença de Depósito Defeito Genético Mutação que gera uma β- galactosidase defeituosa — a enzima lisossomal responsável por digerir gangliosídeos. Consequência Celular O gangliosídeo não digerido se acumula progressivamente dentro dos lisossomos, "entupindo" a célula e impedindo seu funcionamento. Quadro Clínico Na Gangliosidose Felina , os neurônios são os mais afetados. Sinais: paralisia, tremores e demência progressiva no animal. CORRELAÇÃO CLÍNICA Resumo Comparativo: As Três Organelas Organela Função-Chave Marcador Químico Patologia Associada Mitocôndria Produção de ATP, apoptose, metabolismo de Ca²⁺ Cadeia de Elétrons / DNAmt Choque Séptico / Miopatias Lisossomo Digestão intracelular e autofagia Hidrolases Ácidas (pH ≈ 5,0) Doenças de Depósito (Gangliosidose) Peroxissomo Desintoxicação e β- oxidação Catalase / H2O2 Síndrome de Zellweger Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16Slide 17 Slide 18 Slide 19